UNIVERSAL CELTIC LAW. COMUM DIREITO E INSTITUIÇÕES CELTOATLÂNTICAS. A ARMADILHA DE UMA INEXISTENTE CULTURA CASTREXA OU CASTREJA

POLITICAL ORGANIZATION ORGANIZAÇÃO POLÍTICA

BRIEF INTRODUCTION BREVE INTRODUÇÃO

National Identity and Celtic Legacy

National Identity and Celtic Legacy

Sendo Identidade Nacional e Legado Celta, consubstanciales conceitos na Irlanda

The Irish Government, to document, accorded to common opinion, the arrival to Ireland Of the Celts from Central Europe in the V century BC, funded a genetic study (2004) led by Dan Bradley and Brian McEvoy.

The Irish Government, to document, accorded to common opinion, the arrival to Ireland Of the Celts from Central Europe in the V century BC, funded a genetic study (2004) led by Dan Bradley and Brian McEvoy.

The Irish Government, to document, accorded to common opinion, the arrival to Ireland Of the Celts from Central Europe in the V century BC, funded a genetic study (2004) led by Dan Bradley and Brian McEvoy.

O Governo Irlandês para documentar segundo a opinião comum, a chegada a Irlanda dos celtas desde a Europa central no século V dantes de Cristo, financiou um estudo genético (2004), dirigido por Dão Bradley e Brian McEvoy.

"We have a much older genetic Legacy". A genetic legacy of Mesolithic and Neolithic of Gallaecia and the Atlantic coast of Iberia

No entanto, comparando as mostras de DNA de 200 voluntários de várias partes da Europa com uma base de dados genética de 8500 indivíduos de toda Europa, Bradley e McEvoy encontraram uma coisa diferente, confirmando McEvoy “O Legado Genético Primário da Irlanda, parece ter procedido de gente de Espanha e de Portugal depois da última glaciación“, aliás um legado genético do Mesolítico e Neolítico de Gallaecia [ou Kaltia] e da Costa Atlántica de Iberia.

'We have a much older genetic legacy'

‘We have a much older genetic legacy’

“We have a much older genetic Legacy”. A genetic legacy of Mesolithic and Neolithic of Gallaecia and the Atlantic coast of Iberia

“[os irlandeses] temos uma heréncia bem mais antiga”

If the Ice Age glacial advance forced the Palaeolithic Europeans to seek shelter from climate in places such as the Atlantic Lands End of NW Iberia, Finisterre,

If the Ice Age glacial advance forced the Palaeolithic Europeans to seek shelter from climate in places such as the Atlantic Lands End of NW Iberia, Finisterre […] “Northern hemisphere glaciation during the last ice ages. The accumulation of 3 to 4 km thick ice sheets caused a sea level lowering of about 120 m. Also, the Alps and the Himalayas were covered by glaciers. Winter sea ice coverage was much more limited in the south” In “Wikipedia own work – redrawn, supplemented and modified grafic from John S. Schlee (2000) Our changing continent, United States Geological Survey

Se na Idade de Gelo o avanço da glaciación obrigou aos europeus do Paleolítico a buscar refúgio do clima extremo em lugares como as costa do Finisterre atlântico do NW de Iberia [….]

the subsequent Climate change and ice retreat

A posterior mudança climática e retirada do gelo, possibilitaram que a gente, longo tempo assentada na costa atlântica de Iberia, retornasse a Europa.

AND THE  HISTORY BECAME LEGEND  E A HISTÓRIA CONVERTEU-SE EM LENDA

Brigantia and Breogan

Brigantia and Breogan

Retornaram, depois de dez mil anos de forçada estância, navegando – melhor que seguindo a banquisa, sendo impracticable por terra o passo entre o continente e as ilhas -impidíendolo durante o deshielo a confluencia dos grandes rios europeus, imenso tumultuoso cauce pelo centro do Canal da Mancha. Seguramente a população celta, como contam as lendas chego por mar da Galiza a Irlanda, por algo se chama gaélico, não erinês a língua de Erín .

The coming of the sons of Mil

The coming of the sons of Mil

Seguramente volvieron de Galicia a Irlanda refiriendo las leyendas la llegada de los gaels por mar desde Brigantia (La Coruña), a Irlanda.

Bri_e_Briga

Font wikipedia.  Old place names containing the Celtic elements -briga and -bris < –brigs   ‘hill, hillfort’ in the Iberian peninsula, transmitted by Roman and Greek geographers and historian and local Latin inscriptions; together with modern place names derived from the same elements. Sub uocabulo Celtic place names in Galiza http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Celtic_place_names_in_Galicia

  COMPROMISSO DO GALAICO BRIGANTINO AMERGIN COM AS TRES MATRES [DEUSA NAI] DA IRLANDA

Assim em amável comunicação epistolar -através de Fernando Alonso-, me transladava Marcel BRASSEUR, sua visão no encontro do brigantino Amergin com a tripla Mater Bamba, Fotla e Eriu da cenificação do casal entre a Deusa Mãe com o novo poseedor do pais, possibilitando a tomada de posse da Ilha pelos gaels, id est, galaicos, falantes do galego, id est, gaélico, língua perdida, ontem como amanhã, no solar onde nasceu:

rainhas-soberanas-gallaecia

MATRES. RAINHAS SOBERANAS DE GALLAECIA PELO ARTISTA CARLOS ALFONZO ASESORADO POR ANDRÉ PENA. […] a tomada de posse estaria já presente […], no reencontro dos fillos de Mil [Amergin] com as três rainhas da Irlanda, Bamba, Fotla e Eriu […]:Reproduzem-se com exatidão no desenho de Carlos Alfonzo, feito baijo a minha direção, locindo  jóias da Gallaecia triconventual. Na empunhadura da espada tomei-me a licença de dar-lhe às antenas a forma de duas aves estilizadas. A roupa feminina elaborou-se forma comparativa em base à etnología e a representações européias da Idade do Ferro, acrescentando aos esquemas de tecidos os motivos decorativos específicos da área galaica. E se non è vero è ben trovato.

La rencontre des Gaëls [= Galegos, de Brigantia] avec les trois reines d´Irlande est un rituel de prise de posesión d´une terre” […] “Dans leur marche vers Tara, les Gaëls rencontrent les trois déesses éponymes du pays: Bamba, Fotla y Eriu Seule Eriu leur souhaite bonnes possession de leurs nouvelle terre. En échange de sa protection, elle leur demande cependant un engagement: que l´île porte désormais son nom. Amorgen y consent; cést pourquoi l´Irlande s´appelle, depuis ce jour-lá, Erin, du nom de la déesse Eriu. “Les fils de Mil s´entretinrent avec Bamba à Siab Mis. Elle leur dit: “Si c’est pour vous emparer de l´Irlande que vous êtes venus, vous n´êtes pas venus sous un bon signe”. “C´est par nécessite”, dit Amorgen au genou blanc, le poète. “Faites-moi un don”, dit-elle. “Quel don?” dirent-ils. “Que mon nom soit donné à cette île” dit-elle. “Quel est ton nom?, dirent-ils. “Bamba“, dit-elle. “Que ce soit un nom de l´île”, dit Amorgen. Ils s´entretinrent avec Fotla à Eblinne. Elle leur parla de la même manière et elle désira que son nom fût donné à l´île. Amorgen lui dit: ” Que Fotla soit un nom de l´île”. Ils s´entretinrent avec Eriu à Uisnech. Elle leur dit: “ô guerriers, soyez les bienvenus. Il y a longtemps que les prophètes ont prédit votre venue. Cette île sera vôtre à tout jamais. Et à lest du monde il n`y aura pas d´île meilleure. Nulle race n´y sera plus nombreuse que la votre”. “C´est bien”, dit Amorgen, “la prophétie est bonne”. “Faites-moi un don, ô fils de Mil et enfants de Bregon“, dit-elle, “que nom soit donné á cette île”. “Que ce soit son principal nom”, dit Amorgen” Avant de prendre possession de l´île, il faut livrer bataille. Les Gaëls sont vainqueurs et le Tuatha s´inclinent, non sans avoir durement négocie leur retraite. Le pays sera désormais équitablement divisé, non point sur le mode humain, mais sur le mode mythique: Les Gaëls occuperont le pays en surface, et les Tuatha se répartiront le “Sidh”, c’est à -dire le monde du Dessus: les tumuli, cairns, lacs et autres lieux magiques dont est truffées l’Irlande. C´est ainsi que l´Irlande fut partagée entre les dieux et les hommes”  Marcel BRASSEUR amável comunicação epistolar. Cf A. Pena Treba y Territorium (2004: 181-2)

Foundation of Dun na Gall

Fundando el primer castro Dun na Gall, ‘Dónegal” el brigantino Amergin , tras escenificar y pactar (Brasseur) con las tres diosas soberanas Bamba, Fodla y Eriú  la legal toma de posesión de la Isla-, pasando luego a Gran Bretaña y al continente. Fundando o primeiro castro Dun na Gall, ‘Dónegal” o brigantino Amergin ], depois de escenificar e pactuar (Brasseur) com as três deusas soberanas Bamba, Fodla e Eriú, a legal tomada de posse da Ilha-, passando depois a Grã-Bretanha e ao Continente .

Sometimes legends can reflect more truth than we think.

Conta a lenda que o primeiro castro que fundaram se chamou Dun na Gall [ “Castro de Gall, Castro Gall-aico”  -significando “de” o sufijo –aeco (e/i)]  Talvez em lembrança do abandonado lar? Falando já (não todos seriam mudos) Celta Antigo Comum, base do grupo goidélico: o irlandês, o escocês e o gaélico manês. [Losada (1999, 201-246) Moralejo (2011, 338); J. T. Koch (2009); Martíns (2008), Ballester (2012)], sem dúvida com o germen, já desenvolvido, de comuns instituições [Pena 2004 m, 433-507].

WERE THE SONS OF MIL ALL DUMB?

 “The celtic languages did not originate in Central Europe, they originated in North Western Spain” […] “A roman general mistakedly located a river in the Pyrenees for being the Danube and the home of the celts hence the myth started”[…]. ‘Closely related languages were spoken along the Atlantic seaways from Portugal to Britain by the middle of the first millenium BC’ Cunliffe (2004, 296).

And, settled the Paleolithic Continuity Paradigm, argues Xaverio Ballester:

Traditional theories locating the original homeland for Celtic speakers in Central Europe have insufficient, archaeological, genetic, historial or linguistic support, in both their older form (Hallsttat, La Tène, close to Thracia) and the more recent version (Hercyno-Sequano-Ticinian…sic!). Due to objective archaeological, genetic and [pre]historical documentation, as well as linguistic congruence, the theory of an Atlantic origin for Celtic languages is much stronger. However, their new approach turns out to be untenable within the cronological frame of the Bronze Age, so clarly a substantially older chronology is needed. Xaverio Ballester “Les languages celtiques: origins centre-européennes ou… atlantiques?  (Abstract, p 93)

Ith and the Gaels from Galtia or Galiza

Quijotesco oxímoron: o modelo invasionista pacientemente elaborado por esplendentes lingüistas desde o século XIX atirado ao lixo. Europa Central, nodo do enredo, convertida em periferia. Descendo – e não dos ramos como em tempos de Darwin- os Albiones de linhagens Irlandeses! E O mos pessimus! A “Marca Espanha! Europa fechou filas, mudando a incerteza depois do breve lapsus feito eternidade por sosiego:
Expediente Vasco?  O que faça falta. Sic fatur lacrimans, classique immittit habenaset tandem  Albionicis Britanniarum adlabitur oris, e chegaram os vascães de Ibéria – todos mudos, por não deixar rastro ou subregistro lingüístico – muito dantes da recalada na Inglaterra de José de Arimatea com o Menino Jesús, dantes inclusive da chegada ao vale do Támesis dende Centroeuropa dos “verdadeiros Celtas” com seu copo campaniforme -, as  costas de Britania, passando logo  -não com a Armada – a Irlanda Sabes tu que foi Euskadi solar de celtas várdulos, caristios e autrigones?

They Spoke an Atlantic Ancient Commom Q-Celtic language

Língua estendida como era de esperar, pois não todos os emigrados seriam mudos, na longa Marcha à Europa Atlántica insular e continental (e quiçá ao Norte da África), originando a pléyade de comuns topônimos, hidrónimos, antropónimos, assumidos celtas.

CALLAECIA ETYMOLOGISCH WOORDENBOEK HET CALLAECISCHE (DR. THERESJE OSORIO & XAVIER ESCRIBANO NÓVOA)

WAS J. T. COCH THE FIRST TO DEMONSTRATE THAT THE TARTESIAN IS A CELTIC LANGUAGE?

O ótimo amigo e sanskritólogo Eulogio Losada Badía descubridor de que o alfabeto Tartésico e o Ibérico Ocidental, se criaram para notar uma antiga língua celtica (contemporánea da escritura lineal do Egeo), como o confirmaria anos depois J. T. Coch, traduzindo as inscrições Tartésicas, muito bem transcritas por Jürgen Untermann.

O ótimo amigo e sanskritólogo Eulogio Losada Badía ( Universités de Lyon et Paris; fundador do IGEC ), descubridor en 1997 de que o alfabeto Tartésico e o Ibérico Ocidental, se criaram para notar uma antiga língua céltica, contemporánea da escritura lineal do Egeo, como o confirmaria anos depois J. T. Koch, traduzindo as inscrições Tartésicas, muito bem transliteradas já por Jürgen Untermann.

We must remember -without diminishing the glory that belongs to J. T. Koch- that some years  earlier -while Koch undoubtedly inadvertently ignores this circumstance- Eulogio Losada Badía  had shown,  that the Tartessian was an alphabet built on purpose for a Celtic language.

Devemos recordar, sem diminuir a glória que em justiça lhe pertence a JT Koch, como em alguns anos dantes tinha Eulogio Losada Badía  mostrado e, levantando a lebre [- ignorando Koch, sem dúvida por descuido esta circunstância, pese a que o livro da UBO, Universidade de Bretaña Ocidental, contendo as atas do único congresso celebrado na França (em Bretaña) dedicado os Celtas da Península Ibéria, se distribuiu amplamente por todas as blibliotecas das universidades dos paises celtas-] que o signario tartésico, ou Ibérico Ocidental, muito anterior ao grego e ao fenicio, emparentado com a escritura lineal egípcia e do Egeo, era um alfabeto criado para notar uma língua celta.

Cf. the John T. Koch map in A CASE FOR TARTESSIAN AS A CELTIC LANGUAGE ,334

Gómez Moreno anos após ter assinalado “reviste caracteres de probabilidad máxima […] admitir que los alfabetos ibéricos nacieron en Andalucía, como fruto de la civilización tartesia, en fecha remota pero imprecisable hoy […] pues su tipo gráfico los pone cerca de lo cretense y chipriota y antes que lo fenicio [Misceláneas, 28], dató el signario tartésico hacia fines del segundo milenio antes de Cristo [e analisando Eulogio Losada Badía ] “la propia naturaleza de la lengua para la que fue creada, por la zona tartesia, la primera escritura ibérica”[e, entre outras muitas coisas, desenvolvidas ao longo de 45 densas páginas (201,246)], “la bivalente esencia de los grafemas con que se transcriben las oclusivas dentales y guturales o velares en las lenguas ibéricas” [tinha determinado com aguda, sólida e documentada, argumentación a natureza celta da língua do Atlântico hispano]: “Confirmando la coherencia de nuestra tesis sobre los orígenes celtas del sistema que el signario ibérico parece revelarnos, los argumentos fonéticos invocados en el presente trabajo hacen que la paternidad céltica sea cuando menos altamente verosímil” E. Losada Badía “Las Escrituras Celtohispanicas”  1999: 246

Esta antiga origem do signario hispano para notar uma língua céltica, exclui precisamente que não fora Celta a originaria população da Irlanda, que a língua celta chegasse –como por pessoais necessidades comparatistas se sustentou, obscura per obscuriora, sem prova nenhuma– em época posterior. E ao cabo,  quod natura non dat, Salmantica non præstat e a úmida ensonhação itálica do e-Lusitano não prosperou e ‘saiu rana’.

A CELTIC UNIVERSAL POLITICAL ORGANIZATION UMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA UNIVERSAL CELTA

I would like to warn the audience that, at least in 1991, these papers sounded like something new. Perhaps not so much at this stage when scientists from different fields are supporting this view.

Before, during and after Roman rule, the Northwest of Atlantic Iberia, Gallaecia, experienced a Celtic and Indo-European territorial organization, which still stayed alive until very late in the Middle Ages.

Quero advertir-te, caro leitor que, ainda que já não o pareça hoje, quando científicos de diferentes campos e países apoiam esta visão de nossa Arqueologia Institucional, pelo menos no 1991 estes papéis soavam como algo novo.

Dantes, durante e após a dominação romana, Kaltai em a Idade do Bronze, Gallaecia em a Idade do Ferro, o Noroeste Atlântico de Ibéria, experimento uma organização territorial, principesca, céltica e indoeuropeia, que todavia funcionava muito avançada a Idade Média.

Narón un Concello con Historia de Seu T. II

No ano 1992, exactamente na página 26 de Narón um Concello com História de Seu. Volume II [PENA, Andrés (1992). Ed. Concello de Narón] compendiamos em um sinóptico quadro as bases da função soberana e a função sagrada do Território Político Celta na Terra de Trasancos, desde a época pré-romana à medieval. Vinte anos depois este quadro que apresentamos da renegada Galiza é de plena aplicabilidad em todas e a cada uma das tribos Trebas/Túatha da Europa Celta no contexto da Universal Celtic Law. Pelo mesmo motivo é também de universal aplicabilidad a concepção do castro como um demarcado espaço jurisdiccional -tal e como figura na lámina da página 131 da obra, acima mencionada.
In 1992 we summarize the basis of the sovereignty function, and the Political and Religious role of the Celtic Territory, in the Terra de Trasancos, since pre-Roman to medieval times in a synoptic table, exactly on page 26 of Narón un Concello con Historia de Seu. Vol. II [PENA, Andrés (1992). Concello de Narón Ed]. Twenty years later this table of the denied Celtic Galicia, presented here is, in the context of the Common Celtic Law, fully applicable to each and every one tribe [Trebas / Túatha] of Celtic Europe.

For the same reason, the concept of fort as a jurisdictional space, as set the picture on page 131 of the above-mentioned work, is also of universal applicability.

A briga -bre, "castro", loc. latino. domo, "casa" dum dominus, "senhor" e sua crica ou dominium, "espaço económico demarcado" ou iurisdictio.

A briga -bre, “castro”, loc. latino. domo, “casa” dum dominus, “senhor” e sua crica ou dominium, “espaço económico demarcado” ou iurisdictio.

Pelo mesmo motivo é também de universal aplicabilidade a concepção do castro como um espaço jurisdicional – tal e como figura na lâmina da página 131 da acima mencionada obra-.

 TREBA AND TOUDO

The Political Territorial Organization of Gallaeciae, described in the ancient sources with Celtic ethnonyms, ‘names of tribes’, knew (Pena 1991; 1992; 1993; 1994) pre-roman names of Treba and Toudo . 

udos, Ciuitates/Populi, Territorios e Diocesis Medievais

Trebas ou Toudos, Ciuitates/Populi, Territorios e Diocesis Medievais

Also in Atlantic Europe, in the Continent and in the Islands, appears [in Iron Age] the same serie of small ‘states’ or ‘political territories’ named in Celtic Europe as  Treba or Toudo [O.I. Túath]. Both words define a common institutional system, a “Celtic princedom” – more appropriate than the term “Celtic chiefdom” [of ARNOLD & GIBSON, 1995]. Since the dawn of the Bronze Age Celtic Europe is a mosaic of identical autonomous political territories we commonly call tribes and Romans called ciuitates / populi. Sharing a common structure, these tribes – as is Gallaecia– are known either in Europe (Pena 1992; Karl 2002) with words of domestic sovereignty: TREBA [TRIFU, TRIBUS, and so on.] and TOUDA [TEUTA, TOUTO, etc.] with a term alluding to the people, state or nation.

O exercício da soberania em um Território Político Autônomo Celta, Treba/Toudo (air. Túath) é dúplice. Os Ríges, "Reis", governam aos homens. O Clero [Druidas ou Durvedes do passado Pagã, Episcopi do presente Cristão] governa nas consciências dos homens. E bem mais. Com a religião, todo o tráfico jurisdicional, publico e privado, o exercício da jurisdição e a ciência, está em mãos do cultivado clero.

O exercício da soberania em um Território Político Autônomo Celta, Treba/Toudo (air. Túath) é dúplice. Os Ríges, “Reis”, governam aos homens. O Clero [Druidas ou Durvedes do passado Pagã, Episcopi do presente Cristão] governa nas consciências dos homens. E bem mais. Com a religião, todo o tráfico jurisdicional, publico e privado,  e a ciência, está em mãos do cultivado clero. Desenho de Eva Merlán bajo a minha direção para a Historia Ilustrada de Narón.

Leading these Houses or Communities, Territories, Trebas or Toudos, working as a kind of small states, were the riges, ‘kings’ or principes, ‘princes’.

A Europa Céltica, seguramente dantes já da Idade do Bronze, é um mosaico de idênticos territórios políticos autônomos compartilhando a comum estrutura nomeada na Europa (Pena 1992, Karl 2002) com palavras oriundas do conceito de soberania doméstica, ora [designando a Casa, e variantes trifu; treb; trifu, tribus, etc] trebas, “tribos”, s. Treba, como em Gallaecia; ora designando ao Povo, Estado, Nação, galaico Touda, antigo irlandês p. túatha, sg. túath” [e suas variantes teuta, touto, etc.], ambos termos aludem ao sobredito território Estado ou Nação, regido por uma Casa nobre, território que os romanos chamaram ciuitates/populi.

Estela paleo cristã de Apana, filha de Ambollo Celtica Supertámarica, do Castro Miobre S. IV-V dC. Hallada en Crecente, Lugo. Museo de Lugo.

Estela paleo cristã de Apana, filha de Ambollo Celtica Supertámarica, do Castro Miobre S. IV-V dC. Hallada en Crecente, Lugo. Museo de Lugo. Celticos Super Tamaricos [Celtici Super Tamarici] are the name of an ancient Gallaecian Celtic tribetreba or túath-, living in the north of modern Galicia border of Celticos Nerios [Celtici Nerii] in the Costa da Morte’s county. Super Tamarici means “above the river Tamara” “Tambre“. Tamar is also the name of the river that separates Cornwall from England, and Tamasa [r/s] is the name of river Thames. Family Stuff. Em pé, Apano, o que mandou fazer a estela, togado e com um liber enrollado na mão esquerda, passa sua mão direita sobre o ombro de sua amada irmã Apana que luze um colar de “margaritas” ou pérolas. Também luzem um colar de pérolas as figuras que estan sentadas, cf. detalhe, seguramente as Matres do passado pagano agora no presente cristão, Santa Ana e a Virgen Maria [ provavelmente as primeiras representações  na Europa]. Consertem que ambas levam um colar de margaritae, “pérolas”, e que a menina porta em sua mão também um liber – detalhe alusivo a inteligência mostrada, como seu filho, ante os doutores nos apócrifos- e uma coroa, alusiva nas representações páleo-cristãs (séculos IV e V) ao destino de Cristo. Apoia minha interpertatio o fato de que, eu também tenho dereito a me equivocar, e que na estela não figure ningun outro elemento religioso, e não existem nem, claro está, podem existir estelas “ateas”, sem alusão religiosa, em Gallaecia.

Compartilhando não poucas vezes idêntica denominação em toda a Europa Céltica, “Brigantinos”, “Nemitos”, “Belgae”, o colosal mosaico de demarcações verdadeiros “mini-estados” chamadas trebas ou toudos, à frente de consagrados rīges “reis” ou arioi, “príncipes”, responde a um comúm tráfico jurisdicional feudo-vassalático .

As fontes clássicas situam no NW as trebas ou toudos de/dos [Classical sources placing in the NW of Iberia] Adovi (Plin. IV, 111); Albiones (Plin. IV, 111); Amaci (Ptolo. II 6, 36); Arroni ou Arrotrebae (Plin. IV, 111);  Artabri (Plin. IV, 111, Ptlo. II 6, 22; Strab. 3, 3, 5); Astures (Ptol. II, 6, 28); Baedui (Ptlo. II, 6, 26); Bedun(ien)ses (Ptol. II, 6, 31); Bibali (Plin. III, 28, Ptol. II, 3, 43); Brigaecini (Ptol. II, 6, 30); Cibarcis (Plin.IV, 111); Celtici cognomine Neri (Plin. IV,111); Celtici Supertamarci/ Supertamarici ( Mela 3, 11 Plin. IV, 111); Cilini /Celeni/ Helleni (Ptol. II, 6, 25; Plin. 4, 111); Coelerni/Coelerni (Ptol. II, 6, 42, Plin. III, 28); Copori/Capori  (Plin. IV, 111, Ptol. II, 6, 24); Egivarri Cognomine Namarini, Egurri, Gigurri (Plin. IV, 111; Ptol. II, 6, 38; Ptol. II, 6, 52; Plin. 3,28); Equaesi (Plin. III, 28); Grovii (Ptol: II, 6, 38, Plin. III, 28); Lanciati/Lancienses (Ptol. II, 6, 29, Plin. III, 28); Lapatian(n)ci (Ptol. II, 6, 4); Lemavi (Ptol. II, 6, 25; Plin. III,28); Leuni (Plin. IV, 112); Limici (Ptol. II, 6, 44); Luanci (Ptol. II, 6, 47); Lubaeni (Ptol. II, 6, 48); Luggones (Ptol. II, 6, 33); Narbasi (Ptol. II, 6, 49); Nemetati (Ptol. II, 6, 41); Ornaci (Ptol. II, 6, 32); Paesici (Ptol. II, 6, 5; Plin. III, 28, IV, 111); Quarquerni/Querquerni (Ptol. II, 6, 47; Plin. IV, 111); Saelini (Ptol. 2,6,34); Seurri/Seurbi (Ptol. II, 6, 27; Plin. IV,112); Superati (Ptol. II, 6, 35); Tiburi (Ptol. II, 6, 37); Turodi (Ptol, II, 6,40) […].

As fontes epigráficas registram [the epigraphy gives us]

Pequeno disco de lousa, achado em Covas pelo autor deste pós, reproduzido na reedición do 1º volume da História de Narón. Contém o nome da Terra de Trasancos na breve cláusula em dat. s. Reve Trasanciuge [psvlm mejorlectio que Trasanciange] Reve, epíteto da Mater, posv. "Raising Moon, Lua"

Pequeno disco de lousa, achado em Covas pelo autor deste post, reproduzido na reedición do 1º volume da História de Narón. A breve cláusula da lousinha, em dat. s. Reve Trasanciuge [psvlm melhor lectio que Trasanciange] Reve [psvlm. tema em “a”, seguramente um epíteto da Mater, posv. “Raising Moon, Lua”] a lousinha contém, sem dúvida, o nome da Terra de Trasancos.

Aebisoci/Aeboso(nci) (CIL. II 2477; IRG IV 74); Ambimogidus (CIL II 2419); Ancondei (CIL II 2520); Bibali (CIL II 2477; 2475 (Biba(l)us); Cabarcus (CIL II 5739); Cileni (C.I.L. II 2649; EE. VIII 132: Cilin(us); IRG 120 Cilenus); Coelerni (CIL II 2477; IRL 29 Coelernae; AF 1972 382: Coelerni); Copori (CIL II 5250=IRPL 34:  Princeps Co(porum); CIL II5250= CM León 21, nº 13a: Copori); Equaesi (CIL II 2477=CM Zamora II: Equaesi; IIAE 899: Equaesi; IIAE 1347=ILER 2867: Equaesus); Gigurri (CIL II 2610: Gigurro Calubrigense); Interamici (CIL II 2477; CM León 90: Interamicus; Rivas Fernandez B. Aur., 3, 1971, 79-83 Res Plublica/Int(eramicorum)); Limici (CIL II 434=204 9 (CIL II 827 = 4215:  Limico, CIL II 2477: Limici; 2496: Lim/i(c)us; 3034: Lim(i)cus; 5953: Limicus; 4963(1) = 6246(y) =A Port. 28; 1928-9; 213 nº 1 Luzón, en Huelva, n. 38 a 63: Limicus; Cm Cáceres 211: Limic(us) 2516: Civitas/Limicorum; IRG IV1: (L) ari (bus) civita(tis/Li) m (icorum)); Ornaci, provl. Val de Ornaci, arciprestado de Valduerna (CIL II 2a633 Tabula hospitalis de Astorga = 2633); Quarquerni (CIL II 2477), Supertamarci = Tras-Tamara(CIL II 5081); Tamagani (CIL II 2477; IRG IV 66); Trasanci in Reve Trasanciuge [Trasancianige?] Covas. Ferrol (Pena Atenea 1992); Zoelae (CIL II 2633; 2651; 5684).

As fontes alto-medievais [Divisio Theodemiri anno 569] recolhem:

VIII Ad lucense: Luco civitas cum adjacentia sua, quod tenent comites undecim, una cum Carioca, Sevios et Cavarcos.

VIIII Ad Auriense: Letaos, Bival, Palla Auria, Verugio, Bivalos, Teporos, Geurros (=Iutres no L.F.) Pincia, Cassavio, Vereganos Senabria et Calapacios (=Cabazas no L. F.) maiores.

X Ad Astorica: Astorica, Legio, Bergido, Petra Speranti, Comanca (=Colanca no L. F., Ventosa, Mourelle (=Murelle no L.F.) antes da chegada dos mouros confirmando as teses de Isidoro Millán) Superiore et Inferiore, Senimure(=Senure no L.F.), Fraucelos (Fraugellos no L.F.) Pesicos.

 XI Ad Iriense: Morracio, Salinense (Saliense no L.F.), Contenos, Celenos, Metacios, Mercia (Mercienses no L.F.), Pestemarcos, Coporos, Célticos, Bregantinos (Brecanticos no L.F),Prutencos (Prutenos), Prucios (Plucios no L.F), Besancos (Besaucos no L.F.), Trasancos, Lapatiencos (Lapaciencos) et Arrós.

XII Ad Tudense ecclesias invicino: Tueredo, Tabuleda, Lucoparre, Aureas, Langetude, Carisiano, Marciliana, Turonio, Celesantes, Toruca. Item pagi: Aunone (Dunone no L.F.), Sacria, Erbilione, Cauda, Ovinia, Cartase”.

Según el Cronicón Iriense que a pesar de su tardía redacción se fundamenta en antiguas y fiables fuentes

TREBAS, TOUDOS, TERRAS, COMISSOS Y COMITATOS

Quando os documentos medievales fazem listados de trebas, toudos, ciuitates/populi, terras, etc., os dão ordenados em grupos concatenados. como quando estudando “as regiões e províncias” nos mapas da ditadura de Franco dizíamos “Crunha, Lugo, Orense e Pontevedra” e depois “Leão, Zamora, Salamanca, Valladolid e Palencia” etc. Esta circunstância, observável  nas listagens dos diplomas permite detetar uma unidade maior, superior a modo dos comitatos concentrados por herança familiardo conde, em realidade um senhor de multiples, singulares Terras ou Territórios Políticos familiares,  – a cada um deles com seus magistrados territoriais próprios [uicarius terr(a)e e maiorinus terr(a)e]  onde o conde ostenta seu título celta de princeps terra, princeps huius terre ou imperante de terra-. A unidade superior à treba, toudo ou terra, denomina-se nas Ilhas Britânicas, Mór Túath, aquí comitatus. A forma enroscada – assinalada em este mapa por cores- de agrupar séries de trebas nos documentos e diplomas medievais como o Cronicón Iriense, em princípio assinalam ao meu modo de ver uma realidade equivalente a estes mór túaithe: “Miro tomou baixo  seu dominio a Braga e reuniu o Concilio Bracarense Segundo, onde acudiu Andrés em o ano 610. e Miro puxo baixo a súa Sé Iriense as seguintes diócesis a saber:  Morrazo, Salnés, Moranha, Caldas, Montes, Meta, Merza, Tabeirós, Valga, Louro, Nemancos, Vimianzo, Seaia, Bergantinhos, Faro, Escudeiros, Dubra, Montáos, Nendos, Pruzos, Bezoucos, Trasancos, Labacengos e Arrós, e outras dás que se ten mención nos cánones

 

[…] et Mirus cepit Bracaram et fecit concilium Bracarensem sedundum, ubi Andreas fuit, in era DCX Et Mirus sedi sue Hiriensi contulit dioceses, scilicet: Morracium, Saliniensem, Moraniam, Celenos, Montes, Metam, Merciam, Tabeyrolos, Velegiam, Hour, Pistomarcos, Amaeam, Coronatum, Dormianam, Gentines, Celticos, Barchalam, Nemarcos, Vimiantum, Selagiam, Bregantinos, Farum, Scutarios, Duuriam, Montanos, Nemitos, Prucios, Bisa(n)cos, Trasancos, Lavacencos et Airos, et alias que in canonibus resona(n)t […].” Transcripção e notas de Manuel-Rubén García Álvarez, Memorial Historico Español (R.A.H.), Tomo L. Madrid. 1963. Cf. Pena, 74,76.

Mapa parcial de distribuição de trebas ou toudos costeiras de Gallaecia sobre um mapa da reduzida Gallaecia atual. Estas pertencentes em sua maioria ao Convento Lucense

Parcial de distribuição de trebas ou toudos costeiras de Gallaecia sobre um mapa da reduzida Galiza atual, pertencentes em sua maioria ao Convento Lucense.

As in Ireland (MacCone; Gibson; Byrne), Wales (Hubert, 436-437); Scotland (A. Dogshon), continental Europe (Wells;  Halselgrove, 12-29), and the Nordic countries (Kristiansen, 241-280), the ancient Gallaecia configured itself as a succession of political territories that probably emerged at an early stage. In Treba y Territorium (USC 2004), in a long term study (1987-2010) of a Galician shrine in Narón (Northwest Galiza), this author notes a Neolithic origin of the Treba.

Como Irlanda (MacCone; Gibson; Byrne), como Gales (Hubert, 436-437); como Escócia (Dodgshon, R A 1995 ‘Modelling chiefdoms in the Scottish Highlands and islands prior to the ’45”, in Arnold, B and  Gibson, D B (eds) Celtic Chiefdom, Celtic State, Cambridge University Press: Cambridge, 97-99); como Europa continental (Wells;  Halselgrove, 12-29), e como a Nórdica (Kristiansen, 241-280), a antiga Gallaecia se configurou em uma sucessão de territórios políticos, sem dúvida procedentes de um estádio remoto. Em Treba y Territorium,  estudo de longa duração (1987-2004) de uma comarca galega em Narón (Noroeste Espanha), assinalamos um orígen Neolítico da Treba.

Classical historical and epigraphical records allows us to know the name of these territories and the name of their inhabitants. Still many of them persisting in present areas of Galice.

The Celtic political territories or units, so called trebas or toudos [OI túaithe], where the riges, ‘kings’, or principes, ‘princes’, dominate and ruled, were delimited among them, by a wide repertoire of milestones or land marks [of different kinds and periods] working like borders. Let’s examine just a few of these milestones:

COIRAS, FITOS TERMINAIS LAND MARKS

A treba or toudo is separated in Gallaeciae from the adfines, “neighbours”, by coirastermini, land marks, with many denominations

Fito cruciforme terminal duma TREBA galaica en Sanfíns. Valpaços. Chaves. TERM(inus) TREB(ae) OBILI(-i/--orum/-ancorum?) Cada "território político" treba ou toudo tinha seus próprios marcos. Separados os marcos da treba própria, aqui os dos Obili ou Obiliancos, dos outros marcos que delimitaban as vizinhas trebas, por um espaço neutro a modo de terra de ninguém.

Fito  ou coria cruciforme terminal duma TREBA galaica do Rigeueiral, Sanfíns, Valpaços. Chaves. TERM(inus) TREB(ae) OBILI(-i/–orum/-ancorum?) Cada “território político” treba ou toudo tinha seus próprios marcos. Separados os marcos da treba própria, aqui os dos Obili ou Obiliancos, dos outros marcos que delimitaban as vizinhas trebas, por um espaço neutro a modo de terra de ninguém.

Or separated  by mounds, like this Chalcolithic one [image bottom, left] with a statue of the eponymous founder, in which they wrote in the Lower Empire: “Here lies [my ancestor] Lateron Celtiato, Son”

1º LATRONUS “Esforçado, Valente, Brioso, Decidido, Disposto (para a batalha)” [seguramente do antigo irlandês OIr. Láthar envolvendo a Ideia de disposição [para o combate]’, “n. ou-stem <*lāϑ(e)r < * lāϑ(e)rom: acc. sg., dat. sg. lathur [lathar] (McCone, 2011), 2º [esta segunda opção cede ante a anterior] lat. Later-onus “O que [pela segurança que inspira] anda ao lado do (nobre ou o rei)” –nada tem que ver, o esforçado Látronus com um amigo do alheio, como com pouco acerto, desconhecendo a importância institucional desta peça, sustenta Francisco Fariña-,. CELTIATI FILIVS, “Filho de Celtiato”; HIC SITUS EST “Aqui Jaz”. Sem dúvida o iussor – nobre cuja família detentava a secular possessão do território demarcado pela estátua menhir de tempo inmemórial - mandando no Baixo Imperlio gravar o epígrafe (psb do século IV d.C) sobre o túmulo fundacional calcolítico, ca. 3400 a.C., queria documentar, deixar por escrito, a mámoa do epónimo fundador da sua prosapia (Pena Graha)

LATRONUSEsforçado, Valente, Brioso, Decidido, Disposto (para a batalha)” [seguramente do antigo irlandês OIr. Láthar envolvendo a Ideia de”disposição [para o combate]’, “n. o-stem <*lāϑ(e)r < * lāϑ(e)rom: acc. sg., dat. sg. lathur [lathar] (McCone, 2011), 2º [esta segunda opção cede ante a anterior] lat. Later-onus “O que [pela segurança que inspira] anda ao lado do (nobre ou o rei)”. [Nada tem que ver, o esforçado Látronus com “um amigo do alheio”, como com pouco acerto, desconhecendo a importância institucional da peça, sustenta o colega Francisco Fariña Busto], CELTIATI FILIVS, “Filho de Celtiato”; HIC SITUS ESTAqui Jaz”. Sem dúvida o iussor – nobre galaico cuja família detentava a secular possessão da treba Quarquerna dos Galaicos Brácaros, demarcada pela estátua menhir de tempo inmemórial – mandando no Baixo Império gravar o epígrafe (psvlm. do século IV d.C) sobre o túmulo fundacional calcolítico, ca. 3400 a.C., queria vindicar, deixar por escrito, a pertença da mámoa ao epônimo fundador da  prosápia (Pena Graha) e que este era filho, á sua vez, do epônimo fundador das trebas da Kaltia ou Gallaecia.

Or separated by a wide repertoire of fitos terminais, “landmarks”, named in celtic-latin galician, or in the Celtic language, spoken before the conquest, with various denominations as coiras (Old Irish cora; Corn. cored, cf. VENDRYÈS sub vocabulo cora 1987), carneiros, carracedos, carnoedos, “amilladoiros”, etc.

Tom O'Neill, senior writer de National Geographic, y Regional Editor of Asia, com o autor deste artigo e uma amiga sobre um carracedo, carnoedo ou amilhadoiro perto de Santo André de Teijido ao preparar o seu relatório The Celtic Realms para a revista National Geographic. Os carracedos ou carnoedos não é sempre desempenhar um papel de demarcação nos países celtas, na maioria das vezes os amilladoiros tem uma função religiosa associada com as rotas de peregrinação.

Tom O’Neill, Senior Writer of National Geographic and Regional Editor of Asia, com o autor deste artigo e uma amiga visitando um cairn, carracedo, carnoedo ou amilhadoiro perto de Santo André de Teijido ao preparar o seu relatório The Celtic Realms para National Geographic. Os carracedos ou carnoedos não sempre desempenham um papel de demarcação nos países celtas, a maioria das vezes os amilhadoiros têm uma função religiosa associada com as rotas de peregrinação.

É frequente na Galiza que uma mámoa, um petróglifo, uma pedra-fita ou um outeiro “altar rupestre”, demarquem ou deslindem duas, três e até quatro freguesias; dois, três e até quatro câmaras municipais; duas, três e até quatro bisbarras e, em ocasião até várias províncias [criadas pelo centralismo no segundo terço do século XIX], indicando esta circunstância que ainda que as atuais câmaras municipais e as atuais províncias são criação do século XIX (1837), a sua circunscrição fez-se na Galiza organicamente– e a atuação de Pio Pita Pizarro é uma prova irrecusável, sobre jurisdições e freguesias preexistentes, e não como noutras partes de Espanha ‘a cordel’,  assinando de modo arbitrário a uma determinada população uma quantidade determinada de léguas em quadro. 

Marco de Portonovo no Caminho de Santo André, com uma inscrição M3T [Marco de Três Termos]. Separa três prefeituras Narón, Valdoviño e San Saturniño. Tem uma pegada "marcar" da sandalia de Cristo peregrino que ficou impressa na pedra quando Deus asulagou "afundou", a cidade impía de Portonovo de Valverde, sita ao Oriente dum rio muito grande. A cidade desapareceu, o rio ficou convertido neste porto vau", junto a um perigoso piago [pielagus nigrus] ou "poço sem fundo" . Nas noites de lua podemos divisar baixo a água o campanario da igreja asulagada e com uma vara fazer soar o sino

PORTO com epígrafe do século XVIII.  Marco de Portonovo no Caminho de Santo André, com uma inscrição M3T [Marco de Três Termos]. Separa três prefeituras Narón, Valdovinho e San Sadurninho. Tem uma pegada “marcar” da sandalia de Cristo Peregrino que ficou impressa  quando  assulagou, “afundou”, a cidade impia de Portonovo de Valverde, sita ao Oriente dum rio muito grande. A cidade desapareceu, o rio ficou convertido neste porto,  cabo dum perigoso piago [pelago nigro] ou “poço sem fundo” que o papa todo. Nas noites de lua podemos divisar baixo a água o campanario da  assolagada igreja  e com uma vara podemos também fazer soar o sino

Esta circunstância permitiu que a reorganização de concelhos [prefeituras] e províncias, se fizesse em realidade, partindo do modelo preexistente das paroquias, coutos e bisbarras (comarcas).

Paroquias e bisbarras atuais de Galiza, herdeiras duma facies anterior

Paroquias e bisbarras atuais de Galiza, herdeiras duma facies anterior

Coincidentes com o que hoje vêm de ser as comarcas, os Territórios Políticos estavam delimitados por marcos, em geral de pedra, de nome coiras . Comparativamente, veja-se o antigo irlandês cora “valado, muro de pedras” e o galés cored ‘barreira’, vozes celtas que também figuram como derradeiro termo de composto em numerosos topónimos (Vendryes 1987 sub vocabulo cora) Desta voz derivam numerosos topônimos como Coira (Allariz, Ames, Monfero, Porto do [O]són [Portus Ursoni, não ‘Porto do Son’], Santiago, Teo)… mais muito olho em “[…] por Porto Pequeno de Coira” [Tumbo de Monfero, 1651].

 FANTASMAL PORTO DE CORIA QUE SÓ  APARECE AOS MEDIEVALISTAS

 É utopia Porto de Coria, lugar que não existe em nenhum lugar, agás em a concorrência ‘medievalista’, nem faz graneiro, nem ajuda ao companheiro inter e multidiciplinar. Assim o liniolo, “imaginária linha divisória” dum acoutamento, como este do Mosteiro de Caaveiro  [cirógrafo do 15 de agosto de 1117] do rei da Galiza, Alfonso VII – incluindo entre o  repertorio imobiliário demarcatorio institucional uma preceptiva Fontana Fria o Fontem Frigidam– entre outras corias  discurre […] deinde per illam Karralem que ducit ad Portum, decoria deinde per illum villarem […] usque ad insulam […] etc.” […] depois pelo carral [“caminho de carro”] que leva ao Porto [“lugar do rio de pouco calado, que se pode vadear”], decoira [“demarca” depois pelo Villar […] ata a illa […], etc. Mas nosso, excelente por certo, medievalista traduz […] deinde per illam Karralem que ducit ad Portum de Coira; deinde per illum villarem […] usque ad insulam […] depois pelo carral que conduz até o Porto de Coria; depois pelo vilar [etc].– Quasi todos o fazem –

DECOIRAR COM COIRAS

Monumental pedra fita do Marco do Vento. Monte do Seijo. Cerdedo. Galiza.

Monumental pedra fita, coira, ou Marco do Vento. Calros Solla. Monte do Seijo. Cerdedo. Galiza.

O verbo demarcar – com um amplo imobiliário demarcatório- é nas cartas galegas medievais o verbo decoriare, ou decoirar, com marcos,  corias ou coiras:

Invenerunt acham in ripam de Mero ubi dicent ad canarium et decoria [demarca] in directo de ipsa archa in directo Santo Stephano […]. Et alias archas et decorias que divident inter Lemenioni et ipas Parietes et Caliobre et concludent per Fontem Bonam (P. Loscertales de G. de Valdeavellano 1976, pp. 161 -2) 

Toda a documentação alto e baixo medieval, quando refere deslindes de zonas altas e esgrevias ou de zonas baixas, utiliza os megálitos profusamente como marcos que dividem antigas propriedades e, em muitos casos, chegaram até hoje cumprindo com a mesma função.

Assinalando desde tempos imemoriais os limites geográficos das diferentes demarcações locais, as pedrafitas e mámoas de todas épocas -do Neolítico ao Ferro [“nos funerais de Viriato, fizeram combater ante seu túmulo 200 parelhas de gladiadores, honrando assim sua eximia fortaleza (Diodoro 33, 21)”. Terminado o funeral celebrarão combates singulares sobre seu túmulo (Apiano. Iber. 71)]-, se converterão pela sua antiguidade e visibilidade nos pontos de referência favoritos dos antigos. O que parece uma máxima: ‘esta terra é nossa porque aqui estão os túmulos dos nossos antepassados’ prevaleceu assim ao longo do tempo.

OU TUMBA É DUM MORTAL HÁ TEMPO MORTO, OU, AO CABO, UM MARCO POSTO PELOS ANTIGOS 

Monte de Nenos, Narón Duas grandes pedras destinadas para a coberta dum dólmen de galeria, que por um arrependimento não se chegou a construir e se deixaram ao pé da canteira.

Monte de Nenos, Narón Duas grandes pedras destinadas para a coberta dum dólmen de galeria, que por um arrependimento não se chegou a construir e se deixaram ao pé da canteira.

Na Idade do Bronze, já com suporte factográfico podemos observar o alcance indoeuropeu do hábito de empregar as mámoas para demarcar, pela primeira vez num registro Europeu, nas honras fúnebres de Patroclo, no túmulo ou, melhor dito, nas despidas pedras da possível câmara dolménica que aparecem descritas na Ilíada:

Vou [-dí Nestor-] mostrar-te qual vai ser a meta, ainda que é singela de mirar, e não te passará inadvertida: ali por riba do chão erguesse, e tão alto coma uma braça, um tronco seco, bem chantado e ergueito, de uma azinheira ou de um pinheiro que a chuva não apodreceu, duas pedras bem brancas o entalam, uma a cada banda em pleno estreitamento do caminho, e acalcada de uma e de outra parte estende a pista para carros; ou tumba é dum mortal há tempo morto, ou, ao cabo, um marco posto pelos antigos, e são a meta que o divino Aquiles, o dos pés velozes, vos pôs. (Homero Ilí. XXXIII, 326 – 34) .

Corias em lingoa indíxena e termini em latín, estes marcos despregan em ocasións um complexo imobiliário arqueolóxico que mostra ora mesas ofertorias do Neolítico final, inzadas na súa superfície com petroglifos de “cazoletas” [cup and rings] chamados nos documentos medieváis burgarios, ora túmulos do Neolítico nomeados em latín medieval lacos anticos, lacunas, lacunellas [véxanse nos montes galegos os topônimos Lagoa, Lagoela], mamolas, etc.

LACOS ET MAMOLAS

Plano do lugar de Vilamartim, em Sam Jorge de Rioavesso, com mámoa fundacional entre outras demarcações apresentadas pelo Conde de Lemos e Joseph Antonio Pardo de Montenegro. 1715

Plano do lugar de Vilamartim, em San Xorxe de Rioaveso, com mámoa fundacional,  entre outras demarcações apresentadas pelo Conde de Lemos e Joseph Antonio Pardo de Montenegro em 1715

Assim cando as fontes falan de lacos anticos et mamolas, a diferença entre estes dous conceitos débese a em que um laco (sic) é sempre um túmulo que apresenta buraco de violação; esta abertura de túmulos poido se produzir ao dia seguinte do enterro, ficando a pegada desta actividade em forma de grandes furados, lacos, que podem alterar ou acabar em ocasiões com moitos túmulos escavados centos, escavados centos, senão milhares de vezes, em busca de tesouros ata que a eles -caso de supervivir- chega a paleta do arqueólogo; mentras que a mamula, sospeitosamente eliminada pelos buscadores de encantos, conservaria ou aspecto primordial de teto. Hoje de aplicarmos a precisão descritiva dos nossos cartolários e diplomas medievais non poderíamos com propriedade falar de mamolas ou de mámoas, ao chegarnos coma dixemos a prática totalidade delas violadas, não uma, senão, ut supra, milhares de vezes, sendo máis exato e descritivo recuperar a voz  lacunas, “lagoas”.

LOKOOBO, LACO, LAGO

Da Idade do Bronze e enquadrável no mesmo horizonte heroico indoeuropeu a galaica voz laco, lacuna, ‘lago, lagoa’, “mámoa, moimento’, lokoo|n, em celta antigo comum, aparece gravada em uma estela levantada sobre o túmulo dum Nerio da Galtia ou Kaltia – galaico e celta são sinônimos-  niiraboo too aŕaia i kaalteum ari “nobre” sorprendido pela morte em Tartessos trabalhando para se ganhar a vida, talvez, como avisa Avieno na Ora Marítima, negotiandi cura, metido em negócios  importantes de preciosos metais. Nosso business man da Costa da Morte chamou-se, Tasiono pois poderão vocês supor facilmente como é lógico que o primeiro que se encarrega ao lapicida – e até hoje- é gravar o nome do difunto.

O PRIMEIRO NOME GALEGO CONHECIDO É DE TASIONOS, UM ARI, “NOBRE”, NERIO DA KALTIA, GALLAECIA

Umas considerações sobre a provisional lectio interpretatio de John T. Koch sobre o epígrafe de Tásionos, pp. 339-351 I.S.S.N.: 1578-5386. [J.1.1] ‘Fonte Velha 6’ lokooboo niiraboo too aŕaia i kaaltee lokoo|n ane na_kee kaakii_iin|koolobo|o ii te’-e.ro-baar|e(be)e tea|śiioonii ‘invoking the Lugoues of the Neri people, for a nobleman of the Celtae/Galatai: he rests still within; invoking every hero, the grave of Taśiioonos has received him.’

Tasionos nobre Nerio da Kaltia

Estela de Tasiono, Nerio da Kaltia, Gallaecia. Deste período, e horizonte heroico indoeuropeu pertence a tumba lokoo|nlaco, lacuna, “lagoa”, de Tasiono, um Nerio da Galtia ou Kaltiagalaico e celta são a mesma palavra-, pois, sem dúvida, o túmulo como é natural recolhe o nome do seu proprietário, o morto, nunca do anônimo lapicida que fazia por encargo, pero nem assinava o epígrafe do defunto nem poderia assinar uma construção funerária.                         ‘lokoobooniirabootooaŕaiaikaalteelokonanenaŕ[.]ekaa?iiśiin  koolobooiiteerobaarebeeteasiioonii;  

Notemos a título de curiosidade que tea|śiioonii, “Tasiono“, e o primeiro nome  documentado too aŕaiai “dum nobre” galego, a primeira menção conhecida dum (em dat. de s.) niiraboo  “Nerio“,  kaaltee “da Kaltia ou Celtia“, anticipándose en oito séculos a Plinio, Celtici cognomine Neri et Super Tamarci, quorum in paeninsula tres arae Sestianae Augusto dicatae, Plinio N.H. IV,111

tasionos

Lectio de Untermann (1997), segmentada: ‘lokoobooniiraboo too aŕaiai kaaltee lokoo/n ane naŕkee kaakiśiin/koolobo/o ii te’-e.ro-baar/e(be)e tea/siioonii: “invoking the Lugoves of the Neri People, for a nobleman of the Celtae/Galtai: he rests still within; . invoking every hero, the grave of Taṡiioonos has received him’. por John T Koch (2009, 334); e eu fazo o proprio, pisando os seus passos:  Invocando aos Lugoves da Gente Neria por um nobre da Celtae/Galtai. Aquí jáz. Chamando a cada héroe [a morte], a tumba de Taṡiioonos recebeu-o [a ele]”

LES MOTS ET LES CHOSES. BLANCO, E EM GARRAFA

Faz noventa anos, na primavera de 1923 a draga ‘Fita’ trabalhando a 23 metros, ao sul do peirao da Compañia de Tharsis, na Ria de Huelva, encontrou, assombrando a importante descoberta aos arqueólogos da época, um depósito de 397 peças, sobre tudo armas do Bronze Final de ótima fatura e extraordinária execução técnica,  em um dia transportadas nas adegas dum barco galaico. Durante meses os jornais não falavam de outra coisa.

LES MOTS ET LES CHOSES

Ainda que os arqueólogos a mais peso (Luzón) sustentaram sempre a teoria do barco [tartésico] afundado da Idade do Bronze com material do norte, também se deram outras teorias, ritos funerários, que as armas tivessem sido arrojadas a propósito à ria, actos de marcação ou tomada de posse de território, etc. No entanto recentes análises com o método dos isótopos de chumbo mostraram que as peças tinham uma origem foráneo, que não pertenciam ao território suratlântico. Eram, sem dúvida peças de importação, seguramente, do ámbito galaico que permiten-nos documentar pela primeira vez, um galego com nome próprio, dedicado a sua função, os negócios, com uma dupla ‘real probe’ -uma sólida evidência arqueológica e um fiel depoimento histórico possibilitado pelo desciframiento do tartésico por Koch-, a presença em Tartessos das armas de bronze objeto do tráfico, e a presença em Tartessos negotiandi cura dum céltico nerio Taṡiioonos um ari, “nobre” nerio da Kaltia ou Galtia, protagonista deste comércio da heróica Idade do Bronze.
 E esta descoberta alumia e alumia-se, confirmando o texto de Rufo Festo Avieno do século IV d.C. “Avieno trabalha com fontes muito antigas, cita onze, como o periplo Massaliota, o documento mais antigo de autores gregos conservado na antigüedad, que nos dá a única informação que possuímos da Idade do Bronze no Noroeste Peninsular. Mostra uma temporã vocação comercial e marinheira, ratificada pela arqueologia (espadas pistiliformes, lúnunas, etc.)” Pena (1991, 65-73.).

 Rufo Festo Avieno. Ora Marítima 85-110 [desculpem a grafía portuñola do galego] 85.- Aqui está a urbe de Gadir, dantes chamada Tartessos; aqui as colunas do pertinaz Hércules Abyla e Calpe […]. 90.- E proeminente surge aqui a cabeça dum cabo. Oestymnin chamouno a antigüidade, alta mole de pedra afiada que verque na meirande parte o tépido Noto. Nembargantes, baixo o proeminente vértice, o Golfo Oestrymnico abre-se aos habitantes. E mostram se nele as ilhas Oestymnicas de ampla extensão e ricas em metal de estanho e chumbo. Aqui há moita gente  [vim gentium], de ânimo soberbo e astúcia eficaz. 100. – a todos junge a unidade de interesses para negociar, e com as barcas entretecidas sulcam um mar enormemente agitado e abismam no oceano povoado de monstros. Aqui não construirão as lanchas de Pinheiro, nem de pradairo, nem curvam os abetos, segundo o costume, senão coisa de admirar-se sempre preparam as embarcações  com peles unidas e percorrem a miúdo o vasto mar co couro. Desde aqui a ilha Sacra, assim a chamarão os antigos, há dois dias de navegação. 110.- Entre estas águas espalha-se moita terra e grande parte desta a habitam os hibernos. Preto sai á vista a ilha dos Albiones”.

Habría que discutir – sustentava Moralejo olhando sub vocabulo Celta, uma relação com a voz Callaecia– también si el ide. *kel- ‘levantar, elevar’ es o no la misma raíz que, ampliada, tenemos en irl. ant. Calath y gal. Caled ‘duro’ y en el etnónimo galo Caleti,Caletes, que podrían relaciornarse con los hispánicos Caladunum, Calubriga, Portu Cale, etc. En principio no parece difícil conectar los significados de ‘elevado, alto’ y ‘duro, fuerte’, sobre todo si pensamos en el terreno, en sus formas y su poblamiento. Metidos en gastos de conjeturas y si se admitiera solamente la base *kal sin sufijación *-na-podríamos borrar la diferencia entre cal(a)- y call(a)- suponiendo que enCallaecia y Callaicus la geminación es de motivación expresiva”. Ex Juan J. Moralejo  Álvarez. CALLAICA NOMINA. Estudios de Onomástica Gallega.

J. T. KOCH ActPal X = PalHisp 9

OS GALEGOS SOMO CELTAS? MAIS BEM LARGOS E COM FILTRO ASSINALA COM O DEDO O ANTICUARIO DA RAH

CÉLTICOS, CÉLTIGOS

 CELTAS?  Mais bem longos e com filtro. O caro Martín assinala, dou fe.

Na cláusula inicial de de Bello Gallico-sustenta comigo Heitor Rodal López em um conjunto trabalho que apresentamos na Irlanda em 2011-  assinalando  que a Gallia se divide em três partes, a uma habitada pelos Belgas, a outra pelos Aquitanos, [“Gallia est omnis divisa in partes tres, quarum unam incolunt Belgae, aliam Aquitani,  […] – ao falar da terça parte nos diz na parrafada introductoria à Guerra das Galias Julio César– “tertiam qui ipsorum lingua Celtae, nostra Galli appellantur”, isto é na terceira parte das Galias vivem os que em sua língua se chamam Celtas, mas se chamam na nossa, id est, em latín, Galos. [C. Iulii Caesaris Comentariorum de Belo Gallico. Liber Primus. 1.1.1], e não se tendo encontrado nas Galias evidências epigráficas do  cesariano aserto, resulta muito engraçado, não o Calo, que em Gallaecia as evidências, como assinala ao meu lado com o dedo, o anticuario perpétuo da Real Academia de la Historia, Martín Almagro, saltam à vista [dos que a têm].

más bien largos y con filtro

CELTAS DE PRIMEIRA “No entanto, resulta-me muito difícil esquecer que o depoimento de César segundo o qual os Galos se chamaram a si mesmos Celtae, ainda não tem encontrado nenhuma comprovação por outros indícios nem em a Galia de César nem muito menos em outras partes do mundo céltico antigo ou medieval. Seria estranho se a primeira prova de tal tradição de denominação a si mesmo aparecesse no extremo ocidente dos Povos aos que teria que adscribirse o nome Celta” ex Jürgen Untermann 1993Presumían de celtas como Tasionos -que não pôde ter chegado com as tropas auxiliares duma Roma que então esperava por Rómulo para arar o Pomoerio– mas sim pôde certificar seu ari, “nobre”, origo Nerio da Celtae/Galtai, Celtia ou Galiza, o epígrafe sobre seu carneiro ou túmulo funerário, recentemente traduzido do Celta Antigo Comúm. Neste sentido convém assinalar como um epígrafe aposto à estela calcolítica que coroava o fundacional túmulo demarcatorio duma treba galaica em época Baixo Imperial, permite deduzir a existência na Galtai ou Kaltai, de um mítico fundador epónimo, chamado Celtius ou Celtiato, de quem, justificando a quieta e pacífica posse jurisdiccional do território pela sua linhagem, presumiriam descer todos os príncipes, que em algo se tivessem, das galaicas Trebas [os Celtici Praestamarici, embaixo do Tamara, ” rio Tambre”, ou os Celtici Supertamarici, sobre o mesmo rio  p.ej.].

Dende que -demonstrando que Eulogio Losada Badía tinha ração, J. T. Koch-, Taṡiioonos teve a honra de ser o primeiro en fardar de Nerio da  Celtia ou Kaltia, quando  tão calando lhe surpreendeu a morte na Conia, psvlm. negotiandi cura, ocupado como conta Avieno, na terça, ou a quarta coisa que os galaicos da Idade do Bronze melhor sabiamos fazer; os galaicos presumimos sempre  -e assim até o desembarco de Carlos Alonso do Real e cía- de Celtici como apontam os historiógrafos.

QUE LÍNGUA FALAVAM OS CELTAS DE GALLAECIA E LUSITANIA DANTES DA CHEGADA DOS ROMANOS?

