Druids / *Durvedes / Druvides. Oratores. Universal Celtic Common Law. Part Two

ESTRUTURA JERARQUIZADA RELIGIOSA  TERRITORIAL

In André Pena . Narón, un Concello con História de Seu. Tomo II (1992, 24-27)

Desenho de Eva Merlán dirigida por André Pena para Narón unha Historia Ilustrada na Terra de Trasancos. Edita Concello de Narón. Eva Merlán, Andrés Pena, Alfonso Filgueira.

“An ollav is many things to a king or prince, but I would say that he is most significantly the shadow of a high-ranking pagan priest or druid. When Ireland, somewhat later than 500 A.D. decided to regard itself as a fully Christian country a rather strange position arose. The druidic order had been the basis of Irish society, and that society could no more do without the druids than could we to-day abolish the civil service with the stroke of a pen. A compromise had to be arrived at: the druids became more or less Christian and the Christian church took over a certain number of their functions. But their organization remained intact and an ollav in a given principality was accorded the status of a Christian bishop, or rather, to put matters in their proper order, a Christian bishop was given the status of a high-ranking druidic priest. James Carney, The Irish bardic poet (Dublin, 1967) 7-8.                                                                                                          Top. Eva Merlán Bollaín drawing, assisted by André Pena for the Illustrated History of Naron (1995). Eva Merlán. André Pena. Alfonso Filgueira. Aut. Concello de Narón Editor.

“O Noroeste articulava-se em unidades territoriais, trebas ou toudos, à frente de Casas nobres, que funcionavam como estados destacando na função soberana uma dupla estrutura nas esferas temporária e espiritual e, junto à existência à frente do Território Político ou Estado dum cabeça nobiliar *Corono [de corio, “tropa” comp. de *co- “reunião” wiros, “homens” + o sufijo ie. -nosenhor” (cf. E. Losada Badía)  ou Princeps presente em o registro epigráfico, de quem falaremos mais adiante, detemos-nos agora na existência silenciada pelas fontes de uma hierarquia religiosa de jurisdicción restringida à Treba, Toudo ou ‘Território Político’ revelada pela constatación, a partir do ano 314, duma vasta rede de diócesis superpostas aos territórios, que de jeito nenhum poderiam surgir como os cogumelos.

Isto indica que a organização jerárquica do clero céltico se teria mantido intacta depois da conquista amoldando o culto local às formas romanas, interpretatio, de modo superficial e sem que o clero do território tivesse que adotar estruturas colegiadas novas. A importância do jerarca religioso do Território Político permite-lhe falar em primeiro lugar na Assembléia/Forum/Oenach/[Conventus]… e moito mais”. Pena Granha 1992,

[DRUIDS /DURVEDES/ DRUVIDES. ORATORES

Algumas dioceses do Galiciense Regnum

“The druids may have been extinguished as a religious and moral establishment by the Christian church but they and their associates left behind them a system of cultural values so deep-rooted and so closely intertwined with long established institutions and ideology that it appears to have survived in large measure the transition to Christianity. Despite the inevitable revision, selection and suppression of elements of the integral pre-Christian tradition during the process of creating the written test within an ecclesiastical ethos there still remains a great deal of material bearing native institutions and ideology –sacral kingship of course, the Otherworld, cosmic division and the partition of the provinces, origin tales, the function of druids and filid, the body of legal and so on –which presupposes the former existence of a complex system of socio-religious doctrine and ritual, the form doubtless propagated to a large extent in the form of exemplary myth as in India Georges Dumézil, who conducted a close study of socio-religious continuities within the Indo-European linguistic family throughout his long career, remarked from time to time on this phenomenon of the partial secularization of mytho-religious traditions” In Proinsias Mac Cana The cult of the Sacred Centre 2011    60,61                                                                                                                                                            

