UMA INEXISTENTE CULTURA CASTREXA

COMUM HÁBITAT E CIVILIZAÇÃO CELTOATLÂNTICA DA IDADE DO FERRO

Ainda que é preferível a denominar Civilização Celta, é verdadeiro que poderia se definir na Idade do Bronze e do Ferro Atlântico pars pro toto, ex more celta pelo arraigado módulo de hábitat: o castro, denominado em celta antigo comum brig– ‘Alto [fortificado] lugar”.

Oratores, bellatores, laboratores

Briga “Castro” celtoatlântico (Desenhos de Carlos Alfonzo assesorado por A. Pena) © Carlos Alfonzo

Mas o princípio que na Arqueologia e ainda no nutrido conjunto de topônimos em –briga, –bris, -bris, -bria, -bre, etc., com abundantes derivados (Moralejo, 2008, 173), condescende em supor a Civilização Celta cultura de brigas ou castros, não admite uma “Cultura Castrexa [ou Castreja]” cingida em exclusiva ao Noroeste hispano [á, 227-262].

Valpaços, Chaves. Portugal

O registo epigráfico do Noroeste, dentro do ambiente marcadamente territorial que lhe é particular, mostra também a voz Treba na Gallaecia Bracarense, exactamente em Sanfins [Valpaços], cerca de Chaves [Portugal], se assinalando num epígrafe cruciforme, que intensifica seu valor como petróglifo de termo, o limite ou fronteira da treba, “tribo” dos Obili[ancos]: TERMINUS/TREB[AE]/OBILI[ANCORUM?]

Uma treba galaica, como Trasancos, poderia, dependendo de seu tamanho, ter entre 80 e 120 castros na Idade do Ferro. O castro [a, 177-185; 187-197] projeta sobre seu minúsculo território econômico (de 1’5 km de rádio por meio-termo) uma direitura ou jurisdição cum omnia intus clausis et extrinsecus foris, compreensiva de pastos, bosques, montes e cursos de água, perfeitamente demarcada per suis terminus et locis antiquis [a, 204-205; a, 226-296; b, 131; 152]. É um bem pertencente, pro indiviso, ao Dominus, à cabeça (a.i. tanaiste) duma Domo, ‘Casa nobiliar’ [precedente do nobile e do satelite alto-medieval ou do fidalgo] gassaliana, “vassala” ou cliente da Casa do princeps da treba ou toudo [b 263-283, m 333-502].

Trebopala, Crougintoudadigo,  Pedra de Scone, Lia Fáil

Resulta muito significativo que todos os elementos esenciais, realmente importantes, o mito fundacional de Irlanda, a pedra sobre a que se sentou Isabel de Inglaterra para reinar sobre o Império Britânico, nos remetem a Galiza. Que casualidade! Não te parece?

Mostramos como na cada sucessão [igual sucede com a posse da Treba pelo princeps (lat. provinciano, principis)] o novo senhor representa com uma inauguratio a imemorial posse jurisdicional do castro pela linhagem [p, 20-34; 37-56; 60-88] ‘sulcando a fronteira com o arado’, de succo [o, 117-120], cobrando grande importância propagandística na crica , “fronteira”, a estela [neolítica, calcolítica, ‘guerreiro galaico’, etc.], erigida como em a Europa celtoatlântica sobre simbólico inmobiliário demarcatório do conceito sagrado e ‘melusino’ da Soberania Celta: a mámoa  fundacional do clã nobiliário reacondicionada pela prosápia ao longo de milhares de anos; a fontana fria da louçana casamenteira [A]Moura, institutora da linagem, a Trebopala ou Crougintoudodadigo [Croio Teutático], e a carvalha [de Auga Quente ou Edratil, Hy-Brassil; Iggdrassil, etc.].

COMÚM NOBILIÁRIA E CAVALEIRESCA OLIGARQUIA

Castro de Carlos Alfonzo

Castro de Carlos Alfonzo (asesorado por A. Pena)

Os castros nome que damos na Galiza ao comum hábitat atlântico do Bronze e da Idade do Ferro, insular e continental, aparecem mencionados no registro epigráfico (SS I-V dC.) depois do Território Político (TP) como topônimo em ablativo, a seguir da letra Ͻ, intrometida entre o TP e o castro, que originando no passado vibrantes polêmicas, desde faz mais de trinta anos de forma pacífica comummente se interpreta (María Lourdes Albertos 1975:65) como castrum ou castellum (pl. castra, castella).