Nos advirte em amável comunicação epistolar Xaverio Ballester do perigo para muitos incautos do pensamento ilusório, do wishful thinking:

Si las fuentes más antiguas hablan de “kallaekia”, ergo “eso es lo antiguo y original”, pues que siendo Callaecia forma griega, no autóctona,  el fallo puede ser doble: 1) no ver que esas fuentes antiguas eran también las fuentes griegas, y 2) no tener en cuenta la tradición oral, que es unánime.

Avindo o elemento principal comúm Kel-/Gel-; Kal-/Gal-, o Galaico com o Gaélico e Céltico, “a título de curiosidad”, revelou Moralejo:

[…] que Callaecia tendría sus allegados etimológicos en latín callus ‘callo” y collis ‘colina, en el (pre)griego colofón… y [que] también podría entrar en la opción etimológica *kel-, serían algo así como los ‘altivos’ […]

Por sua vez de forma coherente, concordando com o já exposto no ano 2002, diz Xaverio Ballester “sobre o etnónimo dos gálatas (e dos celtas)” (307-314):

Some of the traditional explanations for the name of the Celtae have no typological paralell at all. The old name of the Celtae coud be well preserved in the ethnonym Galatai, wich could be explained as *gala-‘end, limit, border’ and *tai ‘those, they’, with the general meaning of ‘the borded people’ a common kind of ethnonym that suits the geographical situation of old Celts and their historical background” (307)

Apontamos em derradeiro lugar, que sub vocabulo celt-, recentemente Faileyev (2006,  94–111), deixando-se no tintero ao primeiro de todos eles, o mencionado Julio César, assinalou entre outros “attempts to reconcile the linguistic pre-history of Keltoi and Galatai” [in ‘Celtomania and Celtoscepticism’ p. 22], o Galo com o Celta o de Kim McCone, “Greek Κελτός and Γαλάτης” [ Sprache 46/1 (2006): 94–111]

Das duas possibilidades oferecidas por J. T. Coch para lokoon [J.57.1], ‘grave, funerary monument’, cf. Cisalpine lokan ‘grave’(Todi): Indo-European *legh– ‘lie down’.

[Alternatively, lokoon could mean ‘oath’, cf. Old Irish lugae (Jordán 2006), or ‘Lugus’ as an accusative singular corresponding to lokooboo]

LOKOON, LACUS, LAGO

 A primeira leitura parece-nos segura por estar na Galiza a voz hiper-documentada, devendo-se descartar a segunda alternativa. O velho costume de erigir túmulos fundacionais nas fronteiras das trebas ou toudos, “territórios políticos autônomos celtas”, chamados ciuitates / populi pelos romanos e terras na Idade Media, possibilitou a permanência da função de marco do túmulo ou “lagoa”.

Laco ou arca do Xistral

Laco, ‘lago’, ou arca do Xistral

A documentação alta e baixo medieval galega, utiliza profusamente monumentos megalíticos como marcos para dividir antigas propriedades deslindando zonas altas e esgrevias. Mámoas e pedra fitas, pela antiguidade e visibilidade, deslindam desde tempos imemoriais  os limites das demarcações  locais sendo os pontos de referencia dos antigos (Pena 1991, ), e empregam se ainda hoje, nos lindes dos nosso Concelhos [Câmaras] como marcos divisórios das paróquias [criadas no S. XIII], e dos próprios concelhos rurais [feitos ao cabo por agregação de paróquias no S. XIX].

PER ILLA LACUNA USQUE IN ALIA LACUNA

Deslinde do Celeiro de Marinhaos em o Diploma do Rei Silo

LOKOON, LACUS, LAGO  Deslinde do Celeiro de Marinhaos. Diploma  do Rei Silo. O mais antigo documento (auténtico em pergaminho) de Espanha [fala duma Galiza continuista, alheia a coisa muslime] o Diploma Silonis Regis recolhendo, sub die X Kalendas septemberes a doação pelo monarca dum Celeiro em terras de [A]Marinha [Namarini],  hoje Celeiro de Marinhaos, mostra a milenária permanência da lacuna ou laco, “lagoa, lago, túmulo ou mámoa”, pela sua função de marco.

A primeira vez que nos topamos  (Pena 1991) com esta denominação é num documento de âmbito galego, o mais antigo que existe em Espanha, o Diploma SILONIS REGIS feito na ERA DCCCXIII [23 de agosto do ano 775] pelo que o Rei Silo doa um celeiro, hoje o Celeiro de Marinhaos, na Marinha Lucense, a vários monges.

O Celeiro de Marinhaos (do território político autônomo celta dos Namarini) toma seu nome dum celeiro onde em cellae, quartos, se guardam alimentos: cella vinaria para o vinho; panaria para o pão, etc., dispondo-se provisões para todo o ano. O texto latino procede da lectio directa de Manuel C. Díaz e Díaz [in Antología do latín vulgar. Ed. Gredos. Madrid 1974, 212-213]

[…] ut darem eis locum orationi in cellario nostro qui est inter Iube et Masona, Inter ribulum Alesancia et Mera, locum que dicitur Lucis, determinatum de Ipsa uilla ubi Ipse noster mellarius abitavit Espasandus, et per Illum pelagum nigrum, et iusta montem que dicitur Farum, et per Illas sasas aluas et per Illa lacuna usque in alia lacuna, et usque ad petra ficta et per illa lagenam et per ipsum uillare que dicitur Tabulata per ipsa strata qui esclude terminum: usque in locum que dicitur Arcas, et arogium que dicitur Comasio, cum omnem exitu et regressu suo, castros duos […].

Para dar-lhe um lugar de oração em nosso Celeiro [hoje é o Celeiro de Marinhaos, na Marinha lucense correspondente com a treba ou toudo dos Namarini] que esta entre o [rio] Jube e o [rio] Masma, entre o [rio] Alesancia [composto celt. ant. e indoeuropeo *Haeliso “Aliso” e o sufixo –antia “rio dos alisos”] e o [rio] Mera no lugar que se chama Luzes, e se determina [limita com] a uilla onde vivia nosso meleiro [apicultor] Espasante [hoje lugar de Espasante] e pelo Piago [Piélago] Negro [os piagos são míticas charcas ou pântanos, mágicas poças que comunicam com O Além ou Sídhe, e com seus seres míticos Os Mouros, todas as paróquias galegas que se apreciem algo têm ainda hoje um, se lhes conhece como ‘o poço sem fundo’ e são muito temidos por que neles desaparecem pessoas, carros e gando] até o monte que dizem de Faro [Monte do Facho, estes fachos, eram de lenha e se usavam para vigiar o mar e avisar de perigos, pssvl. de invasões piráticas como as dos normandos e outros] e pelos Seixos Brancos [o Seixo Branco, visível até na noite fechada se usa muito para demarcar [ainda hoje quando uma estrada toca um destes seixos  o marco se retira e se coloca de novo em um lateral, bem visível e segue cumprindo sua função] e pela mámoa [violada, com lacus ou buraco de violação, até outra mámoa [per Illa lacuna usque in alia lacuna] e até uma pedrafita [pos. um menhir, cerca de Padrão (antiga Iria Flavia) alguns destes menhires, já de por sim demarcatórios desde tempo imemorial foram epigrafados com inscrições de termo no século XII] e pela laje [et per illa lagenam, a laje “pedra ou chanta provavelmente duma lacuna ou mámoa”, ou  uma pedrafita com função demarcatória] e pelo Vilar que chamam de Desiderio e pelo ribeiro que dizem de Alesanza e por outra pedrafita no monte que está sobre Taboada e pelo caminho que separa o termo até chegar a um lugar que chamam Arcas [as arcas são mámoas do Calcolítico, Post Campaniforme e Bronze antigo], e até o arroio chamado Comasio, com todas suas saídas e giro e dois castros […] .

Verdade é que este texto, em princípio, não permitiria reconhecer o caracter da voz Laco, lacuna (lagoa), se é uma tumba (Pena 1991), ou se é um lago ou um estanque para o gando ou os parrulos [dew pond].

Assim um ano depois de que eu identificara pela primeira vez esta voz, ignorando Alejandro Font Jaume o significado de ‘tumba, túmulo’ da voz lagoa, mostra esta hesitação:

[…] el término «laguna» está utilizado en el texto silense como nombre común, no como topónimo, de modo que resulta muy difícil determinar , en una tierra húmeda, a qué lagunas o depósitos de agua pueda referirse […] A. Font Jaume (1992) “Diploma Silonis Regis, ensayo de localización” Helmántica Tomo 43, Número 130-131 p 135o.

Sub vocabulo ‘lagoa’ como faz mais de duas décadas tenho demonstrado (Pena 1991, 27-31), e recentemente confirmou J. T. Coch, devemos traduzir mámoa ou túmulo funerário. laco, lacuna ou mamola, “mámoa” son voces omnipresentes nos documentos de deslinde da Galiza,  até o final do Antigo Regime e mesmo do presente.

Hoxe em dia -sustinha em 1991 o autor destas regras André Pena-, os limites setentrionais da Prefeitura ou Concello de Narón, (coincidentes nas paróquias limítrofes com as zonas montanhosas mais altas e abruptas da Câmara Municipal, Lagoa, Montes da Lagoa, Montes da Modia, Modia, Campo da Arca, Marco de Portonovo, Montiños de A Moura-A Moura, Marco da Areosa Branca e Moimentos, desde os altos de Vilar Quinte aos de Pedroso, estão ou estiveram delimitados por megálitos desde época imemorial. Os monumentos erigidos na necrópole junto ao túmulo fundacional que fazia de fronteira pela sua eminência e solidez foram empregadas por unha banda como cinceiros de todo o tempo, é dizer, um túmulo megalítico pode albergar na sua coberta de terra centenas de pequenas olas e urnas cinerarias com os restos dos que se consideravam da prosápia do fundador, depositadas em todo o tempo, mesmo milleiros de anos depois de que o próprio túmulo fora erixido [circunstância que faz com que apareça muita cerâmica castrexa na terra que cobre as mámoas e túmulos megalíticos e calcolíticos], e foram utilizados também como marcos.  […] Laco, lacos, lacunas; Lagoa significa ‘mámoa cum buraco de violação’. O limite mais proeminente ao norte entre Naróm e Ferrol chamasse Monte da Lagoa […] antes que existisse como tal o Concello de Narón, separava São  Martín de Covas de Santa Uxía de Mandiá e Santa María a Maior do Val e, posteriormente, tres concelhos: Ferrol, Serantes, e Narón. Preto deste monte está o topônimo Fonte dos Três Alcaldes [onde, por se abrir espontaneamente as portas do Além ou Sídhe ao abrente do dia de São João, se escuta a gaita de ouro dum Mouro (ser sobrenatural habitante do Além)] in Narón I, 26, ss.

LOKOON, LACUS, LAGO. LACOS ANTICOS DECOIRANDO A CASA DE SANTA COMBA 

O sentido [de Lacus, lacuna, monumento funerário (arca, dólmen oU mámoa), se confirma “de forma indubitável no documento do mosteiro de Celanova do 982, publicado por Antonio López Ferreiro (1899 apén.  pp 184. Tomo II). Falando dos limites da casa de Santa Comba na Limia [Lima], Odoino, di [aclarando a] identidade entre Lagoa e o túmulo ou mámoa o megalítico o seguinte:

Quomodo dividet cum villa Sancta Columba, Ermigildi et Atanes et transit Limia ad Patrono intra Mogaynes et Sancta Columba et feret in Arca tras Limia ad casam de Domno et per suis terminis ubi inueneritis lacos anticos et mamolas. Uno laco qui est Tras Limia unde venit liniolo qui transit per Limia et venit inter Sancto Martino de Calidas et feret in Cima de Villa ad alio laco maior per suo liniolo ubi iacit efigiem hominis sculpta in petra que testificat de laco in laco et inde per suos moliones firmissimos ad Arca Maior ad Castro de Vemes et sic tornat per alios moliones et feret in fontem de mulieres deinde postea mineo rio inter Villarino et Monte Longo per ubi formissime divisimus cum ipsos domnos iam prefactos in illorum grande concilium sub unos andantes, et omnia bene considerantes atque certius dividentes et omnia firmissime permanentem. Statuentes devenimus ad arcas maiores de Sancta Eolalia inde primiter inquoavimus. Notum die ipsas kalendas octobris discurrente tunc era XXª post. Mª. [cf. Narón I p 34, nota 11]

ET FERET IN FONTEM DE MULIERES

Fonte de mulheres. Tripla Ana Manana [Laureana, Aureana e Ana]. As três [A]Mouras abandonam sua fonte montando sendos cavalos. Mas uma delas, não passando a prova o mozo no que confiaram, se tem que ficar por lhe faltar uma pata a sua cabalgadura. Ilustração para Contos e Lendas de Trasancos da grande artista Eva Merlán

LENDA DA FONTE DA LOUREANA Recolhida, ilustrada e publicada em 1998 por Eva Merlán Bollaín em seu livro “Contos de Trasancos” (Concello de Narón Edit.) cunha introdução de André Pena. Esta lenda –similar a outras moitas- foi recolhida em São Sadurninho (Trasancos) pela própria ilustradora Eva Merlán Bollaín ©Eva Merlán BollaínI Contam em São Sadurninho que voltando dá seitura em Castela, mais consumido e fraco, mas não mais rico do que marchasse, um rústico da paróquia de Santa María ouviu que o chamavam pelo seu nome; erguendo a vista do chão, achou-se cunha velhinha que lhe mostrava três dourados bolinhos de pão trigo dispostos num branquíssimo pano sobre um penedo á beira do caminho. A Velha, que devia ser meiga, pediu-lhe ao campesino que levasse os bolos ao monte do castro e que pronunciasse três nomes de mulher [Ana Manana, Aureana e Loureana], pois se assim ou fazia, ficariam desencantadas três princesas que viviam encerradas no interior do monte por um feitiço que lhes botara seu pai, um malvado rei mouro. Mas tinha unha condição para que o desencantamento se realizasse: Era que daqueles bolinhos de pão não devia faltar nem sequer uma migalhinha. O labrego recolheu os bolos atando os bicos do pano e, depois de lhe prometer a velha que faria ou seu encarrego, continuou andando para seu lar.

LENDA DA FONTE DA LOUREANA Recolhida, ilustrada e publicada em 1998 por Eva Merlán Bollaín em seu livro “Contos de Trasancos” (Concello de Narón Edit.) cunha introdução de André Pena. Esta lenda –similar a outras moitas- foi recolhida em São Sadurninho (Trasancos) pela própria ilustradora Eva Merlán Bollaín . Nesta lenda de San Sadurninho o lugar escolhido para o desencanto do triplo Ana é claramente um outeiro, mas em Neda, por exemplo, o lugar é a célebre Fonte da Aureana.
I
Contam em São Sadurninho que voltando dá seitura em Castela, mais consumido e fraco, mas não mais rico do que marchasse, um rústico da paróquia de Santa María ouviu que o chamavam pelo seu nome; erguendo a vista do chão, achou-se cunha velhinha que lhe mostrava três dourados bolinhos de pão trigo dispostos num branquíssimo pano sobre um penedo á beira do caminho. A Velha, que devia ser meiga, pediu-lhe ao campesino que levasse os bolos ao monte do castro e que pronunciasse três nomes de mulher [Ana Manana, Aureana e Loureana], pois se assim ou fazia, ficariam desencantadas três princesas que viviam encerradas no interior do monte por um feitiço que lhes botara seu pai, um malvado rei mouro. Mas tinha unha condição para que o desencantamento se realizasse: Era que daqueles bolinhos de pão não devia faltar nem sequer uma migalhinha. O labrego recolheu os bolos atando os bicos do pano e, depois de lhe prometer a velha que faria ou seu encarrego, continuou andando para seu lar. ©Eva Merlán Bollaín.

II O lavrador chegou por fim a casa e foi recebido com alegria póla sua família. Depois de abraçar à Mulher e aos filhos, guardou o pan no chineiro advertindo-lhes que não deviam tocá-lo. Então se sentou a mesa, onde a dona lhe tinha preparado um algo do pouco que havia para comer. Reconfortado pelo caldo e o vinho, e derreado como estava pela viagem, o homem ficou dormindo pensando no estranho encontro que tivera e tratando de não esquecer os nomes que a velha lhe aprendera. Entretanto se desfazendo o nó que cerrava o lenço no que vinham envoltos os bolos: a Mulher, tentada póla cor e o arrecendo daqueles moletes tão feitinhos, não puído resistir-se e beliscou-lhe um anaquinho a um deles: logo voltou a cerrar o lenço e arranjou-o todo tal e como o marido o deixara. Quando o homem despertou, apanhou o fatinho do pão e marchou com ele, caminho do Castro, disposto a cumpri-lo mandado da velha meiga.

II
© Eva Merlán Bollaín. O lavrador chegou por fim a casa e foi recebido com alegria póla sua família. Depois de abraçar à Mulher e aos filhos, guardou o pan no chineiro advertindo-lhes que não deviam tocá-lo. Então se sentou a mesa, onde a dona lhe tinha preparado um algo do pouco que havia para comer. Reconfortado pelo caldo e o vinho, e derreado como estava pela viagem, o homem ficou dormindo pensando no estranho encontro que tivera e tratando de não esquecer os nomes que a velha lhe aprendera.
Entretanto se desfazendo o nó que cerrava o lenço no que vinham envoltos os bolos: a Mulher, tentada póla cor e o arrecendo daqueles moletes tão feitinhos, não puído resistir-se e beliscou-lhe um anaquinho a um deles: logo voltou a cerrar o lenço e arranjou-o todo tal e como o marido o deixara. Quando o homem despertou, apanhou o fatinho do pão e marchou com ele, caminho do Castro, disposto a cumpri-lo mandado da velha meiga.©Eva Merlán Bollaín.

III Chegando à cimeira do Monte do Castro, o nosso lavrador, obedecendo a meiga, pousou cada um dos bolos sobre um penedo [do celta Penn “cabeça, penhasco”]. Disse o primeiro nome: debaixo da rocha saiu uma formosa donzela [a]moura, ao tempo que o pão se transformava num esplendido cavalo, a donzela montou-o e escapou galopando para o horizonte. Ao pronunciar o segundo nome outra vez aconteceu o maravilhoso prodígio: a segunda donzela ficou liberta e fugiu no seu cavalo. Finalmente berrou o nome de Loureana: a terceira donzela, mais formosa ainda que as suas irmãos, surgiu de debaixo do penhasco: mas o seu bolo de pan era o beliscado póla Mulher, e ao cavalo que dele nasceu faltava-lhe uma pata. Quando a menina quis cavalgá-lo cairão os dois ao chão, afundando-se de novo a princesa sob terra enquanto os laios desconsolados do seu pranto ressonavam entre os cotos. Desde então, as bágoas (lágrimas) de Loureana manam nas fontes do Castro, e há quem diz que, pondo atenções, se escutam entre os borbulhos das águas os saloucos da formosa princesa Loureana chorando a sua desgraça.

III
Chegando à cimeira do Monte do Castro, o nosso lavrador, obedecendo a meiga, pousou cada um dos bolos sobre um penedo [do celta Penn “cabeça, penhasco”]. Disse o primeiro nome: debaixo da rocha saiu uma formosa donzela [a]moura, ao tempo que o pão se transformava num esplendido cavalo, a donzela montou-o e escapou galopando para o horizonte. Ao pronunciar o segundo nome outra vez aconteceu o maravilhoso prodígio: a segunda donzela ficou liberta e fugiu no seu cavalo. Finalmente berrou o nome de Loureana: a terceira donzela, mais formosa ainda que as suas irmãos, surgiu de debaixo do penhasco: mas o seu bolo de pan era o beliscado póla Mulher, e ao cavalo que dele nasceu faltava-lhe uma pata. Quando a menina quis cavalgá-lo cairão os dois ao chão, afundando-se de novo a princesa sob terra enquanto os laios desconsolados do seu pranto ressonavam entre os cotos.
Desde então, as bágoas (lágrimas) de Loureana manam nas fontes do Castro, e há quem diz que, pondo atenções, se escutam entre os borbulhos das águas os saloucos da formosa princesa Loureana chorando a sua desgraça. Es este el trasunto de Rhianonn “Senhora Rainha”, da Senhora do Outeiro da Maga, do pedrão  Maga Reaico, “da Rainha Maga” de Lamas de Moledo, chamada a idades mais temporãs no tartésico (J. T. Coch)  Ikurina, “Senhora dos Cavalos”, como Potnia Hikkueia . Oureana cavalga acima do Bem e do Mau alheia ao escarnio galaico português [traz-lhe sem cuidado] do urbanícola século XIII . ©Eva Merlán Bollaín.

Eis o que me trae a cara Paulina Ceremuzynska:

Dona Ouroana, pois já besta havedes,

outro conselh’ar havedes mester:

vós sodes mui fraquelinha molher

  e já mais cavalgar nom podedes;

5  mais, cada que quiserdes cavalgar,

mandade sempr[e] a besta chegar

a um car[v]alho, de que cavalguedes.

E cada que vós andardes senlheira,

se vo’la besta mal enselada andar,

10       guardade-a de xi vos derramar,

ca, pela besta, sodes soldadeira, […]

[A vergonha obriga a silenciar o que segue. Joglar blasfemo!]

Joãm Garçia de Guilhade

Galaicos! Sempre nos debochando de todo o divino e humano.

A beautiful Alan Lee illustration for the collection of Welsh legends, The Mabinogion. I do not own this picture. This illustration will be used for teaching purposes. NonProfit.

A beautiful Alan Lee illustration for the collection of Welsh legends, The Mabinogi.  I do not own this picture. This illustration will be used for teaching purposes. Non Profit.  One day while sitting on the gorsedd or mound near his court at Arberth in Dyfed, Pwill sees a beatiful maiden pass by on horseback. Afer several vain attempts to overtake her he prevails on her to speak with him. He learns from her that she is Rhiannon daugter of Hefeydd the Old, that she is in love with him, but that she has been promised in marriage to Gwawl son of Clud. She proposes a ruse by which Gwawl is humiliated at the wedding feast and forced to abandon his claim. Rhiannon and Pwyll are married”. Proinsias Mac Cana The Mabinogui, Cardiff 1992, 25

LOKOON, LACUS, LAGO. TRADUÇÃO E COMENTÁRIOS DA DECOIRA DA CASA DE SANTA COMBA 

Tal e como divide com a vila de Santa Columba, de Ermigildo e de Atanes e passa Limia contra Padróm entre Mogaines e Santa Comba [Santa Comba de Bande], e atinge pelo médio da arca de Tras a Limia ata Cás de Dono e polos seus termos, por onde começamos lagos antigos e mámoas [Lacos anticos et mamolas][…]

[a diferença estriba em que um laco “tumba”, é sempre voz dum túmulo que apresenta buraco de violação, em tanto que as mamolas “maminhas” estão sem violar e conservam seu aspecto de tetinhos]

[…] um laco, “lago, túmulo”, que está trás a Limia por onde atravessa a linha de separação  [‘liniolo’] que passa por Limia e vem entre São Martinho de Caldas e chega ata a Cima de Vila, ata outro lago mais grande pela sua linha divisóriaata onde jaz unha efígie de home esculpida em pedra

[correspondéndose  seguramente com o guerreiro castrejo de Rubiás cuxa cabeza conserva o Museu Provincial de Ourense, por capricho do destino sabemos o nome: <L>ATRONVS VEROTI F(ilius), “Látrono (de a. ilr. láther “Esforçado no combate [que anda ao par do principe da treba]”, Filho de Veroto, cf. Celta antigo *U(p)eros, *Ueros > Vero, “O Alto, Enaltecido, Elevado, Destacado, Importante” + sufixo lat.tus–, olhem comparativamente o epíteto Vero Breo “Da Alta Casa”].

que demarca ou testifica [é dizer a cada túmulo conta com uma efigiem hominis sculpta in petra que testificat de laco in laco,  a cada túmulo com sua própria estátua de guerreiro fazendo de marco!!!] de túmulo em túmulo (‘de laco in laco’), e de ali (per suos moliones firmíssimos’) pelas suas solidíssimas antas,

Estatua Menhir calcolítica, citada na decoria deste documento. Possivelmente o texto alude a um desaparecido túmulo de quatro chantas e coberta, similar aos do Xistral, habitual no Calcolítico e Bronze antigo, um 'laco', dólmen ou arca, coroado com esta mesma estatua menhir de Látrono "Esforçado na Batalha" fillo de Celtiato, Latronus Celtiati Filius. Hic Situs Est [aquí jáz]

Estátua Menhir citada neste documento.
Possivelmente o texto alude a um desaparecido túmulo de quatro chantas e coberta, similar aos do Xistral, habitual no Calcolítico e Bronze antigo, um ‘laco’, dólmen ou arca, coroado com esta mesma estatua menhir de Látrono “Esforçado na Batalha” fillo de Celtiato, Latronus .Celtiati .Filius. Hic. Situs. Est [aquí jáz]

, cara a Arca Maior, ata o Castro de Vemes, e assim volve por outros albeiros [antas] e chega a uma fonte de mulheres

[uma Fontana Fría con psvel. ciclo de ‘Ana Manana’, com lendas das três [A]Mouras trasunto da Mater celta]

e logo depois do rio Minho entre Vilarinho e Monte Longo onde o dividimos firmemente com esses donos já ditos num grande concilio deles baixo unos [possivel abreviatura *Us (com “s”, ou “os”, voada) de uoues, “bois”? empregados na cerimônia real demarcatória de succo] andantes”.

*Lacos anticos et mamolas: a diferença estriba em que um laco “tumba” [tart. lokoon]  é sempre voz dum túmulo que apresenta buraco de violação, em tanto que as mamolas “maminhas” estão sem violar e conservam seu aspecto de tetinhos

Moimentos, monumenta, arcas, mámoas, mamulas, Montes da Moura, lagos, lacos, lagoas lacunas e lagoelas, lacunelas, por citar algumas decoiras, podem e devem se remitir nos diplomas á imobiliário demarcatório do Megalitismo Neolítico e Calcolítico, do Bronze…, ou de qualquer época entre o Neolítico e o final da Idade do Ferro] e se referem aos túmulos; as Penas Chantadas ou Pedras Fitas (lagenas, ‘lages, laxes’) também utilizadas como marcos de separação territorial na Idade Media como os menhires e ocasionalmente pétreos fitos quadrados, como o chamado por Bermejo ‘Hermatena’ de Amorím (Onnega 2008) -possivelmente o quadro fictu “carrofeito” fictu “chantado”, (pedra)fita, [ex Ónega], ou quadrum fractum (rompido) antepassado dos cruzeiros-; aos restos de chantas de mámoas, aos amoreamentos de carneiros “pedras”,  carracedos, carnoedos ou milhadoiros, com outeiros, com pedras figurativas com folclore

AD FRIGIDAM FONTEM . DECORIA DA FONTE FRIA

Fonte da [A]Moura, por Sor Demetria (2004)

[A]Moura lavando o sonrosado perfeito corpo nas puras águas da Fontana Fria. Sor Demetria (2004). Assim começa The Destruction of Dá Derga’s Hostel (Medieval) Togail Bruidne Dá Derga by Unknown, translated by Whitley Stokes:
“There was a famous and noble king over Erin, named Eochaid Feidlech. Once upon a time he came over the fairgreen of Brí Léith, and he saw at the edge of a well a woman with a bright comb of silver adorned with gold, washing in a silver basin wherein were four golden birds and little, bright gems of purple carbuncle in the rims of the basin. A mantle she had, curly and purple, a beautiful cloak, and in the mantle silvery fringes arranged, and a brooch of fairest gold. A kirtle she wore, long, hooded, hard-smooth, of green silk, with red embroidery of gold. Marvellous clasps of gold and silver in the kirtle on her breasts and her shoulders and spaulds on every side. The sun kept shining upon her, so that the glistening of the gold against the sun from the green silk was manifest to men. On her head were two golden-yellow tresses, in each of which was a plait of four locks, with a bead at the point of each lock. The hue of that hair seemed to them like the flower of the iris in summer, or like red gold after the burnishing thereof.
There she was, undoing her hair to wash it, with her arms out through the sleeve-holes of her smock. White as the snow of one night were the two hands, soft and even, and red as foxglove were the two clear-beautiful cheeks. Dark as the back of a stag-beetle the two eyebrows. Like a shower of pearls were the teeth in her head. Blue as a hyacinth were the eyes. Red as rowan-berries the lips. Very high, smooth and soft-white the shoulders. Clear-white and lengthy the fingers. Long were the hands. White as the foam of a wave was the flank, slender, long, tender, smooth, soft as wool. Polished and warm, sleek and white were the two thighs. Round and small, hard and white the two knees. Short and white and rule straight the two shins. Justly straight and beautiful the two heels. If a measure were put on the feet it would hardly have found them unequal, unless the flesh of the coverings should grow upon them. The bright radiance of the moon was in her noble face: the loftiness of pride in her smooth eyebrows: the light of wooing in each of her regal eyes. A dimple of delight in each of her cheeks, with a dappling (?) in them, at one time, of purple spots with redness of a calf’s blood, and at another with the bright lustre of snow. Soft womanly dignity in her voice; a step steady and slow she had: a queenly gait was hers. Verily, of the world’s women ’twas she was the dearest and loveliest and justest that the eyes of men had ever beheld. It seemed to King Eochaid and his followers that she was from the elfmounds. Of her was said: “Shapely are all till compared with Etáin,” “Dear are all till compared with Etáin.”
A longing for her straightway seized the king; so he sent forward a man of his people to detain her. The king asked tidings of her and said, while announcing himself: “Shall I have an hour of dalliance with thee?”
“’Tis for that we have come hither under thy safeguard,” quoth she.
“Query, whence art thou and whence hast thou come?” says Eochaid.
“Easy to say,” quoth she. “Etáin am I, daughter of Etar, king of the cavalcade from the elfmounds. I have been here for twenty years since I was born in an elfmound. The men of the elfmound, both kings and nobles, have been wooing me; but nought was gotten from me, because ever since I was able to speak, I have loved thee and given thee a child’s love for the high tales about thee and thy splendour. And though I had never seen thee, I knew thee at once from thy description: it is thou, then, I have reached.”
“No ‘seeking of an ill friend afar’ shall be thine,” says Eochaid. “Thou shalt have welcome, and for thee every other woman shall be left by me, and with thee alone will I live so long as thou hast honour.”
“My proper bride-price to me!” she says, “and afterwards my desire.”
“Thou shalt have both,” says Eochaid.
Seven cumals [ umas 21 vacas leiteiras, o valor penal ou composição do príncipe, bispo ou abade] are given to her.

Cum variado imobiliário demarcatório de diversas épocas, decoiras nalguns casos do Bronce e do Neolítico, não falta a famosa Fontana Fria das cantiga e romances [estendidos estes com o avanço da reconquista dos galegos pela  Castela e Andalucía muslime]  omnipresente nas cartas de deslinde galegas, não falamos duma simples fonte de água fría, falamos dum locus consecratus, sito sempre a média ladeira do eminente monte, berço de  santuários, lugares e sinalados topónimos [Fonfria de Antas de Ulla, Fonfria da Fonsagrada de David Outeiro; Fonfría dos Nogais, Fonfria de Pedrafita, Fonfría de Pon (por citar algumas de Lugo) morada da casamenteira [A]Moura, figura  como marco nos documentos mais temporões, assim no famoso De undecim comitatibus in Lucense Diocesi constitutis, correspondente ao Tercius Comitatus dicitur Naviensis […] procedens ad Montem Foio Lupale ad Frigidam Fontem Montis Timone [Liber Fidei, I, doc. II, 19-34. COSTA] 

Em nossos deslindes ou decorias de alta montanha desde que temos constancia documental pelas qüestões do ancestral direito divino da linhagem a reger a Treba ou Toudo, de legitimação da soberania – ainda que já não se acostuma legitimar- depois de passar a prova o mozo fundador quando em um dia surpreendeu a [A]Moura lavando o perfeito sonrosado corpo e rubios cabelos nas puras águas, não falta a preceptiva, em ac. de s. lat. Fontem Frigidam, Fontana Fria, das cantigas de Pero Meogo e de Paulina Ceremuzinska.  

A nua Moura surpreendida no justo momento na fria Fontana [ou sobre a mamoa (chamadas em Narón “Montinhos da [A]Moura”)] assalta ao Cavaleiro que passa a prova, propícia descabelada o encontro amoroso, não oferece resistência; em clave de geografia mítica o interesse demarcatório da lembrança do encontro é imenso [a Fontana Fria legitima à prosápia na quieta e pacífica posse da treba, e cumpridos nos dias, um reino sem fim que não é deste mundo]. E inda que em algum lugar fizeram-na Pirocha [puta] porque Ela sempre tem um homem esperando, à sombra do outro, o povo a absolveu.

Unha velha no tempo dos mouros fez da cona uma praça de touros 
  E fez bem, e fez bem, em sua cona não manda ninguém.

ANDAR APIROLADO, COM A PICHA FEITA UM LÍO 

[addecet explanatio]

Por motivos que só Deus sabe existe, sem interesse demarcatório, outra fonte sempre milagrosa, sempre de águas santas, onde uma mais recatada Moura, Luminosa Virgen, bebe. Brota generosa a fonte nas proximidades de seu santuário – como o de Chamorro em Ferrol, ou o da Renda em Combarro- em princípio a média ladeira do proeminente monte, como o de Ancos, ou o Pindo, centro sagrado, onfálico e protetor, da treba, morada do Dis Pater

Taranis Jupiter Galo com solar roda, trono, e um aro com lóstregos Le Chatelet Gourzon. Haute Marne.

Taranis Jupiter Galo com solar roda, trono, e um aro com lóstregos Le Chatelet Gourzon. Haute Marne. “Quando chove e faz sol / anda o demo por Ferrol / pinchando o cu das mulheres / c’uma caixa de alfileres” Canção popular galega

E sabendo, ainda que já em meu país quase não fica gente em realidade capaz de entender estas coisas, que ambas são a mesma Mater, esta Virgem se comporta como uma pessoa diferente. Na excepcional carta a Santo Agostinho ou Commonitorio, Paulo Orosio assinala como na imensa Provincia Gallaeciae nossos bispos do último terço do século IV e primeiras décadas do V, com Prisciliano à cabeça, ensinavam sua conduta.

SEGUNDO PRISCILIANO

É uma Virgem certa Luz à que Deus, querendo dar a chuva aos homes mostra ao Príncipe da Umidade quem ao querer subir para a apanhar cansado sua e faz a chuva. E ao ser recusado por esta com seus bramidos produz o trovão

 

Taranis, Succellus, Tonante galaico.

Duas representações, porque eu também reclamo meu direito a me equivocar, de Taranis “o atroador” ou Succellus “o do martelo”, nosso Tonante galaico. Esquerda. Colosso de Monte Alto ou Braga. Direita. tonante galaico do Larouco (M. Gago) conservado na igreja de São Miguel de Vilar de Perdiçes (Portugal). Pensa pars pro toto pelo atributo Alfayé (PalHisp 13, 199)  no nu retrato do ferreiro lhe dando ao maço sobre perdida estela funerária, e  e pensa bem que “A mulher do ferreirinho” – diz-nos a pandeirada- “não há mulher como ela / de dia peta no junque (bis);/ pela noite peta nela”. Mais a idea dun tonante galaico prevalece,  tanto pela sobredita ara de Perdiçes, adicada a  Larauco Deo Maximo (AE 1980, 579) , achada na parte da aba do Larouco de Gallaecia que nos atinge a Galiza de Portugal, perto do santuário rupestre da Pena Escrita, canto a que da outra banda, na parte da aba do Larouco de Gallaecia que nos atinge a galega Espanha, no lugar de Baltar apareceu  em paredria com nosso Deo Maximo, outra ara dedicada, ao meu modo de ver, a outra protagonista, a luminosa ascensional Virxe da que há constancia, ut supra, ex Orosio, por Prisciliano: a Reve Larouco. Eu  penso que o epiteto Re/ve (vogalismo e/i) é  psvlm. “Rising Moon, Ascendente Lua”, pois ré- é em antigo gaélico irlandês “a lua”. – por certo aqui tendes isto por se quereis conhecer como na Religião Celta, segundo o creio, funcionam os epítetos  Religión Celta– O ara a dedicou Valerio Aper cumprindo um voto não ao sobredito Deo Larouco, como pensa o comúm, senão a meu cabal entender a Dea Reve Larouco,  algo assim, si é toleravel, como ‘Para a Deusa Ascendente Lua do Larouco’ , a modo de “Luminosa Virgem da Asunção (Ascenção) de Larouco’ – em qualqueira casso uma Senhora da Ascensão pagana [que cedeu no felíz presente cristão  seu lugar, papel e funcião a nossa Senhora da Assunção] recetora do ara:  D(EA) REVE /LARAVCO /VALE(RIVS) /APER / EX /VOTO (Baltar, Our: IRGA IV, 94; AF 111). Queres uma real probe? Sabes qual é o nome ou advocação da capelinha que em Baltar alberga hoje o ara? Não to podes imaginar? O que é evidente em Taranis, Succellus, Tonante galaico [ ut supra. Esquerda. Colosso de Monte Alto ou Braga. Direita. tonante de Larouco) em ambos casos, é a hipertrofia, pela conta que lhe trae [ao tema virginal], do [inútil] membro e do [inútil] braço incapaz de ‘colher’. No trio das Matres, a função soberana da Mater, se personifica na Virgen da Luz afim se a comparação não é odiosa a Iuno Lucina [ Naron I, ]. Ascendendo com freqüência a Virgem da Luz às alturas do seu hoje cristianizado santuário, sito sempre a média ladeira da eminente cimeira ou Monte Alto, morada de Deus ” do Principe da Humidade”,  [o desaparecido Pico do Ouro e a ermida de Chamorro, em Serantes; a ermida da Renda em Combarro; o hoje fulminado Pindo sagrado Olimpo Celta etc., etc.] que aspirando à colher a espreita pelo céu. Na coisa do Celta a regra ‘do que presumes careces’ dilui o ‘empalago’ de Vargas Llosa; de pedra é a nave que melhor frota; guiando a bom porto não precisa vista o Ceciegaeco Lar Vial; grávida de nove meses a rubia Macha superou velozes corcéis; andando apirolado empós da Virgem da Luz sua LaroucoPríncipe da Humidade”  a gota gorda -ensina-o Prisciliano- produzindo chuva [-como Iuppiter Elicius , de elicio, -is , -ere, -licui ‘sacar, atrair [as tormentas]’; como o grego Zeus Naʄios, de *snau “fluente, chorreante”]; segundo o penso eu, em seu Monte Alto o Coloso de Braga brama e atroa com a picha feita um ‘lío’ [ou um cinto], a inútil extensão do protésico braço [de prata airgletlan Nuada, raiz Pok. IEW 768 *neu-d “sujeitar atingir com esforço” (Pena 1991)] incapaz de colher– como colhe o galego da Argentina- tão radiante Virgem.  “E tu te-lo te-lo /não mo queres dar / e depois, de velha /o podes salgar”. Cantiga popular.

E o passado pagano deu passo ao presente cristão, ao cristianismo celta, que respeitou a sacralidad do santuário, cumprindo o protocolo fixado por San Gregorio Magno a Agostinho de Canterbury e à igreja Atlântica, lhe dando novo sentido cristão a cultos, santuários e crenças pré existentes.

Neste contexto não é uma novidade, não resulta extraordinário – o extraordinário seria que isto não fora assim- que o ara aparecesse numa capilla dedicada à Assunção, isto é uma capelinha dedicada a subida ao céu da Virgem.

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Subida ao céu de nossa Virgem Imaculada, Rainha e Mãe pintada por Bartolomé Esteban Murillo ascendendo sobre a lua e ajudada pelos anjos. Oremos e, porque o passado dá sabor ao pressente, escutemos a piedosa antífona Salve Regina, o solene hino que o bispo galego de Iria Flavia S. Pedro de Mezonzo lhe compôs ca. 986

 «Petrus Episcopus, cognomento de Moson, qui ante episcopatum monasterii Sancti Petri de ante Altaria in eaden Urbe (Compostella) abbas extiterat. Hic piam antiphonam de Beata Virgine, nempe Salve Regina, compuesi dicetur». Salve! Salve!! Spes nostra. Salve!!!

DECOIRAR COM ARCAS

Muitas arcas empreganse como corias, ou marcos, sobretudo os grandes túmulos calcolíticos. Chama-se-lhes arcas por ter forma de arqueta o dolmen privado ou não da pena ou penas sobranceiras

 ESQUERDA. Desenho do professor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por André Pena, representando um enterro com abelhão e enxoval funerario calcolítico, repare nas canecas de ouro para as cinzas e no pente para a Moura. Caminhos Milenarios. Narón. DIREITA. Arca calcolítica do Xistral.


ESQUERDA. Desenho do professor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por André Pena, representando um enterro com abelhão e enxoval funerario calcolítico, repare na caneca ou ola de ouro para as cinzas e no pente para a Moura. Caminhos Milenarios. Narón. DIREITA. Arca calcolítica do Xistral.

[…] Invenerunt archam in ripam de Mero ubi dicent “ad canarium” et decoria (demarca) in directo de ipsa archa in directo Santo Stephano, et alia archa principalia iuxta viam de Codais, et inde ad fontem Iusteli, et decoria ad illas cercarias de bouça que dicent Tructesindi. Et tercia archa in quoto super varzinam de Bovea et decoria in ipsa barcina de Bovea. Et quarta archa in ripa de ipso río de Bovea. Et quinta archa que decoria inter Melangos et Parietes. Et sexta archa in bauza que dicent Cerquitum qui dividet inter Trius et Parietes. Et alias archas et decorias que divident inter Lemenioni et ipas Parietes et Caliobre et concludent per Fontem Bonam in directo usque ad ipsam archam quem primiter incepreunt inter Codais et Parietes.[…].  Karta de Villari de Paredes nº 129. Ano 942. Tumbo I, fols. 50r.-51r, Sobrado de los Monjes, in Pilar Loscertales de G. de Valdeavellano. 1976 vol. 1º,161-162.

CAUSOS VETEROS, COUSOS VEDROS OU CURROS VEDROS

Invisíveis ou por enquanto [decíamos em 1994] desconsiderados para a chamada arqueologia ‘espacial’ ou [-quae  inmoderatio verborum-] ‘arqueologia paisagística’  galega […], sendo referidos os curros ou cousos, não sem precipitação e lixeireza excessiva, como imobiliário arqueológico medieval por quem ladean a factografía desse período sem dúvida por excessivo ciume competencial,

Curro Vedro ou Couso Vedro. O Xistral

Causos (veteros), Cousos Vedros, Curros, ou Curros Ueteros. O XISTRAL.

 o verdadeiro é, que existindo outrora por centenas lamentamos que cada vez vão ficando menos recintos circulares de grandes pedras chantadas, algumas de consideráveis proporções, chamados na nossa diplomata medieval cousos veteros ou curros vedros, por causa de espoliarse quotidianamente e com impunidade as grandes pedras que os formam, por permanecer [na primeira metade da década dos 90 do século passado] estes tão valiosos como desprezados monumentos sem catalogar.

Chantas do prado das chantas, dum Curro ou Couso Vedro do Xistral

Chantas do prado das chantas dum dos curros ou cousos vedros calcolíticos do Xistral

Malia ser conhecidos e estudiados desde há muito tempo (Crossing, 1912; Brailsford 1938; Daniel, 1950; Harvey, 1953; Hoskins, 1954;Worth, 1967, Simmons, 1969; Barber, 1970) na área cultural da Europa Atlântica que partilhamos, carecendo na Galiza estes curros vedros ou cousos vedros, do reconhecimento ou consideração de monumentos megalíticos, resulta-lhes fatal verse privados da protecção institucional.

Prado das Chantas. O Xistral. Causos veteros.

Prado das Chantas. O Xistral. Causos veteros.

Este ‘presumível’ imobiliário arqueológico encontrasse tanto em brañas e turbeiras encharcadas dos planaltos, como parece sucede no Xistral com os monumentais curros de Santo Tomé, quanto nas terras fértiles e bem regadas da beira mar, e tal é o caso dos curros, e dos presumíveis encerramentos neolíticos, da Terra de Bergantiños ou da Capelada nas Terras de Arrós e de Labacengos.

Prado das Chantas. O Xistral. Verdadeiro Dartmoor galego.

Prado das Chantas. O Xistral. Verdadeiro Dartmoor galego.

Os cousos e curros de função e tipoloxía variable, presentes em toda a Galiza, conformam um importantísimo imobiliário arqueológico Atlântico, comprensivo e inmerxido de recintos circulares, dos que em algum caso se sugere poderiam conter algum tipo de enterramento [o termo corrente das cartas e dos diplomas medievais ‘Causo de Armata‘, com a devida reserva, parece aludir a esto], grandes recintos fechados elípticos, que ainda hoje se empregam para guardar o gando, e em algum caso com pastores eléctricos o que poderia ser outro caso de comprida e admirable continuidade de uso [por parte do eterno lavrador neolítico galego]; pensados talvez para albergar e defender dos depredadores [do lobo e dos ladrões] o gando dos primeiros sedentarios.

Ocasionalmente existem outros curros, aparentemente secundários, conformados por um perímetro de pedras fincadas, mais pequenas que rodeiam totalmente e configuram um recinto diferente, de menor em altura e mais alongado, tendendo à formas poligonais, estes recintos parecem também fechar umas plantas de cabanas, uns assentamentos talvez muitas vezes reaproveitados.

E ainda poderíamos distinguir uma terceira tipoloxía constructiva nos curros, trata-se de pequenos encerramentos elípticos que talvez serveram para proteger das alimanhas certo tipo de cultivos de horta de primaveira. Tudo vai associado como nas Ilhas Britânicas a enormes túmulos neolíticos de monumentais câmaras simples e rectangulares a modo de largas e formosas cistas [cf. Petit 1974, p. 72, 90].

Pedras Guiadas do Monte do Seixo. Espectacular lineolo demarcatorio, caido. Foi localizado, pelo insigne etnógrafo e escritor Carlos Solla -em presencia do que subscreve-, gracias as indicações que lhe dava um idoso de Cerdedo através de um celular. A emoção foi indescriptible. A fotografia de satélite permite apreciar melhor um espectacular aliñamento de mais de médio kilómetro

Pedras Guiadas do Monte do Seixo. Calros Solla. Espectacular lineolo demarcatorio, caido. Foi localizado, pelo insigne etnógrafo e escritor Carlos Solla -em presencia do que subscreve-, gracias as indicações que lhe dava um idoso de Cerdedo através dum celular. A emoção foi indescriptivel. As fotografias de satélite permitem apreciar melhor este alinhamento de mais de médio kilómetro

Os curros ou cousos presumivelmente prehistóricos, parecem associar-se também a enormes pedrafitas de forma discoidea, e mesmo a um imobiliário arqueológico adjectivo de difícil interpretação como alinhamentos de grandes pedras presumivelmente prehistóricos e petroglifos ainda em fase de estudio   [Pena Graña 1994].

ARMATAS ARMADAS

Chamam-se assim as câmaras poligonais formadas pelos esteos dos dólmens possivelmente interpretados pelo homem medieval como restos de foxos de armadilhas para lobos ‘armadas’ confeccionadas pelos vedranhos ou os antigos: Assim nos lindes de Vilasuso:

Armada

Hec sunt terminos de uilla Suso, id est per petra Alba, et inde ad mamona de Paramu et inde ad illa incrucelada de uilla Susu, et de Pedri et de Sancti et intrat in antiqua in directo anta, et inde per antiqua de Bolios et uade ad causu de Aqua in peegada et inde per illa antiqua ad causo de Armada, et inde ad mamoa de inter Ardilleiros et Uillarino, et inde per illo lombo de Lombario et inde ad illa mamoa de inter Ardilleiros et Eldar, et inde ad Ordiales ad illo marco, et inde super illas casas quomodo intrat in ipso regario que uenit de Bolios et uadit ad porto de Ludo, et inde per illo rego que uenit de lama Coua, et inde ad Petra Alua unde incepimus […]. In Loscertales de Valdeavellano 1976, 375-376.

PETRAS FICTAS PEDRAFITAS

[…] et gradientes pro liniolo  et muliones fictos inuenimus in lapidem esculptos burgarios; et iterum transiuimus ipso riuulo Tamega precedentes signas et invenimus aliam petram iuxta carrariam fictam. Ascendimus sursum im directo et inuenimus archam terreniam et iuxta eam aliam petram fictam […]  in “Agnitio de uilla Sancti Felici in Baronceli. Kartula Xª. Discurrente ERA DCCCCLXXXVIIIª  (ano 950)” Col. Dipl. Celanova. Emilio Sáez- Carlos Sáez,  nº 2, 53

Petra ficta. Marco do Vento. Monte do Seixo

Petra ficta. Marco do Vento. Monte do Seixo

[…] et per illa lacuna usque in alia lacuna, et usque ad petra ficta et per illa lagenam et per ipsum villare que dicitur Desiderii et per illum arogium que dicitur Alesantiam et per alia pedra ficta qui stat im montem super Tabulata […]. In Manuel Cecilio Díaz y Díaz (1974)

PRINCIPES, GUERREIROS “CASTREJOS”, SOBRETÚMULOS FUNDACIONAIS DECOIRANDO NA CRICA, “FRONTEIRA” DA TREBA 

Esta noble cabeça pertenceu seguramente a um grande guerreiro galaico, cujo corpo decapitado, e epigrafiado hoje predido foi encontrado e perdido há séculos. O texto dice que pertenceu a Látrono, "Esforçado no combate", filho de Veroto "Soma Alteza", sem dúvida um príncipe celto galaico do Coventus Brácaro da treba de / e de os/ Quarqerni, localizada em Bande. Documentasse erguido sobre seu lacus demarcatorio. Todavía em pé na idade média, pela sua cabeça testificando de laco em laco, passava o lineolo divisório do antiquísimo cenobio de Santa Comba de Bande

Esta grande cabeça pertenceu seguramente a um nobre guerreiro galaico, cujo corpo decapitado, e epigrafiado, hoje desaparecido, foi encontrado e perdido há séculos. O texto dice que pertenceu a [L]adrono (= Látrono t/d), “Esforçado no combate”, filho de Veroto , psvl.”Soma Alteza”, sem dúvida um príncipe celto galaico do Conventus Brácaro da treba de / ou dos/ Quarqerni, localizada em Bande. Documentasse erguido sobre seu lacus demarcatorio da crica da treba querquerna sobreposto  xerárquicamente aos demais túmulos da necropole familiar alio laco maior per suo liniolo ubi iacit efigiem hominis sculpta in petra que testificat de laco in laco. Todavía em pé na idade média, passava o lineolo divisório, moito antigo já, do também antiquísimo cenobio de Santa Comba de Bande por esta cabeça, testificando no documento do mosteiro de Celanova do 982  ‘de laco em laco’, Gallaecia Fulget!!

Ora mostra este inmobiliário demarcatório da crica, estelas de varias épocas, do Neolítico a Idade do Ferro, consideradas moitas vezes simples petras fictas, ocasionalmente, ut supra, descritas nos diplomas

Estela e estatua menhir do calcolítico reaproveitada em o Bronze a primeira e epigrafiada em o Baijo Império a segunda., Cabeça de guerreiro galaico de Rubiás, e cabeça lateniana dum guerreiro galeico empotrada sobre o descabeçado corpo de guerreiro galaico pre-romano, com epigrafe funerário aposto no Baijo Imperio.Falando dos límites da casa de Santa Columba [santa comba de Bande] na Limia, cedida ao mosteiro de Celanova de San Rosendo Odoino, di o seguinte [aclarando a] identidade entre Lagoa e o megálito, túmulo ou mámoa. “tal e como divide coa vila de santa Columba, de ermigildo e de atanes e pasa Limia contra padrón entre mogaines e santa Comba, e atinxe polo medio da arca de tras a Limia ata cas de Dono e polos seus termos por onde empezaches, lagos antigos e mámoas (*Lacos anticos et mamolas): um lago, “túmulo”, que está tras a Limia por onde atravesa a liña de separación [liniolo] que pasa por Limia e vén entre san martiño de Caldas e chega ata a Cima da Vila ata outro lago máis grande pola súa liña divisoria ata onde xace unha efixie de home esculpida en pedra [unha de elas a estatua menhir calcolítica reselada no baixo império Látronus (Esforçado em a Luita) fillo de Celtiato Aquí Xace [leva expresamente a fórmula funerária Hic Situs Est) [estatua]que [reiterándose –e um de estes sería o guereiro Látrono, filho de Veroto, ao que correspondia seguramente a cabeça de Rubiás-] marca de “lago” en “lago”, e de alí polas súas solidísimas antas, cara a arca maior, ata o Castro de Vemes, e así volve por outros albeiros (antas de mámoas) e chega a unha fonte de mulleres [probablemente con lendas de mouras do tipo da triple ana manana] e logo despois do río minho entre Vilariño e Monte Longo onde o dividimos firmemente com eses donos xa ditos nun gran concilio deles baixo uns [ posib. abreviatura de uoues, “bois”? empregados de succo nunha ceremonia demarcatoria] andantes”11 [Pena 1991].

Estela e estatua menhir do Calcolítico reaproveitada em o Bronze a primeira, arriba a esquerda; e epigrafiada no Baijo Império a segunda. abaijo a esquerda. Cabeça de guerreiro galaico de Rubiás, e cabeça lateniana dum guerreiro galaico empotrada sobre o descabeçado corpo doutro guerreiro galaico pre-romano, com epigrafe funerário aposto no Baijo Império. Mesmo podemos saber o nome deste incopóreo guerreiro galaico de Rubiás cuxa cabeza seguramente conserva o Museo Provincial de Ourense: [LATRONVS VEROTI F(ilius), “Látrono (de a.irl. lathér, látronus “esforzado no combate), Fillo de Veroto, cf. Protocelta *u(p)ero, *uero > vero, “alto”, “elevado”, “importante” + sufixo lat. –tus– véxase comparativamente VERO BREO “(Señor) da Alta Casa–.

OUTEIROS, “ALTARES”

Ora mostra este demarcatório inmobiliário da crica os sacrosantos autarios ou outeiros, “altares”, da treba

[…] et habet predicta hereditas iacentia in Terra de Superado, inter alpes Iaurino et Monte de Ara, secus flumen Lobamorta in Loscertales de G. De Valdeavellano. Vol. I. nº 185. Ano 1162, maio 2 Sobrado. Tumbo Iº, fol. 75 r e v

[…] e ende o o outeyro do Gauiam e ende a a pena Edrada e ende o o penado  (sic) do Carauo e ende a a pena da moura […] Sobrado, Tumbo I, sin data,  fol. 147 v. nº 475. In Loscertales de Valdeavellano. p. 425.

Burgario da trebopala de São Miguel de Celanova

Burgario quadrato  [em realidade triangular] da trebopala à que se orienta a capela de São Miguel de Celanova

Quer burgarios com cazoletas do Neolítico, quer cup and rings, quer labrintos, quer, quando na Idade do Ferro é rectangular o lacus do outeiro com burgarios quadratos também chamados Penas Furadas.

Típico outeiro galego

Típico outeiro galego cheio de petroglifos muitas vezes muito erosionados e difíceis de ver

Os outeiros -estudados pelo professor Luis Monteagudo García em La Religiosidad Callaica (1997) cf 64-98 e 111-118- infinitas vezes con petroglifos do Neolítico, do Bronce ou do Ferro, são lugares sagrados, as sacrosantas palas ou croios “pedras” da treba ou o do toudo, da Terra, do Estado ou Nación, as trebo-palas, toudo-palas,  ou crougin-toudadigos.

Decoria de São Vicente de Elvinha e São Salvador de Orro

Decoria de São Vicente de Elvinha e São Salvador de Orro

Reparem nos outeiros ou penedos com burgarios quadratos também chamados Penas Furadas. Pena é pssvlm. voz celta, de penn, “cabeça”, porque as rochas são as cabeças que lle saem a terra, cf comparativamente a voz Pennocrucium [em portugês da Galiza “pena-crouca”] nome do marco da importante encruzelada, no centro do cruzamento de estradas de Watling Street, a pricipal via romana a través da região central de Viroconium a Cornoviorum (Wroxeter). Pennocrucium é uma romanização do nome original celta Penn-Crug, sinificando Penncabeça ou terminus, Crug “croio”, de pedra” cf. comparativamente Crougin-Toudadigo, [Petreo Outeiro do Toudo, “Estado”, “Povo”, “Nación”.

Temos que advertir que estes penedos e pétreos outeiros, “altares”, ao igoal que o resto do inmobiliário demarcatorio da crica, não partem pela metade -como hoje partem pela metade as mámoas que fão de marco entre duas leiras-, a metade dum marco ou pena sobranceira, non parte a treba ou toudo local da/s vizinha/s ou adfin/es (= parente/s), senão que a cada toudo ou treba ten seus proprios marcos e propria crica existindo entre elas um comprido espaço ou terra de ninguém. 

Há também, comprido de enumerar, se empregando ata hoje outros tipos comúms de fitos terminais [en parte tratados por Ferro Couselo na súa tese Petroglifos de Termino]: seixos brancos (saxas albas),

Hec sunt terminos de Villa Susu id est per petra alba, et inde ad mamona de Paramuu et inde ad illa incrucelada de Villa Susu, et de Pedri et de Sancti, et intrat in antiqua in directo anta, et inde per antiqua de Bolios et vade ad causo de Aqua in peegada, et inde per illa antiqua ad causo de Armada, et inde a mamoa de inter Ardileiros et Vilarino, et inde per illo lombo de Lombario, et inde ad illa mamoa de inter Ardilleiros et Eldar, et inde ad Ordiales ad illo marco, et inde super illas casas quomodo intrat in ipso regario que venit de Bolios et vadit ad porto Ludo, et inde per illo rego que venit de lama Cova, et inde ad petra alva unde incepimus […].

ROCHAS NATURAIS E PENEDOS FIGURATIVOS

 […] a a Pena Androeira que é cauada e ende a a pena do Spin(h)o e ende o o marco que está contra o Pedronco […] Sobrado, Tumbo I, sin data,  fol. 147 v. nº 475. In Loscertales de Valdeavellano. Obr. cit. p. 425

CRUZES

Extraordinário exemplo de inmobiliário demarcatorio é a arriva mencionada coria do Rigueiral, Sanfins, Valpaços, com epígrafe cruciforme  TERM(inus) TREB(ae) OBILI(orum /ancorum?)  E. Hübner, CIL suppl. Berlin. 1903, VIII, 275 b; in Antonio Rodriguez Colmenero 1993 p. 14 –15.

Estes departirom os lugares de suso ditos. Começaron a a fonte do monte e ende a a outra fonte e ende a archa que e no monte sobre Villarino e ende a Baracentas e ende a antiga de Quintaas de Muradelo e ende o o porto de Gamae hu feceron crui na pedra e ende o o linar de Monim clerigo a a pena Androeyra, que e cavada, e ende a a pena do spino e ende o o marco que esta contra o Pedronco e ende a a antigua vella e ende fonte de so o Lodeyro e ende iuso pelo rego como vay, e ende o a porto de Guas e ende o o marco que esta sobre la fraga de Torante e ende a a perada do Carneyro. Sem data. Tumbo I, fol147 v. In Pilar de Loscertales. Volumen 1º p.425.

Penas Louseiras. Petroglifos de Término da Terra de Trasancos

Penas Louseiras. Petroglifos de Término da Terra de Trasanco

Orta fuit intentio inter Fernando Uistrimiriz et heredibus suis, et de alia parte Pelagio Menendiz et Osorio Ioannis et heredibus suis, super illas heretitates que iacent inter Castelo et Sonario, unde Baralia inter nos uertitur et uenimus inde in concilio ante comitem dommus Rodericus Ouequiz et Martinus Pelagii et Gutierre Muniz et Ioane Asqueliz qui es uigario de domnus Froila Ueremundiz et alios multeros qui uiderunt et audierunt et iudicarunt bene et diuiserunt et uiderunt ipsos homines bonos per terminos de Condux et inde per Kareira Subia et inde ad illa Kaskalia Scrita et per illas petras et inde ad illo Lotario [un outeiro] que sparte Osseto et Sunario et per ubi sparte Osseto et Kastelo et inde per Términos de Canali per illa Lagona Maiore de Mamona, sunt ipsas hereditates markatas et temeratas et diuisas inter nos et pro talem actio facimus ad uouis ego Petro Gauin(i)z et fernando Uistramiriz et Petro Amiquiz et eius uocis, a tibi Pelagio Menendiz et ad heredibus suis ut non demandemus nos nec nostras uoces ipas hereditates ad uestras partes […]. Sobrado, agosto, 28 de 1063.  Tumbo II  in Loscertales  ibidem, 37]

 

NEOLITHIC ORIGIN

In 1941 Marc Bloch noted rural areas in primitive Europe ruled by hereditary princes and a common, well-developed institutional framework. He later identified common Indo-European Celtic and Germanic institutions, with their service obligations and hierarchical relationship often called feudal, tracking them as far back as the second millennium BC. “There is sufficient evidence”- said Stuart Piggot “to suggest that the model of society demanded by Bloch may in fact be very archaic and characteristic of barbarian Europe” (Piggot 1965: 259-260).

