UNIVERSAL CELTIC LAW. COMUM DIREITO E INSTITUIÇÕES CELTOATLÂNTICAS. A ARMADILHA DE UMA INEXISTENTE CULTURA CASTREXA OU CASTREJA

POLITICAL ORGANIZATION ORGANIZAÇÃO POLÍTICA

BRIEF INTRODUCTION BREVE INTRODUÇÃO

National Identity and Celtic Legacy

National Identity and Celtic Legacy

Sendo Identidade Nacional e Legado Celta, consubstanciales conceitos na Irlanda

The Irish Government, to document, accorded to common opinion, the arrival to Ireland Of the Celts from Central Europe in the V century BC, funded a genetic study (2004) led by Dan Bradley and Brian McEvoy.

The Irish Government, to document, accorded to common opinion, the arrival to Ireland Of the Celts from Central Europe in the V century BC, funded a genetic study (2004) led by Dan Bradley and Brian McEvoy.

The Irish Government, to document, accorded to common opinion, the arrival to Ireland Of the Celts from Central Europe in the V century BC, funded a genetic study (2004) led by Dan Bradley and Brian McEvoy.

O Governo Irlandês para documentar segundo a opinião comum, a chegada a Irlanda dos celtas desde a Europa central no século V dantes de Cristo, financiou um estudo genético (2004), dirigido por Dão Bradley e Brian McEvoy.

"We have a much older genetic Legacy". A genetic legacy of Mesolithic and Neolithic of Gallaecia and the Atlantic coast of Iberia

No entanto, comparando as mostras de DNA de 200 voluntários de várias partes da Europa com uma base de dados genética de 8500 indivíduos de toda Europa, Bradley e McEvoy encontraram uma coisa diferente, confirmando McEvoy “O Legado Genético Primário da Irlanda, parece ter procedido de gente de Espanha e de Portugal depois da última glaciación“, aliás um legado genético do Mesolítico e Neolítico de Gallaecia [ou Kaltia] e da Costa Atlántica de Iberia.

'We have a much older genetic legacy'

‘We have a much older genetic legacy’

“We have a much older genetic Legacy”. A genetic legacy of Mesolithic and Neolithic of Gallaecia and the Atlantic coast of Iberia

“[os irlandeses] temos uma heréncia bem mais antiga”

If the Ice Age glacial advance forced the Palaeolithic Europeans to seek shelter from climate in places such as the Atlantic Lands End of NW Iberia, Finisterre,

If the Ice Age glacial advance forced the Palaeolithic Europeans to seek shelter from climate in places such as the Atlantic Lands End of NW Iberia, Finisterre […] “Northern hemisphere glaciation during the last ice ages. The accumulation of 3 to 4 km thick ice sheets caused a sea level lowering of about 120 m. Also, the Alps and the Himalayas were covered by glaciers. Winter sea ice coverage was much more limited in the south” In “Wikipedia own work – redrawn, supplemented and modified grafic from John S. Schlee (2000) Our changing continent, United States Geological Survey

Se na Idade de Gelo o avanço da glaciación obrigou aos europeus do Paleolítico a buscar refúgio do clima extremo em lugares como as costa do Finisterre atlântico do NW de Iberia [….]

the subsequent Climate change and ice retreat

A posterior mudança climática e retirada do gelo, possibilitaram que a gente, longo tempo assentada na costa atlântica de Iberia, retornasse a Europa.

AND THE  HISTORY BECAME LEGEND  E A HISTÓRIA CONVERTEU-SE EM LENDA

Brigantia and Breogan

Brigantia and Breogan

Retornaram, depois de dez mil anos de forçada estância, navegando – melhor que seguindo a banquisa, sendo impracticable por terra o passo entre o continente e as ilhas -impidíendolo durante o deshielo a confluencia dos grandes rios europeus, imenso tumultuoso cauce pelo centro do Canal da Mancha. Seguramente a população celta, como contam as lendas chego por mar da Galiza a Irlanda, por algo se chama gaélico, não erinês a língua de Erín .

The coming of the sons of Mil

The coming of the sons of Mil

Seguramente volvieron de Galicia a Irlanda refiriendo las leyendas la llegada de los gaels por mar desde Brigantia (La Coruña), a Irlanda.

Bri_e_Briga

Font wikipedia.  Old place names containing the Celtic elements -briga and -bris < –brigs   ‘hill, hillfort’ in the Iberian peninsula, transmitted by Roman and Greek geographers and historian and local Latin inscriptions; together with modern place names derived from the same elements. Sub uocabulo Celtic place names in Galiza http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Celtic_place_names_in_Galicia

  COMPROMISSO DO GALAICO BRIGANTINO AMERGIN COM AS TRES MATRES [DEUSA NAI] DA IRLANDA

Assim em amável comunicação epistolar -através de Fernando Alonso-, me transladava Marcel BRASSEUR, sua visão no encontro do brigantino Amergin com a tripla Mater Bamba, Fotla e Eriu da cenificação do casal entre a Deusa Mãe com o novo poseedor do pais, possibilitando a tomada de posse da Ilha pelos gaels, id est, galaicos, falantes do galego, id est, gaélico, língua perdida, ontem como amanhã, no solar onde nasceu:

rainhas-soberanas-gallaecia

MATRES. RAINHAS SOBERANAS DE GALLAECIA PELO ARTISTA CARLOS ALFONZO ASESORADO POR ANDRÉ PENA. […] a tomada de posse estaria já presente […], no reencontro dos fillos de Mil [Amergin] com as três rainhas da Irlanda, Bamba, Fotla e Eriu […]:Reproduzem-se com exatidão no desenho de Carlos Alfonzo, feito baijo a minha direção, locindo  jóias da Gallaecia triconventual. Na empunhadura da espada tomei-me a licença de dar-lhe às antenas a forma de duas aves estilizadas. A roupa feminina elaborou-se forma comparativa em base à etnología e a representações européias da Idade do Ferro, acrescentando aos esquemas de tecidos os motivos decorativos específicos da área galaica. E se non è vero è ben trovato.

La rencontre des Gaëls [= Galegos, de Brigantia] avec les trois reines d´Irlande est un rituel de prise de posesión d´une terre” […] “Dans leur marche vers Tara, les Gaëls rencontrent les trois déesses éponymes du pays: Bamba, Fotla y Eriu Seule Eriu leur souhaite bonnes possession de leurs nouvelle terre. En échange de sa protection, elle leur demande cependant un engagement: que l´île porte désormais son nom. Amorgen y consent; cést pourquoi l´Irlande s´appelle, depuis ce jour-lá, Erin, du nom de la déesse Eriu. “Les fils de Mil s´entretinrent avec Bamba à Siab Mis. Elle leur dit: “Si c’est pour vous emparer de l´Irlande que vous êtes venus, vous n´êtes pas venus sous un bon signe”. “C´est par nécessite”, dit Amorgen au genou blanc, le poète. “Faites-moi un don”, dit-elle. “Quel don?” dirent-ils. “Que mon nom soit donné à cette île” dit-elle. “Quel est ton nom?, dirent-ils. “Bamba“, dit-elle. “Que ce soit un nom de l´île”, dit Amorgen. Ils s´entretinrent avec Fotla à Eblinne. Elle leur parla de la même manière et elle désira que son nom fût donné à l´île. Amorgen lui dit: ” Que Fotla soit un nom de l´île”. Ils s´entretinrent avec Eriu à Uisnech. Elle leur dit: “ô guerriers, soyez les bienvenus. Il y a longtemps que les prophètes ont prédit votre venue. Cette île sera vôtre à tout jamais. Et à lest du monde il n`y aura pas d´île meilleure. Nulle race n´y sera plus nombreuse que la votre”. “C´est bien”, dit Amorgen, “la prophétie est bonne”. “Faites-moi un don, ô fils de Mil et enfants de Bregon“, dit-elle, “que nom soit donné á cette île”. “Que ce soit son principal nom”, dit Amorgen” Avant de prendre possession de l´île, il faut livrer bataille. Les Gaëls sont vainqueurs et le Tuatha s´inclinent, non sans avoir durement négocie leur retraite. Le pays sera désormais équitablement divisé, non point sur le mode humain, mais sur le mode mythique: Les Gaëls occuperont le pays en surface, et les Tuatha se répartiront le “Sidh”, c’est à -dire le monde du Dessus: les tumuli, cairns, lacs et autres lieux magiques dont est truffées l’Irlande. C´est ainsi que l´Irlande fut partagée entre les dieux et les hommes”  Marcel BRASSEUR amável comunicação epistolar. Cf A. Pena Treba y Territorium (2004: 181-2)

Foundation of Dun na Gall

Fundando el primer castro Dun na Gall, ‘Dónegal” el brigantino Amergin , tras escenificar y pactar (Brasseur) con las tres diosas soberanas Bamba, Fodla y Eriú  la legal toma de posesión de la Isla-, pasando luego a Gran Bretaña y al continente. Fundando o primeiro castro Dun na Gall, ‘Dónegal” o brigantino Amergin ], depois de escenificar e pactuar (Brasseur) com as três deusas soberanas Bamba, Fodla e Eriú, a legal tomada de posse da Ilha-, passando depois a Grã-Bretanha e ao Continente .

Sometimes legends can reflect more truth than we think.

Conta a lenda que o primeiro castro que fundaram se chamou Dun na Gall [ “Castro de Gall, Castro Gall-aico”  -significando “de” o sufijo –aeco (e/i)]  Talvez em lembrança do abandonado lar? Falando já (não todos seriam mudos) Celta Antigo Comum, base do grupo goidélico: o irlandês, o escocês e o gaélico manês. [Losada (1999, 201-246) Moralejo (2011, 338); J. T. Koch (2009); Martíns (2008), Ballester (2012)], sem dúvida com o germen, já desenvolvido, de comuns instituições [Pena 2004 m, 433-507].

WERE THE SONS OF MIL ALL DUMB?

 “The celtic languages did not originate in Central Europe, they originated in North Western Spain” […] “A roman general mistakedly located a river in the Pyrenees for being the Danube and the home of the celts hence the myth started”[…]. ‘Closely related languages were spoken along the Atlantic seaways from Portugal to Britain by the middle of the first millenium BC’ Cunliffe (2004, 296).

And, settled the Paleolithic Continuity Paradigm, argues Xaverio Ballester:

Traditional theories locating the original homeland for Celtic speakers in Central Europe have insufficient, archaeological, genetic, historial or linguistic support, in both their older form (Hallsttat, La Tène, close to Thracia) and the more recent version (Hercyno-Sequano-Ticinian…sic!). Due to objective archaeological, genetic and [pre]historical documentation, as well as linguistic congruence, the theory of an Atlantic origin for Celtic languages is much stronger. However, their new approach turns out to be untenable within the cronological frame of the Bronze Age, so clarly a substantially older chronology is needed. Xaverio Ballester “Les languages celtiques: origins centre-européennes ou… atlantiques?  (Abstract, p 93)

Ith and the Gaels from  Galtia or Galiza

Quijotesco oxímoron: o modelo invasionista pacientemente elaborado por esplendentes lingüistas desde o século XIX atirado ao lixo. Europa Central, nodo do enredo, convertida em periferia. Descendo – e não dos ramos como em tempos de Darwin- os Albiones de linhagens Irlandeses! E O mos pessimus! A “Marca Espanha! Europa fechou filas, mudando a incerteza depois do breve lapsus feito eternidade por sosiego:
Expediente Vasco?  O que faça falta. Sic fatur lacrimans, classique immittit habenaset tandem  Albionicis Britanniarum adlabitur oris, e chegaram os vascães de Ibéria – todos mudos, por não deixar rastro ou subregistro lingüístico – muito dantes da recalada na Inglaterra de José de Arimatea com o Menino Jesús, dantes inclusive da chegada ao vale do Támesis dende Centroeuropa dos “verdadeiros Celtas” com seu copo campaniforme -, as  costas de Britania, passando logo  -não com a Armada – a Irlanda Sabes tu que foi Euskadi solar de celtas várdulos, caristios e autrigones?

They Spoke an Atlantic Ancient Commom Q-Celtic language

Língua estendida como era de esperar, pois não todos os emigrados seriam mudos, na longa Marcha à Europa Atlántica insular e continental (e quiçá ao Norte da África), originando a pléyade de comuns topônimos, hidrónimos, antropónimos, assumidos celtas.

CALLAECIA ETYMOLOGISCH WOORDENBOEK HET CALLAECISCHE (DR. THERESJE OSORIO & XAVIER ESCRIBANO NÓVOA)

WAS J. T. COCH THE FIRST TO DEMONSTRATE THAT THE TARTESIAN IS A CELTIC LANGUAGE?

O ótimo amigo e sanskritólogo Eulogio Losada Badía descubridor de que o alfabeto Tartésico e o Ibérico Ocidental, se criaram para notar uma antiga língua celtica (contemporánea da escritura lineal do Egeo), como o confirmaria anos depois J. T. Coch, traduzindo as inscrições Tartésicas, muito bem transcritas por Jürgen Untermann.

O ótimo amigo e sanskritólogo Eulogio Losada Badía ( Universités de Lyon et Paris; fundador do IGEC ), descubridor en 1997 de que o alfabeto Tartésico e o Ibérico Ocidental, se criaram para notar uma antiga língua céltica, contemporánea da escritura lineal do Egeo, como o confirmaria anos depois J. T. Coch, traduzindo as inscrições Tartésicas, muito bem transliteradas já por Jürgen Untermann.

We must remember -without diminishing the glory that belongs to J. T. Koch- that some years  earlier -while Koch undoubtedly inadvertently ignores this circumstance- Eulogio Losada Badía  had shown,  that the Tartessian was an alphabet built on purpose for a Celtic language.

Devemos recordar, sem diminuir a glória que em justiça lhe pertence a JT Koch, como em alguns anos dantes tinha Eulogio Losada Badía  mostrado e, levantando a lebre [- ignorando Koch, sem dúvida por descuido esta circunstância, pese a que o livro da UBO, Universidade de Bretaña Ocidental, contendo as atas do único congresso celebrado na França (em Bretaña) dedicado os Celtas da Península Ibéria, se distribuiu amplamente por todas as blibliotecas das universidades dos paises celtas-] que o signario tartésico, ou Ibérico Ocidental, muito anterior ao grego e ao fenicio, emparentado com a escritura lineal egípcia e do Egeo, era um alfabeto criado para notar uma língua celta.

Cf. the John T. Koch map in A CASE FOR TARTESSIAN AS A CELTIC LANGUAGE ,334

Gómez Moreno anos após ter assinalado “reviste caracteres de probabilidad máxima […] admitir que los alfabetos ibéricos nacieron en Andalucía, como fruto de la civilización tartesia, en fecha remota pero imprecisable hoy […] pues su tipo gráfico los pone cerca de lo cretense y chipriota y antes que lo fenicio [Misceláneas, 28], dató el signario tartésico hacia fines del segundo milenio antes de Cristo [e analisando Eulogio Losada Badía ] “la propia naturaleza de la lengua para la que fue creada, por la zona tartesia, la primera escritura ibérica”[e, entre outras muitas coisas, desenvolvidas ao longo de 45 densas páginas (201,246)], “la bivalente esencia de los grafemas con que se transcriben las oclusivas dentales y guturales o velares en las lenguas ibéricas” [tinha determinado com aguda, sólida e documentada, argumentación a natureza celta da língua do Atlântico hispano]: “Confirmando la coherencia de nuestra tesis sobre los orígenes celtas del sistema que el signario ibérico parece revelarnos, los argumentos fonéticos invocados en el presente trabajo hacen que la paternidad céltica sea cuando menos altamente verosímil” E. Losada Badía “Las Escrituras Celtohispanicas”  1999: 246

Esta antiga origem do signario hispano para notar uma língua céltica, exclui precisamente que não fora Celta a originaria população da Irlanda, que a língua celta chegasse –como por pessoais necessidades comparatistas se sustentou, obscura per obscuriora, sem prova nenhuma– em época posterior. E ao cabo,  quod natura non dat, Salmantica non præstat e a úmida ensonhação itálica do e-Lusitano não prosperou e ‘saiu rana’.

A CELTIC UNIVERSAL POLITICAL ORGANIZATION UMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA UNIVERSAL CELTA

I would like to warn the audience that, at least in 1991, these papers sounded like something new. Perhaps not so much at this stage when scientists from different fields are supporting this view.

Before, during and after Roman rule, the Northwest of Atlantic Iberia, Gallaecia, experienced a Celtic and Indo-European territorial organization, which still stayed alive until very late in the Middle Ages.

Quero advertir-te, caro leitor que, ainda que já não o pareça hoje, quando científicos de diferentes campos e países apoiam esta visão de nossa Arqueologia Institucional, pelo menos no 1991 estes papéis soavam como algo novo.

Dantes, durante e após a dominação romana, Kaltai em a Idade do Bronze, Gallaecia em a Idade do Ferro, o Noroeste Atlântico de Ibéria, experimento uma organização territorial, principesca, céltica e indoeuropeia, que todavia funcionava muito avançada a Idade Média.

Narón un Concello con Historia de Seu T. II

No ano 1992, exactamente na página 26 de Narón um Concello com História de Seu. Volume II [PENA, Andrés (1992). Ed. Concello de Narón] compendiamos em um sinóptico quadro as bases da função soberana e a função sagrada do Território Político Celta na Terra de Trasancos, desde a época pré-romana à medieval. Vinte anos depois este quadro que apresentamos da renegada Galiza é de plena aplicabilidad em todas e a cada uma das tribos Trebas/Túatha da Europa Celta no contexto da Universal Celtic Law. Pelo mesmo motivo é também de universal aplicabilidad a concepção do castro como um demarcado espaço jurisdiccional -tal e como figura na lámina da página 131 da obra, acima mencionada.
In 1992 we summarize the basis of the sovereignty function, and the Political and Religious role of the Celtic Territory, in the Terra de Trasancos, since pre-Roman to medieval times in a synoptic table, exactly on page 26 of Narón un Concello con Historia de Seu. Vol. II [PENA, Andrés (1992). Concello de Narón Ed]. Twenty years later this table of the denied Celtic Galicia, presented here is, in the context of the Common Celtic Law, fully applicable to each and every one tribe [Trebas / Túatha] of Celtic Europe.

For the same reason, the concept of fort as a jurisdictional space, as set the picture on page 131 of the above-mentioned work, is also of universal applicability.

A briga -bre, "castro", loc. latino. domo, "casa" dum dominus, "senhor" e sua crica ou dominium, "espaço económico demarcado" ou iurisdictio.

A briga -bre, “castro”, loc. latino. domo, “casa” dum dominus, “senhor” e sua crica ou dominium, “espaço económico demarcado” ou iurisdictio.

Pelo mesmo motivo é também de universal aplicabilidade a concepção do castro como um espaço jurisdicional – tal e como figura na lâmina da página 131 da acima mencionada obra-.

 TREBA AND TOUDO

The Political Territorial Organization of Gallaeciae, described in the ancient sources with Celtic ethnonyms, ‘names of tribes’, knew (Pena 1991; 1992; 1993; 1994) pre-roman names of Treba and Toudo . 

udos, Ciuitates/Populi, Territorios e Diocesis Medievais

Trebas ou Toudos, Ciuitates/Populi, Territorios e Diocesis Medievais

Also in Atlantic Europe, in the Continent and in the Islands, appears [in Iron Age] the same serie of small ‘states’ or ‘political territories’ named in Celtic Europe as  Treba or Toudo [O.I. Túath]. Both words define a common institutional system, a “Celtic princedom” – more appropriate than the term “Celtic chiefdom” [of ARNOLD & GIBSON, 1995]. Since the dawn of the Bronze Age Celtic Europe is a mosaic of identical autonomous political territories we commonly call tribes and Romans called ciuitates / populi. Sharing a common structure, these tribes – as is Gallaecia– are known either in Europe (Pena 1992; Karl 2002) with words of domestic sovereignty: TREBA [TRIFU, TRIBUS, and so on.] and TOUDA [TEUTA, TOUTO, etc.] with a term alluding to the people, state or nation.

O exercício da soberania em um Território Político Autônomo Celta, Treba/Toudo (air. Túath)  é dúplice. Os Ríges, "Reis", governam aos homens. O Clero [Druidas ou Durvedes do passado Pagã, Episcopi do presente Cristão] governa nas consciências dos homens. E bem mais. Com a religião, todo o tráfico jurisdicional, publico e privado, o exercício da jurisdição e a ciência, está em mãos do cultivado clero.

O exercício da soberania em um Território Político Autônomo Celta, Treba/Toudo (air. Túath) é dúplice. Os Ríges, “Reis”, governam aos homens. O Clero [Druidas ou Durvedes do passado Pagã, Episcopi do presente Cristão] governa nas consciências dos homens. E bem mais. Com a religião, todo o tráfico jurisdicional, publico e privado,  e a ciência, está em mãos do cultivado clero. Desenho de Eva Merlán bajo a minha direção para a Historia Ilustrada de Narón.

Leading these Houses or Communities, Territories, Trebas or Toudos, working as a kind of small states, were the riges, ‘kings’ or principes, ‘princes’.

A Europa Céltica, seguramente dantes já da Idade do Bronze, é um mosaico de idênticos territórios políticos autônomos compartilhando a comum estrutura nomeada na Europa (Pena 1992, Karl 2002) com palavras oriundas do conceito de soberania doméstica, ora [designando a Casa, e variantes trifu; treb; trifu, tribus, etc] trebas, “tribos”, s. Treba, como em Gallaecia; ora designando ao Povo, Estado, Nação, galaico Touda, antigo irlandês p. túatha, sg. túath” [e suas variantes teuta, touto, etc.], ambos termos aludem ao sobredito território Estado ou Nação, regido por uma Casa nobre, território que os romanos chamaram ciuitates/populi.

Estela paleo cristã de Apana, filha de Ambollo Celtica Supertámarica, do Castro Miobre S. IV-V dC. Hallada en Crecente, Lugo. Museo de Lugo.

Estela paleo cristã de Apana, filha de Ambollo Celtica Supertámarica, do Castro Miobre S. IV-V dC. Hallada en Crecente, Lugo. Museo de Lugo. Celticos Super Tamaricos [Celtici Super Tamarici] are the name of an ancient Gallaecian Celtic tribetreba or túath-, living in the north of modern Galicia border of Celticos Nerios [Celtici Nerii] in the Costa da Morte’s county. Super Tamarici means “above the river Tamara” “Tambre“. Tamar is also the name of the river that separates Cornwall from England, and Tamasa [r/s] is the name of river Thames. Family Stuff. Em pé, Apano, o que mandou fazer a estela, togado e com um liber enrollado na mão esquerda, passa sua mão direita sobre o ombro de sua amada irmã Apana que luze um colar de “margaritas” ou pérolas. Também luzem um colar de pérolas as figuras que estan sentadas, cf. detalhe, seguramente as Matres do passado pagano agora no presente cristão, Santa Ana e a Virgen Maria [ provavelmente as primeiras representações  na Europa]. Consertem que ambas levam um colar de margaritae, “pérolas”, e que a menina porta em sua mão também um liber – detalhe alusivo a inteligência mostrada, como seu filho, ante os doutores nos apócrifos- e uma coroa, alusiva nas representações páleo-cristãs (séculos IV e V) ao destino de Cristo. Apoia minha interpertatio o fato de que, eu também tenho dereito a me equivocar, e que na estela não figure ningun outro elemento religioso, e não existem nem, claro está, podem existir estelas “ateas”, sem alusão religiosa, em Gallaecia.

Compartilhando não poucas vezes idêntica denominação em toda a Europa Céltica, “Brigantinos”, “Nemitos”, “Belgae”, o colosal mosaico de demarcações verdadeiros “mini-estados” chamadas trebas ou toudos, à frente de consagrados rīges “reis” ou arioi, “príncipes”, responde a um comúm tráfico jurisdicional feudo-vassalático .

As fontes clássicas situam no NW as trebas ou toudos de/dos [Classical sources placing in the NW of Iberia] Adovi (Plin. IV, 111); Albiones (Plin. IV, 111); Amaci (Ptolo. II 6, 36); Arroni ou Arrotrebae (Plin. IV, 111);  Artabri (Plin. IV, 111, Ptlo. II 6, 22; Strab. 3, 3, 5); Astures (Ptol. II, 6, 28); Baedui (Ptlo. II, 6, 26); Bedun(ien)ses (Ptol. II, 6, 31); Bibali (Plin. III, 28, Ptol. II, 3, 43); Brigaecini (Ptol. II, 6, 30); Cibarcis (Plin.IV, 111); Celtici cognomine Neri (Plin. IV,111); Celtici Supertamarci/ Supertamarici ( Mela 3, 11 Plin. IV, 111); Cilini /Celeni/ Helleni (Ptol. II, 6, 25; Plin. 4, 111); Coelerni/Coelerni (Ptol. II, 6, 42, Plin. III, 28); Copori/Capori  (Plin. IV, 111, Ptol. II, 6, 24); Egivarri Cognomine Namarini, Egurri, Gigurri (Plin. IV, 111; Ptol. II, 6, 38; Ptol. II, 6, 52; Plin. 3,28); Equaesi (Plin. III, 28); Grovii (Ptol: II, 6, 38, Plin. III, 28); Lanciati/Lancienses (Ptol. II, 6, 29, Plin. III, 28); Lapatian(n)ci (Ptol. II, 6, 4); Lemavi (Ptol. II, 6, 25; Plin. III,28); Leuni (Plin. IV, 112); Limici (Ptol. II, 6, 44); Luanci (Ptol. II, 6, 47); Lubaeni (Ptol. II, 6, 48); Luggones (Ptol. II, 6, 33); Narbasi (Ptol. II, 6, 49); Nemetati (Ptol. II, 6, 41); Ornaci (Ptol. II, 6, 32); Paesici (Ptol. II, 6, 5; Plin. III, 28, IV, 111); Quarquerni/Querquerni (Ptol. II, 6, 47; Plin. IV, 111); Saelini (Ptol. 2,6,34); Seurri/Seurbi (Ptol. II, 6, 27; Plin. IV,112); Superati (Ptol. II, 6, 35); Tiburi (Ptol. II, 6, 37); Turodi (Ptol, II, 6,40) […].

As fontes epigráficas registram [the epigraphy gives us]

Pequeno disco de lousa, achado em Covas pelo autor deste pós, reproduzido na reedición do 1º volume da História de Narón. Contém o nome da Terra de Trasancos na breve cláusula em dat. s. Reve Trasanciuge [psvlm mejorlectio que Trasanciange] Reve, epíteto da Mater, posv. "Raising Moon, Lua"

Pequeno disco de lousa, achado em Covas pelo autor deste post, reproduzido na reedición do 1º volume da História de Narón. A breve cláusula da lousinha, em dat. s. Reve Trasanciuge [psvlm melhor lectio que Trasanciange] Reve [psvlm. tema em “a”, seguramente um epíteto da Mater, posv. “Raising Moon, Lua”] a lousinha contém, sem dúvida, o nome da Terra de Trasancos.

Aebisoci/Aeboso(nci) (CIL. II 2477; IRG IV 74); Ambimogidus (CIL II 2419); Ancondei (CIL II 2520); Bibali (CIL II 2477; 2475 (Biba(l)us); Cabarcus (CIL II 5739); Cileni (C.I.L. II 2649; EE. VIII 132: Cilin(us); IRG 120 Cilenus); Coelerni (CIL II 2477; IRL 29 Coelernae; AF 1972 382: Coelerni); Copori (CIL II 5250=IRPL 34:  Princeps Co(porum); CIL II5250= CM León 21, nº 13a: Copori); Equaesi (CIL II 2477=CM Zamora II: Equaesi; IIAE 899: Equaesi; IIAE 1347=ILER 2867: Equaesus); Gigurri (CIL II 2610: Gigurro Calubrigense); Interamici (CIL II 2477; CM León 90: Interamicus; Rivas Fernandez B. Aur., 3, 1971, 79-83 Res Plublica/Int(eramicorum)); Limici (CIL II 434=204 9 (CIL II 827 = 4215:  Limico, CIL II 2477: Limici; 2496: Lim/i(c)us; 3034: Lim(i)cus; 5953: Limicus; 4963(1) = 6246(y) =A Port. 28; 1928-9; 213 nº 1 Luzón, en Huelva, n. 38 a 63: Limicus; Cm Cáceres 211: Limic(us) 2516: Civitas/Limicorum; IRG IV1: (L) ari (bus) civita(tis/Li) m (icorum)); Ornaci, provl. Val de Ornaci, arciprestado de Valduerna (CIL II 2a633 Tabula hospitalis de Astorga = 2633); Quarquerni (CIL II 2477), Supertamarci = Tras-Tamara(CIL II 5081); Tamagani (CIL II 2477; IRG IV 66); Trasanci in Reve Trasanciuge [Trasancianige?] Covas. Ferrol (Pena Atenea 1992); Zoelae (CIL II 2633; 2651; 5684).

As fontes alto-medievais [Divisio Theodemiri anno 569] recolhem:

VIII Ad lucense: Luco civitas cum adjacentia sua, quod tenent comites undecim, una cum Carioca, Sevios et Cavarcos.

VIIII Ad Auriense: Letaos, Bival, Palla Auria, Verugio, Bivalos, Teporos, Geurros (=Iutres no L.F.) Pincia, Cassavio, Vereganos Senabria et Calapacios (=Cabazas no L. F.) maiores.

X Ad Astorica: Astorica, Legio, Bergido, Petra Speranti, Comanca (=Colanca no L. F., Ventosa, Mourelle (=Murelle no L.F.) antes da chegada dos mouros confirmando as teses de Isidoro Millán) Superiore et Inferiore, Senimure(=Senure no L.F.), Fraucelos (Fraugellos no L.F.) Pesicos.

 XI Ad Iriense: Morracio, Salinense (Saliense no L.F.), Contenos, Celenos, Metacios, Mercia (Mercienses no L.F.), Pestemarcos, Coporos, Célticos, Bregantinos (Brecanticos no L.F),Prutencos (Prutenos), Prucios (Plucios no L.F), Besancos (Besaucos no L.F.), Trasancos, Lapatiencos (Lapaciencos) et Arrós.

XII Ad Tudense ecclesias invicino: Tueredo, Tabuleda, Lucoparre, Aureas, Langetude, Carisiano, Marciliana, Turonio, Celesantes, Toruca. Item pagi: Aunone (Dunone no L.F.), Sacria, Erbilione, Cauda, Ovinia, Cartase”.

Según el Cronicón Iriense que a pesar de su tardía redacción se fundamenta en antiguas y fiables fuentes

TREBAS, TOUDOS, TERRAS, COMISSOS Y COMITATOS

Quando os documentos medievales fazem listados de trebas, toudos, ciuitates/populi, terras, etc., os dão ordenados em grupos concatenados. como quando estudando “as regiões e províncias” nos mapas da ditadura de Franco dizíamos “Crunha, Lugo, Orense e Pontevedra” e depois “Leão, Zamora, Salamanca, Valladolid e Palencia” etc. Esta circunstância, observável  nas listagens dos diplomas permite detetar uma unidade maior, superior a modo dos comitatos concentrados por herança familiardo conde, em realidade um senhor de multiples, singulares Terras ou Territórios Políticos familiares,  – a cada um deles com seus magistrados territoriais próprios [uicarius terr(a)e e maiorinus terr(a)e]  onde o conde ostenta seu título celta de princeps terra, princeps huius terre ou imperante de terra-. A unidade superior à treba, toudo ou terra, denomina-se nas Ilhas Britânicas, Mór Túath, aquí comitatus. A forma enroscada – assinalada em este mapa por cores- de agrupar séries de trebas nos documentos e diplomas medievais como o Cronicón Iriense, em princípio assinalam ao meu modo de ver uma realidade equivalente a estes mór túaithe: “Miro tomou baixo  seu dominio a Braga e reuniu o Concilio Bracarense Segundo, onde acudiu Andrés em o ano 610. e Miro puxo baixo a súa Sé Iriense as seguintes diócesis a saber:  Morrazo, Salnés, Moranha, Caldas, Montes, Meta, Merza, Tabeirós, Valga, Louro, Nemancos, Vimianzo, Seaia, Bergantinhos, Faro, Escudeiros, Dubra, Montáos, Nendos, Pruzos, Bezoucos, Trasancos, Labacengos e Arrós, e outras dás que se ten mención nos cánones

 

[…] et Mirus cepit Bracaram et fecit concilium Bracarensem sedundum, ubi Andreas fuit, in era DCX Et Mirus sedi sue Hiriensi contulit dioceses, scilicet: Morracium, Saliniensem, Moraniam, Celenos, Montes, Metam, Merciam, Tabeyrolos, Velegiam, Hour, Pistomarcos, Amaeam, Coronatum, Dormianam, Gentines, Celticos, Barchalam, Nemarcos, Vimiantum, Selagiam, Bregantinos, Farum, Scutarios, Duuriam, Montanos, Nemitos, Prucios, Bisa(n)cos, Trasancos, Lavacencos et Airos, et alias que in canonibus resona(n)t […].” Transcripção e notas de Manuel-Rubén García Álvarez, Memorial Historico Español (R.A.H.), Tomo L. Madrid. 1963. Cf. Pena, 74,76.