Estela-Nicer Clutosi-

Estela Páleo Cristã achada em A Corredoira (Vegadeo) “XP [Crismon entre o sol e a desaparecida lua] Niger, filho de Clutoso, principe [em vulgar latin baixo imperial, principis] dos [galaicos] Albiones […]”

De ter sido este o significado de Ͻ, “a letra fatal”, como lhe chamou Untermann, quase não teria importância [á, 179-181], seria innecessário em realidade ou estaria duplicado por reaparecer de novo depois do signo o castellum a –briga, -bris, -bris, -bria, -bre, “castro”: Cabarcos Ͻ Beriso ; Interamnicus ex Ͻ Loucioelo; Seurra Trans (miniense) ex Ͻ Serante; etc-, cimentado comodamente em um topônimo: Aiobrigiaeco; Narelia; Serante; Cariaca; Beriso; Eritaeco; Arcuce; Talabriga; Berense; Berisamo; Letiobri; Louciocelo; Tarbu, antigo expressado em ablativo sem preposição, referido exclusivamente a entidades menores com função em latim de locativo [á, 266-296] -como domo [que origina em antigo irlandês déis ‘cliente(s)’ derivando a voz casualmente dum conceito de soberania doméstica– segundo Kin McCone (1992, 193–197) de *dem- “Casa”, ‘house(hold)’; cf. dám “freguesia”, ‘retinue (of clients)’ < *domo– ‘house(hold)’], em CLOTIVS CLVTAMI (F) SVSARRV(S) DOMO CVRVNNIACE [CIL III 2016 Procede de Salona, Dalmacia: Cloutius Clutami f. duplicarius alae Pannonior. Susarru(s) domo Curunniace]; ou em ABILIUS TVRANCI F.]. DOMO LVCOCADIACVS CIL III 4227, dun soldado galaico entrerrado em Gyaloke, lugar cerca de Szombately, Hungria (Deixou como herdeiros aos camaradas de Gallaecia, um de Lancia e outro de Aligancia) [g, 62-64]

COMUM PRINCEPS, IMPERANTE DE TERRA, “RÍ TÚATH”; COMITE, “RÍ BUIDEN”; MAIOR INTER COMITES, “RÍ RUIRECH”

Corio galaico de Carlos Alfonzo

Corio [de co “juntos”  e wiros “homes”, “ejército”] Galaico de Carlos Alfonzo asesorado por A. Pena. Hoje não temos signa, legados, centuriones, decuriones, primipilos, mas casualmente temos, bandeiras, embaixadores, cononeis, capitães, brigadas, cabos… Tásiono foi sem dúvida o primeiro celta conhecido em proclamar-se aire “nobre celta ” e em ser proclamado excingo “campeão”. Sabes de onde era Tásiono? Não to podes imaginar? Era Nerio, da Kaltia, de Galiza. Um celta em Galiza, em Finisterre? Não mo posso crer!   Treba ou Toudo. “[…][It] have been applied” -sustem Sullivan, 79, 80-, “to the people occupying a distric which had a complete political and legal administration, a chief of Rig, and could bring into the field a battalion of seven hundred men. The word was also applied however to a larger division, consisting of three or four, or even more Tuatha, called a Mór Tuath, or great Tuath, which were associated together in war under one commander”. “This great Tuath represented Gothic, Thiuda; Old Norse Thjoth; Old High German, Diuth” Assinalando a seguir o sábio fundador do estudo das Instituições Celtas no aparato crítico (90) sub uocabulo Tuath. Old Celtic tout, from a root tu, to grow, to bring forth young, to multiply, to be strong; stem tut, people or district. In Old British it was tût, now tud; and represented the Lithuanian tauta, the Umbrian tuta, tota, Oscan tout. It occurs in several compounds found upon Gaulish, or Gallo-Roman inscriptions, e.g., Toutillus (Muratori, 1281, 6); Toutela (Gruter, 852, 2), Toutio-rix, a Gaulish name of Apollo (Orelli, 2059). The words ΤΟΟYTIOYΣ NAMAYΣATIΣ in the inscription on a marble tablet found in 1840 at Vaison have been translated “Citizen of Nemausus”, by Dr. Siegfried, but Prof. J. Becker suggests, and with good reason, that it should be pubicus, that is, magistrate of Nemausus, or Nimes, – a fact of some importance, as it would to show that the cantons of ancient Gaul were called by a name corresponding to the Irish Tuath. The Irish name Tuathal and the Gothic Totilo are perhaps related. 1873, 80.

A Treba/Toudo, se erige, ate nossos dias, em imarcescível, sempre viçoso, potente conceito geográfico: a comarca ou bisbarra [ a, 24-45; á,178-185; 266-267].