Este é o tartan mais antigo da Europa representado nos fiéis desenhos destas escultura de principes celtas -como demonstrei em seu dia-,galaicos brácaros de Monte Mozinho, Lezenho e São Julião - todos são galaicos e nenhum claro está é lusitano- . Todas as monumentales estátuas de guerreiros galaicos são pré romanas, e um dia estiveram sobre seus túmulos, ainda que hoje algumas levem umas inscrições romanas funerarias baixo imperiais, postas estas cinco ou seis séculos após que estas estátuas fossem feitas [as clausulas finais, Hic Situs Est "Aqui Jaz", ou Faciendum Curavit/Curaverunt indicam claramente que então ainda desempenhavam seu papel funerario, e seguramente demarcatorio, sobre um túmulo fundacional]. Minha reconstrução cromática, partindo dos excelentes desenhos de Ferreira dá Silva, é claro está arbitrária. Não o é, no entanto o facto de que estes guerreiros levavam esquemas de tecido de quadros e que estes quadros, em todos os casos, a diferença dos actuais quadros escoceses são sempre "ao biés". Uma carácterística galaica.

Este é o tartan mais antigo da Europa representado nos fiéis desenhos das escultura de principes celtas -como demonstrei em seu dia-, galaicos brácaros, como estas de Monte Mozinho, Lezenho e São Julião – todos são principes galaicos e nenhum, claro está é lusitano- . Todas as monumentales estátuas de estes guerreiros galaicos são pré romanas, e um dia estiveram fachendosas sobre seus túmulos, ainda que hoje algumas levem  inscrições romanas funerarias baixo imperiais, postas estas cinco ou seis séculos após que as estátuas fossem feitas [as clausulas finais, Hic Situs Est “Aqui Jaz”, ou Faciendum Curavit/Curaverunt  “as mandaran fazer”, indicam claramente que então ainda desempenhavam seu papel funerario, e seguramente demarcatorio, no seu sitio sobre seu túmulo fundacional]. Minha reconstrução cromática, partindo dos excelentes desenhos de Ferreira dá Silva, é claro está arbitrária. Não o é, no entanto o facto de que estes guerreiros levavam esquemas de tecido de quadros [tartan] e que estes quadros, em todos os casos, a diferença dos actuais quadros escoceses são sempre “ao biés”. Uma carácterística galaica.

Em 1941 Marc Bloch descreveu áreas rurais na primitiva Europa governadas por príncipes, e uma comum, bem desenvolvida, matéria institucional, e, vinte e cinco anos depois, remontando as comuns instituições indoeuropeas célticas e germanas, chamadas feudais, ao segundo milênio aC. “There is sufficient evidence” –diz Stuart Piggot-“to suggest that the model of society demanded by Bloch may in fact be very archaic and characteristic of barbarian Europe” (Piggot 1965: 259-260)

BERÇO DO SISTEMA FEUDO-VASSALLÁTICO MEDIEVAL

As Harold Mytum says (1992:141) “The fundamental building block of the political system in Early Christian Ireland was the Túath, led by the king, rí or rí túaithe. There is considerable dispute as to whether the túath represented a tribe […] there was no ethnic, linguistic or cultural division, but it did, represent a political unit, and one on a larger scale than that of the kin-group. Belonging to a túath –as in Galiza today- was an important concept in Early Christian Ireland, and in that sense the túath can be consider a tribe” The Origins of Early Christian Ireland. 1992: 141.

In Galiza, as in Ireland, a king was the head of the Trebas, until the early thirteenth century, when after the King of Galicia, Petrus Arteiru confirms as “Rex of [the Terra of] Melide” the chronological clauses of a diploma:

Regnante rege A[defonso] in Legione et in Asturiis et in Gallaecia. Gundissalvo Nunit tenente Monte Roso et medio de Transtamar. Petro Suarii archiepiscopo […] Petrus Arteiru Rex de Milide. 16 de Agosto de 1205. Loscertales de Valdeavellano, P.  (1976) T. II Sobrado dos Monxes, fol. 62 v.

However, in the Latin Gallaecia epigraphic record, the rejection of Rome

Príncipe Galaico polo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena. (c) Carlos Alfonzo

Príncipe Galaico polo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena.©Carlos Alfonzo

towards this institution, are not recorded kings (heretics), but princes: Nicer Clutosi Principis Albionum [A Corredoira, Vegadeo. AE 1946, 121. ERA 14]

Príncipe Galaico polo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena. (c) Carlos Alfonzo

Príncipe Galaico com cota de malhas ou lorica hamata. Desenho do profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena [Todos os habitantes da montanha levam uma vida singela, bebem agua, durmen no chão e levam o pêlo largo como as mulheres. Mas no combate cingem a frente com uma cinta (o que é falar de ouvidas)]

Caisaros Ceccig(um) Pr(inceps?) Arcailo(rum) [na segunda das téseras de Paredes de Nava (S. IdC) do Museo de Palencia];

Nobre ou "ari" celtogalaico por Carlos Alfonzo. Asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo

Ari, (irl. aire), “nobre”, celtogalaico por Carlos Alfonzo. Asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo

(Ve)cius Verobli f. princeps (Coporum)”.

Until the end of twelfth century, in the clauses of medieval parchment documents, the head (= tanaiste) of every noble Galician clan or family, retains not only his title of prince of Terra, but also he retains possession of the Terra (treba, toudo, ciuitas, populus) with the same territorial extent and boundaries that had in the Iron Age.

“Conhecemos a um príncipe: Nicer Clutosi, do castro Cariaca, [ da casa ] do príncipe dos Albiones por um epígrafe de Vegadeo [AE 1946, 121], podemos afirmar que à frente da ciuitas ou treba está um ari, “nobre” ou princeps, título do cargo que emprega o senhor do território até o século XII tal e como mostram os diplomas medievais (Pena 1991, 115-6 ; 1992c, 32-45; 1992b, 54-561995, 115-6 . Sustentámos:Estamos em condições de poder afirmar que na Gallaecia Antiga um rei, cuja figura permaneceria fosilizada na Terra de Melide ainda a começos do século XIII quando um nobre galego, Petrus Arteiru, nas cláusulas cronológicas confirma um diploma depois do Rei da Galiza e León como Rex de Milide [ano 1205, agosto 16. Pilar de Loscertales de Valdeavellano, 1976 AHN TII Sobrado f 62v.], exerce a soberania sobre um Território Político autônomo chamado em língua prerromana treba ou toudo (= teuta), ainda que no registro epigráfico latino de tempo da dominación romana, pela rejeição a esta instituição, não apareçam os grandes senhores já como reis (reges) senão como principes: Nicer Clutosi […] [em g. de s.] Principis Albionum; Caisarus Ceccig(um) Pr(inceps?) Arcailo(rum); (Ve)cius Verobli f. Princeps (Coporum) [CIL 02, 02585, Lugo]. […] conserva[rí]an ao menos em certos casos, o título de corono (chefe de tropas) –similar ao de [princeps, ou de] imperante, (chefe do exército), do território político medieval”.

Guerreiro Galaico por Carlos Alfonzo asesorado por André Pena. Reparem na saia com kilt de quadros sempre ao biés, nas ondulações, viria, torque, e sobre todo em o cinto [o de Elvinha] que não é diadema.

Guerreiro Galaico por Carlos Alfonzo asesorado por André Pena. Reparem na saia com kilt de quadros sempre em Gallaecia, em todos os casos [OLHO OS DOS RE-ENACTMENTS GALEGOS!!] ao biés, nas ondulações, viria, torque, e sobre todo em o cinto [o de Elvinha] que não é diadema.

“[…] Em Coroneri Camali Domus / neste contexto seria aventurado traduzir o precedente escrito como ‘Casa do Coronel de Camalo’ quando o epígrafe nos indica a mansão do filho de Camalo, chamado Coronero, um antropónimo de prestígio similar ao Coronos (Ili. II 745) e ao Teutamos (Ili.. II 834) da Ilíada [imaginamos que o grego arcaico provavelmente também tinha empréstimos do celta], ou ao Ambactus peninsular [de onde vem nosso atual Ambassador], assinalando o epígrafe sobre um dintel profusamente decorado, tanto o paço, verdadeira domus regia, quanto a condição de espaço central ou capital do Território Político da citania e oppidum de Briteiros –Ainda nas cláusulas cronológicas destes diplomas e cartas [ …], e assim até as postrimerías do século XII […] os condes galegos, [conservando] os títulos e os mesmos territórios (trebas) herdados da Idade do Ferro, [aparecem] mencionados em seus territórios patrimoniais como principes ou imperantes da terra ou Território Político. Além do exercício de uma plena jurisdicción […] têm nestas comarcas designadas como Terrae, Terras, Territorios [em realidade, nunca, ou quase nunca, se emprega o pl. lat. n. Territoria], servidores públicos territoriais chamados uicarii – um uicarius terrae/e, ou de terra e um maiorinus de terra/e, bem como um numerosa corte, aula comitis, de pequenos fidalgos locais (milites, satellites, infanzones) aos que […] instalam em uillae (uillae quae ego dabo ad meos infanzones) escuetos espaços jurisdiccionais onde esta […] fidalguía, […] base da cabaleiria do Princeps de Terra,

Infante Galaico pelo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo

Infante Galaico pelo profesor de Belas Artes Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena. (c) Carlos Alfonzo.

tem baixo sua jurisdicção como infantería pessoal a moços em idade militar e a camponeses [proprietários da parelha de bois e de terras, base do estatus legal de homens livres],

o grego arcaico provavelmente também tinha empréstimos do celta

[E praticam pelexas ximnásticas, hoplíticas e hípicas para o puxilato, a carreira, o lançamento de dardos e o combate STRABO III, 3, 7] Iovinco. Moço celtogalaico de infanteria ligeira. Por Carlos Afonso asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo

percebendo a um tempo destes últimos, já diretamente, já através de um administrador ou uillicus, taxas jurisdiccionais e rendas [derivados do exercício da jurisdicção] […] ao ser a uilla, como espaço jurisdiccional demarcado, um bem indivisible (proindiviso) do que a unidade de parentesco é mancomunadamente copropietaria (como no fintiu irlandês)”. (Pena i, 38-39). Onze anos depois esta trillada matéria – resultava toda uma novidade para um ‘surpreendido’ [não mais que nós] García Quintela (2002) TAPA 28 p 33 : “Existe uma pequena série de epígrafes latinos do Noroeste de Hispania que refletem a presença de principes com nomes indígenas e em um contexto muito pouco romanizado”  Vaites Albricias temos!

Arco [c/g] "Campião" celtogalaico, por Carlos Alfonzo asesorado por André PenaDeseño de  Carlos Alfonzo asesorado por André PenaArco [c/g] “Campião” celtogalaico, atado como Bandua, epíteto [de *Bhnd “atar”] significando, seguramente, “o que se ata [para morrer de pé]”por Carlos Alfonzo asesorado por André Pena. (c) Carlos Alfonzo.  [“Dizem que os lusitanos som hábeis em emboscadas eperseguições, velozes, ligeiros e escurridizos; que têm um escudo pequeno de um diámetro de dois pes e que é cóncavo por diante”] . O tempora, o mores! “Despite the fact that their wives are beautifull, the Celts have very little to do with them, but instead abandom themselves to a strange passion for other men. They ussually sleep on the ground on skins of wild animals and tumble about with a bedfellow on either side. And what is strangest of all is that, without any tought for a natural sense of modesty, they carelessly surrender their virginity to other men. Far from finding anything shamefull in all this, they feel insulted if anyone refuses the favours they offer. Diodorus Siculus World History V 32 [1st century BC](Que güays!). Putin não é Celta. Não é. Definitivamente.                                                                                Alguém – não o Calo aquí- também com título de doutor, e direito a se equivocar, escriviu que os castrexos tinham uma especie de organização desxerarquizada, democrática, básicamente mediterranea com toques fenicio-ganhanes,  ‘ multiétnicos, multi lingues y chupi güays que molan mogollón’, etc.- mas participavam duma sociedade sobretudo pacífica, salvo a excepção que confirma a regra “Sempre há algum tolo (louco) que se aponta a um bombardeio”. Anos depois quando ao santo e feliz esse não lhe ficou outra que rectificar, disse algo bem como “bom, agora há que verificar quando o primeiro teutático atirou o primeiro croio” Básicamente genial! Não lhes parece?

Nas cláusulas dos diplomas medievais em pergamino, a cabeça da cada principesco Clã, Casa ou Família nobiliar galega, (= tánaiste irlandês, tànaiste escocês, tanistagh, em Man, do gaélico tana “Señoría, Autoridade”) retém ainda até o final do século XII e começos do XIII o título de principis de terra (= treba, toudo, ciuitas, populus), e, segundo vimos, a posse desta, com a mesma extensão territorial e limites que na Idade do Ferro (1991, 146-1501994, 210-235; 248-267)

BRIGA, -BRE, CASTRO, FORT, HILLFORT

Castro de Baronha

Castro de Baronha

A TREBA UMA SUCESSÃO DE CASTROS

Categorías sociais nunha briga galaica por Carlos Alfonzo ex A. Pena. (c) Carlos Alfonzo

Categorías sociais nunha briga galaica por Carlos Alfonzo ex A. Pena. (c) Carlos Alfonzo. Of Course a treba/toudo or terra is not a hillfort or a fort. It is a territorial space of medium shape which covers a whole of hillforts (between seventy and one hundred and twenty). Inside the treba each hillfort spreads its space of power out of the walls, taking crop, grounds, pastures, forest and waters. All separated, as had had shown, by termini, land marks, milestones or taking up in a small river, with little flow, a porto “port”. With this ideal representation of a galician fort or hillfort   -the best ones in Europe-, we will describe what it would be found, after a complete excavation (and a complete reconstruction by Carlos Alfonzo under my advice), in most hillforts.

Uma treba galaica como Trasancos, poderia dependendo de seu tamanho ter entre 80 e 120 castros na Idade do Ferro.

Briga celtogalaica de Santa Luzia

Briga celtogalaica de Santa Luzia

A Briga ou Castro é um bem pertencente, proindiviso, à cabeça (tanaiste) de uma Casa nobiliar [precedente do nobile, do sattelite alto-medieval, ou do fidalgo] gassaliana, “vasalla”, do celta gwas, “servidor”  ou cliente [de clino “inclinarse diante de”] da Casa do princeps da treba ou toudo [Nar. I re-ed., 265,296; Treba y Territorium 2004, 333-502].

Distribution [aproximately 10%] of Galician forts

Distribution [aproximately 10%] of Galician forts

A Galician Treba of the Iron Age could have 60, 80, such as Terra de Trasancos, or 120 forts

Fort (briga, -bre, "castro") Drawing of Carlos Alfonso, advised by André Pena

Fort [briga, -bre, “castro”] Drawing of Carlos Alfonso, advised by André Pena. The briga, ‘hillfort’ or ‘fort’, it is located (most of times) on the top of a hill, defended by stones and grounds wall, ditches and ramps, obtacles for the attak and facilities for the defense. In the inner their sheltered Domo, “House” ,  occuping the most relevant site, the big house of the hillfort Lord, and the meeting house (or ale house), in case of a capital hillfort. In another part live those who own a yoke of oxen, possesing their own land and livestock. And in another neighborhood live those with livestock and land belonging to the Lord. The hillfort is like a castle where the Lord (Dominus) lives with his men or knights [feudal-vassal relations], each one in his house made of separate rooms arranged around a central courtyard [set enclosed by a wall or hedge]. They all live inside  same well defended fort. In a hillfort the latin word gens means “people” without other connotation,  is formed by whole population under the protection of the Lord; similarly,  the latin word gentilitas, “population, people”, here refers to the inhabitants of the treba or terra, to people of all forts protected by Prince “principes seu imperantes terrae”.

Each fort had its own little economic territory and jurisdiction (over 1.5 km radius), with pastures, farmlands, forests and waterways. All perfectly bounded [de succo, “furrowed by the plough”] setting up an economic jurisdiction of a Noble House (Domus = fine Irish), vassal and dependent on the territorial prince…

O castro 1991 nova ed. , 177-204; 227-249 projeta sobre seu minúsculo território econômico (de 1’5 km de rádio por meio-termo) uma directura ou jurisdición cum omnia intus clausis et extrinsecus foris, comprensiva de pastos, bosques, montes e cursos de água, perfeitamente demarcada per suis terminus et locis antiquis (cf 1991 nov. ed.  204-205 ; 1992  131,132).

 Crica ou demarcação do Castro de Quintá. Desenho do professor de Belas Artes Carlos Afonso, dirigido por André Pena


…and his dominium comprises the economic territory, houses and fortified installations, cattle, horses and people, children and relatives, freemen and servants. Crica ou demarcação do Castro de Quintá. Desenho do professor de Belas Artes Carlos Afonso, dirigido por André Pena

Mostrámos como em a cada sucessão e transmissão patrimonial proindivisa da briga ou castro (igual sucede com a posse da treba pelo princeps) o novo senhor escenifica com uma inauguratio, de succo “surcando a fronteira com o arado” (2005, 117-120) , a inmemorial posse  familiar do espaço demarcado.

circunvalatio

Surcando a fronteira com o arado o novo senhor escenifica [como Rómulo arando o Pomoerium em Roma] a inmemorial posse familiar do espaço demarcado (2005, 117-120) . No centro um bronze votivo entronizatorio galaico de Monforte de Lemos do arqueólogo formado en Oxford e a Sorbona Guillermo Joaquín de Osma y Scull, duque consorte de Osma por sua mulher, XIIIª condesa de Osma, Adelaida Crooke de origem irlandês. A peça do que fora deputado por Lugo (1811-1918) passou ao Paço de Osma,  e, desde 1916  ao Instituto de Valencia de Dom Juan (Madri) onde se conserva. É com o de Lalín um dos mais antigos e completos.

cobrando grande importância propagandística, quasi documental, como no resto da Europa celtoatlántica, sendo re-acondicionada pela família ao longo de milhares de anos a estela (neólítica, calcolítica, etc.) erigida sobre a mámoa demarcatoria fundacional do institutor do clã ou linhagem retora.

CASTRO, BRIGA, FORT

Ainda que preferimos usar o termo Civilização Celta, é verdadeiro que esta poderia se definir pars pro toto, ex more celta pelo arraigado módulo de hábitat na Idade do Bronze e do Ferro: o castro, denominado em celta antigo comum briga; brig- ‘alto [fortificado] lugar.

No mapa de Hispania –sustem J.J. Moralejo- há unha notavel quantidade de topônimos formados co lexema brĭg-, que pode ser raiz de termos simples (Brigaecium, Brigantium, Brigantia) e, sobre todo, pode ser segundo elemento de termos compostos (Mirobriga, […], Aviliobris…); desde sempre conhece-se a vinculação destes topônimos cós Celtae, Celtiberi e Celtici de que falam as fontes literárias e sabe-se que –briga significa ‘vila, cidade’, os nomes híbridos Augustobriga, Flaviobriga, Caesarobriga, etc. (cós seus paralelos doutras áreas célticas, Augustodunum, Caesarodunum, etc.) que romanos e autóctones romanizados deram a velhas ou novas entidades de povoação certificam o que digo. Desde muito antes de que a lingüística tenha rigor en Historia e Comparação de línguas, também se sabe que o reparto de –briga se contrapõe ao dos topônimos ibéricos, não indo-europeus (S e E de Hispania), ilerda, iluro, iliturgi... em que se reconhece um primeiro termo ili-, ilu- (e outras variantes ilti-, iltu-…) que tambem parece significar ‘vila, cidade (Callaica Nomina, 119)”.

Castro, Fort, Briga por Carlos Alfonzo (c) Carlos Alfonzo

Castro ou Briga por Carlos Alfonzo (c) Carlos Alfonzo (ex A. Pena) Sub vocabulo brig- Ingresa Alexander Falileyev (em colabouração con Ashwin E. Gohil & Naomi Ward ) ‘high (fortified) settlement’, ‘hillfort’ (OIr brí ‘hill’, C bre; B bre; MW bre ‘hill, height’ GPC : 313; LEIA B-87) […] in Dictionary of Continental Celtic Place-Names,‘Principal Elements’ (2010),11- 12

Uma retícula de castros, castella ou domi, excedendo em ocasiões muito generosamente a média centena, configuraba no seio da treba uma sucessão de verdadeiros coutos jurisdiccionais ou casas nobres, ex pari, iguais em hierarquia e fama, unindo-se estes castros entre eles por laços parentais e vecinhais, e, sobretudo, porque estavam verticalmente sujeitos todos eles, pelos enlaces e nodos estabelecidos em um complexo armazón clientelar, ao princeps da treba, do toudo, do Território Político ou Terra. A. PENA: 1991,115-127; 1992,33-48.

Narón Unha História Ilustrada na Terra de Trasancos

Narón Unha História Ilustrada na Terra de Trasancos

The hillforts, Galizan habitat in the Iron Age, appear in the epigraphic record 1st-5th century AD, following a letter C in an inverted position Ͻ which is usually interpreted (Maria Lourdes Albertos 1975:65) as castrum / castelum.

ce emvorcada

If this is the meaning of the sign Ͻ  -usually made explicit by the Latin prepositions ex, de, de hoc– “from”, would almost have no importance. Reappearing after the sign כ the Castelum, “Castro”, in the form of a toponym in ablative, without a preposition, referring to minor-places, that has in Latin, as domo, locative function.

 The letter c in an inverted position כ appears between the Political Territory (PT) and the castro

                           PT                   Ͻ      Castro/Briga (Hillfort)

                                                           Limicus       Ͻ       Arcuce

                                                              Cilenus      Ͻ      Berisamo

                                       (Principis) Albionum       Ͻ      Blaniobrensi

                                        Celtica Supertamarica    Ͻ      Iureobriga

c envorcadaSometimes the sign כ    does not appear but is replaced by the word castelum in locative:

Durvede, "Druida" de Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena (C) Carlos Alfonzo, e ídolo de Paderne.

Durvede, “Druida” de Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena (C) Carlos Alfonzo, e ídolo de Paderne. LADRONV(S) DOVAI (F) BRACARVS CASTELLO DURBEDE                                           (IRP, 187-188)[> Druvide .Poss. “Fort of the Druid” [–better acceptable than a witty Hydro-Solution “plot of rivers”], a metáthesis  [investment or changing the position of one phoneme in the interior of a word] of the etymological *Druvide (vocalism i/e) resulted in Durbede, “Druid”.

   Or is replaced by the word domo in locative:  

CLOTIVS CLUTAMI (F) SVSARRV(S) DOMO CVRVNNIACE (CIL III 2016)

DOMO LUCOCADIACVS (CIL III 4227)

     The Castro is the domo, “house”, of a dominus “lord” and his dominium comprises the economic territory, houses and fortified installations, cattle, horses and people, children and relatives, freemen and servants.

Castro Domo Carlos Alfonzo asesorado por A. Pena (c) Carlos Alfonzo The Castro is the domo, "house", of a dominus "lord" and his dominium comprises the economic territory, houses and fortified installations, cattle, horses and people, children and relatives, freemen and servants. Land marks, “coiras”, determine the jurisdiction of a local lineage over the stable and selfsufficient small population. Nobiles in return for the transfer, for generations, of land, cómaros “plots”, to the peasants [-each with their dedication, grass; 'souto' to brown; 'naveira' for turnips, 'painzeira' for oats, 'orxás' for rye, 'cortinha' for cabbages and vegetables, etc .-] receive benefits and income.

Briga, Fort, Castro, Domo Carlos Alfonzo asesorado por A. Pena (c) Carlos Alfonzo.
Land marks, coiras, determine the jurisdiction of a local lineage over the stable and selfsufficient small population. Nobiles in return for the transfer, for generations, of land, cómaros “plots”, to the peasants [-each with their dedication, grass; ‘souto’ to brown; ‘naveira’ for turnips, ‘painzeira’ for oats, ‘orxás’ for rye, ‘cortinha’ for cabbages and vegetables, etc .-] receive benefits and income.

Os castros nome que damos na Galiza ao comum hábitat atlántico do Bronze e a Idade do Ferro, insular e continental, aparecem mencionados no registro epigráfico (ss I-V dC.) depois do Território Político (TP) em forma de topônimo em ablativo, a seguir de uma misteriosa letra כ, intrometida entre o TP e o castro, que originando no passado vibrantes polêmicas, desde faz mais de trinta anos de forma pacífica comummente se interpreta (María Lourdes Albertos 1975:65) como ‘castrum ou castellum’. De ter sido este o significado de Ͻ “a letra fatal”, como em seu dia lhe chamou Untermann , segundo o penso, quase não teria importância, seria innecesario em realidade [Pena 1995, 62-64] ou estaria duplicado por reaparecer de novo depois do signo o castellum –briga, -bris, -bris, -bria, -bre,  ou “castro”, comodamente cimentado em um antigo topônimo Celta expressado em ablativo, sem preposición, referido exclusivamente a entidades menores, a castros ou brigas com função -como domo em latín- de locativo:

Que lindo! Um Chrismón e um [pérfido] Albion

Que lindo! Um Chrismón e um [pérfido] Albion S. IV d C.  A Corredoira Asturias  Provincia Gallaecia Nas inscrições aparecem mencionados os castros brigas ou castella a seguir de um signo “C” investido Ͻ que em faz catorze anos, seguindo a Mª L. Albertos, transcribíamos erroneamente como castro até que consertamos que este, o castro, um topônimo que aparece quase sempre depois da letra envorcada “girada” não requereria do signo, cimentado comodamente instalado em um topônimo expressado em ablativo sem preposición com função em latín de locativo, muito antigo e referido exclusivamente a entidades menores. O castro revela-se plenamente e reside neste topônimo. Isto é se a letra C em posição investida significa castro, de acordo, mas seria redundante por reiterar-se o castro em forma de topônimo em ablativo.

Seguindo a organização geográfica de Carlos Búa. No Occidente das Astúrias (até o Navia e o Ranhadoiro): NIGRINIANUS NIGRINI F. AL(BIONUM)  Ͻ ERCORIOBRI; NICER CLUTOSI F. PRINCIPIS ALBIONUM  Ͻ  CAURIACA;  Em A Crunha: FVSCA COEDI F. CELTICA SVPERTA(MARICA) Ͻ  [.]LANIOBRENSI; EBVRIA CALVENI F. CELTICA SVP(ERTAMARICA) Ͻ LVBRI; APANA AMBOLLI F. CELTICA SVPERTAM(ARICA) [Ͻ ] MIOBRI. Em Lugo: TILLEGUS AMBATI F. SUSARRUS Ͻ AIOBRIGIAECO; REBURRUS ARI [F.] SEURRUS Ͻ  NARELIA; TRIDIAE MODESTI F. SEURRA TRANSM(INIENSE) Ͻ SERANTE; FLAUS AULEDI F. CABARCUS Ͻ  BERISO; FABIA EBURI F. LEMAVA  Ͻ  ERITAECO; VIRIUS CAESSI F. LEMAVUS Ͻ  ERITAECO. Em Ourense : FUSCUS SEVERI F. LIMICUS Ͻ  ARCUCE; ANCEITUS VACCEI F. LIMICUS  Ͻ  TALABRIGA; REBURRUS VACISI F LIMICUS Ͻ BERENSI. Em Pontevedra: CAELEO CADROIOLONIS F. CILENUS Ͻ  BERISAMO. Em o N de Portugal : ALBURA CATURONI F.  Ͻ LETIOBRI; FESTUS LOVESI F. INTERAMICUS כ LOUCIOCELO: CAMALUS BURNI F. Ͻ  TARBU. 

A entremetida letra girada aparece às vezes acompanhada pela preposición de contexto referencial ex [Nigrianus Nigrini Al ex Ͻ  Ercoriobre (CIL II 2711) traduziria Nigriano filho de Nigrino, Albión de Ercoriobre;  sendo Ercoriobre como seu sufijo  indica um castro] possivelmente porque no baixo império não entendiam já o signo e colocavam a seu lado a preposición de modo aclaratorio, assím sucederia em Tridia Modesti F. Seurra Transm. Exs Ͻ Serante [AE 1934, 00019]; in Festus Louesi F. Interamicus Ex  Ͻ  Loucioelo (Cacabelos).  

Sendo o castro a única forma de hábitat na Idade do Ferro quando alguém diz que é fulano filho de mengano de Cabarcos de Beriso o filho de seu pai nos diz que sua linhagem é da treba de Cabarcos, situada por Plinio entre os Albiones e os Eguivarri ou Namarinos, e de Beriso, logicamente um castro de altura, sucedendo o mesmo em Caeleo Cadroiolonis f(ilius) Cilenus Ͻ Berisamo (IRG I 20) Caeleo nos diz que é filho de Cadroiolon [antropónimo psv. tomado do corpo militar de elite celta], da treba de Celenos e do lugar Berisamo, algo bem como ‘Monte Alto’, evidentemente um castro.

Em ocasiões o signo כ não aparece, substituído pelo vocablo, em locativo, castello, assim na inscrição galaica de Garbão, Ourique, Beja (Portugal):

*LADRONV(S) DOVAI (F) BRACARVS CASTELLO **DVRBEDE “Disposto [para o combate] filho de Dovai” OIr. [McCone] Látar ‘disposition’ (n. ou-stem < *Lāθ(e)r < *Lāθ(e)rom […] [+ suf. lat. –us *Lāθ(e)ro-nus]: acc. sg. 3x (Ml. nom. sg. 7x), dat. sg Lathur (Ml. dat. sg. Lathar 1x). p 6 (11) [Kim McCone, Maig Nuad 2011] **Nom. *Durwis, met. Druwis; Loc. (vogalismo e/i) *Druvidi. Met. *Durvede, “Druida” [Miguel Costa: http://frornarea.blogspot.com/ %5D  Ou pelo mencionado locativo domo [que origina em antigo irlandês déis ‘cliente(s)’ derivando a voz casualmente de um conceito de soberania doméstica– segundo Kin McCone (1992, 193–197) de “*dem- “Casa”, ‘house(hold)’; cf. dám “freguesia”, ‘retinue (of clients)’ < *domo- ‘house(hold)’” CLOTIVS CLVTAMI (F) SVSARRV(S) DOMO CVRVNNIACE [CIL III 2016 Procede de Salona, Dalmacia [Cloutius Clutami f. duplicarius alae Pannonior. Susarru(s) domo Curunniace] ABILIUS TVRANCI F. DOMO LVCOCADIACVS CIL III 4227 Lugar dun soldado galaico entrerrado em Gyaloke cerca de Szombately, Hungria. Deixou como herdeiros a dois camaradas de Gallaecia, um de Lancia e outro de Aligancia.

[Esta parte aburrida resultaría muito engraçada de conhecer vocês o omímodo fascinador poder da letra fatal, que deu nos oitenta voz a apagados vulcões, ressuscitou paixões, se tomou suas vinganças, mantendo em vilo a qüestão de índígenas e romanos e bem mais que a prudência pede silenciar.  O revirado C – etra fatál a chamou Untermann-, a investida a chamavam rindo nos derradeiros 70 dois capitães de sendos bandos da faculdade de Hª de Santiago, que se andavam  muito enLaroucados e  à grenha [acho que a revirada letra fora aqui pretexto e tampa de outras coisas que calamos os que sabemos e  do feitiço e sonoro sorriso de Chesire cat dos dentes aqueles da sem prefixo Iccona de tempo de mouros e praça. Eram outros tempos].

LA DATACIÓN DE LA LETRA C INVERTIDA Ͻ  ; “EX Ͻ ”; “ DE HOC Ͻ ” A DATAÇAO DA LETRA C INVESTIDA Ͻ  ; “EX Ͻ ”; “DE HOC Ͻ ”

derediplomáticamabillon

La Paleografía disciplina inter y multi disciplinar entrada en años desde su desarrollo con Mabillon y su De Re Diplomatica libri VI en la Francia de Luis XIV, conjuga saberes y usos sin cuento que aplicados con familiaridad, profesionalidad y fiabilidad a análisis de soportes, tipología documental, cláusulas, fórmulas, usos institucionales, etc. -aún trabajándose con fehaciente copia digitalizada microfilm o fotocopia por salvaguardar el original-, permiten distinguir el instrumento falso del auténtico, detectar traslados, adiciones, errores cronológicos … y mucho más (Pena Granha)

INTRODUCCIÓN/ INTRODUÇÃO

"Cuadro Tipológico de Luis Monteagudo García"

Pero a los epígrafes, encomendados a Santo Tomás, como a los petroglifos, hay que verlos para creerlos, aunque ayuden la buena fotografía [el optimo dibujo, el fehaciente calco]. Leerlos es una cosa, datarlos es cosa distinta, exige otro bagaje epistémico y aquí es dónde la Epigrafía estaba mucho menos desarrollada [siendo disciplina antigua iniciada por Fabricius, 1516-1751, ampliada en el siglo XIX por Mommsem, 1817-1903, y por Hübner, 1834-1901, ], que la Paleografía. Mas às epígrafes, encomendadas a Santo Tomás, como aos petróglifos, há que as ver para as crer, ainda que ajudem a boa fotografia [o ótimo desenho, o seguro calco ]. Lê-los é uma coisa, datá-los é coisa diferente, exige outro bagagem epistêmico e aqui é onde a Epigrafia estava muito menos desenvolvida [sendo disciplina antiga iniciada por Fabricius, 1516-1751, ampliada no século XIX por Mommsem, 1817-1903, e por Hübner,1834-1901], que a Paleografía.
A Epigrafía permite afinada interpretatio-lectio, mas não datava até faz muito pouco [quando a meu rogo, o sábio Luis Monteagudo García realizou este quadro evolutivo do alfabeto latino de Gallaecia publicado depois no Anuario Brigantino] os epígrafes votivos. Adequando o epígrafe ao suporte e a consuetam rationem -um rei não assiste vestido com trapos a sua coroação – examinando o aporte-suporte epigráfico e contexto com média equipação discernimos o autêntico, p. ej. o Edicto de Bembibre -um exemplo de mudança de suporte documental com discordâncias incumbidas ao agente do translado- ,do falso [a Malícia essa de Iruña Veleia! Durante dois anos e cinco meses! até novembro de 2008 que soltaram a lebre, Euskadi sofreu atónita as conseqüências de um escândalo, arrastado desde junho de 2006, quando filtrarão à imprensa em tempos de indulgência geral falsos epígrafes com cláusulas em moderno euskera, sagrada família com RIP ,requiescat in pacem, sobre calvário contemporâneo – por INRI, Ihesus Nazarenus Rex Iudaeiorum-; cartuchos egípcios; Descartes (sic) com Aristóteles e Demóstenes; comas, hífen, e mais pontuação, etc.]. Feria o emprego sobre autênticos suportes dos séculos II e VI da letra maiúscula com tipografia moderna do latim clássico (estes suportes com notas, contas, epígrafes domésticos [como também sucede com as lousinhas suevo visigodas p e] empregam por norma geral letra minúscula cursiva enquanto as inscrições monumentais e votivas sendo coisa pública exigem escritura capital, id est, a letra maiúscula.

VER PARA CRER

datandoepigrafesqueesgerundio por André Pena Granha

Atendiendo a la evolución del alfabeto de Luis Monteagudo García las inscripciones funerarias latinas bajo imperiales galaicas con la [precedida o no de la preposición ex, o de hoc] letra C en posición invertida Ͻ patentizan la continuidad de la organización celtogalaica.
No pocas veces tras la mención de la treba o toudo “territorio político”, célula organizativa celta de Europa y de Galicia, llamado ciuitas o populus por los romanos antes y durante la conquista, aparece tras la letra C invertida Ͻ señalando el lugar de residencia el castro, único hábitat de los celtas galaicos hasta muy entrada la dominación romana, expresado como un topónimo en ablativo sin preposición con valor de locativo, como la voz latina domo.
Apoyado contra viento y marea en su pilar sin sostén mantiene -obviando lo indiscutible (Pena 1991; 1992; 1993, 1995)- Pereira Menaut que Galicia estaba poblada por gente indigente, habitante de un innominado territorio, llamada indígena, nunca galaica, nunca celta ¿Qué busca Pereira? ¿Busca la paradoja? ¿Busca la sensación?

 SOSTIENE PEREIRA SOBRE PILARES SIN SOSTÉN

Los epígrafes con la letra C invertida Ͻ, castelum, según  Mª Lourdes Albertos, señalarían la forma de organización ‘indígena’: el castro, castellum, pero –sostiene Pereira “porque yo lo valgo”, sin sostén (-dijimos que si esto era así que lo demostrara-):

a finales del siglo I coincidiendo con la donación a toda Hispania del ius latii por Vespasiano se producía una revolución en varios órdenes de cosas: los castella desaparecían de las inscripciones mientras los castros eran generalmente abandonados. Cambios en la estructura u organización  sociopolítica, cambios en el hábitat

Fingiendo ahora ignorar que Gallaecia fue antes, durante y después de la dominación romana  el nombre genérico (Untermann) del país de los galaicos sin excepción, siempre, en todos los historiógrafos de la antigüedad, fantasea Pereira, apoyado como siempre en su pilar sin sostén, sobre ese supuesto :

proceso que nos lleva desde la Edad de Bronce, cuando [–“porque yo lo valgo”-] no existen Galaicos […] hasta ese momento anterior a la conquista romana”, tunc, amoldando Pereira su deseo a la realidad su supuesto innominado ‘indigente o indígena’ pais “empezó a llamarse Gallaecia, utilizando para ese nombre el de aquel pueblo vencido por D. Iun. Brutus Callaicus” (VELEIA, 27  243)

Enumerando Mela [Pena Graña 2004] en el Conventus Lucense a los Celticos y a los Lemavos, saltándose de su fichero celtas trebas de bárbaros y obscuros nombres, aunque, aunque calcula de nuevo por el censo el padrón de pecheros o contribuyentes que fija en 166.000 hombres [cabos de casa, o cabezas de familia], haciendo otro tanto luego con el conventus de los Brácaros, dónde de sus 24 trebas únicamente menciona además de los eponónimos del conventus mencionado a los Bibalos y a los Coelernos, que él llama “Coelernos Galaicos” para distinguirlos como ha observado Untermann de los Colarnos de la Lusitania central citados casi a continuación más abajo por el propio Mela; a los Equaesos; a los Límicos y a los Querquernos, constituyentes [pues claro está, en estos padrones no se contabilizan por su nulo interés fiscal los campesinos dependientes beneficiarios del ganado colocado por los señores, estos 285.000 tributarios [cabos de casa o cabezas de familia, la población real hay que multiplicarla, como mínimo, por 6] propietarios de ganado y de tierras, los hombres libres peregrini, el Grád Túaithe celta, al base del estatus legal, en definitiva las gentes de la treba.

Sobre los Callaicos Brácaros de Gallaecia nos dice J. Untermann:

“Ya se ha puesto de relieve por otros autores (cita a Tranoy, a A. Tovar, y a Colmenero) el hecho sorprendente de que el etnónimo Gallaeci, a pesar de que en la mayoría aplastante de los testimonios tiene la función denominar la totalidad de los pueblos indígenas [en realidad decimos nosotros saliendo ahora a la palestra las trebas celtas] del Noroeste, siendo prácticamente sinónimo de “habitante de Gallaecia”, en Plinio 3, 28 aparece como una de las fracciones tribales de los Bracari “praeter ipsos Bracaros” se aducen los nombres de los Bibali, Coelerni, Callaeci, Equaesi, Limici, Querquerni. No creo que sea casualidad que estos nombres con excepción de los Callaeci –coinciden con el elenco de las civitates decem de la columna del lado del puente de Chaves […], la solución que se impone es borrar la coma entre Coelerni y Gallaeci, suponiendo que el autor añadió Gallaeci para distinguir estos Coelerni de otro grupo homónimo: tal vez haya pensado en los Colarni en la Lusitania Central, que menciona en el parágrafo 4, 118 de su obra. “Anotaciones al estudio de las lenguas prerromanas del Noroeste de la Península Ibérica”. Actas do Encontro Científico en Homenaxe a Fermín Bouza Brey. Santiago 1992, 393.

PROCESO QUE NOS LLEVA DESDE LA EDAD DE BRONCE, CUANDO NO EXISTEN GALAICOS HASTA ESE MOMENTO ANTERIOR A LA CONQUISTA ROMANA“. GERARDO PEREIRA MENAUT

En vano Tasionos invocando y poniendo él por testigos a los divinos Lugoves [-por cierto no por casualidad en la Galia ‘tutelary gods of shoemakers’ (Lewis & Pedersen ed. 1937; 1961, 12), patrones de zapateros y ‘zoqueiros’ como Pedro Chosco -], proclama EN LA EDAD DEL BRONCE! a los cuatro vientos ser un ari “noble” Nerio de la Kaltia o Galtia, “Celtia o Galicia” sobre su bella estela erigida un día en lo alto de su impresionante laco “túmulo” del Algarve en la más larga y antigua inscripción celta del mundo, hecha en signario ibérico occidental -un signario creado para notar el celta antiguo común, E. Losada Badía-, lengua hablada en el occidente atlántico (J. T. Coch),  porque Pereira en su pilar sin sostén, sostiene, “porque yo lo valgo”  que la conciencia galaica es cosa de romanos del siglo II d. C.!

Para terminar: aparece” –dice bajándose Gerardo Pereira Menaut su deus ex machina– “la consciencia de ser gallego. En el siglo II d.C hay un Quintus Voconius Rufinus que se entierra en Tarragona y añade su origen, Callaecus. Es el primer gallego documentado como tal en la Historia”. Pereira Menaut “El moderno debate sobre la Romanización” VELEIA, 27 249). Siue potius ‘Historieta’.

Dislate tras dislate, desde su pilar sin sostén va Pereira deconstruyendo ¡Es la pera!  un absurdo boschiano paisaje apereirado de Gallaecia, país innominado, indefinido, nunca celta, de autóctona indigencia, según él nos intenta hacer creer por sus personales necesidades, de exclusivo primitivismo, semi-aislado del mundo [salvo brumosos contactos con Grecia remontables al siglo V antes de Cristo],  desorganizado, desarticulado, encerrado en los castros, castrejado…. hasta que el genio civilizador romano les crea civitates/populi.

Sustenta PEREIRA: i) A menção [da letra C investida] Ͻ dá-se sempre junto a uma onomástica indígena, em inscrições que, segundo o formulário e também a morfologia externa, são  as mais temporãs de todas. (ZEPHYRVS, XXXIV-XXXV, 1982 250) E a seguir retifica, que é de sábios : não é verdadeiro que as  Ͻ apareçam sempre junto a uma onomástica indígena(ZEPHYRVS, XXXIV-XXXV, 1982 250 Sustenta Pereira: ii) Num momento determinado [no final do S I d. C] a menção das  Ͻ desaparece das inscrições. iii) Quando se produz ii) as inscrições começam a ser diferentes: a onomástica perde seu caráter indígena, e o formulário também é mais romano. ZEPHYRVS, XXXIV-XXXV, 1982 iv) Quando as inscrições (que são fundamentalmente funerárias) têm já a fórmula D M ou D M S  – isto é, são posteriores as que não a têm-, a onomástica é já claramente romana. Os caracteres indígenas [ -refere-se Pereira à letra C investida Ͻ -] desapareceram praticamente dos textos: não conhecemos nem uma sozinha Ͻ  em textos que tenham a fórmula D M ou D M S. E [como se olha no quadro tipológico de Monteagudo, os tipos de letras com a letra Ͻ são em sua maioria do Baixo Império] retifica: “não é verdadeiro que as Ͻ apareçam sempre junto a uma onomástica indígena. Os indivíduos assinalados a seguir [ – cita Pereira  a Aemilianus Flacus; Fuscus Severi f.; Nigriani, Nigrini; Popilius Hirsutus, Tridia Modesti f., etc.- ] são aqueles entre os adscritos a uma Ͻ com nomes mais propriamente romanos […]” E de novo, mesmo circuito paralógico, sustenta Pereira: “O processo de municipalização, que supõe uma romanização superior , acompanha ao desaparecimento das Ͻ”. E [monstrando o quadro de Monteagudo García que isso é mentira] retifica mais uma vez: “não parece posivel” –dize Pereira-“pensar que as ciuitates de Gigurri, Susarri, Seurri, Limici, Tamagani, etc. etc. que conhecemos nas fontes literárias e nas inscrições tenham sido uma criação alheia ao mundo indígena, a seus povos (126)”; E: “Não parece impensable que as civitates não existissem dantes da conquista” E: “não devemos pensar que as civitates fossem obra dos romanos. Ao invés, são indígenas”

CONCLUSÃO ANTE TANTA RETIFICAÇÃO –O artificial processo de municipalização romano sonhado por Pereira é Utopia “não existe em ningures”.A organização celtogalaica descansa na treba ou toudo pelo menos desde a Idade do Bronze. O castro ensonhado por Pereira como forma inferior de organização de indigentes desarticulados é Utopia.Não se sustenta – cf. o Edicto de Bembibre- que as trebas galaicas fossem as ciuitates criação de Roma sonhadas por Pereira .

“Aparte de alcantarillados (sic)” –dize Pereira- “urbanização,  e outras coisas semelhantes (sic), a antiga Roma, deu à História Universal, vista desde nosso presente, algo bem mais importante: um conceito de cidadania romana totalmente apartada das origens etno-históricos do indivíduo”.

Viver para Ver. Pereira sustenta que o autêntico e importante para o indivíduo é se apartar totalmente das suas origens etnohistóricas [como ele faz, assim publica em revistas bascas. VELEIA]

A sociolinguística ensinou a distanciar usos e usuários faz tempo, advertindo se o contido nas cláusulas é uma manipulação ou corresponde-se com a realidade. A gente dá-se conta das coisas. Quase tudo é política, nas universidades também – Pereira nunca entra, não se atreve, a qüestionar uma tese celtista atual de seus colegas doutores galegos, e fingindo ignorar que o celtismo atual é universalista e continuista [Paleolitic Continuity]  o ataca se referindo  a um humilde pasquím de aficionados “uma singela revista” dos anos 80.

Desenhos de Carlos Afonzo (ex A. Pena)“[…] para que a antiga Callaecia fosse celta deveria ter tido um translado de população celta que fosse, ao menos, tão numerosa como a que já tinha aqui, e a poder ser um pouco mais, por aquilo da maioria simples.”  “[…] Num debate com estudantes sobre a qüestão do celtismo de Galícia, na Faculdade de História de Santiago […] um deles mantinha que no dia em que os marroquinos se acostumassem a tocar a gaita e a adotassem como própria, nesse dia os marroquinos seriam celtas […] a proposta […] não era tão abertamente errônea ou falaz; era a conseqüência de uma determinada visão do celtismo […] uma qüestão cultural, e nada mais. É verdadeiro que o tocar a gaita era um sozinho rasgo cultural, e se diria que para ser celta, ainda desde uma definição cultural do celtismo, teria que ter adotado mais rasgos culturais celtas, e não só a gaita […] o estudante tinha razão, conquanto teria de ter dito que no dia que tocassem a gaita seriam «um pouquinho celtas” Pereira Menaut “Marruecos a gaita e os celtas O MODERNO DEBATE SOBRE A ROMANIZACIÓN? VELEIA, 27 239-253, 2010 in “Marruecos a gaita e os celtas O MODERNO DEBATE SOBRE A ROMANIZACIÓN” VELEIA, 27 239-253, 2010

Gentes (bellatores, corio) do castro celtogalaico por Carlos Alfonzo ex A. Pena

Sem dúvida alguns dos que estavam dantes. Por Carlos Alfonzo, asesorado por André Pena

[…] Sempre me tenho perguntado como se explica que os apostoles do celtismo galaico consideram aos celtas como o genuinamente galaico, se esquecendo dos que estavam dantes. Esses, que estavam dantes, não tinham categoria para serem nossos ancestres? Eram como parentes pobres e aldeãos que há que ocultar? Pereira Menaut “Marrucos a gaita e os celtas O MODERNO DEBATE SOBRE A ROMANIZACIÓN” VELEIA, 27 239-253, 2010 “[…] se os galegos somos de raça celta” – dize Pereira sem vergonha- “será porque expulsamos ou matamos aos verdadeiros galegos”. In “O MODERNO DEBATE SOBRE A ROMANIZACIÓN”, VELEIA, 27 239-253, 2010

ETIMOLOGISCH WOORDENBOEK HET CALLAECISCHE. Xabier Escrivano Nóvoa & Dr. Theresje Osorio Pereira é a Pera! 

POR QUÉ FAZEM QUESTÃO DE FALAR DE CULTURA CASTREJADA, OU CASTREXA, E EM OCULTAR QUE GALIZA É PAIS CELTA? HISTÓRIA DE UMA INFÁMIA E  DE ALGO MAIS

http://ec.europa.eu/regional_policy/con ... fm?nmenu=3

Em certo día certo político galego pediu-me asesorara certo projeto para estabelecer con Galiza e com certos sócios uma Área Cultural Atlântica. Ajudei-lhe como ajudo sempre de forma desinteresada. Mas a afortunada intervenção desde Salamanca ou Santiago, que tanto monta, de outras pessoas com poder inverso a seu desenvovimento intelectual, deixaram -por um tempo [voltaremos com a firmeza indemne]-, a Galiza, berço dos Celtas da Europa Atlântica, fora do sistema e do dinheiro. Definitivamente castrejada [nunca domada], Galiza parece -só parece- como Hespain (sic), Different. ” Numa Europa onde as suas culturas eram indo-européias (divididas em quatro grandes grupos culturais: celtas, mediterrâneos, germanos, e eslavos) com as exceções não-indo-européias de finêses, húngaros e bascos, a descoberta dum novo grupo diferenciado teria ocasionado um terremoto na comunidade cientifica internacional. O mundo tornaria os seus olhos cara Galiza. Em dois séculos de investigação cientifica européia ignorou-se completamente que o mundo indoeuropeu constava de fato de cinco culturas: a germana, a mediterrânea, a eslava, a celta… y la castrexa ou castrejada! E em que partes da Europa se desenvolveu a Cultura Castreja? Bom, desenvolveu-se nas ‘quatro províncias’ da actual Galiza. Porque na Gallaecia sul, hoje norte de Portugal, acabaram sendo celtas, e nas planícies de Castela também resultaram ser celtas. Surpreendentemente, tal achádego cientifica, de grande repercussão para a história mundial passou inexplicavelmente despercebido para a ciência europeia…” A. A.

http://ec.europa.eu/regional_policy/con … fm?nmenu=3

Cultura Castreja de Cornwall.

TOP NEWS. Relatórios secretos do MI5 filtrados por Edward Snowden descobrem que Cornwall tem Cultura Castreja. O miniconselho da minicultura empreenderá ações legais. “Os Filhos da Grã-Bretanha querem-nos foder o invento” dizem.

 A OPERAÇÃO ‘MATA CELTAS NAS CIES’

O QUE HÁ QUE SABER

Evidentemente nunca existiu uma siniestra operação chamada “MATA CELTAS NAS CIES”, mas para que desaparecessem nossos ubicuos celtas da vista de todos sem deixar rastro, sim teve lugar, Me crê?, uma obscena e insidiosa operaçã ainda em curso contra o celtismo galego. Agora só falta adivinhar quem movia os fios. Não to podes imaginar.

Deixo-vos, como pistas, umas dicas, por se talvez se vos ocorre algo. Dica I umas dicas Dica II N2B Dica III N4 Dica IV Dica IV Dica V

Dica 5


Seu equivalente galego foi, claro está o Pai Sarmiento

Dica VI

Dica VI

Dica VII

Dica VII

Dica VIII

Dica VIII

Dica IX

Dica IX

Dica X

Dica X

Dica XI

O sanscritólogo da Sorbona Eulogio Losada Badía, demonstrou que o Tartésico ou Bástulo-turdetano, o signario ibério ocidental, comum ao Atlántico, notava em realidade uma língua céltica, muito antiga.

O sanscritólogo da Sorbona Eulogio Losada Badía, fundador do IGEC, demonstrou que o Tartésico ou Bástulo-turdetano, o signario ibério ocidental, comum ao Atlántico, notava em realidade uma língua céltica, muito antiga.

Dica XII Dica XII Dica XIII

Dica XIV

Dica XIV

Dica XV

Dica XVI

Dica XVII

Dica XVIII

Dica XIX

1936Em nenhum momento no galeguismo propunha-se uma ruptura com Espanha. Pretendia uma nova arquitectura de Espanha, formada por povos e antigos reinos, convivendo em irmandade num estado plural respetuoso com as nacionalidades históricas. Uma arquitectura similar à contemplada na vigente Constituição Espanhola -dantes do café para todos-, complementada com o desenho de Áreas Culturais de Europa.

Dica XX

n25DICA XXI

DICA XXII

Dica XXIII

n23

É MUITO SINGELO: EU COMANDO E ELES OBEDECEM

O ditador galego ‘listo como um alho’ como seu colega e amigo Fidel -Galiza é desde Teodosio, o mais grande de tudos, berço de formidavels ditadores – criminoso golpista para uns, salvaldor caudillo para outros, alius alia vobis dicet, audaz na guerra, rancuroso na paz,  o caudillo ferrolão do dezaoitesco bairro da Magdalena, em princípio, como a maioria de seus magdalenos vizinhos de então, não deveria saber falar galego

[O vídeo, tomado de YouTube, tem seu humor, mas o verdadeiro é que não se corresponde totalmente com a verdade]

Aprendeu-ou em infância, criando-se como fidalgo, coisas de família, com os raparigos do rural  (meninos vizinhos) da materna casa solariega de Sedes -uma casa com antiquísima e curiosa pedra armeira- no coração da Terra de Trasancos.

Em Sedes dizem que Franco nasceu em a casa solar essa ao pé do castro de Eiravedra,  dizem que o sabem bem porque seus pais ou avôs jogavam com ele de meninos e que o registraram em Ferrol para cobrar o dinheiro do Marqués de Amboaje. Mas Franco nasceu em Ferrol, sei-ou de primeira mão pelo seu curmão, Enrique de la Puente, meu amigo, proprietário da casa de Eiravedra, Sedes. Enrique vinha-me visitar ao Concelho de Narón -trocávamos genealogias, e ele também trazia-me documentação da sua família sobre a Moinheiria Industrial do século XVIII em Narón-. Ás vezes ensinava-me entre outras coisas, textos e fotos de Franco em Sedes. Chamou-me a atenção que Paquito escrevia muito bem e que tinha uma ótima caligrafía. Surpreendeu-me saver também, que o anão de voz aflautada que trazia firmes a seus generais, ‘listo como um alho’, inmisericorde com os vencidos, etc, gostaba de Rosalía e se ria com ‘O Porco de Pé’ de Risco. Nos anos 50 depois do jantar de gala oferescido pela Prefeitura da Crunha saindo Franco ao balcão para ver os fogos artificiais autorizou ao grande mestre e galegista Adolfo Anta Seoane a interpretação do Hino Galego ante os militares e a farándula do movimento; vinte anos depois, já muito velho fechou outro ato, retransmitido em direto a toda Espanha pela TVE 1, em o pavilhão de desporto da Crunha, com o Hino Galego, e se pôs em pé, obrigando a se levantar a militares e concorrentes. O podem imaginar?  O regime proibiu teoricamente o uso do galego, catalão e eusquera. Tinha também um conceito da época da coisa celta como racial .

O filme Raça [ex uma novela escrita por Franco] baseia-se sobre a idéia duma comunidade unida por laços de sangue (as “famílias honoráveis”, que diz a espiã fascista; a “família fidalga” à que alude o guião), na contramão de um baixo povo composto por hordas de duvidosa procedência racial. In Juan Fernández-Mayorales (1997) Do Fascismo ao Anticomunismo. A Evolução do Primeiro Franquismo Através do Cinema,  33 a 40

Por outra parte

As ideias políticas e filosóficas de Franco não eram muito diferentes das do sector mais dereitista do corpo de oficiais do Exército. Era conservador, católico e nacionalista; criação numa política autoritaria […] era pragmático nas suas atitudes políticas… estava decidido a não repetir o que ele mesmo chamou “o erro de Primo de Rivera”: a incapacidade do primeiro dictador espanhol para criar uma nova doutrina e um novo sistema político […] Franco estava convencido de que ele ia jogar um papel providencial na História de Espanha. ex Stanley G. Payne.

Dica XXIV

A COISA CELTA É UMA REALIDADE INSTITUCIONAL

Alheia a vergonzantes manobras políticas a coisa Celta, vigente ainda, é uma realidade institucional à que Galiza pertence.

De pleno direito

 Cláusulas como estas - que ainda que estão escritas em latín,não pertencem ao sistema xurisdicional latino-, assinalando a permanência do sistema jurisdiccional comum Celta, não a disposição das casas, que evolui com os séculos, proclamam a adscripción de Gallaecia à Civilização Celta comum da Europa, e não uma eiva cultural, a vergonha de uma indigena e indigente cultureta castrejeta ensoñada pelo asno, para vender-nos a ideia da mais suposta que real a superioridade do genocida conquistador, mas não civilizador, olho!.


Estas cláusulas não testemunhas uma eiva cultural, a vergonha duma indigena e indigente cultureta castrejeta ensonhada pelo cipaio ‘despiolhante’ de turno para vender-nos a ideia da mais suposta que real superioridade do genocida conquistador, mas não civilizador. Olho!. Cláusulas como estas [não a disposição das casas que evolui com os séculos], proclamam a adscripção de Gallaecia à Civilização Celta da Europa. Ainda que estão escritas em latín,não pertencem ao sistema xurisdicional latino, assinalam a permanência do comum sistema jurisdiccional Celta.

The public and private Galizan Celtic law, rich and subtle, was maintained until the Middle Ages. Obviously we cannot show here a complex system of co-ownership (= irish fintiu); complex systems of emphyteusis; complex systems of locatio / conductio; complex systems of inheritance; the adoption (fosterage); the familiar Tanisty, etc. In all these aspects it presents a clear conjunction with the law of pre-Norman Ireland.

FOLKLORE DOS CASTROS EM NARÓN

Dantes de entrar a diseccionar este marco institucional Celta, considero de interesse, digámolos assim, deter em alguns detalhes do extraordinário folckore do Concello de Narón

“Diciamos en 1991, 97-113

O CASTRO NO FOLKLORE E OUTRAS COISAS

Pela sua forte personalidade Gallaecia é um caso à parte dentro das sociedades [da antiguidade] da Península Ibérica. Um rasgo que não vai perder ao longo da história e que mantém até hoje. Em qualquer parte da Galiza, desde Vegadeo a Tui, desde os Alpes Ecebrarii (O Cebreiro) a Fisterra, por enzima das nossas cabeças sobresaen os Castros.

Cheio de túneis trampeiros, escondem-se neles para imaginação popular, tesouros sem conto: OURO, a máxima riqueza das sociedades não industrializadas.

No castro de Eiravedra uma senhora contou-me que:

[…] num sítio, onde no ano 53 uns missioneiros, que estiveram no castro 18 dias, levantaram uma cruz visível desde Ferrol, havia uma trave de ouro […] Abria-se uma rocha à beira de uma fonte na que havia uma pessoa que não se via, ninguém se podia lavar ali. Um dia um senhor lavou-se nela e fechou-se a rocha, perdendo-se definitivamente a oportunidade de conseguir o tesouro da cova.

No Castro da Ermida, já desaparecido, conta um vizinho de Pedroso:

[…] havia um baúl de xofre e outro de ouro, mas eu sei de dois que vinham pela noite a cavar no couto já há muitos anos e nunca encontraram nada de nada.

O Castro dá motivo nas longas noites de Inverno a muitas histórias de arrepio e cobiça, histórias em alguns casos mais antigas que o próprio castro. Os velhos e veneráveis contos, ainda escutam-se nos Invernos galegos à beira das lareiras. 


Umas mulheres contaram-nos um conto que com só transtornar os nomes das personagens bem poderia escutar-se na Irlanda. Trata de uma variante da história [contida no Leabhar Buidhe Leacáin (Yellow Book of Lecan) ], de amor do [deus, fillo do Daghda] Midir [‘mouro’ dos Tuatha Dé Danann, senhor e] morador do Sídhe de Brig Leith, uma mámoa Portaalém, em geografía mítica [na chamada Ardagh Mountain, Co. Longford] e a formosa Etain, [uma mortal de sangue real] à que a velha esposa de Midir, poderosa meiga, encanta, amargamente ciumenta da beleza da sua rival, e transforma num estanque do que nasce uma serpe que assobia com tristura, antes de se transformar -investindo sete anos em cada metamorfose- num cuil corcrai pequeno dragão ou mosca de asas púrpuras. É o velho conto indoeuropeo da Bela e a Besta. Que nós ofereceremos em versão ‘culta’.