Mapa parcial de distribuição de trebas ou toudos costeiras de Gallaecia sobre um mapa da reduzida Gallaecia atual. Estas pertencentes em sua maioria ao Convento Lucense

Parcial de distribuição de trebas ou toudos costeiras de Gallaecia sobre um mapa da reduzida Galiza atual, pertencentes em sua maioria ao Convento Lucense.

As in Ireland (MacCone; Gibson; Byrne), Wales (Hubert, 436-437); Scotland (A. Dogshon), continental Europe (Wells;  Halselgrove, 12-29), and the Nordic countries (Kristiansen, 241-280), the ancient Gallaecia configured itself as a succession of political territories that probably emerged at an early stage. In Treba y Territorium (USC 2004), in a long term study (1987-2010) of a Galician shrine in Narón (Northwest Galiza), this author notes a Neolithic origin of the Treba.

Como Irlanda (MacCone; Gibson; Byrne), como Gales (Hubert, 436-437); como Escócia (Dodgshon, R A 1995 ‘Modelling chiefdoms in the Scottish Highlands and islands prior to the ’45”, in Arnold, B and  Gibson, D B (eds) Celtic Chiefdom, Celtic State, Cambridge University Press: Cambridge, 97-99); como Europa continental (Wells;  Halselgrove, 12-29), e como a Nórdica (Kristiansen, 241-280), a antiga Gallaecia se configurou em uma sucessão de territórios políticos, sem dúvida procedentes de um estádio remoto. Em Treba y Territorium,  estudo de longa duração (1987-2004) de uma comarca galega em Narón (Noroeste Espanha), assinalamos um orígen Neolítico da Treba.

Classical historical and epigraphical records allows us to know the name of these territories and the name of their inhabitants. Still many of them persisting in present areas of Galice.

The Celtic political territories or units, so called trebas or toudos [OI túaithe], where the riges, ‘kings’, or principes, ‘princes’, dominate and ruled, were delimited among them, by a wide repertoire of milestones or land marks [of different kinds and periods] working like borders. Let’s examine just a few of these milestones:

COIRAS, FITOS TERMINAIS LAND MARKS

A treba or toudo is separated in Gallaeciae from the adfines, “neighbours”, by coirastermini, land marks, with many denominations

Fito cruciforme terminal duma TREBA galaica en Sanfíns. Valpaços. Chaves. TERM(inus) TREB(ae) OBILI(-i/--orum/-ancorum?) Cada "território político" treba ou toudo tinha seus próprios marcos. Separados os marcos da treba própria, aqui os  dos Obili ou Obiliancos, dos outros marcos que delimitaban as vizinhas trebas, por um espaço neutro a modo de terra de ninguém.

Fito  ou coria cruciforme terminal duma TREBA galaica do Rigeueiral, Sanfíns, Valpaços. Chaves. TERM(inus) TREB(ae) OBILI(-i/–orum/-ancorum?) Cada “território político” treba ou toudo tinha seus próprios marcos. Separados os marcos da treba própria, aqui os dos Obili ou Obiliancos, dos outros marcos que delimitaban as vizinhas trebas, por um espaço neutro a modo de terra de ninguém.

Or separated  by mounds, like this Chalcolithic one [image bottom, left] with a statue of the eponymous founder, in which they wrote in the Lower Empire: “Here lies [my ancestor] Lateron Celtiato, Son”

1º LATRONUS “Esforçado, Valente, Brioso, Decidido, Disposto (para a batalha)” [seguramente do antigo irlandês OIr. Láthar envolvendo a Ideia de disposição [para o combate]’, “n. ou-stem <*lāϑ(e)r < * lāϑ(e)rom: acc. sg., dat. sg. lathur [lathar] (McCone, 2011), 2º [esta segunda opção cede ante a anterior] lat. Later-onus “O que [pela segurança que inspira] anda ao lado do (nobre ou o rei)” –nada tem que ver, o esforçado Látronus com um amigo do alheio, como com pouco acerto, desconhecendo a importância institucional desta peça, sustenta Francisco Fariña-,. CELTIATI FILIVS, “Filho de Celtiato”; HIC SITUS EST “Aqui Jaz”. Sem dúvida o iussor – nobre cuja família detentava a secular possessão do território demarcado pela estátua menhir de tempo inmemórial - mandando no Baixo Imperlio gravar o epígrafe (psb do século IV d.C) sobre o túmulo fundacional calcolítico, ca. 3400 a.C., queria documentar, deixar por escrito, a mámoa do epónimo fundador da sua prosapia (Pena Graha)

LATRONUSEsforçado, Valente, Brioso, Decidido, Disposto (para a batalha)” [seguramente do antigo irlandês OIr. Láthar envolvendo a Ideia de”disposição [para o combate]’, “n. o-stem <*lāϑ(e)r < * lāϑ(e)rom: acc. sg., dat. sg. lathur [lathar] (McCone, 2011), 2º [esta segunda opção cede ante a anterior] lat. Later-onus “O que [pela segurança que inspira] anda ao lado do (nobre ou o rei)”. [Nada tem que ver, o esforçado Látronus com “um amigo do alheio”, como com pouco acerto, desconhecendo a importância institucional da peça, sustenta o colega Francisco Fariña Busto], CELTIATI FILIVS, “Filho de Celtiato”; HIC SITUS ESTAqui Jaz”. Sem dúvida o iussor – nobre galaico cuja família detentava a secular possessão da treba Quarquerna dos Galaicos Brácaros, demarcada pela estátua menhir de tempo inmemórial – mandando no Baixo Império gravar o epígrafe (psvlm. do século IV d.C) sobre o túmulo fundacional calcolítico, ca. 3400 a.C., queria vindicar, deixar por escrito, a pertença da mámoa ao epônimo fundador da  prosápia (Pena Graha) e que este era filho, á sua vez, do epônimo fundador das trebas da Kaltia ou Gallaecia.

Or separated by a wide repertoire of fitos terminais, “landmarks”, named in celtic-latin galician, or in the Celtic language, spoken before the conquest, with various denominations as coiras (Old Irish cora; Corn. cored, cf. VENDRYÈS sub vocabulo cora 1987), carneiros, carracedos, carnoedos, “amilladoiros”, etc.

Tom O'Neill, senior writer de National Geographic, y Regional Editor of Asia, com o autor deste artigo e uma amiga sobre um carracedo, carnoedo ou amilhadoiro perto de Santo André de Teijido ao preparar o seu relatório The Celtic Realms para a revista National Geographic. Os carracedos ou carnoedos não é sempre desempenhar um papel de demarcação nos países celtas, na maioria das vezes os amilladoiros tem uma função religiosa associada com as rotas de peregrinação.

Tom O’Neill, Senior Writer of National Geographic and Regional Editor of Asia, com o autor deste artigo e uma amiga visitando um cairn, carracedo, carnoedo ou amilhadoiro perto de Santo André de Teijido ao preparar o seu relatório The Celtic Realms para National Geographic. Os carracedos ou carnoedos não sempre desempenham um papel de demarcação nos países celtas, a maioria das vezes os amilhadoiros têm uma função religiosa associada com as rotas de peregrinação.

É frequente na Galiza que uma mámoa, um petróglifo, uma pedra-fita ou um outeiro “altar rupestre”, demarquem ou deslindem duas, três e até quatro freguesias; dois, três e até quatro câmaras municipais; duas, três e até quatro bisbarras e, em ocasião até várias províncias [criadas pelo centralismo no segundo terço do século XIX], indicando esta circunstância que ainda que as atuais câmaras municipais e as atuais províncias são criação do século XIX (1837), a sua circunscrição fez-se na Galiza organicamente– e a atuação de Pio Pita Pizarro é uma prova irrecusável, sobre jurisdições e freguesias preexistentes, e não como noutras partes de Espanha ‘a cordel’,  assinando de modo arbitrário a uma determinada população uma quantidade determinada de léguas em quadro. 

Marco de Portonovo no Caminho de Santo André, com uma inscrição M3T [Marco de Três Termos]. Separa três prefeituras Narón, Valdoviño e San Saturniño. Tem uma pegada "marcar" da sandalia de Cristo peregrino que ficou impressa na pedra quando Deus asulagou "afundou", a cidade impía de Portonovo de Valverde, sita ao Oriente dum rio muito grande. A cidade desapareceu, o rio ficou convertido neste porto vau", junto a um perigoso piago [pielagus nigrus] ou "poço sem fundo" . Nas noites de lua podemos divisar baixo a água o campanario da igreja asulagada e com uma vara fazer soar o sino

PORTO com epígrafe do século XVIII.  Marco de Portonovo no Caminho de Santo André, com uma inscrição M3T [Marco de Três Termos]. Separa três prefeituras Narón, Valdovinho e San Sadurninho. Tem uma pegada “marcar” da sandalia de Cristo Peregrino que ficou impressa  quando  assulagou, “afundou”, a cidade impia de Portonovo de Valverde, sita ao Oriente dum rio muito grande. A cidade desapareceu, o rio ficou convertido neste porto,  cabo dum perigoso piago [pelago nigro] ou “poço sem fundo” que o papa todo. Nas noites de lua podemos divisar baixo a água o campanario da  assolagada igreja  e com uma vara podemos também fazer soar o sino

Esta circunstância permitiu que a reorganização de concelhos [prefeituras] e províncias, se fizesse em realidade, partindo do modelo preexistente das paroquias, coutos e bisbarras (comarcas).

Paroquias e bisbarras atuais de Galiza, herdeiras duma facies anterior

Paroquias e bisbarras atuais de Galiza, herdeiras duma facies anterior

Coincidentes com o que hoje vêm de ser as comarcas, os Territórios Políticos estavam delimitados por marcos, em geral de pedra, de nome coiras . Comparativamente, veja-se o antigo irlandês cora “valado, muro de pedras” e o galés cored ‘barreira’, vozes celtas que também figuram como derradeiro termo de composto em numerosos topónimos (Vendryes 1987 sub vocabulo cora) Desta voz derivam numerosos topônimos como Coira (Allariz, Ames, Monfero, Porto do [O]són [Portus Ursoni, não ‘Porto do Son’], Santiago, Teo)… mais muito olho em “[…] por Porto Pequeno de Coira” [Tumbo de Monfero, 1651].

 FANTASMAL PORTO DE CORIA QUE SÓ  APARECE AOS MEDIEVALISTAS

 É utopia Porto de Coria, lugar que não existe em nenhum lugar, agás em a concorrência ‘medievalista’, nem faz graneiro, nem ajuda ao companheiro inter e multidiciplinar. Assim o liniolo, “imaginária linha divisória” dum acoutamento, como este do Mosteiro de Caaveiro  [cirógrafo do 15 de agosto de 1117] do rei da Galiza, Alfonso VII – incluindo entre o  repertorio imobiliário demarcatorio institucional uma preceptiva Fontana Fria o Fontem Frigidam– entre outras corias  discurre […] deinde per illam Karralem que ducit ad Portum, decoria deinde per illum villarem […] usque ad insulam […] etc.” […] depois pelo carral [“caminho de carro”] que leva ao Porto [“lugar do rio de pouco calado, que se pode vadear”], decoira [“demarca” depois pelo Villar […] ata a illa […], etc. Mas nosso, excelente por certo, medievalista traduz […] deinde per illam Karralem que ducit ad Portum de Coira; deinde per illum villarem […] usque ad insulam […] depois pelo carral que conduz até o Porto de Coria; depois pelo vilar [etc].– Quasi todos o fazem –

DECOIRAR COM COIRAS

Monumental pedra fita do Marco do Vento. Monte do Seijo. Cerdedo. Galiza.

Monumental pedra fita, coira, ou Marco do Vento. Calros Solla. Monte do Seijo. Cerdedo. Galiza.

O verbo demarcar – com um amplo imobiliário demarcatório- é nas cartas galegas medievais o verbo decoriare, ou decoirar, com marcos,  corias ou coiras:

Invenerunt acham in ripam de Mero ubi dicent ad canarium et decoria [demarca] in directo de ipsa archa in directo Santo Stephano […]. Et alias archas et decorias que divident inter Lemenioni et ipas Parietes et Caliobre et concludent per Fontem Bonam (P. Loscertales de G. de Valdeavellano 1976, pp. 161 -2) 

Toda a documentação alto e baixo medieval, quando refere deslindes de zonas altas e esgrevias ou de zonas baixas, utiliza os megálitos profusamente como marcos que dividem antigas propriedades e, em muitos casos, chegaram até hoje cumprindo com a mesma função.

Assinalando desde tempos imemoriais os limites geográficos das diferentes demarcações locais, as pedrafitas e mámoas de todas épocas -do Neolítico ao Ferro [“nos funerais de Viriato, fizeram combater ante seu túmulo 200 parelhas de gladiadores, honrando assim sua eximia fortaleza (Diodoro 33, 21)”. Terminado o funeral celebrarão combates singulares sobre seu túmulo (Apiano. Iber. 71)]-, se converterão pela sua antiguidade e visibilidade nos pontos de referência favoritos dos antigos. O que parece uma máxima: ‘esta terra é nossa porque aqui estão os túmulos dos nossos antepassados’ prevaleceu assim ao longo do tempo.

OU TUMBA É DUM MORTAL HÁ TEMPO MORTO, OU, AO CABO, UM MARCO POSTO PELOS ANTIGOS 

Monte de Nenos, Narón Duas grandes pedras destinadas para a coberta dum dólmen de galeria, que por um arrependimento não se chegou a construir e se deixaram ao pé da canteira.

Monte de Nenos, Narón Duas grandes pedras destinadas para a coberta dum dólmen de galeria, que por um arrependimento não se chegou a construir e se deixaram ao pé da canteira.

Na Idade do Bronze, já com suporte factográfico podemos observar o alcance indoeuropeu do hábito de empregar as mámoas para demarcar, pela primeira vez num registro Europeu, nas honras fúnebres de Patroclo, no túmulo ou, melhor dito, nas despidas pedras da possível câmara dolménica que aparecem descritas na Ilíada:

Vou [-dí Nestor-] mostrar-te qual vai ser a meta, ainda que é singela de mirar, e não te passará inadvertida: ali por riba do chão erguesse, e tão alto coma uma braça, um tronco seco, bem chantado e ergueito, de uma azinheira ou de um pinheiro que a chuva não apodreceu, duas pedras bem brancas o entalam, uma a cada banda em pleno estreitamento do caminho, e acalcada de uma e de outra parte estende a pista para carros; ou tumba é dum mortal há tempo morto, ou, ao cabo, um marco posto pelos antigos, e são a meta que o divino Aquiles, o dos pés velozes, vos pôs. (Homero Ilí. XXXIII, 326 – 34) .

Corias em lingoa indíxena e termini em latín, estes marcos despregan em ocasións um complexo imobiliário arqueolóxico que mostra ora mesas ofertorias do Neolítico final, inzadas na súa superfície com petroglifos de “cazoletas” [cup and rings] chamados nos documentos medieváis burgarios, ora túmulos do Neolítico nomeados em latín medieval lacos anticos, lacunas, lacunellas [véxanse nos montes galegos os topônimos Lagoa, Lagoela], mamolas, etc.

LACOS ET MAMOLAS

Plano do lugar de Vilamartim, em Sam Jorge de Rioavesso, com mámoa fundacional entre outras demarcações apresentadas pelo Conde de Lemos e Joseph Antonio Pardo de Montenegro. 1715

Plano do lugar de Vilamartim, em San Xorxe de Rioaveso, com mámoa fundacional,  entre outras demarcações apresentadas pelo Conde de Lemos e Joseph Antonio Pardo de Montenegro em 1715

Assim cando as fontes falan de lacos anticos et mamolas, a diferença entre estes dous conceitos débese a em que um laco (sic) é sempre um túmulo que apresenta buraco de violação; esta abertura de túmulos poido se produzir ao dia seguinte do enterro, ficando a pegada desta actividade em forma de grandes furados, lacos, que podem alterar ou acabar em ocasiões com moitos túmulos escavados centos, escavados centos, senão milhares de vezes, em busca de tesouros ata que a eles -caso de supervivir- chega a paleta do arqueólogo; mentras que a mamula, sospeitosamente eliminada pelos buscadores de encantos, conservaria ou aspecto primordial de teto. Hoje de aplicarmos a precisão descritiva dos nossos cartolários e diplomas medievais non poderíamos com propriedade falar de mamolas ou de mámoas, ao chegarnos coma dixemos a prática totalidade delas violadas, não uma, senão, ut supra, milhares de vezes, sendo máis exato e descritivo recuperar a voz  lacunas, “lagoas”.

LOKOOBO, LACO, LAGO

Da Idade do Bronze e enquadrável no mesmo horizonte heroico indoeuropeu a galaica voz laco, lacuna, ‘lago, lagoa’, “mámoa, moimento’, lokoo|n, em celta antigo comum, aparece gravada em uma estela levantada sobre o túmulo dum Nerio da Galtia ou Kaltia – galaico e celta são sinônimos-  niiraboo too aŕaia i kaalteum ari “nobre” sorprendido pela morte em Tartessos trabalhando para se ganhar a vida, talvez, como avisa Avieno na Ora Marítima, negotiandi cura, metido em negócios  importantes de preciosos metais. Nosso business man da Costa da Morte chamou-se, Tasiono pois poderão vocês supor facilmente como é lógico que o primeiro que se encarrega ao lapicida – e até hoje- é gravar o nome do difunto.

O PRIMEIRO NOME GALEGO CONHECIDO É DE TASIONOS, UM ARI, “NOBRE”, NERIO DA KALTIA, GALLAECIA

Umas considerações sobre a provisional lectio interpretatio de John T. Koch sobre o epígrafe de Tásionos, pp. 339-351 I.S.S.N.: 1578-5386. [J.1.1] ‘Fonte Velha 6’ lokooboo niiraboo too aŕaia i kaaltee lokoo|n ane na_kee kaakii_iin|koolobo|o ii te’-e.ro-baar|e(be)e tea|śiioonii ‘invoking the Lugoues of the Neri people, for a nobleman of the Celtae/Galatai: he rests still within; invoking every hero, the grave of Taśiioonos has received him.’

Tasionos nobre Nerio da Kaltia

Estela de Tasiono, Nerio da Kaltia, Gallaecia. Deste período, e horizonte heroico indoeuropeu pertence a tumba lokoo|nlaco, lacuna, “lagoa”, de Tasiono, um Nerio da Galtia ou Kaltiagalaico e celta são a mesma palavra-, pois, sem dúvida, o túmulo como é natural recolhe o nome do seu proprietário, o morto, nunca do anônimo lapicida que fazia por encargo, pero nem assinava o epígrafe do defunto nem poderia assinar uma construção funerária.                         ‘lokoobooniirabootooaŕaiaikaalteelokonanenaŕ[.]ekaa?iiśiin  koolobooiiteerobaarebeeteasiioonii;  

Notemos a título de curiosidade que tea|śiioonii, “Tasiono“, e o primeiro nome  documentado too aŕaiai “dum nobre” galego, a primeira menção conhecida dum (em dat. de s.) niiraboo  “Nerio“,  kaaltee “da Kaltia ou Celtia“, anticipándose en oito séculos a Plinio, Celtici cognomine Neri et Super Tamarci, quorum in paeninsula tres arae Sestianae Augusto dicatae, Plinio N.H. IV,111

tasionos

Lectio de Untermann (1997), segmentada: ‘lokoobooniiraboo too aŕaiai kaaltee lokoo/n ane naŕkee kaakiśiin/koolobo/o ii te’-e.ro-baar/e(be)e tea/siioonii: “invoking the Lugoves of the Neri People, for a nobleman of the Celtae/Galtai: he rests still within; . invoking every hero, the grave of Taṡiioonos has received him’. por John T Koch (2009, 334); e eu fazo o proprio, pisando os seus passos:  Invocando aos Lugoves da Gente Neria por um nobre da Celtae/Galtai. Aquí jáz. Chamando a cada héroe [a morte], a tumba de Taṡiioonos recebeu-o [a ele]”

LES MOTS ET LES CHOSES. BLANCO, E EM GARRAFA

Faz noventa anos, na primavera de 1923 a draga ‘Fita’ trabalhando a 23 metros, ao sul do peirao da Compañia de Tharsis, na Ria de Huelva, encontrou, assombrando a importante descoberta aos arqueólogos da época, um depósito de 397 peças, sobre tudo armas do Bronze Final de ótima fatura e extraordinária execução técnica,  em um dia transportadas nas adegas dum barco galaico. Durante meses os jornais não falavam de outra coisa.

LES MOTS ET LES CHOSES

Ainda que os arqueólogos a mais peso (Luzón) sustentaram sempre a teoria do barco [tartésico] afundado da Idade do Bronze com material do norte, também se deram outras teorias, ritos funerários, que as armas tivessem sido arrojadas a propósito à ria, actos de marcação ou tomada de posse de território, etc. No entanto recentes análises com o método dos isótopos de chumbo mostraram que as peças tinham uma origem foráneo, que não pertenciam ao território suratlântico. Eram, sem dúvida peças de importação, seguramente, do ámbito galaico que permiten-nos documentar pela primeira vez, um galego com nome próprio, dedicado a sua função, os negócios, com uma dupla ‘real probe’ -uma sólida evidência arqueológica e um fiel depoimento histórico possibilitado pelo desciframiento do tartésico por Koch-, a presença em Tartessos das armas de bronze objeto do tráfico, e a presença em Tartessos negotiandi cura dum céltico nerio Taṡiioonos um ari, “nobre” nerio da Kaltia ou Galtia, protagonista deste comércio da heróica Idade do Bronze.
 E esta descoberta alumia e alumia-se, confirmando o texto de Rufo Festo Avieno do século IV d.C. “Avieno trabalha com fontes muito antigas, cita onze, como o periplo Massaliota, o documento mais antigo de autores gregos conservado na antigüedad, que nos dá a única informação que possuímos da Idade do Bronze no Noroeste Peninsular. Mostra uma temporã vocação comercial e marinheira, ratificada pela arqueologia (espadas pistiliformes, lúnunas, etc.)” Pena (1991, 65-73.).

 Rufo Festo Avieno. Ora Marítima 85-110 [desculpem a grafía portuñola do galego] 85.- Aqui está a urbe de Gadir, dantes chamada Tartessos; aqui as colunas do pertinaz Hércules Abyla e Calpe […]. 90.- E proeminente surge aqui a cabeça dum cabo. Oestymnin chamouno a antigüidade, alta mole de pedra afiada que verque na meirande parte o tépido Noto. Nembargantes, baixo o proeminente vértice, o Golfo Oestrymnico abre-se aos habitantes. E mostram se nele as ilhas Oestymnicas de ampla extensão e ricas em metal de estanho e chumbo. Aqui há moita gente  [vim gentium], de ânimo soberbo e astúcia eficaz. 100. – a todos junge a unidade de interesses para negociar, e com as barcas entretecidas sulcam um mar enormemente agitado e abismam no oceano povoado de monstros. Aqui não construirão as lanchas de Pinheiro, nem de pradairo, nem curvam os abetos, segundo o costume, senão coisa de admirar-se sempre preparam as embarcações  com peles unidas e percorrem a miúdo o vasto mar co couro. Desde aqui a ilha Sacra, assim a chamarão os antigos, há dois dias de navegação. 110.- Entre estas águas espalha-se moita terra e grande parte desta a habitam os hibernos. Preto sai á vista a ilha dos Albiones”.

Habría que discutir – sustentava Moralejo olhando sub vocabulo Celta, uma relação com a voz Callaecia– también si el ide. *kel- ‘levantar, elevar’ es o no la misma raíz que, ampliada, tenemos en irl. ant. Calath y gal. Caled ‘duro’ y en el etnónimo galo Caleti,Caletes, que podrían relaciornarse con los hispánicos Caladunum, Calubriga, Portu Cale, etc. En principio no parece difícil conectar los significados de ‘elevado, alto’ y ‘duro, fuerte’, sobre todo si pensamos en el terreno, en sus formas y su poblamiento. Metidos en gastos de conjeturas y si se admitiera solamente la base *kal sin sufijación *-na-podríamos borrar la diferencia entre cal(a)- y call(a)- suponiendo que enCallaecia y Callaicus la geminación es de motivación expresiva”. Ex Juan J. Moralejo  Álvarez. CALLAICA NOMINA. Estudios de Onomástica Gallega.

J. T. KOCH ActPal X = PalHisp 9

OS GALEGOS SOMO CELTAS? MAIS BEM LARGOS E COM FILTRO ASSINALA COM O DEDO O ANTICUARIO DA RAH

CÉLTICOS, CÉLTIGOS

 CELTAS?  Mais bem longos e com filtro. O caro Martín assinala, dou fe.

Na cláusula inicial de de Bello Gallico-sustenta comigo Heitor Rodal López em um conjunto trabalho que apresentamos na Irlanda em 2011-  assinalando  que a Gallia se divide em três partes, a uma habitada pelos Belgas, a outra pelos Aquitanos, [“Gallia est omnis divisa in partes tres, quarum unam incolunt Belgae, aliam Aquitani,  […] – ao falar da terça parte nos diz na parrafada introductoria à Guerra das Galias Julio César– “tertiam qui ipsorum lingua Celtae, nostra Galli appellantur”, isto é na terceira parte das Galias vivem os que em sua língua se chamam Celtas, mas se chamam na nossa, id est, em latín, Galos. [C. Iulii Caesaris Comentariorum de Belo Gallico. Liber Primus. 1.1.1], e não se tendo encontrado nas Galias evidências epigráficas do  cesariano aserto, resulta muito engraçado, não o Calo, que em Gallaecia as evidências, como assinala ao meu lado com o dedo, o anticuario perpétuo da Real Academia de la Historia, Martín Almagro, saltam à vista [dos que a têm].

más bien largos y con filtro

CELTAS DE PRIMEIRA “No entanto, resulta-me muito difícil esquecer que o depoimento de César segundo o qual os Galos se chamaram a si mesmos Celtae, ainda não tem encontrado nenhuma comprovação por outros indícios nem em a Galia de César nem muito menos em outras partes do mundo céltico antigo ou medieval. Seria estranho se a primeira prova de tal tradição de denominação a si mesmo aparecesse no extremo ocidente dos Povos aos que teria que adscribirse o nome Celta” ex Jürgen Untermann 1993Presumían de celtas como Tasionos -que não pôde ter chegado com as tropas auxiliares duma Roma que então esperava por Rómulo para arar o Pomoerio– mas sim pôde certificar seu ari, “nobre”, origo Nerio da Celtae/Galtai, Celtia ou Galiza, o epígrafe sobre seu carneiro ou túmulo funerário, recentemente traduzido do Celta Antigo Comúm. Neste sentido convém assinalar como um epígrafe aposto à estela calcolítica que coroava o fundacional túmulo demarcatorio duma treba galaica em época Baixo Imperial, permite deduzir a existência na Galtai ou Kaltai, de um mítico fundador epónimo, chamado Celtius ou Celtiato, de quem, justificando a quieta e pacífica posse jurisdiccional do território pela sua linhagem, presumiriam descer todos os príncipes, que em algo se tivessem, das galaicas Trebas [os Celtici Praestamarici, embaixo do Tamara, ” rio Tambre”, ou os Celtici Supertamarici, sobre o mesmo rio  p.ej.].

Dende que -demonstrando que Eulogio Losada Badía tinha ração, J. T. Koch-, Taṡiioonos teve a honra de ser o primeiro en fardar de Nerio da  Celtia ou Kaltia, quando  tão calando lhe surpreendeu a morte na Conia, psvlm. negotiandi cura, ocupado como conta Avieno, na terça, ou a quarta coisa que os galaicos da Idade do Bronze melhor sabiamos fazer; os galaicos presumimos sempre  -e assim até o desembarco de Carlos Alonso do Real e cía- de Celtici como apontam os historiógrafos.

QUE LÍNGUA FALAVAM OS CELTAS DE GALLAECIA E LUSITANIA DANTES DA CHEGADA DOS ROMANOS?

Nos advirte em amável comunicação epistolar Xaverio Ballester do perigo para muitos incautos do pensamento ilusório, do wishful thinking:

Si las fuentes más antiguas hablan de “kallaekia”, ergo “eso es lo antiguo y original”, pues que siendo Callaecia forma griega, no autóctona,  el fallo puede ser doble: 1) no ver que esas fuentes antiguas eran también las fuentes griegas, y 2) no tener en cuenta la tradición oral, que es unánime.

Avindo o elemento principal comúm Kel-/Gel-; Kal-/Gal-, o Galaico com o Gaélico e Céltico, “a título de curiosidad”, revelou Moralejo:

[…] que Callaecia tendría sus allegados etimológicos en latín callus ‘callo” y collis ‘colina, en el (pre)griego colofón… y [que] también podría entrar en la opción etimológica *kel-, serían algo así como los ‘altivos’ […]

Por sua vez de forma coherente, concordando com o já exposto no ano 2002, diz Xaverio Ballester “sobre o etnónimo dos gálatas (e dos celtas)” (307-314):

Some of the traditional explanations for the name of the Celtae have no typological paralell at all. The old name of the Celtae coud be well preserved in the ethnonym Galatai, wich could be explained as *gala-‘end, limit, border’ and *tai ‘those, they’, with the general meaning of ‘the borded people’ a common kind of ethnonym that suits the geographical situation of old Celts and their historical background” (307)

Apontamos em derradeiro lugar, que sub vocabulo celt-, recentemente Faileyev (2006,  94–111), deixando-se no tintero ao primeiro de todos eles, o mencionado Julio César, assinalou entre outros “attempts to reconcile the linguistic pre-history of Keltoi and Galatai” [in ‘Celtomania and Celtoscepticism’ p. 22], o Galo com o Celta o de Kim McCone, “Greek Κελτός and Γαλάτης” [ Sprache 46/1 (2006): 94–111]

Das duas possibilidades oferecidas por J. T. Coch para lokoon [J.57.1], ‘grave, funerary monument’, cf. Cisalpine lokan ‘grave’(Todi): Indo-European *legh– ‘lie down’.

[Alternatively, lokoon could mean ‘oath’, cf. Old Irish lugae (Jordán 2006), or ‘Lugus’ as an accusative singular corresponding to lokooboo]

LOKOON, LACUS, LAGO

 A primeira leitura parece-nos segura por estar na Galiza a voz hiper-documentada, devendo-se descartar a segunda alternativa. O velho costume de erigir túmulos fundacionais nas fronteiras das trebas ou toudos, “territórios políticos autônomos celtas”, chamados ciuitates / populi pelos romanos e terras na Idade Media, possibilitou a permanência da função de marco do túmulo ou “lagoa”.

Laco ou arca do Xistral

Laco, ‘lago’, ou arca do Xistral

A documentação alta e baixo medieval galega, utiliza profusamente monumentos megalíticos como marcos para dividir antigas propriedades deslindando zonas altas e esgrevias. Mámoas e pedra fitas, pela antiguidade e visibilidade, deslindam desde tempos imemoriais  os limites das demarcações  locais sendo os pontos de referencia dos antigos (Pena 1991, ), e empregam se ainda hoje, nos lindes dos nosso Concelhos [Câmaras] como marcos divisórios das paróquias [criadas no S. XIII], e dos próprios concelhos rurais [feitos ao cabo por agregação de paróquias no S. XIX].

PER ILLA LACUNA USQUE IN ALIA LACUNA

Deslinde do Celeiro de Marinhaos em o Diploma do Rei Silo

LOKOON, LACUS, LAGO  Deslinde do Celeiro de Marinhaos. Diploma  do Rei Silo. O mais antigo documento (auténtico em pergaminho) de Espanha [fala duma Galiza continuista, alheia a coisa muslime] o Diploma Silonis Regis recolhendo, sub die X Kalendas septemberes a doação pelo monarca dum Celeiro em terras de [A]Marinha [Namarini],  hoje Celeiro de Marinhaos, mostra a milenária permanência da lacuna ou laco, “lagoa, lago, túmulo ou mámoa”, pela sua função de marco.

A primeira vez que nos topamos  (Pena 1991) com esta denominação é num documento de âmbito galego, o mais antigo que existe em Espanha, o Diploma SILONIS REGIS feito na ERA DCCCXIII [23 de agosto do ano 775] pelo que o Rei Silo doa um celeiro, hoje o Celeiro de Marinhaos, na Marinha Lucense, a vários monges.

O Celeiro de Marinhaos (do território político autônomo celta dos Namarini) toma seu nome dum celeiro onde em cellae, quartos, se guardam alimentos: cella vinaria para o vinho; panaria para o pão, etc., dispondo-se provisões para todo o ano. O texto latino procede da lectio directa de Manuel C. Díaz e Díaz [in Antología do latín vulgar. Ed. Gredos. Madrid 1974, 212-213]

[…] ut darem eis locum orationi in cellario nostro qui est inter Iube et Masona, Inter ribulum Alesancia et Mera, locum que dicitur Lucis, determinatum de Ipsa uilla ubi Ipse noster mellarius abitavit Espasandus, et per Illum pelagum nigrum, et iusta montem que dicitur Farum, et per Illas sasas aluas et per Illa lacuna usque in alia lacuna, et usque ad petra ficta et per illa lagenam et per ipsum uillare que dicitur Tabulata per ipsa strata qui esclude terminum: usque in locum que dicitur Arcas, et arogium que dicitur Comasio, cum omnem exitu et regressu suo, castros duos […].