AIRE, MILITES, BENE NATI

 Os membros da classe social proprietária que goza de todos os direitos civis dentro da sua Treba ou Terra entre os Celtas da Europa Atlântica chamam-se ari, aires. O primeiro aire, “nobre”, conhecido em todo o mundo Celta, dos tempos da Idade do Bronze, foi, segundo proclama sua estela funerária, redactada com caracteres tartésicos em Celta Antigo Comúm, um araiui, aire, ari,  “nobre”, Nerio da Kaltia, um excingo, ‘heroe’ galego da Costa da Morte do finisterre atlántico chamado Tássionos. Há duas categorias de aires, aaltanobreza, milites, bene nati, chamados em Irlanda flaths, (lat. med. s. miles, pl. milites); e os bó aire.

Como em Galiza, em Irlanda assinala também D. A. Binchy: ‘dependendo da quantidade de [trebas ou toudos, túatha] territórios familiares que a cada um tem baixo seu controle’, três básicas categorias de reis ou príncipes: […] o Críth Gablag (104-105), distingue ao Rí Benn literalmente “Rei dá Pena, Rei de Cabeça”, – é Benn psvl. lenição de Penn, “cabeça, pena, rocha”, cf. o meu gentílico Pena, o apelido anglo-saxão Penn, o Pennaod bretão, etc.], que seria a cabeça visível de uma sozinha treba, Rí Túath, o Rei, dum sozinho Túath, “Toudo”, que nos chamamos príncipe ou imperante de Terra.

O Rí Túaithe se subordina ao Rí Buiden “Rei de Bandas, Mesnadas, Hostes”, também chamado Rí Túatha, “Rei de Toudos”, ou Ruiri “Rei de Reis”, nós lhe chamamos dux ou comes (sive comite). E acima destes duces et comites senhores de várias terras, está o Rí Ruirech , o primus inter pares, figura coincidente com o ‘conde mór, ou maior de Galiza’: maior inter eos, comes dominus Petrus Foilat e o Adiantado Maior da Baija Idade Média [b, 24-234].

DUCES/ COMITES /FLAITE

Os Flaths [em realidade o plural é flaithe] corresponden-se na Galiza do início do século XII, onde este sistema celta pervive como fóssil institucional, a alta nobreza, são achamada “prolix bene natorum”, são na nossa área, os membros do Clã Petriz, principes e imperantes das Terras de Trasancos, Bezoucos e Arrós entre moitas outras, longas de enumerar, desde o Tambre a Ortigueira [b, 53-161].

GRÁD FLATHA

Existia na Europa celtoatlántica, como em Irlanda um grád flatha, uma “ordem de xerarquia e autoridade” discriminando à gente (cénel)  proprietária em categorias sociais, pela sua composição ou valor penal:  o alto e baijo clero, durvede/druida, bispo, “ollam, doutor (em Irlanda)”, fili, “bardos, fís-tores [‘chega o fistor –diz o galaico adagio- e afai-se o dia’]”, cregos e o oficiais qualificados gente com sólido conhecimento em técnicas ou artes, o que hoje chamaríamos “profissões liberais”: juices, comerciantes, mestres músicos; etc. [b, 53-351].

VEXILLATIONES, BANDAS, MESNADAS, HOSTES

corioebandua

Vexillatio ou “Bandeira” galaica baijo imperial. Esquerda.  Samain, 1º de Novembro do Castro de Quintá, O Val, Narón. Por Carlos Alfonzo [ex A. Pena]. Direita.  Bandua  “O que se ata [para morrer de pé raiz *Bhnd] de marfil, de época imperial do Museu de Ourense, procede de Banhos de Bande . Observem a banda à altura do peito. Inda hoje nossos militares têm a gala luzir estas bandas em seus uniformes.

É a treba ou toudo é também a unidade básica de recrutamento militar: o batalhão [a, 131-154]

Guerreiros Galaicos

GUERREIROS GALAICOS. A TARGA, A DARGA, “escudo, adarga”, E A LENA, “saia” http://anuariobrigantino.betanzos.net/Ab2001PDF/2001%20039_060.pdf

Batalhões que os romanos chamaram vexillationes, ‘bandeiras’, tropas especializadas integradas nas chamadas pelos romanos alae, unidades de cabalaria, ligeira e pesada; e cohortes unidades de infantaria, ligeira e pesada[a, 132-133] .

Ikurigos por Carlos Alfonzo (ex A. Pena)