O historiador ante a coincidência que apresentam nossas lendas galegas com as das ilhas Britânicas, poderia supor esses mitos importados da Irlanda pelos irlandeses inmigrados em grande número ao longo do tempo. Contudo, do Folklore Galego, riquíssimo, desprende-se uma clara referência às mais puras tradições Celtas [de non ser, como agora sabemos, berço de parte delas] sem renunciar à originalidade do nosso repertório dentro do patrimônio comum indo-europeu. Oferecemos aqui uma versão culta do conto popular mantendo todos os elementos estruturais originários:

“Havia uma vez, em tempos dos Mouros, um labrador muito rico que vivia com a sua família ao pé do Castro. Este labrador e a sua mulher andavam em boca dos vizinhos porque eram meigos e faziam dano. Este casal tinha uma filha tão formosa e boa, que todos os rapazes do lugar queriam casar com ela, mas os pais não queriam perdê-la e não a deixavam falar com moços nem sair da casa.

Um dia que os pais estavam na feira, um rapaz que passava por ali, ao vela ficou prendado dela, saudou-a e depois de falar, miraram para ver-se em segredo.  Com o passo do tempo os pais deram-se conta de que a filha andava em amores e muito enfadados fizeram-lhe um encantamento, convertendo-a numa cobra que se foi a agachar numa cova do Castro de Eiravedra.

O moço, ao não ver à rapariga durante dias preocupou-se muito, foi onde os pais e perguntou: – Que lhe fizestes à vossa filha? -Tu saberás de ela!-, responderam-lhe os pais.

O tempo passava e o rapaz buscava em vão à sua namorada. Pelas noites sonhava sempre com uma abatida cobra que assobiava na solidão duma cova. Cada noite repetiam-se os sonhos e um dia o jovem disse-lhe ao seu avô:

– Avô, eu não posso encontrar à minha namorada e acho que os seus pais fizeram-lhe algum dano. Vejo em sonhos cada noite uma cobra no castro de Eiravedra.

– Ben sei que é, -disse o avô-, isto é coisa de meigos, seguro que os pais encantarão à tua moça. Entendo do caso, não te preocupes, vou-te ensinar o que hás de fazer.

Depois de escutar as instruções do seu avô, o moço subiu ao castro de Eiravedra e esperou a cobra diante da cova. Quando a cobra saiu não reconheceu ao jovem e pensando que ia fazer-lhe dano, fixo simulacro de atacar. Este esperou a que acalmasse e depois deu-lhe sete beijos no rabo e desencantou-a. Ao romper o encanto apareceu ante ele, completamente despida, uma formosíssima donzela. O jovem cobriu-a com o seu capote e levou-a a casa dos seus malvados pais.  Ao chegar à porta da casa, berrou lhes até que os pais assomaram à janela.

– Conheceis à vossa filha? –perguntou-lhes o moço. – Esta não é a nossa filha, que a nossa filha está encantada-, responderam eles, e dizendo estas palavras se lhes abriram os olhos, reconheceram à sua filha, e, dando um berro terrível, morreram. Os jovens casaram, tiveram muitos filhos e viveram felizes ao pé do Castro de Eiravedra”.

[Esta lenda por nós recolhida ao pé do castro no ano 1988, é hoje representada cada ano pelos vizinhos no castro de Eiravedra].  André Pena 1991

Tempo depois passando case três anos convivendo intensamente com a extraordinária famosa ilustradora Eva Merlán Bollaín para fazer a Historia Ilustrada de Narón, rematado o trabalho, a animei-a para que recolhendo ela o material tradicional da Terra de Trasancos o ilustrasse com seu fabuloso estilo e poder de re-criação. Julguem vocês o resultado

LENDA DO CASTRO DE EIRAVEDRA POR EVA MERLÁN BOLLAÍN

Assim conta a história a genial ilustradora galega de [A]Mouras, Eva Merlán Bollaín. I Contam que ao pé do castro de Eiravedra vivia um lavrador rico com a sua dona e uma filha rapariga tão formosa que não parecia deste mundo e que era o cerne do coração dos pais. A menina vivia apartada de todo o trato, que os pais não lhe permitiam falar com ninguém, pois baixo a aparência de labradores eram meigo da raça [leucoderma] dos Mouros. E de nenhuma maneira queriam que a menina se juntasse com a gente comum e muito menos que tivesse amores com um homem mortal. Uma amanhãcinha cedo, um jovem órfão e pobre da aldeia saiu a experimentar sorte na caça por ver de levar à sua choça algo que comer ele e um seu avô que com ele vivia; chegando à beira da floresta encontrou à menina, que andava a apanhar ervas e flores para a sua mãe fazer mencinhas e feitiços. O jovem saudou com cortesia, que a pobreza não está enfadada com a boa criação. A menina levantou os olhos, e ao vê-lo tão loiro e tão lançal sobre o seu cavalo, esqueceu a proibição dos pais e, sorrindo, respondeu ao saúdo.

Assim narra a história a genial ilustradora galega de [A]Mouras, Eva Merlán Bollaín.
I     Contam que ao pé do castro de Eiravedra vivia um lavrador rico com a sua dona e uma filha rapariga tão formosa que não parecia deste mundo e que era o cerne do coração dos pais. A menina vivia apartada de todo o trato, que os pais não lhe permitiam falar com ninguém, pois baixo a aparência de labradores eram meigo da raça [leucoderma] dos Mouros. E de nenhuma maneira queriam que a menina se juntasse com a gente comum e muito menos que tivesse amores com um homem mortal.

Uma amanhãcinha cedo, um jovem órfão e pobre da aldeia saiu a experimentar sorte na caça por ver de levar à sua choça algo que comer ele e um seu avô que com ele vivia; chegando à beira da floresta encontrou à menina, que andava a apanhar ervas e flores para a sua mãe fazer mencinhas e feitiços. O jovem saudou com cortesia, que a pobreza não está enfadada com a boa criação. A menina levantou os olhos, e ao vê-lo tão loiro e tão lançal sobre o seu cavalo, esqueceu a proibição dos pais e, sorrindo, respondeu ao saúdo. Lenda do Castro de Eiravedra © Eva Merlán Bollaín

II Aconteceu o que tinha que acontecer: os jovenzinhos namoraram-se. Cada manhã eles se encontravam em segredo e apanhados das mãos perdiam na fraga [floresta de carvalhos ou robles], e passavam o tempo fazendo e dizendo todas as coisas que fã e dizem os namorados. Até que, finalmente, passou o que tinha que passar: os pais da menina descobriram os amores e a desobediência da filha. Revestidos do seu verdadeiro aspeto, rodeados de riquezas, escoltados por animais misteriosos, levando nas mãos os mágicos símbolos do seu poder, os pais meigos, chamaram à menina a sua presença. Enfurecidos, reprovaram-lhe o seu comportamento, assanhados amaldiçoaram-na , com coração endurecido anunciaram-lhe o seu castigo: Convertida em monstruosa cobra, viveria agachada entre as pedras do castro ate o fim dos tempos.

II
Aconteceu o que tinha que acontecer: os jovenzinhos namoraram-se. Cada manhã eles se encontravam em segredo e apanhados das mãos perdiam na fraga [floresta de carvalhos ou robles], e passavam o tempo fazendo e dizendo todas as coisas que fã e dizem os namorados. Até que, finalmente, passou o que tinha que passar: os pais da menina descobriram os amores e a desobediência da filha. Revestidos do seu verdadeiro aspeto, rodeados de riquezas, escoltados por animais misteriosos, levando nas mãos os mágicos símbolos do seu poder, os pais meigos, chamaram à menina a sua presença.

Enfurecidos, reprovaram-lhe o seu comportamento, assanhados amaldiçoaram-na, com coração endurecido anunciaram-lhe o seu castigo: Convertida em monstruosa cobra, viveria agachada entre as pedras do castro ate o fim dos tempos. Lenda do Castro de Eiravedra © Eva Merlán Bollaín

III Um dia trás outro dia o jovem à beira da fraga a esperar à menina. E um dia trás outro regressava triste sem ter visto à sua namorada. Pensou que os pais a encerraram e alporizou-se. Pensou que infirmara e inquietou-se, pensou que morrera e chorou. De longe mirava a casa da menina, até que um dia atreveu-se a perguntar-lhes por ela aos pais, mas eles berraran-lhe e ameaçaram-no, e com maus modos proibiram-lhe voltar a acercar-se por ali. Então começaram os pesadelos; todas as noites, em canto o jovem fechava os olhos, sonhava com uma enorme aterradora serpe que o chamava assobiando tristemente desde a boca de uma caverna. Consumido pela pena de não ver à menina e pelo terror dos seus sonhos, o jovem desmelhorava e se debilitava. Por fim um dia não puído aturar mais e contou-lhe os seus sofrimentos ao avô. O avô, que sabia por velho quanto o jovem ignorava por novo, escutou atentamente o relato do moço, de primeiras lhe reprendeu um pouco e fez-lhe ver a loucura que era namorar à filha de família tão rica, sendo ele órfão e tão pobre. Mas logo se compadeceu do neto e cavilando, cavilando, achou a explicação do acontecido.

III Um dia trás outro dia o jovem à beira da fraga a esperar à menina. E um dia trás outro regressava triste sem ter visto à sua namorada. Pensou que os pais a encerraram e alporizou-se. Pensou que infirmara e inquietou-se, pensou que morrera e chorou. De longe mirava a casa da menina, até que um dia atreveu-se a perguntar-lhes por ela aos pais, mas eles berraran-lhe e ameaçaram-no, e com maus modos proibiram-lhe voltar a acercar-se por ali.

Então começaram os pesadelos; todas as noites, em canto o jovem fechava os olhos, sonhava com uma enorme aterradora serpe que o chamava assobiando tristemente desde a boca de uma caverna. Consumido pela pena de não ver à menina e pelo terror dos seus sonhos, o jovem desmelhorava e se debilitava. Por fim um dia não puído aturar mais e contou-lhe os seus sofrimentos ao avô. O avô, que sabia por velho quanto o jovem ignorava por novo, escutou atentamente o relato do moço, de primeiras lhe reprendeu um pouco e fez-lhe ver a loucura que era namorar à filha de família tão rica, sendo ele órfão e tão pobre. Mas logo se compadeceu do neto e cavilando, cavilando, achou a explicação do acontecido. Lenda do Castro de Eiravedra © Eva Merlán Bollaín.

IV “Nem perdida nem morta”, disse o avô, “A menina está enfeitiçada. Tens que encontrar uma cova semelhante a dos teus sonhos e aguardar. Quando a cobra saia há de ser valente e lhe dar sete beijos no rabo. Então a menina ficará livre do encantamento”. O jovem buscou e buscou, e por fim deu com um furado em todo igual ao das suas visões, escondido entre ervas e silvas nos muros de Eiravedra. Seguindo o conselho do avô, ficou esperando ao pé do buraco. No raiar do dia sentiu um tristíssimo e arrepiante assobio. Ao pouco assomou pela boca da cova uma serpe gigantesca que avançava metendo e tirando a língua peçonhenta. Aterrorizado, o jovem quis fugir, mas pensou na sua menina e armando-se de valor abraçou ao monstro. Lutando e se revolvendo para escapar dos venenosos colmilhos, conseguiu dar-lhe os sete beijos no rabo. No ponto acalmou-se o furor da cobra. Abriu-se-lhe a pele, e do seu interior saiu a menina completamente despida e ainda mas formosa. O o jovem cobriu-a com a sua camisa e levou-a consigo à casa dos pais. Quando viram à sua filha os meigos deitaram um grito terrível e caíram morridos ao chão. Os namorados casaram e viveram felizes com as riquezas que encontraram na casa da menina.

IV
“Nem perdida nem morta”, disse o avô, “A menina está enfeitiçada. Tens que encontrar uma cova semelhante a dos teus sonhos e aguardar. Quando a cobra saia há de ser valente e lhe dar sete beijos no rabo. Então a menina ficará livre do encantamento”.
O jovem buscou e buscou, e por fim deu com um furado em todo igual ao das suas visões, escondido entre ervas e silvas nos muros de Eiravedra. Seguindo o conselho do avô, ficou esperando ao pé do buraco. No raiar do dia sentiu um tristíssimo e arrepiante assobio.

Ao pouco assomou pela boca da cova uma serpe gigantesca que avançava metendo e tirando a língua peçonhenta. Aterrorizado, o jovem quis fugir, mas pensou na sua menina e armando-se de valor abraçou ao monstro. Lutando e se revolvendo para escapar dos venenosos colmilhos, conseguiu dar-lhe os sete beijos no rabo. No ponto acalmou-se o furor da cobra. Abriu-se-lhe a pele, e do seu interior saiu a menina completamente despida e ainda mas formosa. O o jovem cobriu-a com a sua camisa e levou-a consigo à casa dos pais. Quando viram à sua filha os meigos deitaram um grito terrível e caíram morridos ao chão. Os namorados casaram e viveram felizes com as riquezas que encontraram na casa da menina. Lenda do Castro de Eiravedra © Eva Merlán Bollaín. In Contos de Trasancos. Baseados en lendas de tradición oral. Textos e ilustracións: EVA MERLÁN BOLLAIN.

SERPENTES E DANÇAS DE ESPADAS. A COBRA DO VAL

“No Castro de Vilasuso, X. Carlos Fernández Caínzos recolheu o seguinte relato de um homem de 56 anos: […] diziam que havia uma grande cobra com asas e conchas perto da pena da Molexa […]

Beltaine em Vilasuso. Narón. Eva Merlán

Beltaine em o Castro de Vilasuso. Desenho de Eva Merlán Bollaín asesorada por André Pena Granha para o projeto Caminhos Milenários de O Val, Narón.

Indagando sobre cobras ficamos admirados da resposta da tia bisavó Angelita Pena Galego (então ca. 1990) de 67 anos: As cobras há que matá-las, há que matá-las! Aos sete anos as cobras têm assas e vão para Babilonia, dizendo: “Para Babilonia vou. Maldito seja quem me viu e não me matou” [expressão devedora da atuação da igreja rejeitando as crenças pré cristianas].

De um homem bem conhecido de Pedroso, (isto nos contou, tia Vicenta e tia Guilhermina, da Abarqueira): “O tio Manolo, o da burra [popular nos anos 30 do século próximo passado], uma vez que foi a Abarqueira, encontrou-se com uma cobra numa ponte (ajudou-lhe a um senhor a abrir uma rega de água, tinha os seus dias de rega) e viu à cobra por enzima do monte. Apanhou uma sacha e golpeou à cobra, mas não pôde matá-la; tentou partir à metade com uma fouce mas não pôde cortá-la. Quando estavam na casa, chamaram à porta e se escutou uma voz misteriosa:  -Tio Manolo vai tirar a cobra do rio!-. O Tio Manolo saiu fora e não viu a ninguém. Foi ao rio e tirou a cobra… Pelo que pudesse passar… Em Vilasuso explicaram-nos que a cobra vinha da praia da Lopesa, e ia sob terra até a casa do Martuxo e ali fazia uma roda com o seu corpo, como uma espécie de dança, e a gente fugiam assustadas. Mas “era uma serpe boinha que não lhe fazia dano a ninguém”. É esta uma alusão às soadas danças de espadas do Corpus, celebradas muito especialmente na Galiza marinheira”. Pena 1991, 98-99

 Este extraordinário  vídeo, em You Toube foi realizado por José Angel Rodríguez González. Reproduzimo-lo, pelo, seu interesse como documento científico.  Aqui segundo viu-o o autor, Andrés Pena, cruzam-se duas tradições diferentes, por um lado a que representa o dance, simulando psvlm. os danzantes uma nave com sua tripulação, encenam a chegada de um barco pirata micénico com um ketos “mascarón” de proa representando um dragão ou serpente, à costa galega; a fugida da população (as penlas), e a posterior rejeição da invação

<em>Detalhe da Celebração da </em>Beltaine<em> ou 1º de Maio, no Castro de Baronha. Dança de espadas do </em>corio<em> mozos em idade militar do Castro, fechando o "Ciclo [de expulsão] do Inverno" (encarnado na Coca ou Tarasca) . Por Carlos Alfonzo (ex A. Pena) © Carlos Alfonzo. A festa transladou-se ao </em>Corpus<em> no presente cristão. É Cristo, a Luz do Mundo o que expulsa as forças do frio e a escuridão.</em>

Detalhe da Celebração da Beltaine ou 1º de Maio, no Castro de Baronha. Dança de espadas do corio moços em idade militar do Castro, fechando o “Ciclo [de expulsão] do Inverno”, encarnado na Coca ou Tarasca. Por Carlos Alfonzo (ex A. Pena) © Carlos Alfonzo. A festa transladou-se ao Corpus no presente cristão. É Cristo, a Luz do Mundo o que expulsa as forças do frio e a escuridão.

[Estas dánzas de espadas, são o eco vivo, a meu modo de ver, da sobredita invasão e re-embarque dos invasores micénicos por um lado; e pelo outro, inserindo-se o dragon no próprio tema do Corpus, porque sobretudo -entre o que é lícito contar-, se entremeteu a velha celebração Celta levada à cena de expulsão do inverno, da obscuridad e da noite, pela força e pujanza da Luz do Sol, com a força e pujanza da Luz do Mundo, representada por Cristo Rei e a , que herdou, sem o saber o tema de Dis Pater ou San Jorge, etc, isto é o tema do cavaleiro da luz, que vence ao dragão, trasunto do inverno, do frio invernal, da escuridão e da noite. Como demonstrei se cruzaram seguramente duas tradições com sendos dragões com a sacramental festa do Corpus Christi, o tema eucarístico levado à cena;  e a Igreja Católica, aproveitando a beleza didática de ambas tradiçõés as integrou magistralmente para festejar o triunfo da Luz, do bem sobre o mau, o triunfo de Cristo sobre as trevas e a morte, porque o Passado dá sabor ao presente. Amen. Amen.]

Comentário da Coca ou Tarasca do desenho Maios do Castro de Vilasuso de Eva Merlán. Narón 2000.

Comentários a cena da Coca ou Tarasca, do desenho ‘Maios do Castro de Vilasuso’ de Eva Merlán. Narón 2000.

[Da] festa da Cobra, da Coca ou da Tarasca […] só nos fica um complicado baile; [penso que] as suas origens, talvez se remontem à Idade do Bronze, [e mesmo poderiam ter ecos de uma invasão de povos do mar, os Saefes (os da serpe), de procedência mediterrânea […] que levavam uma serpe [ou ketos, “dragão”] no “mascarão de proa” das suas naves. A história da cobra de asas e conchas (do Castro de Vilasuso) faz parte dum extenso conto do que não conseguimos por enquanto, mais que fragmentos isolados. In A. Pena 1991, 70ss e também, Narón I (re-ed 2010) 110 ss

A LENDA DA PENA LOPESA

Lenda da Pena Lopesa. O Val, Narón; por Carlos Alfonzo © Carlos Alfonzo. Ex Caminhos Milenários

Lenda da Pena Lopesa. O Val, Narón; por Carlos Alfonzo © Carlos Alfonzo. Ex Caminhos Milenários. A história da cobra de asas e conchas que marchava do Castro de Vilasuso ao castro da Lopesa faz parte dum extenso conto do que não conseguimos por enquanto, mais que fragmentos isolados do contexto geral. Na pena da Lopesa, à que só se pode aceder atualmente com a maré baixa, vivia um rei que passava os montes de Vilarquinte através de uma ponte levadiça. Este rei para confundir aos inimigos que o queriam matar, mudava as ferraduras da sua egua e nunca sabiam se [o rei] vinha da Lopesa a Vilarquinte ou se ia para a Pena desde os montes. No alto da Lopesa, hoje case uma ilha face ao mar aberto, encontramos muita cerâmica da Idade do ferro, que o vento e a água deixaram ao descoberto e fusaiolas, e foi graças ao folclore de Vilasuso que pudemos encontrar o espólio arqueológico na Pena Lopesa: um castro desfeito pelo mar. in  Hª de Narón Vol I (re-ed), 220 a 231

LEGEND OF THE LOPESA’S CRAG

Costa Valexa. Narón

The Val is the only parish in Narón with a view of the Atlantic. And that’s a view!

At the northernmost point of this high and isolated coast, the Pena Lopesa stands above the swirling waters, a rocky escarpment like spindle, battered by the waves.

Pena Lopesa. O Val. Narón. Caminhos Milenários

Another great fissure separated the Pena Lopesa from the Vilarquinte hills, forming a peninsula through the collapse of a cliff with inaccessible vertical walls over 300 feet high.

A Lopesa is one of the hundreds of Atlantic Iron Age forts “castros” destroyed by the forces of the sea in the European headlands, of which the mariners tell traditional tales around Galician dining tables during the long winter nights.

Caminhos Milenários. Costa de O Val. Narón

At the Pena Lopesa [pena is a Galician Celtic word penn meaning “head”, and “rock”, because rocks are like heads, rising on earth], in the times of those wonderful, light-skinned elfin beings from Galician mythology, the Mouros, a powerful king guarded a fabulous treasure.

The king would go hunting in the woods of Vilarquinte, laying down a drawbridge an reversing his horse’s horseshoes to fool his enemies, nefarious kings who sought to rob him of his treasure.

One day those kings gathered a great army, camping out on the woods in front of Lopesa. After years of siege, and on the verge of surrender because of hunger, the Mouro King cleverly threw his last bushel of wheat to the birds. Seeing this, the besiegers lifted their barricades and marched away, convinced that the [*O]Mouro had an abundance of food to last for years.

Pena Lopesa

VERSÃO DE EVA MERLÁN BOLLAÍN DA LENDA DA PENA LOPESA

Mouros. Eva Merlán Bollaín. Contos de Trasancos (2000) © Eva Merlán Bollaín. Frente da escarpada ribeira do mar entre O Vale e Vilarquinte há uma ilhota inçada de restos castrejos: A Pena Lopesa, quando baixa a maré é possível chegar enxuto até o castro, sempre que um se atreva a baixar pelo cantil à praia e subir logo à cimeira da pena: trabalho mais bem singelo para os pássaros que para a gente. Contam que na Lopesa havia um castelo e que no castelo vivia um rei [dos mouros] que guardava um riquíssimo tesouro. Quando a sua ilha se lhe fazia pequena, o rei cruzava a terra por uma ponte levadiça que podia pôr e tirar a sua vontade, e passava o dia alegremente cavalgando e caçando pelos montes até a caída do sol. Então voltava ao seu castelo pela mesma ponte maravilhosa. A fama do rei e das suas riquezas se estendeu com o tempo por todas as terras vizinhas. Um dia, movidos pela inveja e a cobiça, o senhores destas terras conjuraram-se para matar ao rei e se apoderar do seu tesouro.

Mouros. Eva Merlán Bollaín. Contos de Trasancos (2000) © Eva Merlán Bollaín. I Frente da escarpada ribeira do mar entre O Val e Vilarquinte [Narón] há uma ilhota inçada de restos castrejos: A Pena Lopesa, quando baixa a maré é possível chegar enxuto até o castro, sempre que um se atreva a baixar pelo cantil à praia e subir logo à cimeira da pena: trabalho mais bem singelo para os pássaros que para a gente.

Contam que na Lopesa havia um castelo e que no castelo vivia um rei que guardava um riquíssimo tesouro. Quando a sua ilha se lhe fazia pequena, o rei cruzava a terra por uma ponte levadiça que podia pôr e tirar a sua vontade, e passava o dia alegremente cavalgando e caçando pelos montes até a caída do sol. Então voltava ao seu castelo pela mesma ponte maravilhosa.

A fama do rei e das suas riquezas se estendeu com o tempo por todas as terras vizinhas. Um dia, movidos pela inveja e a cobiça, o senhores destas terras conjuraram-se para matar ao rei e se apoderar do seu tesouro.

Mouros. Contos de Trasancos (2000) © Eva Merlán Bollaín.

Mouros. Contos de Trasancos (2000) © Eva Merlán Bollaín.  II Defendido pelas triples muralhas, as rochas e o mar, o rei resultava inalcanzavel no seu ninho da Lopesa. Os conjurados decidiram que cumpria o aprisionar fora do castelo, quando andasse a caçar nos montes, e apostaram guardas na ribeira para vigiarem os seus movimentos. Mas o rei, conhecendo-lhes os intuitos malvados, cruzava nas noites mais escuras pela ponte secreta, e os vigias nunca alcançavam vê-lo entrar ou sair da pena. Os conjurados mandaram então guerreiros que o buscassem seguindo as pegadas do seu cavalo. Mas o rei, antecipando aos pensamentos dos seus inimigos, calçava o cavalo com ferraduras viradas do revés, de maneira que quando parecia ir, volvia, e quando parecia chegar marchava. E burlava com este engano aos seus peseguidores.

Uma noite o rei entretívose demais na Caça, e quando quis regressar já clareaba. As sentinela que vigiavam a Lopesa viram-no passar ao longe galopando. Sairon trás dele e trataram de alcançá-lo com as suas armas, sin conseguí-lo. O rei escapou, mas os guardas já sabiam que estava na ilha.

Mouros. Contos de Trasancos. © Eva Merlán

III Sabedores os conjurados de que o rei estava no Castelo, acudiram com os seus exércitos e puseram-lhe cerco para rendê-lo por fome. Nasceram e devalaron muitas luas, mas o rei não só se rendia, sinon que do alto dos muros fazia zomba dos seus sitiadores porque nas suas adegas amoreábanse a cerveza e o grão, e a carne da caça que ele fora acarrexando nas suas idas e voltas à ilha.
Passaram as estações e voltou a Primavera. Os conjurados teimaban em matar ao rei e roubar-lhe o tesouro. E seguiam aguardando acampados fronte a Lopesa.

Chegou um dia em que o rei viu que não lhe ficava mais que um saco de milho miudo: encheu um caldeiro e subiu às muralhas onde os guerreiros pudessem vê-lo bem. Passou a manhã chamado aos pássaros e ceibando presadas de grão no ar. Assim fixo durante muitos dias, zombando-se mais que nunca dos seus inimigos. Quando guindaba no ar o derrradeiro grão de de milho e se dispunha a morrer, o rei viu como os sitiadores se retiravam. Os conjurados, espantados primeiro e atemorizados depois pelo comportamento do rei, chegaram a achar que era um mouro poderoso e que que os seus feitiços seria quem de resistir eternamente o assédio. Então levantaram o cerco e marcharam e nunca mais ousaram atacar Pena Lopesa. © Eva Merlán Bollaín (2000). Contos de Trasancos. Concello de Narón Ed.

  WOLF’S CRAG (SCOTLAND) AND PENA LOPESA (GALIZA). WE HAVE TWO ROCKS, WITH THE SAME NAME AND THE SAME FOLKLORE? WHAT A COINCIDENCE! 

WOLF’S CRAG

Wolf's Crag (Scotland) & Pena Lopesa (Narón)

Wolf’s Crag (Scotland) & Pena Lopesa (Narón)

 

The imaginary castle of Wolf’s Crag has been identified by some lover of locality with that of Fast Castle. The Author is not competent to judge of the resemblance betwixt the real imaginary scenes, having never seen Fast Castle except from the sea. But fortalices of this description are found occupying, like ospreys’ nest, projecting rocks, or promontories, in many parts of the eastern coast of Scotland, and the position of Fast Castle seems certainly to resemble that of Wolf’s Crag as much as any other, while its vicinity to the mountain ridge of Lammermoor renders the assimilation a probable one”. Walter Scott  Bride of Lammermoor.

The Lammermuir Hills are a range of moors which divide East Lothian to the north from Berwickshire in the Scottish Borders to the south. The fictional castle “Wolf’s Crag” has been identified with Fast Castleon the Berwickshire coast. [Sir Walter] Scott stated that he was “not competent to judge of the resemblance… having never seen Fast Castle except from the sea.” He did approve of the comparison, writing that the situation of Fast Castle “seems certainly to resemble that of Wolf’s Crag as much as any other”>> Wikipedia, sub vocabulo The Bride of Lammermoor  published in 1819.

PENA LOPESA

Pena Lopesa O Val, Narón

Vasco d’Aponte assinala em a Idade Meia uma lenda que lhe vai muito bem à Pena Lopesa, idêntica a escutada por Sir Walter Scott em Lothiam, como agora veremos.

A escarpada Pena Lopesa, metida no mar, se corresponde com os restos dum castro esborralhado -onde encontramos, entre cerâmica da Idade do Ferro, anacos duma olinha vidrada, medieval-, é foi também Fortaleza de dom Lopo de Lago [Lopo “lobo”, Lago é gentilício da velha linhagem tomado dum topônimo local muito freqüente em Galicia [latín lacus = burato, fosa, tumba e celta antigo comum, loco; em dat. s. Locobo; ].

Castro da Pena Lopesa ou Torre de Lopo de Lago. Caminhos Milenarios O Val. Narón

Castro da Pena Lopesa ou Torre de Lopo de Lago. Caminhos Milenarios O Val. Narón

Assim D’Aponte ao começar o segundo terço do século XVI no “Reconto das casas antigas do Reino da Galiza” anota

‘AY UNA FORTALEZA METIDA EN LA MAR MUY ACERCA DE LA TERRA’

 “Después […] se quenta la de Lago por muy antigua. Diçen que salieron de Françia y por venir de alta sangre, que havía hombres de Don; y créolo porque ay una fortaleza metida en la mar, solar antiguo desta casa, muy acerca de la terra, la cual se llama oi en dia la peña de don Lope”. Narón II (1992),  384, 385

Armeria dos Lago , desenho segundo o Livro do Garda Moor. Torre do Tombo

Armeria dos Lago , desenho segundo o Livro do Garda Moor. Torre do Tombo

D’Aponte sustém que nesta fortaleza Gil Pérez de Lago “Esto sería na Era (psv. error por a. D.) de mil y tresçientos y quarenta o cinquenta años”, matou á mulher propiciando a ruína da casa a meados do século XIV

“Este Gil Pérez de Lago en este tiempo, no se por qué caso, mató a su muger; por lo cual perdió sus tierras y señoríos, y de allí quedó la casa baxada; y perdió el apellido, aunque aún tienen las armas”  Narón II (1992), 370; 384, 385

WOLF’S CRAG

From the times when the ocean’s roar announced to travelers its collision with the cliff, on whose summit hangs its nest, like those of the seagulls, the founder of the fortress […] called Castle of Wolf’s Crag, solitary and naked. It is situated on a rock rising out of the northern sea. On three sides, the rocks are inaccessible. On the fourth, from the land, the entrance was protected in ancient times by means of a moat and a drawbridge.

The imaginary castle of Wolf’s Crag has been identified by some lover of locality with that of Fast Castle. The Author is not competent to judge of the resemblance betwixt the real imaginary scenes, having never seen Fast Castle except from the sea. But fortalices of this description are found occupying, like ospreys’ nest, projecting rocks, or promontories, in many parts of the eastern coast of Scotland, and the position of Fast Castle seems certainly to resemble that of Wolf’s Crag as much as any other, while its vicinity to the mountain ridge of Lammermoor renders the assimilation a probable one”. Walter Scott Bride of Lammermoor.

Wolf's Crag. Scotland

FAST CASTLE OR WOLF’S CRAG CASTLE. ‘I resided for two or three days at a farmhouse in the neighborhood, where the aged goodwife was well acquainted with the history of the castle, and the events which had taken place in it. One of these was of a nature so interesting and singular, that my attention was divided between my wish to draw the old ruins in landscape, and to represent, in a history-piece, the singular events which have taken place in it. Here are my notes of the tale […]
[…] My friend, Mr. Sharpe, gives another edition of the tale. According to his information, it was the bridegroom who wounded the bride. The marriage, according to this account, had been against her mother’s inclination, who had given her consent in these ominous words: “Weel, you may marry him, but sair shall your repent it.”

Compartilhando as duas rochas, paralelas histórias, comum nome (Pena Lopesa e Wolf’s Crag), comum -diríamos hoje- violência de gênero, comum destruição e decadência da Casa…a rocha escocesa inspirou uma grande novela de Sir Walter Scott e várias óperas.

Caminhos Milenários

Nós, por agora recolhemos, estudamos e publicamos a história da Lopesa  Narón II (1992), 370; 384, 385, ilustrada depois por Eva Merlán em Contos de Trasancos e por Carlos Alfonzo para Caminhos Milenários.

E com o coro dos cantiles mais selvagens e belos da Europa elaboramos em Narón a Sinfonía da Natureza. O diretor é o Caminho Milenário, intérprete o esplendente mar.

Os instrumentos põem-nos vocês.

BELLATORES, ORATORES, LABORATORES

Desenho de Carlos Alfonzo (ex A. Pena) © Carlos Alfonzo.Oratores Bellatores Laboratores

“Acarreando en nuestra Arqueología Institucional un pesado fardo de acabadas instituciones, las trebas o toudos, inmenso mosaico de la Europa Céltica: Brigantini, Nemetati, Belgae, Attributi /Contributi, Contrebiae… etc, etc.,podrían compartir algo más que una común denominación en la antigua lengua. Comparten  tres grados u ordines: bellatores, oratores, laboratores tripartición presente en la Vieja Europa hasta (pasando por la Edad Media), el final del Antiguo Régimen” [Pena Graña 2011]

BELLATORES

Caesar BG VI, 13  clase representada de abajo a arriba, por la legítima línea nunca interrumpida [progenie Melusínica ocasionalmente remontable al Neolítico] de Reges de Terra, de Principes de Terra, del rí túath, “rey del estado, treba o territorio”, ora rigiendo la célula del estado treba, toudo o túath; ora rigiendo confederaciones similares a los condados medievales attrebates, “agregación de trebas” por voluntaria atribución; at/tributi; o  por obligada contribución, con/tributi.

ATREBATES ex WIKIPEDIA sub vocabulo "Atrebates"

At/tribuere consiste (Pena 1991)por parte del conquistador en atribuír ,“juntar tribus”, trebas o Territorios Políticos tal vez hostiles o sospechosos a los ojos de Roma y entregarlas o aponerlas a civitates de confianza y a sus príncipes clientes afectos.
Con/tribuere, otra palabra que fue probablemente el origen de la hispana Con/trebia -y acaso de lagalesa can/tref, (Pena 1991)aunque esto último con alguna reserva pues la etimología hace sin embargo derivar can/tref de cen “cien”, y tref, “Casa” (psb. similar al cenfogos gallego)- y su homónimo latino contributus, podría, por el contrario, indicar el curso de otro tipo de dependencia dentro de la dinámica interna de las comunidades, una verdadera encomienda -lo que en Irlanda se llamaban aitech-túatha “gentes vasallas” de los fortúatha “principadosdependientes”- determinada ésta quizás por la demanda por parte de la comunidad débil de protección y por la seguridad brindada a la treba o toudo encomendada por la poderosa treba receptora. Los fortúatha o contributi nacen ora por concesión al apremio del más fuerte de los más pequeños o pusilánimes, ora viablemente – como así nacieron también muchos estados modernos europeos- por una patrimonial concentración en la tanistry derivada de los enlaces y alianzas matrimoniales entre los terratenientes príncipes, herederos de Territorios vecinos, adfines.
Las tribus Ibéricas, confirman nuestro aserto informándonos César como estas, noticiosas de la victoria naval ante Marsella de Décimo Bruto, se le allegaron masivamente: Interim Oscenses et Calagurritani, qui erant cum Oscensibus Contributi, mittunt ad eum (Caesar) legatos seseque imperata facturos pollicentur [Caesar: De Bello Civili I, 60]. Los más madrugadores, los Calagurritani, Loarre al Norte de Huesca, estaban vinculados como contributi (= Contrebia = cantref) con los Oscenses, habitantes de Osca, hoy Huesca). Posiblemente este vínculo se habría celebrado y escenificado en el seno de alguna de las feis, “ferias o asambleas”, que conocemos en el Noroeste, en la Gallaecia, con el nombre de Oenach / Forum, sacrificándose en estas ocasiones quizás los caballos, como sucede con los cántabros [Horacio Carm. III, 4, 34; Silio Itálico, III, 361], no excluyéndose junto al sacrificio de caballos la ejecución de algunos proditores, como la probada en Bletisama, “Ledesma” [ Livio: Per. 48] y el sacrificio de puercos, forma que adopta la tessera hospitalis del año 14 de Herrera del Pisuerga [A. Garcia Bellido: “Tessera hospitalis del año de la era hallada en Herrera del Pisuerga BRAH 69].
A menudo vemos representarse estas encomiendas feudovasalláticas en los hospitia celtibéricos junto a la expresiva forma del sacrificial puerco, también en forma del explícito “apretón de manos” representando, no ciertamente el saludo equipolente al que hoy acostumbramos, sino la expresión del cierre de un acuerdo o trato entre un patrón y un cliente, la expresión de la consumación de la clientela, la expresión plástica de la dependencia, del vínculo y el vasallaje, de la protección, fides patroni, dispensada por el dominus al cliens, reflejando la institución de la encomienda que aún nos recuerda la popular expresión “estar en buenas manos”, y en un gesto expresivo que pervivió en la plástica feudal de la Edad Media.Mediante estos antiguos pactos de hospitalidad, a través de una especie de adopción, como hombres “libres” pero sometidos a la jurisdicción de un patronus, liberi = “hijos legítimos” en un sentido equivalente a los etera etruscos o a los ambactisatellites” celtas, los sometidos, los in fidem acceptos, entraban en la familia del patronus.

Existió como en Irlanda en Gallaecia un Rey al frente de la treba, conservándose todavía a comienzos del siglo XIII cuando en las cláusulas cronológicas de un diploma, tras el Rey de Galicia, confirma Pedro Arteiro como “Rex de [la Terra de] Melide”

Regnante rege A[defonso] in Legione et in Asturiis et in Gallaecia. Gundissalvo Nunit tenente Monte Roso et medio de Transtamar. Petro Suarii archiepiscopo […] Petrus Arteiru Rex de Milide. 16 de Agosto de 1205. Loscertales de Valdeavellano, P (1976) T. II Sobrado dos Monxes, fol. 62 v.

[aunque en este periodo los señores de terras o territorios se denominan principes o imperantes (a, 40-45; b 40-41; m, 263-283)].

IKURIO

Ikurio <Ikurigo ou Brennos, “General” celtogalaico com possível lorica squamata galega reconstruida por Carlos Alfonzo. Desenho de Carlos Alfonzo assesorado por A. Pena. (c) Carlos Alfonzo. A voz aparece em uma das claúsulas da lousa da Villa galaico-romana de Nobille [Nobilius], Mugardos, Terra de Bezoucos. Excavada por Fermín Pérez Losada, nos anos 1988 e 1989: IKEOTO-NEQVAM CCCV IKV[r]/IO-NEQVAM L […] texto “cecais em nexo com signos que poideran ser numerais” – observa o descubridor da lousa Fermín Pérez interpretando a cláusula e o epígrafe máxicamente- “como um desexo de maldição para estes dous personaxes Ikeoto e Iku[r]io” Inserida a clausula de caracter contable e administrativo da villa com outros epígrafes do mesmo tenor, na placa que Fermín, catalogou com precipitação ’em o contexto das coticulae, como losetas para preparar medicamentos’ e interpretou, obscura per obscuriora, como texto “profilático ou terapêutico, o qual” -diz ele- “nos ajudaria a compreender o por que de que se tivesse escolhido um elemento instrumental médico como base”. Mas dito elemento, como sinalei hai máis de vinte anos, similar as ‘pizarras’ empregadas para escrever có ‘pizarrinho” pelos nenos galegos nas escolas ata finais dá segunda metade dos anos 50 do século passado- contendo outros rexistros e cláusulas de tipo econômico por min estudadas noutro lugar, não é unha coticula. O texto acima reproduzido não é máxico, sinala, seguramente, o prezo, expressado com numerais, de compra ou venda de dois cabalos para um nobre provincial, non provinciano (Nobilius?), o senhor provincial, não provinciano, galaico -romano dá villa eponima. Sen dúbida sub uocabulo IKURIO “Rei de Cabalos” poderiamos aludir ao proprietário um Brennos ou Xeral da cavaleiria [Capitão de Cavalos era Alonso Pita da Veiga] da treba de, ou dos, *Besoncos, “Bezoucos”; mas tambén poderiamos aludir ao nome do prezado animal.

Sin embargo hasta hoy, el registro epigráfico latino de Gallaecia no recoge reges, sino principes acaso por el conocido rechazo de Roma a esta institución: NICER CLUTOSI PRINCIPIS ALBIONUM); (VE)CIUS VEROBLI F(ILIUS) PRINCEPS [COPORUM], psb. CAISAROS CIICCIQ PR. ARGAILO [Caisaros Ceccig(um?) Pr(inceps?) Arcailo(rum)] en la segunda de las téseras de Paredes de Nava (S. I dC), del Museo de Palencia.

ríg, princeps

“Conocemos a un príncipe: ‘Nicer Clutosi, del castro Cariaca, [ de la casa ] del príncipe de los Albiones‘, por un epígrafe de Vegadeo [AE 1946, 00121], podemos afirmar que al frente de la ciuitas está un noble o princeps, título del cargo que emplea el señor o principe del territorio hasta el siglo XII tal y como muestran los diplomas medievales” (Pena a, 115-6 ; c, 32-45; b, 54-56; g, 37-76) . Sostuvimos también: “Estamos en condiciones de poder afirmar que el la Gallaecia antigua un rey, cuya figura permanecería fosilizada en la Terra de Melide aún a comienzos del siglo XIII cuando un noble gallego, Petrus Arteiru, en las cláusulas cronológicas confirma un diploma tras el Rey de Galicia y de León como Rex de Milide [año 1205, agosto 16. in Pilar de Loscertales de Valdeavellano (1976) AHN TII Sobrado f 62v.], ejerce la soberanía sobre un Territorio Político autónomo llamado en lengua prerromana treba o toudo (= teuta), aunque en el registro epigráfico latino de tiempo de la dominación romana, por el rechazo a esta institución, no aparezcan los grandes señores ya como reyes (reges) sino como principes: Nicer Clutosi […] [en g. de s.] Principis Albionum (Procedente de A Corredoira. Vegadeo. AE 1946, 121, ERA 14); Caisarus Ceccig(um) Pr(inceps?) Arcailo(rum); (Ve)cius Verobli f. Princeps (Coporum) [CIL 02, 02585, Lugo] . […] conserva[rí]an al menos en ciertos casos, el título de corono (de corio, “tropa”; –no, “señor”, “jefe de tropas”) –similar al de [princeps, o de ] imperante, “jefe del ejército”, del territorio político medieval-. En Coroneri Camali Domvs. / En este contexto sería aventurado traducir el precedente escrito como «Casa del Coronel de Camalo» cuando el epígrafe nos indica la mansión del hijo de Camalo, llamado Coronero, un antropónimo de prestigio similar al Coronos (Ili. II 745) y al Teutamos (Ili.. II 834) de la Ilíada (préstamo céltico al griego arcaico), o al Ambactus peninsular[de donde viene nuestro actual Embajador (Ambassador)], señalando el epígrafe sobre un dintel profusamente decorado, tanto el palacio, verdadera domus regia, cuanto la condición de espacio central o capital del Territorio Político de la citania y oppidum de Briteiros –Todavía en las cláusulas cronológicas de estos diplomas y cartas [ …], y así hasta las postrimerías del siglo XII […] los condes gallegos, [conservando] los títulos y los mismos territorios (trebas) heredados de la Edad del Hierro, [aparecen] mencionados en sus territorios patrimoniales como principes o imperantes de la terra o Territorio Político. Además del ejercicio de una plena jurisdicción […] tienen en estas comarcas designadas como terrae, terras, territorios [en realidad, nunca, o casi nunca, se emplea el pl. n. territoria], funcionarios territoriales llamados uicarii – un uicarius terrae/e, o de terra y un maiorinus de terra/e, así como una numerosa corte, aula comitis, de pequeños hidalgos locales (milites, satellites, infanzones) a los que […] instalan en uillae (uillae quae ego dabo ad meos infanzones) escuetos espacios jurisdiccionales donde esta […] hidalguía, […] base de la caballería del Princeps de Terra, tiene bajo su jurisdicción como infantería personal a campesinos [propietarios de la pareja de bueyes y de tierras, base del estatus legal de hombres libres], percibiendo a un tiempo de estos últimos, ya directamente, ya a través de un administrador o uillicus, tasas jurisdiccionales y rentas [derivados del ejercicio de la jurisdicción] […] al ser la uilla, como espacio jurisdiccional demarcado, un bien indivisible (pro indiviso) del que la unidad de parentesco es mancomunadamente copropietaria (como en el fintiu irlandés)>>. Este sistema, como he descubierto en este estudio de larga duración,  es común a todo el mundo céltico,  por las razones que expondremos más abajo (Pena i, 38-39). Once años después esta trillada materia  nuestra resultaba toda una novedad para un sorprendido [no más que nosotros] García Quintela: “Existe una pequeña serie de epígrafes latinos del Noroeste de Hispania que reflejan la presencia de principes con nombres indígenas y en un contexto muy poco romanizado” García Quintela, M. V. (2002) TAPA 28 p 33.  ¡vaites, vaites!

En las cláusulas de los diplomas medievales en pergamino, el cabeza de cada principesco clan, casa o familia nobiliar gallega, (= tánaiste irlandés, tànaiste escocés, tanistagh, en Man, del gaélico tana “Señoría, Autoridad”) retiene todavía hasta el final del siglo XII y comienzos del XIII el título de principis de terra (= treba, toudo, ciuitas, populus), y, como vimos, la posesión de esta, con la misma extensión territorial y limites que en la Edad del Hierro (a, 146-150; m 210-235, 248-267).

Rex de Milide e Principes de Terra (Pena 1992)

Rex de Milide e Principes de Terra (Pena 1992)

FIR COIRI OU PENA CALDARIA DIREITO COMUM CELTOATLÁNTICO

Esta ilustração do Pleito Liuva-Antino, famoso caso dos anos centrais da Idade Média, realizada por Eva Merlán baixo minha direção para Narón, unha História Ilustrada na Terra de Trasancos [1ª ed. maio 1995; 2ª ed. Maio 2009, p 50. E. Merlán; A. Pena; A. Filgueira, autores. Concello de Narón Editor], mostra a aplicação segundo o universal direito Celta do FIR COIRI ou PENA CALDARIA no Monasterio de Juvia, Concello de Narón no dia 1º de Agosto de 1069, revelando a injustiça e a opresión exercida “pela cara bonita (sic)” dos poderosos .

FIR COIRI O PENA CALDARIA DERECHO COMÚN CELTOATLÁNTICO POR EVA MERLÁN asesorada por A. PENA


FIR COIRI OU PENA CALDAR. DEREITO COMUM CELTOATLÁNTICO Tratei no II volume da História de Narón do abuso contra Liuva, rico proprietário [de classe némita ‘sagrada’, nobilis], ao falar do casal (II 202-214), e ocupei-me também do caso (II, 209-214) examinando sub epígrafe ‘FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS’ diversas espécies de pressão legal e mezquindades a fazendados do mosteiro de Juvia.
Liuva era dono de um pomar em ‘A Macinheira’ e outras heredades na Gatoira (Gatão) (144-149), lugar próximo do monasterio de S. Martinho, panteón dos Petriz [prosápia dos condes de Trava e Trastámara]. Ambicionando o abade e os monges de San Martinho de Juvia as maçãs, ou a sidra, falsificarão um documento notarial -segundo o qual Dona Aragunta as teria doado num testamento ao mosteiro- demandando a Liuva. Nasce assim um litigio que nossos diplomas nomeiam intentio [Orta est intentio…] com voz prestada do direito privado romano nascida segundo D’ors [Direito Privado Romano 1983, 119 e 120] “das ações encaminhadas a dividir uma coisa comum”, onde o juiz supostamente “não se limita a condenar ao pagamento duma determinada quantidade de dinheiro, senão que deve produzir uma divisão ou partilha entre os litigantes. O direito pretendido pelo demandante se substância naquela cláusula da que se chama intentio”. Mas que em realidade aplica o Direito Celta, a consuetam rationem da Terra de Trasancos, vigente -como hoje o Direito Canónico na Igreja Católica – em todo o Atlântico e na Europa Celta continental -compilado para Irlanda em 1978 de várias fontes por Binchy: Collectio Canonum Hibernensis (c. 720); ou a (Consueta Ratio Maior) Senchas Már “Grande Tradição” (ca 730) . Cópia do século XIII. A.H.N., Cód. 1047 B [= 1041B em 1992], n. 69 fol. 15 fol. 15 v. regras 13 a 41, e 16 r., regras 1 a 6. Ofereço minha lectio directa de 1992 já que a transcripción de Montero Díaz (ob. cit. Doc. IV, pág. 59 e 60) apresenta alguma deturpación e saltos de regras grandes (por exemplo as núm. 27 e 28). In Era ICVII et quot Kalendas Auggusti. Orta fuit intento inter Antinus abba et fratres sancti Martini, et Liuva super hereditates et pumares de monasterio sancti Martini. Intendentes et contendentes unus con alios, Antinus abba et Liuva ic in monasterio Sancti Martini, ante dominus noster et iudex, et alii multorum proli bene natorum, dicentel ille abba et fratres monasterii ad Liuba pro hereditate que tenebat de Gataon, que est testata de monasterio cum suas adjuntiones et suos pumares : “tercia portione integra quantum me compotet inter meos germanos uel heredes”. Et testabit ipsas hereditates et ipso Kasale cum suas adjunciones ad ipso monasterio sancto Martino domina Aragunti, per sua anima, de Gatone quod superius nominabimus. Et est ipsa villa et pumare Territorio Trasanquos, villa quos vocitant Neixa, in loquo predicto, inter Kasa de Eika Duminizi, et de ipse Liuva, et vocitant ibi Kasale de Gaton prope rivulo que discurre sico pro ad Superato et intra ibi in llomare discurrentes ad monasterio sancti Martini. Dicente in concilio ille abba domino Antino et frates ipsius monasterio ad Liuva quos tenebat subcitatas hereditates et pumares de Sancto Martino et de suos testamentos ibidem in ipsa villa de Neixa, respondente Liuva a ipso abbate et fratres quia tenebat sua veritas, et non de sancto Martino, et dicebat mentira supposita et pro tali actio devenerunt inde in concilio ille abba ab aralia et ad iudicio ante domino nostro et iudex froila Vermudiz, et alii multorum, et elegerunt et iudicaverunt hic in sancto Martino, pro ipsas hereditates pro ipsos pumares de ipso monasterio que iurasse Liuva pro se cum duas testimonias, et eleccisse de pena caldaria pro ipsas hereditates et pumares de Gatone que mitebat in contensa quia non erant testatas in monasterio Sancto Martini, nec non erat sua veritas et pro alias hereditates et testaciones ipsius monasterii que non celabat de illas nec celasset et iurasset ille cum una testimonia et si eixise illa penam ostulata, que pariasset illas hereditates et illos pumares qua modo lex et iudices hordinassent pro veritate, et timente Liuva penam, et parit et cognovit se in veritate, et fabulabat cum homines bonos et suos amicos et subicitabat se ad pedes ad ille abba domino Antino et ad fratres ipsius monasterii, que leixasent illo de Iura et de pena, et sic leixarunt propter Deum et suas animas, et pro tali actio rei posito juidicio adsignabat Liuva ad ille abba post partem ipsius monasterio illo Kasale et illa hereditate de Gaton et iii de illo pumares quos mittebat in contensa et ipso pumare in loco predicto inter illo Rio Sico que discurre pro ad Superato, et iusta illo sauto de iii ad illa fonte de Guail, damus atque concedimus vobis fratres et ad ipso monasterio atque consignamus et agnitio facimus et confirmamus de illo pumare ut habeatis illo semper firmiter in illo monasterio et fratres ibi habitantes et invita sancta perseverantes, uel qui illo monasterio obtinuerit habeant  et posideant iuri quieto evo et pereni. lta ut de hodie die uel tempore de iuri meo adrrasa et in vestro dominio ipsus monasterio et fratres tradito atque confirmato et habeant et possideant in toto tempus uel tempore usque in finem seculi. Si quis tamen, quod fieri non credo, aliquis homo ex generis nostris, propinquis uel extraneis, filiis uel nepos a irrumpendum venerit uel venero contra hanc scripturam agnitionis testamenti pariat contra partem ipsius monasterii sancto Martino uel a quis voci sue pulsaverit, ipsa villa cum suas aiutiones et pumares duplato uel triplato uel quantum ad vobis fuerit melioratum et vobis perpetim habitura. Facta scriptura agnitionis testamenti quot et Era de super. Ego Liuva et omnis vox mea in hanc scripturam agnitionis testamenti uel comparationis manus meas roboravi (Signum) qui presentes fuerunt: Gondisendo testis, Gondemarus testis. Antinus, abba, confirmat. Item Gondemarus confirmat. Andreas confirmat. Eremosendo confirmat, Danungius? confirmat. Osario testis et confirmat. Donninus confirmat. Eika confirmato Gondisindus confirmat. Ero confirmat. Fernandus confirmat. Willerlan qui dinumerat-  (Signum

O pleito Liuva – Antino mostra o vernáculo direito Celta comum Galaico ‘com barnices tomados do mundo romano ou germánico’, usualmente considerado ora romano, ora germánico, ora um híbrido romano-germánico. Amoldando o desejo à realidade “No direito processual astur-leonés [E galego!] baralhavam-se e confundiam” -diz Sánchez Albornoz- “as duas tradições germana e romana” -para ele não existe um tradição consuetudinaria celta em Espanha porque desconhece a existência das galaicas trebas/toudos, e sua continuidade nas terras, comisos, territorios, etc. Pena 1991 e 1992- “como em tantos outros ordens da vida jurídica da época. De um modo evidente predominaba o sistema oral, formulista, público do processo germano, sobre o sistema escrito, inquisitorio do processo romano”. In História de Espanha de D. Ramón Menéndez Pidal (diretor) volume VII pp. 467 e ss. E ainda também não conhecia direito público romano. O Conde Froila Vermúdez o primeiro de agosto de 1069 ia presidir um julgamento em seu monasterio. O Conde era algo mais que proprietário em Xuvia de um monasterio, era Senhor de muitas terras, entre elas Trasancos, Labacengos, Arrós, Bezoucos e Terra de Nemitos. Nunca melhor dito as bases de seu ‘condado’ eram territoriais. A Terra, chamada ut supra no mundo céltico galego da idade do ferro Treba ou Toudo -ing. Treba; irl. Túath/(Trebad); gal. Cantref- era ainda a base da articulación política, econômica, religiosa e social. Desde suas origens em que um *corono, rí, princeps, chefe de homens armados, ocupava a função soberana e até o século XII em que os condes se nomeiam principes ou imperantes da Terra, o Território Político não perdeu seu caráter. Mais de um milênio separa a Nicer Clutosi Principis Albionum dos netos de Froila Bermúdez, D. Fernando Pérez, Conde de Trastámara e D. Bermudo Pérez também intitulados principes nas terras de Prucios, Faro e Ortigueira. Como um rí túath irlandês Froila Bermúdez, príncipe ou imperante () da treba ou toudo (túath) celtogalaico chamada agora terra, era responsável da ordenação dos conflitos internos e externos da Terra de Trasancos.

Reve Trasanciuce

Radical de Trasancos *Ters+ an+i+cos psvl. “os que queimam o monte para cultivar” [Pokorny 1078 (1870/47)]*ters-, idg., V., Sb.: nhd. trocknen, verdorren, dürsten, Durst; ne. dry (V.), thirst (N.); RB.: ind., iran., arm., gr., alb., ital., kelt., germ.; Hw.: s. *tr̥su-, *tr̥si̯ā, *tr̥sto-; W.: gr. τέρσεσθαι (térsesthai), V., trocken werden; W.: gr. τερσαίνειν (tersaínein), V., trocken machen, abtrocknen, abwischen; W.: s. gr. τρασιά (trasiá), tarsim̥ (tarsiá), F., Darre, Flechtwerk zum Trocknen; W.: s. lat. terra, F., Land, Erdboden; vgl. ae. fel-terr-e, sw. F. (n), Erdgalle (eine Pflanze); W.: lat. torrēre, V., dörren, braten, backen, rösten, sengen, versengen, entzünden; […] germ. *þarzjan, sw. V., trocknen, dörren; an. þerr-a, sw. V. (1), trocknen; W.: germ. *þarzjan, sw. V., trocknen, dörren; a.irl Tart “sede”. Cf. comparativamente Tartessos onde por queimar o monte quedarão sem portos e Tartares, Tártaro, etc.

Trasancos é solar patrimonial de Froila Bermúdez que em realidade é rí, príncipe ou imperante  de um celta mór-túath, de moitas trebas ou terras com freqüência englobadas no conceito de condado, seu valor penal ou wergeld, é muito superior ao de um rí túath, ‘príncipe de uma única treba’, com freqüência seu vassalo. [cf. Jean Michael Picard, “Les procédures judiciaires em Irlande au haute Moyen Age] Actes des congrès des historiens médiévistes de l’enseignement supérieur public (2000, vol. 31, p 71)]. [Isto o publiquei faz, nada mais e nada menos, 24 anos em 1992.  Hoje pode ir a missa, então soava a arameo] O julgamento teria lugar na igreja do monasterio o primeiro de agosto quiçá de acordo com os usos da terra. [A data para o breth julgamento fixou-se para o 1º de Agosto de 1069, acho que nesse dia foi domingo, em princípio deveria cair em sábado. O tratado jurídico Críth Gablach (literalmente ‘Forked purchase’, ‘L’achat Fourchu’, ‘Merca Aforcada’) menciona entre os deveres do rei a responsabilidade de julgar duas vezes por semana: Lúan do berithemnach, do choccertad túath [Críth Gablach § 41] “Na segunda-feira [dedicado] às decisões arbitrales, e assuntos relativas às Terras (Trebas ou Toudos) […] e no Sábado [dedicado] aos julgamentos Picard ex Binchy (1970). Normalmente (Pena 1992) em ausência do senhor actuavam seus juízes (Brithem, pl. Brithemainn, ingl. Bregon); mas neste pleito o (rí túath) principe seu imperante de terra preside. A presença no julgamento do principe ou imperante de Trasancos o conde Froila Bermúdez – os tratados referentes à função real no território político celta, assinalam para sua prosperidade a importância de um príncipe justo-, indica que o julgamento Liuva Antino, tinha muita importância.

Froila Petriz Vermudez

Esta bellísima lámina realizada por Eva Merlán Bollaín para a História Ilustrada de Narón, referente em seu gênero, mostra a volta milagrosamente salvada por intercesión de San Martinho -depois de perder a cruenta batalha da cristiandad ontra os Almorávides em Sacralinas o 23 de Outubro do ano 1086 – do conde Froila Petriz Bermúdez. Chegou 18 dias despues da derrota piedoso conde a seu monasterio e panteón familiar de Juvia  a cumprir a promessa e voto, doando a uilla domini Mironi, “Domirón” -hoje os bairros de “San José Obrero”  e A Faisca-, sua mais preciosa posse.
Homem dedidido nosso Froila Bermúdez, uns anos dantes pôs fim a uma ‘insignificante’ qüestão jurisdiccional com a Diócesis de Santiago de Compostela, por tocar-lhe umas uillas e herdades do Tambre e do Ulla, e com seu sobrinho o bispo Gudesteo. E assinando como precaução na cuaresma de 1089 pace inter eos fidei juramento firmata, mando a parentela ao amparo de Paz de Deus, recebida com os braços abertos, ao retiro do prelado em Iria Flavia. Esta, quando todos dormian franqueou a porta ao conde, que entrou; e matando a seu sobrinho o bispo Gudesteo o descuartizó, repartindo os despojos pelo caminho. Diz um refrán galego:                                                                                                                 Meti-me num pleito com um crego
por um problema dum rego.
Perder, perdi o que tinha.
Mas amolar, amolei-o

Junto ao Conde estava seu juiz para Trasancos, o oficial condal de maior rango no Território e assinalamos a Johan Asqueliz qui est vigario de domnus Froila Vermudiz [Tumbo II de Sobrado, núm. 391, fol. 138 v.] que interviria o 28 de agosto de 1063 num julgamento entablado para dirimir um pleito entre Fernando Vistrimiz e o rico Paio Menendes marido de Sona Munia Froilaz, uma disputa de heredades, em ausência do Conde Froila Bermúdez logicamente favorável a seu genro [Eva Merlán no-lo representa sentado como um rei à direita do seu armiger com seu escudo e espada [eu pus como convencional homenagem à prosapia a armaria dos Bermúdez de Mandiá de Trasancos, os senhores da Casa do Monte], assistido por Johan Asqueliz sua mão direita,  brithem túaithe, vicarius terrae (siue, maiorinus terre) ‘qui est avant toute lhe juge officiel du peuple du royaume, interprète ultime da loi et arbitre de tous lhes hommes livres, mais quie est aussi um proche du rei et são fidèle conseiller’ (Picard) como homem de confiança, conselheiro e signifer] O vicario da Terra de Trasancos não via neste caso [ocupava um lugar secundário] por estar presente em seu monasterio familiar [onde 22 anos depois seria enterrado] este Conde Froila Bermúdez, pai do conde de Trava Pedro Froilaz, titor do imperador galego Alfonso Raimúndez A escassos metros da igreja de Santa María se encontrava a pequena igreja prerrománica monástica de San Martinho, desaparecida a princípios do século XII para ser substituída pelo espléndido monasterio da atualidade. Ali, dentro da igreja do monasterio, constitui-se esta assembléia judicial [ainda reconocible no papel desenvolvido pelo júri dos países anglosajones] composta por uma seleção do leque social dos homens livres, restringido aos camponeses bó áire, proprietrarios, bonos homines e aos filii bene natorum nobres do clã Petriz . Acusado, Liuva tem a obrigação de defender publicamente sua inocência e o acusado adota o nome de defensor. O julgamento faz-se como os atuais em várias fases se interrompendo a sessão na cada uma; repõe-se o tribunal para continuar o processo. Liuva ao inteirar-se da reclamação injusta tinha sérios motivos de preocupação. O saión, ou allón servidor público judicial, cuasi verdugo judicial penator, tortor, qui réus protrahit in judicium ia a sellar cautelarmente a casa e propriedades em litigio. Desde o momento que se produz a acusação e se aceita ir ao julgamento, as duas partes assinam um placitum ou acordo, bem através de fiadores bem tomando cautelarmente em árach ‘fiança’ as heredades em litigio previamente marcadas com o caracter regis ou sigilum comitis neste caso, até que se via a causa. O primeiro de agosto um grande número de gente vai de toda a comarca para assistir ao julgamento presidido pelo Senhor da Terra todo um acontecimento social, e fator de animação que rompe a rutina diária. Liuva não sabia escrever. Suas avenencias fazia-as de palavra, velhos contratos sinalagmáticos de bona fides, de boa fé, entre bons homens; ficavam firmes só com um apertão de mãos. Liuva era um bono homine, “bom homem”, um labriego, e era honrado, possivelmente seus contatos com as letras estiveram limitados a precisar de um escribano ou notário para comprar ou vender uma herdade ou a assistência como testemunha, ante um notário, por uma cessão testamentaria, mesmo pro remedio, ao monasterio da melhor parte do quinto de livre disposição do peculio de algum vizinho piedoso. Sua rutina estava apartada das letras.