Para dar-lhe um lugar de oração em nosso Celeiro [hoje é o Celeiro de Marinhaos, na Marinha lucense correspondente com a treba ou toudo dos Namarini] que esta entre o [rio] Jube e o [rio] Masma, entre o [rio] Alesancia [composto celt. ant. e indoeuropeo *Haeliso “Aliso” e o sufixo –antia “rio dos alisos”] e o [rio] Mera no lugar que se chama Luzes, e se determina [limita com] a uilla onde vivia nosso meleiro [apicultor] Espasante [hoje lugar de Espasante] e pelo Piago [Piélago] Negro [os piagos são míticas charcas ou pântanos, mágicas poças que comunicam com O Além ou Sídhe, e com seus seres míticos Os Mouros, todas as paróquias galegas que se apreciem algo têm ainda hoje um, se lhes conhece como ‘o poço sem fundo’ e são muito temidos por que neles desaparecem pessoas, carros e gando] até o monte que dizem de Faro [Monte do Facho, estes fachos, eram de lenha e se usavam para vigiar o mar e avisar de perigos, pssvl. de invasões piráticas como as dos normandos e outros] e pelos Seixos Brancos [o Seixo Branco, visível até na noite fechada se usa muito para demarcar [ainda hoje quando uma estrada toca um destes seixos  o marco se retira e se coloca de novo em um lateral, bem visível e segue cumprindo sua função] e pela mámoa [violada, com lacus ou buraco de violação, até outra mámoa [per Illa lacuna usque in alia lacuna] e até uma pedrafita [pos. um menhir, cerca de Padrão (antiga Iria Flavia) alguns destes menhires, já de por sim demarcatórios desde tempo imemorial foram epigrafados com inscrições de termo no século XII] e pela laje [et per illa lagenam, a laje “pedra ou chanta provavelmente duma lacuna ou mámoa”, ou  uma pedrafita com função demarcatória] e pelo Vilar que chamam de Desiderio e pelo ribeiro que dizem de Alesanza e por outra pedrafita no monte que está sobre Taboada e pelo caminho que separa o termo até chegar a um lugar que chamam Arcas [as arcas são mámoas do Calcolítico, Post Campaniforme e Bronze antigo], e até o arroio chamado Comasio, com todas suas saídas e giro e dois castros […] .

Verdade é que este texto, em princípio, não permitiria reconhecer o caracter da voz Laco, lacuna (lagoa), se é uma tumba (Pena 1991), ou se é um lago ou um estanque para o gando ou os parrulos [dew pond].

Assim um ano depois de que eu identificara pela primeira vez esta voz, ignorando Alejandro Font Jaume o significado de ‘tumba, túmulo’ da voz lagoa, mostra esta hesitação:

[…] el término «laguna» está utilizado en el texto silense como nombre común, no como topónimo, de modo que resulta muy difícil determinar , en una tierra húmeda, a qué lagunas o depósitos de agua pueda referirse […] A. Font Jaume (1992) “Diploma Silonis Regis, ensayo de localización” Helmántica Tomo 43, Número 130-131 p 135o.

Sub vocabulo ‘lagoa’ como faz mais de duas décadas tenho demonstrado (Pena 1991, 27-31), e recentemente confirmou J. T. Coch, devemos traduzir mámoa ou túmulo funerário. laco, lacuna ou mamola, “mámoa” son voces omnipresentes nos documentos de deslinde da Galiza,  até o final do Antigo Regime e mesmo do presente.

Hoxe em dia -sustinha em 1991 o autor destas regras André Pena-, os limites setentrionais da Prefeitura ou Concello de Narón, (coincidentes nas paróquias limítrofes com as zonas montanhosas mais altas e abruptas da Câmara Municipal, Lagoa, Montes da Lagoa, Montes da Modia, Modia, Campo da Arca, Marco de Portonovo, Montiños de A Moura-A Moura, Marco da Areosa Branca e Moimentos, desde os altos de Vilar Quinte aos de Pedroso, estão ou estiveram delimitados por megálitos desde época imemorial. Os monumentos erigidos na necrópole junto ao túmulo fundacional que fazia de fronteira pela sua eminência e solidez foram empregadas por unha banda como cinceiros de todo o tempo, é dizer, um túmulo megalítico pode albergar na sua coberta de terra centenas de pequenas olas e urnas cinerarias com os restos dos que se consideravam da prosápia do fundador, depositadas em todo o tempo, mesmo milleiros de anos depois de que o próprio túmulo fora erixido [circunstância que faz com que apareça muita cerâmica castrexa na terra que cobre as mámoas e túmulos megalíticos e calcolíticos], e foram utilizados também como marcos.  […] Laco, lacos, lacunas; Lagoa significa ‘mámoa cum buraco de violação’. O limite mais proeminente ao norte entre Naróm e Ferrol chamasse Monte da Lagoa […] antes que existisse como tal o Concello de Narón, separava São  Martín de Covas de Santa Uxía de Mandiá e Santa María a Maior do Val e, posteriormente, tres concelhos: Ferrol, Serantes, e Narón. Preto deste monte está o topônimo Fonte dos Três Alcaldes [onde, por se abrir espontaneamente as portas do Além ou Sídhe ao abrente do dia de São João, se escuta a gaita de ouro dum Mouro (ser sobrenatural habitante do Além)] in Narón I, 26, ss.

LOKOON, LACUS, LAGO. LACOS ANTICOS DECOIRANDO A CASA DE SANTA COMBA 

O sentido [de Lacus, lacuna, monumento funerário (arca, dólmen oU mámoa), se confirma “de forma indubitável no documento do mosteiro de Celanova do 982, publicado por Antonio López Ferreiro (1899 apén.  pp 184. Tomo II). Falando dos limites da casa de Santa Comba na Limia [Lima], Odoino, di [aclarando a] identidade entre Lagoa e o túmulo ou mámoa o megalítico o seguinte:

Quomodo dividet cum villa Sancta Columba, Ermigildi et Atanes et transit Limia ad Patrono intra Mogaynes et Sancta Columba et feret in Arca tras Limia ad casam de Domno et per suis terminis ubi inueneritis lacos anticos et mamolas. Uno laco qui est Tras Limia unde venit liniolo qui transit per Limia et venit inter Sancto Martino de Calidas et feret in Cima de Villa ad alio laco maior per suo liniolo ubi iacit efigiem hominis sculpta in petra que testificat de laco in laco et inde per suos moliones firmissimos ad Arca Maior ad Castro de Vemes et sic tornat per alios moliones et feret in fontem de mulieres deinde postea mineo rio inter Villarino et Monte Longo per ubi formissime divisimus cum ipsos domnos iam prefactos in illorum grande concilium sub unos andantes, et omnia bene considerantes atque certius dividentes et omnia firmissime permanentem. Statuentes devenimus ad arcas maiores de Sancta Eolalia inde primiter inquoavimus. Notum die ipsas kalendas octobris discurrente tunc era XXª post. Mª. [cf. Narón I p 34, nota 11]

ET FERET IN FONTEM DE MULIERES

Fonte de mulheres. Tripla Ana Manana [Laureana, Aureana e Ana]. As três [A]Mouras abandonam sua fonte montando sendos cavalos. Mas uma delas, não passando a prova o mozo no que confiaram, se tem que ficar por lhe faltar uma pata a sua cabalgadura. Ilustração para Contos e Lendas de Trasancos da grande artista Eva Merlán

LENDA DA FONTE DA LOUREANA Recolhida, ilustrada e publicada em 1998 por Eva Merlán Bollaín em seu livro “Contos de Trasancos” (Concello de Narón Edit.) cunha introdução de André Pena. Esta lenda –similar a outras moitas- foi recolhida em São Sadurninho (Trasancos) pela própria ilustradora Eva Merlán Bollaín ©Eva Merlán BollaínI Contam em São Sadurninho que voltando dá seitura em Castela, mais consumido e fraco, mas não mais rico do que marchasse, um rústico da paróquia de Santa María ouviu que o chamavam pelo seu nome; erguendo a vista do chão, achou-se cunha velhinha que lhe mostrava três dourados bolinhos de pão trigo dispostos num branquíssimo pano sobre um penedo á beira do caminho. A Velha, que devia ser meiga, pediu-lhe ao campesino que levasse os bolos ao monte do castro e que pronunciasse três nomes de mulher [Ana Manana, Aureana e Loureana], pois se assim ou fazia, ficariam desencantadas três princesas que viviam encerradas no interior do monte por um feitiço que lhes botara seu pai, um malvado rei mouro. Mas tinha unha condição para que o desencantamento se realizasse: Era que daqueles bolinhos de pão não devia faltar nem sequer uma migalhinha. O labrego recolheu os bolos atando os bicos do pano e, depois de lhe prometer a velha que faria ou seu encarrego, continuou andando para seu lar.

LENDA DA FONTE DA LOUREANA Recolhida, ilustrada e publicada em 1998 por Eva Merlán Bollaín em seu livro “Contos de Trasancos” (Concello de Narón Edit.) cunha introdução de André Pena. Esta lenda –similar a outras moitas- foi recolhida em São Sadurninho (Trasancos) pela própria ilustradora Eva Merlán Bollaín . Nesta lenda de San Sadurninho o lugar escolhido para o desencanto do triplo Ana é claramente um outeiro, mas em Neda, por exemplo, o lugar é a célebre Fonte da Aureana.
I
Contam em São Sadurninho que voltando dá seitura em Castela, mais consumido e fraco, mas não mais rico do que marchasse, um rústico da paróquia de Santa María ouviu que o chamavam pelo seu nome; erguendo a vista do chão, achou-se cunha velhinha que lhe mostrava três dourados bolinhos de pão trigo dispostos num branquíssimo pano sobre um penedo á beira do caminho. A Velha, que devia ser meiga, pediu-lhe ao campesino que levasse os bolos ao monte do castro e que pronunciasse três nomes de mulher [Ana Manana, Aureana e Loureana], pois se assim ou fazia, ficariam desencantadas três princesas que viviam encerradas no interior do monte por um feitiço que lhes botara seu pai, um malvado rei mouro. Mas tinha unha condição para que o desencantamento se realizasse: Era que daqueles bolinhos de pão não devia faltar nem sequer uma migalhinha. O labrego recolheu os bolos atando os bicos do pano e, depois de lhe prometer a velha que faria ou seu encarrego, continuou andando para seu lar. ©Eva Merlán Bollaín.

II O lavrador chegou por fim a casa e foi recebido com alegria póla sua família. Depois de abraçar à Mulher e aos filhos, guardou o pan no chineiro advertindo-lhes que não deviam tocá-lo. Então se sentou a mesa, onde a dona lhe tinha preparado um algo do pouco que havia para comer. Reconfortado pelo caldo e o vinho, e derreado como estava pela viagem, o homem ficou dormindo pensando no estranho encontro que tivera e tratando de não esquecer os nomes que a velha lhe aprendera. Entretanto se desfazendo o nó que cerrava o lenço no que vinham envoltos os bolos: a Mulher, tentada póla cor e o arrecendo daqueles moletes tão feitinhos, não puído resistir-se e beliscou-lhe um anaquinho a um deles: logo voltou a cerrar o lenço e arranjou-o todo tal e como o marido o deixara. Quando o homem despertou, apanhou o fatinho do pão e marchou com ele, caminho do Castro, disposto a cumpri-lo mandado da velha meiga.

II
© Eva Merlán Bollaín. O lavrador chegou por fim a casa e foi recebido com alegria póla sua família. Depois de abraçar à Mulher e aos filhos, guardou o pan no chineiro advertindo-lhes que não deviam tocá-lo. Então se sentou a mesa, onde a dona lhe tinha preparado um algo do pouco que havia para comer. Reconfortado pelo caldo e o vinho, e derreado como estava pela viagem, o homem ficou dormindo pensando no estranho encontro que tivera e tratando de não esquecer os nomes que a velha lhe aprendera.
Entretanto se desfazendo o nó que cerrava o lenço no que vinham envoltos os bolos: a Mulher, tentada póla cor e o arrecendo daqueles moletes tão feitinhos, não puído resistir-se e beliscou-lhe um anaquinho a um deles: logo voltou a cerrar o lenço e arranjou-o todo tal e como o marido o deixara. Quando o homem despertou, apanhou o fatinho do pão e marchou com ele, caminho do Castro, disposto a cumpri-lo mandado da velha meiga.©Eva Merlán Bollaín.

III Chegando à cimeira do Monte do Castro, o nosso lavrador, obedecendo a meiga, pousou cada um dos bolos sobre um penedo [do celta Penn “cabeça, penhasco”]. Disse o primeiro nome: debaixo da rocha saiu uma formosa donzela [a]moura, ao tempo que o pão  se transformava num esplendido cavalo, a donzela montou-o e escapou galopando para o horizonte. Ao pronunciar o segundo nome outra vez aconteceu o maravilhoso prodígio: a segunda donzela ficou liberta e fugiu no seu cavalo. Finalmente berrou o nome de Loureana: a terceira donzela, mais formosa ainda que as suas irmãos, surgiu de debaixo do penhasco: mas o seu bolo de pan era o beliscado póla Mulher, e ao cavalo que dele nasceu faltava-lhe uma pata. Quando a menina quis cavalgá-lo cairão os dois ao chão, afundando-se de novo a princesa sob terra enquanto os laios desconsolados do seu pranto ressonavam entre os cotos. Desde então, as bágoas (lágrimas) de Loureana manam nas fontes do Castro, e há quem diz que, pondo atenções, se escutam entre os borbulhos das águas os saloucos da formosa princesa Loureana chorando a sua desgraça.

III
Chegando à cimeira do Monte do Castro, o nosso lavrador, obedecendo a meiga, pousou cada um dos bolos sobre um penedo [do celta Penn “cabeça, penhasco”]. Disse o primeiro nome: debaixo da rocha saiu uma formosa donzela [a]moura, ao tempo que o pão se transformava num esplendido cavalo, a donzela montou-o e escapou galopando para o horizonte. Ao pronunciar o segundo nome outra vez aconteceu o maravilhoso prodígio: a segunda donzela ficou liberta e fugiu no seu cavalo. Finalmente berrou o nome de Loureana: a terceira donzela, mais formosa ainda que as suas irmãos, surgiu de debaixo do penhasco: mas o seu bolo de pan era o beliscado póla Mulher, e ao cavalo que dele nasceu faltava-lhe uma pata. Quando a menina quis cavalgá-lo cairão os dois ao chão, afundando-se de novo a princesa sob terra enquanto os laios desconsolados do seu pranto ressonavam entre os cotos.
Desde então, as bágoas (lágrimas) de Loureana manam nas fontes do Castro, e há quem diz que, pondo atenções, se escutam entre os borbulhos das águas os saloucos da formosa princesa Loureana chorando a sua desgraça. Es este el trasunto de Rhianonn “Senhora Rainha”, da Senhora do Outeiro da Maga, do pedrão  Maga Reaico, “da Rainha Maga” de Lamas de Moledo, chamada a idades mais temporãs no tartésico (J. T. Coch)  Ikurina, “Senhora dos Cavalos”, como Potnia Hikkueia . Oureana cavalga acima do Bem e do Mau alheia ao escarnio galaico português [traz-lhe sem cuidado] do urbanícola século XIII . ©Eva Merlán Bollaín.

Eis o que me trae a cara Paulina Ceremuzynska:

Dona Ouroana, pois já besta havedes,

outro conselh’ar havedes mester:

vós sodes mui fraquelinha molher

  e já mais cavalgar nom podedes;

5  mais, cada que quiserdes cavalgar,

mandade sempr[e] a besta chegar

a um car[v]alho, de que cavalguedes.

E cada que vós andardes senlheira,

se vo’la besta mal enselada andar,

10       guardade-a de xi vos derramar,

ca, pela besta, sodes soldadeira, […]

[A vergonha obriga a silenciar o que segue. Joglar blasfemo!]

Joãm Garçia de Guilhade

Galaicos! Sempre nos debochando de todo o divino e humano.

A beautiful Alan Lee illustration for the collection of Welsh legends, The Mabinogion. I do not own this picture. This illustration will be used for teaching purposes. NonProfit.

A beautiful Alan Lee illustration for the collection of Welsh legends, The Mabinogi.  I do not own this picture. This illustration will be used for teaching purposes. Non Profit.  One day while sitting on the gorsedd or mound near his court at Arberth in Dyfed, Pwill sees a beatiful maiden pass by on horseback. Afer several vain attempts to overtake her he prevails on her to speak with him. He learns from her that she is Rhiannon daugter of Hefeydd the Old, that she is in love with him, but that she has been promised in marriage to Gwawl son of Clud. She proposes a ruse by which Gwawl is humiliated at the wedding feast and forced to abandon his claim. Rhiannon and Pwyll are married”. Proinsias Mac Cana The Mabinogui, Cardiff 1992, 25

LOKOON, LACUS, LAGO. TRADUÇÃO E COMENTÁRIOS DA DECOIRA DA CASA DE SANTA COMBA 

Tal e como divide com a vila de Santa Columba, de Ermigildo e de Atanes e passa Limia contra Padróm entre Mogaines e Santa Comba [Santa Comba de Bande], e atinge pelo médio da arca de Tras a Limia ata Cás de Dono e polos seus termos, por onde começamos lagos antigos e mámoas [Lacos anticos et mamolas][…]

[a diferença estriba em que um laco “tumba”, é sempre voz dum túmulo que apresenta buraco de violação, em tanto que as mamolas “maminhas” estão sem violar e conservam seu aspecto de tetinhos]

[…] um laco, “lago, túmulo”, que está trás a Limia por onde atravessa a linha de separação  [‘liniolo’] que passa por Limia e vem entre São Martinho de Caldas e chega ata a Cima de Vila, ata outro lago mais grande pela sua linha divisóriaata onde jaz unha efígie de home esculpida em pedra

[correspondéndose  seguramente com o guerreiro castrejo de Rubiás cuxa cabeza conserva o Museu Provincial de Ourense, por capricho do destino sabemos o nome: <L>ATRONVS VEROTI F(ilius), “Látrono (de a. ilr. láther “Esforçado no combate [que anda ao par do principe da treba]”, Filho de Veroto, cf. Celta antigo *U(p)eros, *Ueros > Vero, “O Alto, Enaltecido, Elevado, Destacado, Importante” + sufixo lat.tus–, olhem comparativamente o epíteto Vero Breo “Da Alta Casa”].

que demarca ou testifica [é dizer a cada túmulo conta com uma efigiem hominis sculpta in petra que testificat de laco in laco,  a cada túmulo com sua própria estátua de guerreiro fazendo de marco!!!] de túmulo em túmulo (‘de laco in laco’), e de ali (per suos moliones firmíssimos’) pelas suas solidíssimas antas,

Estatua Menhir calcolítica, citada na decoria deste documento.     Possivelmente o texto alude a um desaparecido túmulo de quatro chantas e coberta, similar aos do Xistral, habitual no Calcolítico e Bronze antigo, um 'laco', dólmen ou arca, coroado com esta mesma estatua menhir de Látrono "Esforçado na Batalha" fillo de Celtiato, Latronus Celtiati Filius. Hic Situs Est [aquí jáz]

Estátua Menhir citada neste documento.
Possivelmente o texto alude a um desaparecido túmulo de quatro chantas e coberta, similar aos do Xistral, habitual no Calcolítico e Bronze antigo, um ‘laco’, dólmen ou arca, coroado com esta mesma estatua menhir de Látrono “Esforçado na Batalha” fillo de Celtiato, Latronus .Celtiati .Filius. Hic. Situs. Est [aquí jáz]

, cara a Arca Maior, ata o Castro de Vemes, e assim volve por outros albeiros [antas] e chega a uma fonte de mulheres

[uma Fontana Fría con psvel. ciclo de ‘Ana Manana’, com lendas das três [A]Mouras trasunto da Mater celta]

e logo depois do rio Minho entre Vilarinho e Monte Longo onde o dividimos firmemente com esses donos já ditos num grande concilio deles baixo unos [possivel abreviatura *Us (com “s”, ou “os”, voada) de uoues, “bois”? empregados na cerimônia real demarcatória de succo] andantes”.

*Lacos anticos et mamolas: a diferença estriba em que um laco “tumba” [tart. lokoon]  é sempre voz dum túmulo que apresenta buraco de violação, em tanto que as mamolas “maminhas” estão sem violar e conservam seu aspecto de tetinhos

Moimentos, monumenta, arcas, mámoas, mamulas, Montes da Moura, lagos, lacos, lagoas lacunas e lagoelas, lacunelas, por citar algumas decoiras, podem e devem se remitir nos diplomas á imobiliário demarcatório do Megalitismo Neolítico e Calcolítico, do Bronze…, ou de qualquer época entre o Neolítico e o final da Idade do Ferro] e se referem aos túmulos; as Penas Chantadas ou Pedras Fitas (lagenas, ‘lages, laxes’) também utilizadas como marcos de separação territorial na Idade Media como os menhires e ocasionalmente pétreos fitos quadrados, como o chamado por Bermejo ‘Hermatena’ de Amorím (Onnega 2008) -possivelmente o quadro fictu “carrofeito” fictu “chantado”, (pedra)fita, [ex Ónega], ou quadrum fractum (rompido) antepassado dos cruzeiros-; aos restos de chantas de mámoas, aos amoreamentos de carneiros “pedras”,  carracedos, carnoedos ou milhadoiros, com outeiros, com pedras figurativas com folclore

AD FRIGIDAM FONTEM . DECORIA DA FONTE FRIA

Fonte da [A]Moura, por Sor Demetria (2004)

[A]Moura lavando o sonrosado perfeito corpo nas puras águas da Fontana Fria. Sor Demetria (2004). Assim começa The Destruction of Dá Derga’s Hostel (Medieval) Togail Bruidne Dá Derga by Unknown, translated by Whitley Stokes:
“There was a famous and noble king over Erin, named Eochaid Feidlech. Once upon a time he came over the fairgreen of Brí Léith, and he saw at the edge of a well a woman with a bright comb of silver adorned with gold, washing in a silver basin wherein were four golden birds and little, bright gems of purple carbuncle in the rims of the basin. A mantle she had, curly and purple, a beautiful cloak, and in the mantle silvery fringes arranged, and a brooch of fairest gold. A kirtle she wore, long, hooded, hard-smooth, of green silk, with red embroidery of gold. Marvellous clasps of gold and silver in the kirtle on her breasts and her shoulders and spaulds on every side. The sun kept shining upon her, so that the glistening of the gold against the sun from the green silk was manifest to men. On her head were two golden-yellow tresses, in each of which was a plait of four locks, with a bead at the point of each lock. The hue of that hair seemed to them like the flower of the iris in summer, or like red gold after the burnishing thereof.
There she was, undoing her hair to wash it, with her arms out through the sleeve-holes of her smock. White as the snow of one night were the two hands, soft and even, and red as foxglove were the two clear-beautiful cheeks. Dark as the back of a stag-beetle the two eyebrows. Like a shower of pearls were the teeth in her head. Blue as a hyacinth were the eyes. Red as rowan-berries the lips. Very high, smooth and soft-white the shoulders. Clear-white and lengthy the fingers. Long were the hands. White as the foam of a wave was the flank, slender, long, tender, smooth, soft as wool. Polished and warm, sleek and white were the two thighs. Round and small, hard and white the two knees. Short and white and rule straight the two shins. Justly straight and beautiful the two heels. If a measure were put on the feet it would hardly have found them unequal, unless the flesh of the coverings should grow upon them. The bright radiance of the moon was in her noble face: the loftiness of pride in her smooth eyebrows: the light of wooing in each of her regal eyes. A dimple of delight in each of her cheeks, with a dappling (?) in them, at one time, of purple spots with redness of a calf’s blood, and at another with the bright lustre of snow. Soft womanly dignity in her voice; a step steady and slow she had: a queenly gait was hers. Verily, of the world’s women ’twas she was the dearest and loveliest and justest that the eyes of men had ever beheld. It seemed to King Eochaid and his followers that she was from the elfmounds. Of her was said: “Shapely are all till compared with Etáin,” “Dear are all till compared with Etáin.”
A longing for her straightway seized the king; so he sent forward a man of his people to detain her. The king asked tidings of her and said, while announcing himself: “Shall I have an hour of dalliance with thee?”
“’Tis for that we have come hither under thy safeguard,” quoth she.
“Query, whence art thou and whence hast thou come?” says Eochaid.
“Easy to say,” quoth she. “Etáin am I, daughter of Etar, king of the cavalcade from the elfmounds. I have been here for twenty years since I was born in an elfmound. The men of the elfmound, both kings and nobles, have been wooing me; but nought was gotten from me, because ever since I was able to speak, I have loved thee and given thee a child’s love for the high tales about thee and thy splendour. And though I had never seen thee, I knew thee at once from thy description: it is thou, then, I have reached.”
“No ‘seeking of an ill friend afar’ shall be thine,” says Eochaid. “Thou shalt have welcome, and for thee every other woman shall be left by me, and with thee alone will I live so long as thou hast honour.”
“My proper bride-price to me!” she says, “and afterwards my desire.”
“Thou shalt have both,” says Eochaid.
Seven cumals [ umas 21 vacas leiteiras, o valor penal ou composição do príncipe, bispo ou abade] are given to her.

Cum variado imobiliário demarcatório de diversas épocas, decoiras nalguns casos do Bronce e do Neolítico, não falta a famosa Fontana Fria das cantiga e romances [estendidos estes com o avanço da reconquista dos galegos pela  Castela e Andalucía muslime]  omnipresente nas cartas de deslinde galegas, não falamos duma simples fonte de água fría, falamos dum locus consecratus, sito sempre a média ladeira do eminente monte, berço de  santuários, lugares e sinalados topónimos [Fonfria de Antas de Ulla, Fonfria da Fonsagrada de David Outeiro; Fonfría dos Nogais, Fonfria de Pedrafita, Fonfría de Pon (por citar algumas de Lugo) morada da casamenteira [A]Moura, figura  como marco nos documentos mais temporões, assim no famoso De undecim comitatibus in Lucense Diocesi constitutis, correspondente ao Tercius Comitatus dicitur Naviensis […] procedens ad Montem Foio Lupale ad Frigidam Fontem Montis Timone [Liber Fidei, I, doc. II, 19-34. COSTA] 

Em nossos deslindes ou decorias de alta montanha desde que temos constancia documental pelas qüestões do ancestral direito divino da linhagem a reger a Treba ou Toudo, de legitimação da soberania – ainda que já não se acostuma legitimar- depois de passar a prova o mozo fundador quando em um dia surpreendeu a [A]Moura lavando o perfeito sonrosado corpo e rubios cabelos nas puras águas, não falta a preceptiva, em ac. de s. lat. Fontem Frigidam, Fontana Fria, das cantigas de Pero Meogo e de Paulina Ceremuzinska.  

A nua Moura surpreendida no justo momento na fria Fontana [ou sobre a mamoa (chamadas em Narón “Montinhos da [A]Moura”)] assalta ao Cavaleiro que passa a prova, propícia descabelada o encontro amoroso, não oferece resistência; em clave de geografia mítica o interesse demarcatório da lembrança do encontro é imenso [a Fontana Fria legitima à prosápia na quieta e pacífica posse da treba, e cumpridos nos dias, um reino sem fim que não é deste mundo]. E inda que em algum lugar fizeram-na Pirocha [puta] porque Ela sempre tem um homem esperando, à sombra do outro, o povo a absolveu.

Unha velha no tempo dos mouros fez da cona uma praça de touros 
  E fez bem, e fez bem, em sua cona não manda ninguém.

ANDAR APIROLADO, COM A PICHA FEITA UM LÍO 

[addecet explanatio]

Por motivos que só Deus sabe existe, sem interesse demarcatório, outra fonte sempre milagrosa, sempre de águas santas, onde uma mais recatada Moura, Luminosa Virgen, bebe. Brota generosa a fonte nas proximidades de seu santuário – como o de Chamorro em Ferrol, ou o da Renda em Combarro- em princípio a média ladeira do proeminente monte, como o de Ancos, ou o Pindo, centro sagrado, onfálico e protetor, da treba, morada do Dis Pater

Taranis Jupiter Galo com solar roda, trono, e um aro com lóstregos Le Chatelet Gourzon. Haute Marne.

Taranis Jupiter Galo com solar roda, trono, e um aro com lóstregos Le Chatelet Gourzon. Haute Marne. “Quando chove e faz sol / anda o demo por Ferrol / pinchando o cu das mulheres / c’uma caixa de alfileres” Canção popular galega

E sabendo, ainda que já em meu país quase não fica gente em realidade capaz de entender estas coisas, que ambas são a mesma Mater, esta Virgem se comporta como uma pessoa diferente. Na excepcional carta a Santo Agostinho ou Commonitorio, Paulo Orosio assinala como na imensa Provincia Gallaeciae nossos bispos do último terço do século IV e primeiras décadas do V, com Prisciliano à cabeça, ensinavam sua conduta.

SEGUNDO PRISCILIANO

É uma Virgem certa Luz à que Deus, querendo dar a chuva aos homes mostra ao Príncipe da Umidade quem ao querer subir para a apanhar cansado sua e faz a chuva. E ao ser recusado por esta com seus bramidos produz o trovão

 

Taranis, Succellus, Tonante galaico.

Duas representações, porque eu também reclamo meu direito a me equivocar, de Taranis “o atroador” ou Succellus “o do martelo”, nosso Tonante galaico. Esquerda. Colosso de Monte Alto ou Braga. Direita. tonante galaico do Larouco (M. Gago) conservado na igreja de São Miguel de Vilar de Perdiçes (Portugal). Pensa pars pro toto pelo atributo Alfayé (PalHisp 13, 199)  no nu retrato do ferreiro lhe dando ao maço sobre perdida estela funerária, e  e pensa bem que “A mulher do ferreirinho” – diz-nos a pandeirada- “não há mulher como ela / de dia peta no junque (bis);/ pela noite peta nela”. Mais a idea dun tonante galaico prevalece,  tanto pela sobredita ara de Perdiçes, adicada a  Larauco Deo Maximo (AE 1980, 579) , achada na parte da aba do Larouco de Gallaecia que nos atinge a Galiza de Portugal, perto do santuário rupestre da Pena Escrita, canto a que da outra banda, na parte da aba do Larouco de Gallaecia que nos atinge a galega Espanha, no lugar de Baltar apareceu  em paredria com nosso Deo Maximo, outra ara dedicada, ao meu modo de ver, a outra protagonista, a luminosa ascensional Virxe da que há constancia, ut supra, ex Orosio, por Prisciliano: a Reve Larouco. Eu  penso que o epiteto Re/ve (vogalismo e/i) é  psvlm. “Rising Moon, Ascendente Lua”, pois ré- é em antigo gaélico irlandês “a lua”. – por certo aqui tendes isto por se quereis conhecer como na Religião Celta, segundo o creio, funcionam os epítetos  Religión Celta– O ara a dedicou Valerio Aper cumprindo um voto não ao sobredito Deo Larouco, como pensa o comúm, senão a meu cabal entender a Dea Reve Larouco,  algo assim, si é toleravel, como ‘Para a Deusa Ascendente Lua do Larouco’ , a modo de “Luminosa Virgem da Asunção (Ascenção) de Larouco’ – em qualqueira casso uma Senhora da Ascensão pagana [que cedeu no felíz presente cristão  seu lugar, papel e funcião a nossa Senhora da Assunção] recetora do ara:  D(EA) REVE /LARAVCO /VALE(RIVS) /APER / EX /VOTO (Baltar, Our: IRGA IV, 94; AF 111). Queres uma real probe? Sabes qual é o nome ou advocação da capelinha que em Baltar alberga hoje o ara? Não to podes imaginar? O que é evidente em Taranis, Succellus, Tonante galaico [ ut supra. Esquerda. Colosso de Monte Alto ou Braga. Direita. tonante de Larouco) em ambos casos, é a hipertrofia, pela conta que lhe trae [ao tema virginal], do [inútil] membro e do [inútil] braço incapaz de ‘colher’. No trio das Matres, a função soberana da Mater, se personifica na Virgen da Luz afim se a comparação não é odiosa a Iuno Lucina [ Naron I, ]. Ascendendo com freqüência a Virgem da Luz às alturas do seu hoje cristianizado santuário, sito sempre a média ladeira da eminente cimeira ou Monte Alto, morada de Deus ” do Principe da Humidade”,  [o desaparecido Pico do Ouro e a ermida de Chamorro, em Serantes; a ermida da Renda em Combarro; o hoje fulminado Pindo sagrado Olimpo Celta etc., etc.] que aspirando à colher a espreita pelo céu. Na coisa do Celta a regra ‘do que presumes careces’ dilui o ‘empalago’ de Vargas Llosa; de pedra é a nave que melhor frota; guiando a bom porto não precisa vista o Ceciegaeco Lar Vial; grávida de nove meses a rubia Macha superou velozes corcéis; andando apirolado empós da Virgem da Luz sua LaroucoPríncipe da Humidade”  a gota gorda -ensina-o Prisciliano- produzindo chuva [-como Iuppiter Elicius , de elicio, -is , -ere, -licui ‘sacar, atrair [as tormentas]’; como o grego Zeus Naʄios, de *snau “fluente, chorreante”]; segundo o penso eu, em seu Monte Alto o Coloso de Braga brama e atroa com a picha feita um ‘lío’ [ou um cinto], a inútil extensão do protésico braço [de prata airgletlan Nuada, raiz Pok. IEW 768 *neu-d “sujeitar atingir com esforço” (Pena 1991)] incapaz de colher– como colhe o galego da Argentina- tão radiante Virgem.  “E tu te-lo te-lo /não mo queres dar / e depois, de velha /o podes salgar”. Cantiga popular.