IKEOTONEQUAM CCCV IK[V]RIONEQUAM L [seguido de outras letras ‘que pudessem ser numerales’ de difícil leitura. Parecem, segundo o penso, recolher o preço de compra ou venda de dois cavalos, um deles seguramente para o General de cabaleiria Ikuri(g)o, expressado em metálico pelos numerais. A inscrição encontra-se com outras de fácil leitura numa lousinha biselada para levar um marco de madeira, como as que se usavam nas escolas galegas faz cinquenta anos da Villa galaico-romana de Noville, Mugardos Terra de Bezoucos [*Besancos] achada finais dos oitenta e começos dos noventa do século passado por Fermín Pérez Losada.  Desenho de Carlos Alfonzo (ex A. Pena) © Carlos Alfonzo. A lorica esquamatarara avis–  é reconstruida hipoteticamente partindo duma  escama de bronze, o capacete do alce,  é reconstruido das moedas de Publio Carisio emitidas nas guerras contra Galaicos e Cántabros. CATEGORIA NÉMITA. En Galiza como em Irlanda, a ordem hierarquica das pessoas inmunes, a categoria Nemed “sagrada, inviolável, de altíssimo rango” [comparativamente nossa Terra de Nemitos, hoxe Nendos não teria, em princípio, nada que ver com “Terra de Santuários”; de facto significa “Terra de Cavaleiros”, e que a capital da comarca se chame Betanzos dos Cavaleiros resulta curioso].Encabeça o sistema de rango e jerarquia na Civilização Celta, primeira grande cultura Europeia, o Ard rí, “Alto rei”, o Rex, o Rei.  Vem depois a alta nobreza e sua extensa parentela, elite da fortuna e poder, os flaths. Segue em hierarquia ao mencionado Árd rí, “Alto Rei”, o chamado na Irlanda Rí ruírech, “King of overkings”; a esta figura, encarnada na Galiza de modo ejemplar pela nobre figura de D. Pedro, “Conde de Galiza”, alude exatamente a expressão em um diploma de Juvia maior inter comites ; ou, já na Baixa Idade Média, o Adiantado Maior). Vêm depois o comes ou comite, “conde” (Ruiri , “overking”)  plural comites, senhores de varias trebas, terras ou territorios, possivelmente grupos de quatro, em época tardo-antiga como sucedia em Irlanda [e parecem mostrar as pequenas coordenações ou agrupamentos das listagens de territórios da Divissio (do ano 569),e do Chronicon Iriense (documento composto ao final do s. X com antigas fontes )], mas já estes agrupamentos de terras, concentradas pelos condes -como as dos Trava e Trastámara-, eram na Alta idade Média bem mais. Em derradeiro lugar está em Irlanda o Rí Túaithe, “senhor duma Terra”, equivalente a nosso rex, principe, imperante de Terra [ b 24-45]

Os integrantes das subordinadas bandas, mesnadas ou hostes do Comes [Ruiri], organizan-se no interior dos Túatha, Trebas, Toudos, Ciuitates, Populi, Plebes, Terras, Comissos ou Territorios Políticos [Pena 1991; b, 54-111; á, 175-177 ; 266-293] a modo de senhores de pequenas jurisdições, de fidalguía terratenente rural instalada, em algum caso desde o Neolítico até finais do século XII [p 20-34] em ‘casas’, brigas, castella do Bronze, ou do Ferro, ou nas antigas ou medievais domus, uillae, ou uillas. [p 102-168; 37-56]

A briga -bre,

A briga , -bre, “castro”, loc. latino. domo, “casa” dum dominus, “senhor” e sua crica ou dominium, “espaço económico demarcado” ou iurisdictio.

A portentosa História Compostelana transmite no ano 1100 (era 1148) a 5 de março uma listagem destes cavaleiros das nossas Terras, antigas Trebas ou Toudos, de Trasancos, Bezoucos, Labacengos, Arrós e Prucios [*Prutencos].

biblioteca morgan

Corio, “ hoste”. Infanteria e cavaleiria. Miniatura do Beato de Thompson Morgan. Fol. 241

NOMINA MILITUM BISANCOS. NOME DOS CABALLEROS DE BISANCOS (BEZOUCOS)

Haec sunt nomina militum habitantium Bisancos, que inferius denotata sunt. “Estes são os nomes dos cavaleiros, abaixo consignados, moradores em Besancos (Bezoucos):
Menendo Holmiz confirmo. Férveo [Fervens HS] Hólmiz conf. Vistrario [Histrarius HS] Holmiz, conf. Oveco Froylaz conf. Rodrigo Pelaiz conf. Vistrario Pelaiz [Pelaz H.S] conf. Gonzalo Menéndez, conf. Munino Oduariz [confirmo]. Bermudo Rageliz [confirmo]. Ioan Vimáraz [confirmo]. Vermudo Asmondiz [confirmo]. Pedro Bermudez [confirmo]. Fernando Suarez [confirmo]. […]