Os monges pelo contrário – e Xuvia é um monasterio excepcional tutelado e primado por um clã muito poderoso, com bispos da família em Santiago, fazem seus próprios livros, contam com seu notário (como Pedro Luz) e, o que é mais importante, sabem escrever e também a história nos mostra um montão de exemplos, falsificar cirógrafos. Não há médios para distinguir entre uma carta falsa e uma autêntica. Só o depoimento dos vedraños (os velhos do lugar) pode, em ocasiões, desvelar a verdade. A reclamação vem do abad de Xuvia, e convento, e todos sabem que quiçá não seja o Conde alheio à trapalhada. Liuva vai estar praticamente só.

Os  da Terra de Trasancos foram sempre ‘botados para adiante’ com seus direitos, não falamos por falar, e o comprovaremos, plenamente, tantas vezes quantas seus pequenos direitos foram conculcados. Ainda mais, os veremos morrer lutando por eles Eis nossa estirpe! e crendo na justiça até o último momento. Liuva ia ao julgamento convencido de aclarar sua inocência. Ele tinha plantado com suas próprias mãos os pomares reclamados pelo monasterio. (20) Seus vizinhos sabem-no; das uillae mais distantes chegariam talvez resmusmús que tinham feito circular os monges semeando a dúvida. Chegam tabém o Conde e seus parentes, entram os membros escolhidos para a assembléia judicial de Trasancos. Dentro o abad Antino e os monges do monasterio. Entra Liuva, começa o julgamento. Todos declaram dizer a verdade e começam a debater as duas partes intendentes et contendentes uns cum alios de pé, no interior do monasterio, ante o Conde Froila Bermúdez que sentado numa cadeira, leva uma espléndida vestidura  e insígnias condales. A cena similar nos séculos IX, X e XI, conhecemo-la pelas formosas miniaturas dos beatos de Liébana. De pé rodeiam ao conde sua aula de bene natorum e labriegos bó aire, proprietários da xugada de bois, homines bonos. Liuva e Antino gesticulan. O julgamento é oral.

As formas de direito romano apud iudicem sofrem inevitavelmente a interpretatio […] [celtogalaica] comum a todas as instituições e é impossível assinalar se permanecia algum elemento céltico nestes usos -o sentido comum nos diz que sim, o rigor ‘científico exige [dizia eu então em 1992] os considerar germánicos-. [Sánchez Albornoz sustenta que predominaba o sistema oral, formulista, público do processo germano sobre o sistema escrito, inquisitorio do processo romano, coisa inexplicavel sem dúvida pois no direito clássico romano todas as atuações apud iudicem são orales]. Os procedimentos [celtas] não se apartam do tudo das ações e provas judiciais do direito privado romano. Fala em primeiro lugar a parte acusadora. O abad Antino mostra, entre as probationes, o cirógrafo aos presentes na assembléia judicial, quiçá poucos sabem ler, e menos latim, mas todos em seu papel observarão a prova de apresentação de documentos (instrumenta) como verdadeiros experientes. Lê o abad Antino o testamento suposto de Dona Aragunta e assinala que essa nobre tinha cedido sua cuota  (fintiú) ‘a terça parte de quanto me corresponde entre meus irmãos e herdeiros’ pro remedio a San Martiño este quinhão compreendia o casal de Gatón, as heredades em litigio e a terça dos pomares. Numerosas testemunhas contribuídas por representantes legais de ambas partes em julgamento (a.irl. breth) depois de prestar juramento sobre o altar tocando com a mão sobre os evangelhos abertos na página com o signo da cruz maior, declaravam com valor diretamente proporcional a seu estatus social. O mínimo legal são duas testemunhas, considerando-se inválido o depoimento de só uma. Ainda sendo público e notorio que o pomar o plantasse Liuva com suas próprias mãos -como faz constar in articulo mortis o 13 de maio de 1084  “e já déssemos outra terza […]” – doando ao monasterio pro remédio “a terza de um pumar que plantamos por nossas mãos, vo-lo damos com seu terreno”] ninguém em seu são julgamento, nenhum vizinho, ousaria declarar nos tribunais como testemunha da defensa. A Lei outorga enorme valor probatorio às escritura, o documento tinha um peso demoledor -o compilador do Gúbreta Caratniad ‘julgamentos falsos de Caratnia`’, as chama em Irlanda com o termo legal ail anscuichte ‘rocha inamovivel’ (Picard). Liuva, depois de examinar também a grafía inútil do pergameo que não entende, expressa suas razões ante o juiz e dono do monasterio, o nobre mais irascible da Urbe Gallaecia, o imperante de Trasancos: Froila Petriz Bermúdez. A declaração de sua parte baseia-se no juramento. [Em direito celta contribuem os representantes legais de ambas partes numerosos testemunhas que depois de prestar em modo devido de direito juramento tocando com a mão sobre a página do evangeliario aberto sobre o altar pelo signo da cruz de maior tamanho, declaravam com valor diretamente proporcional a seu estatus social. O mínimo legal de testemunhas a apresentar num julgamento são dois. Considera-se inválido o depoimento de uma única testemunha]. Fala Liuva com duas únicas testemunhas, poucos se atrevem a depor em seu favor por medo a represálias.

A partir de agora o procedimento judicial passa [‘de novo’] a ser de direito ‘germánico’ [Celta!] Liuva sustenta sua posição, então ‘dizia uma mentira suposta’ dicebat mentira supposita e por isso mesmo o julgamento entrava numa segunda fase. [Quando, não sendo neste caso pelas razões acima alegadas, uma das parte não apresenta no Julgamento (a.irl. Breth) o depoimento de nenhum fiadu, “testemunha ocular” o direito celta exige que se recorra a uma ordalía, coisa que ocorre também em caso de um empate. Isto é quando as provas a favor ou na contramão não permitiam se pôr de acordo ao tribunal, saber se Liuva dizia a verdade ou se mentia] A gente semi-asfixiada na pequena igreja monástica, voltaria a ela depois de um receso aproveitado pela assembléia judicial trasanca para deliberar que novas provas convinham. A partir de agora é muito provável que Liuva esteja exposto de se resistir (infitians) a ter que pagar o duplo das heredades. Muda o palco. Dispostos em torno da ara do monasterio de San Martinho de Juvia olim de tempo sacrato,  (pedra de grão com um buraco que recolhia reliquias de infinidad de santos que faziam famoso o lugar; cobiçada ara da que, a escondidas, homens de todas as classes sociais arrancavam, de vez em quando, pequenos trozos portadores de infinitos  poderes para bem e para mau) coberta pelo mantel litúrgico de linho. Acima do altar, um evangelho de ‘pulgameo de coyro’ abria-se mostrando o sinal da cruz. Formoso livro, sem dúvida, quiçá saído do mesmo escritorio que falsificou o cirógrafo de Dona Aragunta. Liuva jurou, estendendo a mão e tocando o sinal da cruz com os dedos, mas os juízes creram mais no valor do cirógrafo que nas aseveraciones de Liuva e dos dois ‘conjurados’ ou testemunhas, que, desafiando o perigo, seguindo o mesmo procedimento prévio a qualquer declaração, falaram a seu favor. Os juízes considerando insuficientes [ou não concluintes] as provas -ante as preferências legais conforme ao princípio de ‘prova tasada’ que da maior validade ao documento que à testemunha- de inocência de Liuva recorreu ao procedimento habitual, uma velha ordalía celta a FIR COIRI ou PENA CALDARIA [bem documentada também entre os germanos, mas não exclusiva deles]: a pena de água quente ou pena caldaria. Pedem ao sagio, homem vil, polícia judicial e verdugo, cujo valor penal enorme garantia que não fosse assassinado por seus numerosos inimigos, que traga lenha e lhe prenda fogo, pondo sobre ela um caldero cheio de água. Liuva sabia o que lhe esperava de continuar com sua reclamação. Quando o borbolhante água fervera o sagio jogaria devagar pedras minúsculas que saltariam velozes no água. A FIR COIRI “pena de água quente”, suporia o fim para as esperanças de Liuva e também o fim de sua estúpida cega confiança na também cega justiça. Os juízes, fizeram prevalecer a tese do abad Antino: O pomar e herdades não podiam ser de Liuva pois este (¡que o tinha chantado com suas próprias mãos!) que non celabat de illas nec celasset ‘não as cuidava nem as tinha cuidado nunca”. Liuva é condenado, mas a condemnatio não deixa a Liuva sem direitos. Se quer continuar Liuva teria que manter o braço no caldeiro, melhor dito, conseguir um voluntário que o faça por ele, buscar um innocentens (sic) -o povo conservou até hoje esta tradição popular de ‘uma mão inocente’ para a introduzir num recipiente do que se saca um objeto a esmo dependendo da providência-. Este innocentens deverá, caso de continuar o processo, deixar que o sagio lhe meta o braço no caldeiro de água fervendo. Verificariam o procedimento umas testemunhas chamadas fideles. Se Liuva seguisse adiante o processo público se converteria num Show , o Conde Froila Bermúdez, bene natorum, homines bonos, fideles, vizinhos de Liuva e multidão de circunstantes, todos excepto a família de Liuva, desfrutariam de um bom espetáculo sem dúvida, enquanto ajudado pelo sagio o braço do innocentens se escaldaba de vagar ante os olhos pendentes da demora das escurridizas pedras, recolhidas pela mão do innocentens, no fundo do recipiente. Conseguido isto os fideles vendarían depois mão e braço. Se selavam os nodos com o sigilum comitis Froilani Petriz Beremundit’ e três dias depois, reposta a assembléia, comparecia o innocentens e com a extração das vendas, a vista publicaria a mentira de Liuva -supondo que o braço não tivesse sofrido queimaduras, Liuva ficaria livre de todos os cargos-. E ocorreu o que tinham previsto os monges de Xuvia, que temendo Liuva a pena se reconheceu culpado: et timente Liuva penam, et parit et cognovit se in veritatem. Que temia Liuva? Compartilhava o terror geral pela pena caldaria? pois perder um braço- supõe, para um labrego, numa economia autárquica, ficar sem a ferramenta do seu sustento. Liuva não temia isto, pois o braço não era seu. Temia à sanção pecuniaria recolhida nas cláusulas testamentarias depois das conminações e exorcismos mágicos: in super pariat ipsa hereditas duplata uel triplata, sanção pecuniaria que o direito privado ‘romano’ recolhia com a fórmula poena temere litigantium. Liuva foi afortunado, outros não tinham oportunidade de recusar a pena, e inteligente, muitos camponeses crendo no apoio divino caíam vítimas da providência divina que, pelo contrário, nunca desasistía à cidade de Deus (comunidade de monges congregados em vida santa deo servientibus, contribuindo a encher a tulla monástica in subsidis pauperum). Os expoliadores de Liuva, Antino, os monges e o Conde foram também razoáveis. O abad Antino chegou com Liuva para além da clemência. Depois de recusar a pena caldaria e declarar-se culpada, tendo medo à sanção pecuniaria, jogava-se Liuva aos pés do abade e monges de Xuvia, suplicando piedade e publicando seu crime. Disse que tinha inventado falsas histórias com os labregos e seus amigos, fabulabat cum homines bonos et suos amicos, e suplicaba que o deixassem livre de iura et de pena. Não é tão fácil traduzir estas duas palavras: iura quiçá há que o entender como ius in iure loci pois não pertence neste contexto ao direito romano, Constitui o pagamento de uma sanção por atentar contra a tranqüilidade de uma posse testamentaria ao senhor territorial; uma forma consuetudinaria?, não o sabemos. A pena, ut supra, não é a caldaria, é a sanção pecuniaria consistente em duplicar ou triplicar o valor das heredades que figuravam doadas ao monasterio no falso testamento de Aragunta.

Liuva podia ficar totalmente arruinado, apesar de ser como vimos mais que um médio proprietário. O monasterio conforma-se com roubar-lhe uma boa migalha. Liuva assina uma agnitio,  um acordo com a parte demandante: O abad Antino e monges de S. Martinho, comprometendo-se a respeitar daqui por diante. O direito do monasterio. Na agnitio recolhem-se aspectos do procedimento judicial já tratado. [desculpem as gralhas]

ORATORES DRUIDS/*DURVEDES/DRUVEDES

The ‘Celtic fringe’ is not limited to music, to language, to religion, to art and crafts… it is basically a rigid theocratic and jurisdictional system, a pyramidal complex regulating rights and obligations in the Toudo or Treba.  A theocracy, with a common universal law and institutions, guarded, applied, developed and interpreted by a  universal clergy: the druids / druvides or durvedes.

Piaculum da Entronização Real segundo André Pena

A  Arqueologia  -coisa muito diferente é que o pretenda Ai!-, é incapaz de definir uma sozinha instituição da Pré História. No entanto a Arqueologia Institucional que proponho [paradigma desenvolvido em Treba e Territorium], as instituições e os usos institucionais da Pré História e Proto História dos Celtas, como o mostra este promptema da  Entronização Real Celtoatlântica podem, de de modo inter e multi disciplinar, ser desveladas.  A mais programática ou literária das seis peças desta serie de bronzes votivos figurados, é, sem duvida, a de Monforte de Lemos conservada no Instituto de Valencia de Don Juan [que Xosé Lois ARMADA PITA y Oscar GARCÍA VUELTA descreverão nuns recentes papeis, pero desconhecendo a função da peça, descrita por eles como “objeto de funcionalidade duvidosa” [quando eu já assinalara eu seu papel entronizatório, em 1995 (e de novo em Treba e Território em 2004, sendo esta nota unha tradução literal dum dos seus capítulos)]. Pero ARMADA e GARCÍA, fotografam na meritória publicação os bronzes com detalhes de grande qualidade e, particularmente, as suas fotos do bronze do Instituto nos foram utilíssimas para realizar, pela minha parte, um minucioso debuxo, aclarando o significado de todos os demais bronzes: um esquema narrativo claro e completo duma entronização real Celta. No bronze entronizatório sacrificial atlântico de Monforte de Lemos (Instituto de Valencia de Don Juan) -aproximando aqui um desaparecido oficiante á cena um ursinho ou mato-, o que não deixa de ter a sua importância capital, aparece dirigido por dois celebrantes de desigual rango, co seu torques um, e o outro sem ele, unha celta suovetaurilia, muito anterior á conquista romana, entre os séculos II e IV a. C., um sacrifício e unha representação para teatral da investidura dum torquato futuro soberano que, por essa ração, tem aos seus pés outro torque, gigantesco este para que não colham dúvidas, despregado sobre o machado ou brossa sacrificial símbolo e motivo central [com o prótomos do touro] de todos os bronzes que lhe serve de chão. A idéia dum sacrifício maior, simbolizado no bronze de Monforte de Lemos (no Instituto de Valencia de Don Juan) pelo machado sobre o que descansa um grande torque [o cerimonial, muito grande, pensado para ser depositado sobre a trebopala, toudo pata ou  crougintoudadigo, “croio teutático“, aos pés dum torquato [o aspirante a rei], representado [pars pro toto] em todos os bronzes, funde com a reiterada presença em todos os ditos bronzes votivos entronizatórios, dos torques dos reis e dos deuses junto a um grande caldeiro [As in Ireland, in Galiça, the concept of kingship is rooted in mythology]. Onipresente, nos bronzes entronizatórios se representa com grande detalhe o grande caldeiro, semelhando desenvolver um relevante papel protocolar. Algo estase a cocer ou coció nele, pero O que? Restos destes grandes e remachados potes ou caldeiros da Idade do Ferro, como os figurados, ocasionalmente depositados sobre carros votivos com rodas, foram achados junto a grandes garfos, como o que compartilha vitrina com o carrinho de Guimarães, comuns a toda a Céltica, utilizados no banquete para sacar dos caldeiros a carne. Não seria disparatado pensar pelo que más adiante diremos, que um dia, em tão apartado lugar, contiveram os caldeiros o singular guiso do ashvamedha entronizatório, um cocido de carne de cabalo, ilustrado e descrito com todo detalhe para Irlanda por Gerardo de Gales, numa cerimônia similar a também possivelmente documentada na inscrição  de Cabeço das Fraguas: Commaian Iccona Loimmina “Uma Crinosa [Egua] para a Luminosa Iccona/Epona” [PENA 1994, p. 33-78], e representada no Atlântico continental pela crina, «coma», mencionada, pars pro toto, e reiterada en tódolos nossos bronzes. Confirma nosso aserto no bronze do Instituto de Valencia de Don Juan, e não obscura per obscuriora, a certificada presencia, marginal, dum jovem ursinho arrastado ao centro da cena sacrificial com a soga ao pescoço –tanto no bronze de Monforte de Lemos quanto na sítula de Bisenzio-  desde o extremo distal ao caldeiro, por um desaparecido [mais não  sem nos deixar como o ‘gato de Cheshire’ a impronta ou pegada dos seus pés] personagem. É de manual de peto que o urso ie. *arctos e categoria divina expressada pela Dea Artionis é, entre os celtas, conhecido símbolo da soberania. “[…] Cando un galo se chama Matugenos ou un irlandés Math gamhaim, fillo do oso […], non é porque se imaxine descer dun oso […] senón porque pretende relacionarse co simbolismo real do oso” H. Hubert. Ao Ursinho do bronze votivo de Monforte de Lemos vem-lhe ao peluche a observação (HUBERT) de que um galo ou um irlandês pretendia simbolizar -e essa é, segundo o penso, a simbologia da historia de Math nos galeses Mabinogi- a sua pertença á nobre estirpe ou á linhagem real entre os Celtas; a sua prosápia, não uma aberrante descendência dum urso, se chamando Matugenos ou Mathgamhainn ‘filho do urso’,  do galego português  ‘mato’ [fronte ao  brit. mangan ‘urso’], termo equivalente a dizer sem o nomear: ‘o animal do mato’ [esp. ‘matorral’], ‘bicho do mato’ -e lembremos que não só os nossos Matos e Matosinhos, mancheia de topônimos e antropônimos do galego-português cós que intitulo, em choqueiro, este apartado [Bicho do Mato], poderão significar pars pro Toto, ‘urso’, senão  também, e como real probe do nosso asserto, como sinônimo de urso a verba (sic) ‘bicho-do-mato’, empregasse e pervive ainda ata os nossos dias no brasileiro e no português -E nos movendo da hipótese ao terreno da poesia, acaso a derradeira vez que aparece mato coma sinônimo de urso em galego-português, “o esquivo mato registrando vai [o vento ]” na típica atitude de erguer a cabeça para cheirar o ar em posição bípede (como fazem os ursos), o foi no poema Feros Corvos de Xalhas dedicado aos ‘seres vagamundos’ que sempre intrigou ao que subscreve estes papeis de Eduardo Pondal Abente (1835-1917)]. (Desculpem as gralhas)

Chamados Durvedes em Gallaecia com a voz original, os “Druidas” eram a classe mais poderosa da sociedade Celta. Em todas as trebas, “bisbarras/tribos”, de Europa as famílias nobres acostumavam, era uma honra, mandar os filhos segundos a famosos centros de Inglaterra ou da Gália escolhidos pelo prestigio dos professores, estudarem para Druidas durante vinte anos – como conta César-. Depositários da cultura, da poesia, da ciência, da medicina, da religião, do direito  “Celtic Common Law”, de aplicação universal -como sucede co direito canônico na igreja católica -, exerciam nas trebas ao voltar a casa o verdadeiro poder sobre reis, nobres, camponeses e servos.

Assim todas as trebas, “tribos” Celtas, da Gallaecia  á Britania; e da Irlanda á Galacia de Ásia Menor (atualmente Turquia), compartilhavam idéntica organização política e comum direito: a “Celtic Common Law” (A. Pena Granha, 2010-11),  e um común  calendário e as festas e tradições Os Durvedes elegiam uma suprema autoridade moral – similar o papa- cabeça visível e infalível representando a unidade. PROPONHO PARA FACILITAR-TE O ACESSO A ESTE ARTIGO, ALGO DIFÍCIL DE CARREGAR JÁ, O CONTINUAR NUM NOVO POST SUB EPÍGRAFE  DRUIDAS/DRUVIDES/*DURVEDES  

WARNING: this post is still under [de]construction – it probably contains lots of typos and errors Check it again in about 630 days and it should be fixed.

AD CONTINUANDUM…

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A Caça Selvagem nos Petróglifos e Registro Arqueológico Atlântico (Pena 2004). A [A]Moura e o Príncipe (Cavaleiro) Revisitados. Por André Pena.

La Caza Salvaje en los Petroglifos y Registro Arqueológico Atlántico (Pena 2004).  La [A]Moura y el Príncipe [Caballero] Revisitados. Por André Pena. 

The Wild Hunt, an issue prevalent across Northern, Western and Central Europe,  subject of many interesting approaches from many points of view of many authors,  has captured in one way or another curiosity of scholars, painters’ attention and  the poet’s interest, even today it is an ancient folk myth, very useful to us for its archaeological application.

 Tal vai o meu amigo, com amor que lh’eu dei, / come cervo ferido de monteiro d’ el-rei. / Tal vai o meu amigo, madre, com meu amor, /come cervo ferido de monteiro maior. / E se el vai ferido, irá morrer al mar; / si fará meu amigo, se eu del nom pensar./ […] E guardade-vos, filha, ca já m’eu atal vi / que se fez[o] coitado por guaanhar de mim./ E guardade-vos, filha, ca já m’eu vi atal / que se fez[o] coitado por de mim guaanhar. Pero Meogo [ex Paulina Ceremuzynska]

caça selvagem Cópia (3)

Promptema de A. Pena monstrando o ‘Big Bang’ Atlántico do tema da Caça Selvagem. Desde o Neolítico, como mostra este dólmen chamado Anta da Queiriga em Orca dos Juncais, a alma do Cavaleiro celtoatlântico acede ao Além, na modalidade que eu chamo Transito Vertical, caçando um animal sobrenatural, geralmente um cervo, e logo seguindo seu rastro.  Os remotos antecedentes possibilitam temas melusinos e a alcunha de Pwyll  Pen Annufwn, “Pena ou Cabeça do Além” na primeira história da primeira rama dos Mabinogui

ORIXE PALEOLÍTICA E DESENVOLVEMENTO NEOLÍTICO DO TEMA

Construção de um grande dólmen no Monte do Seijo - Monte de Nenos. Pintura de Eva Merlán Bollaín asesorada por Andrés Pena, para Narón, Uma História Ilustrada na Terra de Trasancos (Concello de Narón)

Construção de um grande dólmen no Monte do Seijo – Monte de Nenos. Pintura de Eva Merlán Bollaín asesorada por Andrés Pena, para Narón, Uma História Ilustrada na Terra de Trasancos (Concello de Narón)

A ‘Continuidade Paleolítica’ ficaria ilustrada [A. Pena e M. Harris, 2007] no conceito arquitectónico do monumental dólmen ou anta [cf. A. Pena, “O Caminho ao Fisterra dos celtas” Galegos III (2008)], respondendo este, a meu modo de ver, á deliberada tentativa de reproduzir uma gruta com galeria e câmara em um lugar onde dominando o esquisto e o granito não as há. Assim formando longos subterrâneos corredores  e amplas e orientadas câmaras com grandes lajas graníticas ou esquistosas, decoradas muitas vezes com pinturas, quase sempre perdidas, e com gravados, se tentou recrear de maneira intencionada, segundo o penso, um esquevomorfo do mundo das grutas caliças, com suas longas galerias e câmaras baixo terra, da orografia cárstica.

Figuração ideal (com Sutti) da câmera funerária dolmênica do grande túmulo ou mamoa do Monte do Seixo - Monte de Nenos (Narón). Pintura de Eva Merlán Bollaín asesorada por Andrés Pena, para Narón, Uma História Ilustrada na Terra de Trasancos (Concello de Narón)

Figuração ideal (com Sutti) da câmera funerária dolmênica do grande túmulo ou mamoa do Monte do Seixo – Monte de Nenos (Narón). Pintura de Eva Merlán Bollaín asesorada por Andrés Pena, para Narón, Uma História Ilustrada na Terra de Trasancos (Concello de Narón)

“La llamada ‘Continuidad Paleolítica’ quedaría ilustrada [A. Pena y M. Harris, 2007] en el concepto arquitectónico del monumental dólmen [cf. El Camino al Fisterra de los celtas Galegos III (2008)], respondiendo, a mi modo de ver, a un deliberado intento de reproducir una cueva con su galería y cámara en un sitio dónde por dominar el esquisto y el granito no las hay, formando largos corredores subterráneos y amplias y orientadas cámaras con las grandes lajas graníticas y esquistosas decoradas muchas veces con pinturas, casi siempre perdidas, y con gravados se intentó recrear de manera intencionada, segun lo pienso, un esquevomorfo del mundo de las cuevas calizas con sus largas galerías y cámaras bajo tierra, de la orografía cárstica.

 LASCAUX. ENTRADA E SAÍDA PELAS GALERIAS DE ANIMAIS DO ALÉM (SÍDHE 

Por que? Porque a gruta foi privilegiado habitat da população paleolítica européia, durante muitos milênios. As subterrâneas galerias e espetaculares câmeras, acordaram sem dúvida o recolhimento e admiração do homem paleolítico, que as teria imaginado construídas por seres feéricos habitantes dum subterrâneo Paraíso de difícil acesso: O Outro Mundo, O Além, diferente ao nosso, morada de espíritos, de fantásticos seres e sobrenaturais animais de belo porte, dotados da faculdade de entrar e sair dele: o que se representa, ao meu modo de ver, na gruta de Lascaux.

¿Por qué? Porque la cueva fue privilegiado hábitat de la población paleolítica europea, durante muchos milenios. Las subterráneas galerías y espectaculares cámaras,  despertaron sin duda el recogimiento y admiración del hombre paleolítico, que las habría imaginado construídas por seres feéricos habitantes de un subterráneo paraíso de dificil acceso: El Otro Mundo, distinto al nuestro, morada de espíritus, de fantásticos seres y sobrenaturales animales de bello porte, dotados de la facultad de entrar y salir de él, es lo que se representa a mi modo de ver en la gruta de Lascaux.  

Quando em 1881 Lippert observou que a “Mesnada” estava integrada por defuntos e relacionou o argumento da Caça Selvagem com a sobrevivência da alma depois da morte, sentou as bases que me permitem registar na Arqueologia Européia Atlântica este tema pela primeira vez, em Portugal. Penso que seguindo o rastro de um destes sobrenaturais animais feridos, a alma do caçador poderia com facilidade encontrar o escondido Caminho ao Paraíso. Por minha parte, como mostrei faz algum tempo, vejo  parentesco e correlação entre algumas cenas pintadas e gravadas nas grutas paleolíticas atlânticas -respondendo a verdadeiros programas iconográficos- e algumas cenas representadas no Neolítico, nas câmaras dos dólmens da Área Cultural Atlântica, ou no Calcolítico e o Bronze, particularmente as que recolhem o popular tema da Caça Selvagem […] “Fixando a mirada em afines e vizinhos países celtoatlânticos, as cenas, concitadas em um compendiado promptema [do lat. promo- prompsi, promptum “fazer-se evidente”, “disclose, bring forth”] podem-se compreender [em clave de Continuidade Paleolítica] com meu método de Arqueologia Institucional  AI [Pena 2004 , 58-98].

Cuando en 1881 Lippert observó que la “Mesnada” estaba integrada por difuntos y relacionó el argumento de la Caza Salvaje con la supervivencia del alma tras la muerte, sentó las bases que me permitieron registrar en la arqueología europea atlántica este tema. Pienso que siguiendo el rastro de uno de estos sobrenaturales animales heridos, el alma del cazador podría, con facilidad, encontrar el escondido Camino al Paraíso.  Por mi parte, como mostré hace algún tiempo, veo  parentesco y correlación entre algunas escenas pintadas y grabadas en las cuevas paleolíticas atlánticas  -respondiendo sin duda a verdaderos programas iconográficos- y algunas escenas representadas en el Neolítico, en las cámaras de los dólmenes del área cultural atlántica, o en el Calcolítico y el Bronce, particularmente las que recogen el popular tema de la caza salvaje […] “Fijando la mirada en afines y vecinos países celtoatlánticos, las escenas concitadas en un compendiado promptema [del lat. Promo- prompsi, promptum “hacerse evidente”, “disclose, bring forth”] se pueden comprender en clave de Continuidad Paleolítica, CP con mi método de Arqueología Institucional  [Pena 2004, 58-98].

Orca dos Juncaes

Orca dos Juncaes, interpretatio de A. Pena, 2004 sobre desenho dos Leisner

Assim aparece em Orca dois Juncais como mostrei em 2004 em Treba y Territorium  59 ss, concretamente em uma cena de caça pintada no interior de uma câmara dolmênica sobre o ortóstato que lhe serviria de cabeceira [se reproduzindo em Lubagueira, Viseu uma similar caçada -em pintura vermelha em suporte de dólmen-], ainda que desgraçadamente estas pinturas tenham desaparecido e só nos fique o detalhado desenho feito por George e  Vera Leisner, que eu com fim didático, tenho reconstruído em o desenho acima reproduzido. Acompanhados de cinco cães dirigem-se para a caça três [fantasmais, no contexto funerário] caçadores com arcos e setas de roma ponta, pretendendo ferir, sem matar a suas presas, duas cervas e três cervos, para que os animais sobrenaturais – [os cervos feridos, de novo] no contexto funerário- fugindo a seu mundo mostrem o caminho e as portas de aceso [o mar, o rio, a fonte, a rocha, a anta, etc],  do Além ou Sídhe, aos caçadores.

O tema do as almas em procura do caminho da salvação pela caça é recorrente ao longo de milhares de anos, período no que os cavaleiros caçam animais psychopompos [Pena, 2004; 2007 , 239]. Confirmando a continuidade vejo um claro precedente paleolítico do tema em um célebre painel de Lascaux onde a alma em forma de passarinho [reparem em a expressão ‘ficou como um passarinho’] abandona o corpo  deitado frente ao ferido Bisonte.

Así aparece en Orca dos Juncais como mostré en 2004 en Treba y Territorium (2oo4, 59 ss), concretamente en una escena de caza pintada en el interior de una cámara dolménica sobre el ortostato que serviría de cabecera [reproduciéndose en Lubagueira Viseu una similar cacería -en pintura roja en soporte de dolmen-], aunque desgraciadamente estas pinturas hayan desaparecido y sólo nos quede el detallado dibujo hecho por George y  Vera Leisner,  que yo con fin didáctico, hé reconstruído. Acompañados de cinco perros se dirigen hacia la caza tres [fantasmales, en el contexto funerario] cazadores con arcos y flechas de roma punta, pretendiendo herir, sin matar a sus presas, dos ciervas y tres ciervos, para que los animales sobrenaturales – [los ciervos heridos, de nuevo] en el contexto funerario- huyendo a su mundo, muestren el camino del Além o Sídhe, a los cazadores.

El tema del las almas en busca del camino de la salvación por la caza es recurrente a lo largo de miles de años, periodo en el que los caballeros cazan animales psychopompos [Pena, 2004, p.  y 2007. Confirmando la continuidad, creo ver un claro precedente paleolítico del tema en un célebre panel de Lascaux donde el alma en forma de pajarito abandona el cuerpo del difunto y sigue a un rinoceronte, frente al herido Bisonte.

Le Panneau de l’omme blessé. Lascaux

[A]MOURA, CAVALEIRO, CAÇA SELVAGEM

Inscrevemos como hipótese de trabalho, revisitando nosso estudo de 2004, nosso primeiro discurso ou promptema:  O Tema da Caça Selvagem e da [A]Moura e O Cavaleiro –  um Príncipe com mais propriedade -, no Berço dos Celtas, no Neolítico da costa atlánticas de Iberia, com epicentro na Kaltia ou Gallaecia.

A expansão dos celtas, no Mesolítico e Neolítico, até a Época Clássica, como o demonstram a Genética e a Arqueologia Institucional, se produz de ocidente a oriente: Costa Atlánticas de Iberia -com sua epicentro em Kaltia ou Gallaecia-, Irlanda, Grã-Bretanha, Europa continental e, por último, Ásia Menor.

A expansão dos celtas, no Mesolítico e Neolítico, até a Época Clássica

*Inscribimos, revisitando nuestro estudio de 2004, nuestro primer discurso o promptema  El Tema de la Caza Salvaje y de la Moura y el Caballero – un Príncipe con más propiedad -, como hipótesis de trabajo, en la Cuna de los Celtas: el Neolítico de las costas atlánticas de Iberia, con epicentro en  Kaltia o Gallaecia.

*[SABES QUE A EUROPA CELTA É UMA REALIDADE INSTITUCIONAL?SABES QUE TODA A EUROPA CELTA SE ORGANIZA DA MESMA MANEIRA? PODES IMAGINAR OS DISPARATES QUE SE DIZEM SOBRE OS CELTAS? 

¿SABES QUE LA EUROPA CELTA ES UNA REALIDAD INSTITUCIONAL? SABES QUE TODA LA EUROPA CELTA SE ORGANIZA DE LA MISMA MANERA? PUEDES IMAGINAR LOS DISPARATES QUE SE DICEN SOBRE LOS CELTAS?

TUDO POR NÃO COMPREENDER ALGO TÃO SIMPLES COMO QUE BASICAMENTE RESPONDEM A UM COMUM SISTEMA ARTICULATIVO, Celtic Universal Law , 142-159, CRIADO E APLICADO EM TODA A EUROPA CELTA PELO VERTICAL E UNIVERSAL CLERO COLEGIADO DOS DRUIDAS OU *DURVEDESORGANIZADOS COMO A IGREJA CATÓLICA; OS CELTAS COMPARTILHAM (PENA) IDÊNTICA ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA, IDÊNTICAS LEIS, UM COMÚM DIREITO PÚBLICO E PRIVADO, A MESMA RELIGIÃO, ASSIM NO NEOLÍTICO, NO BRONZE, NO FERRO…
TODO POR NO COMPRENDER ALGO TAN SIMPLE COMO QUE BÁSICAMENTE RESPONDEN A UN COMÚN SISTEMA ARTICULATIVO Celtic Universal Law , 142-159, CREADO Y APLICADO EN TODA LA EUROPA CELTA POR EL VERTICAL Y UNIVERSAL CLERO COLEGIADO DE LOS DRUIDAS O *DURVEDES, ORGANIZADOS COMO LA IGLESIA CATÓLICA; LOS CELTAS COMPARTEN (PENA) IDÉNTICA ORGANIZACIÓN SOCIAL Y POLÍTICA, COMPARTEN IDÉNTICAS LEYES, UN COMÚM DERECHO PÚBLICO Y PRIVADO, LA MISMA RELIGIÓN, ASÍ EN El NEOLÍTICO, EN El BRONCE, EN EL HIERRO…
Ilustração de Eva Merlán, asesorada por André Pena para a História Ilustrada de Narón (1995)Todas as trebas/toudos celtas da Europa se organizam da mesma maneira

Ilustração de Eva Merlán, asesorada por André Pena para a História Ilustrada de Narón (1995) Todas as trebas/toudos “territórios Políticos Celtas “da Europa se organizam da mesma maneira Ríg/Rex/Princeps /Corono/Imperante e Druida/Durvede/Episcopus.

Com epicentro ou eixo na Kaltia, nome que recebia em a Idade do Bronze Gallaecia, a Costa Atlântica de Ibéria  é também berço dos Celtas, berço de indo-europeias instituições sociopolíticas: duma Lei Celta Universal, comúm, base do Sistema Feudal, como demonstrei e é importante contribuição, Lei mantida na Europa Céltica, aplicada e desenvolvida sem solução de continuidade de modo uniforme durante a Idade do Bronze e a Idade do Ferro, e desenvolvida em a Galiza da ‘romanidade’ e a da ‘germanização’, assim ata Idade Média, em um secular e milenário processo [isto explica a ilusão da CelticidadeAcumulativa], por um cultivado clero universal, verticalmente organizado, os druidas ou *durvedes do passado pagão.

  Con su epicentro o eje en la Kaltia, Gallaecia, la Costa Atlántica de Iberia es también   Cuna de los Celtas, cuna de indoeuropeas instituciones sociopolíticas: la Ley Celta Universalbase del Sistema Feudal, -como demostré y es importante contribución-, Lei mantenida aplicada y desarrollada de modo uniforme durante la Edad del Bronce y la Edad del Hierro en la Europa Celtica, sin solución de continuidad  -desenvuelta en Galicia de la ‘romanidad’ y de la ‘germanización’ a la Edad Media-, en un secular y milenário proceso [esto explica el espejismo de la Celticidad Acumulativa]por un cultivado clero universal, verticalmente organizado, los druidas o durvedes. 

Durvede o Druida por Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena (c) Carlos Alfonzo

Durvede o Druida por Carlos Alfonzo, asesorado por A. Pena (c) Carlos Alfonzo

A ‘tonta’ circunstância, de que o Direito Celta, tudo, tudo, tudo, [Pena Granha] tanto o Direito Publico como o Direito Privado [amém da Ciência, o cultivo das Letras e a Religião], fosse comum (de modo similar ao Direito Canônico) e administrado de maneira idêntica em toda a Europa Céltica pelos druidas – e vos aviso que a influência que teve, e herdou, logo a vertical e colegiada Igreja Católica em seus melhores tempos da Alta Idade Média, foi um pálido reflito do poder que teve na Europa, também durante milhares de anos, a vertical e colegiada Igreja druídica -. Esta circunstância faz que o estudo total de uma Treba ou Toudo, “território político, principado ou comarca celta”, do ocidente atlântico Europeu desde o Neolítico à Idade Média equivalha, lhes dou minha palavra de honra, às estudar todas. Tive o privilégio de fazê-lo com profundidade no ‘Concelho de Narón’, Terra de Trasancos, parte extrema noroccidental da Galiza. Mais de vinte anos de investigação plasmada em três densos volumes Narón Un Concello con História de Seu I; ibid. volume II; e Volume III.

Todas as trebas/toudos celtas da Europa têm esta organização social, pois o Direito Celta, é comum e de universal aplicação em todas elas, criado e administrado por uma igreja colegiada à frente de druidas doutores

Todas as trebas/toudos celtas da Europa têm esta organização social, pois o Direito Celta, é comum e de universal aplicação em todas elas, criado e administrado por uma igreja colegiada à frente de druidas doutores” baixo a autoridade de uma cabeça visível e infalível. Um sistema clonado -Jesus não inventou aos curas, abades, bispos, arcebispos e papas- logo (São Pedro iuuante) por nossa Igreja Católica.

La ‘tonta’ circunstancia, de que el derecho celta, todo, todo, todo, (Pena Granha) tanto el derecho, publico y privado (amén de la ciencia, el cultivo de las letras y la religión), fuese común (de modo similar al Derecho Canónico) y administrado de manera idéntica en toda la Europa Céltica por los druidas  – y os aviso que la influencia que tuvo, y heredó, luego la vertical y colegiada Iglesia católica en sus mejores tiempos de la Alta Edad Media, fue un pálido reflejo del poder que tuvo en Europa, también durante miles de años, la vertical y colegiada Iglesia druídica -. Esta contingencia  hace que el estudio total de una Treba o Toudo, “territorio político o comarca celta”,  del occidente atlántico Europeo, desde el Neolítico a la Edad Media, equivalga, les doy mi palabra de honor,  a estudiarlas todas. Tuve el privilegio de hacerlo con profundidad en el Concello de Narón, Terra de Trasancos, parte extrema noroccidental de Galicia. Más de veinte años de investigación plasmada en tres densos volúmenes [Narón Un Concello con História de Seu I; ibid. volume II;Volume III]].

 CAÇA SELVAGEM. CAZA SALVAJE

Campolameiro. Parada. Cervo Ferido na Caça Selvagem. Segundo o penso, os animais do Sídhe ou Além, representaram para os Celtas (A 'sobrenatural' albina Cirva dada pelos Lusitanos a Sertorio) a oportunidade de encontrar as escondidas portas que comunicam este com o Outro Mundo. O Sobrenatural Cervo, ferido, revela ao caçador a oculta entrada na rocha o a alocada fugida a seu Mundo em busca de refúgio.

Campolameiro. Parada. Cervo Ferido na Caça Selvagem. Segundo o penso, os animais do Sídhe ou Além, representaram para os Celtas (A ‘sobrenatural’ albina Cerva dada pelos Lusitanos a Sertório) a oportunidade de encontrar as escondidas portas que comunicam este com o Outro Mundo. O Sobrenatural Cervo, ferido, revela ao caçador a oculta entrada na rocha na alocada fugida a seu Mundo em busca de refúgio e acobilho.

A Caça Selvagem, um tema que desde o século XVI tem captado de uma ou outra forma a curiosidade dos estudiosos, a atenção dos pintores e o interesse dos poetas é ainda em nossos dias, desde muitos pontos de vista de numerosos autores, objeto de múltiplos e interessantes enfoques do maior interesse para nós por sua aplicação arqueológica. Inscrevemos, como de hipótese de trabalho, nosso primeiro discurso ou promptema no marco das Comuns Instituições Atlânticas, que originadas no Neolítico Indo-europeu, sem deixar de crescer e sem solução de continuidade durante a Idade do Bronze, e a Idade do Ferro, passando através da ‘romanidade’ e da ‘germanização’, se desenvolvem e maduram na Idade Média no que conhecemos como Sistema Feudal ou Senhorial.

La Caza Salvaje, un tema que desde el siglo XVI ha captado de una u otra forma la curiosidad de los estudiosos, la atención de los pintores y el interés de los poetas, es aún en nuestros días, desde muchos puntos de vista de numerosos autores, objeto de múltiples e interesantes enfoques del mayor interés para nosotros por su aplicación arqueológica. Inscribimos, como de hipótesis de trabajo, nuestro primer discurso o promptema en el marco de las comunes instituciones Atlánticas, que originadas en el Neolítico indoeuropeo, sin dejar de crecer y sin solución de continuidad durante la Edad del Bronce, y la Edad del Hierro, pasando a través de la ‘romanidad’ y de la ‘germanización’, se desarrollan y maduran en la Edad Media en lo que conocemos como sistema feudal o señorial.

Porta do Além Oburíz, Lugo. Galiza. Uma rocha levanta-se no meio dum campo arenoso, uma areia não muito grossa e amarela -circunstância que se pode apreciar quando se lhe observa recém arado- e em um lugar central da Galiza, o Concelho de Oburíz. A pedra esta ocupada por um muito velho petróglifo, talvez, senão anterior, Calcolítico, representando, sem dúvida alguma, o arco de uma gruta com súa correspondente galería. Até este lugar conduzia um caminho de peregrinação precristiã, que deixou duas aras, uma delas conservada junto ao fragmento duma estela com representação da tríada celta, no adro da igreja de São Pedro de Oburíz. Estava o velho caminho inçado de cruzeiros, hoje concentrados em um campo imediato à Igreja de São Pedro de Oburíz. Tolkien plasmóou -cf. Gandalf na Porta de Moira magistralmente o horizonte cultural e os problemas de apertura deste tipo de Acesso Vertical-: Em definitiva, uma Porta aberta ao Alén (para quem a pode e a sabe abrir)

Porta do Além. Oburíz. Uma rocha levanta-se no meio dum campo arenoso, uma areia não muito grossa e amarela -circunstância que se pode apreciar quando se lhe observa recém arado-, o outeiro é um ónfalos, “embigo”, sito em um lugar central da Galiza: o Concelho de Oburíz, atípico com  uma peculiar forma alongada. A pedra esta ocupada por um muito velho petróglifo, talvez, senão anterior, Calcolítico, representando, sem dúvida alguma, o arco de uma gruta com sua correspondente galeria. Até este lugar conduzia um caminho de peregrinação pré-cristã, que deixou duas aras, uma delas conservada junto ao fragmento duma estela com representação, seguramente, da tríada celta, no adro da igreja de São Pedro de Oburíz. Estava o velho caminho a o outeiro sinalizado com cruzeiros, hoje concentrados em o campo imediato à Igreja de São Pedro de Oburíz. Tolkien plasmóu -cf. Gandalf na Porta de Moira-, magistralmente o horizonte cultural e os problemas de apertura deste tipo de Acesso Vertical-: Em definitiva, uma Porta aberta ao Além ou Sídhe [para quem a pode e a sabe abrir, como os sobreditos cervos p.e.]

O registro do promptema etnoarqueológico ao que chamaremos Trânsito Vertical, isto é o acesso ao outro mundo cruzando um umbral, uma “porta do Hades” [ou como lhe chamou Tolkien, não por acaso, ‘de Moria’] aberta no solo, sobre uma rocha, baixo um rio, etc., relaciona-se com verdadeiro imobiliário e mobiliário arqueológico, como gravados ou pinturas rupestres do Neolítico, do Calcolítico e do Bronze, sobre diversos suportes, com bronzes, com relevos e baixo relevos, e com objetos diversos que compartilham venatórias cenografias protagonizadas por caçadores, ou pela fugida do sobrenatural venado ferido, se associando esta evidência arqueológica a uma trama de aparente caráter psychopompo, indefectivelmente unida ao motivo mitológico da Caça Selvagem, a Chasse Sauvage ou l’Armée Furieuse, e à entrada das almas através da caça em O Além.

Aplicando a conjuntos sistêmicos evidentes meu método […] similar ao utilizado pela Lingüística Comparada, muito apropriado para o estudo do mito e das instituições, identificaremos, analisaremos e organizaremos em “segmentos coerentes uma matéria, talvez destinada pese a nós a ser renegada ainda por longo tempo [ …]

El registro del promptema etnoarqueológico al que llamaremos Tránsito Vertical, es decir el acceso al otro mundo cruzando un umbral, una “puerta del Hades” abierta en el suelo, sobre una roca, bajo un río, etc., se relaciona con cierto inmobiliario y mobiliario arqueológico, como grabados o pinturas rupestres del Neolítico, del Calcolítico y del Bronce, sobre diversos soportes, con bronces, con relieves y bajo relieves, y con objetos diversos que tiene en común venatorias escenografías protagonizadas por cazadores, o por la huida de un sobrenatural venado herido, asociándose esta evidencia arqueológica a una trama de aparente carácter psychopompo, indefectiblemente ligada al motivo mitológico de la Caza Salvaje, la Chasse Sauvage o l’Armée Furieuse, y a la entrada de las almas a través de la caza en el Más Allá.

Aplicando a conjuntos sistémicos evidentes mi método […] similar al utilizado por la lingüística comparada, muy apropiado para el estudio del mito y de las instituciones, identificaremos, analizaremos y organizaremos en “segmentos coherentes” una materia, acaso destinada pese a nosotros a ser negada aún por largo tiempo [ …]”

Promptema do Tránsito Horizontal ao Além seguindo o ronsel solar

Promptema do Tránsito Horizontal ao Além seguindo o ronsel solar

The wild hunt: Åsgårdsreien (1872) by Peter Nicolai Arbo (Wikipedia)

The wild hunt: Åsgårdsreien (1872), por Peter Nicolai Arbo

O Caminho que segue o curso do sol, o Caminho escrito pela noite no céu, a Via Láctea: um Trânsito Horizontal, do Leste ao Oeste, é um caminho penitencial, O Caminho de Fisterra -como seu apéndice, O Caminho de Santo André de Teixido – é em realidade o caminho empreendido pelas ánimas dos deserdados para atingir o Paraíso [Os auténticos peregrinos -e as ánimas- não se detêm em Santiago de Compostela, cruzando a carvalheira de São Lourenço, em frente a minha casa, prosseguem a Fisterra (Finisterre)]; Mas o transito vertical, Sul =”Sol” – Norte =”O Além”, Paraíso sito baixo terra), é o caminho VIP, o acesso pela exclusiva porta é privilégio dos reis, dos príncipes e dos nobres, da crase dos bellatores,  dos cavaleiros (‘cavaleyros’, em medieval galego-português).

El Camino del curso del Sol, Camino escrito por la noche en el cielo: la Via Láctea: el tránsito horizontal del Este al Oeste, es en realidad un camino penitencial, O Caminho de Fisterra, como el de San Andrés de Teixido. El Camino Mágico de los Celtas, es un Camino emprendido por las almas de los desheredados  en pos de la playa (Aguas Santas, Arenas del Paraiso) y puerto de embarque al Paraíso [Los auténticos peregrinos – y las almas- no se detienen en Santiago de Compostela, cruzando, frente a mi casa, la carballeira de San Lourenzo prosiguen a Finisterre]; Pero el transito vertical, Sur (Sol) – Norte (el Alén, bajo tierra), es el camino VIP, el acceso de los nobles a través de una exclusiva puerta.

 SANTA COMPANHA/SANTA COMPAÑA; MENIÉ HELLEQUIN; WILDES HERR, ETC. 

Adolf Hirémy-Hirschl, Ánimas no río do Acheronte

Ainda que ao falar da Santa Companha (15) Vicente RISCO(16) sustentava que “a procissão de animas pode oferecer certo paralelismo com representações pagãs, mais todo ou que se leva dito dá sua semelhança coa Mesnie Hellequin, e mais com o séquito do Wild Jaeger e outros exércitos de pantasmas non nos chega a convencer” (17). Por nossa parte, sem pretender desautorizar a Dom Vicente RISCO, a sua monumental obra da que somos sinceros admiradores e devedores tentaremos demonstrar, pelo contrario, que a “Sociedade do Osso [siue potius do Oso, ‘do Urso’?]” e a “Santa Companha” da Galiza (18), se relacionando com a gênese da Menié Hellequin, da Wildes Herr, etc. e com os rituais de expulsão do inverno nas confrarias indo-europeias, fazem parte do que denominaremos Trânsito Horizontal. Poremos também o caráter psychopompos, “hermínio” ou “mercurial” deste tema em relação com o que denominamos “segundo passo crepuscular do sol”, quiçá representado pela primeira vez na Europa sobre o ortóstato dum dólmen de Portugal, se reiterando depois em numerosos petróglifos galegos ou hispano atlânticos do Calcolítico e da Idade do Bronze.

Aunque al hablar de la Santa Compaña (15)  Vicente RISCO(16) sostenía que “a procesión de ánimas pode ofrecer certo paralelismo con representacións pagás, mais todo o que se leva dito da súa semellanza coa Mesnié Hellequin, e máis có séquito do Wild Jaeger e outros exércitos de pantasmas non nos chega a convencer” (17). Por nuestra parte, sin pretender desautorizar a Don Vicente RISCO, a su monumental obra de la que somos sinceros admiradores y deudores, intentaremos demostrar, por lo contrarío, que la “Sociedade do Oso [siue potius ‘do Urso’]” y la “Santa Compaña” de Galicia (18), relacionándose con la génesis de la Menié Hellequin, de la Wildes Herr, etc. y con los rituales de expulsión del invierno en las cofradías indoeuropeas, forman parte de lo que denominaremos Tránsito Horizontal. Pondremos también el carácter psychopompos o “mercurial” de este tema en relación con lo que denominamos “segundo paso crepuscular del sol”, quizá representado por primera vez en Europa sobre el ortostato de un dolmen portugués, reiterándose luego en numerosos petroglifos gallegos o hispano atlánticos del Calcolítico y de la Edad del Bronce

Das wutendenheer

Wütendes Heer, Druck Basel 1569

A Caça Selvagem, e sigo a WALTER, a ‘Chasse fantastique‘, Caça Fantástica (19), a Harlequin, a Hannequin, a Herlatingui ou a Menié Hellequin chamou a atenção em 1933 de A. ENDTER (20) quem, relacionando-a com crenças primitivas confeccionou sobre este tema uma teoria animista (21) tendo como antecedente a L. LAITSNER (22), que a fins do século XIX, considerava estas histórias expressão legendaria de revelações e de sonhos. No caminho das crenças populares sobre a alma, vendo na “Mesnada Selvagem” os fenômenos atmosféricos e os sonhos, podem consultar-se sínteses como a de H. PLISCHKE (23). Phillippe WALTER (24) assinala o interesse acordado pela Caça Selvagem desde o ano 1835, data em que aparece a monografia de K. MEISEN(25) recolhendo uma ampla bibliografia antiga e como, cinquenta anos depois, em a Deutsche Mythologie (26)  Jacob GRIMM se fez a sua vez eco da Caça Selvagem, Wütendes Herr ou Wildes Heer lhe dedicando especial atenção e relacionando ao caudillo deste exército com uma forma ou aspecto de Odin ao que o cristianismo teria degradado até um rango fantasmal. Desde então, associando-se pouco a pouco a cada vez mais o tema da Selvagem Caça a uma divindade crepuscular ou psychopompa, foram-se perfilando e contextualizando os rasgos de toda uma ampla série de rituais de expulsão do inverno levados a cabo pelas confrarias de guerreiros indo-europeias, muito singularmente entre os Celtas. Segundo indica-o Phillippe WALTER, este conceito dum Odín psychopompos se estenderia em 1857, com  J. W. WOLF (27) ao deus Donar (Thor), em um ano dantes de que com um alto grau de fiabilidade, coincidindo com  F. LIEBRECHT (28) estabelecesse  W. MANNHARDT (29), em 1858 a relação desta matéria de psychopompos caballeros e Caça Selvagem com as sobreditas confrarias de guerreiros indoeuropeus.

La Caza Salvaje, y sigo  a WALTER, la “Chasse fantastiqueCaza Fantástica (19), la Harlequin, la Hannequin, la Herlatingui o la Menié Hellequin llamó la atención en 1933 de A. ENDTER  (20) quien, relacionándola con creencias primitivas confeccionó una teoría animista (21) teniendo como antecedente  a L. LAITSNER (22), que a fines del siglo XIX, consideraba estas historias expresión legendaria de revelaciones y de sueños. En el camino de las creencias populares sobre el alma, viendo en la “mesnada salvaje” los fenómenos atmosféricos y los sueños, pueden consultarse síntesis como la de  H. PLISCHKE (23). Phillippe WALTER (24) señala el interés despertado por la Caza Salvaje desde el año 1835, fecha en que aparece la monografía de  K. MEISEN (25) recogiendo una amplia bibliografía antigua y como, cincuenta años después, en su en su Deutsche Mythologie (26)  Jacob GRIMM, se hizo a su vez eco de la Caza Salvaje,  Wütendes Herr o Wildes Heer dedicándole especial atención y relacionando al caudillo de este ejército con una forma o aspecto de Odin al que el cristianismo habría degradado hasta un rango fantasmal. Desde entonces, asociándose poco a poco cada vez más el tema de la Salvaje Caza a una divinidad crepuscular o psicopompa, se fueron perfilando y contextualizando los rasgos de toda una amplia serie de rituales de expulsión del invierno llevados a cabo por las cofradías de guerreros indoeuropeas, muy singularmente entre los Celtas. Según lo indica Phillippe WALTER, este concepto de un Odín psychopompos se extendería en 1857, con   J. W. WOLF (27) al dios Donar (Thor), un año antes de que con un alto grado de fiabilidad, coincidiendo con F. LIEBRECHT (28) estableciese  W. MANNHARDT (29), en 1858 la relación de esta materia de psychopompos caballeros y Caza Salvaje con las cofradías de guerreros indoeuropeas.

DEFUNTOS / DIFUNTOS

São Pedro de Castrelo de Minho. Pinturas da absida. Foto de Alicia Paz Súarez-Ferrín

São Pedro de Castrelo de Minho. Pinturas da absida. Foto de Alicia Paz Súarez-Ferrín

No ano 1881 LIPPERT (30), observou que a mesnada da Caça Selvagem estava integrada por defuntos, sentando a relação ou vínculo do argumento com a sobrevivência da alma depois da morte, nos consentindo em 2004 em Treba y Territorium (p 52-98), registrar arqueologicamente pela primeira vez na Europa este tema, no Neolítico Atlântico, em a sobredita cena de caça, pintada em Orca dos Juncaes (31) sobre o ortóstato que serviria de cabeceira no interior de uma câmera dolménica, ainda que desgraçadamente as pinturas tenham desaparecido e só nos fique o detalhado desenho feito por George e Vera LEISNER.

En el año 1881 LIPPERT (30), observó que la mesnada de la Caza Salvaje estaba integrada por difuntos, sentando la relación o vínculo del argumento con la supervivencia del alma tras la muerte, consintiéndonos en 2004 en Treba y Territorium (p 52-98), registrar arqueológicamente por primera vez en Europa este tema, en el Neolítico Atlántico, en una escena de caza pintada en Orca dos Juncaes (31) en el interior de una cámara dolménica sobre el ortostato que serviría de cabecera, aunque desgraciadamente estas pinturas hayan desaparecido y sólo nos quede el detallado dibujo hecho por George y Vera LEISNER.

ARI. ARISTOCRACIA GUERREIRA CELTA

Ritual de expulsão do Inverno [Coca ou Tasasca] pelo corio [de *co

Ritual de expulsão do Inverno [Coca ou Tasasca] pelo corio [de *co “reunião”, *wiros “homens (armados)”] do Castro de Barnoha (fragmento do quadro a Celebração da Beltené ou Primeiro de Maio no Castro de Baronha do artista Carlos Alfonso, asesorado por A. Pena). (c) M. Harris

No século XX, associando-se plenamente o tema psychopompos (32) ao contexto dos ritos nas confrarías de guerreiros,  Otto HÖFLER (33) desenvolverá a ideia de Lily WEISER-AALL assinalando que depois da Caça Selvagem, em estreita comunhão com os defuntos, se encontram as aventuras de uma aristocracia guerreira, detentadora das funções sociais e religiosas, ao passar a iniciação  dos guerreiros por uma fictícia morte (WALTER 1992, p. 15).

En el siglo XX, asociándose plenamente el tema psychopompos (32) al contexto de los ritos en las cofradías de guerreros,  Otto HÖFLER (33) desarrollará la idea de  Lily WEISER-AALL señalando que tras la Caza Salvaje, en estrecha comunión con los difuntos, se encuentran las aventuras de una aristocracia guerrera, detentadora de las funciones sociales y religiosas, al pasar la iniciación de los guerreros por una ficticia muerte (WALTER 1992, p. 15).

Sí an Bhrú, New Grange, Dolmen de Corredor (Foto A. Pena) 2011

Sí an Bhrú, New Grange, Dolmen de Corredor (Foto A. Pena) 2011

O Neolítico Atlântico Europeu é plenamente nosso horizonte e referente cultural, na medida em que o podem ser conceitos ainda artísticos e sociopolíticos internacionais como o Gótico, como o Renascimento ou como o Romantismo. José María BELLO DIÉGUEZ, Fernando Javier COSTA GOBERNA e Antonio da PEÑA SANTOS, cheios de razão, advertiram-me  sobre o perigo que implica o uso do meu método comparativo quando este procede de alheios contextos culturais (34), mas não devem se preocupar pelo que a nós se refere, pois não é esse meu caso,  me mantendo eu sempre na senda do Complexo Cultural Atlântico [E CELTA, MEUS CAROS COLEGAS, CELTA DA EUROPA ATLÂNTICA!!!! E NO BERÇO DOS CELTAS, MAU QUE LHE PESE A ALGUM CELTOFOBOBO], ao que, bem que a cada vez menos, ainda pertencemos.