E o passado pagano deu passo ao presente cristão, ao cristianismo celta, que respeitou a sacralidad do santuário, cumprindo o protocolo fixado por San Gregorio Magno a Agostinho de Canterbury e à igreja Atlântica, lhe dando novo sentido cristão a cultos, santuários e crenças pré existentes.

Neste contexto não é uma novidade, não resulta extraordinário – o extraordinário seria que isto não fora assim- que o ara aparecesse numa capilla dedicada à Assunção, isto é uma capelinha dedicada a subida ao céu da Virgem.

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Subida ao céu de nossa Virgem Imaculada, Rainha e Mãe pintada por Bartolomé Esteban Murillo ascendendo sobre a lua e ajudada pelos anjos. Oremos e, porque o passado dá sabor ao pressente, escutemos a piedosa antífona Salve Regina, o solene hino que o bispo galego de Iria Flavia S. Pedro de Mezonzo lhe compôs ca. 986

 «Petrus Episcopus, cognomento de Moson, qui ante episcopatum monasterii Sancti Petri de ante Altaria in eaden Urbe (Compostella) abbas extiterat. Hic piam antiphonam de Beata Virgine, nempe Salve Regina, compuesi dicetur». Salve! Salve!! Spes nostra. Salve!!!

DECOIRAR COM ARCAS

Muitas arcas empreganse como corias, ou marcos, sobretudo os grandes túmulos calcolíticos. Chama-se-lhes arcas por ter forma de arqueta o dolmen privado ou não da pena ou penas sobranceiras

    ESQUERDA. Desenho do professor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por André Pena, representando um enterro com abelhão e enxoval funerario calcolítico, repare nas canecas de ouro para as cinzas e no pente para a Moura. Caminhos Milenarios. Narón. DIREITA. Arca calcolítica do Xistral.


ESQUERDA. Desenho do professor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por André Pena, representando um enterro com abelhão e enxoval funerario calcolítico, repare na caneca ou ola de ouro para as cinzas e no pente para a Moura. Caminhos Milenarios. Narón. DIREITA. Arca calcolítica do Xistral.

[…] Invenerunt archam in ripam de Mero ubi dicent “ad canarium” et decoria (demarca) in directo de ipsa archa in directo Santo Stephano, et alia archa principalia iuxta viam de Codais, et inde ad fontem Iusteli, et decoria ad illas cercarias de bouça que dicent Tructesindi. Et tercia archa in quoto super varzinam de Bovea et decoria in ipsa barcina de Bovea. Et quarta archa in ripa de ipso río de Bovea. Et quinta archa que decoria inter Melangos et Parietes. Et sexta archa in bauza que dicent Cerquitum qui dividet inter Trius et Parietes. Et alias archas et decorias que divident inter Lemenioni et ipas Parietes et Caliobre et concludent per Fontem Bonam in directo usque ad ipsam archam quem primiter incepreunt inter Codais et Parietes.[…].  Karta de Villari de Paredes nº 129. Ano 942. Tumbo I, fols. 50r.-51r, Sobrado de los Monjes, in Pilar Loscertales de G. de Valdeavellano. 1976 vol. 1º,161-162.

CAUSOS VETEROS, COUSOS VEDROS OU CURROS VEDROS

Invisíveis ou por enquanto [decíamos em 1994] desconsiderados para a chamada arqueologia ‘espacial’ ou [-quae  inmoderatio verborum-] ‘arqueologia paisagística’  galega […], sendo referidos os curros ou cousos, não sem precipitação e lixeireza excessiva, como imobiliário arqueológico medieval por quem ladean a factografía desse período sem dúvida por excessivo ciume competencial,

Curro Vedro ou Couso Vedro. O Xistral

Causos (veteros), Cousos Vedros, Curros, ou Curros Ueteros. O XISTRAL.

 o verdadeiro é, que existindo outrora por centenas lamentamos que cada vez vão ficando menos recintos circulares de grandes pedras chantadas, algumas de consideráveis proporções, chamados na nossa diplomata medieval cousos veteros ou curros vedros, por causa de espoliarse quotidianamente e com impunidade as grandes pedras que os formam, por permanecer [na primeira metade da década dos 90 do século passado] estes tão valiosos como desprezados monumentos sem catalogar.

Chantas do prado das chantas, dum Curro ou Couso Vedro do Xistral

Chantas do prado das chantas dum dos curros ou cousos vedros calcolíticos do Xistral

Malia ser conhecidos e estudiados desde há muito tempo (Crossing, 1912; Brailsford 1938; Daniel, 1950; Harvey, 1953; Hoskins, 1954;Worth, 1967, Simmons, 1969; Barber, 1970) na área cultural da Europa Atlântica que partilhamos, carecendo na Galiza estes curros vedros ou cousos vedros, do reconhecimento ou consideração de monumentos megalíticos, resulta-lhes fatal verse privados da protecção institucional.

Prado das Chantas. O Xistral. Causos veteros.

Prado das Chantas. O Xistral. Causos veteros.

Este ‘presumível’ imobiliário arqueológico encontrasse tanto em brañas e turbeiras encharcadas dos planaltos, como parece sucede no Xistral com os monumentais curros de Santo Tomé, quanto nas terras fértiles e bem regadas da beira mar, e tal é o caso dos curros, e dos presumíveis encerramentos neolíticos, da Terra de Bergantiños ou da Capelada nas Terras de Arrós e de Labacengos.

Prado das Chantas. O Xistral.  Verdadeiro Dartmoor galego.

Prado das Chantas. O Xistral. Verdadeiro Dartmoor galego.

Os cousos e curros de função e tipoloxía variable, presentes em toda a Galiza, conformam um importantísimo imobiliário arqueológico Atlântico, comprensivo e inmerxido de recintos circulares, dos que em algum caso se sugere poderiam conter algum tipo de enterramento [o termo corrente das cartas e dos diplomas medievais ‘Causo de Armata‘, com a devida reserva, parece aludir a esto], grandes recintos fechados elípticos, que ainda hoje se empregam para guardar o gando, e em algum caso com pastores eléctricos o que poderia ser outro caso de comprida e admirable continuidade de uso [por parte do eterno lavrador neolítico galego]; pensados talvez para albergar e defender dos depredadores [do lobo e dos ladrões] o gando dos primeiros sedentarios.

Ocasionalmente existem outros curros, aparentemente secundários, conformados por um perímetro de pedras fincadas, mais pequenas que rodeiam totalmente e configuram um recinto diferente, de menor em altura e mais alongado, tendendo à formas poligonais, estes recintos parecem também fechar umas plantas de cabanas, uns assentamentos talvez muitas vezes reaproveitados.

E ainda poderíamos distinguir uma terceira tipoloxía constructiva nos curros, trata-se de pequenos encerramentos elípticos que talvez serveram para proteger das alimanhas certo tipo de cultivos de horta de primaveira. Tudo vai associado como nas Ilhas Britânicas a enormes túmulos neolíticos de monumentais câmaras simples e rectangulares a modo de largas e formosas cistas [cf. Petit 1974, p. 72, 90].

Pedras Guiadas do Monte do Seixo. Espectacular lineolo demarcatorio, caido. Foi localizado, pelo insigne etnógrafo e escritor Carlos Solla -em presencia do que subscreve-, gracias as indicações que lhe dava um idoso de Cerdedo através de um celular. A emoção foi indescriptible. A fotografia de satélite permite apreciar melhor um espectacular aliñamento de mais de médio kilómetro

Pedras Guiadas do Monte do Seixo. Calros Solla. Espectacular lineolo demarcatorio, caido. Foi localizado, pelo insigne etnógrafo e escritor Carlos Solla -em presencia do que subscreve-, gracias as indicações que lhe dava um idoso de Cerdedo através dum celular. A emoção foi indescriptivel. As fotografias de satélite permitem apreciar melhor este alinhamento de mais de médio kilómetro

Os curros ou cousos presumivelmente prehistóricos, parecem associar-se também a enormes pedrafitas de forma discoidea, e mesmo a um imobiliário arqueológico adjectivo de difícil interpretação como alinhamentos de grandes pedras presumivelmente prehistóricos e petroglifos ainda em fase de estudio   [Pena Graña 1994].

ARMATAS ARMADAS

Chamam-se assim as câmaras poligonais formadas pelos esteos dos dólmens possivelmente interpretados pelo homem medieval como restos de foxos de armadilhas para lobos ‘armadas’ confeccionadas pelos vedranhos ou os antigos: Assim nos lindes de Vilasuso:

Armada

Hec sunt terminos de uilla Suso, id est per petra Alba, et inde ad mamona de Paramu et inde ad illa incrucelada de uilla Susu, et de Pedri et de Sancti et intrat in antiqua in directo anta, et inde per antiqua de Bolios et uade ad causu de Aqua in peegada et inde per illa antiqua ad causo de Armada, et inde ad mamoa de inter Ardilleiros et Uillarino, et inde per illo lombo de Lombario et inde ad illa mamoa de inter Ardilleiros et Eldar, et inde ad Ordiales ad illo marco, et inde super illas casas quomodo intrat in ipso regario que uenit de Bolios et uadit ad porto de Ludo, et inde per illo rego que uenit de lama Coua, et inde ad Petra Alua unde incepimus […]. In Loscertales de Valdeavellano 1976, 375-376.

PETRAS FICTAS PEDRAFITAS

[…] et gradientes pro liniolo  et muliones fictos inuenimus in lapidem esculptos burgarios; et iterum transiuimus ipso riuulo Tamega precedentes signas et invenimus aliam petram iuxta carrariam fictam. Ascendimus sursum im directo et inuenimus archam terreniam et iuxta eam aliam petram fictam […]  in “Agnitio de uilla Sancti Felici in Baronceli. Kartula Xª. Discurrente ERA DCCCCLXXXVIIIª  (ano 950)” Col. Dipl. Celanova. Emilio Sáez- Carlos Sáez,  nº 2, 53

Petra ficta. Marco do Vento. Monte do Seixo

Petra ficta. Marco do Vento. Monte do Seixo

[…] et per illa lacuna usque in alia lacuna, et usque ad petra ficta et per illa lagenam et per ipsum villare que dicitur Desiderii et per illum arogium que dicitur Alesantiam et per alia pedra ficta qui stat im montem super Tabulata […]. In Manuel Cecilio Díaz y Díaz (1974)

PRINCIPES, GUERREIROS “CASTREJOS”, SOBRETÚMULOS FUNDACIONAIS DECOIRANDO NA CRICA, “FRONTEIRA” DA TREBA 

Esta noble cabeça pertenceu seguramente a um grande guerreiro galaico, cujo corpo decapitado, e epigrafiado hoje predido foi encontrado e perdido há séculos. O texto dice que pertenceu a Látrono, "Esforçado no combate", filho de Veroto "Soma Alteza", sem dúvida um príncipe celto galaico do Coventus Brácaro da treba de / e de os/ Quarqerni, localizada em Bande. Documentasse erguido sobre seu lacus demarcatorio. Todavía em pé na idade média, pela sua cabeça testificando de laco em laco, passava o lineolo divisório do antiquísimo cenobio de Santa Comba de Bande

Esta grande cabeça pertenceu seguramente a um nobre guerreiro galaico, cujo corpo decapitado, e epigrafiado, hoje desaparecido, foi encontrado e perdido há séculos. O texto dice que pertenceu a Látrono, “Esforçado no combate”, filho de Veroto “Soma Alteza”, sem dúvida um príncipe celto galaico do Conventus Brácaro da treba de / ou dos/ Quarqerni, localizada em Bande. Documentasse erguido sobre seu lacus demarcatorio da crica da treba querquerna sobreposto  xerárquicamente aos demais túmulos da necropole familiar alio laco maior per suo liniolo ubi iacit efigiem hominis sculpta in petra que testificat de laco in laco. Todavía em pé na idade média, passava o lineolo divisório, moito antigo já, do também antiquísimo cenobio de Santa Comba de Bande por esta cabeça, testificando no documento do mosteiro de Celanova do 982  ‘de laco em laco’, Gallaecia Fulget!!

Ora mostra este inmobiliário demarcatório da crica, estelas de varias épocas, do Neolítico a Idade do Ferro, consideradas moitas vezes simples petras fictas, ocasionalmente, ut supra, descritas nos diplomas

Estela e estatua menhir do calcolítico reaproveitada em o Bronze a primeira e epigrafiada em o Baijo Império a segunda., Cabeça de guerreiro galaico de Rubiás, e cabeça lateniana dum guerreiro galeico empotrada sobre o descabeçado corpo de guerreiro galaico pre-romano, com epigrafe funerário aposto no Baijo Imperio.Falando dos límites da casa de Santa Columba [santa comba de Bande] na Limia, cedida ao mosteiro de Celanova de San Rosendo Odoino, di o seguinte [aclarando a] identidade entre Lagoa e o megálito, túmulo ou mámoa. “tal e como divide coa vila de santa Columba, de ermigildo e de atanes e pasa Limia contra padrón entre mogaines e santa Comba, e atinxe polo medio da arca de tras a Limia ata cas de Dono e polos seus termos por onde empezaches, lagos antigos e mámoas (*Lacos anticos et mamolas): um lago, “túmulo”, que está tras a Limia por onde atravesa a liña de separación [liniolo] que pasa por Limia e vén entre san martiño de Caldas e chega ata a Cima da Vila ata outro lago máis grande pola súa liña divisoria ata onde xace unha efixie de home esculpida en pedra [unha de elas a estatua menhir calcolítica reselada no baixo império Látronus (Esforçado em a Luita) fillo de Celtiato Aquí Xace [leva expresamente a fórmula funerária Hic Situs Est) [estatua]que [reiterándose –e um de estes sería o guereiro Látrono, filho de Veroto, ao que correspondia seguramente a cabeça de Rubiás-] marca de “lago” en “lago”, e de alí polas súas solidísimas antas, cara a arca maior, ata o Castro de Vemes, e así volve por outros albeiros (antas de mámoas) e chega a unha fonte de mulleres [probablemente con lendas de mouras do tipo da triple ana manana] e logo despois do río minho entre Vilariño e Monte Longo onde o dividimos firmemente com eses donos xa ditos nun gran concilio deles baixo uns [ posib. abreviatura de uoues, “bois”? empregados de succo nunha ceremonia demarcatoria] andantes”11 [Pena 1991].

Estela e estatua menhir do Calcolítico reaproveitada em o Bronze a primeira, arriba a esquerda; e epigrafiada no Baijo Império a segunda. abaijo a esquerda. Cabeça de guerreiro galaico de Rubiás, e cabeça lateniana dum guerreiro galaico empotrada sobre o descabeçado corpo doutro guerreiro galaico pre-romano, com epigrafe funerário aposto no Baijo Império. Mesmo podemos saber o nome deste incopóreo guerreiro galaico de Rubiás cuxa cabeza seguramente conserva o Museo Provincial de Ourense: [LATRONVS VEROTI F(ilius), “Látrono (de a.irl. lathér, látronus “esforzado no combate), Fillo de Veroto, cf. Protocelta *u(p)ero, *uero > vero, “alto”, “elevado”, “importante” + sufixo lat. –tus– véxase comparativamente VERO BREO “(Señor) da Alta Casa–.

OUTEIROS, “ALTARES”

Ora mostra este demarcatório inmobiliário da crica os sacrosantos autarios ou outeiros, “altares”, da treba

[…] et habet predicta hereditas iacentia in Terra de Superado, inter alpes Iaurino et Monte de Ara, secus flumen Lobamorta in Loscertales de G. De Valdeavellano. Vol. I. nº 185. Ano 1162, maio 2 Sobrado. Tumbo Iº, fol. 75 r e v

[…] e ende o o outeyro do Gauiam e ende a a pena Edrada e ende o o penado  (sic) do Carauo e ende a a pena da moura […] Sobrado, Tumbo I, sin data,  fol. 147 v. nº 475. In Loscertales de Valdeavellano. p. 425.

Burgario da trebopala de São Miguel de Celanova

Burgario quadrato  [em realidade triangular] da trebopala à que se orienta a capela de São Miguel de Celanova

Quer burgarios com cazoletas do Neolítico, quer cup and rings, quer labrintos, quer, quando na Idade do Ferro é rectangular o lacus do outeiro com burgarios quadratos também chamados Penas Furadas.

Típico outeiro galego

Típico outeiro galego cheio de petroglifos muitas vezes muito erosionados e difíceis de ver

Os outeiros -estudados pelo professor Luis Monteagudo García em La Religiosidad Callaica (1997) cf 64-98 e 111-118- infinitas vezes con petroglifos do Neolítico, do Bronce ou do Ferro, são lugares sagrados, as sacrosantas palas ou croios “pedras” da treba ou o do toudo, da Terra, do Estado ou Nación, as trebo-palas, toudo-palas,  ou crougin-toudadigos.

Decoria de São Vicente de Elvinha e São Salvador de Orro

Decoria de São Vicente de Elvinha e São Salvador de Orro

Reparem nos outeiros ou penedos com burgarios quadratos também chamados Penas Furadas. Pena é pssvlm. voz celta, de penn, “cabeça”, porque as rochas são as cabeças que lle saem a terra, cf comparativamente a voz Pennocrucium [em portugês da Galiza “pena-crouca”] nome do marco da importante encruzelada, no centro do cruzamento de estradas de Watling Street, a pricipal via romana a través da região central de Viroconium a Cornoviorum (Wroxeter). Pennocrucium é uma romanização do nome original celta Penn-Crug, sinificando Penncabeça ou terminus, Crug “croio”, de pedra” cf. comparativamente Crougin-Toudadigo, [Petreo Outeiro do Toudo, “Estado”, “Povo”, “Nación”.

Temos que advertir que estes penedos e pétreos outeiros, “altares”, ao igoal que o resto do inmobiliário demarcatorio da crica, não partem pela metade -como hoje partem pela metade as mámoas que fão de marco entre duas leiras-, a metade dum marco ou pena sobranceira, non parte a treba ou toudo local da/s vizinha/s ou adfin/es (= parente/s), senão que a cada toudo ou treba ten seus proprios marcos e propria crica existindo entre elas um comprido espaço ou terra de ninguém. 

Há também, comprido de enumerar, se empregando ata hoje outros tipos comúms de fitos terminais [en parte tratados por Ferro Couselo na súa tese Petroglifos de Termino]: seixos brancos (saxas albas),

Hec sunt terminos de Villa Susu id est per petra alba, et inde ad mamona de Paramuu et inde ad illa incrucelada de Villa Susu, et de Pedri et de Sancti, et intrat in antiqua in directo anta, et inde per antiqua de Bolios et vade ad causo de Aqua in peegada, et inde per illa antiqua ad causo de Armada, et inde a mamoa de inter Ardileiros et Vilarino, et inde per illo lombo de Lombario, et inde ad illa mamoa de inter Ardilleiros et Eldar, et inde ad Ordiales ad illo marco, et inde super illas casas quomodo intrat in ipso regario que venit de Bolios et vadit ad porto Ludo, et inde per illo rego que venit de lama Cova, et inde ad petra alva unde incepimus […].

ROCHAS NATURAIS E PENEDOS FIGURATIVOS

 […] a a Pena Androeira que é cauada e ende a a pena do Spin(h)o e ende o o marco que está contra o Pedronco […] Sobrado, Tumbo I, sin data,  fol. 147 v. nº 475. In Loscertales de Valdeavellano. Obr. cit. p. 425

CRUZES

Extraordinário exemplo de inmobiliário demarcatorio é a arriva mencionada coria do Rigueiral, Sanfins, Valpaços, com epígrafe cruciforme  TERM(inus) TREB(ae) OBILI(orum /ancorum?)  E. Hübner, CIL suppl. Berlin. 1903, VIII, 275 b; in Antonio Rodriguez Colmenero 1993 p. 14 –15.

Estes departirom os lugares de suso ditos. Começaron a a fonte do monte e ende a a outra fonte e ende a archa que e no monte sobre Villarino e ende a Baracentas e ende a antiga de Quintaas de Muradelo e ende o o porto de Gamae hu feceron crui na pedra e ende o o linar de Monim clerigo a a pena Androeyra, que e cavada, e ende a a pena do spino e ende o o marco que esta contra o Pedronco e ende a a antigua vella e ende fonte de so o Lodeyro e ende iuso pelo rego como vay, e ende o a porto de Guas e ende o o marco que esta sobre la fraga de Torante e ende a a perada do Carneyro. Sem data. Tumbo I, fol147 v. In Pilar de Loscertales. Volumen 1º p.425.

Penas Louseiras. Petroglifos de Término da Terra de Trasancos

Penas Louseiras. Petroglifos de Término da Terra de Trasanco

Orta fuit intentio inter Fernando Uistrimiriz et heredibus suis, et de alia parte Pelagio Menendiz et Osorio Ioannis et heredibus suis, super illas heretitates que iacent inter Castelo et Sonario, unde Baralia inter nos uertitur et uenimus inde in concilio ante comitem dommus Rodericus Ouequiz et Martinus Pelagii et Gutierre Muniz et Ioane Asqueliz qui es uigario de domnus Froila Ueremundiz et alios multeros qui uiderunt et audierunt et iudicarunt bene et diuiserunt et uiderunt ipsos homines bonos per terminos de Condux et inde per Kareira Subia et inde ad illa Kaskalia Scrita et per illas petras et inde ad illo Lotario [un outeiro] que sparte Osseto et Sunario et per ubi sparte Osseto et Kastelo et inde per Términos de Canali per illa Lagona Maiore de Mamona, sunt ipsas hereditates markatas et temeratas et diuisas inter nos et pro talem actio facimus ad uouis ego Petro Gauin(i)z et fernando Uistramiriz et Petro Amiquiz et eius uocis, a tibi Pelagio Menendiz et ad heredibus suis ut non demandemus nos nec nostras uoces ipas hereditates ad uestras partes […]. Sobrado, agosto, 28 de 1063.  Tumbo II  in Loscertales  ibidem, 37]

 

NEOLITHIC ORIGIN

In 1941 Marc Bloch noted rural areas in primitive Europe ruled by hereditary princes and a common, well-developed institutional framework. He later identified common Indo-European Celtic and Germanic institutions, with their service obligations and hierarchical relationship often called feudal, tracking them as far back as the second millennium BC. “There is sufficient evidence”- said Stuart Piggot “to suggest that the model of society demanded by Bloch may in fact be very archaic and characteristic of barbarian Europe” (Piggot 1965: 259-260).

Este é o tartan mais antigo da Europa representado nos fiéis desenhos destas escultura de principes celtas -como demonstrei em seu dia-,galaicos brácaros de Monte Mozinho, Lezenho e São Julião - todos são galaicos e nenhum claro está é lusitano- . Todas as monumentales estátuas de guerreiros galaicos são pré romanas, e um dia estiveram sobre seus túmulos, ainda que hoje algumas levem umas inscrições romanas funerarias baixo imperiais, postas estas cinco ou seis séculos após que estas estátuas fossem feitas [as clausulas finais, Hic Situs Est "Aqui Jaz", ou Faciendum Curavit/Curaverunt indicam claramente que então ainda desempenhavam seu papel funerario, e seguramente demarcatorio, sobre um túmulo fundacional]. Minha reconstrução cromática, partindo dos excelentes desenhos de Ferreira dá Silva, é claro está arbitrária. Não o é, no entanto o facto de que estes guerreiros levavam esquemas de tecido de quadros e que estes quadros, em todos os casos, a diferença dos actuais quadros escoceses são sempre "ao biés". Uma carácterística galaica.

Este é o tartan mais antigo da Europa representado nos fiéis desenhos das escultura de principes celtas -como demonstrei em seu dia-, galaicos brácaros, como estas de Monte Mozinho, Lezenho e São Julião – todos são principes galaicos e nenhum, claro está é lusitano- . Todas as monumentales estátuas de estes guerreiros galaicos são pré romanas, e um dia estiveram fachendosas sobre seus túmulos, ainda que hoje algumas levem  inscrições romanas funerarias baixo imperiais, postas estas cinco ou seis séculos após que as estátuas fossem feitas [as clausulas finais, Hic Situs Est “Aqui Jaz”, ou Faciendum Curavit/Curaverunt  “as mandaran fazer”, indicam claramente que então ainda desempenhavam seu papel funerario, e seguramente demarcatorio, no seu sitio sobre seu túmulo fundacional]. Minha reconstrução cromática, partindo dos excelentes desenhos de Ferreira dá Silva, é claro está arbitrária. Não o é, no entanto o facto de que estes guerreiros levavam esquemas de tecido de quadros [tartan] e que estes quadros, em todos os casos, a diferença dos actuais quadros escoceses são sempre “ao biés”. Uma carácterística galaica.

Em 1941 Marc Bloch descreveu áreas rurais na primitiva Europa governadas por príncipes, e uma comum, bem desenvolvida, matéria institucional, e, vinte e cinco anos depois, remontando as comuns instituições indoeuropeas célticas e germanas, chamadas feudais, ao segundo milênio aC. “There is sufficient evidence” –diz Stuart Piggot-“to suggest that the model of society demanded by Bloch may in fact be very archaic and characteristic of barbarian Europe” (Piggot 1965: 259-260)

BERÇO DO SISTEMA FEUDO-VASSALLÁTICO MEDIEVAL

As Harold Mytum says (1992:141) “The fundamental building block of the political system in Early Christian Ireland was the Túath, led by the king, rí or rí túaithe. There is considerable dispute as to whether the túath represented a tribe […] there was no ethnic, linguistic or cultural division, but it did, represent a political unit, and one on a larger scale than that of the kin-group. Belonging to a túath –as in Galiza today- was an important concept in Early Christian Ireland, and in that sense the túath can be consider a tribe” The Origins of Early Christian Ireland. 1992: 141.

In Galiza, as in Ireland, a king was the head of the Trebas, until the early thirteenth century, when after the King of Galicia, Petrus Arteiru confirms as “Rex of [the Terra of] Melide” the chronological clauses of a diploma:

Regnante rege A[defonso] in Legione et in Asturiis et in Gallaecia. Gundissalvo Nunit tenente Monte Roso et medio de Transtamar. Petro Suarii archiepiscopo […] Petrus Arteiru Rex de Milide. 16 de Agosto de 1205. Loscertales de Valdeavellano, P.  (1976) T. II Sobrado dos Monxes, fol. 62 v.

However, in the Latin Gallaecia epigraphic record, the rejection of Rome

Príncipe Galaico polo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena. (c) Carlos Alfonzo

Príncipe Galaico polo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena.©Carlos Alfonzo

towards this institution, are not recorded kings (heretics), but princes: Nicer Clutosi Principis Albionum [A Corredoira, Vegadeo. AE 1946, 121. ERA 14]

Príncipe Galaico polo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena. (c) Carlos Alfonzo

Príncipe Galaico com cota de malhas ou lorica hamata. Desenho do profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena [Todos os habitantes da montanha levam uma vida singela, bebem agua, durmen no chão e levam o pêlo largo como as mulheres. Mas no combate cingem a frente com uma cinta (o que é falar de ouvidas)]

Caisaros Ceccig(um) Pr(inceps?) Arcailo(rum) [na segunda das téseras de Paredes de Nava (S. IdC) do Museo de Palencia];

Nobre ou "ari" celtogalaico por Carlos Alfonzo. Asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo

Ari, (irl. aire), “nobre”, celtogalaico por Carlos Alfonzo. Asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo

(Ve)cius Verobli f. princeps (Coporum)”.

Until the end of twelfth century, in the clauses of medieval parchment documents, the head (= tanaiste) of every noble Galician clan or family, retains not only his title of prince of Terra, but also he retains possession of the Terra (treba, toudo, ciuitas, populus) with the same territorial extent and boundaries that had in the Iron Age.

“Conhecemos a um príncipe: Nicer Clutosi, do castro Cariaca, [ da casa ] do príncipe dos Albiones por um epígrafe de Vegadeo [AE 1946, 121], podemos afirmar que à frente da ciuitas ou treba está um ari, “nobre” ou princeps, título do cargo que emprega o senhor do território até o século XII tal e como mostram os diplomas medievais (Pena 1991, 115-6 ; 1992c, 32-45; 1992b, 54-561995, 115-6 . Sustentámos:Estamos em condições de poder afirmar que na Gallaecia Antiga um rei, cuja figura permaneceria fosilizada na Terra de Melide ainda a começos do século XIII quando um nobre galego, Petrus Arteiru, nas cláusulas cronológicas confirma um diploma depois do Rei da Galiza e León como Rex de Milide [ano 1205, agosto 16. Pilar de Loscertales de Valdeavellano, 1976 AHN TII Sobrado f 62v.], exerce a soberania sobre um Território Político autônomo chamado em língua prerromana treba ou toudo (= teuta), ainda que no registro epigráfico latino de tempo da dominación romana, pela rejeição a esta instituição, não apareçam os grandes senhores já como reis (reges) senão como principes: Nicer Clutosi […] [em g. de s.] Principis Albionum; Caisarus Ceccig(um) Pr(inceps?) Arcailo(rum); (Ve)cius Verobli f. Princeps (Coporum) [CIL 02, 02585, Lugo]. […] conserva[rí]an ao menos em certos casos, o título de corono (chefe de tropas) –similar ao de [princeps, ou de] imperante, (chefe do exército), do território político medieval”.

Guerreiro Galaico por Carlos Alfonzo asesorado por André Pena. Reparem na saia com kilt de quadros sempre ao biés, nas ondulações, viria, torque, e sobre todo em o cinto [o de Elvinha] que não é diadema.

Guerreiro Galaico por Carlos Alfonzo asesorado por André Pena. Reparem na saia com kilt de quadros sempre em Gallaecia, em todos os casos [OLHO OS DOS RE-ENACTMENTS GALEGOS!!] ao biés, nas ondulações, viria, torque, e sobre todo em o cinto [o de Elvinha] que não é diadema.

“[…] Em Coroneri Camali Domus / neste contexto seria aventurado traduzir o precedente escrito como ‘Casa do Coronel de Camalo’ quando o epígrafe nos indica a mansão do filho de Camalo, chamado Coronero, um antropónimo de prestígio similar ao Coronos (Ili. II 745) e ao Teutamos (Ili.. II 834) da Ilíada [imaginamos que o grego arcaico provavelmente também tinha empréstimos do celta], ou ao Ambactus peninsular [de onde vem nosso atual Ambassador], assinalando o epígrafe sobre um dintel profusamente decorado, tanto o paço, verdadeira domus regia, quanto a condição de espaço central ou capital do Território Político da citania e oppidum de Briteiros –Ainda nas cláusulas cronológicas destes diplomas e cartas [ …], e assim até as postrimerías do século XII […] os condes galegos, [conservando] os títulos e os mesmos territórios (trebas) herdados da Idade do Ferro, [aparecem] mencionados em seus territórios patrimoniais como principes ou imperantes da terra ou Território Político. Além do exercício de uma plena jurisdicción […] têm nestas comarcas designadas como Terrae, Terras, Territorios [em realidade, nunca, ou quase nunca, se emprega o pl. lat. n. Territoria], servidores públicos territoriais chamados uicarii – um uicarius terrae/e, ou de terra e um maiorinus de terra/e, bem como um numerosa corte, aula comitis, de pequenos fidalgos locais (milites, satellites, infanzones) aos que […] instalam em uillae (uillae quae ego dabo ad meos infanzones) escuetos espaços jurisdiccionais onde esta […] fidalguía, […] base da cabaleiria do Princeps de Terra,

Infante Galaico pelo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo

Infante Galaico pelo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena. (c) Carlos Alfonzo.

tem baixo sua jurisdicção como infantería pessoal a moços em idade militar e a camponeses [proprietários da parelha de bois e de terras, base do estatus legal de homens livres],

o grego arcaico provavelmente também tinha empréstimos do celta

[E praticam pelexas ximnásticas, hoplíticas e hípicas para o puxilato, a carreira, o lançamento de dardos e o combate STRABO III, 3, 7] Iovinco. Moço celtogalaico de infanteria ligeira. Por Carlos Afonso asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo

percebendo a um tempo destes últimos, já diretamente, já através de um administrador ou uillicus, taxas jurisdiccionais e rendas [derivados do exercício da jurisdicção] […] ao ser a uilla, como espaço jurisdiccional demarcado, um bem indivisible (proindiviso) do que a unidade de parentesco é mancomunadamente copropietaria (como no fintiu irlandês)”. (Pena i, 38-39). Onze anos depois esta trillada matéria – resultava toda uma novidade para um ‘surpreendido’ [não mais que nós] García Quintela (2002) TAPA 28 p 33 : “Existe uma pequena série de epígrafes latinos do Noroeste de Hispania que refletem a presença de principes com nomes indígenas e em um contexto muito pouco romanizado”  Vaites Albricias temos!