“O caso é, por incrível que pareça, -e os que prefiram a via de Teodoro e Atanasio [ou de Pereira Menaut, ou de Calo Lourido e outros semelhantes], têm todo nosso respeito-, em algum momento, a princípios do século IV, tudo assinala que o clero do Nw, hierarquicamente, de acima abaixo, adota a religião cristã, inclusive dantes de saber em que consiste o cristianismo. Temos a impressão que de alguma forma alguma autoridade (quiçá o vicarius Hispaniarum, quiçá desde o coração do Império, pode que através do concilium provinciae…) sem que saibamos precisar quem, nem onde, nem por que médios, quem queira [que fosse], situado na cúspide de uma hipotética corrente vasallática deu a ordem: ‘Senhores, a partir de agora são vocês cristãos‘ e [os membros de] a hierarquia religiosa das terras [potius quam territoria] passaram de ser druidas vestidos de pontífices e augures do culto local; flamines e sexviri, do imperial a ser druidas vestidos de episcopi cristãos e seus territorios converteram-se em diócesis sem saber sequer em que consistia o cristianismo. As conversiones em massa, de acima abaixo, entre os bárbaros ao cristianismo são de sobras conhecidas.

COMUNS DURVEDES, DRUIDAS, DOUTORES

O inter e multidiciplinar enfoque da coisa Celta em Galiza [questão aparte o é a política de determinadas academias], evidência uma conjunção de correlações, um sistema mais antigo da conta [r 167-230; a 333-400], uma mão cheia de intituições da comum origem [s 57-88], um coerente panteão velado na religião, baixo infindos epítetos locais, ou topônimos -tipo Fátima, Lourdes, Chamorro, no presente cristão-, próprios de intermináveis santuários, errónea é comumente tomados, inmoderatio verborum, por teônimos. Olhamos a uniformidade de culto mantida, acima de locais disputas, na miríade de Trebas ou Toudos, pelo universal, hierárquico e cultivado clero [a 246-249], patenteada na Gallaecia nas comuns cenas dos bronzes votivos de sacrificio [g 33-80; o 117-160], com homogênea representação plástica da entronização real Celta, ainda mediando centos ou milheiros de quilômetros entre os achados.

Entronização Real Celtogalaica

DURVEDES /DRUIDAS GALAICOS ENTRONIZANDO OS REIS DAS TREBAS NA TREBOPALA “PÉTREO ALTAR DO POVO” OU NO CROUGINTOUDADIGO “CROIO TEUTÁTICO, DO ESTADO, DA NAÇÃO” 

entronizatiotre

 