NOMINA MILITUM DE TRASANCOS ET LABACENCOS ET ARROS. NOME DOS CABALEIROS DE TRASANCOS, LABACENGOS E ARRÓS

Haec sunt nomina militum Trasancos & Lavacencos & Arros habitantium, quorum nomina inferius denotata sunt, qui hanc subjectinem juste fecerunt tam pro se praesentibus, quam & pro sociis suis absentibus, atque pro universo populo. “Estes são os nomes dos cavaleiros moradores de Trasancos e Lavacengos [Lapatiancos] e Arros [Arroni, Arrotrebae], abaixo consignados, que se aterão conforme este sometimento, tanto por eles que estavam presentes, quanto por seus sócios que estavam ausentes, e por todo o povo:
Nunno Vermudez conf. Oveco Gonzalez conf. Gonzalo Pérez [confirmo]. Sueiro Tellez [confirmo]. Vermudo Gelidiz [confirmo]. Oveco Muniz [confirmo]. Pedro Muniz [confirmo]. Pedro González [confirmo]. Bermudo Hiscaz [confirmo]. Eica Estevez [confirmo]. Bermudo Pérez [confirmo]. Pedro Suarez [confirmo]. [Menendo González [confirmo]. [Bermudo] Ragéliz – vicario da Terra de Trasancos-(confirmo)]. Froila Bermúdez [confirmo]. H C. L I, Cap. XXXV 6 [b, 101, 102].

PRINCEPS/PRINCIPIS GALLAECIAE (RÍ RUIRECH)

Curioso Mapamundi num Salterio da abadia de Westminster (9,5 cm de alto) miniado ca 1265?. British Library

Curioso Mapamundi num Salterio da abadia de Westminster (9,5 cm de alto) miniado ca 1265?. British Library [Considered -sustém a Wikipedia- one of the great medieval world maps. Probably a copy of the map that adorned King Henry III bed chamber]. Olhem como aqui Jerusalém ocupa o centro do mundo. O Leste, a saída do sol, está acima. Preside Cristo, Luz do Mundo sustentando em sua mão o Orbe Tripartito – os três passos do sol [ http://catedra.pontedeume.es/15/catedra1508.pdf%5D-. Baixo ele se figuram a árvore do Sol e a árvore da Lua. No outro extremo, no fim do mundo, na posta do sol, onde segundo Éforo habitam os celtas está O adivinham? Está Galicia [Galiza], separada por umas montanhas de Hispania [uma Hispania concebida então todavia em lugares do Atlântico como mundo árabe], e também figura Barcelona. Galiza viria a ser no imaginário deste mapa, todavía no século XIII ou XIV, a Hispania Cristã. Ideia compartilhada pelos árabes que chamavam Galegos – ou com mais exatidão cães galegos, no pior sentido da palavra da rosa- aos cristãos. Ao final -eram outros tempos, tempos de intolerância- toda Espanha mordida pelo cão ficou cristã. Cristã nova.

O tánaiste, “cabeça de família”, dirige um holding de territórios políticos e de propriedades do clã [b, 130-234], territorios secularmente aglutinados na prosápia por herança ou casal, explodido em regime pro indiviso recebendo a cada membro seu quinhão ou quota-parte [b, 153-155]. No caso da Terra de Trasancos, a Casa (fine, linhagem) Prolix Petriz [b 53-200] está encabeçada pelo conde de Trava Dom Pedro Froilaz [maior inter comites de Galiza; um maior comitum equivalente ao chamado na Irlanda Rí Ruirech] e por seus irmãos; seu filho Fernando Peres, conde de Trastámara e sucessivos “cabos do clã” [Tánaistí] [Cal Pardo] até a morte sine semine em 1261 do derradeiro deles Dom Rodrigo Gómez Princeps Gallaeciae e dos comitatos [mór túatha] de Montenegro, Monterroso, Limia e Sarria, derradeiro maior comitum (Rí Ruirech) Petriz direito, também chamado na Irlanda Rí Cóicid, “Rei de Província” [sinônimo de reino, Provincia Gallaecia, “Reino de Galiza” [b, 54-234; p, 152-168].

Gallitia

Estavam em posse dos reis seus reinos e senhorios, legitimamente obtidos por casal, por herança ou por conquista, em regime proindiviso, unidos em sua pessoa, mas independentes os uns dos outros, com suas constituições, foros, usos e costumes proprias.

REIS DE GALIZA

Segundo no reino em hierarquia, posesor de múltiplas trebas o Rí Ruirech, o Princeps Gallaeciae [mostrando as instituições galaicas afinidade com as irlandesas do Críth Gablag] só tem em cima ao Rex in Galletia, ao Rei de Galiza; só é vassalo [e é tutor dos infantes], de Alfonso Raimúndez [á, 431], Fernando II, Alfonso VIII (IX de Leão) [á, 432], do Ard Rí, “Alto Rei, Imperador [o rei galaico o é (de) tota Hispaniae]” [á, 415-433].

SENHORES LOCAIS

Dentro de cada Treba, Toudo, Terra, fecham o sistema as casas de senhores locais, de donos e cabaleiros; a proto-fidalguia, os linhajudos dominī terratenentes (ai flaithe), possesores de moitos castella, e os menos linhajudos senhores propietarios, livres ou vassalos [lat. clientes; a.i. ceile], escudeiros, infanções, duma briga, –bre, –be, “castro”, [o irlandês dun (>tun >town)].