El Neolítico Atlântico Europeo es plenamente nuestro horizonte y referente cultural, en la medida en que lo pueden ser conceptos aún artísticos y sociopolíticos internacionale, como el Gótico, como el Renascimento o como el Romanticismo. José María BELLO DIÉGUEZ, Fernando Javier COSTA GOBERNA y Antonio de la PEÑA SANTOS, llenos de razón, me advirtieron sobre el peligro que implica el uso de mi método comparativo cuando este procede de ajenos contextos culturales (34), pero no deben preocuparse por lo que a nosotros se refiere, pues no es ese mi caso, manteniéndome yo siempre en la senda del complejo Cultural Atlântico [Y CELTA, MIS CAROS COMPAÑEROS, CELTA!!!! Y EN La CUNA DE Los CELTAS DE La EUROPA ATLÁNTICA, MAL QUE LE PESE A ALGUNO], al que, bien que cada vez menos, aún pertenecemos.

Em 1850 Wilhem SCHWARTZ (35) surpreendeu-se ao constatar o amplo alcance e a universal extensão do tema sobre a Caça Selvagem entre os povos indo-europeus e sete anos depois, Franz Xaver von SCHÖNWERTH (36), relacionando a enorme difusão,  em longitude e latitude, do tema com as invasões Arias, seguindo a pauta interpretativa dos mitólogos lingüistas (37), creu de boa fé – e, segundo parece, só teria equivocado a direção das setas -ao fixar o epicentro na Alemanha, ou em qualquer caso na Europa Central, e não onde o tinha que fixar: na Costa Atlânticas de Ibéria, com seu eixo em Gallaecia-, segundo estabelece hoje a dinâmica e o atual estado dos conhecimentos- contemplar o fóssil diretor da grande migração.

En 1850 Wilhem SCHWARTZ (35) se sorprendió constatando el amplio alcance y la universal extensión del tema sobre la caza salvaje entre los pueblos indoeuropeos y siete años después Franz Xaver von SCHÖNWERTH (36),relacionando la enorme difusión, en longitud y latitud, del tema con las invasiones arias, siguiendo la pauta interpretativa de los mitólogos lingüistas (37), creyó de buena fe – y, según parece sólo habría equivocado la dirección de las flechas, al fijar el punto de partida en Alemania, o en cualquier caso en Europa Central, y no dónde acaso lo tendría que fijar, en las Costas Atlánticas de Iberia – con su epicentro en Gallaecia- ,según establece ahora la dinámica de poblaciones y el estado actual de nuestros conocimientos- contemplar el fósil director de la gran migración.

O enorme ensanchamento -dizia eu em 2004- geográfico dos estudos, e estudiosos do tema, fez que já faz dois séculos muitas autópsias, “visões”, e autores da Caça Selvagem reparassem nas formidáveis possibilidades “arqueológicas” da trama no cenário da Urheimat, e a generalizada vigência do modelo ou dogma invasionista estabelecido [ontem] pela Lingüística e a Mitologia comparadas, [hoje, no presente estado de nossos conhecimentos, pela Genética e clinas da dinâmica de populações]. Cedo Ludwig VENIGER, 201-47 (38), demonstrando a antiguidade do motivo da Caça Selvagem, por sua extensão na geografia da Europa indo-européia, desbordaria com ampla base o terreno do germânico faz quase cem anos. Suas idéias viveram longo tempo alheias a outras varas de medir – e  residualmente vivem alimentando no albor do século XXI, na Galiza o lume invasionista -.

El enorme ensanchamiento -decía yo en 2004- geográfico de los estudios y estudiosos del tema hizo que ya hace dos siglos muchas autopsias, “visiones”, y autores de la Caza Salvaje reparararan en las formidables posibilidades “arqueológicas” de la trama en el escenario de la Urheimat y la generalizada vigencia del modelo o dogma invasionista establecido [ayer] por la Lingüística y la Mitología comparadas, [hoy, en el presente estado de nuestros conocimientos, por la Genética y las clinas de la dinámica de poblaciones]. Pronto Ludwig VENIGER, 201-47 (38), demostrando la antigüedad del motivo de la Caza Salvaje, por su extensión en la geografía de la Europa indoeuropea, desbordaría con muy centrada y amplia base el terreno de lo germánico hace casi cien años. Sus ideas vivieron largo tiempo ajenas a otras varas de medir – y aún residualmente viven en el albor del siglo XXI, alimentando en Galicia la llama invasionista -.

Ladeando outras visões possivelmente não menos felizes, estabeleceremos como sem necessidade dum recurso invasionista, ao menos próximo, a extensão e difusão do tema se poderia explicar perfeitamente de forma acumulativa, e ainda osmótica, como introduzindo gizes em um frasco cheio de tinta, isso sim, sobre prévio um substrato Neolítico comum, com toda segurança já plenamente indo-europeu, ou – quem queiram prefixo escolham o que mais gostem- Proto-Celta ou Pré-Celta]. Ainda que não chegaram a se publicar estas idéias ata o ano 2004, as tinha exposto no ano 1999 com motivo dum congresso internacional sobre os Celtas organizado pela Universidade da Corunha baixo o epígrafe “Trânsito Vertical e Trânsito Horizontal”.

Ladeando otras visiones posiblemente no menos felices, estableceremos cómo sin necesidad de un recurso invasionista, al menos próximo, la extensión y difusión del tema se podría explicar perfectamente de forma acumulativa, y aun osmótica, como introduciendo tizas en un frasco lleno de tinta, eso si sobre un substrato Neolítico común con toda seguridad ya plenamente indoeuropeo, escojan el prefijo que más les guste: proto-, pre- Celta]. Aunque no llegaron a publicarse, estas ideas, bajo el epígrafe “Tránsito Vertical y Tránsito Horizontal”, las habíamos expuesto en el año 1999 con motivo de un congreso internacional sobre los Celtas organizado por la Universidad de La Coruña.

MOUROS, ANÕES, GIGANTES, SELVAGEM CAÇA MOUROS, ENANOS, GIGANTES, SALVAJE CAZA

Lenda de Eiravedra por Eva Merlán Bollaín (c) Eva Merlán. Desencanto dunha [A]Moura convertida em serpe

Lenda de Eiravedra por Eva Merlán Bollaín (c) Eva Merlán. Desencanto dunha [A]Moura convertida em serpe

Provavelmente identifiquei (2004) pela primeira vez na Arqueologia Européia o tema da Caça Selvagem com as cenas representadas nas câmeras dolmênicas Atlânticas de Espanha e de Portugal, veremos reiterar-se o motivo nos petróglifos do mobiliário e imobiliário Atlântico do Bronze Antigo e Médio, e continuar na plástica Atlântica da Idade do ferro -no Caldeiro de Gundestrup achado na Dinamarca mas de contidos e fatura celta, no lusitano carro votivo de Mérida, em multidão de estelas funerarias, sinaladamente galaico romanas, etc. etc.-, e já com contribua factográfica (39) na Literatura Européia Medieval. Convém assinalar como mostra do alcance do poderoso instrumento da Etnografia Comparada, que especializados também em trânsitos horizontais, e estreitamente consubstanciais com esse fantasmal exército, estão nossos Lares Viales, estudados por Fernando ACUÑA CASTROVIEJO em uns papéis dos que somos devidores (40).

Probablemente identificaremos por primera vez en la arqueología Europea el tema de la Caza Salvaje con las escenas representadas en las cámaras dolménicas Atlánticas de España y de Portugal, veremos reiterarse el motivo en los petroglifos del mobiliario e inmobiliario Atlánticos del Bronce Antiguo y Medio, para continuar en la plástica Atlántica de la Edad del hierro, en el caldero de Gundestrup hallado en Dinamarca pero de factura celta, en el carro votivo de Mérida, en multitud de estelas funerarias, señaladamente galaico romanas, etc. etc., y ya con aporte factográfico (39) en la Literatura Europea Medieval. Conviene señalar ahora como muestra del alcance del poderoso instrumento de la etnografía comparada, que especializados también en tránsitos horizontales, y estrechamente consubstanciales con ese fantasmal ejército, están nuestros Lares Viales, estudiados por Fernando ACUÑA CASTROVIEJO en unos papeles de los que somos deudores (40).

MOUROS

Família de Mouros em sua subterrânea residência. Por Eva Merlán Bollaín. Contos e Lendas de Trasancos. Magnífico livro e ilustrações que tive a honra de prologar- (c)Eva Merlán

Família de Mouros em sua subterrânea residência. Por Eva Merlán Bollaín. Contos e Lendas de Trasancos. Magnífico livro e ilustrações que tive a honra de prologar- (c) Eva Merlán

A voz Os Mouros (41), céltica, [[A]Moura poderia significar  “The inhabitant of the under-sea world”. Following Koch:  cf. tartessian *omuŕika*[ [J.16.2] < *u(p)omorikā ‘the under-sea world’, cf. Gaulish Aremorica ‘the land by the sea’, Welsh arfor-dir ‘coast’. [J. T. COCH ActPal = PalHisp 9, 343]], designando a seres míticos similares aos “elfos de Tolkien”, gente imortal, belíssima, de pele clara e cabelos de ouro, seres ‘élficos’ ou feéricos de bom porte, com jóias e roupa de grande valia, não se pode traduzir por “mouros africanos” nem muito menos por “negros” (42). Os Mouros galegos, galeses e bretões, sem relação genética nenhuma com os mouros africanos, muslimes que ocuparam Al Ándalus, “são donos dos tesouros da Galiza”, de fabulosas jóias e pedras preciosas, sendo inclusive de ouro até os jugos de seus bois, as guarnições  de seus arreios e seus aperos de lavrança, um ouro que sacam de vez em quando ao sol, a assolhar, sobretudo as Mouras, talvez para que este metal conserve seu perfeito brilho.

Com sua esbeltez e sua formosura, os mouros são também gente poderosíssima. Entram ou surgem a vontade do Outro Mundo, mas só se deixam entrever por certas pessoas, saem a comprar aos mercados das aldeias ou aparecem nos pórticos de suas segredas entradas ao Outro Mundo [a fonte, a pena ou rocha, a anta, etc]; ainda que disponham baixo terra de seu próprio gando e de cultivos traficam com os camponeses lhes comprando a hiperbólico preço animais e mercadorias a condição de que se mantenha em silêncio este intercâmbio, castigando com crueldade, usualmente com a cegueira, aos delatores.

Possuindo maravilhosos poderes mágicos e descomunal força os feéricos seres deslocam montanhas, dum a outro lado, sem nenhum esforço. Os Mouros transfiguram também a seu desejo a pessoas e animais […].

La voz Os Mouros (41), posiblemente de origen céltico, designando a seres míticos similares a los “elfos de Tolkien”, gente inmortal, bellísima, de piel clara y cabellos de oro, seres élficos o feéricos de buen porte, con joyas y ropa de gran valía, no se puede traducir por “moros” ni mucho menos por “negros” (42). Los mouros gallegos, galeses y bretones, sin relación genética ninguna con los moros africanos que ocuparon Al Andalus, “son dueños de los tesoros de Galicia”, de fabulosas joyas y piedras preciosas, siendo incluso de oro hasta los yugos de sus bueyes, las guarniciones de sus monturas y sus aperos de labranza, un oro que sacan de vez en cuando al sol, a “asollar”, sobre todo las mouras, tal vez para que este metal conserve su perfecto brillo.

Con su esbeltez y su hermosura, los mouros son gente poderosísima. Entran o surgen a voluntad del Otro Mundo, pero sólo se dejan entrever por ciertas personas, salen a comprar a los mercados de las aldeas o aparecen en los pórticos de sus entradas al Otro Mundo aunque dispongan bajo tierra de su propio ganado y de cultivos, trafican con los campesinos comprándoles a hiperbólico precio animales y mercadurías a condición de que se mantenga en silencio este intercambio, castigando con crueldad, usualmente con la ceguera, a los delatores.

Poseyendo maravillosos poderes mágicos y una descomunal fuerza que les permite desplazar montañas de un lado a otro sin ningún esfuerzo, estos seres feéricos transfiguran a su antojo a personas o animales, merced a un especial poder […].

ANÕES E GIGANTES

Fonte da [A]Moura, por Sor Demetria (2004)

Fonte da [A]Moura, por Sor Demétria (2004)

Contrastando com as mais preteridas histórias nas que são protagonistas nossos míticos anões e gigantes, os contos dos Mouros (43) parecem exercer um monopólio na mitologia popular galega. Este fato poderia fazer-nos pensar, pese à abundância de relatos, que os pequenos, deformes, ou multiformes, povoadores do subsolo são menos importantes que os Mouros; que justifica menor distinção a desproporcionada corpulência discorde com a clara beleza dos Mouros, e as gráceis e gentis maneiras, contrapostas aos ásperos modais e inquietante presença física de anões e gigantes. Sobre os gigantes relatam os fístores –nome que recebem nas aldeias os “conta contos” (*fili-s-, possivelmente com sufixo latino -tor)-, longas fábulas nas noites de inverno e são descritos na Galiza em diversas histórias:

En contraste con las más preteridas historias en las que son protagonistas nuestros míticos enanos y gigantes, los cuentos de los mouros (43) parecen ejercer un monopolio en la mitología popular gallega. Este hecho podría hacernos pensar, pese a la abundancia de relatos, que los pequeños y deformes, o multiformes, pobladores del subsuelo gallego son menos importantes que los mouros, pues sin duda justifica una menor distinción la desproporcionada corpulencia de enanos y gigantes discorde con la clara belleza de los mouros, y las gráciles y gentiles maneras de estos seres contrapuestas a los rudos modales e inquietante presencia física de aquéllos. Sobre los gigantes los fístores, nombre que reciben en las aldeas los “cuenta cuentos” (*fili-s–  posiblemente con sufijo latino -tor) relatan largas fábulas en las noches de invierno y son descritos en Galicia en diversas historias:

O MOURO GAITEIRO

Gaiteiro da Pena Molexa. Detalhe por Carlos Alfonzo (ex A. Pena) para Caminhos Milenarios

Gaiteiro da Pena Molexa. Detalhe por Carlos Alfonzo (ex A. Pena) para Caminhos Milenários

Na croa (castro) de Santa Cristina de Lobeira uma mulher que apascentava a suas ovelhas levava um cãozinho com um cascavel, que começou a correr de acima abaixo pela “croa”, se meteu por uma porta e passados três dias foi a sair no rio da Lima, por embaixo de Banhos de Bande. Quando se meteu, a mulher se pôs a olhar pelo buraco, e viu a um gaiteiro (44) e [a] uns gigantes (45) que estavam dançando.

GIGANTES DO FIM DO MUNDO

Os quatro ginetes do Apocalipsis por Alberto Durero ca. 1497

Os quatro ginetes do Apocalipsis por Alberto Durero ca. 1497

RISCO menciona gigantes relacionados com vários relatos do Fim do Mundo:

De Nocelo do Val procede a notícia seguinte: No Fim do Mundo se ouvirá um estrondo aterrador e sairão de embaixo da Terra uns homens montados a cavalo de imensa estatura (exatamente vinte e cinco quartas) os quais calcarão e passaram a faca a toda a gente em batalha campal enquanto dizem: já que dantes estivestes acima de nós agora estareis embaixo […]. No centro da terra existe um mundo bem mais grande e mais formoso que este mundo que habitamos. Nele vivem homens de grande estatura e mulheres cruéis que não querendo dar o peito a seus filhos os atiram a um monte, onde vivem comendo ervas. O Anticristo tem de nascer desta linhagem. Sairá ao mundo pela boca de um vulcão que há na orla do Tejo, e se criará alimentando dos peixes do rio (46).

En la croa (castro) de Santa Cristina de Lobeira una mujer que apacentaba a sus ovejas llevaba un perrito con un cascabel, que empezó a correr de arriba abajo por la “croa”, se metió por una puerta y pasados tres días fue a salir en el río de A Limia, por debajo de Baños de Bande. Cuando se metió, la mujer se puso a mirar por el agujero, y vio a un gaitero (44) y [a] unos gigantes (45) que estaban bailando”.

RISCO menciona gigantes relacionados con varios relatos del Fin del Mundo: “De Nocelo do Val procede la noticia siguiente: En el Fin del Mundo se oirá un estruendo aterrador y saldrán de debajo de la Tierra unos hombres montados a caballo de inmensa estatura (exactamente veinticinco cuartas) los cuales pisarán y acuchillarán a toda la gente en batalla campal mientras dicen: ya que antes estuvisteis por encima de nosotros ahora estaréis debajo […]. En el centro de la tierra existe un mundo mucho más grande y más hermoso que este mundo que habitamos. En él viven hombres de gran estatura y mujeres crueles que no queriendo dar el pecho a sus hijos los echan a un monte, donde viven comiendo hierbas. El Anticristo ha de nacer de este linaje. Saldrá al mundo por la boca de un volcán que hay en la orilla del Tajo, y se criará alimentándose de los peces del río” (46).

RUDOS ANÕES

Caça Selvagem na Porta do Paraíso [Azabacheria] da Catedral de Santiago. Pelo Mestre Estevam. Hoje está na Porta de Praterias, despropriada de seu programa iconográfico original.

Caça Selvagem na Porta do Paraíso [Azabacheria] da Catedral de Santiago. Pelo Mestre Estevam. Hoje está na Porta de Praterias, despropriada de seu programa iconográfico original.

A Caça Selvagem aparece usualmente relacionada com os estranhos seres anões, generosos, hospitalários e humoristas, mas de instável euforia, rudos e feios. Têm estes corpulentos hominhos em nosso mundo indo-europeu fama de trabalhadores, virtude que o povo galego estima em extremo, os enriquecendo de forma exagerada seu trabalho subterrâneo consistente em explodir os auríferos e argênteos filões. Não é raro que ao minar as terras os anões causem moléstias ou problemas aos camponeses do mundo superior agrietando o solo ou provocando o afundamento das casas.

Na Mina da Rodela, em Couso de Avião, há um castro, e ali era onde os anões guardavam o ouro em saquetes e o iam lavar ao rio. Em Canabal, na parte plana do Val de Lemos, há um monte chamado o Cotarro que tem a forma de um montão de centeio. No subsolo deste monte ‘dizem que há uns antigos habitantes anões, cujo trabalho é ir enchendo cubas de prata, porque do outro lado do monte acham que há um filão de dito mineral. Estes anões têm muitos subterrâneos que se estendem a 200 metros à redonda, e quando alguma cabra cai, supõem que é devido a que eles vão cavando por abaixo. Estes anões têm que sair das grutas sem que ninguém lhes veja, e se conta deles a história da rapariga roubada por deambular por onde ela os podia ver (47).

Os animais selvagens que povoam o mundo destes seres míticos sem comparação com os animais deste mundo, ao igual que seus animais domésticos, são também facilmente reconhecíveis pelos seus sobrenaturais portes, belos pelames e esquisitas cores.

La Caza Salvaje aparece usualmente relacionada con los extraños seres enanos, bonachones, hospitalarios y humoristas, pero de inestable euforia, rudos y feos. Tienen estos corpulentos hombrecillos en nuestro mundo indoeuropeo fama de trabajadores, virtud que el pueblo gallego estima en extremo, enriqueciéndolos de forma exagerada su trabajo subterráneo consistente en explotar los auríferos y argénteos filones. No es raro que al minar las tierras los enanos causen molestias o problemas a los campesinos del mundo superior agrietando el suelo o provocando el hundimiento de las casas.

En la Mina de la Rodela, en Couso de Avión, hay un castro, y allí era donde los enanos guardaban el oro en saquetes y lo iban a lavar al río. En Canabal, en la parte llana del Val de Lemos, hay un monte llamado el Cotarro que tiene la forma de un montón de centeno. En el subsuelo de este monte ‘dicen que hay unos antiguos habitantes enanos, cuyo trabajo es ir llenando cubas de plata, porque del otro lado del monte creen que hay un filón de dicho mineral. Estos enanos tienen muchos subterráneos que se extienden a 200 metros a la redonda, y cuando alguna cabra cae, suponen que es debido a que ellos van cavando por abajo. Estos enanos tienen que salir de las cuevas sin que nadie les vea, y se cuenta de ellos la historia de la muchacha robada por deambular por donde ella los podía ver (47).

Los animales salvajes que pueblan el mundo de estos seres míticos sin parangón con los animales de este mundo, al igual que sus animales domésticos, son también fácilmente reconocibles por sus sobrenaturales portes, bellos pelajes y estaños colores.

Pwill caça um sobrenatural cervo

Pwill caça um sobrenatural cervo. In http://www.donaldcorrell.com/mabinogn/pwyll.html

Y MABINOGI

A chamada “Primeira Rama” de Y MABINOGI toma seu nome de Pwyll Pendeuic Dyfed ou Pendfvig Dyfet, “príncipe de Dyfed”, território compreensivo de sete comarcas ao sudoeste do País de Gales. Começa cando Pwyll (soa algo bem como “pug” com gheada galega), príncipe de Dyfed, depois de alçar nos bosques de Glyn Cuch uma presa de caça surgida do Além, o Outro Mundo, peça (48) levantada por Arawn, rei do Annwfn “O Além”, muito viltado e desonrado pelo seu envergonhado comportamento, decide como compensação lhe prestar a este ajuda contra seu rival Hafgan (49).

Imitando Pwyll a forma de Arawn , entra conduzido por este no reino de Annwfn, O Além (50), passando o ano inteiro governando com justiça e vivendo em castidade com a esposa de Arawn, que ignorante da mudança, e sem suspeitar nada, se maravilha da estranha conduta conjugal do que crê seu esposo. Esgotado o prazo, ao cabo de um ano e em um dia, Pwyll, restaurando para Arawn a unidade do reino do Além, ou Sídhe, cumpre sua promessa e derrota em combate singular a Hafgan fazendo-se merecedor por suas façanhas duma alcunha (51): “Pena (Cabeça) de Annwfn”.

Os Mabinogi não se reduzem a um inocente compilatório de contos e lendas populares, são relatos, temas  melusinos, criados para legitimar a imemorial e pacífica possessão da Terra pela linhagem galesa soberana: a aventura de Pwyll é em palavras de Katherine McKENNA “um relato essencialmente construído sobre o mito da Soberania mas com uma mensagem facilmente inteligível e exemplarizante para os governantes galeses do período de sua redação” (52). A gesta de Pwyll é uma história de muita ajuda a essência do promptemada Caça Selvagem, para aceder ao significado e intenção de alguns de nossos petróglifos e Representações Prehistóricas com Cenas de Caça no Noroeste Peninsular.

La llamada  “Primera Rama” de Y MABINOGI toma su nombre de Pwyll Pendfvig Dyfet, “príncipe de Dyfed”, territorio comprensivo de siete comarcas al suroeste del País de Gales. Comienza como Pwyll (suena algo así como “pug” con geada gallega), príncipe de Dyfed, deshonrado por su comportamiento vergonzoso tras alzarle en los bosques de Glyn Cuch una presa de caza surgida del Más Allá (48) levantada por Arawn, rey del Otro Mundo, Annwfn acuerda como compensación prestarle a éste ayuda contra su rival Hafgan (49). Tomando Pwyll la forma de Arawn y conducido por éste, entra en el reino de Annwfn, el Otro Mundo (50) pasando el año entero gobernando justamente y viviendo en castidad con la esposa de Arawn que ignorante del cambio y sin sospechar nada se maravilla de la extraña conducta conyugal del que cree su esposo. Agotado el plazo, al cabo de un año y un día, Pwyll, restaurando para Arawn la unidad del reino del Mas Allá, cumple su promesa y derrota en combate singular a Hafgan haciéndose merecedor por sus hazañas de un sobrenombre (51): “Cabeza de Annwfn”. Los Mabinogi no se reducen a una compilación inocente de cuentos y leyenda populares galeses, son relatos orientados para legitimar como en los temas melusinos un linaje soberano, la aventura de Pwyll es en palabras de Katherine McKENNA “un relato esencialmente construido sobre el mito de la soberanía pero con un mensaje fácilmente inteligible y ejemplarizante para los gobernantes galeses del período de su redacción” (52). La gesta de Pwyll es una historia que nos sirve de mucha ayuda para determinar el promptema que aproximándonos al sentido de las representaciones prehistóricas con escenas de caza en el Noroeste peninsular podría revelarnos acaso el significado e intención de algunos de nuestros petroglifos.

HERLA KING, REI HERLA

Ainda que o primeiro relato da Caça Selvagem na Europa Medieval talvez o seja o encontro de Pwyll e Arawn , e a entrada em Anwm no primeiro ramo da história galesa dos Mabinogui, se consideram possivelmente as mais antigas (53) narrações do tema as histórias de Herla, mencionadas de Orderic Vidal e por Gautier Map. Este último refere-no-la assim:

Um anão depois de assistir aos casamentos do rei Herla convida-lhe depois a seus próprios casamentos dentro de seu reino, uma caverna (54). Cobertos de presentes, Herla e seu séquito despedem-se do anão que lhes entrega um pequeno cão e lhes pede que enquanto não tenha saltado o animal não ponham pé a terra baixo a luz do sol. O cão não salta jamais e Herla prossegue suas rondas aloucadas com seus homens, e com esta tropa fantástica que se chama Herlatingui (De Nuguis Curialium I, 11).

O Rei HERLA, como nosso  Trezenzonio ou  Santo Amaro, com origem antiga, se lhe supondo rei dos Britãos, relato que forma hoje parte dos contos e lendas do país de Gales, foi um conto popular da Idade Média. Restaurados, ou recompostos fragmentariamente em alguns casos, geralmente com extremado rigor, pelos mitólogos comparatistas do século XIX ou do XX, como têm feito entre nós os irmãos CARRÉ ALVARELLOS, os contos populares não têm desaparecido nunca dos Países Celtas, nos referindo às vezes com muito detalhe velhas histórias.

Aunque el primer relato de la Caza Salvaje en la Europa Medieval tal vez lo sea el encuentro de  Pwill y Arawn y la entrada en Anwfn en la primera rama de la historia galesa de Los Mabinogui, se consideran posiblemente las más antiguas (53) narraciones de la Caza Salvaje las historias mencionadas de Orderic Vidal y las de Gautier Map. Este último nos la refiere así:

Un enano tras asistir a las bodas del rey Herla le invita luego a sus propias bodas dentro de su reino, una caverna (54). Cubiertos de regalos, Herla y su séquito se despiden del enano que les entrega un pequeño perro y les pide que mientras no haya saltado el animal no pongan pie a tierra bajo la luz del sol. El perro no salta jamás y Herla prosigue sus rondas alocadas con sus hombres, y con esta tropa fantástica que se llama Herlatingui (De nuguis curialium I, 11)

. El Rey HERLA, como nuestro Trezenzonio o San Amaro, con origen antiguo, suponiéndosele rey de los Britones, relato que forma hoy parte de los cuentos y leyendas del país de Gales, fue un cuento popular de la Edad Media. Restaurados, o recompuestos fragmentariamente en algunos casos, generalmente con extremado rigor, por los mitólogos comparatistas del siglo XIX o del XX, como han hecho entre nosotros los hermanos CARRÉ ALVARELLOS, los cuentos populares no han desaparecido nunca de los países llamados celtas, refiriéndonos a veces con mucho detalle viejas historias.

Promtema do Labirinto e da Caça Selvagem segundo André Pena

Promtema do Labirinto e da Caça Selvagem. As tres imagens numeradas com labirintos, de Tintagel, Valcamónica, e Suécia, são da revista “Muy Interesante”.  O Além está baixo terra e baixo o mar. Os peixes são pois habitantes do Além, do Outro Mundo, do lugar da Mourindade. Assim os pescadores nórdicos constroem hoje efêmeros labirintos com pedrinhas que percorrem logo para sair ao mar sem perigo. O último cavalo em sair do Além leva um labirinto para proteger os cavaleiros no retorno do Outro Mundo, nesta particular versão estrusca do tema da Caça Selvagem por mim identificada [os Etruscos são vizinhos dos Celtas], o labirinto sela a entrada ilhando ambos os dous Mundos. Esta é ao meu modo de ver a função dos labirintos nos petróglifos galegos e atlânticos. ” Um anão trás assistir às vodas do rei Herla convida-o logo às suas próprias vodas dentro do seu reino, uma caverna. Cobertos de agasalhos, Herla e o seu séquito despedem do anão que lhes entrega um pequeno cão e pede-lhes que enquanto não salte o animal não ponham pé a terra baixo a luz do sol. O cão não salta jamais [conserten no pequeno cão sentado na grupa do cavalo no desenvolvimento do motivo decorativo central do copo etrusco, a esquerda] e Herla prossegue os seus turnos aloucados com os seus homens, e com esta tropa fantástica que se chama Herlatingui (De nuguis curialium I, 11)”. 

SOBRENATURAL ENCONTRO NO BOSQUE

Certa tarde, após duras jornadas de cavalgada na espessura do grande bosque milenário de seu reino, Herla, o sábio rei dos Britões, deixou a seus homens e retirou-se a descasar em um claro entre as velhas árvores. Dormitava quando o crepitar de algo que passava entre as árvores lhe acordou. Instintivamente levou sua mão à espada, e foi surpreendido por um aparecimento certamente estranho. No claro se adentrava um grande bode, sobre o que se sentava um hominho não maior que um menino, mas de grande corpulência; tinha seus músculos exageradamente desenvolvidos e uns enormes pés. Seu tosco e velho rosto luzia uma espessa e hirta barba.

Cierta tarde, después de duras jornadas de cabalgada en la espesura del gran bosque milenario de su reino, Herla, el sabio rey de los Britones, dejó a sus hombres y se retiró a descasar en un claro entre los viejos árboles. Dormitaba cuando el crepitar de algo que pasaba entre los árboles le despertó. Instintivamente llevó su mano a la espada, y fue sorprendido por una aparición ciertamente extraña. En el claro se adentraba un gran chivo, sobre el que se sentaba un hombrecillo no más grande que un niño, pero de gran corpulencia; tenía sus músculos exageradamente desarrollados y unos enormes pies. Su tosco y viejo rostro lucía una espesa e hirsuta barba.

[ADDECET EXPLANATIO: uma coisa é a aturdida interpretatio medieval do conto e outra coisa bem diferente, como mostra o promptema, o é no imaginário cavaleiresco Celto Atlântico da Idade do Bronze ou a Idade do Ferro, a grande oportunidade de se fazer de ouro, que pelo seu fortuito encontro com um anão – em realidade com o rei dos anões ao que surpreendeu saindo a passear do Outro Mundo, ao Mundo dos homens- tinha Herla. Não é necessário explicar que como sabe todo mundo os anões são donos de imensas riquezas; alguns sabem também que os anões são bastante avaros, vamos, que o tio do Pato Donald, Uncle Scrooge comparado com os anões esses é um despitorrado. O que cecais ninguém sabe, até ler este promptema, é que o rei Herla olhando no encontro uma oportunidade de ouro, nunca melhor dito, ideou e argalhou um ‘ótimo’ plano para aliviar ao anão de parte dos seus tesouros. Não me cabe dúvida que foi Herla, descansando no claro da floresta, comendo e bebendo, quem convidou ao anão, que aceitou comer e beber -o convite selava um pacto de amizade- sem suspeitar mau engano. Mas o convite estava envenenado, Herla pretendia convidar ao anõe a seu casamento, que se visse obrigado a aceitar. Qualquer Celta, mesmo sem filtro, sabe que inda sendo de natureza poupadora e tacanha, os anões e leprechauns, são pródigos agasalhando os amigos. Herla cometeu um erro de calculo crendo-se mais inteligente que o anão. O anão preparou sua vingança: consentiu em assistir ao casamento de Herla… a condição de que Herla assistisse depois o seu. Não há inimigo pequeno]

MÚTUA OBRIGAÇÃO. MUTUA OBLIGACIÓN

Deteve-se sorrindo ante o rei e disse-lhe: “Tenho ouvido falar de vossa sabedoria e justiça como Rei, eu sou rei de meu próprio reino e gostaria de pactuar um compromisso com vos. Se vos me dais o gosto de convidar a vosso casamento eu por minha parte vos convidarei ao meu”, lhe oferecendo a seguir ao rei um corno de bronze de maravilhosa lavra e lhe convidando a beber. O rei vacilou por um momento considerando a conveniência de aceitar um pacto com O Além, mas aceitou o corno e bebendo apressou até o fundo seu conteúdo, depois do qual o anão se despediu e desapareceu rapidamente.

Se detuvo sonriendo ante el rey y le dijo: “He oído hablar de vuestra sabiduría y justicia como Rey, yo soy rey de mi propio reino y me gustaría pactar un compromiso con vos. Si vos me dais el gusto de invitarme a vuestra boda yo por mi parte os invitaré a la mía”, ofreciéndole a continuación al rey un cuerno de bronce de maravillosa labra e invitándole a beber. El rey vaciló por un momento considerando la conveniencia de aceptar un pacto con el Otro Mundo, pero aceptó el cuerno y bebiendo apuró hasta el fondo su contenido, tras lo cual el enano se despidió y desapareció rápidamente.

PAGAMENTO BILATERAL DA DÍVIDA PAGO BILATERAL DE LA DEUDA

Ao ano seguinte o rei tomou esposa, e no dia de seu casamento quando todos os convidados se achavam dispostos para o banquete no salão real, nas grandes portas de roble ressoou uma chamada de corno depois da que entrou uma hoste de anões portando ricos presentes, copas de ouro, cornos de extraordinária lavra, cadeiras de madeira lavrada com intrincados desenhos, e muitos outros presentes de considerável valor. A festa foi esplendorosa, as viandas e o vinho que o hóspede anão tinha trazido nunca pareciam se esgotar, no ponto de que as reservas do castelo mal se tinham sido tocadas. Ao final da noite os anões marcharam-se e o rei dos anões recordou-lhe a Herla seu pacto e mútua promessa. Ao ano de sua noite de casamento, o rei recebeu uns heraldos de seu amigo do Além, “Otro Mundo”. Reunindo a seus melhores cavaleiros, e grande abundância de nupciais presentes, partiu para o perigoso país no que poucos homens se ousaram aventurar.

Al año siguiente el rey tomó esposa, y el día de su boda cuando todos los invitados se hallaban dispuestos para el banquete en el salón real, en las grandes puertas de roble resonó una llamada tras la que entró una hueste de enanos portando ricos presentes, copas de oro, cuernos de exquisita labra, sillas de madera labrada con intrincados diseños, y muchos otros regalos de considerable valor. La fiesta fue esplendorosa, las viandas y el vino que el huésped enano había traído nunca parecían agotarse, al punto de que las reservas del castillo apenas sí habían sido tocadas. Al final de la noche los enanos se marcharon y el rey de los enanos le recordó a Herla su pacto y mutua promesa. Al año de su noche de boda, el rey recibió unos heraldos de su amigo del Otro mundo. Reuniendo a sus mejores caballeros, y gran abundancia de nupciales presentes, partió para el peligroso país en el que pocos hombres se osaron aventurar.

CAMINHO DO ALÉM E APERTURA DA PORTA

Depois de viajar durante muitos dias por serpenteantes caminhos do denso bosque a procura do longínquo reino, finalmente chegaram a uma sólida e impenetrável parede de pedra. Quando ao pé da grande tapume estavam pensando como resolver essa dificuldade, se escutou um som como de um sino e se abriu um caminho no meio do pétreo muro, por cuja abertura passaram os cavaleiros se achando em uma grande gruta, alumiada por flameantes tochas dispostas nas paredes de arenisca a intervalos. Um passadiço conduzia desde a caverna até o mais profundo da terra. Guiados pela luminosidade das tochas seguiram-no por algum tempo até que lhes pareceu perceber o ruído de risos e o regozijo de uma festa, encontrando ao final do túnel ante uma gigantesca caverna resplandecida por milhares de fachuços (55) que, sem necessidade de combustível algum, pareciam arder como com luz própria. No centro da caverna alçava-se uma formidável mesa de roble, ante a que estavam sentados uma multidão de anões. Quando o rei Herla brindou os presentes de casamento ao rei dos anões começou a festa.

Tras viajar durante muchos días por serpenteantes senderos del denso bosque en pos del lejano reino, finalmente llegaron a un sólido farallón de piedra asperón. Cuando al pie del gran antepecho estaban pensando cómo solventar esa dificultad, se escuchó un sonido como el tañer de una campana y se abrió un camino en medio del farallón, por cuya abertura pasaron los caballeros hallándose en una gran cueva, iluminada por flameantes antorchas dispuestas en las paredes de arenisca a intervalos. Un pasadizo conducía desde la caverna hasta lo más profundo de la tierra. Guiados por la luminosidad de las antorchas lo siguieron por algún tiempo hasta que les pareció percibir el ruido de risas y el regocijo de una fiesta, encontrándose al final del túnel ante una gigantesca caverna resplandecida por millares de hachones (55) que, sin necesidad de combustible alguno, parecían arder como con luz propia. En el centro de la caverna se alzaba una formidable mesa de roble, ante la que estaban sentados una multitud de enanos. Cuando el rey Herla brindó los regalos de boda al rey de los enanos comenzó la fiesta.

RELATIVIDADE TEMPORAL NO ALÉM RELATIVIDAD TEMPORAL EN EL OTRO MUNDO

L'Oinochoe di Tagliatela

A história do rei Herla, ou, melhor dito, o ambiente sugerido pela história, pintada, segundo penso-o, no motivo central do oinochoe, “copo” etrusco de Tagliatella do 600 aC. quando os etruscos eram vizinhos dos celtas. Penso, pois eu também tenho direito a me equivocar, que a ação como numa banda desenhada transcorre em três partes diferenciadas, a esquerda se mostra o cavaleiro; no centro se desenvolve o tema “melusino”, explicitando se com muito detalhe a consumação do matrimonio com a *[A]Moura -Mater, “Deusa Mai”, encarnação da Soberania, que escolhe e legitima ao rei que vai reinar-, a esquerda se representa, segundo o penso, a saída do cavaleiro e seu séquito do Além, o primeiro com o cão no lombo do seu cavalo; o derradeiro em sair porta um labirinto atlântico [o motivo, sem dúvida de berço galego (Mogor) é, como mínimo calcolítico (ca. 3200 a.C.)], seguramente separando o mundo dos vivos da *Amórica, Além ou Outro Mundo. Penso (Pena 2004) que entorpecendo a entrada ou saída em ambas as direções, o labirinto cumpre eficaz função ilhante e protetora, assim os pescadores escandinavos empregam hoje estes labirintos propiciando bom tempo, sucesso na captura e, sobre tudo, proteção dos perigos do mar. A inscrição etrusca “troy” associa, também em muitos lugares e no atlântico, este labirintos á matéria de Troia. Fonte: GIGLIOLI, G. Q. “L’Oinochoe di Tagliatela” Studi Etruschi Vol. III, Tav. 26. Firenze 1929

Fazia já três dias que tinham partido ainda que o tempo lhes parecia ter passado em um instante. Ao final a companhia decidiu-se a marchar carregada de preciosos presentes que lhes deu o rei dos anões, um deles era um pequeno cão (56) vermelho como o sangue. O rei dos anões chamando privadamente ao rei Herla confiou-lhe que nunca mais poderia estar em seu mundo a salvo sobre o chão, e lhe rogando em vão que ficasse com ele, lhe explicou que até que os cãozinhos presenteados saltassem a terra nem sua pessoa nem seus homens poderiam desmontar.

Hacía ya tres días que habían partido aunque el tiempo les parecía haber pasado en un instante. Al final la compañía se decidió a marchar cargada de preciosos regalos que les dio el rey de los enanos, uno de ellos era un perrillo (56) rojo como la sangre. El rey de los enanos llamando privadamente al rey Herla le confió que nunca más podría estar en su mundo a salvo sobre el suelo, y rogándole en vano que se quedara con él, le explicó que hasta que los perrillos regalados saltaran a tierra ni su persona ni sus hombres podrían desmontar.

CATASTRÓFICAS CONSEQÜÊNCIAS  CATASTRÓFICAS CONSECUENCIAS

Chegando à áurea porta do Paraíso, sito no alto da picuda montanha da ilha atlántica, e não podendo entrar por sua condição de vivo, San Amaro, autorizado por São Pedro a o guichar pelo buraco da pechadura, mal o contemplou um momento. No entanto o que ele pensou que mal tinha sido um breve instante resultou ser quase um milênio em realidade. Portada da edicição da Vida de San Amaro por Juan de Junta. Burgos (1552, 3ªed.)

Chegando à áurea porta do Paraíso, sito no alto da picuda montanha da ilha atlántica, e não podendo entrar por sua condição de vivo, San Amaro, autorizado por São Pedro a o guichar pelo buraco da pechadura, mal o contemplou um momento. No entanto o que ele pensou que mal tinha sido um breve instante resultou ser quase um milênio em realidade. Portada da edicição da Vida de San Amaro por Juan de Junta. Burgos (1552, 3ªed.)

 

O rei agradeceu-lhe seu conselho e continuou seu caminho. Quando os ginetes saíram da gruta ao pé da parede de pedra lhes surpreendeu enormemente uma visão pouco familiar. Os campos cultivados tinham substituído aos grandes bosques e em vales onde dantes só tinha tido árvores se alçavam agora pequenas aldeias por todas partes. Ao ver a um idoso que de pé cuidando seu rebanho de ovelhas estava não longe de ali, o rei Herla se dirigindo para ele lhe perguntou se sabia onde estava o reino do rei Herla. Depois de um longo silêncio o idoso contestou-lhe: […]

El rey le agradeció su consejo y continuó su camino. Cuando los jinetes salieron de la cueva al pie del farallón les sorprendió enormemente una visión poco familiar. Los campos cultivados habían reemplazado a los grandes bosques y en valles donde antes sólo había habido árboles se alzaban ahora pequeñas aldeas por todas partes. Al ver a un anciano que de pie cuidando su rebaño de ovejas estaba no lejos de allí, el rey Herla dirigiéndose hacia él le preguntó si sabía dónde estaba el reino del rey Herla. Tras un largo silencio el anciano le contestó: […]

MILENÁRIO DESFASE  

Falando-lhe de forma estranha explicou-lhe que o reino do que falava o conhecia pela lenda ainda que tinha desaparecido fazia 300 anos, dantes de que os Saxões tivessem conquistado as terras. Contou-lhe como as histórias do lugar narravam que um rei tinha desaparecido, e como sua mulher tinha morrido buscando seu amor perdido.

Hablándole de forma extraña le explicó que el reino del que hablaba lo conocía por la leyenda aunque había desaparecido hacía 300 años, antes de que los Sajones hubieran conquistado las tierras. Le contó cómo las historias del lugar narraban que un rey había desaparecido, y cómo su mujer había muerto buscando su amor perdido.

PROTETORA AÇÃO DOS CAVALOS E DOS CÃES PROTECTORA ACCIÓN DE LOS CABALLOS Y DE LOS PERROS

Oinochoe etrusco de Tagliatella

Oinochoe etrusco de Tagliatella com (detalhe) de ilhantes cavalos, ilhante cão e labirinto. 600 a.C.

Enquanto alguns cavaleiros do rei trataram de desmontar, mas ao tocar o solo converteram-se instantaneamente em pó. Então o rei Herla ordenou a seus homens permanecer em suas cadeiras até que os cãozinhos vermelhos como o sangue saltassem ao chão (57). Conta-se que o rei e seus homens ainda cavalgam pelo país até hoje esperando o momento no que os vermelhos cães saltem  e os devolvam a suas terras.

petroglifo de mogor

Sem dúvida a história não é muito diferente no primeiro labirinto arrastrado por um cavalo, o de Mogor, que, fechando a entrada ao Além, seguramente precede ao de Tagliatella em dois mil anos

Entretanto algunos caballeros del rey trataron de desmontar, pero al tocar el suelo se convirtieron instantáneamente en polvo. Entonces el rey Herla ordenó a sus hombres permanecer en sus sillas hasta que los perrillos rojos como la sangre saltaran al suelo (57). Se cuenta que el rey y sus hombres aún cabalgan por el país hasta hoy esperando el momento en el que los rojos perros salten al suelo y los devuelvan a sus tierras.

APLICAÇÃO ARQUEOLÓGICA DO PROMPTEMA APLICACIÓN ARQUEOLÓGICA DEL PROMPTEMA

Celebração do Corio do Magosto o Samhain no Castro de Vilasuso. O Val. Narón (Narão).Desenho de Carlos Alfonzo dirigido por A. Pena para o projeto Caminhos Milenários

Celebração do Corio do Magosto o Samhain no Castro de Vilasuso. O Val. Narón (Narão). Desenho de Carlos Alfonzo (2001) dirigido por A. Pena para o projeto Caminhos Milenários

O relato Gautier Mapp se enquadra em uma matéria que se recolhendo baixo o epígrafe da “Caça Selvagem”, a “Mesnada”, a “Herlatingui” ou a “Menie Hellequin”, com amplas variantes, ocupa na mitografia européia destacado lugar. A análise dos elementos contidos nesta matéria, primordialmente um discurso consistente em relatos ou histórias conservadas na literatura oral e escrita, ou em mascaradas representadas em antigos rituais que em muitos casos ainda vivem, como as celebrações infantis do Samhain ou de Todos os Santos, como os Carnavais, etc., igual que as representações plásticas da Pintura e da Escultura Européia, nos contribuem o rastro, o aroma e as andainas representando o caos e a conseguinte expulsão do inverno do *corio  indo-europeu, das licenciosas bandas de pantalhas e moços mascarados, que teriam originado os carnavais e ainda o teatro de arlequím na Europa, bem como também nossa Santa Companha ou Estadinha e a Sociedade do Urso [psvl. não do Osso, como se pensa]. Aos arqueólogos galegos as impressões destes excessos ou moinantadas interessam-nos sobremaneira: ao ter sido objeto de complexas e muito temporãs representações, em ocasiões pictóricas, nas grutas e nas câmeras dolmênicas, permitem-nos a elaboração do primeiro promptema deste motivo constitutivo do eixo central em nossos petróglifos cinegéticos do Calcolítico e ainda do Neolítico Final, com enorme persistência no tempo e sua aplicação interpretativa ao registro arqueológico.

El relato Gautier Mapp se encuadra en una materia que recogiéndose bajo el epígrafe de la “Caza Salvaje”, la “Mesnada”, la “Herlatingui” o la “Menie Hellequin”, con amplias variantes, ocupa en la mitografía europea destacado lugar. El análisis de los elementos contenidos en esta materia, primordialmente un discurso consistente en relatos o historias conservadas en la literatura oral y escrita, o en mascaradas representadas en antiguos rituales que en muchos casos todavía perviven, como las celebraciones infantiles del Samain o de Todos los Santos, como los Carnavales, etc., igual que las representaciones plásticas de la Pintura y de la Escultura Europea, nos aportan el rastro, el aroma y las andanzas escenificando el caos y la consiguiente expulsión del invierno del *corio indoeuropeo, de las licenciosas bandas de mozos enmascarados, que habrían originado los carnavales y aun el teatro de arlequín en Europa, así como también nuestra Santa Compaña y la Sociedade do Oso [posiblemente del oso, no del hueso]. A los arqueólogos gallegos las huellas de estos excesos o “moinantadas” nos interesan sobremanera: al haber sido objeto de complejas y muy tempranas representaciones, en ocasiones pictóricas, en las cuevas y en las cámaras dolménicas, nos permiten la elaboración del primer promptema de este motivo constitutivo del eje central en nuestros petroglifos cinegéticos del Calcolítico y aun del Neolítico Final, con enorme persistencia temporal y su aplicación interpretativa al registro arqueológico.

Desenvolvida por  HÖFLER (58), a ideia de  WEISER-AALL, do cursus honorum iniciático na hoste de confrades indoeuropeus depois de passar uma dolorosa prova (59), e sua figuração o primeiro de Novembro da morte da terra, é o nodo das histórias da Caça Selvagem, do relato de Gautier Mapp, da “Menié Hellequin”, da “Wildes Herr”, de nossa “Sociedade do Urso [psvl. melhor que “do Osso”]” e da “Santa Companha”, da Herlatingui, ocupando como o viu WALTER (60) evocando o quadro mitográfico indoeuropeu de Jovens aristocratas à beira da lei celebrando em Seu Ano Novo dos Celtas em novembro, a festividade cristã de Todos os Santos e de Defuntos, os calacús, “cabaças”, os magustos, “asado de castanhas”, os afinados desfiles em dezembro de moços cantando pelas portas.

Numerosos autores (61) continuaram esta linha de investigação e no final do século XIX J. LIPPERT (62) centrou o elemento principal do tema: os componentes desta mesnada eram os mortos e a sobrevivência da alma depois da morte. Foi questão de tempo, indica Philipe WALTER (63), que seguindo estes passos W. MANHARDT (1858) (64) e F. LIEBRECH (65) encontrassem-se ante os rituais da expulsão do Inverno e a profundidade do caos espaço-temporário que supõe a morte do Sol, e da Terra desde o primeiro de novembro até a Candelária o 1º de fevereiro, rituais relacionados na Galiza com celebrações como as dos meninos, a “Véspera de Todolos Santos” e no Dia de Defuntos, os magustos, as canções de natal e de reis, e ainda os carnavais com suas mascaradas, peles de animais e seu urso, com ecos entronizatórios.

Desarrollada por HÖFLER (58), la idea de WEISER-AALL, del cursus honorum iniciático en la hueste de cofrades indoeuropeos tras pasar una dolorosa prueba (59), y su escenificación el 1º de Noviembre de la muerte de la tierra, es el nudo de las historias de la Caza Salvaje, del relato Gautier Mapp, de la “Menié Hellequin”, de la “Wildes Herr”, de nuestra “Sociedade do Oso” y de la “Santa Compaña”, de La Herlatingui y de la Menie Hellequin ocupando como lo vio WALTER (60) evocando el escenario mitográfíco indoeuropeo de Jóvenes aristócratas al borde de la ley celebrando su Año Nuevo de los Celtas en noviembre, la festividad cristiana de Todos los Santos y su día después de Difuntos, los calacús, “calabazas”, los magostos, “asado de castañas”, los afinados despliegues en diciembre de mozos cantarines por las puertas.

Numerosos autores (61) continuaron esta línea de investigación y a finales del siglo XIX J. LIPPERT (62) centró el elemento principal del tema: los componentes de esta mesnada eran los muertos y la supervivencia del alma tras la muerte. Fue cuestión de tiempo, indica Philipe WALTER en su estudio del mito de la Caza Salvaje en la Europa Medieval (63), que siguiendo estos pasos W. MANHARDT (1858) (64) y F. LIEBRECH (65) se encontraran ante los rituales de la expulsión del Invierno y el trasfondo del caos espacio-temporal que supone la muerte del sol, y de la tierra desde el primero de noviembre hasta la Candelaria el 1º de febrero, rituales relacionados en Galicia con celebraciones como las de los niños, la “Víspera de Tódolos Santos” y el Día de Difuntos, los magostos, las canciones de navidad y de reyes y aun los carnavales con sus mascaradas, pieles de animales y su oso, con eco entronizatorio.

IGREJA CATÓLICA INTEGRADORA IGLESIA CATÓLICA  INTEGRADORA

Jesús e Esus, carpinteiros.O oficio de carpintero resultou-lhe muito útil ao celta Esus, para cortar os maderos da Árvore da Vida, para confeccionar com eles a cruz, na que, sponte sua, non invitus, foi suspendido (fincado a cruz)

O Bom Jesús e Esus “O Bom”, carpinteiros. O oficio de carpinteiro resultou-lhe muito útil ao celta Esus, para cortar os madeiros da Árvore da Vida , de Hy Brasil, e confeccionar com eles a cruz, na que, sponte sua, non invitus, foi suspendido [fincado a cruz]. A feliz circunstância  ajudou à conversão dos Celtas ao Cristianismo.

Integrando habitualmente no santoral e ainda na liturgia elementos úteis e positivos da espiritualidade anterior, a Igreja Católica soube associar admiravelmente ao presente cristão piedosas funções dos deuses do passado pagão extraindo da  sua mitologia elementos e simbologias úteis. Não é disparatado pensar, como veremos ao longo destes papéis, que um importantíssimo elemento da  Religião Celta como o galo, atributo do Mercurio celto-romano, pudesse conferir a São Pedro pelo escutar cantar três vezes, dantes do amanhecer, impensáveis aspectos psychopompos e a potestade de abrir ou de fechar com umas chaves, como Caronte ou como Epona, as portas do Paraíso.

Integrando habitualmente en el santoral y aún en la liturgia elementos útiles y positivos de la espiritualidad anterior, la Iglesia Católica supo asociar admirablemente al presente cristiano piadosas funciones de los dioses del pasado pagano extrayendo de su mitología elementos y simbologías útiles. No es disparatado pensar, como veremos a lo largo de estos papeles, que un importantísimo elemento de la  Religión Celta como el gallo, atributo del Mercurio celto-romano, pudiera conferir a San Pedro por escucharlo cantar tres veces, antes del amanecer, impensables aspectos psychopompos y la potestad de abrir o de cerrar con unas llaves, como Caronte o como Epona, las puertas del Paraíso.

Um só Deus. Três pessoas diferentes. Infinitos epítetos para referir-se a elas

Um só Deus. Três Pessoas diferentes. Infinitos epítetos para referir-se a Elas. Assim o passado pagão integrou-se no presente cristão

Ainda que imprudente, não é disparatado inferir casuais concomitâncias entre o ritual indoeuropeo –presente no October Equus  ou no Asvamedha -, na descrição entronizatória da Topographia Hibernica de Gerardo de Gales, onde se banhando o monarca no caldo da egua que previamente conheceu  se representa seu místico matrimônio com a Deusa Mãe, comendo na sua carne e no seu sangue, seguido de seus camaradas-  por um lado, e pelo outro o gesto de Cristo convidando a seus discípulos (66) a comer e a beber sua carne e seu sangue, vulnerado e derramado por todos, na instituição Eucarística. Também a coroação de espinhas que, elevando o valor penal da Paixão voluntariamente aceitada e o poder redentor da Crucifixão, proclama como rei ao Dying God, a Cristo e o senta depois na Pedra Fria; ou o Sagrado Coração de Jesus, com a ferida de lança no custado, ilustram o caminho, a quem conheça os lances de Esus e de Odín, duma admirável integração.

Mas são muitas também as ocasiões em que a Igreja se viu forçada a entrar em conflito com determinados aspectos de uma divindade do passado pagão, por problemas insolúveis de encaixe no sistema teológico triunfante, foi o caso dos repugnantes sacrifícios humanos entre os aztecas, rejeitados em nosso dogma católico. Os aspectos pagãos problemáticos, colocando no lado escuro da religião, no lugar que o mau ocupa, se integram no execrável repertorio de seres maléficos e escuros do imaginário popular.

Aunque imprudente, no es disparatado inferir casuales concomitancias entre el ritual indoeuropeo del October Equus, el Asvamedha, la descripción entronizatoria de la Topographia Hibernica bañándose el monarca en el caldo de la yegua que previamente conoció representando su místico desposorio con la Diosa Madre, comiendo su carne y su sangre, seguido de sus camaradas por un lado, y por el otro el gesto de Cristo invitando a sus discípulos (66) a comer y a beber su carne y su sangre, vulnerada y derramada por todos, en la institución Eucarística. También la coronación de espinas que, elevando el valor penal de la Pasión voluntariamente aceptada y el poder redentor de la Crucifixión, proclama como rey al Dying God, a Cristo y lo sienta luego en la Piedra Fría, o el Sagrado Corazón de Jesús, con la herida de lanza en el costado, ilustran el camino, a quien conozca los lances de Esus y de Odín, de una admirable integración.

Pero son muchas también las ocasiones en que la Iglesia se ha visto forzada a entrar en conflicto con determinados aspectos de una divinidad del pasado pagano, por problemas insolubles de encaje en sistema teológico triunfante, fue el caso de los repugnantes sacrificios humanos entre los aztecas, inasumibles en nuestro dogma católico. Los aspectos paganos problemáticos, colocándose en el lado oscuro de la religión, en el lugar que el mal ocupa, se integran en el execrable repertorio de seres maléficos y oscuros del imaginario popular.

Mater Galaica. Rainha e Soberana. Encarnação da Patria, do Pais, da Terra. Por Carlos Alfonzo dirigido por A. Pena para Galaicus. (c) Carlos Alfonzo. Todos os dereitos reservados

Mater Galaica. Virgem, Rainha e Soberana. Encarnação da Treba ou Toudo, da Patria, do Pais, da Terra. Desenho de Carlos Alfonzo dirigido por A. Pena para Galaicus. (C) Carlos Alfonzo. Todos os dereitos reservados

Este tipo de funcional trasvestismo tem na Galiza segundo veremos como paradigma a conversão da Deusa Mãe baixo seu aspecto soberano e eqüestre, cujos ecos se nos conservam nos relatos do triplo Ana Manana (talvez a Iccona Loiminna [psv. nn = nh] / Epona / Rhiannon), ou das três Anas, Aureana, Laureana e Ana, no fantasmal cavalo chamado Dianho Bulreiro do que falaremos em outro lugar, e ainda, conquanto é verdadeiro que em pouquíssimos e pontuais casos (67), nos transmuta as formosas [a]mouras e seus gentis paredros em decrépitas meigas “bruxas” e em horrendos ogros come meninos.

Este tipo de funcional travestismo tiene en Galicia según veremos como paradigma la conversión de la Diosa Madre bajo su aspecto soberano y ecuestre, cuyos ecos se nos conservan en los relatos de la triple Ana Manana (acaso la Iccona Loimmina / Epona / Rhiannon), o de las tres Anas, Aureana, Laureana y Ana, en el fantasmal caballo llamado Diaño Bulreiro del que hablaremos en otro lugar, y aun, si bien es cierto que en poquísimos y puntuales casos (67), nos transmuta las hermosas mouras y sus gentiles paredros en decrépitas meigas “brujas” y en horrendos ogros comeniños.

CELTAS E GERMANOS REINTEGRADOS PELO CRISTIANISMO

Estas ações sucedem em todos os países reintegrados no Cristianismo. Por este caminho, entre os germanos, WALTER assinala como desde 1835, relacionando com Odín o tema de várias lendas do Caçador Maldito e da Mesnié Hellequin conhecida na Alemanha como Hoste furiosa ou Hoste Selvagem, Wütendes Heer ou Wildes Heer, o pai da Mitologia Alemã Jacob GRIMM (68) tinha mostrado este degradativo processo do deus por parte da Igreja. Da alegria de estar entre os guerreiros Herteitr, como Pai do Exército, Herfödr ou Herja födr, Herjamm “Senhor dos Exércitos” e Einherjar “Caudilho dos Guerreiros Únicos”, Odín passou a ser nas lendas tardias que relatam sua viagem ao Para além (69), onde os anões são os mortos e as montanhas o reino das sombras, um triste guia do Cortejo Selvagem ou da Família Herlathingi alemã. Johann Wilhelm WOLF  em 1857 (70) reconheceu na forma espectral que preside a Selvagem Caça traços de Donar ou Thor. Donar, que é o Thor entre os Germanos do Sul, nunca montava a cavalo, senão que quando não conduzia sua carroça cavalgava a zancadas. Seu caráter solar fez que a interpretatio romana o assimilasse a Hércules. E no ano 725 cortou-lhe São Bonifacio o roble que lhe tinham consagrado em Geismar (Hesse), ainda que seu santo nome pervive até nossos dias no Joves Quinta-feira, das línguas germânicas, em alto alemão: Donerestâg, Thunresdaeg e Thursday no triunfante inglês. Conhecemos uma fórmula sajona de abandono do paganismo: “Renuncio a Thunaer, a Wodan e a Saxnot, e a todos os demônios parceiros seus”.