Como se pode imaginar Jesus não inventou os padres, bispos, arcebispos e cardeais. E talvez San Pedro recebeu neste trabalho uma pequena ajuda. Talvez… In omni Gallia eorum hominum qui aliquo sunt numero atque honore genera sunt duo. Nam plebes paene servorum habetur loco, quae nihil audet per se, nulli adhibetur consilio. Plerique cum aut aere alieno aut magnitudine tributorum aut iniuria potentiorum premuntur, sese in servitutem dicant. Nobilibus in hos eadem omnia sunt iura quae dominis in servos. [….] Sed de his duobus generibus alterum est druidum, alterum equitum. [Caius Julius Cæsar, De Bello Gallico, vi, 13]. Em toda a Gália daquelas pessoas que contam e têm dignidade há duas classes. –pois a plebe quase ocupa o lugar dos servos, e não ousa atuar por sua conta, nem conta para nenhuma decisão […]. Em sua maioria, oprimidos como estão, já por dívidas, já pelo pesado ônus fiscal, já por agravios dos poderosos, se entregam em servidão. Os nobres de fato possuem sobre eles os mesmos direitos que os senhores com seus escravos-. Mas destas duas classes a primeira é a dos druidas, a segunda dos cavaleiros. En toda la Galia de aquellas personas que cuentan y tienen dignidad hai dos clases. –pues la plebe casi ocupa el lugar de los siervos, y no osa actuar por su cuenta, ni cuenta para ninguna decisión […]. En su mayoría, oprimidos como están, ya por deudas, ya por la pesada carga fiscal, ya por agravios de los poderosos, se entregan en servidumbre. Los nobles de hecho poseen sobre ellos los mismos derechos que los señores con sus esclavos-. Pero de estas dos clases la primera es la de los druidas, la segunda de los caballeros. “Throughout Gaul there are two classes of persons of definite account and dignity. As for the common folk, they are treated almost as slaves, venturing naught of themselves, never taken into counsel. The more part of them, oppressed as they are either by debt, or by the heavy weight of tribute, or by the wrongdoing of the more powerful men, commit themselves in slavery to the nobles, who have, in fact, the same rights over them as masters over slaves. Of the two classes above-mentioned, one consists of Druids, the other of knights. Illi rebus divinis intersunt, sacrificia publica ac privata procurant, religiones interpretantur; ad hos magnus adulescentium numerus disciplinae causa concurrit, magnoque hi sunt apud eos honore. Nam fere de omnibus controversiis publicis privatisque constituunt, et si quod est facinus admissum, si caedes facta, si de hereditate, de finibus controversia est, idem decernunt, praemia poenasque constituunt; si qui aut privatis aut populus eorum decreto non stetit, sacrificiis interdicunt. Haec poena apud eos est gravissima. Quibus ita est interdictum, hi numero impiorum ac sceleratorum habentur, his omnes decedunt, aditum sermonemque defugiunt, ne quid ex contagione in commodi accipiant, neque iis petentibus ius redditur neque honos ullus communicatur [ibid. De Bello Gallico, vi, 13] Eles oficiam os divinos ritos, atendem os sacrifícios, públicos e privados, interpretam as coisas da religião; a eles vai grande número de jovens para aprender a disciplina, e entre eles se consideram isto uma altíssima honra [como consideravam uma honra as grandes casas nobres de a Europa o enviar um filho a um seminário a empreender a carreira eclesiástica]. Instruem praticamente todas as causas, públicas e privadas, se a instrução de um caso penal, se um homicídio, se um pleito por uma herança, se uma questão de demarcação, eles processam, e impõem as multas e castigos [o direito público e privado é comum –como o pode ser hoje o direito canônico- entre os celtas, estes jovens, quando regressam ordenados druidas são os juízes e magistrados. Aprenderam milhares de leis em verso, que depois aplicam ao retornar a seus lugares de origem. Em toda Europa igual – Em isto consiste a unidade celta, meu!- Que parte não entendes?]; Se um particular ou um grupo deles não se dobra a seu julgamento, é retirado dos sacrifícios [não faz falta dizer que é excomungado]. Este castigo é para eles gravíssimo. Os assim excomungados, são integrados na lista dos ímpios e criminosos, todo mundo se aparta deles, evitam seu trato e conversação, os tocar como se fossem apestados; ainda que a peçam não obtêm justiça [perdem todos seus direitos civis] e não se lhes dá nenhuma honra [são privados de seu rango e seus cargos. Assim, o chamado passeio de Canossa Ilustra a descrição cesariana. O imperador do Sacro Império Romano Germânico Enrique IV por intermediação do abade de Cluny, Hugo, e da dona da fortaleza, Matilde de Canossa, marchou um frio mês de janeiro de 1077 de Espira ao Castelo de Canossa, ao encontro do papa Gregório VII, buscando que este lhe levantasse a excomunhão. Permanecendo três dias e três noites ao raso, vestido unicamente com uma túnica penitencial de lá, descalço sobre a neve na porta do castelo, conseguiu o perdão papal]. Ellos ofician los divinos ritos, atienden los sacrificios, publicos y privados, interpretan las cosas de la religión; a ellos acude gran número de jóvenes para aprender la disciplina, y entre ellos se consideran esto un altísimo honor [como consideraban un honor las grandes casas nobles de Europa enviar a un seminario a emprender la carrera eclesiástica a un segundón]. Instruyen prácticamente todas las causas, públicas y privadas, si la instrucción de un caso penal, si un homicidio, si un pleito por una herencia, si una cuestión de demarcación, ellos procesan, y imponen las multas y castigos [el derecho público y privado es común –como lo puede ser hoy el derecho canónico- entre los celtas, estos jóvenes, cuando regresan ordenados druidas son los jueces y magistrados. Aprendieron miles de leyes en verso, que luego aplican al retonar a sus lugares de origen. En toda Europa igual – ¡En esto consiste la unidad celta idiota!