DO CASTRO A UILLA POR CARLOS ALFONZO (EX A. PENA) para o projeto Caminhos Milenários. O Val. Narón

WARNING!!!! NÃO CONFUNDIR A UILLA COM A PARROQUIA. UMA PARROQUIA COMO O VAL, NARÓN, TEM CINCO UILLAS [plural medieval em -as e não em -ae]. DANTES TEVE QUATRO CASTROS. A ACTUAL PARROQUIA GALEGA FAZ-SE REALIDADE [PARTINDO DAS REFORMAS DA IGREJA] A COMEÇOS DO SÉCULO XIII [CUNDE O PÁNICO ;-)] Desenho de Carlos Alfonzo (ex A. Pena)

Possesores durante a dominação romana da uilla galaico-romana. Possesores da uilla [pl. uillas, (potius quam uillae)] tardoantiga. Possesores da uilla medieval [á, 181-203].

uilla de Platanetum (O Val) Carlos Alfonzo (ex A. Pena)

 Uilla de Platanetum, Pradeedo, O Val. Narón. Desenho de Carlos Alfonzo ex A. Pena

Termo polisémico, também em Galiza [b, 133-155] se chama uilla a casa labrega [em Gales, Gwelle, o Welle, se nomeando a renda gabal, “gabela”], e se chama uilla também ao lugar onde se agrupam duas, tres ou mais casas [b, 134-135] que parece corresponderse institucionalemente com a irlandesa Baile “place”, “lugar, bailía” [p 92-98; b 129-200].

uilla de Quintana,Quintá

Desenho de Carlos Alfonzo baijo minha direção para Caminhos Milenários. Vigiado por seu cão de caça Ulgario e pelo Conde Maior de Galiza Dom Pedro, o rei dom Afonso [em fosterage em Trasancos] corre ao colo de  Munia Froilaz, que o recebe em 1113 à porta de sua uilla. Munia e Dom Pedro doaram ao Rei outra uilla idéntica a esta: Uilla Ferreoli famosa pela caça maior de sua vizosa fraga, chamada  desde então Fraga do Rei dom Alfonso. Cem anos despues nesse lugar no ano 1213 o neto deste rei, Dom Alfonso VIII de Galiza e IX de Leão fundou ex novo sua Villa Medieval de Ferrol, como fundasse em 1208 a Villa da Coruña [Crunha]. Pese a minhas recomendações, seguramente mais por  confusão de ambos conceitos Uilla fundiaria/ Villa urbana que por desinterese, Ferrol, minha cidade natal, não celebrou no ano pasado seu oitavo centenário. Nem sequer o consolo de uma missa em memória do rei fundador.

SIC/ENATA PACATA. EFEITO DA CONQUISTA NO SISTEMA JURISDICCIONAL CELTOGALAICO

VETERE AC IAM PRIDEM RECEPTA POPULI ROMANI CONSUETUDINE (Tácito)
Irlanda não conquistada por Roma até a adopção do cristianismo no século VI manteve sem interferencias as instituições; ou até a invasão normanda (800,1169); ou a conquista pelos Tudor (S. XVI). Os reis galeses com a sua clientela, os bonheddigion governavam como pais de família o país [Hubert, 466]. Dividido igual que Irlanda em unidades políticas, quatro reinos subdivididos em Cantref, Territórios ocupados por clãs ou casas nobiliares definidos por fortes laços parentais e agnaticios. Segundo HUBERT [,441] o sistema funcionou no país de Gales até o século XIV.

Tillego filho de Ambato Museu de Lugo

Famosa tabula hospitalis de Folgoso do Courel [Museu de Lugo] do ano 28 a.C. O sistema de vincular á derbfine era usado pelos galaicos no seu tráfico jurídico privado.

Mas na Gallaecia Roma segundo seu costume de aproveitar a pré-existente organização, integrou nosso sistema Celta, cheio de subtilezas, em seu direito [a, 131-150]. Converteu o sagrado lugar forum/oenach/conventus, efémera capital estacional das reuniões interterritoriais de três das confederaçãos que conformavam Gallaecia em três estáveis cidades Bracara, Lucus e Asturica.
Pasando por conquista as galaicas trebas e toudos a engrosar o ager publicus, eliminou todo vestígio político de unidades superiores -o mór túath, ‘toudo mór’, comprensivo dumas quatro trebas por meio-termo, que chamamos comitato, “condado”- [n, 103-121], e devolveu esas trebas ou toudos como conducta, em precarium, ‘precário’, aos que as tinham dantes, agora conductores convertendo ao principis [princeps] e ao durvede, em homens livres dependentes, em legati [fluidir] vassalos de Roma [á, 186-203].
Dito com mais propriedade, Roma não devolveu as Terras aos senhores, lhas aforou, vinculadas as três vozes da derbfine celta herdando a totalidade o filho sobrevivente da cada transmissão [p, 101-130] .