Arco [c/g] "Campião" celtogalaico, por Carlos Alfonzo asesorado por André Pena

Deseño de  Carlos Alfonzo asesorado por André Pena

Arco [c/g] “Campião” celtogalaico, atado como Bandua, epíteto [de *Bhnd “atar”] significando, seguramente, “o que se ata [para morrer de pé]”por Carlos Alfonzo asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo.  [“Dizem que os lusitanos som hábeis em emboscadas eperseguições, velozes, ligeiros e escurridizos; que têm um escudo pequeno de um diámetro de dois pes e que é cóncavo por diante”] . O tempora, o mores! “Despite the fact that their wives are beautifull, the Celts have very little to do with them, but instead abandom themselves to a strange passion for other men. They ussually sleep on the ground on skins of wild animals and tumble about with a bedfellow on either side. And what is strangest of all is that, without any tought for a natural sense of modesty, they carelessly surrender their virginity to other men. Far from finding anything shamefull in all this, they feel insulted if anyone refuses the favours they offer. Diodorus Siculus World History V 32 [1st century BC](Que güays!). Putin não é Celta. Não é. Definitivamente.                                                                                Alguém – não o Calo aquí- também com título de doutor, e direito a se equivocar, escriviu que os castrexos tinham uma especie de organização desxerarquizada, democrática, básicamente mediterranea com toques fenicio-ganhanes,  ‘ multiétnicos, multi lingues y chupi güays que molan mogollón’, etc.- mas participavam duma sociedade sobretudo pacífica, salvo a excepção que confirma a regra “Sempre há algum tolo (louco) que se aponta a um bombardeio”. Anos depois quando ao santo e feliz esse não lhe ficou outra que rectificar, disse algo bem como “bom, agora há que verificar quando o primeiro teutático atirou o primeiro croio” Básicamente genial! Não lhes parece?
 

Nas cláusulas dos diplomas medievais em pergamino, a cabeça da cada principesco Clã, Casa ou Família nobiliar galega, (= tánaiste irlandês, tànaiste escocês, tanistagh, em Man, do gaélico tana “Señoría, Autoridade”) retém ainda até o final do século XII e começos do XIII o título de principis de terra (= treba, toudo, ciuitas, populus), e, segundo vimos, a posse desta, com a mesma extensão territorial e limites que na Idade do Ferro (1991, 146-1501994, 210-235; 248-267)

BRIGA, -BRE, CASTRO, FORT, HILLFORT

Castro de Baronha

Castro de Baronha

A TREBA UMA SUCESSÃO DE CASTROS

Categorías sociais nunha briga  galaica por Carlos Alfonzo ex A. Pena. (c) Carlos Alfonzo

Categorías sociais nunha briga galaica por Carlos Alfonzo ex A. Pena. (c) Carlos Alfonzo. Of Course a treba/toudo or terra is not a hillfort or a fort. It is a territorial space of medium shape which covers a whole of hillforts (between seventy and one hundred and twenty). Inside the treba each hillfort spreads its space of power out of the walls, taking crop, grounds, pastures, forest and waters. All separated, as had had shown, by termini, land marks, milestones or taking up in a small river, with little flow, a porto “port”. With this ideal representation of a galician fort or hillfort   -the best ones in Europe-, we will describe what it would be found, after a complete excavation (and a complete reconstruction by Carlos Alfonzo under my advice), in most hillforts.

Uma treba galaica como Trasancos, poderia dependendo de seu tamanho ter entre 80 e 120 castros na Idade do Ferro.

Briga celtogalaica de Santa Luzia

Briga celtogalaica de Santa Luzia

A Briga ou Castro é um bem pertencente, proindiviso, à cabeça (tanaiste) de uma Casa nobiliar [precedente do nobile, do sattelite alto-medieval, ou do fidalgo] gassaliana, “vasalla”, do celta gwas, “servidor”  ou cliente [de clino “inclinarse diante de”] da Casa do princeps da treba ou toudo [Nar. I re-ed., 265,296; Treba y Territorium 2004, 333-502].

Distribution [aproximately  10%] of Galician forts

Distribution [aproximately 10%] of Galician forts

A Galician Treba of the Iron Age could have 60, 80, such as Terra de Trasancos, or 120 forts

Fort (briga, -bre, "castro") Drawing of Carlos Alfonso, advised by André Pena

Fort [briga, -bre, “castro”] Drawing of Carlos Alfonso, advised by André Pena. The briga, ‘hillfort’ or ‘fort’, it is located (most of times) on the top of a hill, defended by stones and grounds wall, ditches and ramps, obtacles for the attak and facilities for the defense. In the inner their sheltered Domo, “House” ,  occuping the most relevant site, the big house of the hillfort Lord, and the meeting house (or ale house), in case of a capital hillfort. In another part live those who own a yoke of oxen, possesing their own land and livestock. And in another neighborhood live those with livestock and land belonging to the Lord. The hillfort is like a castle where the Lord (Dominus) lives with his men or knights [feudal-vassal relations], each one in his house made of separate rooms arranged around a central courtyard [set enclosed by a wall or hedge]. They all live inside  same well defended fort. In a hillfort the latin word gens means “people” without other connotation,  is formed by whole population under the protection of the Lord; similarly,  the latin word gentilitas, “population, people”, here refers to the inhabitants of the treba or terra, to people of all forts protected by Prince “principes seu imperantes terrae”.

Each fort had its own little economic territory and jurisdiction (over 1.5 km radius), with pastures, farmlands, forests and waterways. All perfectly bounded [de succo, “furrowed by the plough”] setting up an economic jurisdiction of a Noble House (Domus = fine Irish), vassal and dependent on the territorial prince…

O castro 1991 nova ed. , 177-204; 227-249 projeta sobre seu minúsculo território econômico (de 1’5 km de rádio por meio-termo) uma directura ou jurisdición cum omnia intus clausis et extrinsecus foris, comprensiva de pastos, bosques, montes e cursos de água, perfeitamente demarcada per suis terminus et locis antiquis (cf 1991 nov. ed.  204-205 ; 1992  131,132).

  Crica ou demarcação do Castro de Quintá. Desenho do professor de Belas Artes Carlos Afonso, dirigido por André Pena


…and his dominium comprises the economic territory, houses and fortified installations, cattle, horses and people, children and relatives, freemen and servants. Crica ou demarcação do Castro de Quintá. Desenho do professor de Belas Artes Carlos Afonso, dirigido por André Pena

Mostrámos como em a cada sucessão e transmissão patrimonial proindivisa da briga ou castro (igual sucede com a posse da treba pelo princeps) o novo senhor escenifica com uma inauguratio, de succo “surcando a fronteira com o arado” (2005, 117-120) , a inmemorial posse  familiar do espaço demarcado.

circunvalatio

Surcando a fronteira com o arado o novo senhor escenifica [como Rómulo arando o Pomoerium em Roma] a inmemorial posse familiar do espaço demarcado (2005, 117-120) . No centro um bronze votivo entronizatorio galaico de Monforte de Lemos do arqueólogo formado en Oxford e a Sorbona Guillermo Joaquín de Osma y Scull, duque consorte de Osma por sua mulher, XIIIª condesa de Osma, Adelaida Crooke de origem irlandês. A peça do que fora deputado por Lugo (1811-1918) passou ao Paço de Osma,  e, desde 1916  ao Instituto de Valencia de Dom Juan (Madri) onde se conserva. É com o de Lalín um dos mais antigos e completos.

cobrando grande importância propagandística, quasi documental, como no resto da Europa celtoatlántica, sendo re-acondicionada pela família ao longo de milhares de anos a estela (neólítica, calcolítica, etc.) erigida sobre a mámoa demarcatoria fundacional do institutor do clã ou linhagem retora.

CASTRO, BRIGA, FORT

Ainda que preferimos usar o termo Civilização Celta, é verdadeiro que esta poderia se definir pars pro toto, ex more celta pelo arraigado módulo de hábitat na Idade do Bronze e do Ferro: o castro, denominado em celta antigo comum briga; brig- ‘alto [fortificado] lugar.

No mapa de Hispania –sustem J.J. Moralejo- há unha notavel quantidade de topônimos formados co lexema brĭg-, que pode ser raiz de termos simples (Brigaecium, Brigantium, Brigantia) e, sobre todo, pode ser segundo elemento de termos compostos (Mirobriga, […], Aviliobris…); desde sempre conhece-se a vinculação destes topônimos cós Celtae, Celtiberi e Celtici de que falam as fontes literárias e sabe-se que –briga significa ‘vila, cidade’, os nomes híbridos Augustobriga, Flaviobriga, Caesarobriga, etc. (cós seus paralelos doutras áreas célticas, Augustodunum, Caesarodunum, etc.) que romanos e autóctones romanizados deram a velhas ou novas entidades de povoação certificam o que digo. Desde muito antes de que a lingüística tenha rigor en Historia e Comparação de línguas, também se sabe que o reparto de –briga se contrapõe ao dos topônimos ibéricos, não indo-europeus (S e E de Hispania), ilerda, iluro, iliturgi... em que se reconhece um primeiro termo ili-, ilu- (e outras variantes ilti-, iltu-…) que tambem parece significar ‘vila, cidade (Callaica Nomina, 119)”.

Castro, Fort,  Briga por Carlos Alfonzo (c) Carlos Alfonzo

Castro ou Briga por Carlos Alfonzo (c) Carlos Alfonzo (ex A. Pena) Sub vocabulo brig- Ingresa Alexander Falileyev (em colabouração con Ashwin E. Gohil & Naomi Ward ) ‘high (fortified) settlement’, ‘hillfort’ (OIr brí ‘hill’, C bre; B bre; MW bre ‘hill, height’ GPC : 313; LEIA B-87) […] in Dictionary of Continental Celtic Place-Names,‘Principal Elements’ (2010),11- 12

Uma retícula de castros, castella ou domi, excedendo em ocasiões muito generosamente a média centena, configuraba no seio da treba uma sucessão de verdadeiros coutos jurisdiccionais ou casas nobres, ex pari, iguais em hierarquia e fama, unindo-se estes castros entre eles por laços parentais e vecinhais, e, sobretudo, porque estavam verticalmente sujeitos todos eles, pelos enlaces e nodos estabelecidos em um complexo armazón clientelar, ao princeps da treba, do toudo, do Território Político ou Terra. A. PENA: 1991,115-127; 1992,33-48.

Narón Unha História Ilustrada na Terra de Trasancos

Narón Unha História Ilustrada na Terra de Trasancos

The hillforts, Galizan habitat in the Iron Age, appear in the epigraphic record 1st-5th century AD, following a letter C in an inverted position Ͻ which is usually interpreted (Maria Lourdes Albertos 1975:65) as castrum / castelum.

ce emvorcada

If this is the meaning of the sign Ͻ  -usually made explicit by the Latin prepositions ex, de, de hoc– “from”, would almost have no importance. Reappearing after the sign כ the Castelum, “Castro”, in the form of a toponym in ablative, without a preposition, referring to minor-places, that has in Latin, as domo, locative function.

 The letter c in an inverted position כ appears between the Political Territory (PT) and the castro

                           PT                   Ͻ      Castro/Briga (Hillfort)

                                                           Limicus       Ͻ       Arcuce

                                                              Cilenus      Ͻ      Berisamo

                                       (Principis) Albionum       Ͻ      Blaniobrensi

                                        Celtica Supertamarica    Ͻ      Iureobriga

c envorcadaSometimes the sign כ    does not appear but is replaced by the word castelum in locative:

Durvede, "Druida" de Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena (C) Carlos Alfonzo, e ídolo de Paderne.

Durvede, “Druida” de Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena (C) Carlos Alfonzo, e ídolo de Paderne. LADRONV(S) DOVAI (F) BRACARVS CASTELLO DURBEDE                                           (IRP, 187-188)[> Druvide .Poss. “Fort of the Druid” [–better acceptable than a witty Hydro-Solution “plot of rivers”], a metáthesis  [investment or changing the position of one phoneme in the interior of a word] of the etymological *Druvide (vocalism i/e) resulted in Durbede, “Druid”.

   Or is replaced by the word domo in locative:  

CLOTIVS CLUTAMI (F) SVSARRV(S) DOMO CVRVNNIACE (CIL III 2016)

DOMO LUCOCADIACVS (CIL III 4227)

     The Castro is the domo, “house”, of a dominus “lord” and his dominium comprises the economic territory, houses and fortified installations, cattle, horses and people, children and relatives, freemen and servants.

Castro Domo Carlos Alfonzo asesorado por A. Pena (c) Carlos Alfonzo The Castro is the domo, "house", of a dominus "lord" and his dominium comprises the economic territory, houses and fortified installations, cattle, horses and people, children and relatives, freemen and servants. Land marks, “coiras”, determine the jurisdiction of a local lineage over the stable and selfsufficient small population. Nobiles in return for the transfer, for generations, of land, cómaros “plots”, to the peasants [-each with their dedication, grass; 'souto' to brown; 'naveira' for turnips, 'painzeira' for oats, 'orxás' for rye, 'cortinha' for cabbages and vegetables, etc .-] receive benefits and income.

Briga, Fort, Castro, Domo Carlos Alfonzo asesorado por A. Pena (c) Carlos Alfonzo.
Land marks, coiras, determine the jurisdiction of a local lineage over the stable and selfsufficient small population. Nobiles in return for the transfer, for generations, of land, cómaros “plots”, to the peasants [-each with their dedication, grass; ‘souto’ to brown; ‘naveira’ for turnips, ‘painzeira’ for oats, ‘orxás’ for rye, ‘cortinha’ for cabbages and vegetables, etc .-] receive benefits and income.

Os castros nome que damos na Galiza ao comum hábitat atlántico do Bronze e a Idade do Ferro, insular e continental, aparecem mencionados no registro epigráfico (ss I-V dC.) depois do Território Político (TP) em forma de topônimo em ablativo, a seguir de uma misteriosa letra כ, intrometida entre o TP e o castro, que originando no passado vibrantes polêmicas, desde faz mais de trinta anos de forma pacífica comummente se interpreta (María Lourdes Albertos 1975:65) como ‘castrum ou castellum’. De ter sido este o significado de Ͻ “a letra fatal”, como em seu dia lhe chamou Untermann , segundo o penso, quase não teria importância, seria innecesario em realidade [Pena 1995, 62-64] ou estaria duplicado por reaparecer de novo depois do signo o castellum –briga, -bris, -bris, -bria, -bre,  ou “castro”, comodamente cimentado em um antigo topônimo Celta expressado em ablativo, sem preposición, referido exclusivamente a entidades menores, a castros ou brigas com função -como domo em latín- de locativo:

Que lindo! Um Chrismón e um [pérfido] Albion

Que lindo! Um Chrismón e um [pérfido] Albion S. IV d C.  A Corredoira Asturias  Provincia Gallaecia Nas inscrições aparecem mencionados os castros brigas ou castella a seguir de um signo “C” investido Ͻ que em faz catorze anos, seguindo a Mª L. Albertos, transcribíamos erroneamente como castro até que consertamos que este, o castro, um topônimo que aparece quase sempre depois da letra envorcada “girada” não requereria do signo, cimentado comodamente instalado em um topônimo expressado em ablativo sem preposición com função em latín de locativo, muito antigo e referido exclusivamente a entidades menores. O castro revela-se plenamente e reside neste topônimo. Isto é se a letra C em posição investida significa castro, de acordo, mas seria redundante por reiterar-se o castro em forma de topônimo em ablativo.

Seguindo a organização geográfica de Carlos Búa. No Occidente das Astúrias (até o Navia e o Ranhadoiro): NIGRINIANUS NIGRINI F. AL(BIONUM)  Ͻ ERCORIOBRI; NICER CLUTOSI F. PRINCIPIS ALBIONUM  Ͻ  CAURIACA;  Em A Crunha: FVSCA COEDI F. CELTICA SVPERTA(MARICA) Ͻ  [.]LANIOBRENSI; EBVRIA CALVENI F. CELTICA SVP(ERTAMARICA) Ͻ LVBRI; APANA AMBOLLI F. CELTICA SVPERTAM(ARICA) [Ͻ ] MIOBRI. Em Lugo: TILLEGUS AMBATI F. SUSARRUS Ͻ AIOBRIGIAECO; REBURRUS ARI [F.] SEURRUS Ͻ  NARELIA; TRIDIAE MODESTI F. SEURRA TRANSM(INIENSE) Ͻ SERANTE; FLAUS AULEDI F. CABARCUS Ͻ  BERISO; FABIA EBURI F. LEMAVA  Ͻ  ERITAECO; VIRIUS CAESSI F. LEMAVUS Ͻ  ERITAECO. Em Ourense : FUSCUS SEVERI F. LIMICUS Ͻ  ARCUCE; ANCEITUS VACCEI F. LIMICUS  Ͻ  TALABRIGA; REBURRUS VACISI F LIMICUS Ͻ BERENSI. Em Pontevedra: CAELEO CADROIOLONIS F. CILENUS Ͻ  BERISAMO. Em o N de Portugal : ALBURA CATURONI F.  Ͻ LETIOBRI; FESTUS LOVESI F. INTERAMICUS כ LOUCIOCELO: CAMALUS BURNI F. Ͻ  TARBU. 

A entremetida letra girada aparece às vezes acompanhada pela preposición de contexto referencial ex [Nigrianus Nigrini Al ex Ͻ  Ercoriobre (CIL II 2711) traduziria Nigriano filho de Nigrino, Albión de Ercoriobre;  sendo Ercoriobre como seu sufijo  indica um castro] possivelmente porque no baixo império não entendiam já o signo e colocavam a seu lado a preposición de modo aclaratorio, assím sucederia em Tridia Modesti F. Seurra Transm. Exs Ͻ Serante [AE 1934, 00019]; in Festus Louesi F. Interamicus Ex  Ͻ  Loucioelo (Cacabelos).  

Sendo o castro a única forma de hábitat na Idade do Ferro quando alguém diz que é fulano filho de mengano de Cabarcos de Beriso o filho de seu pai nos diz que sua linhagem é da treba de Cabarcos, situada por Plinio entre os Albiones e os Eguivarri ou Namarinos, e de Beriso, logicamente um castro de altura, sucedendo o mesmo em Caeleo Cadroiolonis f(ilius) Cilenus Ͻ Berisamo (IRG I 20) Caeleo nos diz que é filho de Cadroiolon [antropónimo psv. tomado do corpo militar de elite celta], da treba de Celenos e do lugar Berisamo, algo bem como ‘Monte Alto’, evidentemente um castro.

Em ocasiões o signo כ não aparece, substituído pelo vocablo, em locativo, castello, assim na inscrição galaica de Garbão, Ourique, Beja (Portugal):

*LADRONV(S) DOVAI (F) BRACARVS CASTELLO **DVRBEDE “Disposto [para o combate] filho de Dovai” OIr. [McCone] Látar ‘disposition’ (n. ou-stem < *Lāθ(e)r < *Lāθ(e)rom […] [+ suf. lat. –us *Lāθ(e)ro-nus]: acc. sg. 3x (Ml. nom. sg. 7x), dat. sg Lathur (Ml. dat. sg. Lathar 1x). p 6 (11) [Kim McCone, Maig Nuad 2011] **Nom. *Durwis, met. Druwis; Loc. (vogalismo e/i) *Druvidi. Met. *Durvede, “Druida” Ou pelo mencionado locativo domo [que origina em antigo irlandês déis ‘cliente(s)’ derivando a voz casualmente de um conceito de soberania doméstica– segundo Kin McCone (1992, 193–197) de “*dem- “Casa”, ‘house(hold)’; cf. dám “freguesia”, ‘retinue (of clients)’ < *domo- ‘house(hold)’” CLOTIVS CLVTAMI (F) SVSARRV(S) DOMO CVRVNNIACE [CIL III 2016 Procede de Salona, Dalmacia [Cloutius Clutami f. duplicarius alae Pannonior. Susarru(s) domo Curunniace] ABILIUS TVRANCI F. DOMO LVCOCADIACVS CIL III 4227 Lugar dun soldado galaico entrerrado em Gyaloke cerca de Szombately, Hungria. Deixou como herdeiros a dois camaradas de Gallaecia, um de Lancia e outro de Aligancia.

[Esta parte aburrida resultaría muito engraçada de conhecer vocês o omímodo fascinador poder da letra fatal, que deu nos oitenta voz a apagados vulcões, ressuscitou paixões, se tomou suas vinganças, mantendo em vilo a qüestão de índígenas e romanos e bem mais que a prudência pede silenciar.  O revirado C – etra fatál a chamou Untermann-, a investida a chamavam rindo nos derradeiros 70 dois capitães de sendos bandos da faculdade de Hª de Santiago, que se andavam  muito enLaroucados e  à grenha [acho que a revirada letra fora aqui pretexto e tampa de outras coisas que calamos os que sabemos e  do feitiço e sonoro sorriso de Chesire cat dos dentes aqueles da sem prefixo Iccona de tempo de mouros e praça. Eram outros tempos].

LA DATACIÓN DE LA LETRA C INVERTIDA Ͻ  ; “EX Ͻ ”; “ DE HOC Ͻ ” A DATAÇAO DA LETRA C INVESTIDA Ͻ  ; “EX Ͻ ”; “DE HOC Ͻ ”

derediplomáticamabillon

La Paleografía disciplina inter y multi disciplinar entrada en años desde su desarrollo con Mabillon y su De Re Diplomatica libri VI en la Francia de Luis XIV, conjuga saberes y usos sin cuento que aplicados con familiaridad, profesionalidad y fiabilidad a análisis de soportes, tipología documental, cláusulas, fórmulas, usos institucionales, etc. -aún trabajándose con fehaciente copia digitalizada microfilm o fotocopia por salvaguardar el original-, permiten distinguir el instrumento falso del auténtico, detectar traslados, adiciones, errores cronológicos … y mucho más (Pena Granha)

INTRODUCCIÓN/ INTRODUÇÃO

"Cuadro Tipológico de Luis Monteagudo García"

Pero a los epígrafes, encomendados a Santo Tomás, como a los petroglifos, hay que verlos para creerlos, aunque ayuden la buena fotografía [el optimo dibujo, el fehaciente calco]. Leerlos es una cosa, datarlos es cosa distinta, exige otro bagaje epistémico y aquí es dónde la Epigrafía estaba mucho menos desarrollada [siendo disciplina antigua iniciada por Fabricius, 1516-1751, ampliada en el siglo XIX por Mommsem, 1817-1903, y por Hübner, 1834-1901, ], que la Paleografía. Mas às epígrafes, encomendadas a Santo Tomás, como aos petróglifos, há que as ver para as crer, ainda que ajudem a boa fotografia [o ótimo desenho, o seguro calco ]. Lê-los é uma coisa, datá-los é coisa diferente, exige outro bagagem epistêmico e aqui é onde a Epigrafia estava muito menos desenvolvida [sendo disciplina antiga iniciada por Fabricius, 1516-1751, ampliada no século XIX por Mommsem, 1817-1903, e por Hübner,1834-1901], que a Paleografía.
A Epigrafía permite afinada interpretatio-lectio, mas não datava até faz muito pouco [quando a meu rogo, o sábio Luis Monteagudo García realizou este quadro evolutivo do alfabeto latino de Gallaecia publicado depois no Anuario Brigantino] os epígrafes votivos. Adequando o epígrafe ao suporte e a consuetam rationem -um rei não assiste vestido com trapos a sua coroação – examinando o aporte-suporte epigráfico e contexto com média equipação discernimos o autêntico, p. ej. o Edicto de Bembibre -um exemplo de mudança de suporte documental com discordâncias incumbidas ao agente do translado- ,do falso [a Malícia essa de Iruña Veleia! Durante dois anos e cinco meses! até novembro de 2008 que soltaram a lebre, Euskadi sofreu atónita as conseqüências de um escândalo, arrastado desde junho de 2006, quando filtrarão à imprensa em tempos de indulgência geral falsos epígrafes com cláusulas em moderno euskera, sagrada família com RIP ,requiescat in pacem, sobre calvário contemporâneo – por INRI, Ihesus Nazarenus Rex Iudaeiorum-; cartuchos egípcios; Descartes (sic) com Aristóteles e Demóstenes; comas, hífen, e mais pontuação, etc.]. Feria o emprego sobre autênticos suportes dos séculos II e VI da letra maiúscula com tipografia moderna do latim clássico (estes suportes com notas, contas, epígrafes domésticos [como também sucede com as lousinhas suevo visigodas p e] empregam por norma geral letra minúscula cursiva enquanto as inscrições monumentais e votivas sendo coisa pública exigem escritura capital, id est, a letra maiúscula.

VER PARA CRER

datandoepigrafesqueesgerundio por André Pena Granha

Atendiendo a la evolución del alfabeto de Luis Monteagudo García las inscripciones funerarias latinas bajo imperiales galaicas con la [precedida o no de la preposición ex, o de hoc] letra C en posición invertida Ͻ patentizan la continuidad de la organización celtogalaica.
No pocas veces tras la mención de la treba o toudo “territorio político”, célula organizativa celta de Europa y de Galicia, llamado ciuitas o populus por los romanos antes y durante la conquista, aparece tras la letra C invertida Ͻ señalando el lugar de residencia el castro, único hábitat de los celtas galaicos hasta muy entrada la dominación romana, expresado como un topónimo en ablativo sin preposición con valor de locativo, como la voz latina domo.
Apoyado contra viento y marea en su pilar sin sostén mantiene -obviando lo indiscutible (Pena 1991; 1992; 1993, 1995)- Pereira Menaut que Galicia estaba poblada por gente indigente, habitante de un innominado territorio, llamada indígena, nunca galaica, nunca celta ¿Qué busca Pereira? ¿Busca la paradoja? ¿Busca la sensación?

 SOSTIENE PEREIRA SOBRE PILARES SIN SOSTÉN

Los epígrafes con la letra C invertida Ͻ, castelum, según  Mª Lourdes Albertos, señalarían la forma de organización ‘indígena’: el castro, castellum, pero –sostiene Pereira “porque yo lo valgo”, sin sostén (-dijimos que si esto era así que lo demostrara-):

a finales del siglo I coincidiendo con la donación a toda Hispania del ius latii por Vespasiano se producía una revolución en varios órdenes de cosas: los castella desaparecían de las inscripciones mientras los castros eran generalmente abandonados. Cambios en la estructura u organización  sociopolítica, cambios en el hábitat

Fingiendo ahora ignorar que Gallaecia fue antes, durante y después de la dominación romana  el nombre genérico (Untermann) del país de los galaicos sin excepción, siempre, en todos los historiógrafos de la antigüedad, fantasea Pereira, apoyado como siempre en su pilar sin sostén, sobre ese supuesto :

proceso que nos lleva desde la Edad de Bronce, cuando [–“porque yo lo valgo”-] no existen Galaicos […] hasta ese momento anterior a la conquista romana”, tunc, amoldando Pereira su deseo a la realidad su supuesto innominado ‘indigente o indígena’ pais “empezó a llamarse Gallaecia, utilizando para ese nombre el de aquel pueblo vencido por D. Iun. Brutus Callaicus” (VELEIA, 27  243)

Enumerando Mela [Pena Graña 2004] en el Conventus Lucense a los Celticos y a los Lemavos, saltándose de su fichero celtas trebas de bárbaros y obscuros nombres, aunque, aunque calcula de nuevo por el censo el padrón de pecheros o contribuyentes que fija en 166.000 hombres [cabos de casa, o cabezas de familia], haciendo otro tanto luego con el conventus de los Brácaros, dónde de sus 24 trebas únicamente menciona además de los eponónimos del conventus mencionado a los Bibalos y a los Coelernos, que él llama “Coelernos Galaicos” para distinguirlos como ha observado Untermann de los Colarnos de la Lusitania central citados casi a continuación más abajo por el propio Mela; a los Equaesos; a los Límicos y a los Querquernos, constituyentes [pues claro está, en estos padrones no se contabilizan por su nulo interés fiscal los campesinos dependientes beneficiarios del ganado colocado por los señores, estos 285.000 tributarios [cabos de casa o cabezas de familia, la población real hay que multiplicarla, como mínimo, por 6] propietarios de ganado y de tierras, los hombres libres peregrini, el Grád Túaithe celta, al base del estatus legal, en definitiva las gentes de la treba.

Sobre los Callaicos Brácaros de Gallaecia nos dice J. Untermann:

“Ya se ha puesto de relieve por otros autores (cita a Tranoy, a A. Tovar, y a Colmenero) el hecho sorprendente de que el etnónimo Gallaeci, a pesar de que en la mayoría aplastante de los testimonios tiene la función denominar la totalidad de los pueblos indígenas [en realidad decimos nosotros saliendo ahora a la palestra las trebas celtas] del Noroeste, siendo prácticamente sinónimo de “habitante de Gallaecia”, en Plinio 3, 28 aparece como una de las fracciones tribales de los Bracari “praeter ipsos Bracaros” se aducen los nombres de los Bibali, Coelerni, Callaeci, Equaesi, Limici, Querquerni. No creo que sea casualidad que estos nombres con excepción de los Callaeci –coinciden con el elenco de las civitates decem de la columna del lado del puente de Chaves […], la solución que se impone es borrar la coma entre Coelerni y Gallaeci, suponiendo que el autor añadió Gallaeci para distinguir estos Coelerni de otro grupo homónimo: tal vez haya pensado en los Colarni en la Lusitania Central, que menciona en el parágrafo 4, 118 de su obra. “Anotaciones al estudio de las lenguas prerromanas del Noroeste de la Península Ibérica”. Actas do Encontro Científico en Homenaxe a Fermín Bouza Brey. Santiago 1992, 393.

PROCESO QUE NOS LLEVA DESDE LA EDAD DE BRONCE, CUANDO NO EXISTEN GALAICOS HASTA ESE MOMENTO ANTERIOR A LA CONQUISTA ROMANA“. GERARDO PEREIRA MENAUT

En vano Tasionos invocando y poniendo él por testigos a los divinos Lugoves [-por cierto no por casualidad en la Galia ‘tutelary gods of shoemakers’ (Lewis & Pedersen ed. 1937; 1961, 12), patrones de zapateros y ‘zoqueiros’ como Pedro Chosco -], proclama EN LA EDAD DEL BRONCE! a los cuatro vientos ser un ari “noble” Nerio de la Kaltia o Galtia, “Celtia o Galicia” sobre su bella estela erigida un día en lo alto de su impresionante laco “túmulo” del Algarve en la más larga y antigua inscripción celta del mundo, hecha en signario ibérico occidental -un signario creado para notar el celta antiguo común, E. Losada Badía-, lengua hablada en el occidente atlántico (J. T. Coch),  porque Pereira en su pilar sin sostén, sostiene, “porque yo lo valgo”  que la conciencia galaica es cosa de romanos del siglo II d. C.!

Para terminar: aparece” –dice bajándose Gerardo Pereira Menaut su deus ex machina– “la consciencia de ser gallego. En el siglo II d.C hay un Quintus Voconius Rufinus que se entierra en Tarragona y añade su origen, Callaecus. Es el primer gallego documentado como tal en la Historia”. Pereira Menaut “El moderno debate sobre la Romanización” VELEIA, 27 249). Siue potius ‘Historieta’.

Dislate tras dislate, desde su pilar sin sostén va Pereira deconstruyendo ¡Es la pera!  un absurdo boschiano paisaje apereirado de Gallaecia, país innominado, indefinido, nunca celta, de autóctona indigencia, según él nos intenta hacer creer por sus personales necesidades, de exclusivo primitivismo, semi-aislado del mundo [salvo brumosos contactos con Grecia remontables al siglo V antes de Cristo],  desorganizado, desarticulado, encerrado en los castros, castrejado…. hasta que el genio civilizador romano les crea civitates/populi.

Sustenta PEREIRA: i) A menção [da letra C investida] Ͻ dá-se sempre junto a uma onomástica indígena, em inscrições que, segundo o formulário e também a morfologia externa, são  as mais temporãs de todas. (ZEPHYRVS, XXXIV-XXXV, 1982 250) E a seguir retifica, que é de sábios : não é verdadeiro que as  Ͻ apareçam sempre junto a uma onomástica indígena(ZEPHYRVS, XXXIV-XXXV, 1982 250 Sustenta Pereira: ii) Num momento determinado [no final do S I d. C] a menção das  Ͻ desaparece das inscrições. iii) Quando se produz ii) as inscrições começam a ser diferentes: a onomástica perde seu caráter indígena, e o formulário também é mais romano. ZEPHYRVS, XXXIV-XXXV, 1982 iv) Quando as inscrições (que são fundamentalmente funerárias) têm já a fórmula D M ou D M S  – isto é, são posteriores as que não a têm-, a onomástica é já claramente romana. Os caracteres indígenas [ -refere-se Pereira à letra C investida Ͻ -] desapareceram praticamente dos textos: não conhecemos nem uma sozinha Ͻ  em textos que tenham a fórmula D M ou D M S. E [como se olha no quadro tipológico de Monteagudo, os tipos de letras com a letra Ͻ são em sua maioria do Baixo Império] retifica: “não é verdadeiro que as Ͻ apareçam sempre junto a uma onomástica indígena. Os indivíduos assinalados a seguir [ – cita Pereira  a Aemilianus Flacus; Fuscus Severi f.; Nigriani, Nigrini; Popilius Hirsutus, Tridia Modesti f., etc.- ] são aqueles entre os adscritos a uma Ͻ com nomes mais propriamente romanos […]” E de novo, mesmo circuito paralógico, sustenta Pereira: “O processo de municipalização, que supõe uma romanização superior , acompanha ao desaparecimento das Ͻ”. E [monstrando o quadro de Monteagudo García que isso é mentira] retifica mais uma vez: “não parece posivel” –dize Pereira-“pensar que as ciuitates de Gigurri, Susarri, Seurri, Limici, Tamagani, etc. etc. que conhecemos nas fontes literárias e nas inscrições tenham sido uma criação alheia ao mundo indígena, a seus povos (126)”; E: “Não parece impensable que as civitates não existissem dantes da conquista” E: “não devemos pensar que as civitates fossem obra dos romanos. Ao invés, são indígenas”

CONCLUSÃO ANTE TANTA RETIFICAÇÃO –O artificial processo de municipalização romano sonhado por Pereira é Utopia “não existe em ningures”.A organização celtogalaica descansa na treba ou toudo pelo menos desde a Idade do Bronze. O castro ensonhado por Pereira como forma inferior de organização de indigentes desarticulados é Utopia.Não se sustenta – cf. o Edicto de Bembibre- que as trebas galaicas fossem as ciuitates criação de Roma sonhadas por Pereira .