- ¿Qué parte no entiendes?]; Si un particular o un grupo de ellos no se doblega a su juicio, es retirado de los sacrificios [no hace falta decir que es excomulgado]. Este castigo es para ellos gravísimo. Los así excomulgados, son integrados en la lista de los impíos y criminales todo el mundo se aparta de ellos evitan su trato y conversación, tocarlos como si fueran apestados; aunque la pidan no obtienen justicia (pierden todos sus derechos civiles) y no se les da ningún honor (son privados de su rango y sus cargos. El llamado paseo de Canossa Ilustra la descripción cesariana. El emperador del Sacro Imperio Romano Germánico Enrique IV por intermediación del abad de Cluny Hugo, y la dueña de la fortaleza, Matilde de Canossa marchó un frio mes de enero de 1077 desde Espira al Castillo de Canosa, al encuentro del papa Gregorio VII, buscando que este le le vantase la excomunión. Permaneciendo tres días y tres noches al raso, vestido únicamente con una túnica penitencial de lana descalzo sobre la nieve en puerta del castillo, consiguió el perdón papal]The former are concerned with divine worship, the due performance of sacrifices, public and private, and the interpretation of ritual questions: a great number of young men gather about them for the sake of instruction and hold them in great honour. In fact, it is they who decide in almost all disputes, public and private; and if any crime has been committed, or murder done, or there is any dispute about succession or boundaries, they also decide it, determining rewards and penalties: if any person or people does not abide by their decision, they ban such from sacrifice, which is their heaviest penalty. Those that are so banned are reckoned as impious and criminal; all men move out of their path and shun their approach and conversation, for fear they may get some harm from their contact, and no justice is done if they seek it, no distinction falls to their share. [Transl., H. J. Edwards, 1917, Loeb Library]. His autem omnibus druidibus praeest unus, qui summam inter eos habet auctoritatem. Hoc mortuo aut si qui ex reliquis excellit dignitate succedit, aut, si sunt plures pares, suffragio druidum, nonnumquam etiam armis de principatu contendunt. Hi certo anni tempore in finibus Carnutum, quae regio totius Galliae media habetur, considunt in loco consecrato. Huc omnes undique qui controversias habent, conveniunt eorumque decretis iudiciisque parent. Disciplina in Brittania reperta atque inde in Galliam translata existimatur, et nunc qui diligentius eam rem cognoscere volunt plerumque illo discendi causa proficiscuntur [De Bello Gallico”, vi, 13]. Mas entre todos os Druidas manda um, que tem entre eles a soma autoridade. Morrido este lhe sucede quem excede a todos em dignidade, ou compartilhando vários igual rango, quem resulte eleito do sufrágio dos druidas [se sobre entende que reunidos num concilio ad hoc], se chegando inclusive a combater com as armas pelo principado [não por acaso isto ocorre quando existindo na igreja duas ou mais facções a cada uma organiza seu conclave pela sua conta e elege seu próprio pontífice. Nesta situação é comum que ambos os papas lutem para se apoderar de Roma (o Papado). Assim se encontrando a Igreja dividida entre os partidários do papa Leão V e o anti papa, Cristóvão se elegeram vários papas e anti papas nos anos 896 e 904. Salvou a situação Sergio III, o terceiro em discórdia o ficar depois de prender e estrangular aos outros dois papas como único pretendente ao pontificado]. Estes num prefixado período do ano [coincidente com alguma das quatro feiras estacionais celtas] residem num lugar sagrado no território dos Carnutos, região que é considerada o centro de toda a Gália. Aqui vão de todas as partes os que têm controvérsias, e todos acatam e obedecem os seus decretos e julgamentos. Acha-se que a doutrina inventou-se em Britânia e trouxe-se dali à Gália, e hoje quem desejam melhor formação na coisa essa em sua maioria vão là [a Brit.] aprender. Pero entre todos los Druidas manda uno, que tiene entre ellos la suma autoridad. Muerto este le sucede quien excede a todos en dignidad, o compartiendo varios igual rango, el que resulta electo del sufragio de los druidas [se sobrentiende que reunidos en un concilio ad hoc], llegándose incluso a combatir con las armas por el principado [no por casualidad esto ocurre cuando existiendo en la iglesia dos o más facciones cada una organiza por su cuenta su cónclave y elige a su propio pontífice. En esta situación es común que ambos papas luchen para apoderarse de Roma (el Papado). Así encontrándose la Iglesia dividida entre los partidarios del papa León V y el antipapa Cristóbal se eligieron varios papas y antipapas los años 896 y 904. Salvó la situación Sergio III, el tercero en reclamar el pontificado por quedar como único pretendiente tras prender y estrangular a los otros dos]. Estos en un prefijado periodo del año [coincidente con alguna de las cuatro ferias estacionales celtas] residen en un lugar sagrado en el territorio de los Carnutos, región que es considerada el centro de toda la Gallia. Aquí acuden de todas partes los que tienen controversias, y todos acatan y obedecen sus decretos y juicios. Se cree que la doctrina se inventó en Britania y se trajo de allí a la Galia, y hoy quienes desean mejor formación en la cosa esa en su mayoría van allí [, a Brit.] a aprender. “Of all these Druids one is chief, who has the highest authority among them. At his death, either any other that is pre-eminent in position succeeds, or, if there be several of equal standing, they strive for the primacy by the vote of the Druids, or sometimes even with armed force. These Druids, at a certain time of the year, meet within the borders of Carnutes, whose territory is reckoned as the centre of all Gaul, and sit in conclave in a consecrated spot. Thither assemble from every side all that have disputes, and they obey the decisions and judgments of the Druids. It is believed that their rule of life was discovered in Britain and transferred thence to Gaul; and to-day those who would study the subject more accurately journey, as a rule, to Britain to learn it.” [Transl., H. J. Edwards, 1917, Loeb Library]].