O BERÇO DO FORO GALEGO

Em Galiza como em Irlanda concediam os príncipes conducta, terras, aos servidores ou vassalos [b 24-34] como ilustra a epígrafe de Remeseiros [p, 47 -50]. Roma restaurou as trebas e os senhorios familiares, e dentro das trebas restaurou [p, 37-56] aos nemitos galaicos nos castros seus com condições. Cedeu-lhos por três vozes. Dito de outro modo, devolveu-lhes as trebas ou toudos da prosapia literalmente “aforadas” [p, 103-116] e os antigos proprietários passarão de modo técnico durante varios séculos a condutores do que lhes era propio, a tenedores [em Irlanda fluidir] dum ius in aliena re, levadores da fazenda perdida, agora conducta, por três vozes ou gerações.

sit reus Remeseiros por A. Pena

Comuns cominatórias cláusulas segundo A. Pena [cf. a penúltima cláusula do Bronze de Botorrita] em patos sinalagmáticos de origem celta redigidos em latim no giro jurisdicional duma uilla galaico-romana [Remeseiros e Noville].

Obrigados a perdê-la e a retomá-la, mos pesimus, como Sísifo uma e outra vez cumprido o prazo legal das três vozes, a transmitir a situação jurídica a prosapia durante três gerações segundo a Celtic Law, como se fossem ‘servos de vínculo herdeditário [em Irlanda senchléite, “de Casa Velha]”. Vae victis! [p, 103-121].

tabula de castromao

Confirmando o aqui contido esta tessera (siue potius tabula) de hospitalidade de Castromao, antiga Coeliobriga, capital dos Coelernos galaicos brácaros responde, sem dúvida a um renovo do 134 d.C., dum hospitium anterior.

texto hospitium coelerni

Ninguém discute já que por coisas de política exterior usando parcere subiectis Roma a consuetam rationem o direito (celta) das autóctones trebas galaicas [á, 185-197] celtoparlantes [o gênio romano foi nisto insuperável], se deixou aquí subsitir o pré-existente. Roma não integrou nosso mundo mediante partilha do campo, reorganização e re-distribuição da propriedade, com uma reforma agrária total, as chamadas, centuriationes -entrando na partilha agora, o que reparte leva a melhor parte, soldados e colonizadores, como em Emerita da Lusitania-. Ninguém discute que as terras de Gallaecia foram devolvidas aos que já as tinham dantes [a, 115-125; 131-150]. Mas com letra pequena.

LETRA PEQUENA

O Comum Direito Celta confere decorridas três gerações a um beneficiado ou condutor [bó-aire em Irlanda], a plena propriedade de sua conduta, beneficium ou comenda . O bó-aire decorrido o plazo legal das três vozes, se converte em flath [o rango do locador], adquire pleno direito sobre a propriedade

Cogidubnus

Maqueta da espetacular uilla, seguramente, do rei dos atrebates, Cogidubnus ou Tongidubnus

Cogidubnus ou Tongidubnus [falecido no ano 83] intitulou-se, segundo Cunliffe e Rusell Ard rí, Rex Magnus Britonum “Grande Rey, Imperador dos Britones”; – com independência das lectiones da quinta regra da famosa inscrição RIB 91 atopada em Chichester em 1723 -, fora de toda dúvida como legatus do imperador, segundo refíreo Tácito em Agricola, XIV, 14:

“Algumas cidades”-escreve Tácito ao final do reinado de Dominiciano- “foram dadas [at/tributae, de onde Attrebates cf. Pena…] ao Rei Cogidumno – (quem se manteve até nossos dias como o mais fiel dos aliados)- segundo a já velha e experimentada prática do Povo Romano, de se valer inclusive de seus próprios reis como instrumentos de domínio [Agricola XIV, 14]” .

Un século antes de que Agrícola conquistasse Britania, finalizadas as guerras cántabras, Octavio Augusto culminou a conquista de Gallaecia, entrando as Terras dos nobres galaicos terratenentes [a.i. Flaths], e as dos seus vassalos e servos, no ager publicus. Sempre há exceção que confirma a regra, como mostra o chamado Edicto de Bembibre [á, 189-203á, 189-203].

SICENATAPACATA

À esquerda banda desenhada [para o filme Galaicus de Tosar] pólo professor de Belas Artes Carlos Afonzo, por mim assesorado, ilustrando o assédio dum castro Galaico por Décimo Bruto. À direita o chamado Edito do Berço, possivelmente [existindo hesitação sobre o lugar] achado no castro de Toldaos.