“Aparte de alcantarillados (sic)” –dize Pereira- “urbanização,  e outras coisas semelhantes (sic), a antiga Roma, deu à História Universal, vista desde nosso presente, algo bem mais importante: um conceito de cidadania romana totalmente apartada das origens etno-históricos do indivíduo”.

Viver para Ver. Pereira sustenta que o autêntico e importante para o indivíduo é se apartar totalmente das suas origens etnohistóricas [como ele faz, assim publica em revistas bascas. VELEIA]

A sociolinguística ensinou a distanciar usos e usuários faz tempo, advertindo se o contido nas cláusulas é uma manipulação ou corresponde-se com a realidade. A gente dá-se conta das coisas. Quase tudo é política, nas universidades também – Pereira nunca entra, não se atreve, a qüestionar uma tese celtista atual de seus colegas doutores galegos, e fingindo ignorar que o celtismo atual é universalista e continuista [Paleolitic Continuity]  o ataca se referindo  a um humilde pasquím de aficionados “uma singela revista” dos anos 80.

Desenhos de Carlos Afonzo (ex A. Pena)“[…] para que a antiga Callaecia fosse celta deveria ter tido um translado de população celta que fosse, ao menos, tão numerosa como a que já tinha aqui, e a poder ser um pouco mais, por aquilo da maioria simples.”  “[…] Num debate com estudantes sobre a qüestão do celtismo de Galícia, na Faculdade de História de Santiago […] um deles mantinha que no dia em que os marroquinos se acostumassem a tocar a gaita e a adotassem como própria, nesse dia os marroquinos seriam celtas […] a proposta […] não era tão abertamente errônea ou falaz; era a conseqüência de uma determinada visão do celtismo […] uma qüestão cultural, e nada mais. É verdadeiro que o tocar a gaita era um sozinho rasgo cultural, e se diria que para ser celta, ainda desde uma definição cultural do celtismo, teria que ter adotado mais rasgos culturais celtas, e não só a gaita […] o estudante tinha razão, conquanto teria de ter dito que no dia que tocassem a gaita seriam «um pouquinho celtas” Pereira Menaut “Marruecos a gaita e os celtas O MODERNO DEBATE SOBRE A ROMANIZACIÓN? VELEIA, 27 239-253, 2010 in “Marruecos a gaita e os celtas O MODERNO DEBATE SOBRE A ROMANIZACIÓN” VELEIA, 27 239-253, 2010

Gentes  (bellatores, corio) do castro celtogalaico  por Carlos Alfonzo ex A. Pena

Sem dúvida alguns dos que estavam dantes. Por Carlos Alfonzo, asesorado por André Pena

[…] Sempre me tenho perguntado como se explica que os apostoles do celtismo galaico consideram aos celtas como o genuinamente galaico, se esquecendo dos que estavam dantes. Esses, que estavam dantes, não tinham categoria para serem nossos ancestres? Eram como parentes pobres e aldeãos que há que ocultar? Pereira Menaut “Marrucos a gaita e os celtas O MODERNO DEBATE SOBRE A ROMANIZACIÓN” VELEIA, 27 239-253, 2010 “[…] se os galegos somos de raça celta” – dize Pereira sem vergonha- “será porque expulsamos ou matamos aos verdadeiros galegos”. In “O MODERNO DEBATE SOBRE A ROMANIZACIÓN”, VELEIA, 27 239-253, 2010

ETIMOLOGISCH WOORDENBOEK HET CALLAECISCHE. Xabier Escrivano Nóvoa & Dr. Theresje Osorio Pereira é a Pera! 

POR QUÉ FAZEM QUESTÃO DE FALAR DE CULTURA CASTREJADA, OU CASTREXA, E EM OCULTAR QUE GALIZA É PAIS CELTA? HISTÓRIA DE UMA INFÁMIA E  DE ALGO MAIS

http://ec.europa.eu/regional_policy/con ... fm?nmenu=3

Em certo día certo político galego pediu-me asesorara certo projeto para estabelecer con Galiza e com certos sócios uma Área Cultural Atlântica. Ajudei-lhe como ajudo sempre de forma desinteresada. Mas a afortunada intervenção desde Salamanca ou Santiago, que tanto monta, de outras pessoas com poder inverso a seu desenvovimento intelectual, deixaram -por um tempo [voltaremos com a firmeza indemne]-, a Galiza, berço dos Celtas da Europa Atlântica, fora do sistema e do dinheiro. Definitivamente castrejada [nunca domada], Galiza parece -só parece- como Hespain (sic), Different. ” Numa Europa onde as suas culturas eram indo-européias (divididas em quatro grandes grupos culturais: celtas, mediterrâneos, germanos, e eslavos) com as exceções não-indo-européias de finêses, húngaros e bascos, a descoberta dum novo grupo diferenciado teria ocasionado um terremoto na comunidade cientifica internacional. O mundo tornaria os seus olhos cara Galiza. Em dois séculos de investigação cientifica européia ignorou-se completamente que o mundo indoeuropeu constava de fato de cinco culturas: a germana, a mediterrânea, a eslava, a celta… y la castrexa ou castrejada! E em que partes da Europa se desenvolveu a Cultura Castreja? Bom, desenvolveu-se nas ‘quatro províncias’ da actual Galiza. Porque na Gallaecia sul, hoje norte de Portugal, acabaram sendo celtas, e nas planícies de Castela também resultaram ser celtas. Surpreendentemente, tal achádego cientifica, de grande repercussão para a história mundial passou inexplicavelmente despercebido para a ciência europeia…” A. A.

http://ec.europa.eu/regional_policy/con … fm?nmenu=3

Cultura Castreja de Cornwall.

TOP NEWS. Relatórios secretos do MI5 filtrados por Edward Snowden descobrem que Cornwall tem Cultura Castreja. O miniconselho da minicultura empreenderá ações legais. “Os Filhos da Grã-Bretanha querem-nos foder o invento” dizem.

 A OPERAÇÃO ‘MATA CELTAS NAS CIES’

O QUE HÁ QUE SABER

Evidentemente nunca existiu uma siniestra operação chamada “MATA CELTAS NAS CIES”, mas para que desaparecessem nossos ubicuos celtas da vista de todos sem deixar rastro, sim teve lugar, Me crê?, uma obscena e insidiosa operaçã ainda em curso contra o celtismo galego. Agora só falta adivinhar quem movia os fios. Não to podes imaginar.

Deixo-vos, como pistas, umas dicas, por se talvez se vos ocorre algo. Dica I umas dicas Dica II N2B Dica III N4 Dica IV Dica IV Dica V

Dica 5


Seu equivalente galego foi, claro está o Pai Sarmiento

Dica VI

Dica VI

Dica VII

Dica VII

Dica VIII

Dica VIII

Dica IX

Dica IX

Dica X

Dica X

Dica XI

O sanscritólogo da Sorbona Eulogio Losada Badía, demonstrou que o Tartésico ou Bástulo-turdetano, o signario ibério ocidental, comum ao Atlántico, notava em realidade uma língua céltica, muito antiga.

O sanscritólogo da Sorbona Eulogio Losada Badía, fundador do IGEC, demonstrou que o Tartésico ou Bástulo-turdetano, o signario ibério ocidental, comum ao Atlántico, notava em realidade uma língua céltica, muito antiga.

Dica XII Dica XII Dica XIII

Dica XIV

Dica XIV

Dica XV

Dica XVI

Dica XVII

Dica XVIII

Dica XIX

1936Em nenhum momento no galeguismo propunha-se uma ruptura com Espanha. Pretendia uma nova arquitectura de Espanha, formada por povos e antigos reinos, convivendo em irmandade num estado plural respetuoso com as nacionalidades históricas. Uma arquitectura similar à contemplada na vigente Constituição Espanhola -dantes do café para todos-, complementada com o desenho de Áreas Culturais de Europa.

Dica XX

n25DICA XXI

DICA XXII

Dica XXIII

n23

É MUITO SINGELO: EU COMANDO E ELES OBEDECEM

O ditador galego ‘listo como um alho’ como seu colega e amigo Fidel -Galiza é desde Teodosio, o mais grande de tudos, berço de formidavels ditadores – criminoso golpista para uns, salvaldor caudillo para outros, alius alia vobis dicet, audaz na guerra, rancuroso na paz,  o caudillo ferrolão do dezaoitesco bairro da Magdalena, em princípio, como a maioria de seus magdalenos vizinhos de então, não deveria saber falar galego

[O vídeo, tomado de YouTube, tem seu humor, mas o verdadeiro é que não se corresponde totalmente com a verdade]

Aprendeu-ou em infância, criando-se como fidalgo, coisas de família, com os raparigos do rural  (meninos vizinhos) da materna casa solariega de Sedes -uma casa com antiquísima e curiosa pedra armeira- no coração da Terra de Trasancos.

Em Sedes dizem que Franco nasceu em a casa solar essa ao pé do castro de Eiravedra,  dizem que o sabem bem porque seus pais ou avôs jogavam com ele de meninos e que o registraram em Ferrol para cobrar o dinheiro do Marqués de Amboaje. Mas Franco nasceu em Ferrol, sei-ou de primeira mão pelo seu curmão, Enrique de la Puente, meu amigo, proprietário da casa de Eiravedra, Sedes. Enrique vinha-me visitar ao Concelho de Narón -trocávamos genealogias, e ele também trazia-me documentação da sua família sobre a Moinheiria Industrial do século XVIII em Narón-. Ás vezes ensinava-me entre outras coisas, textos e fotos de Franco em Sedes. Chamou-me a atenção que Paquito escrevia muito bem e que tinha uma ótima caligrafía. Surpreendeu-me saver também, que o anão de voz aflautada que trazia firmes a seus generais, ‘listo como um alho’, inmisericorde com os vencidos, etc, gostaba de Rosalía e se ria com ‘O Porco de Pé’ de Risco. Nos anos 50 depois do jantar de gala oferescido pela Prefeitura da Crunha saindo Franco ao balcão para ver os fogos artificiais autorizou ao grande mestre e galegista Adolfo Anta Seoane a interpretação do Hino Galego ante os militares e a farándula do movimento; vinte anos depois, já muito velho fechou outro ato, retransmitido em direto a toda Espanha pela TVE 1, em o pavilhão de desporto da Crunha, com o Hino Galego, e se pôs em pé, obrigando a se levantar a militares e concorrentes. O podem imaginar?  O regime proibiu teoricamente o uso do galego, catalão e eusquera. Tinha também um conceito da época da coisa celta como racial .

O filme Raça [ex uma novela escrita por Franco] baseia-se sobre a idéia duma comunidade unida por laços de sangue (as “famílias honoráveis”, que diz a espiã fascista; a “família fidalga” à que alude o guião), na contramão de um baixo povo composto por hordas de duvidosa procedência racial. In Juan Fernández-Mayorales (1997) Do Fascismo ao Anticomunismo. A Evolução do Primeiro Franquismo Através do Cinema,  33 a 40

Por outra parte

As ideias políticas e filosóficas de Franco não eram muito diferentes das do sector mais dereitista do corpo de oficiais do Exército. Era conservador, católico e nacionalista; criação numa política autoritaria […] era pragmático nas suas atitudes políticas… estava decidido a não repetir o que ele mesmo chamou “o erro de Primo de Rivera”: a incapacidade do primeiro dictador espanhol para criar uma nova doutrina e um novo sistema político […] Franco estava convencido de que ele ia jogar um papel providencial na História de Espanha. ex Stanley G. Payne.

Dica XXIV

A COISA CELTA É UMA REALIDADE INSTITUCIONAL

Alheia a vergonzantes manobras políticas a coisa Celta, vigente ainda, é uma realidade institucional à que Galiza pertence.

De pleno direito

   Cláusulas como estas      - que ainda que estão escritas em latín,não pertencem ao sistema xurisdicional latino-, assinalando a permanência do sistema jurisdiccional comum Celta, não a disposição das casas, que evolui com os séculos, proclamam a adscripción de Gallaecia à Civilização Celta comum da Europa, e não uma eiva cultural, a vergonha de uma indigena e indigente cultureta castrejeta ensoñada pelo asno, para vender-nos a ideia da mais suposta que real a superioridade do genocida conquistador, mas não civilizador, olho!.


Estas cláusulas não testemunhas uma eiva cultural, a vergonha duma indigena e indigente cultureta castrejeta ensonhada pelo cipaio ‘despiolhante’ de turno para vender-nos a ideia da mais suposta que real superioridade do genocida conquistador, mas não civilizador. Olho!. Cláusulas como estas [não a disposição das casas que evolui com os séculos], proclamam a adscripção de Gallaecia à Civilização Celta da Europa. Ainda que estão escritas em latín,não pertencem ao sistema xurisdicional latino, assinalam a permanência do comum sistema jurisdiccional Celta.

The public and private Galizan Celtic law, rich and subtle, was maintained until the Middle Ages. Obviously we cannot show here a complex system of co-ownership (= irish fintiu); complex systems of emphyteusis; complex systems of locatio / conductio; complex systems of inheritance; the adoption (fosterage); the familiar Tanisty, etc. In all these aspects it presents a clear conjunction with the law of pre-Norman Ireland.

FOLKLORE DOS CASTROS EM NARÓN

Dantes de entrar a diseccionar este marco institucional Celta, considero de interesse, digámolos assim, deter em alguns detalhes do extraordinário folckore do Concello de Narón

“Diciamos en 1991, 97-113

O CASTRO NO FOLKLORE E OUTRAS COISAS

Pela sua forte personalidade Gallaecia é um caso à parte dentro das sociedades [da antiguidade] da Península Ibérica. Um rasgo que não vai perder ao longo da história e que mantém até hoje. Em qualquer parte da Galiza, desde Vegadeo a Tui, desde os Alpes Ecebrarii (O Cebreiro) a Fisterra, por enzima das nossas cabeças sobresaen os Castros.

Cheio de túneis trampeiros, escondem-se neles para imaginação popular, tesouros sem conto: OURO, a máxima riqueza das sociedades não industrializadas.

No castro de Eiravedra uma senhora contou-me que:

[…] num sítio, onde no ano 53 uns missioneiros, que estiveram no castro 18 dias, levantaram uma cruz visível desde Ferrol, havia uma trave de ouro […] Abria-se uma rocha à beira de uma fonte na que havia uma pessoa que não se via, ninguém se podia lavar ali. Um dia um senhor lavou-se nela e fechou-se a rocha, perdendo-se definitivamente a oportunidade de conseguir o tesouro da cova.

No Castro da Ermida, já desaparecido, conta um vizinho de Pedroso:

[…] havia um baúl de xofre e outro de ouro, mas eu sei de dois que vinham pela noite a cavar no couto já há muitos anos e nunca encontraram nada de nada.

O Castro dá motivo nas longas noites de Inverno a muitas histórias de arrepio e cobiça, histórias em alguns casos mais antigas que o próprio castro. Os velhos e veneráveis contos, ainda escutam-se nos Invernos galegos à beira das lareiras. 


Umas mulheres contaram-nos um conto que com só transtornar os nomes das personagens bem poderia escutar-se na Irlanda. Trata de uma variante da história [contida no Leabhar Buidhe Leacáin (Yellow Book of Lecan) ], de amor do [deus, fillo do Daghda] Midir [‘mouro’ dos Tuatha Dé Danann, senhor e] morador do Sídhe de Brig Leith, uma mámoa Portaalém, em geografía mítica [na chamada Ardagh Mountain, Co. Longford] e a formosa Etain, [uma mortal de sangue real] à que a velha esposa de Midir, poderosa meiga, encanta, amargamente ciumenta da beleza da sua rival, e transforma num estanque do que nasce uma serpe que assobia com tristura, antes de se transformar -investindo sete anos em cada metamorfose- num cuil corcrai pequeno dragão ou mosca de asas púrpuras. É o velho conto indoeuropeo da Bela e a Besta. Que nós ofereceremos em versão ‘culta’.

O historiador ante a coincidência que apresentam nossas lendas galegas com as das ilhas Britânicas, poderia supor esses mitos importados da Irlanda pelos irlandeses inmigrados em grande número ao longo do tempo. Contudo, do Folklore Galego, riquíssimo, desprende-se uma clara referência às mais puras tradições Celtas [de non ser, como agora sabemos, berço de parte delas] sem renunciar à originalidade do nosso repertório dentro do patrimônio comum indo-europeu. Oferecemos aqui uma versão culta do conto popular mantendo todos os elementos estruturais originários:

“Havia uma vez, em tempos dos Mouros, um labrador muito rico que vivia com a sua família ao pé do Castro. Este labrador e a sua mulher andavam em boca dos vizinhos porque eram meigos e faziam dano. Este casal tinha uma filha tão formosa e boa, que todos os rapazes do lugar queriam casar com ela, mas os pais não queriam perdê-la e não a deixavam falar com moços nem sair da casa.

Um dia que os pais estavam na feira, um rapaz que passava por ali, ao vela ficou prendado dela, saudou-a e depois de falar, miraram para ver-se em segredo.  Com o passo do tempo os pais deram-se conta de que a filha andava em amores e muito enfadados fizeram-lhe um encantamento, convertendo-a numa cobra que se foi a agachar numa cova do Castro de Eiravedra.

O moço, ao não ver à rapariga durante dias preocupou-se muito, foi onde os pais e perguntou: – Que lhe fizestes à vossa filha? -Tu saberás de ela!-, responderam-lhe os pais.

O tempo passava e o rapaz buscava em vão à sua namorada. Pelas noites sonhava sempre com uma abatida cobra que assobiava na solidão duma cova. Cada noite repetiam-se os sonhos e um dia o jovem disse-lhe ao seu avô:

– Avô, eu não posso encontrar à minha namorada e acho que os seus pais fizeram-lhe algum dano. Vejo em sonhos cada noite uma cobra no castro de Eiravedra.

– Ben sei que é, -disse o avô-, isto é coisa de meigos, seguro que os pais encantarão à tua moça. Entendo do caso, não te preocupes, vou-te ensinar o que hás de fazer.

Depois de escutar as instruções do seu avô, o moço subiu ao castro de Eiravedra e esperou a cobra diante da cova. Quando a cobra saiu não reconheceu ao jovem e pensando que ia fazer-lhe dano, fixo simulacro de atacar. Este esperou a que acalmasse e depois deu-lhe sete beijos no rabo e desencantou-a. Ao romper o encanto apareceu ante ele, completamente despida, uma formosíssima donzela. O jovem cobriu-a com o seu capote e levou-a a casa dos seus malvados pais.  Ao chegar à porta da casa, berrou lhes até que os pais assomaram à janela.

– Conheceis à vossa filha? –perguntou-lhes o moço. – Esta não é a nossa filha, que a nossa filha está encantada-, responderam eles, e dizendo estas palavras se lhes abriram os olhos, reconheceram à sua filha, e, dando um berro terrível, morreram. Os jovens casaram, tiveram muitos filhos e viveram felizes ao pé do Castro de Eiravedra”.

[Esta lenda por nós recolhida ao pé do castro no ano 1988, é hoje representada cada ano pelos vizinhos no castro de Eiravedra].  André Pena 1991

Tempo depois passando case três anos convivendo intensamente com a extraordinária famosa ilustradora Eva Merlán Bollaín para fazer a Historia Ilustrada de Narón, rematado o trabalho, a animei-a para que recolhendo ela o material tradicional da Terra de Trasancos o ilustrasse com seu fabuloso estilo e poder de re-criação. Julguem vocês o resultado

LENDA DO CASTRO DE EIRAVEDRA POR EVA MERLÁN BOLLAÍN

Assim conta a história a genial ilustradora galega de [A]Mouras, Eva Merlán Bollaín.  I Contam que ao pé do castro de Eiravedra vivia um lavrador rico com a sua dona e uma filha rapariga tão formosa que não parecia deste mundo e que era o cerne do coração dos pais. A menina vivia apartada de todo o trato, que os pais não lhe permitiam falar com ninguém, pois baixo a aparência de labradores eram meigo da raça [leucoderma] dos Mouros. E de nenhuma maneira queriam que a menina se juntasse com a gente comum e muito menos que tivesse amores com um homem mortal.  Uma amanhãcinha cedo, um jovem órfão e pobre da aldeia saiu a experimentar sorte na caça por ver de levar à sua choça algo que comer ele e um seu avô que com ele vivia; chegando à beira da floresta encontrou à menina, que andava a apanhar ervas e flores para a sua mãe fazer mencinhas e feitiços. O jovem saudou com cortesia, que a pobreza não está enfadada com a boa criação. A menina levantou os olhos, e ao vê-lo tão loiro e tão lançal sobre o seu cavalo, esqueceu a proibição dos pais e, sorrindo, respondeu ao saúdo.

Assim narra a história a genial ilustradora galega de [A]Mouras, Eva Merlán Bollaín.
I     Contam que ao pé do castro de Eiravedra vivia um lavrador rico com a sua dona e uma filha rapariga tão formosa que não parecia deste mundo e que era o cerne do coração dos pais. A menina vivia apartada de todo o trato, que os pais não lhe permitiam falar com ninguém, pois baixo a aparência de labradores eram meigo da raça [leucoderma] dos Mouros. E de nenhuma maneira queriam que a menina se juntasse com a gente comum e muito menos que tivesse amores com um homem mortal.

Uma amanhãcinha cedo, um jovem órfão e pobre da aldeia saiu a experimentar sorte na caça por ver de levar à sua choça algo que comer ele e um seu avô que com ele vivia; chegando à beira da floresta encontrou à menina, que andava a apanhar ervas e flores para a sua mãe fazer mencinhas e feitiços. O jovem saudou com cortesia, que a pobreza não está enfadada com a boa criação. A menina levantou os olhos, e ao vê-lo tão loiro e tão lançal sobre o seu cavalo, esqueceu a proibição dos pais e, sorrindo, respondeu ao saúdo. Lenda do Castro de Eiravedra © Eva Merlán Bollaín

II Aconteceu o que tinha que acontecer: os jovenzinhos namoraram-se. Cada manhã eles se encontravam em segredo e apanhados das mãos perdiam na fraga [floresta de carvalhos ou robles], e passavam o tempo fazendo e dizendo todas as coisas que fã e dizem os namorados. Até que, finalmente, passou o que tinha que passar: os pais da menina descobriram os amores e a desobediência da filha. Revestidos do seu verdadeiro aspeto, rodeados de riquezas, escoltados por animais misteriosos, levando nas mãos os mágicos símbolos do seu poder, os pais meigos, chamaram à menina a sua presença.  Enfurecidos, reprovaram-lhe o seu comportamento, assanhados amaldiçoaram-na , com coração endurecido anunciaram-lhe o seu castigo: Convertida em monstruosa cobra, viveria agachada entre as pedras do castro ate o fim dos tempos.

II
Aconteceu o que tinha que acontecer: os jovenzinhos namoraram-se. Cada manhã eles se encontravam em segredo e apanhados das mãos perdiam na fraga [floresta de carvalhos ou robles], e passavam o tempo fazendo e dizendo todas as coisas que fã e dizem os namorados. Até que, finalmente, passou o que tinha que passar: os pais da menina descobriram os amores e a desobediência da filha. Revestidos do seu verdadeiro aspeto, rodeados de riquezas, escoltados por animais misteriosos, levando nas mãos os mágicos símbolos do seu poder, os pais meigos, chamaram à menina a sua presença.

Enfurecidos, reprovaram-lhe o seu comportamento, assanhados amaldiçoaram-na, com coração endurecido anunciaram-lhe o seu castigo: Convertida em monstruosa cobra, viveria agachada entre as pedras do castro ate o fim dos tempos. Lenda do Castro de Eiravedra © Eva Merlán Bollaín

III Um dia trás outro dia o jovem à beira da fraga a esperar à menina. E um dia trás outro regressava triste sem ter visto à sua namorada. Pensou que os pais a encerraram e alporizou-se. Pensou que infirmara e inquietou-se, pensou que morrera e chorou. De longe mirava a casa da menina, até que um dia atreveu-se a perguntar-lhes por ela aos pais, mas eles berraran-lhe e ameaçaram-no, e com maus modos proibiram-lhe voltar a acercar-se por ali. Então começaram os pesadelos; todas as noites, em canto o jovem fechava os olhos, sonhava com uma enorme aterradora serpe que o chamava assobiando tristemente desde a boca de uma caverna. Consumido pela pena de não ver à menina e pelo terror dos seus sonhos, o jovem desmelhorava e se debilitava. Por fim um dia não puído aturar mais e contou-lhe os seus sofrimentos ao avô.  O avô, que sabia por velho quanto o jovem ignorava por novo, escutou atentamente o relato do moço, de primeiras lhe reprendeu um pouco e fez-lhe ver a loucura que era namorar à filha de família tão rica, sendo ele órfão e tão pobre. Mas logo se compadeceu do neto e cavilando, cavilando, achou a explicação do acontecido.

III Um dia trás outro dia o jovem à beira da fraga a esperar à menina. E um dia trás outro regressava triste sem ter visto à sua namorada. Pensou que os pais a encerraram e alporizou-se. Pensou que infirmara e inquietou-se, pensou que morrera e chorou. De longe mirava a casa da menina, até que um dia atreveu-se a perguntar-lhes por ela aos pais, mas eles berraran-lhe e ameaçaram-no, e com maus modos proibiram-lhe voltar a acercar-se por ali.

Então começaram os pesadelos; todas as noites, em canto o jovem fechava os olhos, sonhava com uma enorme aterradora serpe que o chamava assobiando tristemente desde a boca de uma caverna. Consumido pela pena de não ver à menina e pelo terror dos seus sonhos, o jovem desmelhorava e se debilitava. Por fim um dia não puído aturar mais e contou-lhe os seus sofrimentos ao avô. O avô, que sabia por velho quanto o jovem ignorava por novo, escutou atentamente o relato do moço, de primeiras lhe reprendeu um pouco e fez-lhe ver a loucura que era namorar à filha de família tão rica, sendo ele órfão e tão pobre. Mas logo se compadeceu do neto e cavilando, cavilando, achou a explicação do acontecido. Lenda do Castro de Eiravedra © Eva Merlán Bollaín.

IV “Nem perdida nem morta”, disse o avô, “A menina está enfeitiçada. Tens que encontrar uma cova semelhante a dos teus sonhos e aguardar. Quando a cobra saia há de ser valente e lhe dar sete beijos no rabo. Então a menina ficará livre do encantamento”. O jovem buscou e buscou, e por fim deu com um furado em todo igual ao das suas visões, escondido entre ervas e silvas nos muros de Eiravedra. Seguindo o conselho do avô, ficou esperando ao pé do buraco. No raiar do dia sentiu um tristíssimo e arrepiante assobio. Ao pouco assomou pela boca da cova uma serpe gigantesca que avançava metendo e tirando a língua peçonhenta. Aterrorizado, o jovem quis fugir, mas pensou na sua menina e armando-se de valor abraçou ao monstro. Lutando e se revolvendo para escapar dos venenosos colmilhos, conseguiu dar-lhe os sete beijos no rabo. No ponto acalmou-se o furor da cobra. Abriu-se-lhe a pele, e do seu interior saiu a menina completamente despida e ainda mas formosa. O o jovem cobriu-a com a sua camisa e levou-a consigo à casa dos pais. Quando viram à sua filha os meigos deitaram um grito terrível e caíram morridos ao chão. Os namorados casaram e viveram felizes com as riquezas que encontraram na casa da menina.

IV
“Nem perdida nem morta”, disse o avô, “A menina está enfeitiçada. Tens que encontrar uma cova semelhante a dos teus sonhos e aguardar. Quando a cobra saia há de ser valente e lhe dar sete beijos no rabo. Então a menina ficará livre do encantamento”.
O jovem buscou e buscou, e por fim deu com um furado em todo igual ao das suas visões, escondido entre ervas e silvas nos muros de Eiravedra. Seguindo o conselho do avô, ficou esperando ao pé do buraco. No raiar do dia sentiu um tristíssimo e arrepiante assobio.

Ao pouco assomou pela boca da cova uma serpe gigantesca que avançava metendo e tirando a língua peçonhenta. Aterrorizado, o jovem quis fugir, mas pensou na sua menina e armando-se de valor abraçou ao monstro. Lutando e se revolvendo para escapar dos venenosos colmilhos, conseguiu dar-lhe os sete beijos no rabo. No ponto acalmou-se o furor da cobra. Abriu-se-lhe a pele, e do seu interior saiu a menina completamente despida e ainda mas formosa. O o jovem cobriu-a com a sua camisa e levou-a consigo à casa dos pais. Quando viram à sua filha os meigos deitaram um grito terrível e caíram morridos ao chão. Os namorados casaram e viveram felizes com as riquezas que encontraram na casa da menina. Lenda do Castro de Eiravedra © Eva Merlán Bollaín. In Contos de Trasancos. Baseados en lendas de tradición oral. Textos e ilustracións: EVA MERLÁN BOLLAIN.

SERPENTES E DANÇAS DE ESPADAS. A COBRA DO VAL

“No Castro de Vilasuso, X. Carlos Fernández Caínzos recolheu o seguinte relato de um homem de 56 anos: […] diziam que havia uma grande cobra com asas e conchas perto da pena da Molexa […]

Beltaine em Vilasuso. Narón. Eva Merlán

Beltaine em o Castro de Vilasuso. Desenho de Eva Merlán Bollaín asesorada por André Pena Granha para o projeto Caminhos Milenários de O Val, Narón.

Indagando sobre cobras ficamos admirados da resposta da tia bisavó Angelita Pena Galego (então ca. 1990) de 67 anos: As cobras há que matá-las, há que matá-las! Aos sete anos as cobras têm assas e vão para Babilonia, dizendo: “Para Babilonia vou. Maldito seja quem me viu e não me matou” [expressão devedora da atuação da igreja rejeitando as crenças pré cristianas].

De um homem bem conhecido de Pedroso, (isto nos contou, tia Vicenta e tia Guilhermina, da Abarqueira): “O tio Manolo, o da burra [popular nos anos 30 do século próximo passado], uma vez que foi a Abarqueira, encontrou-se com uma cobra numa ponte (ajudou-lhe a um senhor a abrir uma rega de água, tinha os seus dias de rega) e viu à cobra por enzima do monte. Apanhou uma sacha e golpeou à cobra, mas não pôde matá-la; tentou partir à metade com uma fouce mas não pôde cortá-la. Quando estavam na casa, chamaram à porta e se escutou uma voz misteriosa:  -Tio Manolo vai tirar a cobra do rio!-. O Tio Manolo saiu fora e não viu a ninguém. Foi ao rio e tirou a cobra… Pelo que pudesse passar… Em Vilasuso explicaram-nos que a cobra vinha da praia da Lopesa, e ia sob terra até a casa do Martuxo e ali fazia uma roda com o seu corpo, como uma espécie de dança, e a gente fugiam assustadas. Mas “era uma serpe boinha que não lhe fazia dano a ninguém”. É esta uma alusão às soadas danças de espadas do Corpus, celebradas muito especialmente na Galiza marinheira”. Pena 1991, 98-99

 Este extraordinário  vídeo, em You Toube foi realizado por José Angel Rodríguez González. Reproduzimo-lo, pelo, seu interesse como documento científico.  Aqui segundo viu-o o autor, Andrés Pena, cruzam-se duas tradições diferentes, por um lado a que representa o dance, simulando psvlm. os danzantes uma nave com sua tripulação, encenam a chegada de um barco pirata micénico com um ketos “mascarón” de proa representando um dragão ou serpente, à costa galega; a fugida da população (as penlas), e a posterior rejeição da invação

<em>Detalhe da Celebração da </em>Beltaine<em> ou  1º de Maio, no Castro de Baronha. Dança de espadas do </em>corio<em> mozos em idade militar do Castro, fechando o "Ciclo [de expulsão] do Inverno" (encarnado na Coca ou Tarasca) . Por Carlos Alfonzo (ex A. Pena) © Carlos Alfonzo. A festa transladou-se ao </em>Corpus<em> no presente cristão. É Cristo, a Luz do Mundo o que expulsa as forças do frio e a escuridão.</em>

Detalhe da Celebração da Beltaine ou 1º de Maio, no Castro de Baronha. Dança de espadas do corio moços em idade militar do Castro, fechando o “Ciclo [de expulsão] do Inverno”, encarnado na Coca ou Tarasca. Por Carlos Alfonzo (ex A. Pena) © Carlos Alfonzo. A festa transladou-se ao Corpus no presente cristão. É Cristo, a Luz do Mundo o que expulsa as forças do frio e a escuridão.