As atas do martírio de San Froitoso (CHADWICK) mencionam quiçá em Astúrias um bispo “membro de um clube pagão que possuía uma necrópole onde o bispo tinha seu mausoleo familiar em lugar de um cemitério cristão” neste contexto [- é o contexto das aras do Facho de Donón-]; a carta de Prisciliano que Orosio insere no Conmonitorio tem um valor excepcional porque assinala que no último terço do século IV os bispos ensinavam que:

É uma virgen certa luz à que Deus, querendo dar a chuva aos homens mostra ao príncipe da humidad quem ao querer subir para a pegar cansado sua e faz a chuva. E ao ser recusado por esta com seus bramidos produz o trovão (1)

Os motivos da em massa e repentina conversión da hierarquia religiosa galaica ao Cristianismo bem puderam ser econômicos. Constantino I impôs muitas travas aos paganos e judeus fechando os templos e proibindo sacrifícios aos deuses. O clero colegiado galaico, de abaixo acima, se amoldó à nova situação, tal e como alguns políticos mudam «a jaqueta» ante a chegada de um novo regime. Quiçá não fosse muito piedoso mas que poderia se ganhar com esta mudança? Justo o que sempre tiveram e perderiam se não se adaptavam rapidamente.

Constantino I outorgava ao clero cristão privilégios judiciais, a restituição dos bens eclesiásticos, isenção dos munera, e o direito de herdar para a Igreja. Outras disposicións como a supresión das penas contra o celibato e o celibato mesmo não seriam um grande impedimento para o clero mais prolífico de Europa.

Todas as vantagens econômicas e situação de privilégio Não valeriam sem dúvida uma missa? O seguinte problema para o clero territorial cristianizado seria aprender a fazê-la, inteirar-se em que consistia o cristianismo.