O caráter solar de Donar fez que a interpretatio romana o assimilasse a Hércules. E no ano 725 cortou-lhe São Bonifacio o carbalho que lhe tinham consagrado em Geismar (Hesse),

O caráter solar de Donar fez que a interpretatio romana o assimilasse a Hércules. E no ano 725 [como monstra os gravado de Bernhard Rode de 1781, na Wikipedia] cortou-lhe São Bonifacio o carbalho que lhe tinham consagrado em Geismar (Hesse),

Estas acciones suceden en todos los países reintegrados en el Cristianismo. Por este camino, entre los germanos, WALTER reseña cómo desde 1835, relacionando con Odín el tema de varias leyendas del Cazador Maldito y de la Mesnié Hellequin conocida en Alemania como Mesnada furiosa o Mesnada Salvaje, Wütendes Heer o Wildes Heer, el padre de la Mitología Alemana  Jacob GRIMM (68) había mostrado este degradatorio proceso del dios por parte de la Iglesia. De la alegría de estar entre los guerreros Herteitr como Padre del Ejército Herfödr o Herja födr, Herjamm “Señor de los Ejércitos” y Einherjar “Caudillo de los Guerreros Únicos”, Odín pasó a ser en las leyendas tardías que relatan su viaje al Más Allá (69), donde los enanos son los muertos y las montañas el reino de las sombras, un triste conductor del Cortejo Salvaje o de la Familia Herlathingi alemana. Johann Wilhelm WOLF  en 1857 (70) reconoció en la forma espectral que preside la Salvaje Caza trazos de Donar o Thor. Donar, que es el Thor entre los Germanos del Sur, nunca montaba a caballo, sino que cuando no conducía su carro cabalgaba a zancadas. Su carácter solar hizo que la interpretatio romana lo asimilase a Hércules. Y en el año 725 le cortó San Bonifacio el roble que le tenían consagrado en Geismar (Hesse), aunque su santo nombre pervivió hasta nuestros días en el Jueves de las lenguas germánicas, en alto alemán: Donerestâg, Thunresdaeg y Thursday en el triunfante inglés. Conocemos (VELASCO) una fórmula sajona de abandono del paganismo: “Renuncio a Thunaer, a Wodan y a Saxnot, y a todos los demonios compañeros suyos”.

EXPULSÃO DO INVERNO E TRÂNSITO VERTICAL EXPULSIÓN DEL INVIERNO Y TRÁNSITO VERTICAL

No nosso modelo, ontem de Mútua Celtidade Acumulativa, hoje sobre a base do Comum e Universal Direito Celta, que propomos, as instituições Atlânticas originadas no Neolítico, sem deixar de crescer e sem solução de continuidade durante a Idade do Bronze e a Idade do Ferro, se desenvolvem através da romanidade e da germanização e maduram plenamente durante a Idade Média no que conhecemos como sistema feudal. Quiçá identifique-se arqueologicamente pela primeira vez na Europa, nas cenas representadas nas antas atlânticas de Espanha e de Portugal, o tema da Caça Selvagem, reiterando-se talvez depois também nos petróglifos da arte rupestre atlântica do Bronze Antigo e Médio, para continuar na plástica atlântica da Idade do Ferro, já com contribua factográfica (71), no Caldeiro de Gundestrup, encontrado na Dinamarca mais de fatura celta, no carro votivo de Mérida, etc., bem como em multidão de estelas funerárias hispano-romanas.

O registro do primeiro promptema ou discurso arqueológico, ao que chamaremos Trânsito Vertical, se associa de modo indefectível ao motivo mitológico da Caça Selvagem, “Chasse Sauvage” ou “Armée Furieuse”, que desde o século XVI tem captado duma ou doutra forma a curiosidade dos estudiosos, a atenção dos pintores e o interesse dos poetas, sendo ainda em nossos dias objeto o tema, desde muitos pontos de vista, de diversos enfoques por numerosos autores.

En el modelo [ayer] de Mutua Celticidad Acumulativa, [hoy de Común Derecho e Instituciones en la Europa Celta] que proponemos, las instituciones Atlánticas originadas en el Neolítico, sin dejar de crecer y sin solución de continuidad durante la Edad del Bronce y la Edad del Hierro, se desarrollan a través de la romanidad y la germanización y maduran plenamente durante la Edad Media en lo que conocemos como sistema feudal. Quizá se identifique arqueológicamente por primera vez en Europa, en las escenas representadas en las cámaras dolménicas atlánticas de España y de Portugal, el tema de la Caza Salvaje, reiterándose acaso luego también en los petroglifos del arte rupestre atlántico del Bronce Antiguo y Medio, para continuar en la plástica atlántica de la Edad del Hierro, ya con aporte factográfico (71), en el caldero de Gundestrup, encontrado en Dinamarca pero de factura celta, en el carro votivo de Mérida, etc., así como en multitud de estelas funerarias hispano romanas.

El registro del primer promptema o discurso arqueológico, al que llamaremos Tránsito Vertical, se asocia indefectiblemente al motivo mitológico de la Caza Salvaje, “Chasse Sauvage” o “Armée Furieuse”, que desde el siglo XVI ha captando de una u otra forma la curiosidad de los estudiosos, la atención de los pintores y el interés de los poetas, siendo aún en nuestros días objeto el tema, desde muchos puntos de vista, de diversos enfoques por numerosos autores.

EXEMPLO DE TRÂNSITO VERTICAL: CAÇA SELVAGEM NO PREHISTÓRICO PROTOHISTÓRICO E MEDIEVAL ARTE FUNERARIO E RUPESTRE GALEGO  EJEMPLO DE TRÁNSITO VERTICAL: CAZA SALVAJE EN EL PREHISTÓRICO PROTOHISTÓRICO Y MEDIEVAL ARTE FUNERARIO Y RUPESTRE GALLEGO

Se a premisa da que partimos é certa, recorrendo ao registro simbólico e mitológico do promptema objeto de nossa tese, nos deslocando em sentido inverso ao processo temporário, comparando cenas que, se compondo talvez ou expressando na arte parietal megalítico pela primeira vez, constituem verdadeiros programas iconográficos representativos de tradições e de usos institucionais que pervivem e persistem de modo dilatado no Contexto Cultural Indo-europeu Atlântico, até a Idade Média e ainda até tempos muito recentes, não só poderíamos reformular o modelo da ‘Cumulative Celticity‘ [sustentamos no ano 2004], com sólidas plataformas comparatistas similares às empregadas pela Lingüística senão que também talvez conseguíssemos aceder pela primeira vez ao entendimento do que se deu em chamar o fenômeno Megalítico. Não nos será difícil progredir aqui com relativa segurança e comodidade.

Conquanto José María BELO DIÉGUEZ, Fernando Javier COSTAS GOBERNA e Antonio da PEÑA SANTOS, cheios de razão, nos advertiam do perigo que o uso do método comparativo implica quando este procede de afastados contextos culturais (72), pensamos que mantendo na senda temporária do complexo Cultural Atlântico, ao que, ainda que a cada vez menos, ainda pertencemos, não é este nosso caso.

A inquestionável presença de esquemas narrativos em torno das cenas de caça rupestres não tem permitido o conhecimento dos motivos e das razões que têm movido a representar estas cenas cinegéticas, precisamente pelo isolacionismo metodológico com o que se abordou até agora esta análise (73), se estudando as formas e as cenas privadas do contexto cultural que lhes é próprio, no que encaixam e cobram sentido.

Si la premisa de la que partimos es cierta, recurriendo al registro simbólico y mitológico del promptema objeto de nuestra tesis, desplazándonos en sentido inverso al proceso temporal, comparando escenas que, componiéndose tal vez o expresándose en el arte parietal megalítico por primera vez, constituyen verdaderos programas iconográficos representativos de tradiciones y de usos institucionales que perviven y persisten dilatadamente en el contexto cultural indoeuropeo Atlántico, hasta la Edad Media y aun hasta tiempos muy recientes, no sólo podríamos reformular el modelo “inmovilista” de la ‘Cumulative Celticity‘ con sólidas plataformas comparatistas similares a las empleadas por la lingüística sino que también tal vez lográsemos acceder por primera vez a la comprensión de lo que se ha dado en llamar el fenómeno Megalítico. No nos será difícil progresar aquí con relativa seguridad y comodidad.

Si bien José María BELLO DIÉGUEZ, Fernando Javier COSTAS GOBERNA y Antonio de la PEÑA SANTOS, llenos de razón, nos advierten del peligro que el uso del método comparativo conlleva cuando éste procede de alejados contextos culturales (72), pensamos que manteniéndonos en la senda temporal del complejo Cultural Atlántico, al que, aunque cada vez menos, todavía pertenecemos, no es este nuestro caso.

La incuestionable presencia de esquemas narrativos en torno a las escenas de caza rupestres no ha permitido el conocimiento de los motivos y de las razones que han movido a representar estas escenas cinegéticas, precisamente por el aislacionismo metodológico con el que se ha abordado hasta ahora este análisis (73), estudiándose las formas y las escenas privadas del contexto cultural que les es propio, en el que encajan y cobran sentido.

COLEGAS DE ROCHA

A questão não tem passado despercebida no ano 1993 à mirada de Roberto VÁZQUEZ ROZAS, quem em “O Tema da Caça e o Cilindro Antropomorfo nos Petróglifos Galegos” (74), propõe uma aproximação metodológica muito útil para nosso propósito. O autor começa reflexionando ou denunciando indiretamente a futilidade metodológica como conseqüência de considerar a conjuntos de motivos rupestres em taxidermia tipológica privados de contexto e isolados do promptema, ou programa iconográfico em que se integram, quando é sua relação intrínseca o que se deveria desvelar:

“A cada um dos motivos que hoje conhecemos nos petróglifos pôde possuir originariamente um ou vários significados. Em qualquer caso estas possibilidades são dificilmente discerníveis se atendemos só à forma dos motivos pois estão descontextualizados da sua oralidade e de seus colegas de rocha”.

Teria que revistar os dois corpos das Atas do XX Congresso Nacional de Arqueologia para compreender sem nenhuma dificuldade o alcance do proposto por VÁZQUEZ ROZAS em 1993. Vários papéis fazem-se eco desta escrupulosidade no segundo destes volumes de atas sobre diversos motivos de nossos petróglifos, os agrupando por temas e por periodicidade de aparecimento, isto é os descontextualizando.

Uma proposta tipológica dos desenhos que integram os petróglifos galaicos

Uma proposta tipológica dos desenhos que integram os petróglifos galaicos de Julio Fernández Pintos

Elaborados estes verdadeiros signários ou catálogos de variações formais, que como é acostumado se cingem à tão explícita como mistérica segregação entitária, as combinações circulares, os quadrúpedes, as covinhas, figurações de armas, antropomorfos e outros motivos, dos objetos conhecidos da arte rupestre galego com o procedimento de disecção que questionamos, classificados desde o questionado ponto de vista formal e ilustrados em meritados desenhos e primorosas tabelas como as elaboradas estampas 1, 2, 3 e 4 de Julio FERNÁNDEZ PINTOS (75), tão lucrativa ao menos como o seria confeccionando e comparando entre si tabelas de concordância, de relação de advérbios, de preposições de substantivos, de adjetivos, de verbos, de pronomes etc., o descobrir o significado e a relação de enunciados tais como “mohar a palheta” ou “ela é a menina dos meus olhos”.

Petrógrifos com o motivo atlântico da Caça Selvagem assinalando a Porta do Além sobre a rocha graníticas. Segundo André Pena (2004) os que caçam sobrenaturais cervos são os mortos, a procura da Porta do Além ou Sidhe

PetrógLifos com o motivo atlântico da Caça Selvagem assinalando a Porta do Além sobre a rocha graníticas. Segundo André Pena (2004) os que caçam sobrenaturais cervos são os mortos, a procura da Porta do Além ou Sidhe. [ex desenhos de Monteagudo García, Costas Goberna e Novoa Álvarez]

Porque os elementos de um discurso ou promptema só cobrariam sentido de se considerar em um conjunto relacional, molecular, indivisível sem perder sua coesão interna, como um tudo. Eliminar o esquema compositivo é privar a ditos elementos do contexto que lhes dá sentido, podendo ser falácia metodológica o mero fato de agrupar em tabelas com base a preestabelecidos critérios de prelações, de estilísticas exclusões, de frequências de uso… ou outros solipsismos e primores, artificialmente prescritos pelo pesquisador, segundo rigorosa ordem de aparecimento sobre isolados e atomizados motivos.

Isolar e descontextualizar os coerentes, agregados e vinculados elementos de um conjunto não ajuda nada aos compreender, nem muito menos permite nem por assomo coligir, pensamos, a intencionalidade prática suposta por alguns autores:

“Não são pois razões religiosas, senão econômicas, as que definem as localizações. Efetivamente sopesando as limitações e tendências geográficas e topográficas chega-se à conclusão de que os petróglifos em general se localizam em lugares de pasto, onde a agricultura está excluída. Desta acusada coincidência deduze-se que foram confeccionados por pastores, sem dúvida, nos lugares de pastoris habituais, e inclusive provavelmente durante as tarefas de pasto, e cujo significado profundo, em general, deve ter que ver com a fertilidade dos pastos, como se vê a seguir”.

La cuestión no ha pasado desapercibida en el año 1993 a la mirada de Roberto VÁZQUEZ ROZAS, quien en “El Tema de la Caza y el Cilindro Antropomorfo en los Petroglifos Gallegos” (74), plantea una aproximación metodológica muy útil para nuestro propósito. El autor comienza reflexionando o denunciando indirectamente la futilidad metodológica como consecuencia de considerar a conjuntos de motivos rupestres en taxidermia tipológica privados de contexto y aislados del promptema o programa iconográfico en que se integran cuando es su relación intrínseca lo que se debería desvelar: “Cada uno de los motivos que hoy conocemos en los petroglifos pudo poseer originariamente uno o varios significados. En cualquier caso estas posibilidades son difícilmente discernibles si atendemos sólo a la forma de los motivos pues están descontextualizados de su oralidad y de sus compañeros de roca”.

Habría que revistar los dos cuerpos de las Actas del XX Congreso Nacional de Arqueología para comprender sin ninguna dificultad el alcance de lo propuesto por VÁZQUEZ ROZAS en 1993. Varios papeles se hacen eco de esta escrupulosidad en el segundo de estos volúmenes de actas sobre diversos motivos de nuestros petroglifos, agrupando por temas y por periodicidad de aparición, es decir descontextualizando. Elaborados estos verdaderos signarios o catálogos de variaciones formales, que como es acostumbrado se ciñen a la tan explícita como mistérica segregación entitaria, las combinaciones circulares, los cuadrúpedos, las coviñas, figuraciones de armas, antropomorfos y otros motivos, de los objetos conocidos del arte rupestre gallego con el procedimiento de disección que cuestionamos, clasificados desde el cuestionado punto de vista formal e ilustrados en meritados dibujos y primorosas tablas como las elaboradas estampas 1, 2, 3 y 4 de Julio FERNÁNDEZ PINTOS (75), tan lucrativa al menos como lo sería confeccionando y comparando entre sí tablas de concordancia, de relación de adverbios, de preposiciones de substantivos, de adjetivos, de verbos, de pronombres etc., el descubrir el significado y la relación de enunciados tales como “no lleves el buga si pescas una merluza” o “los pajaritos cantan, las nubes se levantan que sí, que no”. Porque los elementos de un discurso o promptema sólo cobrarían sentido considerados en un conjunto relacional, molecular, indivisible sin perder su cohesión interna, como un todo. Eliminar el esquema compositivo es privar a dichos elementos del contexto que les da sentido, pudiendo ser falacia metodológica el mero hecho de agrupar en tablas con base a preestablecidos criterios de prelaciones, de estilísticas exclusiones, de frecuencias de uso… u otros solipsismos y primores, artificialmente prescritos por el investigador, según riguroso orden de aparición sobre aislados y atomizados motivos. Aislar y descontextualizar los coherentes, agregados y vinculados elementos de un conjunto no ayuda nada a comprenderlos, ni mucho menos permite ni por asomo colegir, pensamos, la intencionalidad práctica supuesta por algunos autores:

“No son pues razones religiosas, sino económicas, las que definen los emplazamientos. En efecto sopesando las limitaciones y tendencias geográficas y topográficas se llega a la conclusión de que los petroglifos en general se localizan en lugares de pasto, donde la agricultura está excluida. De esta acusada coincidencia se deduce que fueron confeccionados por pastores, sin duda, en los lugares de pastoreo habitual, e incluso probablemente durante las tareas de pasto, y cuyo significado profundo, en general, debe tener que ver con la fertilidad de los pastos, como se ve a continuación”.

Assim vê FERNÁNDES PINTOS, se fazendo eco de uma opinião muito geral, a prática intencionalidade plástica dos pastores e dos rupestres inscultores, não sem ter também um apartado para os agricultores:

“No entanto, para alguns ciclos artísticos pôde-se comprovar que a economia agrícola era importante para estes artistas, como o demonstra a existência de estilos muito locais que parecem se derivar de uma escassa mobilidade territorial” (76).

Por sua vez no XXII Congreso Nacional de Arqueologia, advertindo que “tanto as figuras de seres humanos como os desenhos antropomorfos são temas relativamente minoritários dentro da arte rupestre galaico” [1993: 126], Fernando J. COSTA GOBERNA, Antonio da PEÑA SANTOS, e José Manuel REI GARCÍA, estudando as imagens e as cenas na que figura plasmada a figura humana, dão já outro enfoque considerando essencialmente agora o valor das cenas sublinhando que:

“desde o ponto de vista meramente iconográfico, as representações humanas conhecidas aparecem em duas atitudes diferentes: caçando pé a terra ou cavalgando (Fig. 1)”.

Vinculando acertadamente a atividade venatória às elites ou aos cavaleiros:

“De se efetuar uma leitura inicial das imagens e cenas que nos proporciona a ‘temática aberta’ poderemos apreciar, ao igual que têm feito outros autores (VÁZQUEZ VARELA, 1990; 1991: 15-22), uma evidente seleção nas representações. A documentação de cenas de monta, caça e equitação, bem como a ausência de cenas que reflitam um caráter provavelmente quotidiano, parecem vincular a figura humana com atividades consideradas de prestígio social. O mesmo pode deduzir das figuras de armas metálicas de status representadas” (77).

HERÓICO ÉTHOS CAVALEIRESCO

Para VÁZQUEZ VARELA:

[…] estas representações respondem a uma sociedade na que se manifesta uma tendência para a individualização dos membros das comunidades, à hierarquização  dos mesmos e a um maior incremento da belicosidade” (VÁZQUEZ VARELA 1993) [ib. 126]

Vêem claramente estes autores, ainda sem o compreender, que as representações da arte rupestre refletem já um determinado horizonte social, enquadrando este fenômeno em um discurso de invasão, depois da chegada de um povo indo-europeu. Ditas cenas refletiriam em verdadeiro grau a chegada a cavalo a Galiza e sobre o um suposto povo indo-europeu, de modos cavalheirescos, de tumba individual, de bebida de cerveja em copo ‘campaniforme’. Do éthos guerreiro e heroico como contraponto ao anterior horizonte Neolítico, ao que pelo contrário supõem igualitário. Contrapõem assim à ideia de um Calcolítico, iniciador duma formidável mudança social que se continua em um Bronze inicial certamente cavalheiresco os conhecidos tópicos atribuídos à idílica sociedade anterior Neolítica que ainda que indubitavelmente em sentido literal não teria sido cavalheiresca por desconhecer, possivelmente, a doma cavalo, não por isso tinha que ser igualitária:

[…] uma sociedade na que se praticava o sistema agrícola de devasta e queima da vegetação […] (BELLO, CRIADO e VÁZQUEZ, 1987: 148) […] sociedade igualitária na que não existe estratificação social nem tensões bélicas” (BELLO, CRIADO e VÁZQUEZ, 1987: 152).

Así ve FERNÁNDES PINTOS, haciéndose eco de una opinión muy general, la práctica intencionalidad plástica de los pastores y de los rupestres inscultores, no sin tener también un rinconcito para los agricultores: “Sin embargo, para algunos ciclos artísticos se ha podido comprobar que la economía agrícola era importante para estos artistas, como lo demuestra la existencia de estilos muy locales que parecen derivarse de una escasa movilidad territorial” (76). Por su parte en el XXII Congreso Nacional de Arqueología, advirtiendo que “tanto las figuras de seres humanos como los diseños antropomorfos son temas relativamente minoritarios dentro del arte rupestre galaico” [1993: 126], Fernando J. COSTAS GOBERNA, Antonio de la PEÑA SANTOS, y José Manuel REY GARCÍA, estudiando las imágenes y las escenas en la que figura plasmada la figura humana, dan ya otro enfoque considerando esencialmente ahora el valor de las escenas subrayando que: “desde el punto de vista meramente iconográfico, las representaciones humanas conocidas aparecen en dos actitudes diferentes: cazando pie a tierra o cabalgando (Fig. 1)”. Vinculando acertadamente la actividad venatoria a las élites o a los caballeros: “si se efectúa una lectura inicial de las imágenes y escenas que nos proporciona la ‘temática abierta’ podremos apreciar, al igual que han hecho otros autores (VÁZQUEZ VARELA, 1990; 1991: 15-22), una evidente selección en las representaciones. La documentación de escenas de monta, caza y equitación, así como la ausencia de escenas que reflejen un carácter presumiblemente cotidiano, parecen vincular la figura humana con actividades consideradas de prestigio social. Lo mismo puede deducirse de las figuras de armas metálicas de status representadas” (77). Siguiendo a VÁZQUEZ VARELA: “[…]estas representaciones responden a una sociedad en la que se manifiesta una tendencia hacia la individualización de los miembros de las comunidades, a la jerarquización de los mismos y a un mayor incremento de la belicosidad” (VÁZQUEZ VARELA 1993) [ib. 126], ven claramente estos autores, aún sin comprenderlo, que las representaciones del arte rupestre reflejan ya un determinado horizonte social, encuadrando este fenómeno en una discurso invasionista, tras la llegada de un pueblo indoeuropeo. Dichas escenas reflejarían en cierto grado la llegada a caballo a Galicia y sobre el un supuesto pueblo indoeuropeo, de modos caballerescos, de tumba individual, de bebida de cerveza en vaso campaniforme. Del éthos guerrero y heroico como contrapunto al anterior horizonte Neolítico, al que por el contrario suponen igualitario. Contraponen así a la idea de un Calcolítico, iniciador de un formidable cambio social que se continúa en un Bronce inicial ciertamente caballeresco los consabidos tópicos atribuidos a la idílica sociedad anterior Neolítica que aunque indudablemente en sentido literal no habría podido ser caballeresca por desconocer, posiblemente, la doma caballo, no por ello tenía que ser igualitaria: “[…] una sociedad en la que se practicaba el sistema agrícola de tala y quema de la vegetación […] (BELLO, CRIADO y VÁZQUEZ, 1987: 148) […] sociedad igualitaria en la que no existe estratificación social ni tensiones bélicas” (BELLO, CRIADO y VÁZQUEZ, 1987: 152)”.

MELHOR OLHAR PARA OUTRO LADO

Mas ainda que, como temos dito, carecendo da tecnologia ou dos conhecimentos que permitem domar e montar ao cavalo dificilmente os neolíticos poderiam fazer parte de uma sociedade cavalheiresca, não devemos nos deixar enganar pelos em massa enterros e pela pobreza dos enxovais dos dólmens, sobretudo por que agora sabemos que quiçá longe responder a um horizonte igualitário privado de estratigrafia social e de tensões bélicas, desaparecido nas ‘sobrenaturais prospectes mineiras’ dos buscadores de tesouros o “ouro dos mouros”, só teriam ficado, desprezadas pelos buscadores de encantos ocupados noutros assuntos, algumas “pedras do raio”, machados de pedra e algumas pontas de setas em sílex. Lixo –talvez em seu momento intencionadamente incrustado na decorrência dos funerais, coisa que nunca na Galiza poderão testemunhar os desaparecidos ossos dos enterrados Neolíticos–, obedecendo a uma tremenda prática de ‘sutti’ coletivo, de ‘forçados holocaustos de vítimas em massa’ a cada vez melhor conhecidos e documentados, nos que verdadeiros regimentos humanos aparecem organizados, com os crânios destroçados e ainda com pontas de sílex incrustadas em seus ossos. O enterro conjunto das vítimas dum ataque, poderia ter melhores e mais fundamentadas leituras derivadas da etnografia funerária comparada. Este horizonte é, de atender ao comum sentido, sem dúvida antecedente clarificador da naturalidade com a que nos funerais do bronze e do ferro se prodigam os grandes sacrifícios rituais indo-europeus humanos, dificilmente inteligíveis deum ex machina sem o recurso a um comum precedente cultural, sive potius cultual, possivelmente Neolítico. Acaso sem encontrar ecos distantes no espaço, no tempo e na cultura, nas imolações que nos ilustrou Sir Leonard WOLLEY das tumbas reais de Ur, da rainha  Puabi, etc , e seus grandes fossos da morte no dinástico temporão (2600-2400 a. C.) começamos a o intuir na extremada violência que mostram os recentes achados em dólmens hispanos como o hipogeo de Longar, Viana, Navarra.

Se em tempos de uma brilhante civilização, levou-se o enterro de Patroclo, e ainda seu epígono Viriato, tanta gente por diante […], mil ou duas mil anos atrás Quanta gente não demandaria esses enterros?

A concordância ritual questionando ou assaltando a idéia da inexistência de tensões bélicas neolíticas, demanda a existência duma velha e comum prática ritual indo-européia, explicando os recentes achados arqueológicos, em horizontes Neolíticos a a cada vez menos supostos e mais previsíveis em massa holocaustos à morte do rei.

Pero aunque, como hemos dicho, careciendo de la tecnología o de los conocimientos que permiten domar y montar al caballo difícilmente podrían los neolíticos haber formado parte de una sociedad caballeresca, no debemos dejarnos engañar por los masivos entierros y por la pobreza de los ajuares de los dólmenes, sobre todo por que ahora sabemos que quizá lejos responder a un horizonte igualitario privado de estratigrafía social y de tensiones bélicas, desaparecido en las ‘sobrenaturales prospecciones mineras’ de los buscadores de tesoros el “ouro dos mouros”, solo habrían quedado, despreciadas por los buscadores de encantos ocupados en otros menesteres, algunas “piedras del rayo” hachas de piedra y algunas puntas de flechas en silex. Desechos– tal vez en su momento intencionadamente incrustados en el transcurso de los funerales, cosa que nunca en Galicia podrán atestiguar los desaparecidos huesos de los enterrados Neolíticos –, obedeciendo a una tremenda práctica de ‘sutti’ colectivo, de ‘forzados holocaustos de víctimas masivas’ cada vez mejor conocidos y documentados, en los que verdaderos regimientos humanos aparecen organizados con los cráneos destrozados y todavía con puntas de silex incrustadas en sus huesos. El enterramiento conjunto de las víctimas de un ataque, podría tener mejores y más fundamentadas lecturas derivadas de la etnografía funeraria comparada. Este horizonte es, de atender al común sentido, sin duda antecedente aclaratorio de la naturalidad con la que en los funerales del bronce y del hierro se prodigan los grandes sacrificios rituales indoeuropeos humanos, difícilmente inteligibles deum ex machina sin el recurso a un común precedente cultural, sive potius cultual, posiblemente Neolítico. Quizás sin encontrar ecos distantes en el espacio, en el tiempo y en la cultura, en las inmolaciones que nos ilustró Sir Leonard  WOLLEY de las tumbas reales de Ur, de Puabi, y sus grandes fosos de la muerte en el dinástico temprano (2600-2400 a. C.), empezamos a intuirlo en la extremada violencia que muestran los recientes hallazgos en dólmenes hispanos como el hipogeo de  Longar, Viana, Navarra. Si en tiempos de una brillante civilización, se llevó el entierro de Patroclo, y aún su epígono Viriato, tanta gente por delante […] mil o dos mil años atrás ¿cuánta gente no demandaría esos sepelios? La concordancia ritual cuestionando o asaltando la idea de la inexistencia de tensiones bélicas neolíticas, demanda la existencia de una vieja y común práctica ritual indoeuropea, explicando los recientes hallazgos arqueológicos, en horizontes Neolíticos los cada vez menos supuestos y más predecibles masivos holocaustos a la muerte del rey.

Sobre os gravados rupestres, referindo-se ao que denominam o Caso Megalítico, Fernando J. COSTA GOBERNA, Antonio da PEÑA SANTOS e José Manuel REI GARCÍA sustentam o seguinte:

As relações entre as manifestações de pintura e escultura no interior dos monumentos megalíticos e os gravados rupestres ao ar livre não foram consideradas desde sempre da mesma forma. Depois de um começo de século no que todas elas se incluíam no mesmo totum revolutum, legado de uma “Galiza Celta” mais inventada que real, os estudiosos optaram pelas contemplar a metade de século como fenômenos autônomos, diferentes em seus motivos, seus significados, suas funções e suas cronologias. As últimas revisões obrigam a enfatizar este assunto, pondo de manifesto sua coexistência cronológica parcial, bem como sua possível coincidência em determinados temas comuns […]. Quanto às representações figurativas, resulta impactante o paralelismo entre as composições de cenas de caça do cervo, pintada no megálito beirense de Orca dois Juncães, e gravada ao ar livre no petróglifo pontevedrés de Laxe das Ferraduras (78).

BERÇO NEOLÍTICO ATLÂNTICO

Ainda que é evidente, penso eu, que estes gravados aos que aludem Fernando J. COSTA GOBERNA, Antonio da PEÑA SANTOS e José Manuel REI GARCÍA são anteriores à Idade do Ferro e, portanto precederam aos Celtas, não o é menos que em um modelo continuísta, sendo os Celtas do Atlântico os herdeiros da facies anterior, adquiriram, conservaram e enriqueceram estes motivos e crenças em torno do ‘Trânsito vertical’ para o Outro Mundo mediante uma caçaria ou Caça Selvagem e os transmitiram à Europa Medieval.

Outeiro de Cogoludo com representação de Caça Selvagem, segundo A. Pena

Outeiro de Cogoludo com representação de Caça Selvagem, segundo A. Pena

Na mesma linha que os autores acima mencionados, assinalam Rodrigo BALBÍN BERHMANN e Primitivo BUENO RAMÍREZ como “os autores recolhem formas semelhantes nos petróglifos destacando o exemplo de Outeiro do Cogoludo em uma cena de caça de cérvidos presidida por uma placa antropomorfa.” VAZQUEZ ROZAS (1995) relaciona esta com a caça de Fentáns presidida pelos betilos e com a caça representada no dólmen de Orca dois Juncães. É interessante consertar na semelhança destas formas com algumas das pintadas nos abrigos do Norte de Portugal, especialmente com as de Serra de Passos, 3. “Estes motivos são datados no Neolítico Final, a partir da estratigrafia, e as datas C14 de Buraco da Pala“(79) (SANCHES, 1993: 62)”.

Minha aplicação do método comparatista etnográfico à Arqueologia, estabeleceu a origem Neolítica e Atlântica do tema da Caça Selvagem através da análise do muito provável  programa argumental em claro contexto funerario no ortostato de Orca dos Juncães.

Essa mesma interconexão entre figuras sobre diferentes suportes é a que propõem os betilos ou estelas de Fentans (PEÑA SANTOS, VÁZQUEZ VARELA 1979: 54), cuja iconografia encontra-se muito próxima à dos menhires recentemente descobertos em Portugal (Portela dos Mogos, GOMES, 1997b), ou às figuras esteliformes de Campo Lameiro (ANATI, 1968) que sugerem a mesma relação gráfica. É interessante a observação de que os “ídolos” de Fentáns estão associados a uma cena de caça de cervos protagonizada por antropomorfos esquemáticos do mais clássico.

Sobre los grabados rupestres, refiriéndose a lo que denominan el Caso Megalítico, Fernando J. COSTAS GOBERNA, Antonio de la PEÑA SANTOS y José Manuel REY GARCÍA sostienen lo siguiente:

Las relaciones entre las manifestaciones de pintura y escultura en el interior de los monumentos megalíticos y los grabados rupestres al aire libre no fueron consideradas desde siempre de la misma forma. Tras un comienzo de siglo en el que todas ellas se incluían en el mismo totum revolutum, legado de una “Galicia Celta” más inventada que real, los estudiosos optaron por contemplarlas a mitad de siglo como fenómenos autónomos, diferentes en sus motivos, sus significados, sus funciones y sus cronologías. Las últimas revisiones obligan a matizar este asunto, poniendo de manifiesto su coexistencia cronológica parcial, así como su posible coincidencia en determinados temas comunes […]. En cuanto a las representaciones figurativas, resulta impactante el paralelismo entre las composiciones de escenas de caza del ciervo, pintada en el megalito beirense de Orca dos Juncães, y grabada al aire libre en el petroglifo pontevedrés de Laxe das Ferraduras (78).

Aunque es evidente, pienso yo saliendo a la palestra, que estos grabados a los que aluden Fernando J. COSTAS GOBERNA, Antonio de la PEÑA SANTOS y José Manuel REY GARCÍA son anteriores a la Edad del Hierro y por lo tanto precedieron a los Celtas, no lo es menos que en un modelo continuista, siendo los Celtas del Atlántico los herederos de la facies anterior, adquirieron, conservaron y enriquecieron estos motivos y creencias en torno al ‘Tránsito Vertical’ hacia el Otro Mundo mediante una cacería o Caza Salvaje y los transmitieron a la Europa Medieval. En la misma línea que los autores arriba reseñados, señalan Rodrigo BALBÍN BERHMANN y Primitivo BUENO RAMÍREZ cómo “los autores recogen formas semejantes en los petroglifos destacando el ejemplo de Outeiro de Cogoludo en una escena de caza de cérvidos presidida por una placa antropomorfa.” VAZQUEZ ROZAS (1995) relaciona ésta con la caza de Fentans presidida por los betilos y con la caza representada en el dolmen de Orca dos Juncaes. Es interesante reparar en la semejanza de estas formas con algunas de las pintadas en los abrigos del Norte de Portugal, especialmente con las de Serra de Passos, 3. Estos motivos son datados en el Neolítico Final, a partir de la estratigrafía y las fechas C14 de Buraco da Pala” (79) (SANCHES, 1993: 62)”.

Nuestra aplicación del método comparatista etnográfico a la Arqueología, estableció el origen Neolítico del tema a través del análisis de la, muy probable, presencia de este programa argumental en claro contexto funerario en el ortostato de Orca dos Xuncais. Esa misma interconexión entre figuras sobre distintos soportes es la que plantean los betilos o estelas de Fentans (PEÑA SANTOS, VÁZQUEZ VARELA 1979: 54), cuya iconografía se encuentra muy próxima a la de los menhires recientemente descubiertos en Portugal (Portela dos Mogos, GOMES, 1997b), o a las figuras esteliformes de Campo Lameiro (ANATI, 1968) que sugieren la misma relación gráfica. Es interesante la observación de que los “ídolos” de Fentans están asociados a una escena de caza de ciervos protagonizada por antropomorfos esquemáticos de lo más clásico.

Formas menos naturalistas, como os ramiformes inscritos em retângulos, estão presentes em muitas decorações dolménicas: Toniñuelo (BUENO RAMÍREZ, de BALBÍN BEHRMANN, 1997c), Alcántara (BUENO RAMÍREZ et alii, 1998 e e. p.), Los Gabrieles (BUENO RAMÍREZ, de BALBÍN BEHRMANN, 1992) ou Alagoas (SILVA, 1997), por pôr alguns exemplos. Como já recolhe GÓMEZ BARRERA (1992: 286) comparando com as formas pintadas esquemáticas, sua presença em conjuntos gravados da zona centro é importante.

Destaquemos seu papel na Galeria do Sílex, associados a enterros calcolíticos e do Bronze. Na Galiza são poucos, mas estão presentes em Lombo da Costa (PEÑA SANTOS, VÁZQUEZ VARELA, 1979:101), associados a círculos concêntricos, um deles com raios, clara transposição de temas solares. A isso temos de unir sua recente documentação em um ortóstato da câmera de Chaira do Médio, em Agolada (FÁBREGAS VAlCARCEl, PENEDO ROMERO, 1995).

Para o sábio professor Arqueolingüista Dom Luis MONTEAGUDO GARCÍA

O culto ou veneração do Sol parece estar provado, entre outros pelos seguintes depoimentos que por aparecer inconexos não são claramente concluintes por separado senão em conjunto:

1. Soliforme, consistente em um cirquinho com 7 rádios de tosca fatura, gravado em uma lousa, provavelmente um dos suportes da câmara dolménica destruído de Ponte da Pedra, Carbalho, (Fig. 17) (80)

2. A interpretação solar pelo menos de algumas unidades de círculos concêntricos da simbologia ou decoração castrejas está provada pelo fato de que os círculos concêntricos estampados pelo reverso no capacete de ouro de Leiro, ENE Rianjo, SW província Corunha, (fig. 18), são muito provavelmente cópia imediata e ainda mais simplificada dos 8 carros solares, atirados por cavalos com crines irtas, repuxados também pelo reverso em disposição circular, na ‘cantimplora’ de bronze de Grotta Bramiccia.

3. É provável que muitos dos círculos concêntricos dos petróglifos galegos sejam símbolos solares, e sua origem seria a espiral (que ainda que mais escassa também aparece nos petróglifos), esta espiral (que no ocidente da Europa já aparece nas pinturas aurinhacenses e no “passage grave art” irlandês) representaria a seqüência de trajetórias descritas em a cada período do ano (provavelmente 7 meses cálidos e 5 frios ou 6 e 6 ) pelo sol que a cada dia (e por tanto mais visivelmente a cada mês) vai mudando seus pontos de nascimento e posta e em conseqüência sua trajetória mais para o N. desde o solstício de inverno (21 dez.) ao de verão (21 jun.) e mais para do S. desde este ao seguinte de inverno; isto é que a cada giro de espiral representaria a trajetória do sol durante todos os dias de um mês incluindo a metade visível do trajeto (acima das “águas superiores”) e a seguir, após a cada posta, a invisível (por embaixo das “águas inferiores (Cf. 6.3)

Formas menos naturalistas, como los ramiformes inscritos en rectángulos, están presentes en muchas decoraciones dolménicas: Toniñuelo (BUENO RAMÍREZ, de BALBÍN BEHRMANN, 1997c), Alcántara (BUENO RAMÍREZ et alii, 1998 y e. p.), Los Gabrieles (BUENO RAMÍREZ, de BALBÍN BEHRMANN, 1992) o Alagoas (SILVA, 1997), por poner algunos ejemplos. Como ya recoge GÓMEZ BARRERA (1992: 286) comparándolos con las formas pintadas esquemáticas, su presencia en conjuntos grabados de la zona centro es importante. Destaquemos su papel en la Galería del Sílex, asociados a enterramientos calcolíticos y del Bronce.

En Galicia son pocos, pero están presentes en Lombo da Costa (PEÑA SANTOS, VÁZQUEZ VARELA, 1979:101), asociados a círculos concéntricos, uno de ellos con rayos, clara transposición de temas solares. A ello hemos de unir su reciente documentación en un ortostato de la cámara de Chaira do Medio, en Agolada (FÁBREGAS VARCARCE, PENEDO ROMERO, 1995).

Para el sabio profesor Arqueolingüista Don Luis MONTEAGUDO GARCÍA El culto o veneración del Sol parece estar probado, entre otros por los siguientes testimonios que por aparecer inconexos no son claramente concluyentes por separado sino en conjunto: 1. Soliforme, consistente en un circulito con 7 radios de tosca factura, grabado en una losa, probablemente uno de los soportes de la cámara dolménica destruido en Ponte da Pedra, Carballo, (Fig. 17) (80)

2. La interpretación solar por lo menos de algunas unidades de círculos concéntricos de la simbología o decoración castrexas está probada por el hecho de que los círculos concéntricos estampados por el reverso en el casco de oro de Leiro, ENE Rianxo, SW provincia Coruña, (fig. 18), son muy probablemente copia inmediata y aun más simplificada de los 8 carros solares, tirados por caballos con crines erectas, repujados también por el reverso en disposición circular, en la cantimplora de bronce de Grotta Bramiccia.

3. Es probable que muchos de los círculos concéntricos de los petroglifos gallegos sean símbolos solares, y su origen sería la espiral (que aunque más escasa también aparece en los petroglifos), esta espiral (que en el occidente de Europa ya aparece en las pinturas auriñacenses y en el “passage grave art” irlandés) representaría la secuencia de trayectorias descritas en cada periodo del año (probablemente 7 meses cálidos y 5 fríos o 6 y 6 ) por el sol que cada día (y por tanto más visiblemente cada mes) va cambiando sus puntos de nacimiento y puesta y en consecuencia su trayectoria más hacia el N. desde el solsticio de invierno (21 dic.) al de verano (21 jun.) y más hacia del S. desde éste al siguiente de invierno; es decir que cada giro de espiral representaría la trayectoria del sol durante todos los días de un mes incluyendo la mitad visible del trayecto (por encima de las “aguas superiores”) y a continuación, después de cada puesta, la invisible (por debajo de las “aguas inferiores” (Cf. 6.3)

Achamos que a conexão dos temas circulares a cérvidos tanto nos gravados do Tejo, como nos galegos, por pôr exemplos de caráter geral, entronca também com essa imagem da caça psychopompa presente ao mundo megalítico. A constatação de painéis onde se conjuga a imagem antropomorfa em atitude caçadora, com temas solares -se leia circulares – e cervos, ratificaria esta proposta. A dissecção de todos estes motivos se pode contemplar nas tabelas de DE COSTA/NOVOA reproduzidas nas últimas folhas dos papéis de Luís MONTEAGUDO GARCÍA.

Poderia reforçar o caráter solsticial e psychopompos dos outeiros com cenas de caça e os temas de círculos solares e os cervos uma observação de Luís MONTEAGUDO GARCÍA, um dado:

[…] que os “sóis” dos petróglifos em general estão situados demasiado baixos, não em posição alta, protetora e dominante como era de esperar e o vaso da Carolina o comprova. Esta perdida do nimbo, tão expressivo da benéfica ação solar, e da falta de colocação e agrupamento apropriados dos sóis nos petróglifos pontevedrinos, pudesse” – dize MONTEAGUDO-, “transluzir uma perda ou degeneração da vitalidade religiosa […]” (81) mas também pudesse transluzir a decadência e descenso do sol vespertino e seu aspecto psychopompos.

Antropomorfos e quadrúpedes também costumam aparecer em cenas conjuntas, normalmente presididas pelo sol. Em outras ocasiões, os quadrúpedes localizam-se em ortóstatos sem aparente presença humana, associados a círculos de evidente conotação solar. Este seria o caso do que nosso sábio mestre MONTEAGUDO interpreta de maneira genial como ‘coito cervinho’ baixo cometa em Lage das Lebres, Poio, ou o do singular conjunto de Monte Tetón, Tomiño (82) que inclui um “cometa-esvástica” com corpo atacante circular e fila, quiçá, com muita possibilidade, o Hale Bopp: “que apareceu faz 3500 anos e teve que impressionar aos ‘antigo-europeus’ (Alteuropäische de KRAHE) ainda bem mais que a nossos contemporâneos (e a todos consta que em alguns casos causou até a morte) […] (83)”.

Nos mostra também o professor Luís Monteagudo García os espetaculares conjuntos de Laxe dás Cruzes, Tourón, Ponte Caldelas (PEÑA SANTOS 1986) com cervos na zona inferior (84) ou a surpreendente cena do ginete caçando ante a presença do sol convertido agora no que Monteagudo considera um Horus libio (com uma pata levantada), em Lage dos Cabalos, paredes, Campo Lameiro, Pontevedra (85).

Ditos quadrúpedes são majoritariamente cérvidos e seu papel em cenas de caça dentro do mundo megalítico, tem passado de constituir um episódio pouco previsível (LEISNER, 1970), a sua consideração como um tema normal dentro do repertorio funerário megalítico (BUENO RAMIREZ, de BALBÍN BEHRMANN, 1992:519; PEÑA SANTOS, REI GARCÍA, 1997: 324), provavelmente como a transposição  duma caça ritual.

ACESO DIRETO DA ÁNIMA DO NOBRE AO ALÉN

Sua documentação recente no dólmen de Arquinha da Moura (DA CUNHA, 1994, 1995), além de em os casos já conhecidos de Lubagueira 4 e Orca dos Juncães, não faz mais que reiterar seu papel nestes contextos e propõe que muito provavelmente a presença de cérvidos e sóis em monumentos megalíticos se explica nessa simbologia do tema da caça (BUENO RAMIREZ et alii, e. p.), e que eu, pola minha parte interpreto (1997)  como um acesso direto da anima do nobre (sic) ao Além, “Outro Mundo” mediante a caçada do animal sobrenatural, o cervo, o javarí , e o rebeco [voz pos. celta “o de Rebe”] ou corzo.

arvos Trigaranus do monumento aos Nautes Parisiacae de Nôtre Dame. Paris. O touro epresenta ao sol que con tres pasos circumvala e toma posesión do mundo, do ceo, do mar e do inframundo da terra

Tarvos Trigaranus do moimento aos Nautes Parisiacae de Nôtre Dame. Paris. O touro epresenta ao sol que con três passos circumvala e toma posesaão do mundo, do céu, do mar e do inframundo baijo da terra, o Além.

 

Creemos que la conexión de los temas circulares a cérvidos tanto en los grabados del Tajo, como en los gallegos, por poner ejemplos de carácter general, entronca también con esa imagen de la caza ritual presente en el mundo megalítico. La constatación de paneles donde se conjuga la imagen antropomorfa en actitud cazadora, con temas solares -léase circulares – y ciervos, ratificaría esta propuesta. La disección de todos estos motivos se puede contemplar en las tablas de DE COSTAS/NOVOA reproducidas en las últimas hojas de los papeles de Luís MONTEAGUDO GARCÍA.

Podría reforzar el carácter solsticial y psychopompos de los outeiros con escenas de caza y los temas de círculos solares y los ciervos una observación de Luís MONTEAGUDO , un dato:

[…] que los “soles” de los petroglifos en general están situados demasiado bajos, no en posición alta, protectora y dominante como era de esperar y el cuenco de la Carolina lo comprueba. Esta perdida del nimbo, tan expresivo de la benéfica acción solar, y de la falta de colocación y agrupación apropiadas de los “soles” en los petroglifos pontevedreses pudiera” – dice MONTEAGUDO-, “traslucir un aflojamiento o degeneración de la vitalidad religiosa […] (81)

Pero también, pienso yo, pudiera traslucir la decadencia y descenso del sol vespertino y su aspecto psychopompos.

Antropomorfos y cuadrúpedos suelen aparecer en escenas conjuntas, normalmente presididas por el sol. En otras ocasiones, los cuadrúpedos se localizan en ortostatos sin aparente presencia humana, asociados a círculos de evidente connotación solar. Este sería el caso de lo que nuestro sabio maestro MONTEAGUDO interpreta de manera genial como ‘coito cerviño’ bajo cometa en Lage das Lebres, Poio, o el del singular conjunto de Monte Tetón, Tomiño (82) que incluye una “cometa-esvástica” con cuerpo delantero circular y cola, quizás, con mucha posibilidad, el Hale Bopp: que apareció hace 3500 años y tuvo que impresionar a los ‘antiguo-europeos’ (Alteuropäische de KRAHE) aún mucho más que a nuestros contemporáneos (y a todos consta que en algunos casos causó hasta la muerte) […] (83)” Nos muestra también el profesor Luís Monteagudo García los espectaculares conjuntos de Laxe das Cruces, Tourón, Ponte Caldelas (PEÑA SANTOS 1986) con ciervos en la zona inferior (84) o la sorprendente escena del jinete cazando ante la presencia del sol convertido ahora en lo que Monteagudo considera un Horus libio (con una pata levantada), en Lage dos Cabalos, paredes, Campo Lameiro, Pontevedra (85). Dichos cuadrúpedos son mayoritariamente cérvidos y su papel en escenas de caza dentro del mundo megalítico, ha pasado de constituir una anécdota poco previsible (LEISNER, 1970), a su consideración como un tema normal dentro del repertorio funerario megalítico (BUENO RAMIREZ, de BALBÍN BEHRMANN, 1992:519; Peña Santos, Rey García, 1997: 324), probablemente como la transposición de una caza ritual. Su documentación reciente en el dolmen de Arquinha da Moura (DA CUNHA, 1994, 1995), además de en los casos ya conocidos de Lubagueira 4 y Orca dos Juncais, no hace más que reiterar su papel en estos contextos y plantea que muy probablemente la presencia de cérvidos y soles en monumentos megalíticos se explica en esa simbología del tema de la caza (BUENO RAMIREZ et alii, e. p.), que, por mi parte he interpretado, por primera vez (1997), como un acceso directo al Alén, “Otro Mundo” mediante la cacería del animal sobrenatural, el ciervo, el jabalí, y el rebeco [ voz de origen pos. celta “el de Rebe”] o corzo.

SOLAR PORCO BRAVO. IHE(sus) APR(in)VS

No final da Idade do Bronze, o sol, por sua força e seu poder fecundador, associa-se na plástica Européia a um Touro do que terei ocasião de falar mais adiante, e a um porco bravo, objeto este último de um amplo estudo de Fernando ALONSO em 1989 intitulado “El significado mágico del colmillo del jabalí entre los Celtas y los Germanos: testimónios literarios, arqueológicos e etnográficos” (86). Para Alonso em suas vertentes, fertilizador, protetor e psychopompos,  porco bravo é empregado por numerosos povos, Freyr entre os germanos tinha um porco bravo de ouro mais veloz que um corcel chamado Gullinbursti, “das porcas de ouro” visível na escuridão da noite ao alumiar o mundo a luz que emanava de sua crina, Freyr aparece em paredría com sua irmã Freya a quem lhe lhe denominando Syr, “porca” se atribuíam poderes fecundativos [MOGKE, E. 1953, 159 in ALONSO , 1989, […]) Para ALONSO, o mágico porco bravo da literatura insular celtoatlântica, não se pode matar por se tratar da reencarnacão de um herói [solar], e respondendo à associação do porco bravo com a morte é ‘taboo’ para os marinheiros escoceses pronunciar as palavras swine “porco”, pig “porco” e sow “porca”. Assinala seu emprego nas urnas funerárias como uma urna crematória saxona encontrada no cemitério de Issendorf, cuja tampa tem um asa em forma de figura de jabalí.

A finales de la Edad del Bronce, el sol, por su fuerza y su poder fecundador, se asocia en la plástica Europea a un Toro del que tendré ocasión de hablar más adelante, y a un jabalí, objeto este último de un amplio estudio de Fernando ALONSO en 1989 intitulado “El significado mágico del colmillo de jabalí entre los Celtas y los Germanos: testimonios literarios, arqueológicos y etnográficos (86). Para Alonso en sus vertientes, fertilizador, protector y psychopompos, el jabalí  es empleado por numerosos pueblos, Freyr entre los germanos tenía un jabalí de oro más veloz que un corcel llamado Gullinbursti, “de las cerdas de oro” visible en la oscuridad de la noche al iluminar el mundo la luz que emanaba de su crin, Freyr aparece en paredría con su hermana Freya a quien denominándosele Syr, “cerda” se atribuían poderes fecundativos [MOGKE, E. 1953, 159 in ALONSO , 1989, […]) Para ALONSO, el mágico jabalí de la literatura insular celtoatlántica, no se puede matar por tratarse de la reencarnación de un héroe [solar], y respondiendo a la asociación del jabalí con la muerte es ‘taboo’ para los marineros escoceses pronunciar las palabras swine “puerco”, pig “cerdo” y sow “cerda”. Señala su empleo en las urnas funerarias como una urna crematoria sajona encontrada en el cementerio de Issendorf, cuya tapa tiene un asa en forma de figura de porco bravo.

Anel, áureo e com entalhe, paleo cristão (A. Pena Granha), seguramente episcopal, procedente das Insulae Deorum

Anel, áureo e com entalhe, paleo cristão (A. Pena Granha), seguramente episcopal, procedente das Insulae Deorum “Ilhas Cíes”, Galiza, do século IV, d. C. com epígrafe IHE APRVS, que eu [André Pena] leio [em ligatura]  IHE(svs) APR(in)VS  “Ihesus (Jesús) ‘o do jabalí/ o do porco bravo’“. A importância deste anel é enorme para a Europa monstrando, em epoca muito temporã, o caminho integrador da interpretatio celto-cristã, ilustrando o nascimento do cristianismo celtoaltântico  em Gallaecia (N. de Portugal, Galiza e Astúrias) que se produziu a partir do ano 314 quando documentamos os primeiros bispos.

 Alfredo ERIAS MARTÍNEZ, em uns papéis intitulados “A Eterna Caça do Javarí” (87) nos povos proto históricos indoeuropeus, celtas, germanos, etc., denota que o porco bravo seria:

[…] deus protetor e fertilizador, cujos elementos mais simbólicos serão, por esta ordem, sua grande crina e seus colmilhos. E foi protetor, tanto na vida como na morte e assim há que entender o emprego de seus colmilhos como amuletos (também nas tumbas), costume que chega até nossos dias. Como deus fertilizador, o javarí se identificava com diversos deuses (Osiris, Atis, Adonis […]), de tal maneira que seu sacrifício sangrento (equivalente à semeia) é necessário para fecundar à Deusa Mãe, seja qual seja seu nome. Deste ato essencial surge a resurreição da vida vegetal (o nascimento das plantas semeadas, a árvore da vida) e do próprio deus, identificado a sua vez com essa vida (Atis e o pino […]). É por isso que também se identifica ao porco bravo com o espírito do grão. 

Como protetor da vida adquiriu um caráter especialmente simbólico para o estamento guerreiro, já que, por suas naturais características, representa a valentia e a fereza entendida em sentido positivo, como exemplo para o que vai à batalha: assim se explicam os capacetes com a imagem de porcos bravos que evoluem até terminar identificando a cabeça do guerreiro com a do animal (o javarí-guerreiro).

Como protetor na morte, unido às forças da terra (fecundador, espírito do grão) por seu caráter de estar a  fozar permanentemente e por ser muito prolífico, o javarim cumpre o papel de acompanhante, de guia para o Para além e, por suposto, de seguro ante a morte a todo guerreiro que caísse identificado com ele: é o javarí-psychopompos, derivado do fato de ser especialista, como vimos, na morte fecundadora e na conseguinte ressurreição da vida em primavera. 

Sartego de Fernão Péres d'Andrade.

Sartego de Fernã Péres d’Andrade. “Grandes cavaleiros galaico-portugueses do s. XIV construíram seus sepulcros com cenas de caça do porco bravo graças ao substrato de crenças indoeuropeias existentes então, e ainda hoje em certa medida, nestas terras do Finis Terrae de Ocidente”

Deixando longe os tempos antigos, alguns grandes cavaleiros galaico-portugueses do s. XIV construíram seus sepulcros com cenas de caça do javarí graças ao substrato de crenças indoeuropeias existentes então, e ainda hoje em certa medida, nestas terras do finis terrae de Ocidente. Essa parece ser a única explicação possível ante o fato de que só eles o fizessem na Europa. E, uma vez decididos, jogaram mão de todo o que lhes ajudou nessa direção, que foi muito, dentro da conjuntura política e religioso general que favorecia a exaltação da figura do cavaleiro desde o início das Cruzadas, como a re-encarnação de um herói antigo divinizado: sepulcros romanos; imaginária heroica para-religiosa ao redor do cavaleiro (Santiago Matamouros, São Miguel Arcângelo lutando contra o demônio, São  Jorge e o dragão, outros santos cavaleiros […] (88).

Assinalando em outro lugar ERIAS

[…] É verdadeiro que não é literalmente o mesmo javarím o que se representa nos sarcófagos galaico-portugueses, que aqui o jabarím/demônio é vencido e morto, mas há algo que parece permancer: a perseguição do mesmo animal e, sobretudo, o contexto religioso funerário (o javarín céltico tem sempre uma conexão com o funerário, com a morte), ao que coadjuva a curiosa interpretação franciscana da caçada do cavaleiro como Deus perseguindo a alma… E, ainda que não é evidente, não me atreveria a descartar do todo alguma longínqua conexão com a Mesnie Hellequin [WALTER, 1977] ou com a Sociedade do Oso [Urso], derivação da Santa Companha [RISCO, 1979, 42], que alude a rituais iniciais das sociedades secretas de cavaleiros na cultura céltica [PENA GRAÑA, 1999].

Alfredo ERIAS , en unos papeles intitulados “La Eterna Caza del Jabalí” (87) en los pueblos protohistóricos indoeuropeos, celtas, germanos, etc., denota que el jabalí sería:

[…] dios protector y fertilizador, cuyos elementos más simbólicos serán, por este orden, su gran crin y sus colmillos. Y fue protector, tanto en la vida como en la muerte y así hay que entender el empleo de sus colmillos como amuletos (también en las tumbas), costumbre que llega hasta nuestros días. Como dios fertilizador, el jabalí se identificaba con diversos dioses (Osiris, Atis, Adonis […]), de tal manera que su sacrificio sangriento (equivalente a la siembra) es necesario para fecundar a la Diosa Madre, sea cual sea su nombre. De este acto esencial surge la resurrección de la vida vegetal (el nacimiento de las plantas sembradas, el árbol de la vida) y del propio dios, identificado a su vez con esa vida (Atis y el pino […]). Es por ello que también se identifica al jabalí con el espíritu del grano.

Como protector de la vida adquirió un carácter especialmente simbólico para el estamento guerrero, ya que, por sus naturales características, representa la valentía y la fiereza entendida en sentido positivo, como ejemplo para el que va a la batalla: así se explican los cascos con la imagen de jabalíes que evolucionan hasta terminar identificando la cabeza del guerrero con la del animal (el jabalí-guerrero).

Como protector en la muerte, ligado a las fuerzas de la tierra ( fecundador, espíritu del grano) por su carácter de estar hozándola permanentemente y por ser muy prolífico, el jabalí cumple el papel de acompañante, de guía hacia el Más Allá y, por supuesto, de seguro ante la muerte a todo guerrero que cayese identificado con él: es el jabalí-psicopompo, derivado del hecho de ser especialista, como vimos, en la muerte fecundadora y en la consiguiente resurrección de la vida en primavera.

Dejando lejos los tiempos antiguos, algunos grandes caballeros galaico-portugueses del s. XIV construyeron sus sepulcros con escenas de caza del jabalí gracias al substrato de creencias indoeuropeas existentes entonces, y aún hoy en cierta medida, en estas tierras del finis terrae de Occidente. Esa parece ser la única explicación posible ante el hecho de que sólo ellos lo hicieran en Europa. Y, una vez decididos, echaron mano de todo lo que les ayudó en esa dirección, que fue mucho, dentro de la coyuntura política y religiosa general que favorecía el ensalzamiento de la figura del caballero desde el inicio de las Cruzadas, como la reencarnación de un héroe antiguo divinizado: sepulcros romanos; imaginería heroica pararreligiosa alrededor del caballero (Santiago Matamoros, San Miguel Arcángel luchando contra el demonio, San Jorge y el dragón, otros santos caballeros […]” (88).

Señalando en otro lugar ERIAS[…] Es cierto que no es literalmente el mismo jabalí el que se representa en los sarcófagos galaico-portugueses, que aquí el jabalí/demonio es vencido y muerto, pero hay algo que parece permanecer: la persecución del mismo animal y, sobre todo, el contexto religioso funerario (el jabalí céltico tiene siempre una conexión con lo funerario, con la muerte), a lo que coadyuva la curiosa interpretación franciscana de la cacería del caballero como Dios persiguiendo el alma… Y, aunque no es evidente, no me atrevería a descartar del todo alguna lejana conexión con la Mesnie Hellequin [WALTER, 1977] o con la Sociedade do Oso, derivación de las Santa Compaña [RISCO, 1979, 42], que alude a rituales iniciáticos de las sociedades secretas de caballeros en la cultura céltica [PENA GRAÑA, 1999]”.

Por sua vez o professor D. Luis MONTEAGUDO GARCIA falando da  Religiosidade Callaica depois de assinalar-nos como o “eco cristianizado do antigo ambiente escatológico camponês povoado de “demos” e almas de mortos está acertadamente resumido por Cuevillas (89) nos diz:

Com a doutrina neopitagórica de Hermes psyhopompos ‘guia de almas’ estariam relacionadas as abundantes estátuas graníticas de porcos ou berrões das tribos mais ou menos celtiçadas dos Vettones, Vaccaei, Carpetani, Varduli e (no NE de Portugal) Zoelae e Seurri (RL III 42; Berrões 157) e no SE da província de Ourense o porco (melhor que o javarím por orelhas caídas, por não ter grandes caninos e por seu focinho cóncavo) mutilado do castro de Eirexaria ou Vila de Sên (Bembibre, 5 km. SSW Viana do Bolo; cf. BROTHWELL 45) e os desaparecidos do Castelinho de Castrelo do Val (5 km. N. Verín) e do castro de Florderrey Velho (Vilardevós, 13 km. SE Verím); também alude possivelmente a um verraco os topônimos “porta e campo de berrão” na cidade de Pontevedra (Taboada, AEArq. 1948, 291; Berrões 10). 

 PSYCHOPOMPOS PORCOS BRAVOS

A maior parte destes verracos  são funerários porque freqüentemente aparecem junto com plintos de pedra com furadinho retangular com canle condutora, v. 7; provavelmente a cada um destes […] e o conjunto seria uma tumba monumental de incineração depositada no furadinho (Cf. BRAH 45 p. 154; 56 p. 291); vários destes plintos de pedra apreciam-se no lienzo N. da muralha de Ávila ca- 108 (v. supra) e segundo amável comunicação do professor Pita Andrade, um sillar com pocete faz parte exterior do muro da catedral de Ourense, alguns verracos apareceram junto com estelas funerárias romanas com nomes célticos Burrus, Calaetius, Magilus, Tancinus/a (BRAH 40 p. 360; REL 56) (90).