[Estas dánzas de espadas, são o eco vivo, a meu modo de ver, da sobredita invasão e re-embarque dos invasores micénicos por um lado; e pelo outro, inserindo-se o dragon no próprio tema do Corpus, porque sobretudo -entre o que é lícito contar-, se entremeteu a velha celebração Celta levada à cena de expulsão do inverno, da obscuridad e da noite, pela força e pujanza da Luz do Sol, com a força e pujanza da Luz do Mundo, representada por Cristo Rei e a , que herdou, sem o saber o tema de Dis Pater ou San Jorge, etc, isto é o tema do cavaleiro da luz, que vence ao dragão, trasunto do inverno, do frio invernal, da escuridão e da noite. Como demonstrei se cruzaram seguramente duas tradições com sendos dragões com a sacramental festa do Corpus Christi, o tema eucarístico levado à cena;  e a Igreja Católica, aproveitando a beleza didática de ambas tradiçõés as integrou magistralmente para festejar o triunfo da Luz, do bem sobre o mau, o triunfo de Cristo sobre as trevas e a morte, porque o Passado dá sabor ao presente. Amen. Amen.]

Comentário da Coca ou Tarasca do desenho Maios do Castro de Vilasuso de Eva Merlán. Narón 2000.

Comentários a cena da Coca ou Tarasca, do desenho ‘Maios do Castro de Vilasuso’ de Eva Merlán. Narón 2000.

[Da] festa da Cobra, da Coca ou da Tarasca […] só nos fica um complicado baile; [penso que] as suas origens, talvez se remontem à Idade do Bronze, [e mesmo poderiam ter ecos de uma invasão de povos do mar, os Saefes (os da serpe), de procedência mediterrânea […] que levavam uma serpe [ou ketos, “dragão”] no “mascarão de proa” das suas naves. A história da cobra de asas e conchas (do Castro de Vilasuso) faz parte dum extenso conto do que não conseguimos por enquanto, mais que fragmentos isolados. In A. Pena 1991, 70ss e também, Narón I (re-ed 2010) 110 ss

A LENDA DA PENA LOPESA

Lenda da Pena Lopesa. O Val, Narón; por Carlos Alfonzo © Carlos Alfonzo. Ex Caminhos Milenários

Lenda da Pena Lopesa. O Val, Narón; por Carlos Alfonzo © Carlos Alfonzo. Ex Caminhos Milenários. A história da cobra de asas e conchas que marchava do Castro de Vilasuso ao castro da Lopesa faz parte dum extenso conto do que não conseguimos por enquanto, mais que fragmentos isolados do contexto geral. Na pena da Lopesa, à que só se pode aceder atualmente com a maré baixa, vivia um rei que passava os montes de Vilarquinte através de uma ponte levadiça. Este rei para confundir aos inimigos que o queriam matar, mudava as ferraduras da sua egua e nunca sabiam se [o rei] vinha da Lopesa a Vilarquinte ou se ia para a Pena desde os montes. No alto da Lopesa, hoje case uma ilha face ao mar aberto, encontramos muita cerâmica da Idade do ferro, que o vento e a água deixaram ao descoberto e fusaiolas, e foi graças ao folclore de Vilasuso que pudemos encontrar o espólio arqueológico na Pena Lopesa: um castro desfeito pelo mar. in  Hª de Narón Vol I (re-ed), 220 a 231

LEGEND OF THE LOPESA’S CRAG

Costa Valexa. Narón

The Val is the only parish in Narón with a view of the Atlantic. And that’s a view!

At the northernmost point of this high and isolated coast, the Pena Lopesa stands above the swirling waters, a rocky escarpment like spindle, battered by the waves.

Pena Lopesa. O Val. Narón. Caminhos Milenários

Another great fissure separated the Pena Lopesa from the Vilarquinte hills, forming a peninsula through the collapse of a cliff with inaccessible vertical walls over 300 feet high.

A Lopesa is one of the hundreds of Atlantic Iron Age forts “castros” destroyed by the forces of the sea in the European headlands, of which the mariners tell traditional tales around Galician dining tables during the long winter nights.

Caminhos Milenários. Costa de O Val. Narón

At the Pena Lopesa [pena is a Galician Celtic word penn meaning “head”, and “rock”, because rocks are like heads, rising on earth], in the times of those wonderful, light-skinned elfin beings from Galician mythology, the Mouros, a powerful king guarded a fabulous treasure.

The king would go hunting in the woods of Vilarquinte, laying down a drawbridge an reversing his horse’s horseshoes to fool his enemies, nefarious kings who sought to rob him of his treasure.

One day those kings gathered a great army, camping out on the woods in front of Lopesa. After years of siege, and on the verge of surrender because of hunger, the Mouro King cleverly threw his last bushel of wheat to the birds. Seeing this, the besiegers lifted their barricades and marched away, convinced that the [*O]Mouro had an abundance of food to last for years.

Pena Lopesa

VERSÃO DE EVA MERLÁN BOLLAÍN DA LENDA DA PENA LOPESA

Mouros. Eva Merlán  Bollaín. Contos de Trasancos (2000) © Eva Merlán Bollaín. Frente da escarpada ribeira do mar entre O Vale e Vilarquinte há uma ilhota inçada de restos castrejos: A Pena Lopesa, quando baixa a maré é possível chegar enxuto até o castro, sempre que um se atreva a baixar pelo cantil à praia e subir logo à cimeira da pena: trabalho mais bem singelo para os pássaros que para a gente. Contam que na Lopesa havia um castelo e que no castelo vivia um rei [dos mouros] que guardava um riquíssimo tesouro. Quando a sua ilha se lhe fazia pequena, o rei cruzava a terra por uma ponte levadiça que podia pôr e tirar a sua vontade, e passava o dia alegremente cavalgando e caçando pelos montes até a caída do sol. Então voltava ao seu castelo pela mesma ponte maravilhosa. A fama do rei e das suas riquezas se estendeu com o tempo por todas as terras vizinhas. Um dia, movidos pela inveja e a cobiça, o senhores destas terras conjuraram-se para matar ao rei e se apoderar do seu tesouro.

Mouros. Eva Merlán Bollaín. Contos de Trasancos (2000) © Eva Merlán Bollaín. I Frente da escarpada ribeira do mar entre O Val e Vilarquinte [Narón] há uma ilhota inçada de restos castrejos: A Pena Lopesa, quando baixa a maré é possível chegar enxuto até o castro, sempre que um se atreva a baixar pelo cantil à praia e subir logo à cimeira da pena: trabalho mais bem singelo para os pássaros que para a gente.

Contam que na Lopesa havia um castelo e que no castelo vivia um rei que guardava um riquíssimo tesouro. Quando a sua ilha se lhe fazia pequena, o rei cruzava a terra por uma ponte levadiça que podia pôr e tirar a sua vontade, e passava o dia alegremente cavalgando e caçando pelos montes até a caída do sol. Então voltava ao seu castelo pela mesma ponte maravilhosa.

A fama do rei e das suas riquezas se estendeu com o tempo por todas as terras vizinhas. Um dia, movidos pela inveja e a cobiça, o senhores destas terras conjuraram-se para matar ao rei e se apoderar do seu tesouro.

Mouros.  Contos de Trasancos (2000) © Eva Merlán Bollaín.

Mouros. Contos de Trasancos (2000) © Eva Merlán Bollaín.  II Defendido pelas triples muralhas, as rochas e o mar, o rei resultava inalcanzavel no seu ninho da Lopesa. Os conjurados decidiram que cumpria o aprisionar fora do castelo, quando andasse a caçar nos montes, e apostaram guardas na ribeira para vigiarem os seus movimentos. Mas o rei, conhecendo-lhes os intuitos malvados, cruzava nas noites mais escuras pela ponte secreta, e os vigias nunca alcançavam vê-lo entrar ou sair da pena. Os conjurados mandaram então guerreiros que o buscassem seguindo as pegadas do seu cavalo. Mas o rei, antecipando aos pensamentos dos seus inimigos, calçava o cavalo com ferraduras viradas do revés, de maneira que quando parecia ir, volvia, e quando parecia chegar marchava. E burlava com este engano aos seus peseguidores.

Uma noite o rei entretívose demais na Caça, e quando quis regressar já clareaba. As sentinela que vigiavam a Lopesa viram-no passar ao longe galopando. Sairon trás dele e trataram de alcançá-lo com as suas armas, sin conseguí-lo. O rei escapou, mas os guardas já sabiam que estava na ilha.

Mouros. Contos de Trasancos. © Eva Merlán

III Sabedores os conjurados de que o rei estava no Castelo, acudiram com os seus exércitos e puseram-lhe cerco para rendê-lo por fome. Nasceram e devalaron muitas luas, mas o rei não só se rendia, sinon que do alto dos muros fazia zomba dos seus sitiadores porque nas suas adegas amoreábanse a cerveza e o grão, e a carne da caça que ele fora acarrexando nas suas idas e voltas à ilha.
Passaram as estações e voltou a Primavera. Os conjurados teimaban em matar ao rei e roubar-lhe o tesouro. E seguiam aguardando acampados fronte a Lopesa.

Chegou um dia em que o rei viu que não lhe ficava mais que um saco de milho miudo: encheu um caldeiro e subiu às muralhas onde os guerreiros pudessem vê-lo bem. Passou a manhã chamado aos pássaros e ceibando presadas de grão no ar. Assim fixo durante muitos dias, zombando-se mais que nunca dos seus inimigos. Quando guindaba no ar o derrradeiro grão de de milho e se dispunha a morrer, o rei viu como os sitiadores se retiravam. Os conjurados, espantados primeiro e atemorizados depois pelo comportamento do rei, chegaram a achar que era um mouro poderoso e que que os seus feitiços seria quem de resistir eternamente o assédio. Então levantaram o cerco e marcharam e nunca mais ousaram atacar Pena Lopesa. © Eva Merlán Bollaín (2000). Contos de Trasancos. Concello de Narón Ed.

  WOLF’S CRAG (SCOTLAND) AND PENA LOPESA (GALIZA). WE HAVE TWO ROCKS, WITH THE SAME NAME AND THE SAME FOLKLORE? WHAT A COINCIDENCE! 

WOLF’S CRAG

Wolf's Crag (Scotland) & Pena Lopesa (Narón)

Wolf’s Crag (Scotland) & Pena Lopesa (Narón)

The imaginary castle of Wolf’s Crag has been identified by some lover of locality with that of Fast Castle. The Author is not competent to judge of the resemblance betwixt the real imaginary scenes, having never seen Fast Castle except from the sea. But fortalices of this description are found occupying, like ospreys’ nest, projecting rocks, or promontories, in many parts of the eastern coast of Scotland, and the position of Fast Castle seems certainly to resemble that of Wolf’s Crag as much as any other, while its vicinity to the mountain ridge of Lammermoor renders the assimilation a probable one”. Walter Scott  Bride of Lammermoor.

The Lammermuir Hills are a range of moors which divide East Lothian to the north from Berwickshire in the Scottish Borders to the south. The fictional castle “Wolf’s Crag” has been identified with Fast Castleon the Berwickshire coast. [Sir Walter] Scott stated that he was “not competent to judge of the resemblance… having never seen Fast Castle except from the sea.” He did approve of the comparison, writing that the situation of Fast Castle “seems certainly to resemble that of Wolf’s Crag as much as any other”>> Wikipedia, sub vocabulo The Bride of Lammermoor  published in 1819.

PENA LOPESA

Pena Lopesa O Val, Narón

Vasco d’Aponte assinala em a Idade Meia uma lenda que lhe vai muito bem à Pena Lopesa, idêntica a escutada por Sir Walter Scott em Lothiam, como agora veremos.

A escarpada Pena Lopesa, metida no mar, se corresponde com os restos dum castro esborralhado -onde encontramos, entre cerâmica da Idade do Ferro, anacos duma olinha vidrada, medieval-, é foi também Fortaleza de dom Lopo de Lago [Lopo “lobo”, Lago é gentilício da velha linhagem tomado dum topônimo local muito freqüente em Galicia [latín lacus = burato, fosa, tumba e celta antigo comum, loco; em dat. s. Locobo; ].

Castro da Pena Lopesa ou Torre de Lopo de Lago. Caminhos Milenarios O Val. Narón

Castro da Pena Lopesa ou Torre de Lopo de Lago. Caminhos Milenarios O Val. Narón

Assim D’Aponte ao começar o segundo terço do século XVI no “Reconto das casas antigas do Reino da Galiza” anota

‘AY UNA FORTALEZA METIDA EN LA MAR MUY ACERCA DE LA TERRA’

 “Después […] se quenta la de Lago por muy antigua. Diçen que salieron de Françia y por venir de alta sangre, que havía hombres de Don; y créolo porque ay una fortaleza metida en la mar, solar antiguo desta casa, muy acerca de la terra, la cual se llama oi en dia la peña de don Lope”. Narón II (1992),  384, 385

Armeria dos Lago , desenho segundo o Livro do Garda Moor. Torre do Tombo

Armeria dos Lago , desenho segundo o Livro do Garda Moor. Torre do Tombo

D’Aponte sustém que nesta fortaleza Gil Pérez de Lago “Esto sería na Era (psv. error por a. D.) de mil y tresçientos y quarenta o cinquenta años”, matou á mulher propiciando a ruína da casa a meados do século XIV

“Este Gil Pérez de Lago en este tiempo, no se por qué caso, mató a su muger; por lo cual perdió sus tierras y señoríos, y de allí quedó la casa baxada; y perdió el apellido, aunque aún tienen las armas”  Narón II (1992), 370; 384, 385

WOLF’S CRAG

From the times when the ocean’s roar announced to travelers its collision with the cliff, on whose summit hangs its nest, like those of the seagulls, the founder of the fortress […] called Castle of Wolf’s Crag, solitary and naked. It is situated on a rock rising out of the northern sea. On three sides, the rocks are inaccessible. On the fourth, from the land, the entrance was protected in ancient times by means of a moat and a drawbridge.

The imaginary castle of Wolf’s Crag has been identified by some lover of locality with that of Fast Castle. The Author is not competent to judge of the resemblance betwixt the real imaginary scenes, having never seen Fast Castle except from the sea. But fortalices of this description are found occupying, like ospreys’ nest, projecting rocks, or promontories, in many parts of the eastern coast of Scotland, and the position of Fast Castle seems certainly to resemble that of Wolf’s Crag as much as any other, while its vicinity to the mountain ridge of Lammermoor renders the assimilation a probable one”. Walter Scott Bride of Lammermoor.

Wolf's Crag. Scotland

FAST CASTLE OR WOLF’S CRAG CASTLE. ‘I resided for two or three days at a farmhouse in the neighborhood, where the aged goodwife was well acquainted with the history of the castle, and the events which had taken place in it. One of these was of a nature so interesting and singular, that my attention was divided between my wish to draw the old ruins in landscape, and to represent, in a history-piece, the singular events which have taken place in it. Here are my notes of the tale […]
[…] My friend, Mr. Sharpe, gives another edition of the tale. According to his information, it was the bridegroom who wounded the bride. The marriage, according to this account, had been against her mother’s inclination, who had given her consent in these ominous words: “Weel, you may marry him, but sair shall your repent it.”

Compartilhando as duas rochas, paralelas histórias, comum nome (Pena Lopesa e Wolf’s Crag), comum -diríamos hoje- violência de gênero, comum destruição e decadência da Casa…a rocha escocesa inspirou uma grande novela de Sir Walter Scott e várias óperas.

Caminhos Milenários

Nós, por agora recolhemos, estudamos e publicamos a história da Lopesa  Narón II (1992), 370; 384, 385, ilustrada depois por Eva Merlán em Contos de Trasancos e por Carlos Alfonzo para Caminhos Milenários.

E com o coro dos cantiles mais selvagens e belos da Europa elaboramos em Narón a Sinfonía da Natureza. O diretor é o Caminho Milenário, intérprete o esplendente mar.

Os instrumentos põem-nos vocês.

BELLATORES, ORATORES, LABORATORES

Desenho de Carlos Alfonzo (ex A. Pena) © Carlos Alfonzo.Oratores Bellatores Laboratores

“Acarreando en nuestra Arqueología Institucional un pesado fardo de acabadas instituciones, las trebas o toudos, inmenso mosaico de la Europa Céltica: Brigantini, Nemetati, Belgae, Attributi /Contributi, Contrebiae… etc, etc.,podrían compartir algo más que una común denominación en la antigua lengua. Comparten  tres grados u ordines: bellatores, oratores, laboratores tripartición presente en la Vieja Europa hasta (pasando por la Edad Media), el final del Antiguo Régimen” [Pena Graña 2011]

BELLATORES

Caesar BG VI, 13  clase representada de abajo a arriba, por la legítima línea nunca interrumpida [progenie Melusínica ocasionalmente remontable al Neolítico] de Reges de Terra, de Principes de Terra, del rí túath, “rey del estado, treba o territorio”, ora rigiendo la célula del estado treba, toudo o túath; ora rigiendo confederaciones similares a los condados medievales attrebates, “agregación de trebas” por voluntaria atribución; at/tributi; o  por obligada contribución, con/tributi.

ATREBATES ex WIKIPEDIA sub vocabulo "Atrebates"

At/tribuere consiste (Pena 1991)por parte del conquistador en atribuír ,“juntar tribus”, trebas o Territorios Políticos tal vez hostiles o sospechosos a los ojos de Roma y entregarlas o aponerlas a civitates de confianza y a sus príncipes clientes afectos.
Con/tribuere, otra palabra que fue probablemente el origen de la hispana Con/trebia -y acaso de lagalesa can/tref, (Pena 1991)aunque esto último con alguna reserva pues la etimología hace sin embargo derivar can/tref de cen “cien”, y tref, “Casa” (psb. similar al cenfogos gallego)- y su homónimo latino contributus, podría, por el contrario, indicar el curso de otro tipo de dependencia dentro de la dinámica interna de las comunidades, una verdadera encomienda -lo que en Irlanda se llamaban aitech-túatha “gentes vasallas” de los fortúatha “principadosdependientes”- determinada ésta quizás por la demanda por parte de la comunidad débil de protección y por la seguridad brindada a la treba o toudo encomendada por la poderosa treba receptora. Los fortúatha o contributi nacen ora por concesión al apremio del más fuerte de los más pequeños o pusilánimes, ora viablemente – como así nacieron también muchos estados modernos europeos- por una patrimonial concentración en la tanistry derivada de los enlaces y alianzas matrimoniales entre los terratenientes príncipes, herederos de Territorios vecinos, adfines.
Las tribus Ibéricas, confirman nuestro aserto informándonos César como estas, noticiosas de la victoria naval ante Marsella de Décimo Bruto, se le allegaron masivamente: Interim Oscenses et Calagurritani, qui erant cum Oscensibus Contributi, mittunt ad eum (Caesar) legatos seseque imperata facturos pollicentur [Caesar: De Bello Civili I, 60]. Los más madrugadores, los Calagurritani, Loarre al Norte de Huesca, estaban vinculados como contributi (= Contrebia = cantref) con los Oscenses, habitantes de Osca, hoy Huesca). Posiblemente este vínculo se habría celebrado y escenificado en el seno de alguna de las feis, “ferias o asambleas”, que conocemos en el Noroeste, en la Gallaecia, con el nombre de Oenach / Forum, sacrificándose en estas ocasiones quizás los caballos, como sucede con los cántabros [Horacio Carm. III, 4, 34; Silio Itálico, III, 361], no excluyéndose junto al sacrificio de caballos la ejecución de algunos proditores, como la probada en Bletisama, “Ledesma” [ Livio: Per. 48] y el sacrificio de puercos, forma que adopta la tessera hospitalis del año 14 de Herrera del Pisuerga [A. Garcia Bellido: “Tessera hospitalis del año de la era hallada en Herrera del Pisuerga BRAH 69].
A menudo vemos representarse estas encomiendas feudovasalláticas en los hospitia celtibéricos junto a la expresiva forma del sacrificial puerco, también en forma del explícito “apretón de manos” representando, no ciertamente el saludo equipolente al que hoy acostumbramos, sino la expresión del cierre de un acuerdo o trato entre un patrón y un cliente, la expresión de la consumación de la clientela, la expresión plástica de la dependencia, del vínculo y el vasallaje, de la protección, fides patroni, dispensada por el dominus al cliens, reflejando la institución de la encomienda que aún nos recuerda la popular expresión “estar en buenas manos”, y en un gesto expresivo que pervivió en la plástica feudal de la Edad Media.Mediante estos antiguos pactos de hospitalidad, a través de una especie de adopción, como hombres “libres” pero sometidos a la jurisdicción de un patronus, liberi = “hijos legítimos” en un sentido equivalente a los etera etruscos o a los ambactisatellites” celtas, los sometidos, los in fidem acceptos, entraban en la familia del patronus.

Existió como en Irlanda en Gallaecia un Rey al frente de la treba, conservándose todavía a comienzos del siglo XIII cuando en las cláusulas cronológicas de un diploma, tras el Rey de Galicia, confirma Pedro Arteiro como “Rex de [la Terra de] Melide”

Regnante rege A[defonso] in Legione et in Asturiis et in Gallaecia. Gundissalvo Nunit tenente Monte Roso et medio de Transtamar. Petro Suarii archiepiscopo […] Petrus Arteiru Rex de Milide. 16 de Agosto de 1205. Loscertales de Valdeavellano, P (1976) T. II Sobrado dos Monxes, fol. 62 v.

[aunque en este periodo los señores de terras o territorios se denominan principes o imperantes (a, 40-45; b 40-41; m, 263-283)].

IKURIO

Ikurio <Ikurigo ou Brennos, “General” celtogalaico com possível lorica squamata galega reconstruida por Carlos Alfonzo. Desenho de Carlos Alfonzo assesorado por A. Pena. (c) Carlos Alfonzo. A voz aparece em uma das claúsulas da lousa da Villa galaico-romana de Nobille [Nobilius], Mugardos, Terra de Bezoucos. Excavada por Fermín Pérez Losada, nos anos 1988 e 1989: IKEOTO-NEQVAM CCCV IKV[r]/IO-NEQVAM L […] texto “cecais em nexo com signos que poideran ser numerais” – observa o descubridor da lousa Fermín Pérez interpretando a cláusula e o epígrafe máxicamente- “como um desexo de maldição para estes dous personaxes Ikeoto e Iku[r]io” Inserida a clausula de caracter contable e administrativo da villa com outros epígrafes do mesmo tenor, na placa que Fermín, catalogou com precipitação ’em o contexto das coticulae, como losetas para preparar medicamentos’ e interpretou, obscura per obscuriora, como texto “profilático ou terapêutico, o qual” -diz ele- “nos ajudaria a compreender o por que de que se tivesse escolhido um elemento instrumental médico como base”. Mas dito elemento, como sinalei hai máis de vinte anos, similar as ‘pizarras’ empregadas para escrever có ‘pizarrinho” pelos nenos galegos nas escolas ata finais dá segunda metade dos anos 50 do século passado- contendo outros rexistros e cláusulas de tipo econômico por min estudadas noutro lugar, não é unha coticula. O texto acima reproduzido não é máxico, sinala, seguramente, o prezo, expressado com numerais, de compra ou venda de dois cabalos para um nobre provincial, non provinciano (Nobilius?), o senhor provincial, não provinciano, galaico -romano dá villa eponima. Sen dúbida sub uocabulo IKURIO “Rei de Cabalos” poderiamos aludir ao proprietário um Brennos ou Xeral da cavaleiria [Capitão de Cavalos era Alonso Pita da Veiga] da treba de, ou dos, *Besoncos, “Bezoucos”; mas tambén poderiamos aludir ao nome do prezado animal.

Sin embargo hasta hoy, el registro epigráfico latino de Gallaecia no recoge reges, sino principes acaso por el conocido rechazo de Roma a esta institución: NICER CLUTOSI PRINCIPIS ALBIONUM); (VE)CIUS VEROBLI F(ILIUS) PRINCEPS [COPORUM], psb. CAISAROS CIICCIQ PR. ARGAILO [Caisaros Ceccig(um?) Pr(inceps?) Arcailo(rum)] en la segunda de las téseras de Paredes de Nava (S. I dC), del Museo de Palencia.

ríg, princeps

“Conocemos a un príncipe: ‘Nicer Clutosi, del castro Cariaca, [ de la casa ] del príncipe de los Albiones‘, por un epígrafe de Vegadeo [AE 1946, 00121], podemos afirmar que al frente de la ciuitas está un noble o princeps, título del cargo que emplea el señor o principe del territorio hasta el siglo XII tal y como muestran los diplomas medievales” (Pena a, 115-6 ; c, 32-45; b, 54-56; g, 37-76) . Sostuvimos también: “Estamos en condiciones de poder afirmar que el la Gallaecia antigua un rey, cuya figura permanecería fosilizada en la Terra de Melide aún a comienzos del siglo XIII cuando un noble gallego, Petrus Arteiru, en las cláusulas cronológicas confirma un diploma tras el Rey de Galicia y de León como Rex de Milide [año 1205, agosto 16. in Pilar de Loscertales de Valdeavellano (1976) AHN TII Sobrado f 62v.], ejerce la soberanía sobre un Territorio Político autónomo llamado en lengua prerromana treba o toudo (= teuta), aunque en el registro epigráfico latino de tiempo de la dominación romana, por el rechazo a esta institución, no aparezcan los grandes señores ya como reyes (reges) sino como principes: Nicer Clutosi […] [en g. de s.] Principis Albionum (Procedente de A Corredoira. Vegadeo. AE 1946, 121, ERA 14); Caisarus Ceccig(um) Pr(inceps?) Arcailo(rum); (Ve)cius Verobli f. Princeps (Coporum) [CIL 02, 02585, Lugo] . […] conserva[rí]an al menos en ciertos casos, el título de corono (de corio, “tropa”; –no, “señor”, “jefe de tropas”) –similar al de [princeps, o de ] imperante, “jefe del ejército”, del territorio político medieval-. En Coroneri Camali Domvs. / En este contexto sería aventurado traducir el precedente escrito como «Casa del Coronel de Camalo» cuando el epígrafe nos indica la mansión del hijo de Camalo, llamado Coronero, un antropónimo de prestigio similar al Coronos (Ili. II 745) y al Teutamos (Ili.. II 834) de la Ilíada (préstamo céltico al griego arcaico), o al Ambactus peninsular[de donde viene nuestro actual Embajador (Ambassador)], señalando el epígrafe sobre un dintel profusamente decorado, tanto el palacio, verdadera domus regia, cuanto la condición de espacio central o capital del Territorio Político de la citania y oppidum de Briteiros –Todavía en las cláusulas cronológicas de estos diplomas y cartas [ …], y así hasta las postrimerías del siglo XII […] los condes gallegos, [conservando] los títulos y los mismos territorios (trebas) heredados de la Edad del Hierro, [aparecen] mencionados en sus territorios patrimoniales como principes o imperantes de la terra o Territorio Político. Además del ejercicio de una plena jurisdicción […] tienen en estas comarcas designadas como terrae, terras, territorios [en realidad, nunca, o casi nunca, se emplea el pl. n. territoria], funcionarios territoriales llamados uicarii – un uicarius terrae/e, o de terra y un maiorinus de terra/e, así como una numerosa corte, aula comitis, de pequeños hidalgos locales (milites, satellites, infanzones) a los que […] instalan en uillae (uillae quae ego dabo ad meos infanzones) escuetos espacios jurisdiccionales donde esta […] hidalguía, […] base de la caballería del Princeps de Terra, tiene bajo su jurisdicción como infantería personal a campesinos [propietarios de la pareja de bueyes y de tierras, base del estatus legal de hombres libres], percibiendo a un tiempo de estos últimos, ya directamente, ya a través de un administrador o uillicus, tasas jurisdiccionales y rentas [derivados del ejercicio de la jurisdicción] […] al ser la uilla, como espacio jurisdiccional demarcado, un bien indivisible (pro indiviso) del que la unidad de parentesco es mancomunadamente copropietaria (como en el fintiu irlandés)>>. Este sistema, como he descubierto en este estudio de larga duración,  es común a todo el mundo céltico,  por las razones que expondremos más abajo (Pena i, 38-39). Once años después esta trillada materia  nuestra resultaba toda una novedad para un sorprendido [no más que nosotros] García Quintela: “Existe una pequeña serie de epígrafes latinos del Noroeste de Hispania que reflejan la presencia de principes con nombres indígenas y en un contexto muy poco romanizado” García Quintela, M. V. (2002) TAPA 28 p 33.  ¡vaites, vaites!

En las cláusulas de los diplomas medievales en pergamino, el cabeza de cada principesco clan, casa o familia nobiliar gallega, (= tánaiste irlandés, tànaiste escocés, tanistagh, en Man, del gaélico tana “Señoría, Autoridad”) retiene todavía hasta el final del siglo XII y comienzos del XIII el título de principis de terra (= treba, toudo, ciuitas, populus), y, como vimos, la posesión de esta, con la misma extensión territorial y limites que en la Edad del Hierro (a, 146-150; m 210-235, 248-267).

Rex de Milide e Principes de Terra (Pena 1992)

Rex de Milide e Principes de Terra (Pena 1992)

FIR COIRI OU PENA CALDARIA DIREITO COMUM CELTOATLÁNTICO

Esta ilustração do Pleito Liuva-Antino, famoso caso dos anos centrais da Idade Média, realizada por Eva Merlán baixo minha direção para Narón, unha História Ilustrada na Terra de Trasancos [1ª ed. maio 1995; 2ª ed. Maio 2009, p 50. E. Merlán; A. Pena; A. Filgueira, autores. Concello de Narón Editor], mostra a aplicação segundo o universal direito Celta do FIR COIRI ou PENA CALDARIA no Monasterio de Juvia, Concello de Narón no dia 1º de Agosto de 1069, revelando a injustiça e a opresión exercida “pela cara bonita (sic)” dos poderosos .