Não se pode explicar de outro modo a proliferación em massa e repentina de diócesis se correspondendo territorialmente com as civitates / populi / territoria [sive potius, territorios] na ultraconservadora Galícia Como ia a desobedecer a tendência de Constantino I O Grande, legislador supremo, de fazer prevalecer sua autoridade e vontade sobre a tradição do direito romano, o disciplinado Clero Galaico?

No ano 314, num ano após o edicto de Milão, o bispo galego da diócesis de Beteka, uma ignota treba /toudo ou civitas / populus / terra da Provincia Gallaeciae, envia um presbítero às Galias ao Concilio de Arlés. (2)

Igual que sucede em Irlanda, Gales, etc. a cada velha treba /toudo galega conhecida como civitas / populus / respublica se converteu ainda que por pouco tempo em diócesis de um território sem vida urbana, e o que é mais grave, sem vida cristã. O resultado de superponer a religião céltica ao cristianismo foi uma chapuza: chamou-se Priscilianismo.

Assim tenta reconstruir Juan de Cruz no século XVIII a Hispania que em tempo de Julio Cessar. Tem o mérito de aproximar-nos uma imagem. Ainda que, no actual estado dos conhecimentos, pois como demonstro em meus trabalhos sobre arqueologia institucional os romanos deixaram subsistir as comunidades prerromanas trebas ou toudos, convirtiendolas em ciuitates ou populi, designando ambas vozes o mesmo objecto institucional: o território político autónomo celta. Estas trebas ou toudos chegam intactas à Idade Média como Terras ou como arciprestazgos. Isto parece que não entra no caletre facilmente. A gente não costuma ler coisas que exigem uma média equipación. Isso demonstra o bem que está nosso nível. Aviso a mareantes copiraighteiros que qualquer outra tentativa de recontrucción é vã tentativa, inutil tentativa, e contrapoducente tentativa. O resultado é com um pouco de sorte similar, quando não inferior ao deste, excepcional mapa em seu momento, que me tomei a moléstia de vos reproduzir aqui.

Assim tenta reconstruir Juan de Cruz no século XVIII a Hispania em tempo de Iulius Caesar. Tem o mérito de aproximar-nos uma facies. Ainda que, no actual estado dos conhecimentos,  como demonstro em meus trabalhos sobre arqueologia institucional os romanos deixaram subsistir as comunidades prerromanas trebas ou toudos,  chamadas ciuitates ou populi, designando agora ambas vozes o mesmo objecto institucional: o território político autónomo celta. Estas trebas ou toudos chegam intactas à Idade Média como Terras ou como Arciprestazgos. Isto não entra no caletre facilmente. A gente não costuma ler coisas que exigem média equipación.  Aviso a mareantes  que qualquer outra tentativa de recontrucción é inutil tentativa, e contrapoducente : o resultado com  sorte serà similar, quando não inferior, ao deste em seu momento excepcional mapa.

Conhecemos os Cileni por Plinio, (3) Ptolomeo(4), Idacio(5) e a epigrafía, (6) pois bem, os da terra de Caldas vão ter sede episcopal que nada tem que ver com a dos irienses desde não sabemos quando, quiçá também desde o 314, e um ultra ortodoxo bispo Ortigio qui celenis fuerat ordinatus iria à cidade de Toledo na Provincia Carthaginiensis ao concilio do ano 400 (I Concilio de Toledo) muito ultrajado pois segundo Idacio acabava de ser expulsado por sua fé católica pelo partido priscilianista que contava com muitos meios econômicos e uma aceitação generalizada (7) ainda que por estas datas a unidade priscilianista começava a romper e Chadwick recolhe as atas da abjuração de Simposio, Dictino, Isonio e Vegetino. Nove anos depois produz-se a entrada dos bárbaros que o límico Idacio registra no Chronicon. (8)

As diócesis Priscilianistas com os bispos à cabeça e o reino suevo se entenderiam ainda.