Por su parte el profesor D. Luis MONTEAGUDO GARCIA en sus papeles sobre la  Religiosidad Galaica tras señalarnos cómo el “eco cristianizado del antiguo ambiente escatológico campesino poblado de “demos” y almas de muertos está acertadamente resumido por Cuevillas (89) nos dice:

Con la doctrina neopitagórica de Hermes psyhopompos ‘conductor de almas’ estarían relacionadas las abundantes estatuas graníticas de cerdos o verracos (Portu. Berrōes) de las tribus más o menos celtizadas de los Vettones, Vaccaei, Carpetani, Varduli y (en el NE de Portugal) Zoelae y Seurri (RL III 42; Berrôes 157) y en el SE de la provincia de Ourense el cerdo (mejor que el jabalí por orejas caídas, por no tener grandes caninos y por su hocico cóncavo) mutilado del castro de Eirexaria o Vila de Sên (Bembibre, 5 km. SSW Viana do Bolo; cf. BROTHWELL 45) y los desaparecidos del Casteliño de Castrelo do Val (5 km. N. Verín) y del castro de Florderrey Vello (Vilardevós, 13 km. SE Verín); también alude posiblemente a un verraco los topónimos “porta e campo de berrão” en la ciudad de Pontevedra (Taboada, AEArq. 1948, 291; Berrôes 10).

La mayor parte de estos verracos son funerarios porque frecuentemente aparecen junto con sillares con pocete rectangular con canal conductor, v. 7; probablemente cada uno de estos verracos (¿protectores de la tumba?: éste por su localización occidental probablemente, creemos, era un antropónimo, cf. lat. Verres) con su peana cubría el sillar, y el conjunto sería una tumba monumental de incineración depositada en el pocete (Cf. BRAH 45 p. 154; 56 p. 291); varios de estos sillares se aprecian en el lienzo N. de la muralla de Ávila ca- 108 (v. supra) y según amable comunicación del profesor Pita Andrade, un sillar con pocete forma parte exterior del muro de la catedral de Ourense, algunos verracos aparecieron junto con estelas funerarias romanas con nombres célticos Burrus, Calaetius, Magilus, Tancinus/a (BRAH 40 p. 360; REL 56)(90)”.

SECUELA

Meu primeiro promptema, um ensaio em realidade inscrito em uma concepção cultural continuista (Pena Granha 2001-2), postula, [já não] como hipótese de trabalho, [senão como paradigma], a longa duração da crença em uma forma de acesso venatório, ou de trânsito vertical, ao Além, ou Sídhe, desde o Neolítico ao Medievo. Este acesso ao Outro Mundo das almas por médio da caça, habitualmente reservado às elites, no seio das sociedades verticais, permite-nos repensar de alguma maneira uma  coletividade Neolítica hierarquizada e desigual à que não lhe teria sido alheio o talante aristocrático indo-europeu.

O trânsito psychopompos da alma do senhor, ou cavaleiro, ao Além se teria expressado na arte atlântico como uma caçada ou uma montaria perseguindo o caçador e séquito com cães a pé durante o Neolítico, a cavalo desde o Calcolítico verdadeiros animais sobrenaturais.

A compartilhada concepção psychopompa da caça no Neolítico e  Calcolítico corresponderia-se, ao meu modo de ver, com um comum horizonte ideológico e religioso [de berço ocidental, ibérico e atlântico] compartilhado desde Oriente, (Irã, Mesopotâmia), a Ocidente (Galiza, Portugal -a costa atlântica européia-, Ilhas Britânicas e Escandinávia).

No entanto, não deixo de assinalar o fato de que tenha sido na a Área Cultural Atlântica, correspondendo viavelmente as primeiras representações em contexto funerário desta caça ao dólmen de Orca dois Juncais e seus últimos ecos às caçadas representadas nos sarcófagos galego-portugueses do século XIII, o cenário onde se teria manifestado este fenômeno, por primeira e por última vez.

Mi primer promptema, un ensayo en realidad inscrito en una concepción cultural continuista, postula como hipótesis de trabajo la larga duración de la creencia en una forma de acceso venatorio, o de tránsito vertical, al Mas Allá desde el Neolítico.

Este acceso al Otro Mundo de las almas por medio de la caza habitualmente reservado a las élites, en el seno de las sociedades verticales, me permitió repensar  una sociedad Neolítica  jerarquizada y desigual participando del talante aristocrático ya indoeuropeo.

De haber tenido lugar el tránsito psychopompos del alma del señor, noble o caballero, al Más Allá, este, a mi modo de ver, se habría expresado en el arte atlántico como una cacería o una montería, persiguiendo el cazador y su séquito con sus perros posiblemente a pié durante el Neolítico, a caballo desde el Calcolítico, ciertos animales sobrenaturales.

La compartida concepción psychopompa de la caza en el Neolítico y el Calcolítico se correspondería con un común horizonte ideológico y  religioso -con cuna ibérica atlántica-, compartido desde Oriente, (Irán, Mesopotamia), a Occidente (Galicia, Portugal, la costa atlántica europea, Islas Británicas y Escandinavia).

Sin embargo, sin concluir nada, no dejo de reseñar el hecho de que haya sido en al Área Cultural Atlántica [correspondiendo viablemente las primeras representaciones en contexto funerario de esta caza al dolmen de Orca dos Juncais, y sus últimos ecos a las cacerías representadas en los sarcófagos gallego-portugueses del siglo XIII], el escenario donde este fenómeno se habría manifestado por primera y por última vez.

TÚMULO E CAVALEIRO TÚMULO Y CABALLERO

Promtema do Túmulo do rei, nobre ou cavaleiro, e á Moura segundo A. Pena

Promtema do Túmulo do rei, nobre ou cavaleiro, e á [A]Moura segundo A. Pena

 CERVO,  [A]MOURA, E “ESPELHO MÉTRICO DE PAULINA CEREMUŻYŃSKA”

Dizendo-me num muito amável correio Paulina Ceremuzynska, formidável investigadora, musicóloga e intérprete das cantigas dotada por Deus com divina voz, a propósito do promptema da Caça Selvagem e da [A]Moura e o Cavaleiro: [este] “é um tema que é fascinante, e eres a unica pessoa que por fim sabe explicar de que falam as cantigas”, E depois de me explicar -em realidade é ela a que me explica-, como funciona essa “estrutura de espelho” por ela descoberta -um belíssimo recurso poético [presente em esta cantiga de Pero Meogo, ainda que ignoro se Paulina descobriu esta estrutura também nas cantigas de Alfonso X, criado em Galiza (em Alhariz), como é público e notório como todos os reis de Galiza, Castela e Leão antepassados seus em fosterage], utilizada por Pero Meogo

esta cantiga metricamente tem estrutura de espelho” – explicame Paulina Ceremuzynska- para entendelo ben, tes que mirar a estrutura metrica da cantiga en cuestion:

Levous’a Louçana, levous’a velida, 

vai lavar cabelos na fontana fria,

leda dos amores, dos amores leda.

Levous’a velida, levous’a louçana,

vai lavar cabelos na fria fontana,

leda dos amores, dos amores leda.

Vai lavar cabelos na fontana fria,

passou seu amigo que lhi ben queria,

leda dos amores, dos amores leda.

Vai lavar cabelos na fria fontana,

passa seu amigo que a muit’a amava,

leda dos amores, dos amores leda.

Passa seu amigo que lhi ben queria,

o cervo do monte a augua volvia,

leda dos amores, dos amores leda.

Passa seu amigo que a muito amava

o cervo do monte volvia a augua,

leda dos amores, dos amores leda”.

“O que descubrim eu” -prossegue Paulina Ceremuzynska- “e que o esquema acentual da cantiga tem estrutura de espehlo. Explico-me, se analisas a cantiga métricamente, sai uma estrutura de espelho quase perfeito, olha:

[S silaba acentuada; s silaba non acentuada; (S) acento menos forte]

Cobra 1: sSssSs / sSssSs SsSsSs/ (S)sSsSs Cobra 2: sSssSs/ sSssSs SsSsSs/ sSssSs Cobra 3: SsSsSs/ (S)sSsSs sSssSs/ (S)sSsSs Cobra 4: SsSsSs/ sSssSs SsSsSs/ SsSsSs Cobra 5: SsSsSs/ (S)sSsSs sSssSs/ sSssSs Cobra 6: SsSsSs/ (S)sSsSs sSssSs/ sSssSs Refran: Ss(S)sSs/ (S)sSsSs “.

Ainda que adverte-me, humilde, a cara Paulina Ceremuzynska que o que ela diz devo mo tomar com reserva, não sendo ela filóloga, etc., considero que, como eu, e como todos, ela em princípio, também tem direito a se equivocar. Não é este o caso, Paulina Ceremuzynska tem razão, tenho que lhe agradecer à sua divina sutíl maravilhosa intrepretação e mirada de extraordinária musicóloga, a percepção da maestria do juglar santiagués Pero Meogo -de ambas presenças nos chovem melodias-, a percepção da fineza, da bellísima estrutura, descrevendo lavando os dourados cabelos na fontana fria, através de seu espelho – não os tem o Museu Britânico tão belos-, leda dos amores, uma Moura.

Comenta também Paulina, que diversos autores assinalaram significando o passo e o cruze, entre nosso mundo e o Outro Mundo,  Além ou *Omórica , que o ponto de contacto dos dois mundos e o passo do cervo – mudança de tempo verbal.

Levo anos buscando o nosso material mítico – como o de Gales ou Irlanda, e está nas Cantigas!!!. “Claro que está nas cantigas“- responde-me Paulina Ceremuzynska- , e onde ian estar?”

Com seu formidável, belo e sobrenatural aspecto, os animais e  seres feéricos, do Além, costumam na Galiza, vir visitar-nos saindo muitas vezes por portaléns: rochas, rios, fontes, poços, sitios arqueológicos, e dos lacos ânticos, significando laco, lacuna “lagoa, tumba, túmulo funerário, anta, mamoa”, sitios concebidos na geografia mítica galega como lugares de acesso ao Além ou Sídhe.

LACOS ANTICOS [OLD FUNERARY MONUMENTS]

Apontei em 1991 que a voz laco (91) “lago” teria indicado a presença dum túmulo [e demonstrando o por mim exposto, John T. Koch em 2009, p 344, rexista com este sentido no tartésico do Bronze Final a voz lokoon [J.57.1], ‘grave, funerary monument’, cf. Cisalpine lokan ‘grave’ (Todi): Indo-European *legh– ‘lie down’], praticamente em todolos casos com uma abertura de violação, comentei o emprego nas cartas de deslinde (92) de duas distintas vozes: lacos et mamolas referidas à mesma coisa arqueológica, e enquanto a voz mamula, hoje generalizada, aplicava-se no entanto na Galiza Medieval para designar aos túmulos que -supostamente deixados pelos buscadores de encantos- teriam conservado segundo parece seu arrogante aspecto de teto, nesses grandes buracos dos túmulos, lacos, ficava a impressão desta espoliadora atividade que teria dado às mámoas galegas sobreviventes da devastadora piqueta dos buscadores de tesouros do espólio reiterado centos, senão milhares de vezes, -até que os arremata a paleta do arqueólogo- o aspecto como de apagados vulcões que hoje apresentam.

Na busca do ouro dos [*O]Mouros (93), as reiteradas escavações ao longo dos séculos têm desfigurado às mámoas que se apresentam com um descomunal buraco. De aplicar-se hoje a descritiva precisão dos redatores de nossos cartorários e diplomas medievais não falaríamos de mamolas ou de mámoas por nos chegar todas violadas, senão de “lagoas” .

 VIOLAÇÃO DE TÚMULOS NO CÓDICE CALIXTINO VIOLACIÓN DE TÚMULOS EN EL CÓDICE CALIXTINO

A mais antiga referência a esta inveterada costume violatória (94) poderia encontrar-se no códice Calixtino, do século XII, onde no Capítulo VII, como também nos comentários ao mencionado Códice o teria visto já faz muitos anos dom Abelardo MORALEJO, se diz, depois de expor que a terra dos galegos é rica em ouro, prata, peles de animais selvagens e outras riquezas, que ainda é muito abundante em tesouros dos mouros (95) gacis sarracenicis (96) sendo possivelmente comparável à mirada rústica e não rústica (cf. os tesouros dos “gentiles galigriegos”) o fato de escavar as mámoas,  com o fato de irromper, de passar, abrindo míticas entradas, ao Outro Mundo no imaginário celtoatlântico, ao lugar dos seres sobrenaturais –significando, como o mostra a história galesa de Rhiannon, o entrar baixo terra o acesso ao Além e aos enormes tesouros que ali guardam as raças míticas: os mouros, os anões e os gigantes. Nos buracos, como monstro em The Unveiled Amouraos caçadores de tesouros coincidem com outros caçadores.

Con su formidable, bello y sobrenatural aspecto, los animales y los seres del otro Mundo, suelen en Galicia, acudir a visitarnos saliendo muchas veces de los lacos anticos, mámoas, concebidos en la geografía mítica gallega como lugares de acceso al Alén”, El Más Allá”.

Mámoa, com burato de violação, em os Montes da Lagoa e Vilarquinte. O Val. Narón

Mámoa, com burato de violação, em os Montes da Lagoa e Vilarquinte. O Val. Narón

Reseñé, en 1991 (p 30 ss), que originariamente la voz laco (91) “lago” habría indicado la presencia de un túmulo [confirmando lo por mi expuesto, John T. Koch en 2009, p 344, registró en el tartésico do Bronze Final, con este sentido de túmulo, la voz lokoon [J.57.1], ‘grave, funerary monument’, cf. Cisalpine lokan ‘grave’ (Todi): Indo-European *legh– ‘lie down’], prácticamente en todos los casos, con una abertura de violación. Comenté también el empleo en las cartas de deslinde (92) de dos distíntas voces: lacos et mamolas referidas a la misma cosa arqueológica [a un mismo objeto institucional}, y mientras la voz mamula, hoy generalizada, se aplicaba sin embargo en la Galicia Medieval para designar  túmulos que -sospechosamente deshechados por los buscadores de encantos- habrían conservado, según parece, su arrogante aspecto de tetilla, en los grandes boquetes de los lacos, quedaba la  huella de la expoliadora actividad que habría dado a las mámoas gallegas supervivientes de la devastadora piqueta de los buscadores de tesoros,  expolio reiterado cientos, sino miles de veces, -hasta que los remata la llana del arqueólogo-, el aspecto como de apagados volcanes que hoy presentan.

En la búsqueda del ‘ouro dos mouros’ (93), las reiteradas excavaciones a lo largo de los siglos han desfigurado las mámoas que se nos presentan con un descomunal hoyo o socavón. De aplicarse hoy la descriptiva precisión de los redactores de nuestros cartularios y diplomas medievales, llegándonos todas violadas, no hablaríamos de mamolas, “mámoas”, sino de “lagoas” .

La más antigua referencia a esta inveterada costumbre violatoria (94) podría encontrarse en el códice Calixtino, del siglo XII, donde en el Capítulo VII, como en los comentarios al mencionado Códice, como lo habría visto ya hace muchos años don Abelardo MORALEJO, se dice, tras exponer que la tierra de los gallegos es rica en oro, plata, pieles de animales salvajes y otras riquezas, que aún es muy abundante en “tesoros de los moros (95)” gacis sarracenicis (96) siendo posiblemente comparable a la mirada rústica y no rústica (cf. los tesoros de los “gentiles galigriegos”) el hecho de excavar las mámoas, con el hecho de irrumpir, de pasar, abriendo míticas entradas al Otro Mundo, en el imaginario celtoatlántico, al lugar de los seres sobrenaturales, –significando, como lo muestra la historia galesa de Rhiannon, el entrar bajo tierra, el acceso al Alén y a los enormes tesoros que allí guardan las razas míticas: los mouros, los enanos y los gigantes-. Pero en estos hoyos, como hemos visto en The Unveiled Amoura, los cazadores de tesoros coinciden con otros cazadores.

UM PENTE DE OURO, UMA [A]MOURA, UM CAVALO  UN PEINE DE ORO, UNA MOURA, UN CABALLO

Ola e pente de ouro, seguramente, un agasallo do heroe para a Mater (Pena).

Ola e pente de ouro do Tesouro de Caldas de Rei, seguramente, um agasalho do príncipe para a Mater (Pena).

O Tesouro de Caldas, como o tesouro escondido na gruta de Ali Baba, séria o produto de um possível espólio intensivo, em massa e prolongado de túmulos aparentemente de várias épocas. Ainda que constituído por peças de diferentes momentos forma no entanto um coerentes e homogêneo de objetos funerários votivos, um expositivo promptema do compacto enxoval funerário indoeuropeu, onde todas e a cada uma das alfaias cobram sentido e encaixam.

Berço hispano atlântico da tumba de carro com, abehão, carro, sutti, espelho e pente

Berço hispano atlântico da tumba de carro com abehão, carro, sutti, espelho e pente

Tentaremos expor como, procedente do espólio de um destes túmulos principescos, o pente de ouro de Caldas -presente de casamentos do herói morrido à Grande Rainha que vem até seu túmulo para resgatar das trevas, lho levar em sua grupa ao Além e, de superar o herói a prova última, se casar com ele-, teria constituído em um momento muito temporão o primeiro depoimento arqueológico em ocidente de uma funerária hierogamia indoeuropéia entre o rei e a Deusa Mãe.

PENTE E ESPELHO DA [A]MOURA

Evolução arqueológica do promtema da [A]Moura e o Príncipe em a estela funerária celtoatlántica segundo A. Pena

Persisténcia arqueológica atlântica do promtema da [A]Moura e o Príncipe nas estelas funerárias celtoatlánticas segundo A. Pena

O fabuloso Tesouro de Caldas, inscrito eum promtema funerário indo-europeu intensamente descritivo e enquadrável em um horizonte de longa duração, responde estritamente à ação narrativa do imaginário cavalheiresco indo-europeu e posição ideológica, social e institucional do cavaleiro, sendo, em princípio, para nossa análise irrelevante a estrita datação das alfaias, que em razão ao espólio massivo do que procedem possivelmente correspondam a um dilatado período temporário -cedo para algumas peças do repertorio-, entre o Calcolítico e  Bronze Médio sobre o que existe hesitação. Entre os objetos deste tesouro sobressai, um singular pente de ouro de considerável tamanho e peso, um excepcional objeto, o mais antigo dos pentes votivos deste gênero conhecidos até agora, que no âmbito indo-europeu, de ser certa nossa leitura de uso instrumental, apareceria associado usualmente a espelhos desde o Calcolítico ou a Idade do Bronze até a Alta Idade Média européia nos túmulos, ininterruptamente, estando também profusamente representado nos motivos decorativos das estelas funerárias.

O uso dos pentes funerários de ouro, seguramente oferendas votivas, pode reconhecer nos relatos do imaginário popular europeu, empregando-os na Galiza habitualmente, “A Moura”, convertida pelo folclore [estendido de novo a toda Ibéria ocidental pela reconquista dos galegos] em uma belíssima mulher de sobrenatural poder, mítica moradora do mundo subterrâneo que em busca de um esposo pontualmente retorna a este mundo a cada amanhecer do dia de São João. Estas histórias são trasunto duma velha divindade indoeuropéia e celta da soberania. Excepcionalmente, ainda que a ação evangelizadora dos monges também jogasse aqui seu papel, a Moura, se mostra como uma velha decrépita. Integrados em um discurso próprio relacionado com o funeral, descrevendo-nos concretas ações, os pentes junto aos espelhos mencionados, procedentes dos túmulos ou das fúnebres estelas indoeuropéias, são o específico presente oferendado à divindade feminina soberana: a ação do obrigado herói defunto pelas suas prerrogativas em vida e a mortuária expressão do seu elevado interesse pela nova vida no Além.

Esta Deusa Mãe, uma, Mater, e trina, Matres, corresponde-se, como demonstrei, com nossa [A]Moura, ou [A]Mouras, estudadas, fora do promtema institucional da Religião Celta, onde encaixa como a luva á mão, como simples seres místicos galegos por numerosos autores, como Fernando ALONSO ROMERO, em “A Moura Construtora de Megálitos”. (97). Jovem e Velha com seu celeste azul velo [Cailech, cf. latim Caelum, “Céu”; caeluleo, “da cor do Céu, azul”] Virgem e mãe, rainha e camponesa, é também a Soberania, encarnação da Treba ou Toudo, da Terra e do País (PENA 1995 pp. 48-53), que um dia escolheu o marido, o soberano, em atenção a seus méritos, e de novo vem a por ele quando morre.

TOP: The Paleolithic conception of the Earth as fruitful Mater evolves in the Neolithic period, with the staging of the agricultural cycle, to the three Matres. Young (Mater) Lady, meaning

UP Promptema of “The MATRES” (ex  A. Pena). The Paleolithic conception of the Earth as fruitful Mater evolves in the Neolithic period, with the staging of the agricultural cycle, to the three Matres. Young (Mater) Lady, meaning “the awakening of the Earth”; Fertile, Pregnant Lady, or Mother Lady (Mater), meaning “the harvesting of the crop”, and the Old Lady (Mater), meaning ” Darkness of Winter, Cold and Snow” DOWN Promptema of “The Fruitful Sun” (ex  A. Pena). The Sun around the earth in three steps. Each step represents a different person. In the first step, the first person of Sun, young and vigorous, takes possession of the Sky, from sunrise to noon (or from Christmas Day to Saint John). The second Person (step) of the Sun, old and decadent, went back down to his ship in the West Atlantic. The Third Person (step) of the Sun corresponds to a ‘dying god’. Dies, descends to the Underworld, there remains three days, from 21 to 23 December, and rises again. That is what is shown in Celtic coins of Granada (Spain), or on the flag of the Isle of Man. The happy circumstance, as I think, facilitated the conversion of the Celts to Christianity.

É a Moura que à mesma fonte, à mesma pedra, à mesma encruzilhada, e ainda à mesma ponte, fiel vai ano após ano em busca do homem capaz de superar com sucesso uma prova usualmente consistente na eleição encoberta entre ela e um fabuloso tesouro.

El Tesoro de Caldas, como el tesoro escondido en la cueva de Alí Baba, seria, como he demostrado, el producto de un posible expolio intensivo, masivo y prolongado de túmulos aparentemente de varias épocas. Aunque constituido por piezas de diferentes momentos forma sin embargo un coherente y homogéneo de objetos funerarios votivos, un expositivo promptema del compacto ajuar funerario indoeuropeo, donde todas y cada una de las alhajas cobran sentido y encajan. Intentaremos exponer como, procedente del expolio de uno de estos túmulos principescos, el peine de oro de Caldas – un presente de bodas del héroe muerto a la Gran Reina que viene hasta su túmulo para rescatarlo de nuevo de las tinieblas, al que en vida fue su esposo , para llevárselo en su grupa al Más Allá y, de superar el héroe la prueba última, casarse [de nuevo en el Otro Mundo] con él-, habría constituido en un momento muy temprano el primer testimonio arqueológico en occidente de una funeraria hierogamia indoeuropea entre el rey y la Diosa Madre. El fabuloso Tesoro de Caldas inscrito en un promtema funerario indoeuropeo intensamente descriptivo y encuadrable en un horizonte de larga duración responde estrictamente a la acción narrativa del imaginario caballeresco indoeuropeo y a la posición ideológica, social e institucional del caballero [con el transfordo de tama melusino], siendo, en principio, para nuestro análisis irrelevante la estricta datación de las alhajas, que en razón al expolio masivo del que previsiblemente todas ellas proceden, seguramente se correspondería a un dilatado periodo temporal entre el Calcolítico y el Bronce Medio sobre el que existe hesitación, aunque, sind duda, temprano para algunas piezas – es el caso del peine- del repertorio. Entre los objetos de este tesoro sobresal el singular peine de oro de considerable tamaño y peso, un excepcional objeto, el más antiguo de los peines votivos de este género documentados hasta ahora, que en el ámbito indoeuropeo, de ser cierta mi lectura de su uso institucional, aparecería asociado usualmente a espejos desde el Calcolítico o la Edad del Bronce hasta la Alta Edad Media europea en los túmulos, de modo ininterrumpido, estando también profusamente representado en los motivos decorativos de las estelas funerarias.

El uso de los peines funerarios de oro, seguramente votivas ofrendas a la Mater que solícita acoge el alma del caballero, príncipe o rey, puede reconocerse en los relatos del imaginario popular europeo, empleándolos en Galicia habitualmente, “A Moura”, convertida por el folklore en una bellísima mujer de sobrenatural poder, mítica moradora del mundo subterráneo que en busca de un esposo puntualmente retorna a este mundo cada amanecer del día de San Juan. Estas historias son trasunto de las de una vieja divinidad indoeuropea y celta de la soberanía. Excepcionalmente, aunque la acción evangelizadora de los monjes también jugó aquí su papel, la Moura, se muestra como una vieja decrépita. Integrados en un discurso propio relacionado con el funeral, describiéndonos concretas acciones, los peines junto a los espejos mencionados, procedentes de los túmulos o de las fúnebres estelas indoeuropeas, son el específico presente ofrendado a la divinidad femenina soberana: la acción de gracias del héroe difunto por sus prerrogativas en vida y la mortuoria expresión de su elevado interés en el Más Allá.

Esta Diosa Madre, una y triple – La Mater y Las Matres -,  se corresponde y tiene su origen, como demostre con nuestra galaica [A]Moura, o [A]Mouras, estudiadas estas por numerosos autores, como Fernando ALONSO, en su función de “A Moura Constructora de Megalitos” (97).

Joven y vieja, virgen y madre, reina y campesina, es también la Soberanía, encarnación de la tierra y del país (PENA 1995 pp. 48-53) que habiéndo escogido marido, el soberano, en atención a sus méritos para gobernar la Treba o Toudo, E Estado, El Pais, y viene a por él cuando muere, para renovar sus votos y llevárselo con ella a reinar en el Otro Mundo, el Além o Sídhe. Es la Moura que a la misma fuente, a la misma piedra, a la misma encrucijada, y aún al mismo puente, fiel acude año tras año en busca del hombre capaz de superar con éxito una prueba usualmente consistente en la elección encubierta entre ella y un fabuloso tesoro. 

Epona coa chave do Além desenho reconstructivo de A. Pena ex foto Recueil général de Émile Espérandieu

Epona gala, coa chave do Além. Desenho reconstructivo de A. Pena da ilustração do Recueil général de Émile Espérandieu

O pente um presente nupcial, segundo o penso, longe de servir para peitar sua barba, seria aqui oferecido pelo herói morrido à deusa soberana que o reclama, o monta em sua grupa e o conduz agora a sua mansão no luminoso Paraíso: A Rhiannon -nossa Iccona Loiminna “loiminha” [psv. nn = nh] “Luminosa Epona”-, à Grande Rainha que em sua cita anual aguarda ao generoso esposo merecedor no Além ou Sídhe de compartilhar com ela seu amor e seus tesouros.

SECOND OLDEST PROFESSION IN THE WORLD

O Tesouro de Caldas, a meu modo de ver, ilustra uma velha profissão. Em toda Europa se espoliavam os túmulos e o espólio relativamente recente, do ano 1846, do intendente de minas Johan Georg RAMSAUER se fez famoso não por cavar este senhor ao longo de 17 anos 890 túmulos na necrópole de Hallstatt chegando a desenterrar 19.490 objetos ,senão por participar no a alta nobreza do país, se aficionado à Arqueologia. Uma célebre fotografia [cf. por post] mostra à Grande Duquesa de Mecklenburgo ainda no ano 1907 ‘escavando’ pessoalmente um túmulo, depois de obter a permissão do imperador Francisco José. Mas estes saques são coisa cativa de considerar entre as massivas aberturas de mámoas (antas) registradas na Galiza por MARTÍNEZ SALAZAR (1909) (98) o caso de Pedro Vásquez de Orjás, clérigo, senhor do coto de Recemil em Lugo (99), quem a começos do século XVII conseguiu do rei Felipe III no ano 1609 uma cédula para abrir as mámoas e apanhar os tesouros dos ‘gentiles galigrecos’, superando o espolio as três mil câmeras. Se o senhor de Recemil não teve muito sucesso ou resultados se deve a que o teriam tido dantes que ele seus êmulos -como o garimpeiro esse que extraindo, de uma em uma, túmulo por túmulo uma ingente quantidade de peças, teria, saqueando multidão de túmulos e agachado em Caldas (100) seu “tesouro escondido”.

Não se pode subestimar a experiência e a intuição do velho espoliador profissional, de novo com o Tesouro de Caldas como paradigma, supostamente superior em resultados à experiência do atual arqueólogo profissional, que chega tarde a uma cena muitas vezes  arrasada e sem referências. Pedro Vázquez de Orjás não estava capacitado para datar a idade dos túmulos, nem interessado em isso, como passa hoje se os violadores de túmulos não são profissionais da arqueologia, mas poderia, pelo alcance e volume do espolio, intuir que túmulos seriam produtivos Possíveis enterros individuais da Idade do Bronze e da Idade do Ferro? e que túmulos não (101).

TESOURO DE CALDAS

O Tesouro de Caldas, erroneamente considerado como um conjunto se datou inicialmente, de modo acertado, no Calcolítico, se rebaijando logo a data de algumas de suas peças, talvez de modo prematuro, até a Idade do Bronze, entre 1600-1400 a. C. por empregar-se nas espetaculares olas e no pente (102) o fundido à cera perdida, enquanto parecem contemporâneos de braçais similares descobertos em cistas, como a de Agolada, os maciços braçais, genuínos precursores das “viriae”, fariam parte de múltiplas espólios de mámoas, antas ou “túmulos” de diversas épocas realizados por uma mesma mão. Como recapitulação do dito, os objetos do tesouro escondido podem pertencer a diferentes períodos abarcando as espoliações desde o Neolítico ao Calcolítico. Na adscrição do nítido mobiliário arqueológico de Caldas a um marco ideológico e cultural muito concreto não se deve silenciar a delatora presença no mencionado tesouro do grande, maciço e pesado peite votivo de ouro que emprega no imaginário mítico galego a “Moura” para pentear seus loiros cabelos quando em busca de marido aparece, nos lugares que lhe são próprios, em contexto simbólico claramente funerário de passagem ao Além.

O pente de ouro nos servirá de base para revelar, em tempos muito temporões (Calcolítico), a dimensão, e o alcance e profundidade de algumas instituições indo-européias, dando no tesouro de Caldas a todo o conjunto sólida coerência institucional, e uma provável significação na topografia do enxoval psychopompos, por vir associado depois, de modo indefectível, ao ambiente heróico das tumbas de carro do Bronze e do Ferro. Pese à distância temporária que possam ter entre sim alguns objetos de ouro do admissível espólio, o peite de Caldas, pela sua simbologia intrínseca –e com este elemento o grau de certeza dos assertos contidos nos precedentes parágrafos não é depreciável- nos abre novos caminhos no entendimento dos temas interpretativos de nossos petróglifos atlânticos. Esta evidência tem de considerar-se conjuntamente com os poderosos instrumentos e com a ajuda de linhas inmovilistas ou continuistas de investigação etnográfica comparatista de enorme valor.

El peine un regalo nupcial, lejos de servir para peinar su barba, sería aquí ofrecido por el héroe muerto a la diosa soberana que lo reclama, lo monta en su grupa y lo conduce ahora a su mansión en el luminoso Paraíso: A Rhiannon (pos. nuestra Iccona Loiminna “Luminosa Epona”), a la Gran Reina que en su cita anual aguarda al generoso esposo merecedor en el Más Allá de compartir con ella su amor y sus tesoros.

El Tesoro de Caldas, a mi modo de ver, ilustra una vieja profesión. En toda Europa se expoliaban los túmulos y el expolio relativamente reciente, del año 1846, del intendente de minas Johan Georg RAMSAUER se hizo famoso no por cavar este señor a lo largo de 17 años 890 túmulos en la necrópolis de Hallstatt llegando a desenterrar 19.490 objetos sino por participar en el la alta nobleza del país, aficionándose a la arqueología. Una célebre fotografía muestra a la Gran Duquesa de Mecklenburgo todavía en el año 1907 ‘excavando’ personalmente un túmulo, tras obtener el permiso del emperador Francisco José. Pero estos saqueos son cosa desdeñable de considerar entre las masivas aperturas de mámoas registradas en Galicia por MARTÍNEZ SALAZAR (1909) (98) el caso de Pedro Vázquez de Orjás, clérigo, señor del coto de Recemil en Lugo (99) , quien a comienzos del síglo XVII consiguió del rey Felipe III en el año 1609 una cédula para abrir las mámoas y coger los tesoros de los gentiles galigrecos, superando su expoliación las tres mil cámaras.

Si el señor de Recemil no tuvo mucho éxito o resultados se debe a que lo habrían tenido antes que él sus émulos -como el ‘minero’ que extrayendo, de una en una, túmulo por túmulo una ingente cantidad de piezas, habría, saqueando multitud de túmulos y depositado en Caldas (100) su “tesoro escondido”- de pretéritos siglos.

No se puede subestimar la experiencia y la intuición del antiguo expoliador, de nuevo con el Tesoro de Caldas como paradigma, supuestamente superior en resultados a la experiencia del actual arqueólogo profesional que llega a una escena arrasada tarde y sin referencias. Pedro Vázquez de Orjás no estaba capacitado para datar la edad de los túmulos, ni interesado en ello, como pasa hoy si los violadores de túmulos no son profesionales de la arqueología, pero pudo saber, por el alcance y volumen de la muestra, que túmulos serían productivos ¿Posibles enterramientos individuales de la Edad del Bronce y de la Edad del Hierro? y que túmulos no (101).

El Tesoro de Caldas, erróneamente considerado como un conjunto se dató inicialmente, de modo acertado, en el Calcolítico (ca 3200 a.C.), retrasándose luego la fecha de algunas de sus piezas, tal vez de modo prematuro, hasta la Edad del Bronce, entre 1600-1400 a. C. por emplearse en las espectaculares ollas y en el peine (102) el fundido a la cera perdida, mientras que parecen contemporáneos de brazaletes similares descubiertos en cistas, como la de Agolada, los macizos brazaletes, genuinos precursores de las “viriae” que formarían parte de múltiples expolios de mámoas “túmulos” de diversas épocas realizados por una misma mano. Como recapitulación de lo dicho, los objetos del tesoro escondido pueden pertenecer a distintos períodos abarcando estas expoliaciones desde el Neolítico al Calcolítico. En la adscripción del nítido mobiliario arqueológico de Caldas a un marco ideológico y cultural muy concreto no se debe silenciar la delatora presencia en el mencionado tesoro del grande, macizo y pesado peine votivo de oro que emplea en el imaginario mítico gallego la “Moura” para peinar sus rubios cabellos cuando en busca de marido aparece, en los lugares que le son propios, en contexto simbólico claramente funerario de paso al Mas Allá.

El peine de oro nos servirá de base para revelar, en tiempos muy tempranos, la dimensión, el alcance y la profundidad de algunas instituciones indoeuropeas, dando en el tesoro de Caldas a todo el conjunto sólida coherencia institucional y una posible significación en la topografía del ajuar psychopompos, indefectiblemente asociado luego al ambiente heroico de las tumbas de carro del Bronce y del Hierro. Pese a la distancia temporal que puedan tener entre sí algunos objetos de oro del posible expolio, el peine de Caldas, por su simbología intrínseca -con este elemento el grado de certeza de los asertos contenidos en los precedentes parágrafos no es despreciable- nos abre caminos en la comprensión de los temas interpretativos de nuestros petroglifos. Esta evidencia ha de considerarse conjuntamente con los poderosos instrumentos y con la ayuda de líneas inmovilistas o continuistas de investigación etnográfica comparativista.

Arca ou 'armada' violada. O Xistral. Galiza

Arca ou ‘armada’ violada. O Xistral. Galiza

Sem o ouro de Caldas, tendo desaparecido nas violações de túmulos toda a evidência, quiçá nunca saberíamos se as grandes arcas abertas, como as relacionadas com os ‘curros vedros’, e com os recintos fechados das branhas do Xistral tiveram áureos enxovais. Com os materiais do esconderijo do Tesouro de Caldas sabemos em que puderam consistir estes equipamentos e com a ajuda de Mitologia Comparada inclusive o horizonte cultural e ideológico ao que talvez pertencessem.

Recreación ideal, 'simplistificada' para não alborotar mais do devido à parroquia, de um funeral calcolítico, com abellón e sutti, em um túmulo dos montes da Lagoa e Vilarquinte. Despregado sobre um lienzo o espelho e o peine do caballero para a [A]Moura. A pintura é de Carlos Alfonzo realizada baixo meu assessoramento e direção.

Recreação ideal, simplificacionista’para não alborotar mais do devido à paroquia, de um funeral calcolítico, com abelhão e sutti, em um túmulo dos montes da Lagoa e Vilarquinte. Despregado sobre um lenço o espelho e o peine do cavaleiro para a [A]Moura. A pintura é de Carlos Alfonzo realizada baixo meu assessoramento e direção.

As olas e o pente de Caldas poderiam, sem dúvida, provir do espólio de “arcas”, antas ou dólmens, de câmara aparelhada com quatro grandes pedras e coberta, grandes túmulos relacionados nas branhas do Atlântico Europeu com os cercados para as vacas –pegada da sem dúvida incipiente e importante cabana vacina- do Calcolítico e da Idade do Bronze, conhecidos na Idade Média como “curros vedros” ou causos veteros. Quiçá nunca o saberemos com certeza tendo desaparecido nos espolios a evidência, mas é muito possível que as grandes arcas abertas, como as relacionadas com os mencionados curros vedros, ‘redondos’, ‘bouças rotundas’ e recintos associados, nas branhas do Xistral, tivessem áureos enxovais similares. Este, e não outro, é, segundo o penso, o horizonte cultural e ideológico, ao que possivelmente teriam pertencido muitos objetos do Tesouro de Caldas

The Ringlemere andRillaton barrow (Cornish: Krug Reslegh) gold cups. Photo by portableantiquities on Flickr. Under licence of Creative Commons

The Ringlemere and Rillatom gold cups. Photo by portableantiquities on Flickr. Under licence of Creative Commons

Confirmando de novo as teorias do “Inmovilismo Atlântico” (PENA, 1995) as arcas e os curros vedros, cousos ou causos veteros galegos, responderiam ao mesmo horizonte cultural Calcolítico, herdeiro de outro anterior Neolítico, no que se enquadram as arcas e os sobreditos curros vedros das branhas inglesas de Dartmoor, ou dos nomeados The Hurlers, de Cornualha, das que provem também a célebre copa de ouro de Rillaton, Minions, achada em Bodmin Moore, Cornualha a princípios do século XIX, precisamente em uma destas arcas ou mámoas da Idade do Bronze de 27 mts de diámetro e 2.5 de altura.

O copo de Rillaton relacionada tipologicamente com as copas micénicas de ouro e de prata, ou a recentemente achada precisamente em um insospeitado complexo funerário dos albores da Idade do Bronze, em Ringlemere, Kent, (ca. 1700-1500) seriam herdeiras da comum tradição heroica e do ambiente funerário cavaleiresco indo-europeio descrito com todo luxo de detalhes na Ilíada nas honras fúnebres de Patroclo, destinado a ter uma longa duração, tradição possivelmente inaugurada no registro arqueológico europeu com os copos de Caldas.

Sin Caldas, habiendo desaparecido en los saqueos toda la evidencia, quizás nunca sabríamos si las grandes arcas abiertas, como las relacionadas con los ‘curros vedros’, y con los recintos cerrados de las brañas de o Xistral tuvieron áureos ajuares. Con los materiales del escondrijo del Tesoro de Caldas sabemos en que pudieron consistir estos ajuares y con la ayuda de Mitología Comparada incluso el horizonte cultural e ideológico al que tal vez pertenecieron.

Las ollas y el peine de Caldas podrían provenir del expolio de “arcas”, dólmenes de cuatro grandes piedras y cubierta, grandes túmulos relacionadas en el Atlántico Europeo con los cercados para las vacas del Calcolítico y de la Edad del Bronce conocidos en la Edad Media como “curros vedros” o “causos veteros”. Quizás nunca lo sabremos con certeza habiendo desaparecido en los saqueos la evidencia, pero es muy posible que las grandes arcas abiertas, como las relacionadas con los mencionados curros vedros, y otros recintos asociados, en las brañas del Xistral, tuvieran ajuares similares. Este, y no otro, és el horizonte cultural e ideológico, estamos convencidos, al que posiblemente habrían pertenecido algunos materiales del Tesoro de Caldas

Confirmando de nuevo las teorías del “Inmovilismo Atlántico” (PENA, 1995) las arcas y los curros vedros o cousos veteros gallegos, responderían al mismo horizonte cultural Calcolítico, heredero de otro anterior Neolítico, en el que se encuadran las arcas y los curros vedros de las brañas inglesas de Dartmoor, o de las llamadas The Hurlers, de Cornualles, de las que proviene también la célebre copa de oro de Rillaton, Minions, hallada en Bodmin Moore, Cornualles a principios del siglo XIX, precisamente en una de estas arcas o mámoas de la Edad del Bronce de 27 mts de diámetro y 2.5 de altura.

La copa de Rillatón relacionada tipológicamente con las copas micénicas de oro y de plata, o la recientemente hallada precisamente en un insospechado complejo funerario de los albores de la Edad del Bronce, en Ringlemere, Kent, (ca. 1700-1500) serían herederas de la común tradición heroica y del ambiente  caballeresco indoeuropeo descrito con todo lujo de detalles en la Ilíada en las honras fúnebres de Patroclo, destinado a tener larga duración, posiblemente inaugurada en el registro arqueológico europeo con los vasos de Caldas.

PRINCIPESCAS TUMBAS INDIVIDUAIS

Estela e estatua menhir do calcolítico reaproveitada em o Bronze a primeira e epigrafiada em o Baijo Império a segunda., Cabeça de guerreiro galaico de Rubiás, e cabeça lateniana dum guerreiro galeico empotrada sobre o descabeçado corpo de guerreiro galaico pre-romano, com epigrafe funerário aposto no Baijo Imperio.Falando dos límites da casa de Santa Columba [santa comba de Bande] na Limia, cedida ao mosteiro de Celanova de San Rosendo Odoino, di o seguinte [aclarando a] identidade entre Lagoa e o megálito, túmulo ou mámoa. “tal e como divide coa vila de santa Columba, de ermigildo e de atanes e pasa Limia contra padrón entre mogaines e santa Comba, e atinxe polo medio da arca de tras a Limia ata cas de Dono e polos seus termos por onde empezaches, lagos antigos e mámoas (*Lacos anticos et mamolas): um lago, “túmulo”, que está tras a Limia por onde atravesa a liña de separación [liniolo] que pasa por Limia e vén entre san martiño de Caldas e chega ata a Cima da Vila ata outro lago máis grande pola súa liña divisoria ata onde xace unha efixie de home esculpida en pedra [unha de elas a estatua menhir calcolítica reselada no baixo império Látronus (Esforçado em a Luita) fillo de Celtiato Aquí Xace [leva expresamente a fórmula funerária Hic Situs Est) [estatua]que [reiterándose –e um de estes sería o guereiro Látrono, filho de Veroto, ao que correspondia seguramente a cabeça de Rubiás-] marca de “lago” en “lago”, e de alí polas súas solidísimas antas, cara a arca maior, ata o Castro de Vemes, e así volve por outros albeiros (antas de mámoas) e chega a unha fonte de mulleres [probablemente con lendas de mouras do tipo da triple ana manana] e logo despois do río minho entre Vilariño e Monte Longo onde o dividimos firmemente com eses donos xa ditos nun gran concilio deles baixo uns [ posib. abreviatura de uoues, “bois”? empregados de succo nunha ceremonia demarcatoria] andantes”11 [Pena 1991].

A esquerda no meu promptema podese olhar uma e stela e uma estatua menhir, ambas  do Calcolítico e reaproveitadas,  em a Idade do Bronze a primeira; e a segunda epigrafiada em o Baijo Império. A Cabeça  é do guerreiro galaico (de estilo Halssttático, pese a levar no corpo  um epígrafe latino  aposto em o Baijo Impêrio) desaparecido de Rubiás. Outra e cabeça lateniana dum guerreiro galaico, do norte de Portugal, foi por um tempo, recentemente empotrada sobre o descabeçado corpo doutro guerreiro galaico, também pre-romano e Hallstático em origem, mas com gravuras posteriores de estilo lateniã, e, de novo com epigrafe funerário aposto no Baijo Império. Loce também na caetra, uma conocida armaía  baijo medieval, duma familia fidalga galega. Sabemos  o nome do incorpóreo guerreiro galaico de Rubiás cuxa enorme cabeza  conserva o Museo Provincial de Ourense:[L]ADRONVS / LATRONUS  (t/d)  “Ladrón [do OIr. Láthar envolvendo a Ideia de”disposição [para o combate]’, “n. o-stem <*lāϑ(e)r < * lāϑ(e)rom: acc. sg., dat. sg. lathur [lathar] (McCone, 2011)] de  látronus “esforzado no combate de onde psv. tomou emprestito?  o/do? latim latus -lateris “flanco, beira” , e lateronus  “cavaleiro de acostamento”  (Pena 2012)[[2º -esta segunda opção cede ante a anterior-, lat. Later-onus “O que [pela segurança que inspira] anda ao lado do (nobre ou o rei)”]]VEROTI F(ilius), Fillo de Veroto, [un nome segundo o penso interesantíssimo, psvl. de *u(p)ero, *uero > vero, “alto”, “elevado”, “importante” + sufixo lat. tus véxase a propósito do  antropónimo celtogalaico ; Veroblio  [l/r; e tb.vogalismo i/e], comparativamente de UERO BREO “(Señor) da Alta Casa (Fortificada)” (Pena 2011) –.  [Desculpem as gralhas].

 Este ambiente heróico chegaria sem grandes mudanças no Atlântico, à Idade do Ferro (ARNOLD, 1995: 51) paradoxalmente em tumbas principescas individuais, das que não nos teria ficado rastro-. Que estas tumbas existirão o mostra sem lugar a dúvidas, descrito pelos historiógrafos da antiguidade, o enterro e os funerais de Viriato, e o testemunham os guerreiros galaicos [[[ os conservados são sempre GUERREIROS GALAICOS, achados sempre em Gallaecia, mais que alguns ansiosos de e-lusa escola, ou ‘salmantina’, castelã em qual queira caso, lhes chamam, sem dúvida por ignorância LUSITANOS, porque para eles Gallaecia (e os galaicos ou galegos) estaría em Galiza (Espanha), mentres que e-Lusitania (e os e-lusos e e-lusitanos de Brácara!!, p. e.), amoldando o desejo á realidade, estariam em Portugal -com a raia no río Minho-, e tutti contenti, esquecendo que ao norte do Douro, lugar do achado dos guerreiros, começava a Gallaecia Bracarense, e que o galaico Idácio, dende o ano 427, era bispo de Aquae Flaviae, Chaves, um lugar de Gallaecia]]], que, em algum caso, dantes de que fossem estes mencionados guerreiros galáicos arrancados de seus túmulos, esnaquizados (rompidos em pedaços), ou reutilizados, são descritos, in situ, sempre arrogantes e dominantes, sobre seus funerários túmulos, nos diplomas medievais, e inclusive os museus luziriam áureos objetos produto quiçá também de espólios dos enxovais funerários destes desaparecidos principescos túmulos, como o mostraria -pelos parrulinhos esses- a chamada diadema de Elvinha, em realidade uma áurea placa de cinto, a peça que recobre o cinto de couro que sujeita o saio ou saia do príncipe ou nobre guerreiro, uma peça quiçá ‘de família’ à  que se lhe teria agora redesenhado a velha decoração “hallstática” anterior, a substituindo o hábil ourive pelos “lateniãos” chevrãos ou dentes de lobo’, ondulações mais próprias do século II d. C. Sem dúvida a este tipo de principesco enxoval, e momento, pertença também a espetacular fíbula, de desaparecido longo travessanho, recolhendo os trabalhos de Hércules, do duque de Bragança recentemente adquirida pelo Museu Britânico, peça taxada em mais de um milhão de libras esterlinas, obra mestre da ourivesaria européia celta.

 FAMILIAR TRADIÇÃO. FAMILIAR TRADICIÓN 

[A]MOURA E CAVALEIRO. Promptema do Ethos cavaleiresco celtoatlântico segundo A. Pena

[A]MOURA E CAVALEIRO. Promptema do Ethos Cavaleiresco Celtoatlântico. Segundo A. Pena

Nada teria de particular, segundo o penso o estranho seria que não fora assim, que os guerreiros da Idade do Bronze, representados nas estelas do sudoeste peninsular, fossem, no marco da coiné das instituições indo-européias e a Universal Celtic Law, por mim postulada, os herdeiros e os continuadores da tradição familiar representada pelas estelas funerárias do Calcolítico e do Neolítico (estudadas as derradeiras por GOMES 1989).

Afundando possivelmente uma prévia e comum matéria suas raízes indo-européias no Neolítico, o âmbito cultural celtoatlântico se teria conformado pouco a pouco por cultural osmose, sem o recurso a invasões em massa [como as germânicas, as dos anglo saxões e as normandas], por contato mútuo entre povos, de comum berço remoto hispano, e de afim tradição cultural, compartilhando um oceano e um devir, com uma língua/s (Eulogio LOSADA BADÍA, 1999, 201-246; Robert OMNÉS 1999, 248-268; Isidoro GONZÁLEZ PARDO 1999, 270-279), comum/s, com uma religião comum, e mantidos ferreamente unidos com instituições comuns no seno da Universal Celtic Law pela Igreja Celta.

Este ambiente heróico llegaría sin grandes cambios en el conservador Atlántico, hasta la Edad del Hierro (ARNOLD, 1995: 51)  en tumbas principescas individuales, en grandes túmulos o mámoas principescos individuales –de los que  no nos habría quedado rastro-. Que estas tumbas existieron,  lo muestra sin lugar a dudas, discrito por los historiógrafos de la antiguedad, el entierro y los  funerales de Viriato, y lo atestiguan los guerreros galaicos [[[no está de más que aclare aquí que los conservados son siempre GUERREROS GALAICOS, aparecidos todos ellos en Gallaecia, [[por más que en su charquita alguna ansiosa ranita salmantina -no tan próspera ya y un tanto desinflada- les llame a nuestros galaicos guerreros, sin duda por descuido, LUSITANOS, porque Gallaecia es Galiza (España), mientras que Lusitania, amoldando el deseo a la realidad, es Portugal, y tutti contenti]] pues conviene no olvidar  que al norte del Duero, lugar del hallazgo de los guerreros, comenzaba la Gallaecia Bracarense, y que el galaico Idacio, fué, al menos desde el año 427, obispo de Aquae Flaviae, Cháves, lugar de Gallaecia ayer como hoy, aunque está en Portugal]]], que, en algún caso, antes de que fueran arrancados de sus túmulos, rotos en pedazos, o reutilizados, habrían sido descritos, in situ, arrogantes y dominantes sobre sus funerarios túmulos, en los diplomas medievales gallegos, e incluso hoy lucirían nuestros museos áureos objetos, productos quizás también de expolios de los ajuares funerários de los túmulos, como lo mostraría la llamada diadema de Elviña, en realidad la áurea placa que recubre el cinturón de cuero que sujeta el sayo o saya, del príncipe, o noble guerrero, una pieza quizás ‘de familia’ a la que se le habría ahora rediseñado una vieja decoración “hallsttática” anterior, pasada ya de moda, sustituyéndola el hábil orfebre por unos latenianos chevrones o ‘dientes de lobo’, ondulaciones estas más propias del siglo II d. C.  Sin duda a este tipo de principesco ajuar y momento habría pertenecido también la extraordinaria fíbula con desaparecido largo travesaño (galaica o lusitana, en cualquier caso nunca celtibérica) representando los Trabajos de Hércules, que fue del duque de Braganza hasta que la adquirió  el Museo Británico. Una pieza tasada en más de un millón de libras esterlinas, obra maestra de la orfebrería europea celta.

Nada tendría de particular, según lo pienso lo extraño sería que no fuera así, que los guerreros de la Edad del Bronce, representados en las estelas del sudoeste peninsular, fuesen, en esta coiné de las instituciones indoeuropeas y la Unversal Celtic Law por mi postulada, los herederos y los continuadores de la tradición familiar de las estelas funerarias del Calcolítico y del Neolítico (estudiadas estas últimas por GOMES 1989).

Hundiendo posiblemente una previa y común materia sus raíces indoeuropeas en el Neolítico, el ámbito cultural celtoatlántico se habría conformado poco a poco por cultural ósmosis, sin el recurso a invasiones masivas, como las germánicas, anglosajonas y la normanda, por contacto mutuo entre pueblos de afín tradición cultural, compartiendo un océano y un devenir, una lengua (Eulogio LOSADA BADÍA, 1999, 201-246; Robert OMNÉS 1999, 248-268; Isidoro GONZÁLEZ PARDO 1999, 270-279), el Celta Antiguo Común en la Edad del Bronce, con instituciones comunes, com uma religião comum, y mantidos ferreamente unidos  com comúnes instituciones y derecho, en el seno de la Universal Celtic Law  por una Iglesia Celta, vertical, controlada por los druidas o durvedes.

Guerreiro Galaico (reconstrução cromática de André Pena) de Outeiro Lezenho. Camposforro de cinto funerário - este caráter se em contexto celtico, entre outras coisas-, deduze-se pela intencionada presença dos parrulos (patos -só se conserva um deles-), aves psychopompas - sem dúvida por seu caráter migratorio- por excelencia entre os celtas e

Guerreiro Galaico de Outeiro Lezenho. Campos [reconstrução cromática de André Pena].  Forro de cinto funerário – este caráter se em contexto celtico, entre outras coisas-, deduze-se pela intencionada presença dos parrulos (patos -só se conserva um deles-), aves psychopompas – sem dúvida por seu caráter migratorio- por excelencia entre os celtas.

GRANDES TÚMULOS DA IDADE DO FERRO DESAPARECIDOS SEM DEIXAR RASTRO

Seria possível também por este caminho que baixo a letal piqueta dos cobiçosos buscadores de tesouros, desde seus fundamentos, os grandes túmulos da Idade do Ferro -fisicamente inexistentes hoje para a arqueología galega por não nos ter chegado nem um só deles-, supostamente mais ricos que os das épocas precedentes, similares aos do mesmo contexto cultural Atlântico e Celta, que compartilhamos, desaparecessem totalmente, sem deixar rastro. Segundo vimo-lo teríamos uma evidência destas violações, no que STEUER (1979, 631-2) denomina “second oldest profession in the world” no já mencionado Tesouro de Caldas, provavelmente resultado de múltiplos e fructíferos espólios de tumbas principescas. 

Sería posible también por este camino que bajo la letal piqueta de los codiciosos buscadores de tesoros, desde sus fundamentos, los grandes túmulos de la Edad del Hierro  -físicamente inexistentes hoy para la arqueología gallega por no habernos llegado ni uno solo de ellos-, presuntamente más ricos que los de las épocas precedentes, similares a los del mismo contexto cultural Atlántico que compartimos, desaparecieran totalmente, sin dejar rastro. Según lo vimos en el post de la [A]Moura y el caballero, tendríamos una evidencia de estas violaciones, en lo que STEUER (1979, 631-2) denomina “second oldest profession in the world” en el ya mencionado Tesoro de Caldas, probablemente resultado de múltiples y fructíferos expolios de tumbas principescas.

Torques galaicos. Museu do Castelo de Santo Antóm. Crunha.

Torques galaicos. Museu do Castelo de  Santo Antóm. Crunha.

A em massa presença dos já claros precursores de torques e de viriae conservados e o áureo alarde simbólico dos objetos de tumbas principescas muito antigos e de diversas épocas, reforçam esta ideia ou este aroma do ortodoxo ideológico contexto cavaleiresco aristocrático indoeuropeu.

La masiva presencia de los ya claros precursores de torques y de viriae conservados y el áureo alarde simbólico de los objetos de tumbas principescas muy antiguos y de diversas épocas, refuerzan esta idea o este aroma del ortodoxo ideológico contexto caballeresco aristocrático indoeuropeo.

A bela nua maturidade institucional do éthos cavaleiresco indoeuropeo que mostram os áureos e sobrios objetos de Caldas se reflete no elaborado enxoval do banquete funerario, nas áureas olas, com precedentes funcionais, no campaniforme copo para a cerveja do brindis último, adscrivíveis ao Calcolítico, indicativas da relevancia social de quem meresceram as usar possivelmente no  derradeiro banquete. A presença do peite votivo (103) que se acompanharia quiçá dum espelho, possivelmente oferendado à divinidade feminina encarregada de conduzir ao herói morrido até seu paço no  Além ou Sídhe.

Nada nos induze a pensar em meras peças de enfeito, sincrónicas ou ainda inacabadas, como a médio fazer dum [-carregado com trinta kilos de ouro!!! a idea é ridícula-] orfebre itinerante.

La bella desnuda madurez institucional del éthos caballeresco indoeuropeo que muestran los áureos y sobrios objetos de Caldas se refleja en la elaborada vajilla del banquete funerario, en las áureas ollas, con precedentes funcionales, en el campaniforme vaso para la cerveza del brindis último, adscribibles al Calcolítico, indicativas de la relevancia social de quienes merecieron usarlas posiblemente en el último banquete. Las presencia del peine votivo (103) que se acompañaría quizás de un espejo, posiblemente ofrendado a la divinidad femenina encargada de conducir al héroe muerto hasta su palacio en el otro Mundo.

Nada nos induce a pensar en meras piezas de adorno, sincrónicas o aún inacabadas, como a medio hacer de un orfebre itinerante.

PASSAGEM AO ALÉM OU SÍDHE

Promptema do peite e do espelho atlantico para a [A]Moura segundo André Pena. Centrado, espelho de Aston, similar ao atopado em 1994 no oppidum de Calleva Atrebatum, Silchester, na tumba de ca. 50aC. A urna continha as cinzas dum home de 30 anos, dum neno (meninho) de 5 anos (sem aparente filiação genética com o defunto) e varias fivelas

Promptema do peite e do espelho atlantico para a [A]Moura segundo André Pena. Centrado, espelho de Aston, similar ao atopado em 1994 no oppidum de Calleva Atrebatum, Silchester, na tumba de ca. 50aC. A urna continha as cinzas dum home de 30 anos, dum neno (meninho) de 5 anos (sem aparente filiação genética com o defunto) e varias fivelas

Não se deve silenciar que é alta a probabilidade dos asertos contidos nos precedentes parágrafos pela delatora presença no mencionado tesouro de um grande, mazizo e pesado peite votivo de ouro de nítida adscripción a um marco ideológico e cultural muito concreto: Trata-se do pente votivo que -em contexto simbólico claramente funerário de passagem ao Além ou Sídhe na mitología galega-,  emprega para peitar seus cabelos a velha divinidade indoeuropea, e celta [Mater/Matres], da soberania galaica [A]Moura -moradora de *Omorica, O Além [baijo o mar; e baijo terra], um subterrâneo mundo-, que anualmente retorna a este em busca de um esposo ao amanhecer do dia de São Jõao.

No se debe silenciar que es alta la probabilidad de los asertos contenidos en los precedentes párrafos por la delatora presencia en el mencionado tesoro de un gran, macizo y pesado áureo peine votivo, de nítida adscripción a un marco ideológico y cultural muy concreto: Se trata del peine que -en contexto simbólico claramente funerario de paso al Alén o Sídhe en la mitología gallega-, emplea para peinar sus cabellos la galaica  [A]Moura  -habitante de O Alén, un subterráneo mundo-, que anualmente retorna a este en búsqueda de un esposo al amanecer del día de San Juan.

Programa iconográfico da Pedra das Procissões de Agua da Lage, em Gondomar, Pontevedra

Programa iconográfico da Pedra das Procissões de Agua da Lage, em Gondomar, Pontevedra

Encontramos, segundo eu o penso, no Atlântico possivelmente o simbólico presente do peite, representado pela primeira vez na Europa, em um petroglifo sobre um outeiro, croio ou pala, “altar de pedra”, chamado -não por casualidade- Pedra  das Procissões  Agua da Lage, Gondomar, Pontevedra, dominando hierárquicamente outros menores.

armeria de Sir Walte ScottEncontramos, según lo pienso, en el Atlántico posiblemente el simbólico presente del peine, representado por primera vez en la Europa, en un petroglifo sobre un outeiro, croio o pala, “altar de piedra”, llamado -no por casualidad- Piedra de las Procesiones de Agua da Lage, en Gondomar, Pontevedra, dominando, jerárquicamente otros menores.

Programa iconográfico da Caça Selvagem na Pedra das Procissões de Agua da Lage, em Gondomar, Pontevedra

Programa iconográfico da Caça Selvagem na Pedra das Procissões de Agua da Lage, em Gondomar, Pontevedra