FIR COIRI O PENA CALDARIA DERECHO COMÚN CELTOATLÁNTICO POR EVA MERLÁN asesorada por A. PENA


FIR COIRI OU PENA CALDAR. DEREITO COMUM CELTOATLÁNTICO Tratei no II volume da História de Narón do abuso contra Liuva, rico proprietário [de classe némita ‘sagrada’, nobilis], ao falar do casal (II 202-214), e ocupei-me também do caso (II, 209-214) examinando sub epígrafe ‘FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS’ diversas espécies de pressão legal e mezquindades a fazendados do mosteiro de Juvia.
Liuva era dono de um pomar em ‘A Macinheira’ e outras heredades na Gatoira (Gatão) (144-149), lugar próximo do monasterio de S. Martinho, panteón dos Petriz [prosápia dos condes de Trava e Trastámara]. Ambicionando o abade e os monges de San Martinho de Juvia as maçãs, ou a sidra, falsificarão um documento notarial -segundo o qual Dona Aragunta as teria doado num testamento ao mosteiro- demandando a Liuva. Nasce assim um litigio que nossos diplomas nomeiam intentio [Orta est intentio…] com voz prestada do direito privado romano nascida segundo D’ors [Direito Privado Romano 1983, 119 e 120] “das ações encaminhadas a dividir uma coisa comum”, onde o juiz supostamente “não se limita a condenar ao pagamento duma determinada quantidade de dinheiro, senão que deve produzir uma divisão ou partilha entre os litigantes. O direito pretendido pelo demandante se substância naquela cláusula da que se chama intentio”. Mas que em realidade aplica o Direito Celta, a consuetam rationem da Terra de Trasancos, vigente -como hoje o Direito Canónico na Igreja Católica – em todo o Atlântico e na Europa Celta continental -compilado para Irlanda em 1978 de várias fontes por Binchy: Collectio Canonum Hibernensis (c. 720); ou a (Consueta Ratio Maior) Senchas Már “Grande Tradição” (ca 730) . Cópia do século XIII. A.H.N., Cód. 1047 B [= 1041B em 1992], n. 69 fol. 15 fol. 15 v. regras 13 a 41, e 16 r., regras 1 a 6. Ofereço minha lectio directa de 1992 já que a transcripción de Montero Díaz (ob. cit. Doc. IV, pág. 59 e 60) apresenta alguma deturpación e saltos de regras grandes (por exemplo as núm. 27 e 28). In Era ICVII et quot Kalendas Auggusti. Orta fuit intento inter Antinus abba et fratres sancti Martini, et Liuva super hereditates et pumares de monasterio sancti Martini. Intendentes et contendentes unus con alios, Antinus abba et Liuva ic in monasterio Sancti Martini, ante dominus noster et iudex, et alii multorum proli bene natorum, dicentel ille abba et fratres monasterii ad Liuba pro hereditate que tenebat de Gataon, que est testata de monasterio cum suas adjuntiones et suos pumares : “tercia portione integra quantum me compotet inter meos germanos uel heredes”. Et testabit ipsas hereditates et ipso Kasale cum suas adjunciones ad ipso monasterio sancto Martino domina Aragunti, per sua anima, de Gatone quod superius nominabimus. Et est ipsa villa et pumare Territorio Trasanquos, villa quos vocitant Neixa, in loquo predicto, inter Kasa de Eika Duminizi, et de ipse Liuva, et vocitant ibi Kasale de Gaton prope rivulo que discurre sico pro ad Superato et intra ibi in llomare discurrentes ad monasterio sancti Martini. Dicente in concilio ille abba domino Antino et frates ipsius monasterio ad Liuva quos tenebat subcitatas hereditates et pumares de Sancto Martino et de suos testamentos ibidem in ipsa villa de Neixa, respondente Liuva a ipso abbate et fratres quia tenebat sua veritas, et non de sancto Martino, et dicebat mentira supposita et pro tali actio devenerunt inde in concilio ille abba ab aralia et ad iudicio ante domino nostro et iudex froila Vermudiz, et alii multorum, et elegerunt et iudicaverunt hic in sancto Martino, pro ipsas hereditates pro ipsos pumares de ipso monasterio que iurasse Liuva pro se cum duas testimonias, et eleccisse de pena caldaria pro ipsas hereditates et pumares de Gatone que mitebat in contensa quia non erant testatas in monasterio Sancto Martini, nec non erat sua veritas et pro alias hereditates et testaciones ipsius monasterii que non celabat de illas nec celasset et iurasset ille cum una testimonia et si eixise illa penam ostulata, que pariasset illas hereditates et illos pumares qua modo lex et iudices hordinassent pro veritate, et timente Liuva penam, et parit et cognovit se in veritate, et fabulabat cum homines bonos et suos amicos et subicitabat se ad pedes ad ille abba domino Antino et ad fratres ipsius monasterii, que leixasent illo de Iura et de pena, et sic leixarunt propter Deum et suas animas, et pro tali actio rei posito juidicio adsignabat Liuva ad ille abba post partem ipsius monasterio illo Kasale et illa hereditate de Gaton et iii de illo pumares quos mittebat in contensa et ipso pumare in loco predicto inter illo Rio Sico que discurre pro ad Superato, et iusta illo sauto de iii ad illa fonte de Guail, damus atque concedimus vobis fratres et ad ipso monasterio atque consignamus et agnitio facimus et confirmamus de illo pumare ut habeatis illo semper firmiter in illo monasterio et fratres ibi habitantes et invita sancta perseverantes, uel qui illo monasterio obtinuerit habeant  et posideant iuri quieto evo et pereni. lta ut de hodie die uel tempore de iuri meo adrrasa et in vestro dominio ipsus monasterio et fratres tradito atque confirmato et habeant et possideant in toto tempus uel tempore usque in finem seculi. Si quis tamen, quod fieri non credo, aliquis homo ex generis nostris, propinquis uel extraneis, filiis uel nepos a irrumpendum venerit uel venero contra hanc scripturam agnitionis testamenti pariat contra partem ipsius monasterii sancto Martino uel a quis voci sue pulsaverit, ipsa villa cum suas aiutiones et pumares duplato uel triplato uel quantum ad vobis fuerit melioratum et vobis perpetim habitura. Facta scriptura agnitionis testamenti quot et Era de super. Ego Liuva et omnis vox mea in hanc scripturam agnitionis testamenti uel comparationis manus meas roboravi (Signum) qui presentes fuerunt: Gondisendo testis, Gondemarus testis. Antinus, abba, confirmat. Item Gondemarus confirmat. Andreas confirmat. Eremosendo confirmat, Danungius? confirmat. Osario testis et confirmat. Donninus confirmat. Eika confirmato Gondisindus confirmat. Ero confirmat. Fernandus confirmat. Willerlan qui dinumerat-  (Signum

O pleito Liuva – Antino mostra o vernáculo direito Celta comum Galaico ‘com barnices tomados do mundo romano ou germánico’, usualmente considerado ora romano, ora germánico, ora um híbrido romano-germánico. Amoldando o desejo à realidade “No direito processual astur-leonés [E galego!] baralhavam-se e confundiam” -diz Sánchez Albornoz- “as duas tradições germana e romana” -para ele não existe um tradição consuetudinaria celta em Espanha porque desconhece a existência das galaicas trebas/toudos, e sua continuidade nas terras, comisos, territorios, etc. Pena 1991 e 1992- “como em tantos outros ordens da vida jurídica da época. De um modo evidente predominaba o sistema oral, formulista, público do processo germano, sobre o sistema escrito, inquisitorio do processo romano”. In História de Espanha de D. Ramón Menéndez Pidal (diretor) volume VII pp. 467 e ss. E ainda também não conhecia direito público romano. O Conde Froila Vermúdez o primeiro de agosto de 1069 ia presidir um julgamento em seu monasterio. O Conde era algo mais que proprietário em Xuvia de um monasterio, era Senhor de muitas terras, entre elas Trasancos, Labacengos, Arrós, Bezoucos e Terra de Nemitos. Nunca melhor dito as bases de seu ‘condado’ eram territoriais. A Terra, chamada ut supra no mundo céltico galego da idade do ferro Treba ou Toudo -ing. Treba; irl. Túath/(Trebad); gal. Cantref- era ainda a base da articulación política, econômica, religiosa e social. Desde suas origens em que um *corono, rí, princeps, chefe de homens armados, ocupava a função soberana e até o século XII em que os condes se nomeiam principes ou imperantes da Terra, o Território Político não perdeu seu caráter. Mais de um milênio separa a Nicer Clutosi Principis Albionum dos netos de Froila Bermúdez, D. Fernando Pérez, Conde de Trastámara e D. Bermudo Pérez também intitulados principes nas terras de Prucios, Faro e Ortigueira. Como um rí túath irlandês Froila Bermúdez, príncipe ou imperante () da treba ou toudo (túath) celtogalaico chamada agora terra, era responsável da ordenação dos conflitos internos e externos da Terra de Trasancos.

Reve Trasanciuce

Radical de Trasancos *Ters+ an+i+cos psvl. “os que queimam o monte para cultivar” [Pokorny 1078 (1870/47)]*ters-, idg., V., Sb.: nhd. trocknen, verdorren, dürsten, Durst; ne. dry (V.), thirst (N.); RB.: ind., iran., arm., gr., alb., ital., kelt., germ.; Hw.: s. *tr̥su-, *tr̥si̯ā, *tr̥sto-; W.: gr. τέρσεσθαι (térsesthai), V., trocken werden; W.: gr. τερσαίνειν (tersaínein), V., trocken machen, abtrocknen, abwischen; W.: s. gr. τρασιά (trasiá), tarsim̥ (tarsiá), F., Darre, Flechtwerk zum Trocknen; W.: s. lat. terra, F., Land, Erdboden; vgl. ae. fel-terr-e, sw. F. (n), Erdgalle (eine Pflanze); W.: lat. torrēre, V., dörren, braten, backen, rösten, sengen, versengen, entzünden; […] germ. *þarzjan, sw. V., trocknen, dörren; an. þerr-a, sw. V. (1), trocknen; W.: germ. *þarzjan, sw. V., trocknen, dörren; a.irl Tart “sede”. Cf. comparativamente Tartessos onde por queimar o monte quedarão sem portos e Tartares, Tártaro, etc.

Trasancos é solar patrimonial de Froila Bermúdez que em realidade é rí, príncipe ou imperante  de um celta mór-túath, de moitas trebas ou terras com freqüência englobadas no conceito de condado, seu valor penal ou wergeld, é muito superior ao de um rí túath, ‘príncipe de uma única treba’, com freqüência seu vassalo. [cf. Jean Michael Picard, “Les procédures judiciaires em Irlande au haute Moyen Age] Actes des congrès des historiens médiévistes de l’enseignement supérieur public (2000, vol. 31, p 71)]. [Isto o publiquei faz, nada mais e nada menos, 24 anos em 1992.  Hoje pode ir a missa, então soava a arameo] O julgamento teria lugar na igreja do monasterio o primeiro de agosto quiçá de acordo com os usos da terra. [A data para o breth julgamento fixou-se para o 1º de Agosto de 1069, acho que nesse dia foi domingo, em princípio deveria cair em sábado. O tratado jurídico Críth Gablach (literalmente ‘Forked purchase’, ‘L’achat Fourchu’, ‘Merca Aforcada’) menciona entre os deveres do rei a responsabilidade de julgar duas vezes por semana: Lúan do berithemnach, do choccertad túath [Críth Gablach § 41] “Na segunda-feira [dedicado] às decisões arbitrales, e assuntos relativas às Terras (Trebas ou Toudos) […] e no Sábado [dedicado] aos julgamentos Picard ex Binchy (1970). Normalmente (Pena 1992) em ausência do senhor actuavam seus juízes (Brithem, pl. Brithemainn, ingl. Bregon); mas neste pleito o (rí túath) principe seu imperante de terra preside. A presença no julgamento do principe ou imperante de Trasancos o conde Froila Bermúdez – os tratados referentes à função real no território político celta, assinalam para sua prosperidade a importância de um príncipe justo-, indica que o julgamento Liuva Antino, tinha muita importância.

Froila Petriz Vermudez

Esta bellísima lámina realizada por Eva Merlán Bollaín para a História Ilustrada de Narón, referente em seu gênero, mostra a volta milagrosamente salvada por intercesión de San Martinho -depois de perder a cruenta batalha da cristiandad ontra os Almorávides em Sacralinas o 23 de Outubro do ano 1086 – do conde Froila Petriz Bermúdez. Chegou 18 dias despues da derrota piedoso conde a seu monasterio e panteón familiar de Juvia  a cumprir a promessa e voto, doando a uilla domini Mironi, “Domirón” -hoje os bairros de “San José Obrero”  e A Faisca-, sua mais preciosa posse.
Homem dedidido nosso Froila Bermúdez, uns anos dantes pôs fim a uma ‘insignificante’ qüestão jurisdiccional com a Diócesis de Santiago de Compostela, por tocar-lhe umas uillas e herdades do Tambre e do Ulla, e com seu sobrinho o bispo Gudesteo. E assinando como precaução na cuaresma de 1089 pace inter eos fidei juramento firmata, mando a parentela ao amparo de Paz de Deus, recebida com os braços abertos, ao retiro do prelado em Iria Flavia. Esta, quando todos dormian franqueou a porta ao conde, que entrou; e matando a seu sobrinho o bispo Gudesteo o descuartizó, repartindo os despojos pelo caminho. Diz um refrán galego:                                                                                                                 Meti-me num pleito com um crego
por um problema dum rego.
Perder, perdi o que tinha.
Mas amolar, amolei-o

Junto ao Conde estava seu juiz para Trasancos, o oficial condal de maior rango no Território e assinalamos a Johan Asqueliz qui est vigario de domnus Froila Vermudiz [Tumbo II de Sobrado, núm. 391, fol. 138 v.] que interviria o 28 de agosto de 1063 num julgamento entablado para dirimir um pleito entre Fernando Vistrimiz e o rico Paio Menendes marido de Sona Munia Froilaz, uma disputa de heredades, em ausência do Conde Froila Bermúdez logicamente favorável a seu genro [Eva Merlán no-lo representa sentado como um rei à direita do seu armiger com seu escudo e espada [eu pus como convencional homenagem à prosapia a armaria dos Bermúdez de Mandiá de Trasancos, os senhores da Casa do Monte], assistido por Johan Asqueliz sua mão direita,  brithem túaithe, vicarius terrae (siue, maiorinus terre) ‘qui est avant toute lhe juge officiel du peuple du royaume, interprète ultime da loi et arbitre de tous lhes hommes livres, mais quie est aussi um proche du rei et são fidèle conseiller’ (Picard) como homem de confiança, conselheiro e signifer] O vicario da Terra de Trasancos não via neste caso [ocupava um lugar secundário] por estar presente em seu monasterio familiar [onde 22 anos depois seria enterrado] este Conde Froila Bermúdez, pai do conde de Trava Pedro Froilaz, titor do imperador galego Alfonso Raimúndez A escassos metros da igreja de Santa María se encontrava a pequena igreja prerrománica monástica de San Martinho, desaparecida a princípios do século XII para ser substituída pelo espléndido monasterio da atualidade. Ali, dentro da igreja do monasterio, constitui-se esta assembléia judicial [ainda reconocible no papel desenvolvido pelo júri dos países anglosajones] composta por uma seleção do leque social dos homens livres, restringido aos camponeses bó áire, proprietrarios, bonos homines e aos filii bene natorum nobres do clã Petriz . Acusado, Liuva tem a obrigação de defender publicamente sua inocência e o acusado adota o nome de defensor. O julgamento faz-se como os atuais em várias fases se interrompendo a sessão na cada uma; repõe-se o tribunal para continuar o processo. Liuva ao inteirar-se da reclamação injusta tinha sérios motivos de preocupação. O saión, ou allón servidor público judicial, cuasi verdugo judicial penator, tortor, qui réus protrahit in judicium ia a sellar cautelarmente a casa e propriedades em litigio. Desde o momento que se produz a acusação e se aceita ir ao julgamento, as duas partes assinam um placitum ou acordo, bem através de fiadores bem tomando cautelarmente em árach ‘fiança’ as heredades em litigio previamente marcadas com o caracter regis ou sigilum comitis neste caso, até que se via a causa. O primeiro de agosto um grande número de gente vai de toda a comarca para assistir ao julgamento presidido pelo Senhor da Terra todo um acontecimento social, e fator de animação que rompe a rutina diária. Liuva não sabia escrever. Suas avenencias fazia-as de palavra, velhos contratos sinalagmáticos de bona fides, de boa fé, entre bons homens; ficavam firmes só com um apertão de mãos. Liuva era um bono homine, “bom homem”, um labriego, e era honrado, possivelmente seus contatos com as letras estiveram limitados a precisar de um escribano ou notário para comprar ou vender uma herdade ou a assistência como testemunha, ante um notário, por uma cessão testamentaria, mesmo pro remedio, ao monasterio da melhor parte do quinto de livre disposição do peculio de algum vizinho piedoso. Sua rutina estava apartada das letras.

Os monges pelo contrário – e Xuvia é um monasterio excepcional tutelado e primado por um clã muito poderoso, com bispos da família em Santiago, fazem seus próprios livros, contam com seu notário (como Pedro Luz) e, o que é mais importante, sabem escrever e também a história nos mostra um montão de exemplos, falsificar cirógrafos. Não há médios para distinguir entre uma carta falsa e uma autêntica. Só o depoimento dos vedraños (os velhos do lugar) pode, em ocasiões, desvelar a verdade. A reclamação vem do abad de Xuvia, e convento, e todos sabem que quiçá não seja o Conde alheio à trapalhada. Liuva vai estar praticamente só.

Os  da Terra de Trasancos foram sempre ‘botados para adiante’ com seus direitos, não falamos por falar, e o comprovaremos, plenamente, tantas vezes quantas seus pequenos direitos foram conculcados. Ainda mais, os veremos morrer lutando por eles Eis nossa estirpe! e crendo na justiça até o último momento. Liuva ia ao julgamento convencido de aclarar sua inocência. Ele tinha plantado com suas próprias mãos os pomares reclamados pelo monasterio. (20) Seus vizinhos sabem-no; das uillae mais distantes chegariam talvez resmusmús que tinham feito circular os monges semeando a dúvida. Chegam tabém o Conde e seus parentes, entram os membros escolhidos para a assembléia judicial de Trasancos. Dentro o abad Antino e os monges do monasterio. Entra Liuva, começa o julgamento. Todos declaram dizer a verdade e começam a debater as duas partes intendentes et contendentes uns cum alios de pé, no interior do monasterio, ante o Conde Froila Bermúdez que sentado numa cadeira, leva uma espléndida vestidura  e insígnias condales. A cena similar nos séculos IX, X e XI, conhecemo-la pelas formosas miniaturas dos beatos de Liébana. De pé rodeiam ao conde sua aula de bene natorum e labriegos bó aire, proprietários da xugada de bois, homines bonos. Liuva e Antino gesticulan. O julgamento é oral.

As formas de direito romano apud iudicem sofrem inevitavelmente a interpretatio […] [celtogalaica] comum a todas as instituições e é impossível assinalar se permanecia algum elemento céltico nestes usos -o sentido comum nos diz que sim, o rigor ‘científico exige [dizia eu então em 1992] os considerar germánicos-. [Sánchez Albornoz sustenta que predominaba o sistema oral, formulista, público do processo germano sobre o sistema escrito, inquisitorio do processo romano, coisa inexplicavel sem dúvida pois no direito clássico romano todas as atuações apud iudicem são orales]. Os procedimentos [celtas] não se apartam do tudo das ações e provas judiciais do direito privado romano. Fala em primeiro lugar a parte acusadora. O abad Antino mostra, entre as probationes, o cirógrafo aos presentes na assembléia judicial, quiçá poucos sabem ler, e menos latim, mas todos em seu papel observarão a prova de apresentação de documentos (instrumenta) como verdadeiros experientes. Lê o abad Antino o testamento suposto de Dona Aragunta e assinala que essa nobre tinha cedido sua cuota  (fintiú) ‘a terça parte de quanto me corresponde entre meus irmãos e herdeiros’ pro remedio a San Martiño este quinhão compreendia o casal de Gatón, as heredades em litigio e a terça dos pomares. Numerosas testemunhas contribuídas por representantes legais de ambas partes em julgamento (a.irl. breth) depois de prestar juramento sobre o altar tocando com a mão sobre os evangelhos abertos na página com o signo da cruz maior, declaravam com valor diretamente proporcional a seu estatus social. O mínimo legal são duas testemunhas, considerando-se inválido o depoimento de só uma. Ainda sendo público e notorio que o pomar o plantasse Liuva com suas próprias mãos -como faz constar in articulo mortis o 13 de maio de 1084  “e já déssemos outra terza […]” – doando ao monasterio pro remédio “a terza de um pumar que plantamos por nossas mãos, vo-lo damos com seu terreno”] ninguém em seu são julgamento, nenhum vizinho, ousaria declarar nos tribunais como testemunha da defensa. A Lei outorga enorme valor probatorio às escritura, o documento tinha um peso demoledor -o compilador do Gúbreta Caratniad ‘julgamentos falsos de Caratnia`’, as chama em Irlanda com o termo legal ail anscuichte ‘rocha inamovivel’ (Picard). Liuva, depois de examinar também a grafía inútil do pergameo que não entende, expressa suas razões ante o juiz e dono do monasterio, o nobre mais irascible da Urbe Gallaecia, o imperante de Trasancos: Froila Petriz Bermúdez. A declaração de sua parte baseia-se no juramento. [Em direito celta contribuem os representantes legais de ambas partes numerosos testemunhas que depois de prestar em modo devido de direito juramento tocando com a mão sobre a página do evangeliario aberto sobre o altar pelo signo da cruz de maior tamanho, declaravam com valor diretamente proporcional a seu estatus social. O mínimo legal de testemunhas a apresentar num julgamento são dois. Considera-se inválido o depoimento de uma única testemunha]. Fala Liuva com duas únicas testemunhas, poucos se atrevem a depor em seu favor por medo a represálias.

A partir de agora o procedimento judicial passa [‘de novo’] a ser de direito ‘germánico’ [Celta!] Liuva sustenta sua posição, então ‘dizia uma mentira suposta’ dicebat mentira supposita e por isso mesmo o julgamento entrava numa segunda fase. [Quando, não sendo neste caso pelas razões acima alegadas, uma das parte não apresenta no Julgamento (a.irl. Breth) o depoimento de nenhum fiadu, “testemunha ocular” o direito celta exige que se recorra a uma ordalía, coisa que ocorre também em caso de um empate. Isto é quando as provas a favor ou na contramão não permitiam se pôr de acordo ao tribunal, saber se Liuva dizia a verdade ou se mentia] A gente semi-asfixiada na pequena igreja monástica, voltaria a ela depois de um receso aproveitado pela assembléia judicial trasanca para deliberar que novas provas convinham. A partir de agora é muito provável que Liuva esteja exposto de se resistir (infitians) a ter que pagar o duplo das heredades. Muda o palco. Dispostos em torno da ara do monasterio de San Martinho de Juvia olim de tempo sacrato,  (pedra de grão com um buraco que recolhia reliquias de infinidad de santos que faziam famoso o lugar; cobiçada ara da que, a escondidas, homens de todas as classes sociais arrancavam, de vez em quando, pequenos trozos portadores de infinitos  poderes para bem e para mau) coberta pelo mantel litúrgico de linho. Acima do altar, um evangelho de ‘pulgameo de coyro’ abria-se mostrando o sinal da cruz. Formoso livro, sem dúvida, quiçá saído do mesmo escritorio que falsificou o cirógrafo de Dona Aragunta. Liuva jurou, estendendo a mão e tocando o sinal da cruz com os dedos, mas os juízes creram mais no valor do cirógrafo que nas aseveraciones de Liuva e dos dois ‘conjurados’ ou testemunhas, que, desafiando o perigo, seguindo o mesmo procedimento prévio a qualquer declaração, falaram a seu favor. Os juízes considerando insuficientes [ou não concluintes] as provas -ante as preferências legais conforme ao princípio de ‘prova tasada’ que da maior validade ao documento que à testemunha- de inocência de Liuva recorreu ao procedimento habitual, uma velha ordalía celta a FIR COIRI ou PENA CALDARIA [bem documentada também entre os germanos, mas não exclusiva deles]: a pena de água quente ou pena caldaria. Pedem ao sagio, homem vil, polícia judicial e verdugo, cujo valor penal enorme garantia que não fosse assassinado por seus numerosos inimigos, que traga lenha e lhe prenda fogo, pondo sobre ela um caldero cheio de água. Liuva sabia o que lhe esperava de continuar com sua reclamação. Quando o borbolhante água fervera o sagio jogaria devagar pedras minúsculas que saltariam velozes no água. A FIR COIRI “pena de água quente”, suporia o fim para as esperanças de Liuva e também o fim de sua estúpida cega confiança na também cega justiça. Os juízes, fizeram prevalecer a tese do abad Antino: O pomar e herdades não podiam ser de Liuva pois este (¡que o tinha chantado com suas próprias mãos!) que non celabat de illas nec celasset ‘não as cuidava nem as tinha cuidado nunca”. Liuva é condenado, mas a condemnatio não deixa a Liuva sem direitos. Se quer continuar Liuva teria que manter o braço no caldeiro, melhor dito, conseguir um voluntário que o faça por ele, buscar um innocentens (sic) -o povo conservou até hoje esta tradição popular de ‘uma mão inocente’ para a introduzir num recipiente do que se saca um objeto a esmo dependendo da providência-. Este innocentens deverá, caso de continuar o processo, deixar que o sagio lhe meta o braço no caldeiro de água fervendo. Verificariam o procedimento umas testemunhas chamadas fideles. Se Liuva seguisse adiante o processo público se converteria num Show , o Conde Froila Bermúdez, bene natorum, homines bonos, fideles, vizinhos de Liuva e multidão de circunstantes, todos excepto a família de Liuva, desfrutariam de um bom espetáculo sem dúvida, enquanto ajudado pelo sagio o braço do innocentens se escaldaba de vagar ante os olhos pendentes da demora das escurridizas pedras, recolhidas pela mão do innocentens, no fundo do recipiente. Conseguido isto os fideles vendarían depois mão e braço. Se selavam os nodos com o sigilum comitis Froilani Petriz Beremundit’ e três dias depois, reposta a assembléia, comparecia o innocentens e com a extração das vendas, a vista publicaria a mentira de Liuva -supondo que o braço não tivesse sofrido queimaduras, Liuva ficaria livre de todos os cargos-. E ocorreu o que tinham previsto os monges de Xuvia, que temendo Liuva a pena se reconheceu culpado: et timente Liuva penam, et parit et cognovit se in veritatem. Que temia Liuva? Compartilhava o terror geral pela pena caldaria? pois perder um braço- supõe, para um labrego, numa economia autárquica, ficar sem a ferramenta do seu sustento. Liuva não temia isto, pois o braço não era seu. Temia à sanção pecuniaria recolhida nas cláusulas testamentarias depois das conminações e exorcismos mágicos: in super pariat ipsa hereditas duplata uel triplata, sanção pecuniaria que o direito privado ‘romano’ recolhia com a fórmula poena temere litigantium. Liuva foi afortunado, outros não tinham oportunidade de recusar a pena, e inteligente, muitos camponeses crendo no apoio divino caíam vítimas da providência divina que, pelo contrário, nunca desasistía à cidade de Deus (comunidade de monges congregados em vida santa deo servientibus, contribuindo a encher a tulla monástica in subsidis pauperum). Os expoliadores de Liuva, Antino, os monges e o Conde foram também razoáveis. O abad Antino chegou com Liuva para além da clemência. Depois de recusar a pena caldaria e declarar-se culpada, tendo medo à sanção pecuniaria, jogava-se Liuva aos pés do abade e monges de Xuvia, suplicando piedade e publicando seu crime. Disse que tinha inventado falsas histórias com os labregos e seus amigos, fabulabat cum homines bonos et suos amicos, e suplicaba que o deixassem livre de iura et de pena. Não é tão fácil traduzir estas duas palavras: iura quiçá há que o entender como ius in iure loci pois não pertence neste contexto ao direito romano, Constitui o pagamento de uma sanção por atentar contra a tranqüilidade de uma posse testamentaria ao senhor territorial; uma forma consuetudinaria?, não o sabemos. A pena, ut supra, não é a caldaria, é a sanção pecuniaria consistente em duplicar ou triplicar o valor das heredades que figuravam doadas ao monasterio no falso testamento de Aragunta.

Liuva podia ficar totalmente arruinado, apesar de ser como vimos mais que um médio proprietário. O monasterio conforma-se com roubar-lhe uma boa migalha. Liuva assina uma agnitio,  um acordo com a parte demandante: O abad Antino e monges de S. Martinho, comprometendo-se a respeitar daqui por diante. O direito do monasterio. Na agnitio recolhem-se aspectos do procedimento judicial já tratado. [desculpem as gralhas]

ORATORES DRUIDS/*DURVEDES/DRUVEDES

The ‘Celtic fringe’ is not limited to music, to language, to religion, to art and crafts… it is basically a rigid theocratic and jurisdictional system, a pyramidal complex regulating rights and obligations in the Toudo or Treba.  A theocracy, with a common universal law and institutions, guarded, applied, developed and interpreted by a  universal clergy: the druids / druvides or durvedes.

Piaculum da Entronização Real segundo André Pena

A  Arqueologia  -coisa muito diferente é que o pretenda Ai!-, é incapaz de definir uma sozinha instituição da Pré História. No entanto a Arqueologia Institucional que proponho [paradigma desenvolvido em Treba e Territorium], as instituições e os usos institucionais da Pré História e Proto História dos Celtas, como o mostra este promptema da  Entronização Real Celtoatlântica podem, de de modo inter e multi disciplinar, ser desveladas.  A mais programática ou literária das seis peças desta serie de bronzes votivos figurados, é, sem duvida, a de Monforte de Lemos conservada no Instituto de Valencia de Don Juan [que Xosé Lois ARMADA PITA y Oscar GARCÍA VUELTA descreverão nuns recentes papeis, pero desconhecendo a função da peça, descrita por eles como “objeto de funcionalidade duvidosa” [quando eu já assinalara eu seu papel entronizatório, em 1995 (e de novo em Treba e Território em 2004, sendo esta nota unha tradução literal dum dos seus capítulos)]. Pero ARMADA e GARCÍA, fotografam na meritória publicação os bronzes com detalhes de grande qualidade e, particularmente, as suas fotos do bronze do Instituto nos foram utilíssimas para realizar, pela minha parte, um minucioso debuxo, aclarando o significado de todos os demais bronzes: um esquema narrativo claro e completo duma entronização real Celta. No bronze entronizatório sacrificial atlântico de Monforte de Lemos (Instituto de Valencia de Don Juan) -aproximando aqui um desaparecido oficiante á cena um ursinho ou mato-, o que não deixa de ter a sua importância capital, aparece dirigido por dois celebrantes de desigual rango, co seu torques um, e o outro sem ele, unha celta suovetaurilia, muito anterior á conquista romana, entre os séculos II e IV a. C., um sacrifício e unha representação para teatral da investidura dum torquato futuro soberano que, por essa ração, tem aos seus pés outro torque, gigantesco este para que não colham dúvidas, despregado sobre o machado ou brossa sacrificial símbolo e motivo central [com o prótomos do touro] de todos os bronzes que lhe serve de chão. A idéia dum sacrifício maior, simbolizado no bronze de Monforte de Lemos (no Instituto de Valencia de Don Juan) pelo machado sobre o que descansa um grande torque [o cerimonial, muito grande, pensado para ser depositado sobre a trebopala, toudo pata ou  crougintoudadigo, “croio teutático“, aos pés dum torquato [o aspirante a rei], representado [pars pro toto] em todos os bronzes, funde com a reiterada presença em todos os ditos bronzes votivos entronizatórios, dos torques dos reis e dos deuses junto a um grande caldeiro [As in Ireland, in Galiça, the concept of kingship is rooted in mythology]. Onipresente, nos bronzes entronizatórios se representa com grande detalhe o grande caldeiro, semelhando desenvolver um relevante papel protocolar. Algo estase a cocer ou coció nele, pero O que? Restos destes grandes e remachados potes ou caldeiros da Idade do Ferro, como os figurados, ocasionalmente depositados sobre carros votivos com rodas, foram achados junto a grandes garfos, como o que compartilha vitrina com o carrinho de Guimarães, comuns a toda a Céltica, utilizados no banquete para sacar dos caldeiros a carne. Não seria disparatado pensar pelo que más adiante diremos, que um dia, em tão apartado lugar, contiveram os caldeiros o singular guiso do ashvamedha entronizatório, um cocido de carne de cabalo, ilustrado e descrito com todo detalhe para Irlanda por Gerardo de Gales, numa cerimônia similar a também possivelmente documentada na inscrição  de Cabeço das Fraguas: Commaian Iccona Loimmina “Uma Crinosa [Egua] para a Luminosa Iccona/Epona” [PENA 1994, p. 33-78], e representada no Atlântico continental pela crina, «coma», mencionada, pars pro toto, e reiterada en tódolos nossos bronzes. Confirma nosso aserto no bronze do Instituto de Valencia de Don Juan, e não obscura per obscuriora, a certificada presencia, marginal, dum jovem ursinho arrastado ao centro da cena sacrificial com a soga ao pescoço –tanto no bronze de Monforte de Lemos quanto na sítula de Bisenzio-  desde o extremo distal ao caldeiro, por um desaparecido [mais não  sem nos deixar como o ‘gato de Cheshire’ a impronta ou pegada dos seus pés] personagem. É de manual de peto que o urso ie. *arctos e categoria divina expressada pela Dea Artionis é, entre os celtas, conhecido símbolo da soberania. “[…] Cando un galo se chama Matugenos ou un irlandés Math gamhaim, fillo do oso […], non é porque se imaxine descer dun oso […] senón porque pretende relacionarse co simbolismo real do oso” H. Hubert. Ao Ursinho do bronze votivo de Monforte de Lemos vem-lhe ao peluche a observação (HUBERT) de que um galo ou um irlandês pretendia simbolizar -e essa é, segundo o penso, a simbologia da historia de Math nos galeses Mabinogi- a sua pertença á nobre estirpe ou á linhagem real entre os Celtas; a sua prosápia, não uma aberrante descendência dum urso, se chamando Matugenos ou Mathgamhainn ‘filho do urso’,  do galego português  ‘mato’ [fronte ao  brit. mangan ‘urso’], termo equivalente a dizer sem o nomear: ‘o animal do mato’ [esp. ‘matorral’], ‘bicho do mato’ -e lembremos que não só os nossos Matos e Matosinhos, mancheia de topônimos e antropônimos do galego-português cós que intitulo, em choqueiro, este apartado [Bicho do Mato], poderão significar pars pro Toto, ‘urso’, senão  também, e como real probe do nosso asserto, como sinônimo de urso a verba (sic) ‘bicho-do-mato’, empregasse e pervive ainda ata os nossos dias no brasileiro e no português -E nos movendo da hipótese ao terreno da poesia, acaso a derradeira vez que aparece mato coma sinônimo de urso em galego-português, “o esquivo mato registrando vai [o vento ]” na típica atitude de erguer a cabeça para cheirar o ar em posição bípede (como fazem os ursos), o foi no poema Feros Corvos de Xalhas dedicado aos ‘seres vagamundos’ que sempre intrigou ao que subscreve estes papeis de Eduardo Pondal Abente (1835-1917)]. (Desculpem as gralhas)

Chamados Durvedes em Gallaecia com a voz original, os “Druidas” eram a classe mais poderosa da sociedade Celta. Em todas as trebas, “bisbarras/tribos”, de Europa as famílias nobres acostumavam, era uma honra, mandar os filhos segundos a famosos centros de Inglaterra ou da Gália escolhidos pelo prestigio dos professores, estudarem para Druidas durante vinte anos – como conta César-. Depositários da cultura, da poesia, da ciência, da medicina, da religião, do direito  “Celtic Common Law”, de aplicação universal -como sucede co direito canônico na igreja católica -, exerciam nas trebas ao voltar a casa o verdadeiro poder sobre reis, nobres, camponeses e servos.

Assim todas as trebas, “tribos” Celtas, da Gallaecia  á Britania; e da Irlanda á Galacia de Ásia Menor (atualmente Turquia), compartilhavam idéntica organização política e comum direito: a “Celtic Common Law” (A. Pena Granha, 2010-11),  e um común  calendário e as festas e tradições Os Durvedes elegiam uma suprema autoridade moral – similar o papa- cabeça visível e infalível representando a unidade. PROPONHO PARA FACILITAR-TE O ACESSO A ESTE ARTIGO, ALGO DIFÍCIL DE CARREGAR JÁ, O CONTINUAR NUM NOVO POST SUB EPÍGRAFE  DRUIDAS/DRUVIDES/*DURVEDES  

WARNING: this post is still under [de]construction – it probably contains lots of typos and errors Check it again in about 630 days and it should be fixed.

AD CONTINUANDUM…

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