A chegada de Martiño de Dumio e conversión de Teodomiro modificam as coisas replanteándose, de um tirón, desde a cúspide da corrente vasallática «[…] e Miro pôs baixo sua Sede Iriense» a organização eclesiástica territorial, desaparecendo as diócesis territoriais convertidas em arciprestazgos. O arcipreste se manteria como cabeça do clero da terra mas estaria, adscrito a uma sede episcopal, controlado pelo bispo.

Algumas sedes se manteriam residualmente como a que se corresponde com a terra de Laniobriga [psbl., Lansbriga ou San Cibrán de Lás] (9) e a mesma Beteka. (10)

O pseudo ‘Parroquial Suevo’ ou Divisio Theodemiri, feita no Concilium Lucensis anno 569, permite-nos conhecer a lista das sedes episcopales e das diócesis que as compõem; não se fala de parroquias tal e como hoje entendemos o termo, que são criação tardia [do século XIII], como, contradizendo a Pierre David, demonstrou Gonzalo Martínez Díaz (ll), senão que como autóctonas se enumeran no parroquial uma lista de diocesis ou territoria que levam os nomes dos antigos territórios celtas. Se observamos a listagem de de diócesis pertencente à Sede Iriense, encontramos uma série de civitates / populi:

Mapa amosando em Gallaecia os mór túaithe, unidades políticas superiores as trebas (André Pena)

Mapa amosando em Gallaecia os mór túatha, unidades políticas dos clanes familiares -precedente dos condados- superiores a treba (André Pena)

Morracium [Morrazo], Saliniensem [Salnés], Contenos [Cuntis], Celenos [Caldas de Reis], Metacios [Meda], Pistomarcos [Postmarcos], Bregantinos [Bergantiños], Duvriam [Dubra], Montanos [Montaos], Nemitos [Nendos], Prucios [Pruços], Bisa(n)cos [Bezoucos], Trasancos, Lavacencos [Lapatiancos et Airos (os Arroni ou Arrotrebae de Plinio), Arrós ou Treba, “Terra?”de Arrós] etc., onde, entre outras, reconhecemos as civitates / populi dos Celenos, dos Brigantinos, dos Trasancos, dos Lapatiancos e dos Arrotrebas. Mas onde esta sobrevivência dos ‘pequenos estados’, bisbarras ou organizações territoriais e políticas autóctonas celtogalaicas se faz mais reconocivel é na lista de diócesis atribuídas à sede de Ourense Palla Aurea: Verugio, Bibalos, Teporos [Tribes], Geurros [Valdeorras], Pincia [Pinza], Cassavio [Casaio], Vereganos [Bercianos], Senabria [Sanabria], Calapacios Majores [Calabor]
Aparecendo as conhecidas trebas, toudos ou civitates / populi dos Bibalos, Téporos ou Geurros, que nada terão que ver com as parroquias atuais como cria Casimiro Torres Rodríguez. (12) Para ter um mapa exato dos ‘estados territoriais’ trebas, toudos ou terras, da Idade do Ferro basta uma redução dos arciprestazgos medievales. Não há possibilidade de erro.

No Concilio de Lugo do 1 de janeiro do ano 569, convocado pelo rei Teodomiro

Tempore Suevorum sub era DCVII die Kalendarum Januarii. Theodemius princeps idem Suevorum concilium in civitate Luco fieri precepit ad confirmandam fidem catholicam uel pró diversis ecclesie causis LF, T II 10 e 11, pp 16-17 Costa.

atribuíram-se à cada cathedra um número de diócesis determinado com o objeto de evitar conflitos entre os bispos

Sicque post hec per unaqueque cathedra dioceses et parrocias diuiserunt] ne inter episcopos contemtio aliquatenus fieret

e também se criaram novas sedes para as que foram ordenados bispos

Etiam concilio alias sedes elegerunt ubi episcopi ordinarentur

o que indica certa plasticidade na igreja galega e o bullir de novas tentativas de organização do clero na Divisio Teodemiri, mas sempre respeitando

unicuique ciuitati sue tradite sunt parrocie per determinationes antiquorum castrorum et fluminum [22]

a identidade territorial Celta.