Castellanos • Paemeiobrigenses • ex •/ gente • Susarrorum • […] […] eos • universos • im/munitate • perpetua • dono • quosq(ue) / agros • et quibus • finibus • possede/ runt • […] […] / eos • agros • sine • controversia • possi/ dere • iubeo .

A Terra segundo a já velha e experimentada pratica do Povo Romano de se valer das próprias instituições dos povos conquistados como instrumento de domínio, retornou de novo aos que a tinham dantes. Mas já não era o mesmo, volta de outra maneira. Augusto, bem asesorado por seu corpo de jurisperitos, retornou essas terras agora do ager publicus, aforadas (para que se entenda) por três vozes (da derbfine celta).
Um contrato sinalagmático fundamentado na Bona Fides [patronus si clienti fraudem fecerit, sacer esto, e vice versa] obrigando a ambas as partes patronus, e clientes, nun tenor. Decorridas as três vozes precisava-se o renovo condicionado a fides patroni [hospitium vetustom antiquon renouauerunt]. Assim usando do próprio direito celta o Império, se assegurou o controle e fidelidade da nutrida clientela galaica.
Analisemos mostrando as bases ‘do tráfico jurídico entre os romanos e os autóctonos galaicos celtoparlantes -lhes remetendo a meus pormenorizados análises do denso marco jurisdiccional e institucional dos hospitia [á, 270-277; p,103-130]-como mostra um Hospitium que aparece numa tabula hospitalis ou placa de bronze encontrada num lugar de Lugo:
C. Caesare Aug. f. L. Aemilio. Paullo. cos / ex gente. Asturum. conventus Arae. / Auguste / ciuitas Lougeiorum. hospitium. fecit. cum / C. Asinio. Gallo. [1ª voz] libereis posterisque. eius / [2ª voz] eumque. liberos. posterosque. eius. [3ª voz] sive. libe/reis. postereisque. suis. patronum. cooptarunt / isque. eos. in fidem. clientelamque. suam. suo/rumque. recepit. / Egerunt. Legati. / Silvanus. Clouti / Noppius. Andami .Hospitium nunha placa de bronce atopada en algún lugar de Lugo
Trad. Sendo cónsules Caio Cessar e Emilio Paulo, a civitas dos Lugeios, gente do convento dos Astures, de Ara Augusta [há erro na interpunção, por suposto não estamos a falar de um choqueiro conventus, senão de um topónimo, o lugar de Ara Augusta que ainda se conserva], fez com Caio Asinio Galo um pato de hospitalidade, para seus filhos e para os postemeiros deles, e para os filhos destes e postremeiros seus. E tomaram-no como patrão dos seus filhos e dos seus postremeiros, e este [Asinio Galo] recebeu-os como fiel clientela sua e dos seus. Actuaram os legados Silvano, filho de Clouto e Noppio, filho de Andamo.

SERVOS

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Beltené [1º de maio] no Castro de Baronha por Carlos Afonzo assessorado pelo autor deste post [detalhe].

Pechaba o sistema esse mundo presente ainda em nossas aldeias do século XX que Alonso do Real chamava “o do eterno camponês neolítico galego’, magistralmente descrito, por meu ilustre amigo José María Cardesín Díaz de”Ricos, Labradores, Caseiros y Camareiras ” : os am-bue [*am, “sem” *bowyos, “bois”] , com todo en precario, jornaleiros e, em derradeiro lugar os servos [a.i. Bothach] ou escravos [a.i. Mug] .

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Beltené [1º de maio] no Castro de Baronha por Carlos Afonzo assessorado pelo autor deste post [detalhe]. Nas feiras anuais [Oenachs] se cobravam impostos. No posto do fundo procede-se à cobrança jurisdicional do Cis ou Censum “Censo”: duas galinhas, lacões, uns dedos de toucinho […] [p, 144-148]

São pólo oposto dos integrantes do corio ou mesnada: jovens moços solteiros sob a tutela dos parentes e nobres que os tomaram em adopção (fosterage); filhos de proprietários, não integrados ainda na propriedade que herdarão à morte de seus pais dedicados a caça e à aventura guerreira.

É um avanço do amplo estudo em imprensa de Andrés Pena [preview http://www.calameo.com/read/0012929573d6e6be239aa] que em breve publico baixo este epígrafe. Desculpem as gralhas. © Andrés Pena

 

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2 Responses to UMA INEXISTENTE CULTURA CASTREXA

  1. Pingback: Uma inexistente cultura castrexa. Comun hábitat e civilização celtoatlântica da idade do ferro

  2. Roi says:

    Impressionante. Só gostaría de que a leitura fosse um bocado menos espesa, para partilha-lo com amigos.

    Bravo.

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