Quod studiose pequirens cum eiusdem provicie pontificibus in eodem concilio Lucensi adunatus ut potuimus per ueritatem antiquam unicuique ciuitati suam distribuimus difinitionem seu portionem ac per ribulorum cacuminaque montium seu antiquorum castrorum uel archarum confinia eis terminos ingessimus ne ecclesia contra ecclesiam disceptans alterius terminos invaderet , hac eas propriis subscriptionibus adnotauimus. Liber Fidei  II, doc. 11, 20 (Braga 1978) ExP. Avelino de Jesus dáCosta.

Segundo o Cronicón Iriense, que, apesar de sua tardia redação se baseava em antigas fontes; depois da morte de Ariemiro,  Miro que possuía Lugo

tomou baixo seu domínio a Braga e reuniu o Concilio Bracarense segundo, a onde foi Andrés, no ano 610. E Miro pôs baixo sua sede Iriense as seguintes diócesis, a saber: O Morraço, o Salnés, Moranha, Caldas, Montes, Meta, Merza, Tabeirós, Valga, Louro, Postmarcos, Amahia, Cornado, Dormeá, Entíns, Céltigos, Barcala, Nemancos, Vimianzo, Seaia, Bergantinhos, Faro, Escudeiros [Cabaleiros], Dubra, Montaos, Nendos, Prucios, Bezoucos, Trasancos, Labacengos e Arrós, e outras das que se tem menção nos cánones. (13)

Fazem-se reconocibles distritos religiosos que se correspondem com as, melhor que ‘étnicos’, trebas, toudos, civitates, populi, [dioceses, plebes, comisos], territorios políticos celtas, comarcas ou terras. Isto permite demonstrar como pervive em Galiza [norte de Portugal, Galiza e occidente de Asturias] a dúplice personalidade jurídica das civitates / populi nas terras no plano temporal e espiritual igual que no resto do mundo céltico.

Ego Theodomirus Rex, cognomento etiam Mirus, Gallecie totius Provincie Rex […] Perquirentes uero diligenter ordinem ecclesiasticum, inuenimus Diocensales unius cuiusque ciuitatis diuaricatos a ueritate antiqua, paganorum persecutione, quod studiose perquirens cum eiusdem prouincie pontificibus in eodem concilio Lucensi adunatis, ut potuimus per ueritatem antiquam unicuique ciuitati suam tribuimus diffinitionem seu portionem, ac [per riuuulorum cacuminaque montium seu antiquorum castrorum uel archarum confinia] eius terminus ingessimus, ne [Ecclesia contra Ecclesiam disceptans], alterius terminos inuaderet, ac eis propiis subscriptionibus adnotauimus concilio etiam Brachara congregato Secundo, símile modo ueritate reperta confirmamus. Presidente in Eadem Urbem Martino Episcopo. Ex P Avelino de Jesus dá Costa. Liber Fidei I, doc. 11. 19,24

As diócesis, futuros arciprestazgos seguirão mantendo com a figura do abba, arcipreste, representante do bispo e depois arcediano, a estrutura religiosa jerarquizada na terra ou territorio [a forma neutra territorium não se emprega de modo habitual] medieval através do arciprestazgo no plano espiritual; no temporal os condes terão o título de imperantes, seu delegado, vicarius ou maiorino [maiordomus] de Terra estará a cargo do territorio em ausência do senhor. O modelo organizativo galaico pré-romano chegou, como na Irlanda ou na Escocia, modificado na forma, mas estruturalmente intacto, até a Idade Média, o que demonstra uma vez mais a sobrevivência e solidez de velhas estruturas”  In André Pena . Narón, un Concello con História de Seu. Tomo II (1992, 24-27)

WARNING: this post is still under [de]construction – it probably contains lots of typos and errors Check it again in about 80 days and it should be fixed.

Desculpem as gralhas.

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